Além do Castelo

10 Capítulo 10 Durmstrang/Uagadou


Notas iniciais
Quarta-feira é dia de que, Brazel? Dia de Além do Castelo! Hoje temos gente nova e dois plots se revelando.

Sala de treinamento e musculação, Durmstrang, 07 de setembro de 2021

Arthuria Lena Arrhenius era uma criatura singular, a começar pelo seu apelido nada lisonjeiro: Duas caras, que havia ganhado tanto por ter mais sardas em um lado do rosto do que do outro, quanto pela grande briga que tinha acontecido entre seu irmão e um ex-namorado, logo depois que ela havia o perdoado na frente de toda a escola e pelas suas costas mandado o irmão acabar com ele.

Agora a sueca de cabelos escuros e compridos encarava as duas garotas e o cara mais novos do que ela com um sorriso cínico no rosto.

— Deixa eu ver se eu entendi: vocês sobreviveram a ruína da escola de vocês para vir apanhar na minha? — A garota de 16 anos coçou o queixo, como se estivesse analisando a questão seriamente. – Muita coragem da parte de vocês.

— Não viemos apanhar, viemos aprender a sobreviver na arena por cinco minutos contra um dos top 20! — Scorp fez questão de ignorar a provocação dela, porque o tempo estava correndo contra eles. – Não temos nenhuma pretensão de ganhar o duelo, só queremos ganhar os valores.

Arthuria sorriu com mais interesse, porque essa era nova, vários colegas já haviam pedido sua ajuda para melhorar suas habilidades no combate corpo a corpo — era filha de J.S. Arrhenius e irmã dos gêmeos invencíveis, claro que pediram — mas nenhum deles havia pedido para perder com dignidade.

Se tivessem pedido, também teriam recebido um sim categórico.

— Okay, vamos ver como você leva um soco. — Assim que terminou de falar, a sextanista sueca lançou um jab — um ataque rápido e frontal com o punho — no rosto do britânico, que desviou automaticamente, levando o golpe na orelha esquerda. – Bom, você ao menos é rápido, mas não é isso que estamos testando, fique parado, por favor.

Scorp passou a mão na orelha, devia estar vermelha como um tomate, porque a garota o havia acertado em cheio. Que tipo de pessoa dá um soco na cara de quem acabou de conhecer? Olhou ao redor, mas ninguém estava olhando para o quarteto no fundo da sala de treinamento, aquilo era um fim de tarde comum em Durmstrang.

— Fique parado dessa vez, eu estou falando sério. — Ela parecia estar falando sério mesmo, porque em suas túnicas de treino, nenhuma garota de Durmstrang poderia ser levada na brincadeira. Scorpius Malfoy se preparou mentalmente para levar o primeiro soco no rosto de toda sua vida, mas o golpe nunca veio.

Ele se curvou para a frente sem fôlego, porque a garota não havia acertado o punho em seu rosto e sim no abdômen, mais especificamente em uma de suas costelas. Rebeca fez uma careta para o golpe e uma ainda maior quando a sueca segurou seu namorado pelos braços e o deixou apoiar a cabeça no seu ombro.

— Respire fundo, absorva a dor, isso mesmo, você está bem, eu mal toquei em você, Malfoy, recomponha-se. — Arthuria empurrou os ombros do garoto de leve para trás e ele retomou a postura com uma careta, mas o rosto estava vermelho, não pálido e ele não parecia que iria vomitar, o que era um bom sinal. – Vamos, recomponha-se, a dor é psicológica!

A garota começou a saltar sob os pés, convidando o sonserino a se aproximar para um segundo round, mas Scorp estava começando a repensar esse negócio de aguentar 5 minutos inteiros disso de apanhar e sentir dor.

