Além da vida

13 Renesmee- O pacto


Entrei em casa correndo, sem olhar para os lados, ignorando a voz preocupada de minha mãe.

— Nessie, o que aconteceu? — Bella me perguntou, mas eu mal ouvi. Tudo estava confuso. A única coisa que eu sabia era que precisava me afastar, fugir daquele turbilhão dentro de mim.

Subi as escadas quase tropeçando nos degraus, minha respiração acelerada, meu coração batendo forte no peito. Assim que entrei no quarto, fechei a porta com um estrondo. Minhas mãos tremiam enquanto me aproximei do espelho, e o que eu vi no reflexo não era eu… não completamente.

As imagens e memórias de Eva invadiram minha mente mais uma vez. A vida que não era minha, mas que, de alguma forma, parecia profundamente conectada a mim. As emoções dela — sua dor, seu amor, suas frustrações — estavam todas lá, misturadas às minhas. Eu me sentia confusa, como se estivesse perdendo o controle de quem eu era.

— Por quê? — sussurrei, a voz fraca. — Por que ela está dentro de mim?

Meus olhos estavam marejados, e as lágrimas começaram a rolar. As lembranças de Eva... as memórias de Jacob, de Isa, de tudo o que aconteceu com ela. Era uma dor tão forte que parecia ser minha também, mas ao mesmo tempo, eu sabia que não era. Eu era Renesmee, não Eva. Eu sabia disso... mas então por que parecia que estávamos tão entrelaçadas?

Meus joelhos fraquejaram e eu caí no chão, minhas mãos apertando o tapete enquanto o choro me dominava.

Foi então que ouvi a porta se abrir. Bella entrou no quarto e, sem dizer nada, ajoelhou-se ao meu lado, me puxando para seus braços.

— Vai ficar tudo bem, minha menina — ela sussurrou suavemente, acariciando meus cabelos.

Eu chorei ainda mais forte, soluçando.

— Não está tudo bem, mãe. Eu não consigo controlar. Cada dia que passa as memórias de Eva ficam mais fortes. As emoções dela... é como se fossem minhas, mas não são. Eu não sei o que fazer...

Bella me afastou um pouco, forçando-me a olhá-la nos olhos.

— Nessie, lembra-se do que Nahuel disse? — sua voz era firme, mas cheia de carinho. — Nesta vida, você é Renesmee. Você não pode deixar as lembranças de Eva dominarem quem você é agora.

Balancei a cabeça, ainda chorando, tentando absorver o que ela estava me dizendo, mas era tão difícil. Eu sentia o peso das emoções de Eva, como se ela estivesse lutando dentro de mim para tomar o controle.

— Mas elas são tão fortes, mãe… tão reais… Eu sinto tudo o que ela sentiu. O amor, a dor... é como se fosse meu!

Bella me puxou de volta para seus braços, apertando-me contra seu peito enquanto eu soluçava descontroladamente. Ela beijou o topo da minha cabeça, como fazia quando eu era criança e estava com medo ou triste.

— Vai ficar tudo bem, Nessie. Eu prometo. Nós vamos lidar com isso, juntas. Não importa o quanto pareça difícil, eu estarei ao seu lado. E você vai encontrar sua própria força nisso tudo. Você é Renesmee, minha filha, e ninguém pode tirar isso de você.

Eu me agarrei à minha mãe, tentando me acalmar, mas ainda sentindo o peso de tudo o que estava dentro de mim. Mesmo assim, as palavras dela me deram um pequeno conforto, uma lembrança de quem eu realmente era. Mesmo que Eva estivesse ali, eu ainda era eu.

Naquele sonho, eu era Eva.

A brisa fresca da noite acariciava meu rosto enquanto eu olhava para as estrelas no céu claro, refletidas no lago do haras. O brilho da fogueira perto de nós lançava sombras dançantes sobre a água, e o crepitar do fogo era o único som que rompia o silêncio ao redor. Senti Jacob se aproximar por trás, seus braços fortes me envolviam com ternura, trazendo uma sensação de segurança.

