Além das Quadras
10 Arco I – 10. Boa noite
Notas iniciais

Início de 2014
Henry amava o fato do clube não entrar de férias como a escola entrava. Ele com certeza não aguentaria ficar quase dois meses sem jogar vôlei, então era um alívio que o clube continuasse funcionando.
Ele tinha passado quase o dia inteiro dando atenção para seus irmãos mais novos, então estava ansiando para treinar naquele final de tarde. Arrumou suas coisas e ficou jogando videogame até seu pai chegar em casa para não deixar os gêmeos sozinhos.
Quando seu pai chegou, Henry saiu rapidamente de casa para pegar o ônibus até o Arsenal Esporte Clube. Após uns 25 minutos, estava na entrada do local, cumprimentando o porteiro e indo direto para o ginásio.
— Ei, guri! – uma voz masculina chamou, mas Henry ignorou, achando que não era com ele. – Guri de camisa vermelha!
Henry esperava que o cara estivesse falando com outra pessoa de camisa vermelha, então continuou seu caminho. Porém, foi impedido quando alguém lhe tocou o ombro, obrigando-o a parar e olhar para a pessoa. Ele se assustou um pouco, pois o cara era extremamente alto. Com certeza tinha quase 1,80 de altura, além de ter uma cara fechada.
— Tu deixou isso cair – ele disse, lhe estendendo uma de suas joelheiras – Tua mochila tá aberta.
O garoto falava de um jeito engraçado, um sotaque que Henry ainda não tinha ouvido. Era um pouco cantado e ele falava um pouco rápido.
— Ah, obrigado – agradeceu, pegando a joelheira da mão do garoto e guardando-a na mochila.
— Tu joga vôlei, né? – ele perguntou. Henry apenas assentiu. – É meu primeiro dia aqui e eu também to para jogar, tu pode me mostrar onde é a aula?
— Claro.
Henry voltou a seguir seu caminho, agora com aquele cara enorme em sua cola. Ambos ficaram em silêncio por alguns segundos, Henry não sabendo direito o que falar. Nunca foi bom em puxar assunto com os outros.
— A propósito, meu nome é Christian – disse o garoto e lançou um sorriso simpático para Henry.
— Henrique – respondeu Henry, não retribuindo o sorriso.
— Tu treina há muito tempo?
— Sim, sim – respondeu Henry – E você?
— Comecei a treinar tem pouco tempo. Joga em qual posição?
— Sou líbero, mas jogo em qualquer posição que me coloquem. E você?
— O treinador disse que eu daria um bom central por causa da altura, então...
— Ah sim, entendi.
Então ficaram em silêncio, Henry um pouco incomodado com aquilo. Ele não sabia como prosseguir com uma conversa, mesmo que o cara em questão tivesse se mostrando legal e simpático. Para sua sorte, chegaram ao ginásio, vendo que alguns de seus colegas já estavam se aquecendo enquanto o treinador não chegava.
— Ei gente! – ele disse animado acenando para seus amigos. – Ahm, Christian... Vem, vou te apresentar aos caras.
Caminharam até perto dos colegas de Henry, que estava jogando três cortes e antes que ele pudesse dizer alguma coisa, alguém gritou “pega, Henry” e a bola foi cortada em sua direção com força. Henry conseguiu recebê-la rapidamente de manchete. A bola subiu reta e ele a pegou nas mãos quando ela desceu.
— Aaaah, não tem graça tentar te acertar – reclamou um dos garotos. Henry riu.
— Idiotas – disse Henry sorrindo. – Ahm, gente... Esse é o novo garoto que vai treinar com a gente, Christian.
Os outros meninos cumprimentaram e se apresentaram para Christian, todos impressionados com a altura do garoto. Perguntaram de onde ele era, idade e em qual posição jogava. Assim, Henry descobriu que ele era de Porto Alegre e tinha feito 14 anos há pouco tempo, ficando espantado ao saber que era mais velho que Christian.
Antes mesmo que Henry pudesse entrar na brincadeira, o treinador chegou, chamando-os para se reunirem perto do banco. O treinador deu alguns avisos, cumprimentou Christian e disse que o levantador deles tinha ficado doente e não poderia treinar.
— Então você será o levantador do treino, Henrique. – disse o treinador.
Henry prendeu a respiração por alguns segundos. Nunca foi muito bom em levantar, mas com o tempo tinha aprendido a dar toques com mais precisão. Sem contar que ele sabia que líberos assumiam o papel de levantador caso este não pudesse fazer o levantamento por alguma razão.
— Qual seu tipo de bola? – perguntou Henry para Christian.
— O que? – ele perguntou, franzindo o cenho.
Henry analisou Christian por alguns segundos. Ele era novo no esporte, provavelmente não sabia muito sobre aquele tipo de coisa. Então ele disse um “deixa para lá” e saiu de perto do garoto. Durante o treino eles iriam ajustando isso.
Depois de vários exercícios, Henry sempre observando Christian, eles pararam para descansar. Ele estava verdadeiramente impressionado com o outro, pois ele conseguia atacar qualquer bola levantada. Sem contar que executava muito bem a função primordial de um central: o bloqueio.
— Tu é muito bom mesmo! – disse Christian ao seu lado tomando água. Henry apenas levantou o olhar para ele. – Achei que era péssimo por ser tão baixinho.
Henry imediatamente fechou a cara. Odiava ser chamado de baixinho e isso ocorria com frequência sempre que ele dizia que jogava vôlei. Okay, podia ter menos de 1,60, mas isso não significava que não poderia ser bom.
Ele apenas lançou um olhar feio para Christian e saiu de perto do central. Porém, logo o outro já estava ao seu lado novamente, então Henry foi rápido em dizer:
— Se for para ficar falando da minha altura, por favor, não fale comigo.
— Nossa, me desculpe – ele disse, parecendo verdadeiramente arrependido – Eu só fiquei impressionado por tu ser muito bom. Não quis te ofender.
Henry descruzou os braços lentamente, suavizando a expressão de irritação estampada em seu rosto. Não estava muito acostumado a esse tipo de pedido de desculpas. Geralmente as pessoas não se importavam de qualquer forma.
— Tudo bem – ele disse depois de alguns segundos observando Christian – Você não sabia... Só não faça de novo, por favor.
Christian deu um sorrisinho de lado.
— Não farei.
[…]
Henry definitivamente não estava preparado para voltar às aulas.
Estava gostando bastante de ficar com seus irmãos, dormir tarde, treinar e ficar jogando videogame. Também amou ter passado alguns dias na casa de praia da família de Marge lá em Vila Velha, então não estava mesmo pronto para voltar a ter aulas.
Estava entrando no primeiro ano do Ensino Médio e estava bem aterrorizado com isso. Marge era totalmente culpada, pois sempre dizia que o primeiro ano era o mais difícil e mais complicado do Ensino Médio todo. A garota estava no último ano agora, então sabia bem o que estava falando.
Encontrou com ela e Ray no pátio do colégio e ficaram conversando até o horário da formatura matinal. Estava distraído, ouvindo a conversa de Ray e Marge apenas superficialmente quando viu uma figura conhecida passando ali perto.
Não era muito difícil reconhecer Christian. Extremamente alto, com a pele morena e um semblante um tanto assustador. Ele estava com o uniforme oficial do Colégio e não com o que os novatos tinham que usar, então Henry constatou que o outro estudava no Colégio Militar de Porto Alegre.
Ele não queria chamar a atenção do outro. Na verdade, nunca falava com nenhum conhecido que visse na rua ou em qualquer outro lugar público. Porém, Chris virou-se na sua direção e pareceu lhe reconhecer, pois abriu um sorriso e caminhou na direção de Henry, Marge e Ray.
— Henry! Não sabia que tu estudava aqui também – ele disse ao chegar perto.
Tinham ficado próximos por conta dos treinos de vôlei. Christian era um cara legal e pareceu gostar bastante de Henry, então ele não viu problema em tentar uma amizade com o garoto novo.
