Além do amor
3 Alívio
Notas iniciais
– O quadro de Clara é grave... Ela deu entrada no Hospital com um ferimento grande na cabeça, uma de nossos internou reparou que existia um objeto dentro do ferimento e suponhamos que o objeto fosse algum parte do carro que tenha resultado no ferimento. Ela esta neurologicamente ela estava estável, então pedimos uma Tumografia e reparamos que a própria barra de ferro estava bloqueando o sangramento, então optamos por abrir o crânio e assim retirar o projétil... — a Cirurgiã falava com um tom calmo embora deixasse aparente a tensão da situação. A médica pediu licença e se retirou dizendo que em poucos minutos ataria entrando no centro cirúrgico para operar Clara.
Marina não agüentou e segurou o braço da médico no impulso desesperado. A médica olhou para traz e disse: — Calma, faremos de tudo para a Clara ficar bem.
– Por favor, faça tudo pela Clara, Doutora! Eu não configuraria viver sem ela... — Marina pedia em meio ao choro e desespero. — Eu preciso estar com ela nesse momento, não posso deixar ela sozinha... Eu prometi nunca abandona-lá. Eu preciso entrar com vocês nessa cirurgia.
–Eu entendo todo o seu med... — antes mesmo da Médica terminar de falar, Marina interrompeu. — Não, você não entende. Eu preciso entrar lá.
Eu entendo sim e sei porque vivo essas situações todos os dias e eu aqui dando a minha palavra como Cirurgiã dando a minha palavra que faremos de tudo pela Clara... Tudo! Acredite em mim, você lá não poderá fazer nada, deixe que eu e a minha equipe faremos o nosso trabalho. Sei também que essas horas serão as piores para vocês, mas eu preciso que vocês confiem em mim e na Medicina.
Marina procurava se manter calma, mas era muito difícil. As horas iam passando e todos ficavam apreensivos e o clima ficava cada vez mais tenso e preocupante na sala de espera.
–Cadê a Marina, filha? — perguntou Chica para Helena que estava sentada ao lado de Virgílio perto de Cadu e Verônica.
–Acho que ela foi na Capelinha aqui do hospital, mãe! Vamos lá, ela deve estar precisando ficar com alguém por perto. Até que Marina se levantou e encontrou as duas no corredor do hospital.
–alguma notícia? — perguntou Marina com a voz e o semblante acabados.
– até agora nada, meu amor! Você já comeu alguma coisa? — perguntava Chica preocupada
–Não consigo, parece que eu só vou voltar ao mundo quando alguém me der alguma notícia.
–vem, vamos para a sala. A cirurgia já deve estar acabando. — Helena abraçava Mariana e as três seguimos caminhando em direção a sala de espera.
As horas pareciam não passar e o clima ficava ainda pior a cada segundo. Depois de 7 horas de cirurgia a Cirurgiã Barbara veio acompanhada de dois homens atrás dela que pareciam fazer parte da equipe dela.
Todos se levantaram ao ver a Médica no corredor em direção a toda família de Clara que estava ali presente. Marina ficou na frente de todos em destaque e logo deixou evidente o seu desespero.
– Deu tudo certo, Doutora? — Marina perguntava desesperada.
– A cirurgia foi um sucesso, Clara teve uma complicação pequena no meio da cirurgia mas conseguimos controlar toda a situação a tempo.
Todos respiravam aliviados e se abraçavam. Marina foi logo abraçada por Chica e Helena logo em seguida.
–Graças a Deus! Tive tanto medo... — a fotografa desabafava em voz alta enxugando suas lágrimas que naquele momento passavam a cair por tamanha emoção, felicidade e alívio. E agora? Quando podemos ver a Clara?
–Ela agora esta se recuperando e digamos que esses minutos pós-cirurgia sejam bem significativos para a gente. Preciso que vocês tenham um pouco mais de paciente... Logo logo estarão todos com a Clara. Prometo
Depois do comunicado da Médica todos se abraçavam aliviados e realmente felizes.
2 horas se passaram até que veio um homem que se apresentou como Jorge e disse ser o interno da Doutora Barbara naquele dia, disse que a Clara havia acordado e assim deu permissão para 3 pessoas entrarem no quarto.
