Além do Tempo

1 Capítulo 1 Juventude


Manchester


Na cidade pairava um nevoeiro acinzentado, pelas edificações as paredes eram escurecidas, as colunas de fumaça eram lançadas pelas chaminés das fábricas que eram alimentadas pelas minas que circundam a região. Considerável número de famílias dependiam do trabalho subumano na mineração ou nas fábricas. A vida era dura para todos.

Horas extenuantes de trabalho consumiam seus habitantes, não se poupava a nenhum deles, homens, mulheres e crianças. Suas vidas eram sugadas sem que se pudessem protestar, não havia nada que pudesse ser feito, apenas se sujeitar, com o intuito de terem o mínimo para viver.

Manchester era uma cidade que vivia em plena euforia da revolução industrial, todos os seus avanços tecnológicos, se mostravam ser uma corrida para obter sempre mais, sem se preocupar com o material humano, assim eram as outras cidades como Liverpool e Leeds. Numa desenfreada busca por mais.

A região favorecia esse alvorecer industrial por causa de sua região ser rica em carvão, minério essencial para alimentar esse contingente sempre crescente da indústria metalúrgica, no que lhe concerne alimentava outras empresas jovens como a do transporte ferroviário.

Estes por sua monta trazia a promessa de encurtar a distância, fazendo circular bens e serviços, bem como pessoas a períodos bem mais curtos toda essa empolgação atingia uma classe social que vinham ganhando espaço no cenário social inglês. A burguesia ganhava relevância, tornando-se cada vez mais rica, em detrimento da nobreza que aos poucos perdia seu poder econômico junto com suas propriedades rurais.

Assim era nas cidades inglesas, sua labuta não tinha fim, as pessoas viviam indiferentes ao sofrimento alheio, à realidade embrutecia os sentimentos, estavam presas ao seu próprio drama.

Todavia havia alguns que se apegavam a laços mais fortes que o de sangue. Os Crowford não moravam na cidade, ficavam afastados, um modo mais barato. Também ajudava ao patriarca, viver longe de tanta fuligem, pois tinha a saúde debilitada, assim os poupava de muitos infortúnios.

O vilarejo era um local muito acolhedor, todos os conheciam, especialmente os Stanton que moravam próximo a eles, sempre prestavam ajuda quando precisavam. As famílias viviam em pleno estado de cooperação. O cotidiano dos moradores era de muita simplicidade, todos os habitantes, apesar da dureza diária, sentiam que aquilo era algo para se sentirem gratos. A crueldade de Manchester, não os alcançaram ali.

O local diferia da imagem citadina fria e escura, tinha cores as fachadas tinham flores As ruas eram acolhedoras. Mesmo com o inverno se aproximando os aldeões sentiam o apoio uns dos outros. A praça era o local mais visitado, onde todos se encontravam, ficavam sabendo dos acontecimentos.

Todavia, Tom Stanton, o escrivão da West Union Mineradora tinha uma alma inquieta, almejava o melhor para a sua família, especialmente para sua filha, a pessoa mais estimada. Seus planos eram não ficar para sempre naquela vila diminuta.

Por ter uma reputação junto aos donos da mina, pleiteou uma ajuda de custo a Harry Crowford que não tinha condições para o trabalho como mineiro, assim a família do homem poderia continuar em sua morada e ter uma vida na medida do possível digna. Com isso, a família era muito agradecida ao que Stanton fez para favorecer eles num momento tão delicado de suas vidas.

(…)

No escritório a demanda de trabalho era sufocante, o escriturário secava suas têmporas, o suor escorria por seu rosto. Limpava as lentes de seu óculos numa flanela puída. Necessitava terminar suas obrigações o quanto antes, para poder ter tempo em verificar no jornal as cotações das ações da indústria do futuro, as ferrovias.

O local era pequeno repleto de prateleiras apinhadas de papéis, livros contábeis, entre outros documentos. A mesa que Tom usava era diminuta. Cabia apenas o livro que tinha que realizar todos os registros relevantes, uma lamparina a gás, e seu tinteiro.