— Vamos lá, Malfoy, ela nem começou! — Svetlana apoiou a alguns passos de distância e Rebeca continuou com seu olhar aflito. A garota de treze anos a consolou como pôde. – Ele aguentou bem, não vomitou nem chorou, ele está indo muito bem para uma primeira vez, devia ficar orgulhosa.

Arthuria estava alheia a conversa ao seu redor, estava concentrada em captar o jeito como o garoto loiro a sua frente se movimentava: ele tinha membros compridos que seriam vantajosos contra os lutadores mais baixos, lhe daria distância defensiva e era rápido o suficiente para lutar com os grandalhões...

Os olhos acinzentados dele olhavam de um punho a outro rapidamente, então a caçula do clã Arrhenius sorriu para isso também, porque Scorpius Malfoy podia ter zero de técnica, mas ao menos era atento e bem formado, não seria difícil condicionar seu corpo para o combate mano a mano.

A garota desferiu mais dois jabs leves, só para vê-lo se proteger de uma maneira óbvia e desajeitada, deixando a guarda aberta bem na sua lateral esquerda. Lançou um cruzado no exato lugar em que havia acertado antes, mas dessa vez o britânico foi ao chão.

— Okay, acho que por hoje já chega, não quero que você desista chorando, contando para a mamãe que a garota má trincou sua costela. — Arthuria olhou para Svetlana divertida e a terceiranista apenas riu junto com ela. – A costela está trincada mesmo, mas eu quero você longe da enfermaria se formos levar isso adiante.

Scorp mal conseguia respirar, quanto mais responder alguma coisa para aquela garota sádica que o encarava de cima, como se estivesse tendo o melhor momento da sua vida. Rebeca o ajudou a ficar meio sentado, meio deitado, mas a dor era muito grande para arriscar a levantar.

— Para mim já chega, a gente está fora, vocês são duas malucas perversas que só querem um saco de pancadas para se divertir! — Rebeca nunca havia sentido tanta raiva na vida, isso porque ninguém nunca havia sido tão deliberadamente cruel com ela antes.– Vocês não sabem com quem estão se metendo, eu vou destruir vocês, guardem bem minhas palavras, suas vacas!

Arthuria se agachou na frente do casal e sorriu simpática para a posição defensiva que a morena de belos olhos azuis havia assumido ao redor do namorado. Sabia como era difícil começar a treinar, então usou seu tom mais calmo para lidar com os dois, não estava levando a ofensa para o lado pessoal.

— Deixe o corpo dele curar sozinho, ele precisa aprender a lidar com a dor, precisa endurecer para entrar na arena. — Rebeca olhou para a garota com lágrimas nos olhos, porque mesmo ela sendo simpática, não passava muita confiança, soava falsa e malvada com seu sotaque acentuado. – Nada de poções ou feitiços, Malfoy, ponha um pouco de gelo e tente respirar fundo sempre que se lembrar, não deixe os músculos enrijecerem muito, vai doer bastante, mas amanhã vai precisar ter fôlego para continuar o treino. Acha que consegue fazer isso?

Ele estava de olho aberto, a encarando com a respiração superficial e uma das mãos fazendo pressão na área machucada, mas estava lúcido, tinha força naqueles olhos cinzas, então Arthuria sorriu para seu mais novo pupilo, porque treiná-lo seria divertido.

— Acho que sim... — Ele falou baixo, enquanto se levantava precariamente com a ajuda de Rebeca. Ensaiou respirar fundo duas vezes, mas a dor ainda era muito aguda, então gemeu baixinho nas duas tentativas.– Estou muito ansioso pela lição em que eu vou poder devolver esse carinho seu.

— É assim que se fala, ponha gelo no hematoma e sonhe comigo. — Arthuria falou divertida, pronta para iniciar seu treino sequencial de jabs, cruzados e ganchos no saco de areia a sua frente. Deu as costas ao casal, depois de cumprimentar Svetlana com um aceno de cabeça. – Amanhã no mesmo horário, não se atrasem.

