Além das estrelas: Memórias de um Jedi
7 Capítulo 6 - Livre
Notas iniciais
Capítulo 6 – Livre
Dias atuais, em algum lugar da galáxia
Frio.
Frio era tudo o que sentia enquanto caminhava pelo corredor estreito e escuro a sua frente, mesmo que um pesado manto a envolvesse. Era como se o inverno de seu coração se espalhasse por todo seu corpo, fazendo com que arrepios desconfortáveis percorressem sua pele.
Suspirou.
— Já está cansada, Princesa? — a voz desdenhosa de Karin chegou a seus ouvidos. — Ainda temos um longo caminho pela frente.
— Não estou cansada — rebateu, feroz. Agradecia o que a moça ruiva estava fazendo por ela, mas já estava cansada do desdém que via estampado na face da outra. — Se não se lembra bem, fiquei bons anos descansando naquela maldita cela.
A outra riu:
— Sei. E se não fosse por mim, você ainda estaria lá, onde seu adorado Sasuke-kun queria que ficasse.
Sakura se calou. Não adiantaria rebater e defender Sasuke.
Ainda o amava com todas as suas forças, mas precisava saber a verdade. Vê-lo com seus próprios olhos e tirar suas próprias conclusões. Nunca foi mulher de basear suas opiniões no que lhe diziam e não seria agora que as coisas mudariam.
— Você se lembra da última coisa que aconteceu antes de ser mandada para cá? — Karin lhe perguntou, pegando Sakura de surpresa.
Claro que ela se lembrava. Uma mãe nunca esquece o nascimento de seus filhos.
“Seiji e Sarada”
No fim Sasuke estava meio certo, mas isso era tudo.
Não conseguia nem se lembrar dos rostos de seus filhos.
Que tipo de mãe ela era afinal?
Havia pensado muito sobre isso nos últimos anos, mas não esperava que a ruiva lhe perguntasse isso naquele momento.
— Sim — respondeu em um sussurro.
— Não quer saber como eles estão? Como são? — insistiu a ruiva, em quanto atravessavam uma porta dupla fazendo com que uma leva de pensamentos atordoassem a rosada.
Tudo estava deserto demais.
Onde estava? E por que não tinha guardas em lugar algum? Ela não era uma prisioneira de Sasuke?
As peças não pareciam se encaixar, então ela apenas decidiu entrar no jogo de Karin, dizendo:
— Não preciso que me fale. Logo estarei com eles, não é mesmo?
— Talvez. Se Sasuke já não tiver matado o menino — falou com o que Sakura sentiu ser um falso pesar.
— A quanto tempo fiquei presa? — Sussurrou.
— Dezesseis anos...
Sakura fechou os olhos. Seu peito pesava.
Dezesseis anos. Dezesseis anos sem seus filhos. Dezesseis anos que seus filhos não tiveram mãe.
— Chegamos — a ruiva disse parando em frente a uma pequena nave. — Subornei o piloto para que você pudesse chegar são e salva em Corellia, a nova base da aliança Rebelde — continuou explicando, mas nada poderia ser tão fácil assim. As coisas não se encaixavam para a Haruno. — Ninguém sabe quem você é. Para a maioria das pessoas da galáxia, você está morta. Então quando chegar lá, encontre Naruto. Ele confiara em você e diga a ele que estou viva — finalizou a Uzumaki.
— Certo — Sakura disse.
Seu peito pesava com um mal pressentimento, mas o que poderia fazer a não ser seguir as ordens da Uzumaki.
— Você ficara bem quando descobrirem que me libertou? — a rosada perguntou tomada pela curiosidade.
— Sasuke ira enlouquecer se descobrir — declarou sorrindo.
— Por que não vem comigo?
— Porque ainda tenho umas contas para acertar com meu mestre — sorriu e Sakura sentiu que aquela poderia ser a última vez que via a Uzumaki.
Sakura queria entender. Entender o que levava a outra mulher a fazer aquilo, mas simplesmente agradeceu e subiu na nave.
Aquele era o primeiro passo para sua liberdade e para a verdade que lhe fora negada a anos.