A janela estava embaçada pela fuligem, mas agradecia ao destino ter sido instruído em escrever corretamente e ser bom com os números, assim não teve o final trágico de seu pai que acabou soterrado em uma mina.

Estar trabalhando numa empresa de mineração era só um meio para alcançar o seu grande objetivo na vida.

Vislumbrou a silhueta de um mineiro com rostos e roupas tingidas de negro a chuva começava a cair copiosamente nesse momento. Desviou daquela imagem, não se sentia confortável ao testemunhar aquilo.

Voltou às suas atividades, sua determinação era férrea, os dígitos, algoritmos eram sempre muito fáceis, tinha muita intimidade com eles. Suspirou ao ver seu dia de tarefas, concluídos, se levantou espreguiçando, a fim de esticar seus ossos e músculos.

Todavia, ele não pensava na dor em seus dedos e nuca. Pensava apenas em como o jornal se apresentaria aos seus olhos agitados.

Caminhou até a mesa do seu superior, que já havia saído, o sujeito sempre permitia que Tom lesse as notícias no final do expediente, até porque ele já teria se inteirado das notícias.

Assim, os olhos de Stanton brilharam, ao pegar em suas mãos o periódico The Guardian, nele continha os números necessários que mudariam sua vida e da sua família para sempre.

Dedilhou os dedos pelas páginas do jornal, deixando-os preto com a tinta, não se importava, suas mãos sempre ficavam assim após sua jornada de trabalho, alcançou o caderno de finanças.

Ali estava tudo que Tom Stanton esperava ver, os números trabalhando a seu favor. Deu um pequeno murro no tampo da mesa em comemoração, a notícia era maravilhosa precisava contar para sua Gertrud.

Assim, sem se preocupar com o aguaceiro que caía, foi para casa com passos rápidos para compartilhar com a família a grande novidade.

(…)

O vento soprava frio, o outono se mostrava impiedoso, o mais úmido que a mulher já havia experimentado. Procurava por sua filha que sempre se escondia, perdida em brincadeiras e jogos com o seu melhor amigo.

Tentava recolher as roupas no varal o mais breve possível e o temporal estava se aproximando rapidamente. Fitava todos os cantos para visualizar a menina e nada.

— Sophie vamos entrar. — Falava a pleno pulmão. — Não quero ninguém resfriado. A mãe só ouvia o som do vento sibilando em seus ouvidos, juntou as peças numa cesta entrando na pequena casa.

Ajeitou a lenha, para avivar as chamas, com o intuito de aquecer o cômodo sabia que o marido ao chegar, sentaria junto a lareira e, acenderia seu cachimbo. Quanto a Sophie entraria com os cabelos molhados precisando urgentemente ser secos para não pegar uma pneumonia, sorria ao pensar na garota.

(…)

O bosque tinha um perfume de folhas secas, o musgo cobria as pedras deixando um tom esverdeado sobre elas, os sapos coaxavam junto ao lago, flores aquáticas emolduravam o entorno, as copas estavam com pouca cobertura, pois a estação era o momento da natureza se recolher se preparando para o inverno. Os tons alaranjados estavam em toda a parte. O lugar preferido da dupla para brincar e fugir dos mais velhos.

A garota estava pendurada de ponta cabeça na árvore o mundo inteiro agora fazia sentido para ela, ria ao contemplar a paisagem dessa forma.

Encostado num tronco oco, um garoto mascava uma erva recém-colhida.

Estavam descansando de uma disputa que Benjamin permitiu que Sophie ganhasse, como de costume. Gostava de ver o rosto avermelhado se iluminando ao comemorar mais uma vitória.

— Melhor voltarmos, está ficando tarde. — Ele falava observando a mudança dos ventos.

— Ah! — Resmungou. — Ainda está cedo. Vamos ficar mais um pouco.

— Acho que não é uma boa ideia. — O garotinho apontou para as nuvens. — Vem uma tormenta, se ficarmos mais estaremos encharcados, a tia Stanton não vai ficar nada contente com isso. — já conhecia as expressões e pensamentos como se fosse sua própria mãe, afinal conviver com a filha o fazia ter uma vasta convivência também com Gertrud Stanton.

