Além do Tempo
2 Capítulo 2 Mudanças
Manchester
A manhã tinha um sol brilhante, nem parecia que havia caído uma chuva tão intensa. A vila inteira estava mergulhada em cores, os alpendres tinham jardineiras, repleta de jacintos e gerânios. Estavam em seus últimos florescimentos, pois, o outono já pedia passagem.
Os transeuntes ganhavam as calçadas logo cedo, caminhavam para os seus compromissos. Cada um atento aos seus deveres, alheios ao que havia acontecido a família Stanton. No entanto, Sophie se levantou da cama eufórica para compartilhar com o amigo a grande novidade da família, agora o pai dela era patrão, seja lá o que isso significava.
Correu para fazer a sua toalete, colocou seu vestido simples. O seu quarto era pequeno, mas era encantador tinha bonecas que sua mãe fazia com muito esmero, as fitas e babados estavam espalhados por todo o cômodo.
A leveza da manhã a enchia de alegria, uma esperança que envolvia todo seu coração ingênuo. Correu para a cozinha em pequenos pulinhos. Sentia o estômago reclamar.
A cozinha estava aquecida, devido ao forno aceso, sua mãe preparava o almoço. O cômodo era todo organizado, as prateleiras tinham algumas porcelanas que havia herdado da sua avó. Na mesa havia uma chávena de chá com um pão negro a geleia de amora, estavam colocadas essas pequenas extravagâncias, devido à grande notícia que o patriarca da família havia contado.
— Quero tomar meu dejejum. — Falava entusiasmada.
— Seu pão com chá estão servidos. — Beijou a filha.
A garota voou até o alimento, devorava tudo como uma formiguinha. Tinha um bom apetite.
— Cuidado para não comer tão depressa, vai ficar com dor na barriga. Aonde vai assim tão apressada?
— Contar para o meu amigo as novidades!
O pai que estava sentado à mesa ouviu a filha, fitou a esposa dobrou o jornal que lia.
— Acho melhor não, meu anjo. — Afagava seus cabelos.
— Por que não posso? — Estava impaciente.
Os pais da pequena Sophie foram tomados pela surpresa ao ouvir a jovenzinha. Agora que sua realidade havia mudado, não queriam mais encorajar a amizade dela com Benjamin Crowford, achavam que ele era um bom garoto. Contudo, queriam que sua filha fizesse outros laços de amizade, em melhores círculos sociais. Gertrud se adiantou.
— Você já é uma mocinha, não pode mais ficar correndo como um animalzinho, agora terá que se comportar.
—Além disso, Sophie, agora nossa família não está no mesmo nível social do seu amigo. — O pai se justificou. Apesar de ter trabalhado até ontem como um escrivão na mineradora que seu amigo Harry Crowford era mineiro, sua vida teve uma guinada, no entanto, não se mostrou generoso ao que acontecia com a outra família.
Sua esposa tentou emendar sua tamanha desconsideração com a família Crowford que interveio. Entendia que sua filha não entenderia essas questões complexas que a sociedade impunha a todos. Tentou poupar a menina.
— Vocês agora terão outras atividades, a sua, meu amor, será ir às escolas especialistas em educação de jovenzinhas. Não haverá muito tempo para vocês brincarem, quanto a ele, vai precisar ajudar a mãe já que seu pai está muito doente. — Afagou as bochechas rosadas da menina. — Em falar nisso levarei uma sopa a Lydia.
— Ótima ideia fazer isso, querida. — Apoiou seu esposo. — Vou à cidade ver meus títulos e ações. Também quero encerrar meus trabalhos como escriturário, agora que meus lucros estão muito maiores até do que previ.
— Fico feliz, meu amor. — Pegou na mão de Tom. — Podemos ir juntos à cidade. Preciso ir à modista fazer algumas roupas para mim e Sophie. Só espere voltar da casa dos Crowford.
— Posso ir mamãe. — Estava animada com a ideia de ver o garoto, para poder fazerem traquinagens juntos.
— Não, meu docinho. — Acariciou o rosto da menina. — Vai ser muito rápido, além do mais iremos a Manchester, vamos fazer algumas compras.
— Tem certeza que precisa ir à cidade?
