Além do Mar

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Então...
Boa leitura, aproveitem e falo lá em baixo tudo que tenho para dizer!
♥

Levantei os olhos para Clint e fitei sua silhueta escurecida pelo sol constante atrás da sua cabeça coroada por cachos dourados. Erguei a mão para proteger os olhos do sol e me apoiei sob a lateral do barco. Ouvi sus suspiro desesperado e ignorei meus pensamentos que me diziam como aquele era um mau sinal.

— Você sabe o que precisa fazer.

Não era uma pergunta, mas acenei da mesma forma.

Ele se moveu, seus passos lentos e se equilibrando ao ritmo das ondas e marolas.

— Eu já consegui uma pequena, discreta residência para você. — Mar? – perguntei apenas para garantir, Clint me lançou um olhar obvio, como se minha pergunta fosse estúpida e de certo modo era.

— É uma cidade litorânea, sim. – ele garantiu e seus olhos voaram para o corpo ondulante e em cores vibrantes de tremulava sob as águas. – Neath Bay.

Eu senti meu coração saltar no meu peito, meus olhos se voltaram para Clint apressados e ansiosos.

— A cidade do meu pai?

Ele examinou meu rosto calmamente, como se procurasse por algo. Seja o que for, ele não pareceu achar e então seus olhos desviaram para o mar.

— Sim. Eu achei que seria uma boa escolha, é mais fácil para criar uma vida lá e dar uma desculpa, inventar uma história… — ele explicou com a voz hesitante e fluida. — Mas tome cuidado Summer. Eu queria te enviar para um lugar remoto, entretanto temos que ver suas necessidades. Mesmo assim, não deixe sua guarda baixa e não passe mais tempo do que o obrigatório dentro do mar. Ainda não sabemos como os espiões deles estão dispostos e o que eles sabem…

— Até onde sabemos, — eu corrigi de forma incerta – esses vampiros tem espiões e informantes em todo canto do país.

Um silencio pesado recaiu sobre nós e mergulhei em uma tentativa de resfriar a cabeça e aliviar um pouco do estresse constante. Quando emergi, Clint estava sentando onde eu antes me apoiava e fitava o mar e a mim.

— Sabe, ainda não me costumei com tudo isso.

Seu tom era honesto e sensível, ele não tinha culpa de ser envolvido em toda a loucura que me rodeava, entretanto ele também não tinha escapatória. Ele era parte disso tudo.

— Não se veem muitas sereias por ai hoje em dia.

Ele sorriu um sorriso sereno e encantado, seus olhos azuis calmos e pacientes seguram o olhar sobre o meu.

— De fato, vocês são criaturas místicas. Não posso dizer que não entendo a fascinação dos outros por vocês.

Eu sorri na sua direção e toquei sua mão, querendo transmitir um pouco de conforto para ele, o homem que eu tinha como a única figura paterna há muito tempo.

— Guerreiros também são raros e místicos. Se não fosse pelo seus antecedentes eu não estaria aqui.

— E se eu falhar…

— Não. – o interrompi afiada – Você não vai falhar Clint. Eu confio em você, confio minha vida e meus segredos em você.

Ele não sorriu, mas vi em seus olhos o que minhas palavras significaram para ele. Eu me ergui no barco e me sentei, Clint me estendeu uma camiseta que enfiei pelos meus braços para esconder meu torso nu. Da cintura pra baixo uma cauda flamejante em tons dourados e fogosos pareceu brilhar no ar. Minhas escamas não eram como a pele de um peixe, mas algo de fato mágico, como joias ou como peças únicas que se encaixam formando um padrão inigualável de cores. Eu deixei a brisa morna da manhã envolver meu corpo molhado e virei o pescoço para cima, o sol forte saudando minha pele.

— Quanto tempo acha que preciso ficar escondida?

Ele pensou por alguns segundos e seus olhos fitaram o horizonte gigantesco e inalcançável. A linha do mar e do ar se perdida no espaço e não havia nada além de água todo ao nosso entorno.

— Até que eu os ache e os mate.

