Além das Quadras

18 Arco II – 18. Oi?


Notas iniciais
Olá amores e amoras! O capítulo atrasou um pouco por que eu me enrolei em entregar pra Lethy betar e ela estava cheia de coisa da faculdade. Mas não tem problema, já que teremos mais um capítulo esse mês para comemorar o aniversário do meu fofo, Henry ♥ Quero dedicar esse capítulo à maravilhosa da Nilla, que enviou a oitava recomendação da história! Eu nem acredito que estou recebendo tanto carinho, então agradeço imensamente por tudo! Muito obrigada, Nilla ♥ Aproveitem o capítulo! Ps: não teremos banner nesse capítulo pq o programa que eu uso deu pau :') Depois eu coloco haha Ghost Kisses ~Marceline

Henry estava dando graças a Deus que aquela data havia chegado. Confessava que não aguentava mais esperar. O dia em que sua nota do ENEM saiu já tinha sido torturante demais, assim como os dias do SiSu que se antecederam àquele.

Era o dia oficial em que saberia se passara ou não para a Universidade Federal de Minas Gerais. Teve muitas dúvidas sobre qual curso fazer, mas depois de um tempo pensando e uma conversa séria com seus pais, ele optou por fazer Educação Física.

Ele sabia que era um pouco de hipocrisia de sua parte, uma vez que não gostava nada que envolvesse atividade física além do vôlei. Mas resolveu que iria tentar, pois, se nada desse certo como jogador, certamente ele iria querer ser treinador de alguma equipe de vôlei. De qualquer modo, não conseguia mais se ver sem algo relacionado ao esporte.

Para a sua alegria, Gabriel e Danilo não estavam no quarto naquele momento, deixando que Henry ficasse mais a vontade com Chris. O notebook de Henry estava aberto ali na cama debaixo, enquanto Chris estava atrás de si, fazendo massagem nos ombros tensos do líbero. Henry estava com seu cubo mágico em mãos, montando e desmontando de maneira automática, parando vez ou outra para apertar o F5 do aparelho a sua frente.

Por enquanto nada.

— Tu tem que relaxar um pouco – disse Chris, apertando um pouco mais os ombros do outro com as mãos grandes. – Vem, deita um pouco aqui comigo.

— Relaxar? Como você quer que eu relaxe??

— É só uma aprovação, tu já sabe que passou – respondeu Chris dando de ombros. – Tu tem nota suficiente para passar em qualquer curso, com certeza você já passou.

— Você sabe que eu não vou sossegar enquanto não tiver uma confirmação.

Henry sabia que Chris tinha razão. Ele estudou tanto para o vestibular que ficaria extremamente decepcionado se tivesse ido mal. Ele sabia que tinha que relaxar um pouco, mas claramente sua ansiedade não iria deixar tal coisa.

— Eu sei – comentou Chris e o quarto caiu no silêncio.

Henry não percebeu, estava concentrado demais olhando para a tela do notebook, então só notou que fora agarrado e puxado para trás quando Chris juntou seus lábios com os dele, selando um beijo carinhoso.

Para o alívio de Henry, Chris havia ido conversar com ele sobre os últimos acontecimentos, já que não estavam tão bem quanto gostariam. Ele explanou seus pontos, dizendo que era difícil vê-lo flertando ou olhando para outras pessoas, mas que era seu jeito e tinha que respeitar, por mais que não gostasse. Henry acabou falando também, dizendo que Chris estava com um ciúme exacerbado e que não havia necessidade disso, pois Henry não iria ficar com ninguém. Pelo menos não na sua frente, pensou Henry após sua fala.

Então estavam bem, a reconciliação vindo com uma rodada de sexo ali mesmo, quando os outros dois companheiros de quarto tinham saído para beber com o restante do time. Henry adorava que, depois das brigas, a reconciliação era melhor do que qualquer outra coisa. Parecia que o sexo ficava ainda melhor depois da raiva.

— Não vamos transar agora, né, meu bem? – resmungou Henry após se separarem. Ele voltou a se sentar na frente do notebook, atualizando a página mais uma vez.

— Na hora que me escutar – Chris começou perto do ouvido de Henry. – Vai ver que isso não é drama.

— Ah não... – resmungou Henry, recebendo um beijo no pescoço. Porém, mesmo com a reclamação, Chris continuou.

— Precisa raciocinar – cantou sem se afastar de Henry, envolvendo o corpo pequeno do outro nos braços – Que beijo não resume em transa.

Henry nunca curtiu muito funk, a não ser para dançar em festas, mas, quando Chris resolvia cantar alguns em seu ouvido, era muito difícil resistir aquilo. Não que Chris cantasse bem, na verdade ele tinha uma voz bem normal, mas o modo como ele cantava e lhe tocava... Não precisava de muito mais para atiçar a vontade de dar de Henry.

— Então a gente vai ficar só nos beijos? – perguntou baixinho com um sorrisinho no rosto.

— Mas quem sou eu, se quiser vir pra cá. Vou me contradizer e não aguentar. – Chris continuou e apertou o quadril de Henry. Ele fechou o note, colocando-o no chão antes de se virar para Chris.

— Meu Deus, eu criei um monstro! – riu Henry, subindo em cima dele.

Foi a vez de Henry beijar Chris, mas assim como todos os seus beijos, aquele fora bem agressivo e afoito. Quando Chris o provocava daquela forma, Henry não conseguia se segurar, sempre iria partir para a agressividade. Chris apertou a bunda empinada de Henry, fazendo-o soltar um pequeno gemido contra os lábios do outro.

Estava prestes a levantar e tirar o short de Chris quando a porta do quarto foi aberta de supetão, com a voz de Danilo nem um pouco paciente preenchendo o ambiente logo em seguida. Ele parou um segundo ao ver a cena que se desenrolava a sua frente, fazendo com que Henry saísse rapidamente de cima de Chris. Danilo lançou um olhar de desculpas para os dois, mas mesmo assim não saiu do quarto, escutando as palavras da pessoa do outro lado da linha.