— Ahm... Oi – Henry respondeu.
— Nossa, tu já está no primeiro ano? Não acredito que é mais velho que eu! – disse Christian olhando a manga da blusa de Henry.
Nela havia a divisa do primeiro ano do Ensino Médio, uma espécie de distintivo que indicava a série que o aluno estava. Henry olhou a de Chris, constatando que o garoto estava no nono ano do Ensino Fundamental.
— Ah, meu pai é militar – contou Chris sem que fosse perguntado – Eu estudava no CMPA.
— Isso explica muita coisa – disse Henry, lançando um sorriso simpático para o outro.
— Tu faz parte do time de vôlei daqui também? Eu vou tentar entrar – divagou o outro – Aposto que tu é um dos melhores do time, não é?
Henry franziu o cenho, mas, antes que pudesse falar alguma coisa, Marge se interrompeu no assunto. Sua habitual cara de nojo estava estampada em seu rosto. Ela podia ser meio arrogante com pessoas desconhecidas que se aproximavam de Henry. Marge era superprotetora com o melhor amigo, então fazia questão de botar medo em qualquer pessoa que tentasse se aproximar do outro.
— Quem é esse, Henry? – perguntou ela, os olhos verdes avaliando Christian dos pés a cabeça.
Chris a olhou, franzindo o cenho, mas acabou por não dar muita atenção à Marge.
— Então, quando que são os treinos? – ele perguntou, voltando o olhar para Henry e abrindo um sorriso.
— Quem você pensa que é para me ignorar desse jeito, moleque? – disse Marge, se colocando na frente de Henry.
— Marge, está tudo bem... – sussurrou Henry, tentando sair de trás da menina, mas sendo impedido.
— Não lembro de ter te inserido na conversa, querida— disse Chris com um sorriso sarcástico.
— Nunca precisei, queridinho— rebateu Marge.
Henry estava vendo que aquilo não ia prestar muito. Geralmente as pessoas não reagiam às ameaças de Marge, muito menos ignoravam a garota. Não era uma boa ideia contrariá-la, mas quem fazia isso se arrependia em algum momento. Chris estava brincando com fogo e Henry queria alertá-lo sobre isso, mas parecia ser um pouco tarde.
Eles começaram uma discussão completamente sem sentido, que foi interrompida pelo apito do sargento, chamando a atenção deles para que se aproximassem. Ray foi a primeira a arrastar Marge para longe de Chris, deixando os dois sozinhos por alguns segundos.
— Desculpe por ela... – comentou Henry coçando a nuca – Ela é superprotetora demais comigo.
— Ela é tua namorada por um acaso? – ele perguntou com uma careta esquisita. Henry soltou uma risadinha.
— Não, não – deu de ombros – Apenas minha melhor amiga. Bom, nos vemos mais tarde.
Chris apenas assentiu e foi para o lugar onde sua série estava reunida. Henry se dirigiu para a dele, sendo interceptado por Marge rapidamente.
— O que caralhos foi aquilo? – ela perguntou, ajeitando a boina sobre a cabeça. – Ele realmente me afrontou? Sério?
Henry deu de ombros.
— Sua carranca ameaçadora não pode funcionar com todos, não é mesmo? – ele disse, lançando um sorrisinho para a amiga.
Marge revirou os olhos e empurrou o ombro de Henry.
— Ah, cala a boca. – ela disse, cruzando os braços – Eu não gostei dele.
— Eu percebi.
— Você vai se afastar dele, não vai? – ela perguntou séria – Sinto que ele vai ser uma pedra no nosso sapato.
— Você sabe que não. Ele foi legal comigo.
— Olha o traíra!
— A culpa não é minha se você cisma em querer me proteger de toda santa pessoa que se aproxima de mim.
— Estou cuidando de você, idiota – ela disse e franziu os lábios. – Você sabe que eu não quero te ver machucado.
Henry se permitiu dar um sorriso para a melhor amiga. Gostava disso nela. Sempre esparrada demais, exagerada demais, protetora demais. Mesmo que pudesse ser um pouco sufocante, ele sabia que ela estava apenas preocupada. Afinal, depois que Erick se fora, Marge passara a ser uma espécie de âncora para Henry, mesmo que não da mesma forma que o garoto.
— Eu sei – disse Henry, ainda sorrindo – E é por isso que eu te amo.
Marge revirou os olhos com um sorriso e abraçou o garoto pelo pescoço.
— Gay, mas recíproco.
[…]
— Me desculpe por isso – disse Henry meio envergonhado com a situação – Erick é um pouco ciumento. Achou que eu estava substituindo ele e essas coisas.
— Hm... – respondeu Chris aparentando um pouco de irritação.
Henry tinha acabado de desligar a chamada com Erick pelo Skype. Tinha ficado um tempinho conversando com o melhor amigo. Claro, depois daquele presente de aniversário maravilhoso, ele tinha que dar atenção ao garoto.
Encontrou Chris na cozinha, conversando com Cassandra e brincando com os gêmeos. Logo Henry o chamou e eles voltaram para o quarto dele. Chris não parecia muito animado com a situação.
— Não fique assim – disse Henry, vendo a carranca do amigo – Ele é meu melhor amigo, você sabe disso.
— Sim...
Então ficaram em silêncio, Henry sentindo-se um pouco incomodado enquanto observava Chris analisar as coisas de seu quarto. Logo seus olhos pararam no violão que estava preso na parede por um suporte.
— Você toca? – ele perguntou, quebrando o clima estranho que tinha se instalado.
— Sim – concordou Henry – Violino também.
Chris tirou os olhos do violão preto e encarou Henry.
— Você toca violão, toca violino, joga bem pra caralho, é um dos melhores da sua série... Tem alguma coisa que você não consiga fazer?
Henry soltou uma risada e pousou a mão no queixo, pensativo.
— Não sei andar de bicicleta. – ele respondeu, dando de ombros.
Chris encarou-o com os olhos castanhos levemente arregalados.
— Tu tá brincando comigo, não é?
Henry simplesmente balançou a cabeça em negativa.
— Não era uma criança muito ativa – ele disse, olhando para Cheshire em cima da cama – Raramente brincava na rua. Preferia ficar jogando videogame. Ninguém nunca se ofereceu pra me ensinar também.
O garoto parecia realmente surpreso com aquilo.
— Não acredito! Existe mesmo algo que eu faça que o grandioso Henrique Diniz não saiba fazer!
— Não seja exagerado – Henry fez uma careta.
Não gostava muito quando as pessoas ficavam dizendo o quanto ele era bom nas coisas como se ele devesse se achar por causa disso. Gostava de receber elogios, todo mundo gostava, mas daquela forma? Não mesmo.
— Então eu vou te ensinar – disse Chris ignorando o que o outro havia falado.
— Ah não – Henry negou com a cabeça – Isso não é importante.
— Não seja ridículo! Andar de bicicleta é muito legal. Vamos poder passear por aí.
Henry franziu o nariz, negando com a cabeça.
— Obrigado, mas não. Eu estou bem, sério.
— Ah não, Henry! – resmungou Chris – Por favor! Eu quero te ensinar. Prometo que não farei nenhuma zoeira.
Henry arqueou uma sobrancelha.
— Que tipo de zoeira você faria?
— Te empurrar da bicicleta, talvez – Chris deu de ombros.
— Agora mesmo que eu não quero você como professor.
— Eu disse que não vou fazer nada!
— Não confio em você!
— Por favor, Henry!
Chris era insistente e teimoso. Henry sabia que não ia adiantar negar aquela coisa para ele. Mesmo assim, passaram os próximos 5 minutos discutindo sobre isso, Chris insistindo e Henry negando.
— Tudo bem! Meu Deus, só pare de insistir!
Chris soltou uma risada e sorriu para o amigo.
— Tu não vai se arrepender! Serei o melhor professor que tu já teve!
— Espero mesmo.
* * *
Atualmente – Outubro de 2016
Era uma sexta-feira qualquer em que Henry teria que ficar tomando conta dos seus irmãos mais novos.