– Como a paciente acordou, aqui deixamos nossos pacientes receberem 3 visitas por vez...
– Eu vou... — Marina logo se manifestou e tomou a frente de todos.
– Eu também. — Chica e Helena falaram ao mesmo tempo.
– Cadê o marido da paciente? Acredito que ele também queira ver a sua esposa...
Todos ficaram sem reação no momento e o Interno Jorge notou que havia dito alguma coisa errada pois todos olhavam uns para os outros e o clima tinha mudado na mesma hora que ele falou aqui.
– Eu sou a esposa da Clara. Ela é a minha mulher... Posso vê-la logo? — A Fotografa logo se colocou na frente do médico que pediu desculpa logo pela situação. Marina entendeu numa boa e pediu também desculpas pela maneira que tinha respondido, mas deixou claro que não era pela intromissão do Jovem e sim pela necessidade que tinha de ver a sua amada.
Chica, Helena, Marina e Jorge foram em direção ao quarto de Clara que logo quando chegaram estava tentando se ajeitar na cama e Jorge logo se prontificou.
– Posso ajudar? Está precisando de ajuda?
– Não, só queria ficar um pouco sentada.
– Claro. Vou te ajudar. Só peço que tenha cuidado e chame sempre um enfermeiro, assim evitamos qualquer tipo de probleminha com a sua cabeça.
Helena e Chica resolveram deixar Marina entrar primeira para as duas terem um momento sozinhas depois de tudo aquilo que tinha acontecido.
Marina entrou no quarto e ao mesmo tempo procurava enxugar as suas lágrimas que caiam de tanta emoção de ver Clara na sua frente.
– Meu amor... — Clara falava baixo e um pouco devagar que o normal, mas não escondia o sorriso que nasceu em seu rosto logo quando viu a sua esposa entrar no quarto.
– Vida... — a fotógrafa se aproximava da mulher com um sorriso no rosto e as lágrimas caindo, acariciava o rosto de Clara e selou o momento com um selinho delicado na amada. — Eu tive tanto medo de ter perder, fiquei desesperada... — completava Marina.
– Calma, meu amor... Agora já estava tudo bem. Já passou, agora eu estou aqui com você... — Clara procurava acalmar a mulher pois via o quanto ela ainda estava desesperada.
– Nao sei o que seria de mim sem você, Clara. Eu imaginei a minha vida sem você e ... — Clara a interrompia. — Para de falar isso, vamos viver e celebrar esse momento. Eu estou bem e você está aqui comigo... Temos a vida inteira pela frente ainda e você acha mesmo que eu iria deixar você aqui sozinha? Deixando o caminho livre pra esse povo que queria tanto ser a sua mulher? Acha mesmo? — Clara ria e tentava descontrair o ambiente.
– Para de palhaçada, sabe muito bem que só tenho olhos para você e não te trocaria por ninguém nesse mundo. — Marina também ria da situação e faria carinhos em Clara durante toda a conversa.
– Uma das imagens que mais vinham na minha mente quando estava vindo para o Hospital naquela Ambulância era o seu rostinho sorrindo... — Clara sorria e olhava admirando cada detalhe do rosto da sua esposa, passava a sua mão devagar por todo rosto e completou — tudo que eu queria era poder te tocar e te ver mais uma vez...
Marina deu um selinho na esposa — Te amo muito. — Eu te amo muito, tentei te falar isso quando entrei no hospital mas não conseguia dizer nada... — Eu sei, mas eu senti o seu aperto de mão e foi o suficiente para entender tudo que você estava querendo me dizer.
Naquela hora Clara puxava de leve a esposa para um beijo mais longo, até que veio um barulho baixinho da porta...
– Licença, não queremos atrapalhar esse momento, mas eu também preciso ver a minha filhota. — declarou Chica toda sem graça por atrapalhar o momento das duas, mas ela precisava entrar pois Clara era sua filha e ela também estava desesperada junto com Helena.
Clara foi muito paparicada por todos naquele dia. Marina levava flores para a sua esposa todos os dias e procurava mimar muito.
– Olha que eu vou ficar muito mal acostumada hein...