— Você vai mesmo me fazer ir de São Gonçalo para a UERJ todo santo dia? Eu vou morrer de cansaço! – exclamou Danilo sentando-se em sua cama.

Henry e Chris ficaram quietos com a presença do outro, que pareceu não se importar com a cena anterior, muito menos com os dois escutando a conversa acalorada que estava tendo. Com isso, para disfarçar, Henry pegou novamente seu notebook, abrindo-o na página do Mec.

— Meu Deus, qual a dificuldade de me mandar morar com o Diogo? – Danilo falava alto e parecia bastante irritado. – Ta bom, mãe. Depois a gente resolve isso, tenho treino agora.

Então ele desligou o celular, jogando ao seu lado e se deixando cair na cama. O silêncio se instalou no cômodo por alguns minutos, o clima um pouco tenso, Henry pode perceber. Como sua curiosidade nunca o deixou na mão, ele foi o que quebrou o silêncio.

— Dia difícil? – perguntou, não esperando que Danilo fosse responder.

— Eu passei na porra do vestibular da UERJ para o curso que eles queriam e eles me fazem o desfavor de não me deixar morar com meu irmão mais velho, que mora praticamente do lado do campus. – desabafou Danilo. Henry ficou um pouco surpreso com a confissão, não esperava mesmo que ele fosse falar algo.

— Ah... Meus parabéns – ele disse, tentando soar amigável e quebrar o clima – Passou em que?

— Educação Física – ele bufou, não aparentando estar muito contente com aquilo.

— E não era isso que você queria? – perguntou Chris, se intrometendo na conversa.

— Era... Eu não sei na verdade – resmungou Danilo – É mais escolha dos meus pais do que minha...

— Bom, você poderia conversar com eles a respeito disso – sugeriu Henry. Danilo soltou uma risada debochada.

— Conversa não adianta com meus pais. Eles sempre acham que estão certos e sempre vão achar. Eles acham que estão fazendo um favor para mim, dizem que é para o meu bem. Mas não sei até que ponto é realmente pro meu bem.

Eles ficaram alguns segundos sem falar nada, antes de Henry acabar com o silêncio novamente.

— Você poderia, sei lá, fazer uma proposta para eles. Você faz algo que eles queiram e eles deixam você fazer algo que você quer. Funciona muito bem lá em casa.

Danilo o encarou com o cenho levemente franzido, como se considerasse a opção.

Nos últimos dias, até que estavam se dando bem. Mesmo com o discurso de “eu não gosto de você e não somos amigos”, Danilo era uma pessoa calma e paciente, conversava com Henry, mesmo que fosse sobre coisas banais. Talvez aquela conversa com ele na praia tenha mudado a visão do outro. Depois daquilo, Henry não tentou falar com ele sobre o assunto novamente, receando que as coisas entre eles ficassem piores.

— Talvez isso possa fazer algum efeito – refletiu e abriu um sorriso. – Valeu, cara. Ajudou bastante.

Então Danilo levantou-se da cama e pegou o celular, mexendo rapidamente e levando o aparelho até o ouvido. Antes que ele pudesse cruzar a porta, Henry pode escutar o “Oi, amor, estava com saudades”. Quando a porta se fechou atrás dele, Henry lançou um olhar de “eu não disse?” para Chris, que revirou os olhos e puxou Henry para cima de si novamente.

Iria ficar ali, abraçado com Chris se não fosse pela vibração peculiar em seu celular. Havia colocado um estilo diferente de vibração para saber quando Marge lhe mandava mensagem. Sentou-se rapidamente, pegando o celular e abrindo na mensagem enquanto Chris reclamava que até longe Marjorie era uma puta de uma inconveniente.

Ativa do Henry: O resultado do SiSu já saiu. Meu primo passou em engenharia mecânica --’ Todo mundo comemorando aqui em casa. Bando de desgraçados.

Henry soltou um grito ao ler aquilo, pegando o notebook rapidamente e atualizando a página. Mais um grito foi dado quando estava ali, claro como o sol, que Henry tinha passado para a UFMG em primeiro lugar no curso de Educação Física. Ele deu um salto para fora da cama, com um sorriso do tamanho do mundo, passando as mãos nos cabelos já grandes e bagunçados, como se ainda não acreditasse.

— Eu disse que tu iria passar – disse Chris com um sorriso também ao ver o outro feliz. – E em primeiro lugar? Meus parabéns, Chibi.

— Mano do céu... Eu não acredito! Puta que pariu.

— Você merece, Chibi – Chris levantou-se da cama e lhe deu um abraço apertado. – Eu sempre acreditei em você.

Depositou um beijo romântico sobre os lábios de Henry, que tinha o coração acelerado com toda aquela situação. Não estava acreditando mesmo que tinha passado. Separou-se de Chris depois de um tempinho apreciando o beijo, dizendo que precisava dar a notícia para seus pais e para Marge.

— EU PASSEI CARALHO – ele gritou gravando um áudio para Marge.

Ativa do Henry: Nada novo sob o sol. E da próxima vez que for mandar áudio gritando, avisa sua desgraça.

Passivo da Marge: Foi mal, miga kkkkkkk To empolgado

Ativa do Henry: Eu sei, bebê UHSUAHSUA Meus parabéns, trocinho ♥

Passivo da Marge: Obrigado, amore ♥

Ativa do Henry: Então, você vem pra cá para fazer a matrícula né? Tem uma data específica e ela não é muito comprida.

Foi ai que Henry percebeu que, realmente, a matrícula era justamente no período em que ele ainda estaria em Saquarema. Teria que conversar com o treinador para poder conseguir fazer a matrícula dentro da data.

Passivo da Marge: Eu vou dar um jeito.

Ativa do Henry: É bom mesmo. Agora eu tenho que ir lá aturar minha família. Adeus.

Henry despediu-se da amiga, sabendo que provavelmente todos estavam paparicando seu primo por ter passado numa das faculdades da Tríplice. Ninguém tinha ficado muito animado quando ela disse que passou em jornalismo, então era de se esperar que ela ficasse meio puta pela festa que estavam fazendo pelo primo.