— Claro, que tenho certeza, não poderemos nos apresentar vestidos assim agora que temos dinheiro. — Se arrumou na cadeira. — Querido, também precisará vestir melhores casacos, não se apresentará assim na sala dos acionistas.
O homem se examinou um pouco desanimado ao concordar que não era um modo positivo de iniciar sua nova vida profissional, se vestindo como um trabalhador comum, com isso concordaram de irem à cidade para fazerem compras. Todavia, antes colocaria fim ao trabalho na mineradora.
Assim os três ficaram muito silenciosos durante a refeição, Sophie sentiu um aperto em seu coração ao ouvir aquelas palavras, embora não entendesse toda a extensão da situação, mesmo assim podia compreender que seus pais não mais apoiaria a sua amizade com Benjamin Crowford.
(…)
A estrada estava muito esburacada, as chuvas causaram isso, muita lama, fazia a carruagem deslizar muito lentamente, os cavalos se desgastavam a medida que puxavam o veículo. O percurso era cansativo, mas o casal estava animado com tudo que estava acontecendo.
Infelizmente Sophie não conseguiu sair para se encontrar com Benjamin, Gertrud Stanton a levou para uma jornada na qual ela não tinha nenhum interesse em seguir. Sophie olhava o caminho, num misto de tristeza e surpresa, nunca seus pais havia a levado tão longe. Tudo era novo, despertava na garota curiosidade, vontade de desbravar tudo. A parada na estalagem foi necessária para trocarem os cavalos, pois estavam muito cansados. Seguiriam a jornada depois de comerem algo e esticarem as pernas.
O trajeto da vila até Manchester não era tão longa, Tom Stanton fazia sempre esse percurso, porém sempre ia sozinho e a cavalo. Todavia fazer esse caminho com mulher e criança atrasava muito as coisas, para completar o cenário caótico, a chuva tornou a cair calmamente. Atrapalharia muito as coisas.
Sophie Stanton comeu um pouco de presunto e ovos, ao terminar sua refeição pediu para passear. Seus pais se opuseram alegando ser muito perigoso, garotinhas andarem sozinhas sem supervisão. Realmente isso era uma verdade incontestável. Prosseguiram em sua peregrinação até a cidade. Não ocorreu nada de anormal em todo o trajeto.
Assim que Manchester surgiu grandiosa e imponente diante dos olhos infantis. Sentiu seu corpo todo vibrar, estava imensamente encantada e amedrontada diante de tantos edifícios e pessoas nas ruas.
— Mãe como é grande! — Estava empolgada.
— Sim, meu anjo, é tudo grandioso. — Sua mãe alisou seu braço.
— Deve prometer nunca sair de perto de nós. — Alertou Tom.
A jovenzinha fitou o pai anuindo para ele. Com isso a família desceu da carruagem, o patriarca acertou com o cocheiro um ponto de encontro, a fim de terem um transporte adequado.
As alamedas estavam repleta de pessoas que andavam apressadamente. Às duas estavam deslumbradas com aquele movimento enérgico.
Tom Stanton as levou até a Fleet Street. O endereço principal para que damas da sociedade e suas acompanhantes pudessem consumir artigos de última moda, bem como as melhores modistas tinham seus ateliês nesse endereço. A porta do comércio soou um sino ao ser aberta. Evidenciando que clientes estavam chegando. Uma mulher muito bem vestida. Uma postura elegante, os recebeu com um sotaque estranho.
— Bienvenue. — Sorria amistosa para o grupo a sua frente. — sintam-se em casa.
— Queremos um guarda-roupa completo para a Senhora e senhorita Stanton. — O homem falava assertivo. — Não iremos poupar despesas. A mulher os observou atentamente, embora estivessem arrumados. Conseguia discernir que suas vestimentas não eram das mais caras. Contudo, nunca fazia distinção entre seus clientes. O importante era, os pagamentos serem pontuais. Também conhecia bem os “novos-ricos” que sempre tinham comportamentos semelhantes.
— Com certeza senhor… — Foi prudente. Talvez não fosse a esposa, muito menos sua filha. O homem entendeu a reserva da mulher.
— Senhor Stanton… — A olhou com frieza. — Minha esposa e filha terão tudo que quiserem.