Senti um calafrio pela minha espinha e encarei minhas mãos, de súbito pensei vê-las encharcadas de sangue. Sangue vital de outro ser, outro alguém. Não seria eu a dar o golpe fatal, mas eles morreriam por minha causa. Eles morreriam ou então eu morreria.

Ou pior.

— Você vai ficar em Neath Bay, eu preparei uma casa para você, com tudo que você pode precisar. – Clint assumiu a postura de guerreiro que eu o vira fazer ao longo de muitos anos e seus olhos azuis endureceram, tornaram calculistas, intensos e metódicos — Você precisa se passar como outra garota normal, discreta e não chamar atenção. Não sabemos quem pode estar olhando. Temos a vantagem de ninguém saber o seu rosto, mas ainda assim é muito perigoso. Não se aproxime das pessoas mais do que o necessário, mas converse, crie relações. Não deixe que desconfiem de você ou pensem que você está mentindo. Você precisa de encaixar, precisa fazer com que as pessoas de Neath Bay acreditem na sua história. Eu te inscrevi em uma escola, vai ajudar a criar o sue perfil. Não minta mais do que o necessário ou vai ser pega, se atenha à verdade o máximo que pode. É mais fácil assim, para todos.

Concordei em silêncio temendo o que viria seguir.

— Eu vou precisar sumir por um tempo. Vou seguir os rastros que eles deixaram e não sei quanto tempo isso vai levar ou onde. Mas não se preocupe se não conseguir falar comigo, eu vou entrar em contato.

Sua garantia de contato pouco fez para aliviar meu medo de ficar sozinha, de não saber como ele estava e de saber que ele estaria em perigo constante por minha culpa.

Vendo meu rosto contorcido em preocupação e apreensão, ele tocou meu ombro me chamando para olha-lo.

— Não se preocupe, minha pequena estrela do mar, você vai ficar bem.

— Não é comigo que me preocupo, Clint. – suspirei serenamente – Você é o mais próximo que tive de um pai, um pai de verdade. Você me protegeu, me guardou a vida inteira. Você é a única família que ainda tenho e não sei o que faria que eu te perdesse também.

— Felizmente, não é agora que você vai precisar descobrir, pequena.

Com essa promessa ele me abraçou ternamente e beijou o topo dos meus cabelos, molhados e salgados.

— Agora vá, volte para onde estávamos e vai achar alguns documentos sobre Neath Bay e sua moradia. Vá para lá e ache um lar na cidade em que deveria ter sido sua casa.

***

A fantasia de morar sozinha não estava sendo o que eu esperava. Até agora, a pequena casa para onde Clint havia me mandado me dava tanto trabalho para manter quanto uma mansão e eu estava ali apenas há uma semana.

Desde cheguei havia tentado dominar diversas tarefas cosméticas, apenas para perceber que que não levava o menor jeito para ser dona de casa.

Cozinhar, que sempre me pareceu algo fácil e divertido era mortal. Eu consegui queimar o arroz, a carne e quase colocar fogo nas cortinas logo na primeira tarde ali e depois de mais quarto refeições indo diretamente para o lixo, me tornei adepta à enlatados, comida de micro ondas e talvez meus vizinhos achassem que eu tinha um caso com o cara da pizza, dada a frequência com que ele visitava minha casa.

Limpar a casa não era tão ruim assim, afinal não era necessária muita graça e eu não corria o risco de colocar a casa em chamas varrendo o chão e passando pano pelos cantos. Limpar o banheiro, por outro lado, era um tanto irritante, mas eu podia lidar com isso.

A pior e com toda certeza mais infernal e desgastante das tarefas domésticas era lavar roupa. Eu havia lido e relido o manual da máquina de lavar como se fosse a Bíblia e ainda assim estava de pé em vinte centímetros de espuma densa que inundava minha área de serviço.

Depois de demorar mais do que uma pessoa normal demoraria livrando o chão da camada de espuma de sabão em pó, finalmente decidi que iria passar a tarefa à outra pessoa e enfiei minhas molhadas e ainda sujas em um saco, indo para o carro de dirigindo para o centro da cidade.

Direção, ainda bem, foi uma das coisas que Clint me ensinou ou então o resultado da equação eu + volante de um carro seria bem mais devastador do que um pouco de espuma no chão.