Geralmente ele não se importava em ficar uma sexta a noite em casa brincando com Rach e Jules, mas aquele dia era diferente, pois tinha combinado de sair com Chris. Porém, seus pais decidiram de última hora ir a uma festa da empresa em que Fábio trabalhava.
Ele estava tomando coragem para falar algo com sua mãe a respeito de seu encontro com Chris, mas sentia-se um pouco egoísta ao querer sair com o ficante e deixar os irmãos sozinhos. Seus pais sabiam muito bem de sua orientação sexual e nunca se importaram, inclusive estavam felizes por Henry estar saindo com um garoto tão legal quanto Christian.
— Ah, mãe... – ele disse, coçando a nuca. Estava na porta do banheiro, vendo Cassandra se maquiando – Então... Eu tinha combinado de sair com o Chris hoje...
Ele se arrependeu imediatamente por ter comentado sobre aquilo.
— Oh, querido, sério? – Cassie virou-se para o filho, a expressão verdadeiramente culpada. – Eu não sabia, por que não avisou? Poderíamos ter chamado alguém pra ficar de babá.
Henry balançou a cabeça em negativa freneticamente.
— Não mesmo – ele disse – Você sabe que não gosto que eles fiquem com alguém desconhecido. Deixa pra lá, vou ficar com eles.
Cassandra olhou para o filho com pesar.
— Já que é assim, pode chamá-lo para ficar aqui com você – disse Cassie, voltando a passar sombra nos olhos – Só peço que se agarrem depois de colocar os gêmeos para dormir.
— Mãe! – exclamou Henry não contendo a risada.
— E usem camisinha. – acrescentou ela.
Henry bufou e cruzou os braços sobre o peito.
— Se tem uma coisa que não vamos precisar é camisinha – ele comentou – Dependendo dele, ficamos apenas nos amassos mesmo.
Cassandra olhou para Henry, incrédula.
— Sério que vocês ainda não transaram? Nem uma vezinha de todas que ele veio aqui? – ela parecia realmente não acreditar no que Henry estava dizendo – Vocês estão juntos há quanto tempo?
Oportunidade para chegar nos finalmentes eles tiveram muitas, mas Chris sempre dava para trás. Mesmo que tivessem a casa só para eles, ficavam apenas nos amassos. Nunca conversaram a respeito e Henry suspeitava que, pelo fato de ele não ter reclamado sobre isso com Chris, o outro achava que estava tudo bem.
— Seríssimo... Ah, não estamos juntos, juntos... Apenas ficando mesmo, mas já faz um pouco mais de 2 meses.
— E você ainda não deu pra ele, meu Deus... – Cassie parecia horrorizada – Como você tá aguentando, meu filho?
— Ham... Quando não podemos sair, eu saio com outros caras aleatórios, então estou de boas quanto a isso – Henry deu de ombros. – Chris parece ser certinho demais nesse assunto, acho que ele ainda é virgem.
Cassie arregalou os olhos azuis. Henry estava se divertindo com as reações da mãe. Sempre foram muito abertos um com o outro, Henry contando praticamente tudo o que acontecia em sua vida para ela. Ele sentia-se confortável com isso, uma vez que não era sempre que Marge poderia ouvi-lo.
A única coisa que preferiu deixar de lado era a situação com Erick. Tocar naquele assunto com Marge já foi doloroso o suficiente, falar sobre aquilo de novo estava em último lugar na sua lista de assuntos para se discutir.
— Boa sorte com isso, meu anjo – ela disse, acariciando o rosto de Henry – Poxa, logo ele que é um cara e tanto, se é que me entende.
Cassandra fez um gesto com as mãos, claramente indicando o tamanho das partes baixas de Chris.
— Meu Deus, você não existe, mãe – Henry riu da atitude da mãe.
Cassie deu de ombros com um sorriso nos lábios.
— Agora fale a verdade – ela disse apoiando o quadril na pia, virando-se completamente para Henry – Não rolou nem um boquetezinho? Uma punhetinha?
Mais uma vez, Henry não conteve a gargalhada.
— Para de rir e me responda! – ela disse dando um tapa fraco no braço do filho.
— Infelizmente não – Henry respondeu enxugando uma lágrima no canto de seu olho. – Eu acho que sou o primeiro cara que ele se relaciona... Você sabe, ele não é assumido para ninguém, não tem o apoio da família e essas coisas.
Cassandra soltou um suspiro impaciente.
— Não entendo essas pessoas que ficam com preconceito – ela disse e voltou a se arrumar. – Alguma dificuldade em deixar as pessoas transarem e se amarem em paz? Sexo é precioso demais pra ficar sendo julgado pelos outros.
Henry abriu um sorriso. Sempre soube que seu apetite sexual era parecido com de sua mãe. Ouvira várias vezes das situações que ela passou por pegar quem quisesse e transar com quem bem entendia. Admirava demais a mãe por causa disso.
— E é por isso que eu amo tanto você – disse ele, abraçando a mãe apertado. Sabia também que seu tamanho era uma herançazinha dela.
— Eu sei – ela disse sorrindo convencida enquanto Henry beijava sua bochecha demoradamente. – Também amo você. Demais.
Ela lhe deu um beijo também e Henry se afastou para ela continuar se arrumando. Ele voltou a se encostar no batente da porta, olhando a mãe e finalmente perguntando.
— Você já ficou com alguma garota, mãe?
— Ainda tem dúvida? – ela questionou, passando lápis nos olhos – Teve uma vez que eu e a Dri combinamos de experimentar. Conversamos bastante sobre isso e acabamos ficando por um impulso dela. Assim, ela tava meio receosa e eu não pressionei. Então imagina minha surpresa quando ela me agarrou. Tínhamos o que? 12 ou 13 anos, por aí.
Henry ficou surpreso com aquilo. Não sabia mesmo que sua mãe tinha ficado com a mãe de Erick. Pela relação delas que ele observou ao longo dos anos, Henry nunca pensaria que elas tiveram algum envolvimento desse tipo. Ele sabia da proximidade delas, mas não a esse ponto.
— E aí? Como foi depois? – perguntou Henry totalmente curioso.
— Ah você sabe como a Dri é. Erick é muito parecido com ela nesse ponto – disse Cassie, dando de ombros – Ela ficou estranha nos primeiros dias. Me evitava e tudo o mais, mas, depois que eu xinguei ela, voltamos ao normal. Isso acabou nos aproximando mais... Fortaleceu nossa amizade.
Henry ficou pensativo. Queria fazer mil perguntas para a mãe, mas a voz de seu pai chamando-a o impediu.
— Já to terminando, Fábio! – gritou Cassie de volta.
— Mais tarde conversamos sobre isso, mocinha – ele disse brincalhão e ela soltou uma risada.
— Como quiser, anjo.
[…]
Os pais de Henry tinha saído há alguns minutos e ele estava esperando Chris chegar. Tinha ajudado a mãe a fazer um penteado e depois partiu rapidamente para mandar uma mensagem para Chris. Logo em seguida, Rach e Jules apareceram em sua porta querendo ver algum desenho animado na TV.
Sentando-se com os irmãos no sofá, Henry ficava checando o celular a cada minuto para ver se Chris tinha chegado. Alguns minutos depois, o interfone tocou e Henry saltou do sofá para atender, Rach e Jules olhando para ele com curiosidade, este último perguntando quem era.
Henry falou com o porteiro, permitindo a entrada de Chris no condomínio e foi buscar suas chaves em sua mochila. Achou-as no exato momento em que a campainha tocou. Pegou o molho de chaves e saiu correndo em direção à porta, Rach e Jules já próximos a esta, esperando para ver quem era.
— Henry, quem é? – perguntou Jules. – É a Marge? Ela veio brincar com a gente? Você chamou a Ray também?
— Calma, campeão – disse Henry sorrindo e destrancando a porta.