Rebeca fez menção de ajudar o namorado a caminhar, colocando o braço dele ao redor de seus ombros, mas ele recusou sutilmente, se consertando e andando quase como se nada tivesse acontecido. A sonserina respirou fundo e não se ofendeu com o gesto, porque sabia que ele precisava provar um ponto a si mesmo, precisava endurecer, ficar mais forte.

E ela também, porque amanhã seria um novo dia, um novo começo para os dois.

Scorp percebeu pelo pulsar em toda a lateral do seu tronco que o problema iria piorar muito antes de melhorar, mas precisava aprender a lidar com isso sozinho, não queria e nem iria preocupar Rebeca, ele iria aguentar firme e voltaria a treinar no dia seguinte como se nada tivesse acontecido ou morreria tentando, era uma questão de honra!

Tinha visto nos olhos das garotas Durm uma certa surpresa e então um voto de confiança, elas pareciam ver algo que ele não conseguia ver ainda. Arthuria Arrhenius e Svetlana Khodchenkova acreditavam que ele podia fazer isso, que ele podia ser um duelista como elas, então Scorp não iria decepciona-las, não iria decepcionar a si mesmo, amanhã voltaria com dor ou sem dor.

Mas, infelizmente, pelo andar da carruagem, seria com muita dor.

~AdC~

Corredores de Nova, Uagadou, 07 de setembro de 2021

John estava quase atrasado para sua reunião do grupo de estudos e para completar, teve que voltar a Cheia para pegar suas anotações e tinha encontrado com Bella Thompson, a quem tentava despistar para poder chegar a Crescente em paz.

— Retiro o que eu disse, me diga os nomes e datas: os Iconoclastas são você, Fábregas, Weasley, Dussel... Faltam seis ainda. — Bella havia contado nos dedos, sempre dois passos atrás do corvinal, que andava muito rápido. – Quem mais? Quando começaram as atividades?

— Rose Weasley não é uma Iconoclasta! E o que aconteceu com aquela história de que você não precisava de nomes e datas? — A terceiranista se desviou de dois garotos africanos antes de finalmente conseguir alcançar e responder a John.

— Acabei de dizer que retirava o que eu disse! Você falou que alguns sonserinos começaram a história toda, quem mais além de Fábregas e Dussel? — Ela questionou interessada e John revirou os olhos para a insistência. – Antony Zabini, talvez?

Okay, ela era boa.

— Por que pensa isso? — John suspirou vencido, a menina parecia com Fred II, pegando referências onde não havia nenhuma!

— Primeiro porque ele e Fábregas são inseparáveis e segundo, porque teve toda aquela palhaçada do pedido de namoro dele no teto estrelado do Salão, quero dizer, se não foi por causa de Weasley, foi por culpa dele. — John a olhou cansado e frustrado, Bella sorriu maligna. – Aquilo foi muito brega.

— E você é provavelmente a garota mais irritante da face da Terra! Como não acabou na Sonserina também? — John perguntou realmente intrigado, porque pentelhar os outros até conseguir o que quer, como Tony havia feito com o pedido de namoro, é exatamente a tradução do lema da casa das serpentes!

— Maic até tentou me colocar lá na seleção, porque ele costumava me chamar de mentezinha híbrida, mas no fim, achou que a Grifinória seria o melhor para mim. — A garota falou bem-humorada e John a encarou confuso.

— Quem é Maic?

— Maic é o apelido de Maicon, o nome oficial do Chapéu Seletor. — Bella falou como se estivesse contando uma história real e simples e não uma maluquice dessas, John a olhou cético.

— E como você sabe que esse é o nome dele? — Ele perguntou desconfiado e ela apenas deu de ombros.

— Porque eu o nomeei assim. — A grifinória respondeu sorridente e John apenas a olhou inexpressivo, deu as costas e atravessou o portal para Crescente sem nem olhar para trás. Bella o seguiu. – E então, vai me dizer o nome dos outros Iconoclastas ou não?