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Dias atuais, em algum lugar da galáxia
“General Uzumaki, no passado você serviu a meu pai nas Guerras Clônicas. Agora ele pede sua ajuda para lutar contra o Império. Desculpe eu não poder apresentar esse pedido pessoalmente, mas minha nave foi atacada e acredito que minha missão de levá-lo a Corellia tenha falhado. Eu gravei informações vitais para a sobrevivência da rebelião no sistema de memória dessa unidade R2. Meu pai saberá como retribuir. O senhor deve levar esse androide e entregar a meu pai em Corellia. É um momento de desespero para nós. Me ajude, Naruto Uzumaki. Você é a última esperança da Aliança Rebelde. Por favor....” — e a imagem do belo rapaz de cabelos negros desapareceu mais uma vez.
Aquela era a terceira vez que Sarada pedia para R2 deixá-la ver a mensagem do rapaz. Não conseguia deixar de pensar em como e onde ele estava.
Seus pensamentos estavam tão confusos. No entanto, fazia tudo bem escondida. É claro que seus novos companheiros de viagem não sabiam sobre o que carregavam, mas não podia evitar.
Ele era tão bonito!
— Quem é ele? — perguntou para C3PO.
— Príncipe Seiji Kotaro, minha senhora — ele respondeu prontamente.
Um príncipe?!
Agora entendia todo o estereótipo que rondava aquele título.
Uma vontade incontrolável a consumia. Precisa salvar aquele rapaz e estava decida a mudar seus planos para fazer aquilo, mas por quê?
Estava confusa. Talvez fosse isso o que seu mestre faria, não é mesmo? Seu mestre não deixaria ninguém sofrer nas mãos do Império, nas mãos de Darth Vader. Seu pai....
Pensar que poderia encontrar seu pai se fizesse isso a assustava, mas também fazia com que uma certa curiosidade percorresse todo seu corpo.
— Sarada-chan — a voz de Himawari a pegou de surpresa. — Sarada-chan, uma estação do Império...
Ela não precisou nem completar a frase, pois um impacto as jogou no chão.
A nave estava sendo puxada por um campo magnético.
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— Isso tudo é culpa sua! — Boruto gritava para Sarada enquanto eram cercados por vários Stormtroopers.
— Calma, Boruto-nii — Himawari pediu em alerta. — Brigar não vai resolver nada.
— Certo — resmungou ele enquanto puxava a irmã pelo braço. — Já sei o que podemos fazer — finalizou soltando-a para puxar uma alavanca, que Sarada logo viu do que se tratava.
Com um ruído metálico, um compartimento se abriu no chão e Himawari foi logo entrando.
— Tá esperando o que, Princesa? Não vai vir? — o loiro chamou e Sarada apenas o seguiu sem rebater, levando os droídes junto.
Um silêncio tenso se fez entre eles quando passos foram ouvidos sobre suas cabeças, mas tudo o que Sarada podia sentir era a presença ameaçadora foram da nave. A escuridão o envolvia.
“Papai”
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— Uma nave cargueira foi aprendida, milorde — a voz do novo general chegou aos seus ouvidos logo que deixou a cela de Seiji Kotaro. — Ela foi vista deixando Jakku, planeta onde os droídes foram ejetados.
— Eles podem estar tentando devolver as informações para o príncipe. Avise Madara-sama — mandou seguindo o outro oficial que o levaria até onde a nave deveria estar.
Sasuke podia sentir todo o medo que causava aos homens a sua volta, mas nada daquilo tinha importância. Não se importava com o que havia se transformado. No entanto, ainda se sentia desconfortável com o que sentia desde que aqueles nomes apareceram em sua mente.
“Seiji e Sarada”
— A nave está vazia, Milorde — outro oficial avisou quando chegaram diante da velharia e Sasuke se perguntou o porquê de estar dando atenção a algo tão pequeno tendo Seiji para interrogar a poucos metros.
Talvez fosse porque não sabia o que poderia encontrar na mente do rapaz daquela vez e isso meio que o assustava.
Riu pegando a todos os homens ali de surpresa, fazendo com que o medo fosse palpável no ar, afinal, por que o perigosos Darth Vader estaria rindo?
Aquilo estava ficando ridículo.
— Vasculhem cada parte dessa joça e não me façam perder mais tempo — falou dando as costas aos homens, que quase não respiravam.
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— Respirar dentro dessa merda de capacete é difícil — Boruto reclamou pela terceira vez desde que deixaram a nave com o brilhante plano de resgatar Seiji Kotaro.
Nem Sarada conseguia acreditar no quão estupida estava sendo, mas precisava pelo menos tentar ajudar aquele rapaz.