Um sorriso espalhou-se pelo seu rosto ao ver Chris parado ali na porta, sorrindo para ele também. Henry era simplesmente apaixonado pelo sorriso do garoto. Vestia suas habituais roupas: calças jeans, blusa branca com uma camisa xadrez por cima e tênis de alguma marca. Como sempre, estava bonito.
— Chris! – gritou Jules se atirando no garoto e estendendo os braços para ser pego no colo. Chris e Henry soltaram uma risada. O garoto entrou e Henry pode fechar a porta.
— Fala garoto! – saudou Chris animado e pegou o garotinho no colo, segurando-o com um dos braços. Com a mão livre, ele acariciou os cabelos de Raquel. – E ai, boneca?
— Oi – ela disse piscando os olhos, olhando entre Jules e Chris. – Juli, o desenho.
— Ah não, Quels – ele disse começando a apertar as bochechas de Chris – Vamos brincar com Chris e Henry. Agora podemos brincar de casinha! Eu vou casar com o Chris.
Henry não impediu a risada, pois a cara que Chris fez foi muito engraçada. Sem contar que a naturalidade que Jules falou aquilo também tinha uma parcela de graça na situação.
— Por que você quer casar com ele, Jules? – Henry perguntou, acariciando os cabelos negros do irmão.
— Por que ele é bonito, oras – Jules disse, abraçando o pescoço de Chris – Você casa comigo, Chris?
Chris arregalou levemente os olhos, virando-se para Henry com uma cara engraçada. Ele riu mais uma vez.
— Mas e se eu quiser casar com ele, Jules? – perguntou Henry apertando o nariz do irmão.
— Não! Você já é namorado dele, é minha vez.
Henry arqueou uma sobrancelha e olhou para Chris, que não disse nada.
Nunca tinham tocado no assunto de namoro antes. Pelo menos para Henry, eles estavam apenas ficando, sem qualquer compromisso firmado. Henry só dava satisfações para Chris quando este pedia e ele mesmo nunca pediu nada desse gênero para o amante. Tanto que ele não dizia para Chris que saía e transava com outras pessoas quando não podiam ficar juntos.
— Tudo bem, então – disse Henry, sorrindo – Rach e eu vamos ser o quê?
— O que você quer ser, Quels? – perguntou Jules, se remexendo no colo de Chris para ele soltá-lo. Chris colocou o garotinho no chão, que foi até a irmã.
— Por que quer brincar disso de novo? – ela perguntou, olhando para Jules.
— Você não gosta? – ele perguntou, franzindo o cenho.
— Gosto, mas não quero brincar – disse ela, virando-se para voltar ao sofá.
Henry olhou para a garotinha com pesar, mas não fez nada. Depois de tanto tempo, ainda não sabia lidar com a garota. Jules bateu o pé e foi até a irmã, começando uma discussão que Henry não se atreveu a interromper. Soltou um suspiro e olhou para Chris.
— Desculpa por isso – ele disse, torcendo a boca.
— Não tem por que se desculpar – Chris disse dando de ombros e inclinando-se para dar um selinho em Henry. – Teu irmão é um fofo.
— Ele é mesmo – disse Henry sorrindo.
— Você acha que ele é... Você sabe... Gay? – perguntou Chris um tanto envergonhado.
Henry franziu as sobrancelhas pensativo, analisando o irmão mais novo.
— Se for, vou ter muita coisa para ensinar a ele – disse Henry como indireta, sorrindo maliciosamente para Chris.
Henry não soube dizer se ele pegou a indireta, pois Chris desviou o olhar e ficou calado. Franziu os lábios e decidiu deixar para lá, entrelaçando uma da mãos na dele e puxando-o para o sofá.
— Vem, vamos ver o que eles querem fazer.
[…]
Os gêmeos tinham desmaiado de cansaço quando deu 22h. Brincaram de casinha, de carrinho, comeram e voltaram a brincar de pique-esconde, este último arrancando boas risadas de Chris e Henry. Depois resolveram assistir a um filme de animação, porém os gêmeos estavam tão cansados que apagaram nos primeiros minutos. Henry gostava bastante daquele gênero, então acabaram por vê-lo todo antes de colocarem os gêmeos nas camas.
— Me ajuda? – perguntou Henry se espreguiçando e olhando para os irmãos, um apoiado sobre o outro.
— Claro – disse, levantando-se do sofá.
Chris pegou Rach no colo delicadamente, enquanto Henry pegava Jules, que começou a babar no ombro do irmão. Caminharam até o quarto deles e os colocaram em suas respectivas camas. Henry cobriu os dois e lhes deu um beijo, acariciando os cabelos deles antes de sair com Chris atrás de si.
— O que quer fazer agora? – perguntou Henry, fechando a porta do quarto.
— Não sei – respondeu, dando de ombros. – Quer assistir outro filme?
Henry evitou dar um suspiro. A verdade era que ele tinha em mente muito bem o que queria fazer naquele momento. Queria atirar Chris em sua cama e beijá-lo até não poder mais.
— Pode ser – ele disse – Vou fazer uma pipoca então. Pode escolher o filme.
Chris assentiu e foi até o porta-CDs que estava em cima do rack enquanto Henry ia até a cozinha. Em alguns minutos fez a pipoca, colocando bastante manteiga derretida do jeito que gostava. Fez também um suco de laranja para Chris. Pegou sua Coca-Cola, o suco e o balde de pipoca e foi até a sala.
— Qual? – perguntou, deixando as coisas em cima da mesinha de centro.
— Invocação do Mal 2.
— Ah não fode, Chris – reclamou Henry. – Você sabe que eu detesto filme de terror.
— Sim, por isso que tu vai ver comigo – disse Chris, sorrindo.
— Beleza, mas só se você dormir comigo — Henry lançou mais um olhar sugestivo para Chris, que desviou do assunto pegando a Coca de Henry – Ei, moço, eu fiz suco pra você.
— Ah nem, Chibi – reclamou Chris quando o outro tirou o copo de sua mão. – Deixa eu beber Coca pelo amor de Deus.
— Não – Henry estendeu o copo com suco para Chris.
— Por quê??
— Por que eu não quero que você morra, idiota.
— Só dessa vez, por favor – Chris chegou perto de Henry fazendo biquinho.
— Só por cima do meu cadáver, seu merdinha! Tu sabe que não pode comer açúcar e eu não vou contribuir pra isso, tu sabe muito bem.
Chris cruzou os braços bufando como uma criança mimada, mas não falou mais nada. Henry tentava evitar ao máximo deixá-lo comer besteiras uma vez que ele tinha diabetes. Ele tentava ao máximo cuidar de Chris da mesma forma que ele cuidava de si quando tinha alguma crise. Era o mínimo que ele podia fazer.
Vendo que o garoto não iria falar mais nada, Henry sentou ao lado dele, sobre os joelhos, ficando de frente para Chris e se inclinou para dar-lhe um beijo no rosto.
— To só cuidando de você, não precisa ficar com esse bico – disse Henry dando mais alguns beijos no rosto do amante.
— Tudo bem – disse Chris, mesmo ainda parecendo um pouco irritado. – Vamos ver o filme?
— Sim... – respondeu Henry sentando-se ao seu lado normalmente e inclinando-se para pegar o balde de pipoca.
Apoiou a cabeça no ombro de Chris, aconchegando-se ali. O outro passou os braços pelos ombros de Henry e puxou-o para mais perto, pegando um pouco de pipoca. Chris colocou o filme para rodar e imediatamente Henry ficou meio tenso.
Nunca gostou de filmes de terror. Ele sabia que era um medo idiota, mas era inevitável.
Ora ou outra, Henry escondia o rosto no peito de Chris, não querendo ver as cenas assustadoras que passavam na tela. Ele queria matá-lo por querer assistir àquela bosta de filme.
Além do mais, ele queria transar. Pura e simplesmente. Não forçaria o outro a fazer algo que não queria, mas poderia provocá-lo até o limite. Era isso que Henry faria naquela noite.