— Duas coisas: você vai ter que me prometer que não vai contar a ninguém isso, sob pena de ter a sua cabeça empalada numa estaca de madeira. — A garota levantou uma sobrancelha para a ameaça, John continuou. – Os sonserinos farão isso, não eu. A segunda exigência é, me deixar em paz para que eu possa ir para meu grupo de estudos!

— Okay. — A garota fez um sinal de jura sobre o peito, bem onde o brasão de Uagadou se destacava no uniforme. – Você tem minha palavra.

— Certo, os iconoclastas são: — John olhou ao redor para ver se não tinha mais ninguém de Hogwarts ouvindo a conversa, mas o corredor em frente a porta da lagoa dos ancestrais estava completamente vazio. – Eu, Louise e Cesc Fábregas, Enrique Dussel, Aidan Hataya, Rebeca Wainz, Scorpius Malfoy, Antony Zabini, Albus Potter e Fred Weasley II. Satisfeita?

— Fred Weasley II? — Bella perguntou surpresa, depois subitamente animada, não iria lembrar o nome dos outros assim, de primeira, mas desse lembraria com certeza!

— Sim, Segundo foi uma das últimas aquisições, agora se lembre, você tem que...

— Certo, como eu faço para entrar? Você disse que apenas descobriu e pediu para entrar, então eu já estou dentro? Quando eu começo? — Bella falou animada, podia achar o pessoal do Ocaso extremamente presunçoso, mas eles estavam sempre um passo a frente do restante dos colegas e analisando superficialmente o grupo, até que eram pessoas meio que legais, os grifinórios liderando a lista, claro.

Fred Weasley II era uma lenda de sua Casa!

— Você prometeu que iria me deixar em paz! — John apontou exasperado para a cara cínica da garota. Claro que ele iria propor a entrada dela na próxima reunião, não teria contado o segredo do contrário, mas ela não precisava ser tão irritante!

— Eu disse que iria te deixar estudar em paz e vou! Vamos para a nossa reunião do grupo de pesquisas em... — Ela adentrou a sala semiaquática, notando tardiamente o garotinho do outro dia sentado ao fundo com a insuportável artilheira sonserina da seleção de Quadribol de Hogwarts. – Coisas.

Bella disse em dúvida, porque realmente queria aprofundar seus estudos em alguma área, embora não soubesse qual era o núcleo de pesquisa que havia acabado de se enfiar. Não deu tempo de John Westhampton contestar nada, porque já se encaminhava e sentava no tablado, ao lado de Lia Thiollent.

— Companheira nova, John? — Lia perguntou divertida, sem tirar os olhos de suas anotações, vendo a silhueta esguia da garota pela visão periférica. – Pensei que não, mas você é igualzinho a seu irmão, tem uma capacidade de atrair garotas bonitas que ciência nenhuma explica! Seja bem-vinda, mocinha.

— Onde está a professora Aurier, Thiollent? Achei que já estava atrasado para a discussão. — O garoto falou se sentando ao lado de Zaki, fechando o semicírculo em cima do tablado flutuante, ignorando a provocação da setimanista.

— E está atrasado! A professora não vem, me pediu para conduzir a reunião enquanto ela resolve alguns assuntos urgentes. — Finalmente Lia fechou o caderno que estava folheando e olhou no rosto de cada um dos adolescentes a sua frente. – E então? O que descobriram estudando a profecia de Harry Potter?

— Eu primeiro! Eu primeiro! Essa é uma profecia bem interessante, eu a transcrevi no meu caderno, mas o que eu mais achei peculiar foi o fato de Voldemort ter escolhido Harry Potter e por isso, quando o enfrentou da primeira vez, lhe deu os exatos poderes que seriam sua ruína nos anos seguintes! — Zaki falou animado, porque aquilo era exatamente o que haviam dito na aula anterior: a profecia causou o futuro que previu!