Sophie sorriu. Achando graça por seu amigo, eles tinham quase a mesma idade, contudo, sempre se colocava como o adulto responsável, mas não deixavam de fazer suas peraltices.

O fitou com ar de falso aborrecimento. Suspirou.

— Está bem. Você tem razão. — Sophie pensou. Conhecendo a própria mãe, ao menos um puxão de orelha levaria pela travessura. Pulou habilidosamente do galho como uma gata de rua — Vamos apostar, outra corrida? — Propôs animada.

Ele a olhou de modo divertido, aceitando o desafio da garota e esperou ela ganhar uma certa vantagem em relação a ele para logo em seguida correr em direção ao lar da menina.

Sophie pulava e se agitava em comemoração. O rosto dela era pura satisfação. Benjamin sorria ao contemplar algo tão lindo. Tinha consciência de que sua melhor amiga logo cresceria, assim como também ficaria em evidência tanto por sua inteligência como por sua beleza. Percebia que o tempo era demasiadamente engraçado, que ela não ficaria para sempre congelada como aquela menina peralta que corria e pulava de árvores, do mesmo modo ele também não seria apenas o rapazinho que sempre a deixava ganhar as disputas.

Pensar nisso o deixou apreensivo, por um momento ele olhou novamente para o céu, em sua inocência infantil sem ao menos entender seu pensamento, mas queria de algum modo que ela ficasse ao seu lado. Não queria perdê-la jamais, a garota era como seu bem mais precioso. Pensou no quanto queria moldar toda a sua vida, com o intuito de que sua amiga jamais fosse a qualquer lugar sem ele.

Contudo, como ele faria Sophie ficar ao seu lado?

Benjamin ficou confuso, era um garoto esperto, gostava de sentir que sabia de tudo, mas a verdade era que ele não era um adulto. Não sabia nada.

— Sophie! — Ele a chamou e está se virou girando e girando.

Foi quando ele se deu conta de algo: desejava manter Sophie perto, se queria ter para sempre o seu sorriso e sua companhia para um adulto só haveria um meio… Que quando chegasse o tempo, precisaria se casar com ela.

Acontece, que as mudanças na vida de cada um estava mais próximo do que eles realmente podiam prever perdidos, sorrateiros em um universo sem preocupações para duas cabeças infantis.

A chuva começou a molhar o solo e o cheiro preencheu os pulmões dos garotos. Os dois se olharam e riram, por começar a se ensopar.

— Isso quer dizer que estamos com problemas — O sorriso do menino brotou, mesmo que a princípio estivesse sério.

— Isso quer dizer que posso sair com meu bumbum assado — Reforçou — Por isso tudo? — Ela indicou a sua volta a chuva que respingava sobre a face pequena. — Vale!

Eles sorriram e andaram mais alguns metros para depois se despedirem. Com isso, Sophie entrou em sua casa, ao passo que Benjamin seguiu por outro caminho que o levaria a outro lugar.

(…)

A família Crowford passava por um momento delicado, pois o pai de Benjamin estava muito doente. O fato havia desde então causado grande impacto nas finanças familiares que parecia dançar sobre ovos. A mãe, ainda assim, não queria que seu único filho fosse trabalhar na mina de carvão, assim como o seu genitor. Todavia esse não era os planos do garoto.

Ao chegar em sua casa, Benjamin tirou as botas repletas de lama e seguiu até o quarto de seus pais. Sabia que o único cômodo aquecido seria este, uma vez que precisavam economizar.

Harry estava recostado, com dificuldades para respirar, enquanto a sua mãe estava sentada próxima dele lhe dando um caldo quente.

Alguma coisa não parecia bem, mesmo que ele sempre achasse que desde que o pai ficou acamado. Nada parecia muito normal.

Quando sua mãe o olhou pela porta sua expressão estava cansada, ele percebeu isso. Era um rapazinho, afinal, querendo tomar conta da sua própria família e tendo ideias de ser um homem adulto bem-sucedido que teria a mulher mais incrível ao seu lado.

— Ben, você chegou. — Sorriu maternalmente tentando não se mostrar preocupada. — Vista logo roupas secas, e tome um pouco de sopa, vai fazer-lhe bem.