Aproveitou que estava perto do pescoço de Chris para lhe dar alguns beijos, não recebendo muita atenção do garoto. Mesmo assim continuou, dando beijos por toda a pele morena daquela região. Passou a dar mordiscadas no pescoço de Chris, finalmente recebendo uma reação dele, que se remexeu um pouco. Henry sorriu e voltou a morder aquela área, agora percorrendo o local com a língua lentamente.
Levou sua mão até a blusa branca de Chris, já que ele havia tirado a xadrez algum tempo atrás. Levantou um pouco a peça, passando os dedos no abdômen definido do amante, tentando ao máximo arranhá-lo com as unhas curtas. Enquanto isso, subia as carícias até a orelha de Chris, pegando o lóbulo entre os dentes e puxando-o levemente.
— Você quer mais? – sussurrou Henry perto da orelha de Chris.
Como resposta, Chris apertou a cintura de Henry com uma das mãos, o que fez o outro abrir um sorriso malicioso. Então passou a morder a mandíbula de Chris até o queixo, de onde subiu um pouco e selou os lábios com os do outro.
Aquela posição não estava muito boa, então Henry não pestanejou em sentar no colo de Chris, deixando uma perna de cada lado de seu corpo. Entrelaçou as mãos na nuca do outro, puxando-o para mais perto enquanto ele pousava as mãos na cintura de Henry, apertando aquela região de vez em quando.
Não demorou muito para Chris dar passagem para a língua de Henry, que o beijou com o desejo que estava sentindo. Foi um beijo um pouco afobado, mas Henry não ligava, apenas queria beijá-lo e ultrapassar os limites de Chris. Separaram-se para recuperar o ar, Henry puxando o lábio inferior de Chris levemente, olhando nos olhos do outro.
— Não vamos ver o filme não? – perguntou Chris e Henry simplesmente não acreditou.
— Christian, eu estou no seu colo, louco pra transar com você e tu me vem com essa? Por favor, você me respeita!
Chris ficou surpreso com a atitude de Henry, desviando o olhar do outro com uma cara meio triste.
— Desculpa, eu só... – começou e soltou um suspiro – Isso é muito novo pra mim, eu não sei reagir direito a isso.
Henry segurou o rosto de Chris com uma das mãos, forçando-o a olhar para ele.
— Tu confia em mim? – perguntou Henry, olhando nos olhos de Chris.
— Mas é claro que confio, que pergunta...
— Então deixa tudo comigo e apenas aproveita, okay?
Chris não disse nada e demorou alguns segundos para assentir. Quando ele o fez, Henry voltou a beijá-lo, dessa vez contendo um pouco a afobação. Se fosse com outra pessoa, provavelmente já estariam na cama transando loucamente, mas se tratava de Chris, um cara que nunca teve uma experiência daquelas na vida. Henry sabia que cabia a ele ser cuidadoso naquela situação, mesmo que seu fogo clamasse para que ele tirasse as roupas de Chris e o chupasse ali mesmo.
Henry foi com calma, deixando que Chris comandasse o beijo enquanto subia lentamente a blusa do corpo deste. Chris apertava o quadril de Henry com vontade e aquilo estava sendo um pouco mais animador. Tão animador que Henry passou a rebolar lentamente sobre o colo do outro.
Não demorou muito para a blusa de Chris ser tirada de seu corpo, Henry jogando-a em algum lugar na sala. Tiveram que se afastar por alguns segundos, mas voltaram a se beijar tão rápido quanto se separaram. Henry pousou as mãos em cima das de Chris, incentivando-o a tirar a camisa que usava. Chris obedeceu, subindo as mãos pelas laterais do corpo de Henry lentamente. Logo sua camisa se juntou a de Chris.
O beijo começou a ficar mais quente, as peles dos troncos se tocando e causando sensações diferentes neles. Chris sentia a pele se arrepiar ao tocar Henry, que sentia um calor nas partes baixas toda vez que Chris lhe tocava. Queria mais daquele toque.
Henry se surpreendeu quando Chris levantou-se, segurando suas coxas para que ele não caísse. Ele interrompeu o beijo para olhar o amante por alguns segundos de maneira curiosa.
— Quarto? – perguntou Chris.
— Quarto. – respondeu Henry, sorrindo maliciosamente.
Então voltaram a se beijar, Chris andando em direção ao quarto de Henry enquanto este tinha as pernas entrelaçadas na cintura do outro. Chris conhecia bem o apartamento de Henry, então não foi muito difícil chegar ao quarto daquele jeito. Lógico que trombaram em algumas coisas pelo percurso, mas apenas riram brevemente e continuaram o caminho.
Ao chegar no quarto de Henry, Chris sentou-se na cama, deixando o outro ainda em cima de si. O beijo estava mais selvagem do que antes, as sensações eram muitas para ambos. Henry arranhava os ombros de Chris como podia, apertando seus músculos de vez em quando também. Após alguns segundos se beijando, Henry se afastou de Chris, empurrando-o para que ele deitasse no colchão. Abriu um sorriso maldoso quando viu os olhos de Chris lhe encarando e avaliando.
Ele já podia sentir a ereção de Chris se formando sob sua bunda, então começou a rebolar, provocando-o cada vez mais. Afastou-se um pouco, abrindo espaço para que pudesse desabotoar a calça do outro. Henry abaixou um pouco a peça e começou a brincar com o elástico da cueca boxer de Chris, passando o dedo dentro dela. Tocava a glande do outro propositalmente, fazendo Chris se remexer um pouco e soltar alguns suspiros inconscientes.
Henry abriu um sorriso malicioso e continuou a fazer aquilo enquanto se inclinava sobre o outro, beijando seus lábios novamente.
— Me diz o que você gosta – sussurrou Henry quando se separaram para buscar um pouco de ar.
— Eu... ahm... – Chris parecia envergonhado e um pouco aflito.
Henry afastou-se mais, agora ficando um pouco mais ereto. Ele se remexeu no colo de Chris brevemente e encarou o amante.
— Você é virgem, não é? – perguntou Henry sem cerimônias. – Quero dizer, você já transou com uma garota?
Chris revirou os olhos brevemente.
— Já transei sim, mas foi o maior desastre da minha vida. Depois disso, não tive muitas experiências com outras pessoas.
Henry avaliou a situação. Precisava saber de algumas coisas antes de continuar.
— Então você nunca recebeu um boquete? Uma punheta?
Ele notou que Chris estava desconfortável com aquele assunto, mas teve que insistir um pouco.
— Não precisa ter vergonha de mim, Chris – disse Henry, entrelaçando os dedos nos do amante. Soltou um suspiro – Você só precisa relaxar. Não vou te forçar a fazer nada, então se quiser, eu não avanço mais.
Chris assentiu minimamente e apertou a mão de Henry.
— Não! – ele disse um pouco alto – Quero dizer... Eu quero, muito... Mas eu não sei como reagir. Não quero te decepcionar.
Henry não conseguiu segurar o sorriso. Apertou a mão do outro e o olhou nos olhos.
— Você não vai me decepcionar – murmurou Henry – Só confia em mim que vai dar tudo certo.
— Tudo bem, eu confio – Chris soltou um suspiro. – E respondendo a sua pergunta... Não, épocas complicadas, nunca recebi nada do tipo.
Henry não se surpreendeu. Apenas assentiu e sorriu de maneira a confortar o outro.
— Beleza – disse ele, saindo de cima de Chris e da cama. – Tente relaxar.
Chris assentiu, curioso para saber o que o outro estava aprontando. Henry puxou a calça jeans de Chris no intuito de tirá-la completamente. Ele o ajudou, levantando o quadril para o cós da calça passar e Henry conseguir finalmente despi-lo daquela peça. Ele mesmo tirou os próprios shorts que usava, ficando também de cueca boxer.
Henry voltou à posição em que estava, Chris apenas observando as atitudes do outro. Sentiu um alívio por estar apenas de cueca. Aqueles shorts impediam um pouco de sentar-se direito sobre Chris. Agora estava muito melhor, para ambos.
— Pera — comentou Chris subitamente. Henry o encarou, esperando que o outro prosseguisse – E os gêmeos?