Diante da sua situação, decidiu não informar aos pais que tinha passado. Iria fazer uma surpresa para eles, chegando a Belo Horizonte e dando a notícia pessoalmente. Com certeza eles iriam ficar bem felizes com a notícia e sua presença.

— Vou fazer uma surpresa para meus pais – informou Henry. – Vou aparecer lá de surpresa. Só preciso falar com o treinador para me liberar.

— Eu vou com você. – disse Chris.

Henry apenas assentiu, vendo o amante colocando uma camisa azul da seleção e pegando seu celular. Os dois saíram do quarto, conversando animadamente sobre a aprovação de Henry.

— Nós temos que sair para comemorar – sugeriu Chris. – Podemos dar uma volta em Saquarema no final de semana.

— Isso seria muito foda! – animou-se Henry – Vamos chamar os meninos?

Chris torceu a boca em desagrado.

— Eu pensei em ir só nós dois... – divagou – Você sabe... Algo mais romântico.

— Ah... – soltou Henry e abriu um sorriso. – Claro, seria maravilhoso.

Chris abriu um sorriso e abraçou o outro.

— Vai ser mesmo.

[…]

A conversa com o treinador tinha sido mais tranquila que o esperado. Ele iria poder voltar para BH com a condição de que fizesse o treino perdido de sexta no sábado. Henry aceitou, claramente, mesmo que o treino fosse apenas ele e o treinador, dando um enfoque na defesa e recepção de Henry.

Tinha recebido a notícia de que passara na segunda, então a ansiedade de voltar para casa e rever seus pais e irmãos na sexta-feira estava grande. Comprou as passagens pela internet para quinta-feira de madrugada, chegando a Belo Horizonte de manhãzinha. Iria aproveitar cada segundo, já que teria que voltar na sexta de madrugada também.

Os treinos, a cada semana, pareciam mais e mais intensos. Tanto que Henry se rendeu e foi começar a fazer fisioterapia com os demais integrantes do time. Seus joelhos já não estavam aguentando mais e com certeza teria que usar aquelas bandagens terapêuticas. Dito e feito, não se livrou das bandagens, mas pelo menos a fisio ajudou nas dores das articulações.

— Tá se sentindo melhor? – a voz de Bernardo, o levantador a princípio reserva, soou em seus ouvidos.

Henry estava sentado em uma das camas de fisioterapia, levando tratamento de ondas de choque nos joelhos. Ele levantou o olhar para encarar o levantador moreno ao seu lado. Bernardo estava entre uma das pessoas mais fofas que Henry já conhecera. Ele era tão fofo que Henry tinha vontade de apertar suas bochechas até arrancá-las. Não somente na aparência, mas na personalidade também. Bernardo estava sempre preocupado com seus colegas de time, perguntando se estavam bem, sempre incentivando todos, por mais desanimados que o resto do time estivesse. Gabriel podia ser o capitão do time, mas Bernardo com certeza fazia um papel excelente de alma da equipe.

— Sim, tá melhorando aos poucos – respondeu Henry com um sorriso. – E você? Tá tudo bem?

— Ah, mais ou menos – ele disse com um sorrisinho sem graça – Só espero que meus dedos melhorem com o tanto de fisioterapia. Os atacantes do time são uns verdadeiros cavalos.

— Com certeza são – riu Henry – Muitas boladas no bloqueio?

— Infelizmente – resmungou Bernardo – Nunca fui bom no bloqueio de qualquer forma e pelo visto eles sabem disso. Enfim... Por enquanto, nada com o que se preocupar.

— Espero mesmo, pois quero você como levantador titular, hein? – incentivou Henry com um tapinha no braço de Bernardo.

— Aaah – riu o levantador – Eu duvido muito. André é um monstro no levantamento. Eu não sou páreo para ele. Só de ter sido convocado eu estou feliz.

— Não pense assim, sempre há uma chance de você superar os fodões.

Henry sempre dava bons conselhos, palavras acolhedoras para as pessoas ou coisas do gênero, mas definitivamente era a prova viva do “Faça o que eu falo, não faça o que eu faço”.

Bernardo soltou mais uma risada.

— Queria ter essa convicção toda. – ele divagou – Quem sabe, não é mesmo?

Nisso, um dos fisioterapeutas chamou Bernardo para continuarem o tratamento.

— Bom, eu vou lá para mais uma sessão de tortura – ele disse dando um tapinha no ombro de Henry – Melhoras ae, mano.

— Obrigado, para você também.

Então Bernardo saiu, acenando para Henry com um sorriso sincero nos lábios.

Mais tarde, naquela mesma quarta-feira, Henry estava indo para a praia com Chris quando encontraram Andrade pelo caminho. O líbero lançou um olhar ameaçador para Henry, que resolveu apenas devolver com um dedo do meio. Não tinha mais paciência para aquele garoto que se achava o melhor líbero do mundo quando ele era no máximo ajeitadinho para a defesa.

— Tá pra existir guri mais desaforado que aquele – reclamou Henry quando eles passaram por Andrade.

Com certeza o outro iria fazer alguma coisa, encher o saco de Henry se este estivesse sozinho. Mas Henry já tinha reparando que, quando estava com Chris, Andrade se limitava a lançar seus olhares mortais, não dizendo nada para ferir Henry. Isso o deixou um pouco com raiva. Odiava o fato de Chris parecer seu guarda costas quando ele podia se virar perfeitamente sozinho nessas situações.

— Ele só tá fazendo isso para te desestabilizar – declarou Chris – Pessoas competitivas são assim mesmo.

— Eu só quero esfregar meu título de líbero titular na fuça dele – disse Henry, mesmo que não acreditasse muito naquilo. Tinha esperanças e estava correndo atrás, mas claramente sua ansiedade não ia lhe permitir ter um momento de alegria.

Chris riu.

— Você vai, Chibi – ele disse carinhoso – Tu é um líbero foda e sabe disso.

