Além do Caos
5 Capítulo 5 - Sorriso.
— Dia (3)
Acordei ao som do despertador, ele tocava e tocava em meus ouvidos sem parar. Não queria sair da cama, mas senti que era necessário. Afinal, hoje tinham os exames médicos.
O povo do ministério da saúde iria estranhar se um aluno presente no acidente falta-se a aula. A verdade é que passei quase toda a noite acordado pensando sobre o que Mary disse. Ela disse que o verdadeiro mundo iria se abrir para mim, mas porque ela diria isso?
No momento senti que ela tinha conhecimento do futuro, mas acho que estou sendo muito paranoico. De qualquer forma, levantei-me. Andei em direção ao banheiro para começar a me arrumar, meu cabelo era sempre uma bagunça de manhã.
Após um tempo, estava pronto. Aprontei minha mochila e subitamente sai. Em seguida, caminhei ao ponto de ônibus próximo de casa e aguardei. Sem demorar muito já estava na escola.
O dia estava horrível, não parava de chover um único minuto, pensei enquanto observava o horizonte para fora da janela. Após pouco tempo, o professor chegou a sala e fez a chamada. Foi então que percebi que vários alunos estavam faltando e isso me assustou.
Ainda por cima, entre os alunos que estavam faltando estava Layla! Sem contar que os outros que faltavam, isto é, Juvia, Phillip, Mary, Gabriel, Ken e Lucy. Todos esses sete alunos, sem exceção, estavam na explosão da usina. O professor percebeu isso e pediu licença para sair da sala. Enquanto isso e enquanto a chuva aumentava sem parar, pensei em quais outros alunos estavam na explosão. Se me lembro bem, Liz, April, James, Jaiden, Tony e Jack também estavam lá.
Consegui lembrar de todos, mas mesmo que eu não me lembrasse quais alunos tinham ido, era extremamente fácil de se perceber. As expressões em todos aqueles seis alunos mostravam exatamente a mesma coisa, medo.
Foi então que eu ouvi uma voz que cantava repetidamente meu nome. Primeiramente me assustei, mas forcei-me para manter a compostura. Afinal, aquela voz só podia ser de Mary. Ela não estava faltando, só não queria ser vista. Foi então que ela disse bem próxima ao meu ouvido:
—Fique quietinho. Agora eu falo e você escuta. Metade dos alunos que foram a excursão faltaram então só poderei te contar os poderes dos que estão aqui, ok?
Surpreendi-me com aquilo mas concordei com a cabeça sendo cuidadoso para não ser notado. Mary então continuou:
—Primeiro temos Liz. Liz tem uma habilidade muito especial, ela é capaz de acessar a mente das pessoas que ela toca. Ela vê memórias, pensamentos, tudo. Em seguida temos April. A pequena menininha também tem um poder bem divertido, ela é capaz modificar as emoções das pessoas deixando-as felizes. Fofo, não é?
Mary fez uma pausa como se esperasse uma resposta, mas logo continuou:
—Depois da April, temos James. Meu bad boy preferido tem a capacidade de criar falsas memórias na mente das pessoas, melhor tomar cuidado. Em seguida os irmãos, Tony e Jaiden, ambos tem um poder que só serve se for combinado. Juntos eles são capazes de trazer desenhos a vida. Por ultimo, Jack... Bem, ele é seu melhor amigo, não é? Porque não pergunta? Ele senta logo atrás de você.
Foi então ela afastou a boca de meu ouvido, beijou minha bochecha e se foi.
Freneticamente comecei a escrever todas as informações que Mary tinha me passado, isso poderia ser muito útil no futuro. Logo após ter escrito tudo comecei a planejar como perguntaria a Jack qual era seu poder.
Entretanto, antes que eu pudesse planejar qualquer coisa, senti um toque no meu ombro, era Jack. Virei-me para ele e na cara dura ele me perguntou:
—Hey Al, qual o seu poder?
Isso era típico de Jack, ele é um menino quieto mas sempre perguntava as coisas sem medo. Abri a boca para responder mas ambos fomos surpreendidos por um poderoso estrondo. Um raio acertou a janela da sala quebrando-a e jogando cacos de vidro para todos os lados. Apressei-me e me joguei embaixo da mesa e foi nesse momento que eu o vi.
Em frente ao meu rosto estava Jack, meu amigo de infância e que à poucos segundos conversava comigo, estava morto. O seu rosto estava ao chão, sem expressão. Sangue saia pelo seu pescoço sem parar. Um pedaço de vidro o havia acertado em cheio.
Isso não poderia estar acontecendo, disse a mim mesmo, eu não podia acreditar.
Foi então que o mundo a minha volta tornou-se silencioso. Levantei-me e olhei para fora da janela ignorando todo o caos que se espalhava pela sala. Esperei encontrar paz observando o horizonte, mas encontrei o contrario.
No horizonte percebi um vulto, mas não consegui identificar quem era. A única coisa que os raios me permitiram ver foi um sorriso. Um sorriso que me fez perceber que o que aconteceu com Jack não foi um acidente. Jack tinha sido assassinado.
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