Henry pensou por alguns segundos e deu de ombros.
— Eles têm o sono pesado, não se preocupe com isso – respondeu sorrindo – E Cheshire deve estar dormindo com Jules, então não deve atrapalhar nossa noite especial.
Voltaram a se beijar, dessa vez com mais calma. Henry comandava o beijo enquanto passava a mão lentamente pelo tronco desnudo de Chris, chegando até o elástico da cueca. Passou os beijos de volta para o pescoço, descendo até o peito de Chris. Beijava, mordia e lambia cada pedaço de pele pelo qual passava.
Chris se contorceu, rindo quando Henry mordeu seu abdômen. Então, com um sorriso, ele começou a morder e beijar toda aquela área, fazendo Chris rir e segurar sua cabeça para que Henry parasse.
— Minha vingança por todas as vezes que você mordeu minha clavícula – disse Henry, divertido, e abaixou as mãos de Chris, prendendo-as ao lado de seu corpo.
Desceu mais ainda, chegando finalmente ao cós da cueca do outro. Ainda segurando as mãos de Chris, Henry mordeu o elástico da cueca e puxou-a para baixo, relevando o membro ereto de Chris.
“Ai caralho”, pensou ele ao ver pela primeira vez o tamanho do pau de Chris.
Tentou não pensar em como aquilo iria doer, então passou a dar atenção àquela região. Henry beijou a virilha de Chris antes de tocar o pênis do outro com os lábios. Soltou as mãos do outro, abaixando um pouco mais a cueca dele e segurando o pênis em uma das mãos. Henry passou a língua lentamente pela glande de Chris, fazendo-o soltar um gemido de surpresa. Ele sorriu e continuou, lambendo toda a extensão do pênis de Chris.
Permitiu-se demorar um tempo fazendo aquilo. Ouvir os gemidos de Chris era uma coisa muito boa e estava deixando Henry ainda mais excitado e com vontade de transar com aquele homão da porra. Ser o primeiro a dar prazer à Christian daquela forma era uma experiência excitante, mas ao mesmo tempo ele sentia o peso daquilo. Queria ser suficiente para o amante. Queria ser bom em dar prazer ao outro. Tentava ao máximo não pensar no que poderia dar errado ou no que o outro iria achar.
Apenas foi.
Henry inseriu a glande de Chris na boca, chupando-a com vontade e passando a língua naquela região. Não demorou muito para sentir o gosto salgado do pré-gozo de Chris. Henry ia mais fundo, chupando e lambendo cada centímetro que entrava em sua boca. Chris gemia e ofegava, segurando a cabeça de Henry e empurrando-a mais contra seu quadril.
— Porra, Henry... – gemeu Chris.
Henry sorriu mais uma vez, usando a mão livre para ajeitar os óculos que caiam em seu nariz. Levantou um pouco o rosto para olhar Chris, vendo que o outro fazia questão de observá-lo enquanto chupava seu pau. Henry fez uma cara maliciosa e tirou o pênis da boca com um “poc” audível, passando a lamber o pau de Chris a partir da base até chegar à glande.
Passou os dentes levemente pela glande de Chris antes de voltar a colocar o pênis na boca, fazendo movimentos de vai e vem. Primeiro deixou que o pau do outro batesse contra a parte interna de sua bochecha, o que fez Chris empurrar o quadril contra a boca de Henry. Ele ofegava e gemia, totalmente hipnotizado com as sensações daquele ato.
— Minha nossa... – suspirou Chris quando Henry passou a masturbar a base de seu pau junto com os movimentos que fazia com a boca.
O pré-gozo misturado com a saliva escorriam pela boca de Henry de maneira sensual e totalmente erótica. O rosto dele contorcido em pura luxúria fazia Chris delirar. Aquilo era insano. Nunca tinha visto aquelas expressões do rosto do amante. E nunca percebeu o quão sexy Henry ficava de óculos. Ainda mais com seu pau na boca.
Foi inconsciente fazer movimentos com o quadril contra a boca de Henry. Chris ficou um tanto envergonhado quando o outro segurou seu quadril para que ele parasse com aqueles movimentos. Claro, estava fodendo a boca de Henry sem ao menos perceber.
Sentia vergonha, também, pelos gemidos que soltava, cada vez mais altos à medida que Henry afundava a boca em seu pênis. Estava simplesmente delirando por causa daquilo. Chris queria mais. Mais rápido, mais fundo.
Como se sabendo o que o companheiro queria, Henry passou a aprofundar mais os movimentos, a glande de Chris tocando sua garganta levemente. Ele já tinha feito aquele tipo de coisa milhares de vezes. A ânsia de vômito ainda estava presente, mas, com o passar do tempo, Henry aguentava bastante fazer aquilo sem que um desastre acontecesse.
— Porra – Chris gemeu mais alto ao sentir seu pau tocando a garganta de Henry.
Ele continuou o boquete, ora indo mais fundo, ora sugando o pau de Chris. Não demorou muito para ele apertar seu ombro, dizendo que estava prestes a gozar. Henry parou imediatamente os movimentos com a boca, limpando a saliva que escorria pelo seu queixo com o dorso da mão.
— Tá tudo bem? – perguntou Henry com um sorrisinho malicioso e ajeitando o óculos.
Chris ofegava e estava de olhos fechados, a cabeça deitada no travesseiro de Henry.
— Isso deve ter sido a melhor coisa do mundo – sussurrou Chris após alguns segundos.
Henry sorriu satisfeito. Estava feliz por conseguir deixá-lo naquele estado. Subiu em cima de Chris novamente, inclinando-se para beijar os lábios entreabertos do outro. Chris retribuiu sem hesitar, apertando Henry contra seu corpo. Com um impulso, inverteu as posições, deixando Henry por baixo e fazendo-o soltar uma risadinha.
— Animado agora? – Henry perguntou com uma voz sexy e um sorriso sacana.
— Mais que isso – respondeu Chris passando a beijar o pescoço de Henry.
Ele fechou os olhos, aproveitando as carícias de Chris. O outro beijava, lambia e mordiscava a pele pálida, causando arrepios em Henry. Ele suspirava às vezes quando Chris intensificava as mordidas. Por fim, selaram os lábios novamente, voltando a se beijar com desejo. A cintura de Henry era apertada com força enquanto se beijavam, Chris descendo uma das mãos para apertar sua coxa.
— Não faz isso! – riu Henry se separando do beijo. – Faz cócegas.
— Você é muito sensível – brincou Chris.
— Falou o cara que quase gozou só com um boquete de poucos minutos. – rebateu Henry, sorrindo.
— Mas foi insano – disse Chris, sorrindo também.
— Agradecido – Henry riu e puxou Chris para mais um beijo.
Beijaram-se até terem que se separar para buscar ar, Chris voltando a beijar o pescoço de Henry, mas dessa vez descendo para o peito do outro. Não deixou de dar umas mordidas na clavícula de Henry, que soltou uma risada e bateu no braço de Chris. Então ele sentiu os lábios do outro em volta do seu mamilo, sugando e lambendo aquela região com gosto. Uma mão de Chris desceu pelo corpo de Henry, indo direto para seu pau.
— Achei que você fosse inocentezinho – disse Henry, a respiração ficando pesada quando o outro lhe tocou.
— Sou inexperiente, não santo. – rebateu Chris brincando com o tecido da cueca de Henry.
Então fez o que Henry desejava, afastou aquele pano e pegou em seu pau semiereto. Ele suspirou, a sensação de ser masturbado por Chris fazia seu corpo desejar ainda mais do outro. Parecia que Chris estava se divertindo ao torturá-lo, a mão descendo e subindo tão lentamente que Henry movimentou o quadril, tentando adquirir mais contato.
Chris foi tomado por uma excitação sem igual ao ver a cara de Henry expressando prazer. O outro sempre teve uma carinha de inocente, então vê-lo naquele estado era enlouquecedor. Ainda mais quando Henry ainda tinha seus óculos no rosto, o que deixava tudo mais sexy para Chris.