Neath Bay era uma pequena cidade em Washington, não atraia muitos olhares de fora pois não tinha muito o que se fazer dentro dela. O centro da cidade era não mais do que uma única rua com suas lojas principais: um café, uma livraria, a estação de polícia, um restaurante e mais meia dúzia de outros pequenos comércios que não chamavam atenção. A lavanderia era um desses pequenos comércio e eu parei meu carro na porta e sai com minha sacola de roupas.

Ali dentro um garoto com uma camiseta vermelha com o nome da lavanderia veio me ajudar depois que percebeu que eu estava perto de quebrar sua máquina de lavar ou então inundar sua loja. Ele me explicou duas vezes casualmente como fazer a maquina funcionar e não tão casualmente assim pediu meu telefone quando terminou.

Eu casualmente disse não.

Estava esperando a lavagem terminar e sentada ne frente para a maquina onde podia ver minhas roupas coloridas rodando até se tornarem não mais do que um borrão diante meus olhos. Quase escapulia para o mundo de sonhos quando minha mente consciente captou o som de um sino alto e me despertou da minha semi-dormida.

Não me irei para ver quem entrava, mas o vento frio da rua me fez tremer e me girar para alcançar minha jaqueta de couro. Um olhar quente queimou em cima de mim e eu levantei o rosto, encarando de volta um estranho moreno em uma camiseta de flanela vermelha.

Seu olhar era quente e intenso, indesviável. Me peguei o encarando de volta com a mesma intensidade, seus olhos escuros me rodearam, ele me fitava como se já me conhecesse, como se eu fosse alguém para ele.

Quebrei o olhar com uma expressão confusa e me voltei para encarar minhas roupas, surpreendendo-me a vê-las já secas. Eu me virei para o estranho, um pouco perdida no espaço de tempo, ele ainda estava virado para mim, seus olhos queimando e intensos, sua expressão tão confusa quanto a minha.

Resolvi ignorar. Ele não parecei nada como um vampiro e nem mesmo um informante, devia apenas ter me confundido com alguém. Em uma súbita e inesperada vontade de ser simpática e por uma indescritível onda de carisma, lhe lancei um sorriso antes de me voltar para a máquina e pegar minhas roupas.

Com tudo em mãos e já tendo pago o serviço de lavanderia, sai para as ruas frias, caçando na bolsa a chave do carro. Ainda na procura, vejo um papel preso ao meu para-brisa. Uma exclamação nada elegante me escapa enquanto eu puxo o papel com raiva.

— Dia ruim?

Meu coração saltou no meu peito e engoli um pequeno grito de surpresa antes de virar para trás, encarando o estranho moreno da camisa de flanela e dos olhares indiscretos.

— Mais para uma semana ruim. – resmunguei com um sorriso amigável. – Multa de estacionamento.

A porta da lavandaria se fecha atrás dele enquanto ele se move desconfortável na calçada, seus olhos nunca deixando os meus. Começo a ficar sem graça e penso em uma forma de escapar disso, o que quer que “isso” seja.

— Bem…

— Você é nova aqui. – ele me interrompe rapidamente, constatando um fato e não perguntando.

Mudo o peso do corpo de uma perna e ajeito a sacola da lavanderia nos braços, junto da bolsa e a multa.

— É, sou. – resmunguei um pouco incerta.

Incerta do motivo pelo qual eu estava tentando engajar uma conversa com um estranho de olhares indiscretos ou invés de me virar e ir embora. Incerta sobre o que dizer. Incerta a respeito de dizer ou não, alguma coisa.

Estou pronta para lhe dar as costas, quando algo parece estalar para ele e o estranho dá um passo à frente, estende a mão bronzeada para mim e sorri, tão incerto quanto eu.

— Sou Jacob!

Uma voz ecoa na minha mente e me lembro do que Clint disse, eu precisava em relacionar com os outros, precisava me encaixar.

Ajeito as coisas nos meus braços e lhe estendo a mão, em um cumprimento envergonhado.

— Summer.

Sua mão tocou a minha, quente e forte seus dedos envolveram o meu em um aperto que durou mais do que o necessário para dois estranhos. Quando ele soltou, eu recuei um passo sem motivo algum e desequilibrei minha sacola e bolsa dos braços. Antes que caíssem, Jacob conseguiu segurar tudo e me estendeu com um pequeno sorriso.