— Obrigado, meu bem – Henry respondeu, apertando a mão de Chris como agradecimento antes de soltá-la novamente.

Estavam evitando demonstrações demais de afeto naquele lugar e Henry tinha que dizer que, apesar de tudo, estava sendo bom, pois davam escapadas em cantos escondidos para se pegarem. Henry gostava da adrenalina de transar em locais públicos com as chances de serem pegos, mesmo que Chris achasse isso idiotice, ele topava por causa de Henry.

— Tem um lugarzinho em que ainda não fizemos nossas coisinhas indecentes – disse Henry depois de um tempo, um sorriso malicioso no rosto.

— Meu Deus, Henry – Chris revirou os olhos com um sorriso, achando graça das palavras do outro.

— Não quer saber? – Henry perguntou com um biquinho decepcionado.

— Fala... – soltou Chris, sem olhar para Henry – Só porque quero saber, não significa que nós vamos fazer.

— Então não tem nem graça falar – provocou Henry dando de ombros.

Ficaram em silêncio por alguns minutos. Minutos esses que foram torturantes para Chris, mas para Henry significava o caminho para a vitória.

— Tá bom, fala logo! – exclamou Chris, cedendo. Henry abriu ainda mais o seu sorriso malicioso.

— Na praia.

Chris franziu as sobrancelhas com a proposta.

— Isso não me parece muito maneiro – ele falou.

— Ah, qual é! Pode ser uma experiência interessante! – exclamou Henry, animado com a ideia. – Pela adrenalina.

— Esse lance de adrenalina é contigo. Tu sabe que eu prefiro ser mais discreto.

— Você é careta. – resmungou Henry cruzando os braços e fazendo biquinho.

— Não faz isso.

— Isso o que?

— Esse biquinho. Você sabe que eu não resisto.

— Hm...

Henry continuou caminhando, fingindo estar mal humorado para que Chris cedesse.

— Nós já fizemos em vários lugares mesmo, não vejo problema em fazer na praia também – disse ele depois de um tempo. – Mas, por favor, num lugar escondido.

— Eu tenho o lugar perfeito. – Henry sorriu, puxando Chris pela mão.

“Ainda vamos ser pegos nessa brincadeira”, pensou Chris.

[…]

Henry estava bastante animado. Ter visto seus familiares depois de quase duas semanas fora realmente foi revigorante para ele.

A cara de surpresa de seus pais foi realmente impagável. Jules, obviamente saiu correndo para dar um abraço apertado em Henry, dizendo que estava cumprindo sua missão bem direitinho. Ele até se espantou ao ver Raquel indo abraçá-lo, mesmo que ainda com seu jeitinho tímido e recluso.

Apesar da notícia de sua aprovação na UFMG não ter sido novidade (Marge tinha que dar com a língua nos dentes), seu pai ficou surpreso demais com sua presença para falar alguma coisa. Mas claro que Cassandra não deixou de dar uma bronca em Henry por não ter contado logo. Mesmo após isso, ela deu um abraço apertado nele, lhe dando os parabéns e dizendo que sabia que ele iria conseguir.

Ficaram conversando até dar o horário de ambos irem trabalhar, já que Henry tinha chegado bem de manhãzinha. Ele se ofereceu para levar os gêmeos para a escolinha e disse que de lá ia providenciar sua matrícula. Caçou todos os documentos antes de levar os dois para a escola, ouvindo a tagarelice de Jules que tanto lhe fazia falta.

Com os gêmeos na escola e a matrícula feita, Henry tratou de procurar Marge na UFMG mesmo, mandando mensagem para a amiga. A primeira coisa que Marge fez ao vê-lo foi se jogar sobre o outro, lhe dando um abraço apertado e as boas vindas ao inferno que a galera chamava de faculdade. Eles almoçaram lá dentro mesmo, conversaram durante o almoço todo e se despediram assim que terminaram, pois Marge disse que tinha aula de tarde.

Depois passou na casa dos seus avós, que naquela altura já estava sabendo sobre a aprovação dele. Ficou lá conversando com eles e lanchou um dos seus bolos favoritos da vida que só dona Liliane sabia fazer. Com muitos beijos e abraços e frases como “eu tenho muito orgulho de você, meu neto”, Henry saiu da casa dos avós, pronto para buscar Jules e Rach na creche.

Ficou brincando com os gêmeos no playground do condomínio até seus pais chegarem, dizendo que iriam para algum restaurante ou bar para comemorarem a aprovação de Henry. E assim foi feito, comeram, conversaram e beberam, todos muito animados com as coisas boas que estavam acontecendo na vida de Henry. Coisas que ele nunca imaginou que iria alcançar na vida. Era verdadeiramente prazeroso ter aquilo e ainda mais ter pessoas que o apoiavam tanto em cada decisão que ele tomava.

Por fim, pediu para os pais o levaram na rodoviária de noite, para que ele pudesse pegar o ônibus de volta para Saquarema. Mais uma despedida cheia de abraços e beijos (e lágrimas pela parte de Jules), Henry finalmente embarcou, revigorado e preparado para enfrentar um dia de sábado cheio de treino.

Dormiu a viagem toda, fazendo com que ela fosse mais rápida do que ele esperava. Pegou um táxi na rodoviária para ir para a sede da CBV, ansioso para saber o que o treinador tinha preparado para ele naquele dia. Henry pagou e agradeceu o motorista, entrando no local bonito e verde como sempre.

Seus olhos vasculharam a área rapidamente, parando em um ponto um pouco mais a sua frente. Seu coração acelerou e ele praticamente correu em direção a pessoa que estava a uns dois metros de distância.

— Erick?

[…]

Erick tinha perdido todas as esperanças de ter passado no ENEM. Por mais que tivesse estudado e se dedicado, a situação dentro de casa não foi nem um pouco favorável, o que atrapalhou completamente seu desempenho no vestibular. Aquilo fez com que ele detestasse ainda mais o pai.