Henry suspirava enquanto a mão de Chris fazia o trabalho. Permitiu-se ficar deitado apenas sentindo a mão forte do outro o masturbando lentamente. Então Chris começou a morder, lamber e chupar áreas aleatórias do seu tronco, deixando marcas na pele branca. Desceu até seu abdômen e quando Henry menos esperava, Chris lambeu seu pau.
— Você não precisa fazer isso, Chris – disse Henry, a respiração mais ofegante que antes.
Mas Chris o ignorou, continuando com os movimentos em seu pênis, sugando e lambendo.
— Ai! – exclamou Henry levantando o tronco quando sentiu os dentes de Chris arrastando em sua pele. – Cuidado com os dentes.
— Ta tudo bem? Tava ruim? O que eu fiz de errado? – Chris parecia alarmado.
Henry riu e se inclinou para dar um beijo em Chris.
— Tu tava indo bem – disse Henry quando se separaram – Só tome cuidado com os dentes. Isso dói um pouco.
Chris assentiu e empurrou Henry de volta no colchão. Voltou a fazer os movimentos de vai e vem, tentando ao máximo manter os dentes longe da pele de Henry. Chris ficou preocupado quando notou que o outro não estava gemendo, estava apenas ofegante.
— Eu estou fazendo errado? – ele perguntou, se afastando do quadril de Henry, que franziu o cenho.
— Não, está bom – respondeu. – Por quê?
— Você não está gemendo. – disse Chris.
Henry franziu o cenho e os lábios por um segundo antes de abrir um sorriso, soltando uma risada pelo nariz.
— Não se preocupe com isso, Chris – Henry deu de ombros, apoiando-se nos cotovelos – Mas eu não costumo gemer muito, então não tome por base os meus gemidos.
— Mas...
— Você não esperava que isso aqui fosse um pornô gay, né? – perguntou Henry com um sorriso divertido. Então falou num tom de gemido – Oh, Christian, fuck me. Era isso que você esperava?
Chris fez uma careta de vergonha e Henry riu, inclinando-se para pegar seu rosto entre as mãos.
— Você está muito nervoso – então beijou o rosto de Chris – Relaxe e não pense muito.
— Okay...
Henry assentiu e beijou Chris, puxando-o para cima de si. Os dois deitaram, beijando-se até precisarem de ar. Quando se separaram, Henry inverteu as posições, ficando por cima de Chris novamente e se inclinando para sua mesinha de cabeceira. Abriu a primeira gaveta e tirou de lá um tubo de lubrificante e uma camisinha.
— Ei, Chibi – chamou Chris enquanto Henry fechava a gaveta. – Eu vou ter que... ahm...
— Que...? – incentivou. Chris ficava extremamente fofo quando estava com vergonha.
— Bem... Dedos...
Henry não conseguiu segurar a risada.
— Ei! É sério! – exclamou Chris.
— E eu to rindo sério também – disse Henry entre uma risada e outra. Chris fechou a cara.
Quando finalmente parou de rir, Henry olhou para Chris e foi obrigado a dar um beijo no biquinho que o outro fazia.
— Não é necessário – respondeu Henry, brincando com a camisinha – É um pouco incômodo, mas eu não acho de todo ruim. Não me importo se você quiser fazer.
Chris o ignorou.
— Ei, para de graça – disse Henry, rindo e beijando mais uma vez a boca do outro – Eu só acho bonitinha sua inocência.
— Eu vou te mostrar o inocente – rebateu Chris olhando para Henry.
— Vem com tudo – disse Henry em um tom provocador.
Então Chris levantou o tronco, beijando Henry de forma sedenta e selvagem. Suas mãos desceram para a bunda do outro, apertando a carne ainda coberta pela cueca. Henry não reprimiu um suspiro contra os lábios de Chris, desejando internamente que fizessem sexo logo.
— Vamos logo com isso, pelo amor de Deus – resmungou Henry.
Chris apenas assentiu.
— Apoia as costas na parede. – disse Henry saindo de cima de Chris.
Ele tirou a própria cueca e a de Chris quando este se ajeitou na cama. Pegou o pacote de camisinha e, olhando para Chris com uma expressão maliciosa, abriu a embalagem com os dentes. Tirou a camisinha a posicionou na ponta do pau de ereto de Chris, colocando-a lentamente. Henry não evitou a risada quando viu o ficante levando as duas mãos ao rosto.
— Você para, tira as mãos daí! – reclamou Henry em tom de brincadeira.
— Isso é muito constrangedor – resmungou Chris tirando as mãos, mas virando o rosto.
— Eu já meti a boca aí, para de vergonha – rebateu Henry.
— Pelos céus, Henry! Calado! – reclamou Chris – Tu tá deixando tudo mais tenso.
Henry revirou os olhos, mas preferiu não rebater. Terminou o serviço e colocou um pouco do lubrificante em seus dedos para levá-los até sua entrada. Quando Chris viu o que o outro estava fazendo, segurou a mão de Henry, olhando-o no fundo dos olhos.
— Eu posso? – perguntou Chris, ainda meio envergonhado.
Henry abriu um sorriso e deu um selinho em Chris.
— Claro.
Ele passou o lubrificante para os dedos de Chris e se sentou sobre ele, empinando a bunda e ficando o mais próximo possível do corpo do outro. Ficou olhando para os olhos de Chris enquanto este o segurava pela cintura com um braço e dirigia os dedos para sua entrada com a outra mão. Então ele tocou aquela região ligeiramente sensível, fazendo Henry soltar o ar pesadamente e fechar os olhos.
— Isso é bom – disse Henry abrindo os olhos e vendo o quão hipnotizado Chris estava ao olhar para si. – Só continue.
Henry via no olhar de Chris o quão ele estava gostando de arrancar aquelas reações dele. Então decidiu por incentivá-lo um pouco mais, soltando alguns gemidos falsos, mordendo o lábio inferior enquanto franzia o cenho levemente. Ele arqueou um pouco as costas quando Chris inseriu a ponta do dedo em si. Henry apertou os ombros do amante, pousando a cabeça em cima de uma das próprias mãos.
Para continuar com as provocações e para fazer Chris querê-lo ainda mais, Henry levantou um pouco o rosto, deixando sua boca perto da orelha do outro e disse em um tom gemido:
— Me fode logo, Christian.
— Eu... – começou Chris, uma mistura de sentimentos passando pelo seu rosto.
— Eu ajudo.
Então Henry levou a mão para trás, pegando o pênis de Chris e o dirigindo até sua entrada. Ele soltou o ar quando sentiu a glande de Chris lhe tocando e apertou o ombro do outro com a mão quando foi sentando no pau lentamente.
— Droga – Henry reclamou, fechando os olhos quando finalmente conseguiu inserir Chris dentro de si.
— Ai meu Deus, você tá chorando! – exclamou Chris alarmado, os olhos arregalados. – Henry, tira, não quero te machucar.
Henry sorriu, abrindo os olhos lentamente.
— Está tudo bem – ele disse se remexendo um pouco no pau de Chris, fazendo o outro soltar um gemido involuntário. – Não precisa ficar tenso. Eu estou bem, isso é normal. Dói, incomoda, mas depois passa. Eu estou acostumado.
Chris franziu o cenho.
— Acostumado...?
Henry o beijou antes que Chris pudesse raciocinar mais um pouco, segurando o outro pela nuca. As línguas se enroscavam com vontade, explorando tudo que lhes era permitido. Henry se separou de Chris, mordendo o lábio inferior do outro.
— Eu vou me mover – disse, com a voz calma – Se eu chorar, não se desespera. Isso acontece muito.
Chris assentiu, os olhos castanhos escuros admirando o rosto do amante enquanto este subia o corpo em seu pênis e descendo logo em seguida. Ele não impediu que um gemido alto saísse. Aquilo era bom. Muito bom. Henry era quente e apertado e os movimentos que fazia eram enlouquecedores. Chris levou as mãos até o quadril de Henry, ajudando-o com os movimentos de sobe e desce.