A recomendação fez o rapaz anuir, e assim ele foi realizar as orientações de Lydia como de costume.

Eram uma família pequena, cheia de dificuldades como a maioria da sua classe, porém eram pessoas unidas pelo calor do amor e o propósito.

— É um bom menino. — Harry sorriu fraco, mas apesar do cansaço e do estado debilitado, nos seus olhos havia certo orgulho.

— Sei, querido. — Também estava orgulhosa de ter aquele filho, a prova real do amor que transcendia o tempo. Ela afagou-lhe o dorso da mão carinhosamente, compreendendo a cumplicidade que havia nas suas vidas sempre tão juntas.

Quando Benjamin então retornou para junto deles, o menino se recostou junto da lareira para se aquecer. Uma tigela imensa em suas mãos indicava que se serviu do jantar.

Tentou se acomodar, compartilhar o clima do ambiente simples, porém aconchegante e sorveu o líquido tépido com satisfação.

Os progenitores, que o observavam, agora estavam curiosos sobre a sua rotina.

— Então Ben, por que não conta como foi o seu dia? — Harry tossiu seco. Querendo ou não falar sempre o devastava muito, ainda que fossem poucas palavras.

— Foi bom… — Desconversou.

— Sua amiga Sophie, como vai? — A mãe quis saber.

— Brincamos no bosque, apostamos na corrida. — O sorriso brotou no rosto do menino.

— Gertrud, não deve gostar nada disso. — concluiu lembrando de como o menino entrou molhado na casa.

— Deixe os meninos se divertirem. — O homem enfermo falou pausado.

— Eles logo cresceram e não será apropriado ficarem andando por aí. — Pontuou Lydia.

Em sua pequena noção, o garoto sabia disso, que para duas pessoas de sexo diferentes estarem juntas, apenas havia o caminho do matrimônio. A conclusão somente se reforçou nas palavras da mãe. A conclusão reforçou essa vontade que lhe cobriu momento antes com a presença de sua amiga.

Benjamin bebericou em seguida do seu caldo um pouco amuado, ele precisaria de mais do que tinha se quisesse se casar um dia.

Pediu em seguida para que os pais dessem permissão para se retirar. Ambos consentiram.

Sem pressa, ele saiu e foi ao seu quarto descansar. Estava muito frio, por isso esfregou uma mão na outra para aquecer um pouco, calçou umas meias velhas e se deitou no colchão.

Agora em sua mente só tinha um objetivo, juntar todo dinheiro que pudesse para ajudar seus pais, e poder ser digno de se casar com Sophie Stanton… Assim eles nunca precisariam ir a lugar algum, um sem o outro.

Suspirou sonhador. O sono chegou ao menino, que no mundo dos sonhos podia ser o que queria. Alcançar seus objetivos, que assim queria também fazer acontecer na vida.

Benjamin era pequeno, porém determinado e ele atingiria todos os seus alvos, contudo, agora era apenas uma criança necessitando de abrigo, atenção e afeto.

(…)

Em outro lugar, na residência dos Stanton, a menina de baixa estatura havia acabado de chegar quando se deparou com a senhora com a mão sobre a cintura. Ela acreditou que levaria uma bronca devido ao seu estado molhado e sujo.

Todavia, ao contrário do que Sophie esperava, a sua mãe não deu um famoso sermão. Ela pegou a menina pela mão e a levou primeiro para um banho. Quando voltaram para a sala, ela disse:

— Sophie sente perto da lareira, se aqueça. — Alisava seus cabelos úmidos do banho, que foram mais uma vez enrolados na toalha.

— Mãe, estou com fome. — Seu resmungo e voz necessitada desarmaram a mais velha.

— Claro, meu anjo, imagino que passou o dia gastando energia — Beijou o topo de sua cabeça compreensiva, afinal ela ainda era uma criança — Tem uma sopa quentinha com um pedaço de pão preto nos esperando para serem devorados. — Sophie animou-se em saber.

A menina lambeu os lábios e se serviu da refeição, se juntando à sua mãe pouco depois.