Logo de cara viu que não tinha nenhuma chance de passar na UFMG. Ficou vidrado nos horários, checando sempre na hora certa que atualizariam as notas de corte e cada vez mais ela aumentava. Ele tentou outras universidades, mas em todas elas a nota de corte sempre ficava acima de 700.

Então achou uma. Universidade do Estado de Minas Gerais, campus de Ibirité. A nota de corte não estava tão alta e, mesmo para Educação Física, a nota da redação era peso 2, fazendo com que a nota de Erick aumentasse consideravelmente. Deixou aquela opção como a segunda, pois até o segundo dia ele estava dentro. Vai que algumas pessoas desistissem de tentar UFMG e Erick conseguisse a vaga? Ele almejava a isso, mas também tinha que ter uma garantia.

Ele tinha acordado tarde naquele último dia do SiSu, então quando viu o horário, correu rapidamente para ver o resultado. Já estava esperando que não tivesse passado na UFMG, mas ele teve que conter a felicidade quando viu que tinha passado na UEMG e em sétimo lugar!

Conteve o grito de alegria. Seu sorriso estava rasgando sua cara naquele momento. Ele não tinha ninguém para abraçar e chorar de felicidade, já que Nathália estava trabalhando, então teve que recorrer à ligação. Primeiro ligou para Amanda, mas ela não atendeu. Ela provavelmente estava ocupada.

Em seguida fez menção de ligar para a mãe, mas esta ele tinha certeza que estava trabalhando. Então mandou uma mensagem para ela para que ligasse assim que possível. Sua terceira tentativa foi para Danilo, mas a linha estava ocupada. Soltou um suspiro, não sabendo para quem mais ligar.

Rolou os seus contatos, parando no H. Logo se repreendeu por isso, pois não podia ligar para o outro. Além de ter que falar que estava em BH, Erick não queria nenhuma ligação com Henry naquele momento. Estava com um medo real de o pai aparecer por lá e fazer alguma besteira. Então preferia manter o amigo o mais longe possível até as coisas se acalmarem.

Então parou no M, vendo o número de Marjorie. Tinham reatado a amizades deles, relativamente falando, mas não sabia se estavam com intimidade suficiente para ligar dessa forma. Mesmo que ela tivesse lhe dado o número e falado que podia ligar, Erick se mantinha receoso.

Porém precisava contar para alguém. Precisava compartilhar esse momento de felicidade que estava tendo. Então discou o número, o coração levemente acelerado por não saber o que iria acontecer.

Alô? Erick? Aconteceu alguma coisa? — ela atendeu, já supondo que tinha acontecido algo de ruim.

— Oi! Não... – ele respondeu – Quero dizer, sim. Aconteceu.

Ai meu Deus, onde você tá? Quer que eu vá ai? — ela disse, aparentando estar alarmada.

— Não é nada com o que se preocupar.

Não gostava muito de ser tratado de forma tão frágil, mas ele entendia perfeitamente a reação da amiga, afinal, agora ela sabia de um pedaço do seu terrível passado.

Eu vou dar nessa sua cara branca! — ela exclamou – Você me assustou, achei que tinha acontecido algo sério.

Erick permitiu-se rir um pouco. Marge realmente não tinha mudado muito com o passar desses últimos anos.

— Não. É só que eu... – começou, escolhendo melhor as palavras – Eu passei na UEMG em Educação Física.

Erick teve que afastar o celular do ouvido por causa do berro que Marjorie deu. Ele sorriu com a animação da amiga.

Meu Deus, Erick! Isso é maravilhoso! Meus parabéns – ela disse animada— Queria tá ai pra te dar um abraço, mas to tendo que aturar minha família aqui. Meu primo passou em engenharia e tá sendo todo paparicado. Enfim! Caralho, isso é demais! No sério.

— Obrigado, Marge – ele disse sorrindo, mesmo que ela não pudesse ver seu sorriso.

Nós temos que comemorar! Queria que pudéssemos sair nós três para isso. – ela divagou.— Mas né? Você tá nesse troço de não querer falar com o Henry e ele tá em Saquarema também.

— Pera – Erick arregalou os olhos – Como é?

Pois é!— ela disse como se o outro nem tivesse completamente incrédulo – Ele também passou. Mas foi pra UFMG e em Educação Física também. Primeiro lugar acredita? Algumas coisas nunca mudam né? Henry sempre foi o CDF do nosso triozinho. Enfim. Ele foi convocado para a seleção masculina sub-20. Agora ele tá lá em Saquarema treinando com o time Não sei o que ele vai arrumar pra vir aqui fazer a matrícula. Só espero que ele consiga.

Erick ficou subitamente mais feliz ainda, mas, além de surpreso, também ficou um tanto quanto puto. Feliz por saber que Henry também tinha passado na faculdade, surpreso pois nunca imaginou que o amigo iria querer fazer Educação Física, mesmo que jogasse vôlei. Ficou feliz também por saber que ele tinha conseguido entrar na seleção brasileira sub-20. Porém, ficou levemente puto ao saber que Danilo não tinha lhe contado que Henry estava junto com ele lá em Saquarema. Iria tirar aquela história a limpo com toda a certeza.

— Bom, podemos comemorar só nós dois. O que você acha? – ele sugeriu, tentando não transparecer estar um pouco puto ou surpreso.

Sim! Podemos ir naquela cafeteria que você estava naquele dia que eu invadi sua casa. — ela disse como se fosse a coisa mais normal do mundo. Talvez, na cabeça louca de Marge, provavelmente era mesmo.

— Eu vou fingir que isso não aconteceu, okay? – ele disse rindo – Mas, sim, podemos nos encontrar lá.

Aaaah, mas eu vou fazer questão de te lembrar sempre.— ela acusou – Isso é pra você aprender a não esconder as coisas dos amigos.

— Culpado.

Erick soltou uma risadinha.

Bom, eu tenho aula de tarde nos próximos dias, exceto sexta. Podemos nos encontrar sexta-feira de tarde, o que você acha?

— Pra mim tá tranquilo. Não vou fazer nada mesmo.