— Bons reflexos. – elogiei com um breve risinho simpático.

Ele continuou sorrindo, coçou a nuca em um gesto sem graça e eu tomei um momento para enxerga-lo melhor e com mais atenção.

Ela era bronzeado demais para alguém de Neath Bay, mas julgando suas palavras ele já era morador daqui há algum tempo. Era bem alto, e eu digo bem alto. Eu já sou alta o suficiente com meus 1,73 de altura e ainda assim batia apenas no ombro dele, o que me forçava erguer o rosto para enxergar sua face. Suas feições eram masculinas e esbeltas, ele tinha uma barba por fazer desleixada que combinava com sua camiseta de flanela, dando-lhe o ar de quem não se importa com sua própria aparência e vaidade, ainda assim conseguindo se manter bem atraente. Seus cabelos curtos e negros estavam bagunçados e para todos os lados sob sua cabeça, os fios pareciam sedosos e suaves. Por fim voltei aos seus olhos, olhos escuros e fundos, onde mergulhei me perdendo no seu olhar. Ele me pegou o encarando indiscretamente e eu desviei o olhar sem graça, minhas bochechas queimando.

— É, bem, prazer conhece-lo, Jacob. Eu deveria ir indo…

— Espere! – ele chamou me parando no lugar. – Você é nova aqui?

— Acho que já respondi essa. – comentei insegura de onde ele queria chegar e me perguntando se eu queria chegar em algum lugar com ele.

— Sim, mas já que você é nova aqui, eu podia te mostrar a cidade. De repente depois de um café?

Eu ri para comprar tempo enquanto minha mente trabalha freneticamente.

Eu estava mesmo sendo convidada para um café por esse completo estranho que me conheceu na lavanderia, e o pior é que eu estava considerando. Havia algo que me apontava para confiar e para dizer sim. Algo vibrava no meu subconsciente.

Felizmente minha cabeça ouviu a voz da razão e não a voz de um milhão de borboletas que pareciam voar no meu estômago.

— Você vai ter que me desculpar, mas eu não conheço você. – sorri com o que imaginei ser um sorriso “desculpe, mas não”.

— Que melhor forma de conhecer alguém do que concordando em sair com ela? – ele disse com confiança e me fez hesitar.

Clint havia dito para eu me relacionar com as pessoas…

— Eu acho melhor…

— Qual é, o que você pode perder em concordando em sair comigo? Eu totalmente deixo você fugir com uma desculpa espalhafatosa sobre seu gato estar passando mal se você estiver arrependida. E eu compro o melhor donuts para você.

Eu precisei rir do seu mecanismo de argumentação e levada pelas borboletas, concordei.

Notas finais
HOLA CHICAS E CHICOS!
Tudo bueno?
É, se você chegou até aqui, parabéns, fico muito feliz! Se você chegou até aqui e vai comentar, parabéns, fico muito feliz! Se você chegou até aqui e vai embora sem comentar, tomara que você encontre a Jane pelo caminho... Mentira, mas gente, comentar não faz o dedo cair, ok?

Agora! O que eu tenho a dizer?
Primeiro, para quem tiver curiosidade, eu imagino a Summer como a Astrid Bergès-Frisbey (a Syrena em Piratas do Caribe, e a cauda da Summer seria bem como a cauda da Astrid no filme).
Segundo, sobre atualizações, eu tô com o segundo capítulo já prontinho para postar, só queria saber como esse capítulo seria recebido antes de postar o próximo. Eu não tenho data certa para postar porque vai depender da minha criatividade e inspiração para escrever. Comentários me dão um gás e um ânimo maior para escrever, só dizendo...
Terceiro, curiosos sobre a Summer, o porque alguns vamps estão atrás dela e mais sobre seu lado aquático? Bem, esperem que mais explicações estão vindo, pouco a pouco! ;) Sou louca por sereias e estava louca para escrever uma fic com elas, essa ideia me veio e bum! Tenho muito o que falar a respeito dela ainda!

Beijocas Chiquititas e Chiquititos ♥