Às duas estavam conversando sobre os acontecimentos do dia, a chuva não havia diminuído. Foi quando um homem cruzou a porta, todo encharcado, tirou o chapéu junto com o seu casaco. Pousando os objetos no cabideiro. A garota foi rápida em receber o seu pai, que a beijou carinhosamente.

— Querido, vai molhar a Sophie. — Observou, enquanto ria para o esposo. — Vá vestir roupas secas antes que pegue um resfriado. — O homem, de bom humor foi atender à solicitação da mulher.

Demorou uns momentos, na verdade, só até que a mulher terminasse de trançar os cabelos da filha para ele voltar.

Agora Tom Stanton, estava junto ao fogo fumando seu cachimbo, tinha um semblante muito animado, sua consorte logo notou que ele tinha algo para contar, ao passo que Sophie se aconchegou no braço do seu pai.

— Vejo que tem muitas novidades. — Servia um pouco da refeição que estava aquecida. — Conte tudo, não esconda nada. Sorriu para Gertrud.

— Tenho realmente muitas coisas para contar para as duas. As nossas vidas irão mudar. — Acariciou a bochecha da menina que estava muito entusiasmada.

— Conte logo Tom.

— Lembra-se daquele investimento que os “cartolas” da ferrovia haviam incentivado a comprarmos títulos? — A senhora assentiu positivamente para ele que prosseguiu a explicar — Então, agora que vai começar a trazer as estradas de ferro para essa região, todos nós que compramos ações seremos patrões, ouviu isso, querida?

A mulher ficou sem acreditar, sua boca ficou aberta por longos minutos sem poder dizer alguma coisa. A ideia parecia absurdamente boa, porém assustava-a por ser algo novo. Eram desde a sua formação, uma família simples envolvida com mineração, e que vivia na classe proletária a tantos anos que ela imaginava o que seria dela agora.

Sempre teve vontade de comprar chapéus caros, ternos elegantes para o marido, vestidos novos para sua filha, assim como sapatos mais adequados, afinal os dela quase já não cabiam em seus pés. Então agora tudo seria possível? A vida estaria dando uma ajuda para aquela família boa e tão sofredora?

— Querida. — Ele a chamou de imediato. — Você está bem? Não escutou o que eu disse?

Ela acenou a cabeça positivamente, depois se levantou ainda cheia de dúvidas.

— Oh! Meu Deus! homem, não brinque assim comigo.

Sophie que estava sentada no colo do pai estava com os olhos atentos na mãe.

— Escuto o que diz, mas não acredito!

— Mas você deve — Ele riu da esposa, então a abraçou dando mais esperanças.

— Deveria estar radiante. — Apontou como se fosse óbvio. — Poderemos ter uma vida melhor daqui à frente, dar oportunidade para a nossa Sophie. Se tudo correr como nos planos, ela poderá se casar com alguém de posição. Faremos muitos outros investimentos e prosperaremos. — Sugeria alto e animado.

Gertrud não entendia bem dos negócios, mas sabia que apesar de seu desconhecimento técnico sobre administração de finanças, somente pelo olhar e voz de seu marido, as expectativas seriam, sim, atendidas.

Finalmente ela sairia nas ruas usando a sombrinha que ela queria comprar a dias, usaria um vestido garboso, última moda de Paris e visitaria os melhores locais da sociedade. Sophie fosse tratada como sua joia mais preciosa do que já era, então ela tinha certeza que os retornos ainda maiores seriam colhidos no futuro.

— Sophie poderá ir às melhores escolas. — Sorria e comemorava junto agora, por entender a amplitude que sua vida estava tomando. Sophie estava muito feliz com o que ouvia dos seus pais, entendia que a vida da família mudaria rapidamente. Contudo, nunca acreditava que isso seria pouco a pouco a separação do seu amigo mais querido.

Assim se despediu dos pais e foi para o seu quarto, era um cômodo quentinho e aconchegante, pensou em seu amigo, em todo o carinho que sentia por ele, olhou para a estrela que cintilava no céu, cerrou as pálpebras num pedido silencioso. Coisas boas também acontecesse a seu amigo, Benjamin Crowford.