— Você está pensando no futuro, não é? — a voz dele era suave, mas carregava uma intensidade que sempre me comovia.

Assenti, mantendo os olhos nas estrelas.

— Sim... — respondi, num sussurro. — Tenho pensado muito sobre isso ultimamente.

Jacob me apertou um pouco mais, e pude sentir seu queixo descansar levemente sobre o topo da minha cabeça.

— Eva, não importa o que aconteça... eu sempre estarei com você. — Ele pausou por um momento, a seriedade em sua voz tornando o momento ainda mais solene. — Além da vida. Nós sempre estaremos conectados.

Virei-me para olhá-lo, sentindo o peso daquelas palavras. Seus olhos brilhavam na luz da fogueira, e havia algo profundo neles, algo que me puxava ainda mais para perto.

— Além da vida? — perguntei, a voz baixa, quase temendo o que ele diria.

Jacob assentiu, seus olhos nunca deixando os meus.

— Sim. Não importa onde estejamos, quem sejamos... nosso amor vai além dessa vida. — Ele fez uma pausa, pegando uma pedra afiada ao lado da fogueira. — Quero fazer um pacto com você, Eva.

Meus olhos seguiram o movimento de suas mãos enquanto ele cortava a palma da sua mão com a pedra. Sem hesitar, entreguei-lhe a minha mão, e ele repetiu o gesto em mim. Uma dor aguda percorreu meu corpo, mas foi rapidamente substituída por algo mais forte, mais profundo. Nossos olhos se encontraram novamente, e sem desviar, seguramos as mãos ensanguentadas um do outro.

— Eu, Jacob Black, juro te amar além da vida, até o fim dos tempos.

Meu coração batia acelerado, e sem hesitar, repeti o juramento.

— Eu, Eva, juro te amar além da vida, até o fim dos tempos.

As nossas mãos se apertaram, e o sangue misturado parecia selar algo maior do que eu poderia compreender. Um pacto que ultrapassava essa vida, esse tempo, e me conectava a ele de uma forma irreversível.

O sonho começou a se desfazer, mas antes que tudo desaparecesse, vi Jacob sorrir para mim. Um sorriso cheio de promessas e um amor eterno.

Acordei com um sobressalto, o coração batendo rápido e o corpo coberto de suor. Minhas mãos estavam trêmulas, e ao olhar para a palma da minha mão, vi uma pequena cicatriz, como se o pacto tivesse sido feito de verdade. Minha respiração ficou presa na garganta. Eu acreditava que aquela marca era uma sinal mas era uma cicatriz.

Levantei-me da cama em um impulso, caminhando em direção à janela. O sol brilhava forte lá fora, trazendo uma luz tão intensa que quase me cegou por um segundo. Mas o calor no meu peito, aquela sensação de que algo maior estava acontecendo, me consumia.

"Eu sou Eva."

Essa frase ecoava na minha mente enquanto eu me dirigia ao banheiro, os pés se movendo mecanicamente. Entrei na banheira, deixando a água quente cobrir meu corpo, tentando acalmar o turbilhão de emoções que me invadia.

Fechei os olhos, me forçando a respirar fundo, lembrando do exercício que Nahuel me ensinara. Eu precisava me acalmar, encontrar um ponto de equilíbrio dentro de mim mesma.

"Eu sou Renesmee," tentei me lembrar, repetindo as palavras de Nahuel. "Você é Renesmee Cullen."

Mas a voz dentro de mim era mais forte.

"Eu sou Eva."

Os pensamentos continuavam se entrelaçando, as memórias se misturando, até que finalmente me dei conta. Eva voltou por causa do pacto. Algo nos conectava, algo que transcendia o tempo e o espaço.

"Eu sou Eva."

Notas finais
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