— Espero que essa recompensa seja boa — ele resmungou.
— Já disse que vai ser. Ele é um príncipe — rebateu segurando a arma que os Stormtroopers carregavam.
Tudo até ali estava sendo fácil, derrotar os soldados que invadiram a nave foi fácil e agora Himawari estava encarregada de ligar a nave quando eles voltassem com o príncipe e C3PO desativasse o campo magnético com a ajuda de R2.
Tudo tinha que dar certo ou a aliança rebelde estaria perdida.
— Ei. Soldados — um homem vestido com o mesmo uniforme de Stormtroopers os chamou e não teve como não parar. — Preciso que me ajudem a levar essas coisas para o quarto real do principezinho — ele riu e apontando para vários objetos de tortura e Sarada se conteve.
Precisava manter a calma, já que o destino parecia a seu favor, então ela apenas riu e Boruto os acompanhou.
Carregavam aqueles objetos estranhos quando adentram um quarto escuro, onde um corpo podia ser visto preso entre correntes.
Sarada quis correr até ele e tirá-lo dali, mas se conteve. Precisava ser esperta e usar a força.
— Você vai largar a arma e sair daqui sem fazer barulho — Sarada declarou com confiança, enquanto Boruto a olhava surpreso.
— O que?! — o soldado falou.
— Você vai largar a arma e sair daqui sem fazer barulho — repetiu com mais fervor.
Um silêncio tenso se instalou no lugar enquanto o barulho do outro homem colocando a arma no chão ecoou pelo ambiente.
— Eu vou largar minha arma e sair daqui sem fazer barulho — o soldado repetiu como se estive em transe enquanto sai do quarto.
— Como diabos você fez isso? — Boruto perguntou perplexo, mas quem chamou a atenção de Sarada foi o rapaz preso pelas correntes.
Sem pensar duas vezes, ela correu até ele, puxando as correntes, que ofereceram resistência.
Ela devia ter pedido a chave antes de mandar o stormtrooper embora.
— Quem é você? — a voz fraca de Seiji a pegou de surpresa.
— Ajuda — foi tudo o que Sarada conseguiu dizer. — Não se mexa. Eu vou te tirar daqui.
— Não sei se percebeu, princesa, mas o rapaz não tem muita escolha — Boruto falou irritado atrás dela. — E o que foi aquela bruxaria que você fez agora a pouco?!
— A força — ela exclamou já sabendo como iria tirar o príncipe dali.
Ignorando tudo a sua volta, a moça tentou se concentrar, usando a força a seu favor e assim, com um clique seco, as correntes cairão dos braços de Seiji, que teria caído no chão se não fosse amparado por Boruto.
— Você é um Jedi? — Seiji falou, ficando em pé com dificuldade.
— Aprendiz — Sarada respondeu tirando o capacete para olhar melhor para o rapaz. — Viemos aqui para te salvar.
— Como?!
— Não importa como — Boruto interrompeu. — Precisamos ser rápidos.
— Certo — Sarada concordou. — Precisamos tirá-lo daqui sem chamar atenção. Alguma ideia?
— Já sei — Boruto falou e Sarada soube que ele era mais que do que um simples cara irritante.
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Dias atuais, Corellia
— Pedindo permissão para pousar — Sakura ouviu o piloto falar no rádio.
Finalmente havia chegado em Corellia e não sabia o que esperar.
“Quem é e o que traz a bordo?” — em resposta.
— Sou Ken Nazaki e tragou uma encomenda para Naruto Uzumaki.
“Permissão concedida. Pode pousar”
Não demorou nem cinco minutos para a nave pousar, mas para a rosada, aquilo demorou tanto quanto os anos que passara em cativeiro.
— Chegamos, senhorita — o piloto de nome Ken a falou abrindo a porta. — Seja bem-vinda a Corellia.
— Obrigada — foi tudo o que ela conseguiu dizer ao deixar a nave e dar de cara com os vários soldados da aliança rebelde que rodeavam a nave.
— Quem é você? — uma voz conhecida chegou aos seus ouvidos, fazendo com que lagrimas chegassem a seus olhos. — Tire o capuz!
Sem pensar duas vezes, Sakura tirou o capuz encarando os olhos azuis da pessoa a sua frente, dizendo:
— Sou eu, Sakura Haruno!
Agora não tinha mais nada a temer, estava livre!
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