— Calma lá, garoto, o que matou Voldermort, a tal magia que... Espera, estamos todos familiarizados com a profecia? Sabe do que estamos falando, senhorita... — Lia gesticulou em direção a novata, que só agora havia percebido, tinha os olhos de duas cores.

Aquilo era sempre um mal presságio, odiava gente com a alma partida.

— Me chamo Bella Thompson e sim, estou familiarizada com a história, podem continuar! — Bella estava intrigada com o rumo da conversa, franziu o cenho para o olhar estranho que recebeu da sonserina ao seu lado. – Continue!

— Enfim... A tal magia poderosa era o amor, blergh, segundo os livros, Voldemort desconhecia o sentimento, então foi traído e sobrepujado por tal força poderosa e intangível, blablabá! — Lia falou com ironia, mas depois apontou para John, com um sorriso malicioso. – Mas não viemos falar sobre amor hoje. John, pode nos dizer quem profetizou esse futuro decisivo para a bruxandade?

— Sibila Trelawney? Ela era só uma charlatã que vinha de uma boa descendência e deu sorte de prever isso bem na frente de seu futuro e único empregador. — John levantou uma sobrancelha com sarcasmo para a sonserina a sua frente.– Essa história lhe é familiar, Thiollent? Se não é ainda, é só porque irá acontecer com você daqui a alguns anos.

Lia retribuiu o sorriso falso do corvinal com um de sua própria colheita. Zaki olhou intimidado para o seu caderno trouxa com o rumo da conversa e Bella preferiu se abster de comentários, não sabia que partido tomar nessa história, os dois pareciam igualmente idiotas e perigosos.

— Muito engraçadinho, Westhampton, mas saiba que quem foi Trelawney é muito importante para a nossa discussão, muito me admira alguém que se acha tão inteligente, falar em sorte quando se trata de adivinhação. — A sonserina usou um tom de deboche, que apenas fez o galês revirar os olhos. As serpentes não aceitavam provocações muito bem.

— Olha... Ele meio que tem razão, a mulher nunca tinha tido uma premonição antes e Dumbledore, ao que se sabe, estava prestes a dispensá-la na entrevista para o cargo de professora de adivinhação, então... — Bella falou com pouco conhecimento de causa, porque essa parte da dispensa de Dumbledore era incerta, já que o velho diretor morreu defendendo Trelawney no cargo, mesmo com todo o conselho da escola o questionando.

Esse era um acréscimo de Rita Skeeter ou J.K. Rowling, não sabia dizer qual das duas escritoras tinha dito o quê. Muitas partes da história de Albus Dumbledore eram mais cinzas do que preta ou branca.

A novata, Westhampton e até mesmo o tímido Zaki olhavam para Lia com diferentes graus de questionamento, então a garota resolveu fazer a mesma coisa que a professora Collete havia feito no primeiro encontro do grupo que ela participou antes de ser nomeada preceptora.

— Nós temos duas alternativas então: a primeira é que o que quer que esteja nos outros planos, naqueles em que as linhas temporais acontecem, abençoou Trelawney com um golpe de sorte para que ela ganhasse o seu ganha-pão ou... — Lia deixou a segunda opção em aberto e até mesmo John tinha que concordar que aquela primeira hipótese não era lá muito boa.

— Ou o quê, Thiollent? — John cruzou os braços mal-humorado e Lia apenas se levantou e foi para a lousa atrás dela, anotar as possibilidades.

— O que sabemos sobre Trelawney? — Ela perguntou novamente, dessa vez sabendo que todos seriam mais colaborativos, já que estavam bastante curiosos com esse pequeno enigma.

— Ela era descendente de uma grande adivinha, não era bem-sucedida e não profetizou muita coisa depois desse grande feito. — Lia tomou nota do resumo de Bella com um “ancestral poderosa”, “adivinha fraca” escritos em uma letra com personalidade, depois se virou para a sua turma.