Henry podia estar acostumado com sexo, mas não se lembrava de nenhuma vez em que as lágrimas não tenham saído de seus olhos. Era algo involuntário, que sempre acontecia por mais que tivesse transado, sendo o passivo, com mais caras do que ele pudesse contar ou se lembrar. Mas também não demorava muito para se acostumar uma vez que já estava com um pau dentro de si.
Quando suas pernas ficaram cansadas, Henry sentou em Chris, fazendo movimentos apenas com o quadril, rebolando e cavalgando em cima do outro. A respiração de ambos estava ofegante, a de Chris um pouco mais. Eles já estavam suados e a temperatura do quarto parecia o próprio inferno. Mas Henry queria mais.
Ele levou sua mão até o próprio pau, começando a masturbá-lo com firmeza e soltando um suspiro ao sentir prazer em ambas as regiões. Chris logo percebeu o que o outro estava fazendo, então tratou de tirar a mão dele de lá e tomar o pênis de Henry na própria mão. Ele passou o dedão pela glande de Henry, fazendo-o apertar seus ombros com força enquanto ainda quicava no colo de Chris.
Depois de alguns segundos naquela posição, Henry saiu completamente de cima de Chris, respirando um pouco e chamando-o com o dedo. Chris atendeu prontamente, beijando o outro com vontade. Henry foi comandando o beijo, puxando o outro pela nuca até terem invertido as posições.
— Sua vez de fazer o trabalho sujo – comentou Henry com malícia e deitou de bruços, cruzando os braços sob a bochecha.
Chris ficou alguns segundos observando aquela cena. A bunda de Henry era a coisa mais putamente redonda que ele já tinha visto. As costas eram definidas, as linhas dos músculos bem contornadas, fazendo com que Chris quisesse passar o dedo em cada uma delas. Para enlouquecer o outro ainda mais, Henry fez o favor de empinar a bunda e balançá-la um pouco, como se estivesse esperando por algo.
E estava.
Henry sentiu quando Chris apertou sua bunda com firmeza, provavelmente deixando marcas na pele branca. Ele sorriu e provocou-o ainda mais, rebolando levemente o quadril. Logo sentiu novamente o pau de Chris dentro de si, mas dessa vez não precisava fazer muito esforço. O outro começou a meter em si, os movimentos cada vez mais firmes e fortes.
Lágrimas escorriam pelos cantos dos olhos de Henry, mas ele estava gostando de cada sensação. Chris estava completamente sobre si e mordia e chupava a parte de cima de suas costas enquanto fazia os movimentos de vai e vem. Ele gemia a cada estocada, fazendo Henry empinar ainda mais a bunda para o outro. Uma das mãos de Chris o sustentava, enquanto a outra passeava pelo corpo nu de Henry, apertando e arranhando a pele do outro.
— Isso – suspirou Henry quando Chris conseguiu lhe acertar num ponto sensível – Mais, Chris, por favor.
O outro atendeu seu pedido prontamente, aumentando mais a velocidade e consequentemente os gemidos. Henry fechou os punhos contra o lençol da cama, suspirando e respirando pesadamente. Seus óculos estavam tortos em seu rosto, mas ele não tinha como ajeitá-los. Não agora.
— Porra, Henry – xingou Chris. – Tu é muito apertado.
— Agradecido mais uma vez – ofegou Henry, não prestando muito atenção em Chris.
Ele foi pego de surpresa quando Chris pousou as duas mãos em seu quadril e o ergueu, fazendo-o ficar de joelhos e consequentemente tendo que apoiar os dois braços na cama. Chris continuou metendo em Henry, ainda segurando o quadril do outro enquanto fazia os movimentos com o próprio quadril.
O som das peles se encontrando era completamente erótico, ainda mais quando era acompanhado pelos gemidos e alguns xingamentos de Chris. Henry mordeu o lábio inferior e levou sua mão até o próprio pênis, precisando urgentemente ser masturbado. Dessa vez, Chris não percebeu o ato do companheiro, estava ocupado demais no próprio prazer naquele momento. Henry não se importou. Em sua primeira vez tinha sido a mesma coisa.
Seu braço não aguentou, fazendo com que Henry tivesse que se apoiar nos cotovelos, deixando sua bunda ainda mais empinada na direção de Chris. Aquilo estava maravilhoso, principalmente quando o outro acertava sua próstata em cheio.
— Henry, eu vou... – gemeu Chris.
Henry não disse nada, apenas começou a acompanhar os movimentos de Chris, movimentando a bunda na direção do quadril do outro. Mais rápido. Mais forte.
Não demorou muito para Chris gozar gemendo o nome de Henry e parando os movimentos lentamente.
— Não sai – resmungou Henry enquanto ainda se masturbava, cada vez mais rápido.
— Eu posso...
— Tá, faz logo. – disse Henry prontamente.
Chris pegou o pau do outro, masturbando-o na mesma intensidade que Henry mantinha antes. Junto com a masturbação, ele voltou a encher as costas e ombros de Henry com beijos e mordidas, vendo a pele branca sendo marcada rapidamente.
Ele ficou uns bons minutos masturbando Henry, que ofegava e respirava fundo a cada vez que Chris descia com a mão. Depois de algum tempo disso, Henry finalmente gozou, reprimindo um gemido de prazer em sua garganta. Os segundos de orgasmo foram maravilhosos.
— Okay, já pode sair – disse Henry.
Chris não disse nada, apenas saiu de dentro do amante enquanto este desabava na cama, suado e exausto. Chris tirou a camisinha, dando um nó e deixando-a em cima da mesa de cabeceira mesmo por ordens de Henry. Logo se juntou ao amante, deitando ao seu lado na cama de solteiro. Henry se aconchegou no peito de Chris, que o abraçou com carinho.
O silêncio caiu sobre eles, Henry de olhos fechados ainda um pouco imerso nas sensações daquelas últimas horas.
— Então? – perguntou Chris depois de um tempo.
— Então o quê? – Henry disse com a voz embargada de sono. A única coisa que ele queria fazer agora era dormir.
— Como foi?
Henry abriu os olhos, levantando a cabeça para olhar Chris, que tinha expectativa nos olhos.
— Você foi bem – disse Henry com um sorriso – Fodeu bem.
Chris revirou os olhos e desviou o olhar.
— Meu Deus, como você consegue dizer essas coisas com tanta naturalidade?
Henry deu de ombros e sorriu.
— É um dom.
— Anram, sei. – disse Chris com ironia.
— Deixa de ser chato, estou falando sério! – Henry deu um soco no ombro de Chris. – Mas você foi bem. Me surpreendeu até.
— Okay, não vamos falar de como eu fodo – sentenciou Chris, apertando Henry mais contra si.
— Você que perguntou! – defendeu-se Henry e soltou uma risada.
— Não quero mais saber – disse Chris.
Henry apenas balançou a cabeça negativamente sorrindo e levantou o tronco, pegando o lençol ali jogado e cobrindo ambos os corpos nus. Aconchegou-se novamente no peito de Chris, pronto pra ter uma bela noite de sono.
— O quê? Você vai dormir? E se seus pais chegarem e nos virem assim? – perguntou Chris, alarmado. Henry nem se mexeu.
— Garanto que minha mãe vai soltar fogos e meu pai vai rir, não se preocupe com isso. – disse Henry de olhos fechados, o sono o pegando rapidamente.
— Sua mãe vai o quê? – perguntou Chris, mas não obteve resposta.
Henry tinha dormido. Ressonava sobre o peito de Chris, a respiração regularizada e profunda. Chris respirou fundo, soltando o ar devagar. Muitas coisas se passavam pela sua cabeça naquele momento, mas logo foi atingido pelo sono também.
Notando que Henry não havia tirado os óculos, Chris mesmo o fez, colocando o objeto em cima da mesinha de cabeceira e dando um beijo na testa de Henry antes de se acomodar para dormir. Não tinha muita escolha no final das contas.
— Boa noite, Chibi.
— Boa noite, Erick.
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