Então combinado. Agora eu tenho que desligar, tão me enchendo o saco aqui. Vou ser sincera e mostrar um pouquinho do meu amor. Adorei você ter me ligado pra dar a notícia. Enfim, até sexta, beijos.

— Beijos, Marge. Até sexta.

Então desligaram o celular, Erick sorrindo. Era bom reatar a amizade com a amiga dessa forma, mesmo depois de ela ter dito que praticamente estava o odiando pelas coisas que ele tinha feito a Henry. Ele sabia que não tinha sido a melhor pessoa do mundo, na verdade, estava se sentindo uma péssima pessoa, mas no final das contas ele não estava pensando direito a respeito de tudo o que estava acontecendo. Sua lógica fora distorcida pela tortura do pai, mas isso ainda o deixava com um sentimento de culpa.

Ficou o resto do dia mexendo em seu celular, esperando que Nathália chegasse logo para dar a notícia. Assim que ele ouviu a chave sendo encaixada na porta, ele pulou da cama, correndo até a sala e abraçando Nathália fortemente.

— Eu passei pra UEMG! – ele disse animado antes que Nathy pudesse reclamar do abraço apertado.

— Sério?? Puta que pariu, parabéns, pirra! – ela exclamou abraçando-o de volta. – Eu já sei. Essa semana o Doug vai vir pra cá mais cedo, então podemos sair pra comemorar na quinta quando ele chegar. O que você acha?

— Vai ser perfeito – ele disse com um sorriso.

— Bom, já que não vamos comemorar hoje, vou fazer sua comida favorita como um presentinho.

— Lasanha? – ele disse com os olhinhos brilhando.

— Só vai demorar um pouquinho, mas você pode me ajudar a montar.

Erick aceitou prontamente. Nathália foi para dentro do apartamento tomar um banho antes de começarem a cozinhar. Erick, ansioso com a comida, logo estava separando os ingredientes para fazer a lasanha. Amava demais a comida, principalmente quando Nathy fazia.

Ficaram conversando durante a preparação da comida, como sempre faziam. Comeram, junto com uma boa e velha cerveja, e depois cada um foi para o seu canto, já que, no dia seguinte, Nathália iria trabalhar e Erick teria que dar um jeito de ir para Ibirité fazer sua matrícula.

A semana se passou rapidamente. Estava empolgado com a aprovação do vestibular, mesmo que o campus fosse a mais ou menos duas horas de sua casa. Conversou com a mãe a respeito disso e chegaram à conclusão que era melhor pagar uma van para que ele fosse para a faculdade.

Na quinta-feira, passou o dia quase todo jogando videogame com Douglas, que tinha chegado antes de Nathália. Então ele pode aproveitar um pouco mais o cunhado e receber uma notícia muito boa.

— Sei que a Nathy cozinha muito bem e tudo o mais – Douglas disse sem tirar os olhos do jogo – Mas o meu presente vai ser muito melhor. Vou te levar para ver um jogo do Minas Tênis Clube contra o Sesi.

— Oi? – Erick chegou a largar a manete para olhar com incredulidade para o cunhado.

— Porra, Erick! Você fez a gente perder! – exclamou Douglas, fingindo que Erick não tinha dito nada.

— Nós vamos ver um jogo da Superliga? – Erick perguntou mais uma vez.

— Sim, ué – Doug disse como se não fosse nada – Você merece. Sei que gosta muito do MTC e que não tem muitas oportunidades de ir por ser longe. Então eu vou ser um cunhado muito legal e te levar ao jogo.

Erick não se conteve e abraçou Douglas com força, agradecendo mil vezes.

— Eu sei que sou a melhor pessoa do mundo.

— Chego em casa e me deparo com essa putaria, vão para um quarto – brincou Nathy ao chegar em casa.

— Vamos, Erick. Essa quenga não gosta de ver amor alheio – Douglas entrou na brincadeira – Mal amada.

— Ah, me erra, garoto.

Erick gostava muito de ver a relação de sua irmã com Douglas. Eles eram supercalmos e divertidos, brincavam sempre um com o outro. Ele só desejava que tivesse uma relação assim com alguém futuramente.

— Então está combinado – falou Douglas após um tempo – Nós três vamos sair pra comer fora hoje e vamos assistir um jogo de vôlei. Superfim de semana, uhuu!

— Pra você, né seu folgado? – reclamou Nathy. – Eu ainda to trabalhando.

Douglas olhou para Erick, abrindo um sorriso.

— Isso não é problema, a gente te sequestra do trabalho.

— Seria meu sonho?

Nathy sentou-se no colo de Douglas e lhe deu um beijo, fazendo Erick desviar o olhar e levantar-se do sofá.

— Bom, vou tomar banho para a gente sair.

— Tudo bem, me avisa quando terminar para eu ir também.

Então ele saiu da sala deixando os dois a sós. Tomou seu banho, colocou sua roupa e foi para a sala esperar Nathy com Douglas. Em poucos minutos a irmã estava pronta, linda e cheirosa como sempre. Pegaram as chaves do carro de Douglas e partiram para um restaurante que Erick gostava muito.

Se divertiram bastante naquela noite, quase fazendo uma guerra de comida quando, sem querer, Nathália jogou um pedaço de ravioli na blusa de Douglas. Erick riu bastante quando Douglas passou molho na cara de Nathália. Ela ia revidar quando Erick interferiu. Não queria ser expulso do restaurante por conta da brincadeira dos dois.

O jantar foi maravilhoso e logo estavam de volta, Erick ansioso com o jogo do dia seguinte. Estava acompanhando a Superliga desde que esta começou e quase morria por não poder ir a um jogo que era em Belo Horizonte.

Sexta-feira de tarde tinha chegado rapidamente. Encontrou-se com Marge na cafeteria que tinha perto da casa dela.

— Você tem que me amar, pois menti pro Henry dizendo que tinha aula para poder estar aqui – ela disse assim que se viram.

Erick congelou no lugar por alguns segundos.