— E quando isso aconteceu? — Perguntou professoralmente e foi respondida de pronto por Zaki.

— Em 1980!

— Certo, mas sob quais circunstâncias? — Ela perguntou com paciência, porque sua pergunta não havia sido clara.

— Já falamos sobre isso, Thiollent, ela estava em uma entrevista de emprego com o diretor Dumbledore! — John falou exasperado e Lia apontou para ele como se ele tivesse ganhado uma partida de cartas de Cassandra.

— Exato! — A preceptora da turma de adivinhação escreveu animada as letras “ A P W B D” no quadro negro. – Albus Percival Wulfrico Brian Dumbledore, era nele que eu queria chegar: naquele para quem a profecia fora encomendada!

— Encomendada? Do que diabos você está falando, garota? — Lia suspirou ante a ignorância do quintanista a sua frente, mas tinha que ter paciência se queria ser considerada uma boa preceptora.

— Se por um acaso você fosse um poderoso adivinha e, depois de comer um sanduíche com as sobras da semana, deitasse na sua caminha para dormir o sono dos justos e de repente previsse o fim do mundo... — Lia gesticulou dramaticamente e todos os outros na sala a olharam com estranheza. – Porém não houvesse ninguém para ouvir a profecia, que lástima... O que aconteceria?

— Ele contaria para os Inomináveis, que guardariam tudo em uma bola de cristal lá no Departamento de Mistérios do Ministério. — Bella respondeu solícita, mas Lia só fez um biquinho que basicamente dizia “desculpe, bebê, mas você está errada”.

— Profetas geralmente não lembram do que acontece porque estão em transe, estão literalmente em outro mundo. E então, o que aconteceria no nosso caso? — Ela perguntou de novo, dessa vez rezando para ter uma resposta mais satisfatória.

— Nada. Nada acontece, porque se ninguém ouve a profecia, ela não é real. — Zaki respondeu seguro e recebeu uma piscada marota da sonserina de pé no tablado.

— Exatamente, aprendam, Westhampton e Thompson. — Lia voltou ao quadro, porque liderar um grupo de estudos na verdade estava sendo bem divertido. – No mundo das profecias existe um negócio chamado “ouvinte”, que é aquele que será responsável por dar andamento aos acontecimentos pós premonição.

— Isso não é uma máxima, porque os profetas renomados andam com seus assistentes, que sempre anotam tudo o que acontece ou seja, eles não encomendam nada, são apenas ouvidos intermediários. — John disse calmamente e Lia sorriu arrogante para ele.

— Por isso perguntei quem Sibila Trelawney era: uma ninguém. Ela não tinha assistentes, suas profecias sempre tinha ouvidos que precisavam ouvir o que se seguiria, mas essa nem é a parte mais interessante da coisa toda: quem mais ouviu a profecia? — Lia perguntou animada, torcendo para John ter realmente pesquisado a fundo sobre a profecia de Voldemort e Harry Potter. Zaki e Bella a olharam curiosos, mas o galês não a decepcionou.

— Severus Snape ouviu a profecia parcialmente. — John falou interessado, porque Lia Thiollent finalmente tinha um ponto. – Ele ouviu parcialmente, contou a Voldermort e desencadeou todos os acontecimentos seguintes, inclusive a escolha de Harry Potter como o salvador do mundo bruxo!

— Então voltemos para as nossas hipóteses: foi por pura sorte que Trewlaney teve acesso ao tecido do destino, acesso as linhas temporais, para contar a Dumbledore e Snape sobre a profecia que só foi decidida pela escolha de Voldemort? — Lia perguntou encostada charmosamente no grande quadro negro, com o giz branco pendendo por entre os dedos.