— Parfaitement. — A modista sorriu. — Serão tratadas como rainha e princesa. — Passou o indicador pela bochecha da garota. Caminhou até o balcão deslizando pelo assoalho, com graça e leveza então falou seu nome.
— Je m'appelle Madame Toussaint. — Retirou alguns tecidos finos da prateleira e alguns acessórios colocando diante das clientes coisas lindas jamais vistas. — A senhora e senhorita Stanton serão minhas pupilas.
Sophie estava encantada com toda a energia e beleza da mulher, o ateliê era belo, o cheiro doce do perfume francês chegava ao nariz da garota, estava tão envolvida com o cenário lindo que nem percebeu que seu pai havia saído da loja. Ele tinha que resolver suas pendências em seu antigo emprego, com a finalidade de poder iniciar com suas novas atividades econômicas, muito mais lucrativas.
O ateliê tinha uma infinidade de modelos, os últimos lançamentos em Paris e Londres. Gertrud Stanton caminhou pela sala inebriada com tanta beleza. Afagava a seda macia. Assim ouviu a voz carregada de sotaque francês.
— Senhora Stanton, farei de você e toi petit, no modelo de beleza a ser seguida. — Enquanto falava gesticulava com grandiosidade. Sophie riu ao observar como a mulher era intensa. Então chamou uma assistente.
— Marie! — Com isso entrou uma jovem rechonchuda muito sardenta, trazia consigo uma pilha de revistas de moda, equilibrando em cima uma caixa de acessórios. A garota sorriu.
A modista descartou a pilha de revistas, exceto a mais recente. Sophie olhou a capa do periódico, seus olhos anelaram ao ler o que estava impresso na frente: ‘The Ladies Fashionable Repository’. Tudo era muito belo, nada daquilo se comparava ao que ela via na vila em que morava.
— Ma cherie, veja. Pode pegar. — Deixando na mão de Sophie o compêndio. — Agora. Marie vamos
tirar as medidas da Senhora Stanton. — Se levantando indo em direção da mais velha, — Depois faremos o mesmo com a petit. — Venha comigo Madame. — A assistente chamou Gertrud a acompanhá-la. Contudo, ficou receosa em deixar Sophie sozinha. Madame Toussaint se apercebeu da hesitação da mãe, se adiantou.
— Vamos todos lá para as cabines fazer as aferições de suas medidas ao mesmo tempo. Então a mulher seguiu a comerciante.
— Mon Dieu! — Se espantou a modista. — Que cinturinha mais fina, madame. A senhora vai ser a mulher mais linda e elegante que Manchester já viu. — Mirou a mais nova, completou. — Tudo indica que a herança de beleza vai continuar, a senhorita, também quando crescer abalará corações. — Gertrud sorriu por puro orgulho da filha.
Assim o dia foi ocupado e repleto de escolhas, entre cores e tecidos, sedas e musselinas, acessórios como chapéus e sapatos. As Stanton escolhiam com a orientação experiente de Toussaint. A modista se afeiçoou às duas no mesmo instante que as viu ao cruzar a porta de seu estabelecimento comercial.
Como toda modista de sucesso em Inglaterra, deveria ter dois ingredientes necessários: ser francesa, isso ela podia garantir com certeza, e seus modelos serem vistos por toda a Londres. Percebeu que os Stanton não ficariam em Manchester por muito tempo. Aproveitaria a oportunidade de ascender no mundo da moda, tendo Gertrud e Sophie como sua vitrine, eram pedras preciosas esperando por ela para serem lapidadas. Trouxe chá, bolinhos com geleias as suas clientes, que trariam muito benefício ao seu empreendimento, observou às duas notando que precisariam muito mais do que roupas caras e bonitas teriam que aprender a se comportar em sociedade.
— Madame Stanton, já tem alguma tutora para a senhora e a jovenzinha?
— Não temos. — Pousou sua xícara na mesa. — Tem alguma recomendação? Estou tão perdida. — Suspirou. A modista mais uma vez se apiedou das novas ricas.
— Tenho uma ótima recomendação. — Limpou os lábios
delicadamente. — S’il. te plaît, Marie pegue o cartão daquela ótima preceptora.