— Ele está aqui em BH? – ele perguntou.

— Sim, veio fazer a matrícula – disse Marge. – Mas relaxa, não tem chances de ele nos ver. Vai passar a tarde na casa dos avós antes de voltar para Saquarema.

Ele permitiu-se relaxar um pouco. Definitivamente não estava preparado para encarar o amigo novamente. Não naquele momento.

— Quem diria que Marjorie Guimarães Fracari iria conseguir mentir algum dia – zombou Erick tentando deixar o clima menos tenso para si.

— Ai meu querido, eu sempre fui uma excelente mentirosa. Você me respeita – ela disse lhe dando um peteleco no nariz.

— Seeei – ele disse irônico.

Fizeram seus pedidos, café para Erick e chocolate quente para Marge. Ficaram conversando até Erick ter que ir para casa para se arrumar para o jogo. Marge fez questão de pagar o que ele tinha consumido, dizendo que era um pequeno presentinho por ele ter passado no vestibular.

Marge o deixou em casa com o carro e depois partiu para a sua. Quando chegou, Douglas estava largado no sofá dormindo um sono profundo. Sem coragem de acordar o homem, Erick foi se arrumar para saírem, Nathália que se resolvesse com ele quando chegasse em casa.

Esperou o horário lendo um livro. Estava tão submerso na leitura que não tinha visto Nathália chegando, muito menos brigando com Douglas por ainda não estar pronto. Erick só foi se dar conta de que tinha chegado a hora quando Nathy praticamente arrombou a porta de seu quarto dizendo que eles estavam saindo.

Desceram e pegaram o carro de Douglas, colocando algumas músicas do rádio e cantando a maioria com muita animação e desafinação. O que mais gostava de Douglas, e provavelmente foi o que o cativou assim como cativou Nathália, era que o homem não tinha medo de ser feliz. Ele era um pouco infantil, mas isso não atrapalhava em nada em sua vida. Erick o admirava por ser bastante alto astral e também agradecia aos céus por tê-lo colocado na vida de Nathy, pois ele a tratava de uma maneira tão única que era bem difícil não se apaixonar. Erick com certeza ficaria triste caso eles terminassem.

Chegaram ao clube do Minas Tênis e entraram no ginásio com uma rapidez impressionante, a fila gigante que se formava do lado de fora estava andando bem rápido, ainda mais que ficaram conversando em quanto esperavam.

Erick lembrava-se muito bem daquele lugar. Aquele ginásio lhe dava uma sensação de nostalgia muito gostosa, já que foi lá que assistiu ao seu primeiro jogo de vôlei com Henry e com Marge. Naquela época, ele nem imaginava que realmente seguiria naquele caminho com tanto afinco e alcançaria tudo que tinha alcançado até aquele momento. Ele tinha que agradecer imensamente a Henry por estar sempre o apoiando e não o deixando desistir naquela época.

Sentaram-se num lugar bom para assistir ao jogo, no alto e o mais perto possível da quadra. O jogo ainda ia demorar um pouco, já que tinham chegado mais cedo para pegar lugares bons. Então Erick aproveitou a oportunidade para tirar algumas fotos do local. Não demorou muito para Nathália bicar as fotos e eles começarem a tirar fotos engraçadas.

Quando estavam tirando as fotos, o celular de Erick começou a tocar, mostrando um número desconhecido. O DDD era do Rio de Janeiro, então ele congelou. Não tinha como seu pai ter conseguido o seu número de Belo Horizonte. Ele deixou tocar até a ligação cair, mas logo o mesmo número estava ligando novamente. Erick teve uma ideia. Passou o celular para Douglas.

— Doug, atende, por favor? – ele estendeu o celular para o cunhado.

— Por quê?

— Eu não sei se é meu pai, se for, ele não vai reconhecer sua voz. Só atende.

Douglas deu de ombros e atendeu o celular com um tom sério, Erick o olhando com expectativa. Tiveram uma conversa de alguns segundos, até Douglas tirar o celular do ouvido e olhar para Erick.

— É um tal de João Vianna. Tá te procurando. – disse Douglas. – O que eu faço?

— Me dá! Me dá! – Erick disse desesperado, ao reconhecer o nome da pessoa. Levou o celular ao ouvido. – Oi treinador! Que surpresa.

Boa noite, Erick. Desculpe estar te ligando a essa hora.

— Não, está tudo bem – ele disse, tremendo um pouco. Por que diabos seu treinador do Rio tinha ligado?

Não irei me alongar muito. Aconteceu um acidente com o levantador da seleção sub20 e o treinador da equipe me pediu para indicar um levantador. A primeira pessoa que me veio na cabeça foi você. Então eu preciso saber se tem como você partir pra Saquarema ainda hoje para estar lá amanhã de manhã.

Erick simplesmente não sabia o que dizer. Ele realmente não esperava por aquilo.

— Mas é claro! Eu posso ir sim! – ele quase gritou, a animação tomando conta de seu ser.

Ai que maravilha! Eu vou mandar os documentos que seu responsável tem que assinar agora por e-mail e você pode entregá-los quando chegar lá, tudo bem?

— Sim, claro. Tudo maravilhoso!

Erick passou seu e-mail para o treinador, quase não conseguindo se controlar no assento.

Obrigado, Erick. Você provavelmente vai salvar a seleção. Muito obrigado. Não esqueça, você tem que estar lá no máximo amanhã de manhã.

— Pode deixar, treinador. Eu vou estar.

Boa noite e boa sorte lá na seleção.

— Boa noite! Muito obrigado.

Erick desligou o celular, olhando o aparelho, um pouco sem acreditar no que tinha acabado de acontecer. Ele tinha sido chamado para a seleção masculina sub–20. Suas mãos estavam tremendo um pouco por conta da animação.

— Erick, meu Deus, o que foi? – perguntou Nathália, um pouco preocupada.

— Eu fui chamado para a seleção brasileira sub-20 – ele disse sem olhar para ela. O sorriso tomou conta dos seus lábios, como se verbalizar aquilo oficializava tudo. – Eu preciso estar em Saquarema no máximo amanhã.