— Não. — John falou com simplicidade, tinha que dar o braço a torcer a garota. – Não foi pura sorte, o que significa dizer que o que quer que esteja no outro ou nos outros planos, essa coisa poderosa, influencia diretamente nas nossas vidas conscientemente! Mas o que seria isso?

— Os ancestrais, claro! — Todo mundo olhou para Zaki, que consertou seus óculos subitamente tímido com os olhares. – Quase todas as religiões de matriz africana e outras de diversos continentes reverenciam os ancestrais, quero dizer, talvez a morte seja só o começo de um algo mais...

— Minha Morgana, é isso que vocês ficam fazendo com as horas vagas de vocês? Dando nós nas pobres minhocas de suas cabeças? — Bella perguntou divertida e foi prontamente respondida por John.

— Essas discussões não nos levam a nenhum lugar que um especialista não já tenha ido, mas nos ajuda a entender as coisas e não somente decora-las. — Bella assentiu para o colega de escola, percebendo que o senhor Westhampton também era um cara interessante, talvez por isso os Iconoclastas o aceitaram sem demora.

— Eu queria que vocês chegassem na seguinte conclusão hoje: uma profecia especial só cairá em ouvidos especiais, logo, nós temos que...

Lia se interrompeu, porque Zaki começou a tremer e a deixar o corpo pender de um jeito estranho a sua frente. A garota foi socorre-lo, porque era só o que faltava, o pupilo favorito de Aurier morrer bem no seu turno!

Antes de conseguir sequer tocá-lo, uma voz gutural saiu da boca do menino:

O trocador de vidas destrói tudo que toca
Somente aquele com igual poder será capaz de subjugá-lo
Pois sua alma será aquilo que ele mais desejará tocar

— Caralho, que merda é essa? — Lia estava com todos os pelos do corpo arrepiados, mas mesmo em sua estupefação conseguiu aparar o corpo de Zaki antes que o garoto batesse a cabeça no chão do tablado flutuante feito de madeira. – Isso foi uma profecia? Uma profecia de verdade?

John se aproximou para checar os batimentos do pobre garoto, sabia que Aurier o tinha como favorito por algum motivo, tudo fazia sentido agora: Zaki Magoro era um adivinha natural!

— Vocês viram isso? Vocês viram?!?! — John olhou levemente irritado para Bella porque a voz da garota parecia muito assustada, quase não podia ser ouvida de tão vacilante.

— É claro que vimos, estávamos bem aqui ao seu lado, então... — John havia levantado finalmente a cabeça para encarar a grifinória mais medrosa que se tinha notícias, mas parou de falar assim que notou que não era para Zaki que ela estava olhando. Cutucou Lia na altura das costelas, para chamar atenção para a cena bizarra que ainda não tinha acabado. – O que você viu, Bella?

A voz do galês com uma falsa calma chamou a atenção de Lia, que também deixou de prestar socorro ao garotinho desmaiado no seu colo. A sonserina olhou para Bella Thompson bem no momento que a grifinória voltava o olhar para os dois.

Tanto Lia quanto John contiveram o fôlego.

— Eles eram tantos... — A menina tinha um dos olhos em seu tom bonito e normal de azul, mas o outro... O olho esquerdo de Bella era naturalmente esverdeado, o que sempre lhe garantira um visual diferenciado, mas nesse exato momento, sua orbe brilhava em um sinistro tom amarelo.

A garota piscou confusa e assim que olhou de novo, toda a estranheza macabra já não estava mais lá. John a encarou assustado e depois olhou para Lia, que parecia estática. Enquanto os três se encaravam, Zaki finalmente acordou e foi se levantando aos poucos, desorientado.

— Pessoal... O que foi que aconteceu aqui?

Notas finais
O plot de Durmstrang é meio que um conjunto da obra e o de Uagadou tá bem óbvio, hihihi Personagem estrela de hoje, da nossa querida O Lado Bom do Yaoi - OLBY, Arthuria Arrhenius: https://www.notebook.ai/plan/characters/180018