A garota se moveu rapidamente, para atender a sua patroa rapidamente, foi até uma gaveta próxima ao balcão. Voltou na direção das mulheres com um pequeno papel retangular em mãos.
— Aqui está, madame. — A mulher sorriu pegando o objeto.
— Esta senhora é uma das melhores em educar jovenzinhas como Sophie. Ela era preceptora da filha de um banqueiro muito rico. — Tornou a bebericar de seu chá. — A garota acabou de se casar com um conde, vejam vocês. Agora está sem nenhum trabalho.
Gertrud Stanton cresceu os olhos ao ouvir sobre a preceptora e o casamento com um nobre. Era tudo o que ela e seu esposo gostariam de ouvir, porém, ficou entristecida.
— Não saberia como entrar em contato com sua preceptora, ainda não sei me locomover na cidade. — Baixou a cabeça.
— Não seja por isso, cherie. — Sorriu amistosa. — Vocês terão que voltar aqui para pegar suas encomendas, então marcaremos um encontro entre vocês.
— Isso seria maravilhoso. — Estava entusiasmada. — Como a preceptora se chama?
— Senhora Abigail Thornton, a melhor do Reino Unido!
Ajustaram alguns vestidos que já estavam prontos para que mãe e filha tivessem alguma roupa atualizada e condizente com a sua nova classe social, ambas ficaram encantadas com o seu novo guarda-roupa.
(…)
Ao deixar a esposa e filha no ateliê de Toussaint seguiu pela rua apinhada de transeuntes, caminhou com passos firmes, desviando das pessoas que se não prestasse a atenção devida levaria seu ombro, o trajeto até o escritório era curto, não necessitava alugar um transporte, faria isso quando estivesse em família. No momento seu principal objetivo era se desligar da Mineradora.
Alcançou o edifício que há muitos anos compôs seu cotidiano, o homem parou de frente a porta, respirou fundo, leu na fachada do local West Union Mineradora.
Cruzou a ombreira seguindo o caminho que lhe era familiar chegando a sala do seu antigo superior. Bateu firme na porta.
— Entre. — A voz soou altiva.
— Bom Dia, senhor Smith, como tem passado? — Tentou controlar a ansiedade.
— Olá! Eis o filho da mãe mais sortudo de todo o Reino Unido, está bem aqui na minha sala. — Falava humorado. — Não é que você ouvia mesmo o que dizia sobre os investimentos! Se levantou de sua cadeira, caminhou até o aparador de bebidas, se servindo de um whisky. — Aceita uma dose?
Tom aceitou por educação. Pegou o copo das mãos do homem.
— Todos não param de falar nos círculos econômicos da supervalorização das ações da Stockton & Darlington Railway, iriam triplicar. Que a invenção do maluco Richard Trevithick, iria ser aperfeiçoado. — Balançava a cabeça enquanto acendia um charuto. Ofereceu ao seu ex-funcionário, negou educadamente a oferta.
— Vim aqui agradecer por todos os anos que trabalhei aqui.
— Sim entendo. — Soltou a fumaça do fumo pela boca e nariz. — Agora seremos iguais, negociaremos o transporte de minha mercadoria. — Voltou a tragar. — Chegaremos a números razoáveis para transportar o meu carvão.
Tom Stanton sorriu para Alex Smith.
— No momento, estou aqui apenas encerrando uma fase de minha vida. Agradecer por todo o benefício proporcionado a mim e minha família. — Bebeu o drinque. — Quanto aos assuntos futuros marcaremos reuniões para chegarmos a números satisfatórios a todos.
Smith conhecia muito bem o homem com quem conversava, era muito inteligente sua astúcia o fez chegar até ali. O homem que o analisava previa que chegaria a muito mais longe, então não pretendia ser hostil com alguém tão bem preparado com números.
Assim a conversa entre os dois foi amistosa. Falaram sobre negócios números e investimentos, não firmaram acordos, pois Stanton era muito perspicaz, preferindo se inteirar de como a empresa que agora era acionista mantinha suas políticas de investimentos e acordos comerciais. Ao fim da reunião se despediram, firmando um pequeno compromisso de uma reunião com os acionistas da empresa férrea.