– Você já é, sempre foi mal acostumada. Sempre me deve aos seus pés e sabia bem disso.
– Opa, opa, como assim? — Clara se levantava aos poucos na cama
– É isso mesmo meu amor. Sempre estive aos seus pés. Te mimei e sempre vou te mimar. Lembro que você me disse a mesma coisa na nossa primeira viagem... Lembra? — questionava a fotógrafa lembrando daquela inesquecível viagem que fizeram à Angra
– Claro que lembro! Como poderia esquecer? Quase morri de tanto medo naquele Helicóptero. — ela ria dela mesma ao lembrar do seu pânico.
– Só lembra disso?
– Não né. Lembro que quando dormimos juntas naquela cama acordei no meio da noite e fiquei te admirando dormir. Ficava te fotografando, observando cada detalhe do seu rostinho. Lembro que procurei te fazer carinho, mas vocês despertou e virou para o outro lado.
– Sério? Como você nunca me contou isso? Fui embora daquela viagem arrasada achando que você me tinha como uma amiga e só...
– Não mesmo meu amor! Ali eu já estava me controlando para não me entregar a você. Você já mexia comigo, já perturbava os meus sonhos e eu não podia me entregar a você assim né?! Acho que faltou diálogo e ação entre a gente...
– Ação, Clarinha? Se eu tivesse ido pra cima de você com mais rapidez você iria correr de mim. Sei que sou irresistível, mas você iria se assustar...
– É muito convencida né?! — Clara fazia cosquinhas na esposa
– Vai dizer que estou mentindo? Vai negar?
– Você é irresistível... — Clara puxava a amada para perto e as duas se beijavam apaixonadas quando escutaram um barulho na porta. Era Maria, a Chefe da Enfermagem que veio comunicar que um novo enfermeiro passaria a cuidar de Clara durante os 3 dias restantes que ela ficaria em observação no Hospital. O Enfermeiro entrou e logo Marina mudou a sua expressão e fechou a cara. Clara sentia a tensão no ar e via Marina mudar totalmente a sua fisionomia naquele momento.
– Esse é Miguel, o novo Enfermeiro que estará cuidando de você durante esses 3 dias.
Miguel automaticamente sorriu ao perceber que a sua nova paciente era a linda morena que tinha chamado tanto a sua atenção naquele restaurante e que jurou encontrar novamente, mas não sabia se Clara lembraria dele então optou por não recordar o momento e deixar um clima no ar já que sabia que a sua esposa estava presente e ela era o seu grande adversário naquela conquista já declarada por Clara. — Será um prazer cuidar e estar ao seu lado 24 horas por dia... Darei tudo de mim... — Miguel era bem provocativo e fez questão de olhar fixadamente para Clara e em seguida encarar Marina.
Miguel saiu do quarto e prometeu voltar o mais rápido possível para fazer o novo curativo em seus ferimentos.
Elas se olharam. — Isso não vai acabar bem — Marina concluiu.
–Calma, por favor! Você pode se surpreender e notar que ele não está com segundas intenções...
– Vai justificar falando que ele estava bêbado naquele dia? Melhor não né?! Espero que não tenhamos que voltar com essa discussão... Esse cara deu em cima de você na minha cara, passou por cima de mim e deixou hoje mais uma vez que é capaz de passar por cima de qualquer um para te conquistar.
– Meu amor, calma! Não vai acontecer nada! Ele não é maluco de tentar alguma coisa e se arriscar a tomar mais um fora e uma advertência no trabalho.
– Calma? Você quer que eu tenha calma? O cara foi bem direto aqui, Clara!
– Não vamos julgar antes do tempo! Calma, meu amor. — Clara tentava amenizar a situação mas ela mesmo sabia que o homem estava disposto a enfrentar e passar por cima de Marina.
As duas foram mais uma vez interrompidas pela barulho de alguém batendo na porta antes de entrar. Clara fez uma cara de espanto e surpresa e fez Marina se virar rápido para ver quem estava na porta, quando Marina se virou deu de cara com Miguel com um buquê enorme de flores vermelhas. Marina parecia não acreditar na cena que estava vendo, não era possível que aquele cara era tão sem noção a esse ponto.
– Trouxe para a minha mais nova paciente...
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