— Meu Deus, Erick! – ela exclamou e jogou-se em cima dele, abraçando-o – Isso é maravilhoso! Olha logo as passagens aí para a gente comprar.

— Parabéns, campeão – Douglas lhe deu um soquinho no ombro – Daqui a pouco quem vai estar ali embaixo é você. – ele apontou para a quadra em que os jogadores estavam começando a entrar.

Imaginar aquilo deixou Erick ainda mais feliz. Porém, lembrou-se que Henry também estaria lá. Lembrou-se ainda que ele voltaria para Saquarema de noite, segundo Marge. Não podia deixar que eles pegassem o mesmo ônibus para o local.

Então rapidamente mandou mensagem para Marge, explicando a situação e pedindo o horário do ônibus de Henry.

Marge: Mas cara, você vai ter que ver ele de um jeito ou de outro

Erick: Mas ele não pode saber que eu estou aqui! Enquanto ele achar que eu estou no Rio, vai ficar muito melhor deixar as coisas acontecerem. Eu só peço isso! Por favor, Marginha!

Marge: Só porque você me chamou de Marginha e sabe que eu amo. Pera que eu vou perguntar para ele.

Enquanto esperava uma resposta de Marge, ele foi vendo os horários da passagem. Tinha dois horários muito próximos, de madrugada. Ela o respondeu depois de uns minutos e Erick deu graças a Deus que ele iria pegar o ônibus mais tarde. Ele poderia pegar o anterior e chegar lá antes dele.

Nathy passou seu cartão de crédito para que Erick pudesse fazer a compra da passagem. Com tudo encaminhado, eles puderam aproveitar o jogo. Mas Erick não conseguia parar de pensar que estava na seleção brasileira. Também não conseguia parar de pensar que iria encontrar Henry mais uma vez. Definitivamente não estava pronto para aquilo.

Tentou prestar bastante atenção no jogo, principalmente no levantador. Gritava e levantava quando o Minas Tênis fazia algum ponto. Mesmo que seu corpo estivesse ali, gritando e torcendo, sua mente estava na sua viagem e no seu futuro encontro com Henry.

Assim que o jogo acabou, para o prazer de Erick, o MTC tinha ganhado de 3 sets a 2, eles partiram logo para casa para Erick ajeitar suas coisas para a viagem. Estavam com pouco tempo, mas, como Erick não parava de pensar naquilo, já tinha tudo o que iria separar para levar em mente.

Não demorou muito para fazer sua mala quando chegaram em casa. Assim que terminou, imprimiu os documentos necessários, dando-os para Nathália assinar. Saíram de casa quando faltavam 45 minutos para o ônibus sair, o coração de Erick acelerando a cada km que o deixava mais próximo da rodoviária. Assim que chegaram, foi tirar sua passagem num dos guichês e partiram para a plataforma de embarque, faltando 10 minutos para o ônibus sair.

Despediu-se de Nathália e de Douglas com um abraço bem apertado, dizendo que iria ligar todos os dias para dar notícias e entrou no ônibus. No seu lugar, na janela, claramente, ele acenou mais uma vez para o casal, que saiu logo depois.

Permitiu-se relaxar um pouco, mas, assim que virou para o lado da janela, viu Henry com a família. Seu coração acelerou de um jeito que Erick achou que ia sair do seu peito. Podia ver claramente que os pais do amigo não tinham mudado nada, mas o tempo que se passou era bem visível por conta dos gêmeos ali em pé, o menino chorando horrores agarrado a Henry enquanto a menina apenas olhava os dois.

Mas o que mais lhe chamou atenção foi o sorriso enorme que estava nos lábios de Henry. Uma família unida. Aprovação no vestibular. Convocação para a seleção de vôlei. Definitivamente não tinha motivos para Henry estar triste e Erick ficava bastante feliz com isso, apesar de tudo.

Poderia ficar observando a família de Henry e o próprio por muito tempo, mas sua visão foi cortada quando o ônibus começou a sair da vaga. Ele puxou o ar, respirando fundo e soltando-o depois de uns segundos segurando-o.

Definitivamente não estava preparado para nada daquilo.

Ficou a primeira hora da viagem pensando, chegando a algumas conclusões não muito boas, mas que infelizmente eram necessárias para o que ele estava passando naquele momento. Teria pensado mais a respeito, mas o dia tinha sido tão corrido e agitado que ele estava bastante cansado, o que o fez cair no sono depois de uma hora de viagem.

Quando acordou, o céu já estava claro apesar do relógio marcar apenas 5 horas da manhã. Erick definitivamente não curtia muito horário de verão. Acordou justo quando o ônibus parou na vaga da rodoviária. Rapidamente pegou um táxi quando saiu do primeiro veículo, dando o endereço para o motorista do CDV.

Não demorou muito para chegar ao local e ficou verdadeiramente embasbacado com a beleza do local. Foi andando devagar, completamente alheio as coisas ao seu redor, absorvendo toda a beleza e as boas energias daquele momento.

Porém ele não esperava que seu nome fosse pronunciado por uma voz conhecida, fazendo com que ele se arrepiasse todo.

— Erick? – a voz de Henry era uma mistura de receio e animação.

Erick demorou alguns segundos para tomar uma decisão. Tirando o vôlei, ele era péssimo em tomar decisões rápidas. Virou-se lentamente pelos calcanhares, colocando sua melhor expressão de nada na cara.

— Oi, Henry.

Notas finais
Meus maravilhosos! Estou respondendo os comentários aos poucos, não desistam de mim UHSAUHS Muito obrigada a todos por estarem comentando, acompanhando e lendo! Isso significa muito para mim! Espero que tenham gostado do capítulo de hoje! Vamos ver o circo pegar fogo agora haha PREVISÃO PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO: 30/08 Aniversário do virginiano mais fofo do mundo! Merece capítulo, não é mesmo?? Nos vemos nos comentários e semana que vem! Ghost Kisses ~Marceline