Saiu da mineradora com o semblante confiante, a cada passo que dava rumo ao seu futuro, mais certo parecia aos seus olhos o caminho que estava trilhando, mais uma vez ganhava as ruas de Manchester, ia à
para a empresa que mais havia acumulado lucros e valorização de suas ações.
Aproximou de um prédio com tijolos vermelhos e portas grandes azuis sua fachada era austera como toda a cidade. Tinha o nome da companhia em letras grandes Stockton & Darlington Railway. Assim Tom tinha certeza que havia chegado ao seu destino.
Conhecia a empresa através de números e algoritmos complicados que passavam toda a robustez e saúde financeira da companhia e de seus investimentos. Naquele momento sorveu o cheiro de máquinas e carvão em plena atividade de fabricação de locomotivas.
Entrou no local, com muita cautela, se aproximou do escriturário, algo familiar para criar confiança.
— Bom dia! — O rapaz o olhou desconfiado.
— Bom dia. Em que posso ajudar? — Sou Tom Stanton. — Agora estava assertivo. — Sou um acionista da empresa.
O funcionário o olhou dos pés à cabeça, analisando suas vestimentas de trabalhador, nada nele inspirava a um, cartola. Assim foi cauteloso.
— Qual é o seu nome, senhor?
— Senhor Stanton.
O rapaz se voltou para uma mesa diminuta que mal cabiam as suas coisas. Pegou em uma pequena caderneta preta, folheou-a com muito cuidado, com isso olhou para o rosto do homem à sua frente de modo incrédulo.
— Espere só um momento, senhor Stanton, vou avisar que está aqui. Estão à sua espera. — Sumiu pelo corredor para avisar que o homem tão aguardado estava no saguão.
Tom colocou as mãos para trás. Começou a caminhar pelo lugar, era maior que o seu antigo emprego, tinha algumas pinturas de locomotivas, alguns esboços de projetos de construção da máquina mais magnífica que pode vivenciar o nascimento. Por fim parou de frente a uma foto em preto e branco de uma dessas criações montada e em pleno uso. Sentiu orgulho em fazer parte disso. Nesse momento, uma voz quebrou o silêncio.
— Oh! Que prazer conhecer o mais novo acionista de nossa empresa! — O homem era alto e corpulento, tinha suíças em seu rosto, bochechas vermelhas e brilhantes, caminhava animado em direção de Tom.
— O prazer é todo meu.
— Deixe que me apresente. — Esticou a mão para o novato. — Gordon Stockton, mas me chame Gordon. Meu sócio Matthew Darlington, saiu para uma reunião com os nossos fornecedores. Estávamos muito curiosos em conhecer o homem que investiu tão massivamente em nossa empresa, ainda mais tão perspicaz com números, você será um acionista muito bem-vindo em nosso empreendimento.
— Obrigado, senhor Stockton.
— Por favor, Gordon, — dava palmadinhas nas costas de Tom — vamos, te mostro a sala em que você irá trabalhar.
O sujeito gorducho caminhava mais à frente falando animado sobre a empresa, suas demandas e fornecedores, Tom Stanton ouvia tudo com muita atenção e aprendia tudo muito rápido. Conhecia muito bem os números da empresa na base dos investimentos, agora queria aprender todos os meandros dessa indústria tão ativa.
Chegaram na sala indicada, O mais velho abriu com entusiasmo.
— Colocaremos o seu nome na porta.
— Isso é muito bom.
— Vou deixar o senhor aqui alguns minutos. Veja do que precisa, de móveis e material de papelaria providenciaremos, tudo. — Saiu deixando Tom absorvendo a sua nova realidade.
A sala que ele ocuparia era imensa, a mesa do escritório era de mogno. O espaço era muito iluminado tinham janelas enormes.
Sentiu uma alegria brotar em seu peito. Assim começou a fazer uma lista prévia do que precisaria para iniciar seu trabalho.
O tempo passou tão rápido que nem se deu conta que precisava ir ao encontro de Gertrud e Sophie, foi ao encontro de Gordon o avisando que voltaria assim que acomodasse mulher e filha num local apropriado. Assim se despediram de modo animado. Tom Stanton foi ao ateliê buscar sua família para poder encontrar um hotel adequado para eles.
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