Além da vida
8 Renesmee- Cullen's Medical
Chegamos ao hospital, e logo que passei pelas portas de vidro automáticas, senti um arrepio percorrer minha espinha. O ambiente era familiar, mesmo que meus pés nunca tivessem pisado ali antes. Era como se cada corredor, cada cheiro de desinfetante e cada rosto sério já tivessem feito parte de mim em algum momento. Talvez fosse a aura de Eva, ainda presente, ou talvez fosse apenas o peso de tantas histórias que eu tinha ouvido.
Enquanto caminhava ao lado de meu pai, alguns olhares curiosos se voltaram para nós. Um sussurro aqui e ali. Eles me comparavam com ela, claro. Eu já esperava isso, então mantive meu rosto tranquilo, um sorriso leve nos lábios, como se aquela situação não me afetasse. "Ela é idêntica à Eva", ouvi alguém murmurar. Não consegui deixar de suspirar internamente, mas continuei firme. Era a história da minha vida: comparações. Mas dessa vez, eu tinha uma missão.
— Preciso ir para uma reunião importante agora — disse meu pai, interrompendo meus pensamentos. — Você se importa de ficar sozinha por um tempo?
Olhei para ele e sorri, balançando a cabeça.
— Claro que não, pai. Pode ir tranquilo.
Ele franziu a testa levemente, como sempre fazia quando se preocupava comigo.
— Juízo, hein, Nessie.
Soltei uma risada baixa.
— Juízo é meu sobrenome, você sabe disso.
Ele riu, me deu um beijo na testa e se afastou, indo em direção ao elevador. Fiquei ali por um momento, observando-o desaparecer entre as portas que se fecharam, e então me virei e caminhei até a lanchonete do hospital.
Sentei-me numa mesa perto da janela e pedi um café. Enquanto esperava, peguei o celular e vi que havia algumas mensagens da minha mãe. Ela estava, como sempre, querendo saber como eu estava me sentindo. Eu digitei uma resposta rápida, assegurando-a de que tudo estava bem.
— Nessie?
Meu coração apertou no peito ao ouvir a voz familiar. Olhei para cima e, para minha surpresa, vi Claire vestindo um jaleco branco com o logotipo do hospital. No crachá pendurado no peito, lia-se "Claire Black". Ela sorriu, visivelmente feliz em me ver.
Respirei fundo, tentando controlar a onda de emoções que Eva ainda guardava dentro de mim, e forcei um sorriso.
— Claire, que surpresa! — Falei, tentando parecer casual. — É bom te ver.
Ela se sentou à mesa, ainda sorrindo.
— Estava pensando em mandar uma mensagem para você, acredita? — Ela disse, ajeitando o jaleco enquanto se acomodava. — Fico feliz em te ver por aqui.
— Desculpa por não ter mandado antes. — Respondi, sentindo uma leve culpa. — Mas, sabe como é... as mudanças acabam ocupando o tempo.
— Ah, eu entendo — disse ela, acenando com a cabeça, compreensiva. — Muitas coisas mudaram desde a última vez que nos vimos. Mas e você? Quais são os seus planos agora que está em Seattle?
Olhei para a xícara de café que acabava de chegar, tentando formular uma resposta convincente. Eu mesma não tinha muitos planos ainda.
— Ainda não sei exatamente... mas primeiro, preciso de um emprego.
Os olhos de Claire brilharam de animação.
— Isso eu posso resolver! — Ela exclamou. — Meu pai está precisando de uma veterinária no haras. Você sabe o quanto ele adora animais, e com sua experiência...
Antes que ela pudesse terminar, senti o mundo ao meu redor congelar por um momento. O café na minha mão ficou esquecido, e meu coração começou a bater acelerado.
— O... haras do seu pai? — Consegui perguntar, minha voz saindo quase num sussurro.
Claire me olhou, notando a mudança no meu tom, mas ainda sorria.
— Sim! Ele mencionou que está precisando de ajuda, e acho que você seria perfeita para o trabalho.
Meu corpo inteiro ficou rígido. Haras. Veterinária. Tudo aquilo parecia levar de volta a Eva, e de alguma forma, eu sabia que aceitar essa oferta poderia me levar ainda mais fundo nessa investigação — ou me colocar em um caminho que eu talvez não estivesse pronta para seguir.
Eu olhei para Claire, forçando um sorriso enquanto tentava digerir o que aquilo significava.
— Eu... vou pensar sobre isso. — Foi o que consegui dizer, tentando não demonstrar o turbilhão de emoções que estava sentindo por dentro.
Claire franziu levemente a testa, parecendo um pouco frustrada com a minha resposta evasiva, mas logo recuperou o sorriso e assentiu com a cabeça, tentando disfarçar a decepção.
— Pense com carinho, Nessie — disse ela, colocando a mão sobre a minha. — O convite está de pé. Seria ótimo ter você por perto, mesmo que só por um tempo. Talvez, se visitar o haras, você possa tomar sua decisão com mais clareza.
Sorri de volta, e por um breve momento, deixei que Eva tomasse o controle da situação. Minha expressão suavizou e, quase sem perceber, eu toquei o ombro de Claire com carinho.
— E quando você decidiu virar médica? — Perguntei com um tom caloroso, quase nostálgico.
Claire sorriu, parecendo surpresa pela pergunta, e os olhos dela brilharam com uma emoção contida.
— Ah, foi quando percebi que queria seguir o exemplo do nosso avô... ou melhor, do nosso avô em comum. Carlisle sempre foi uma grande inspiração pra mim. — Ela deu uma risada suave. — Acho que, de certa forma, quero continuar o legado dele.
Senti um calor inesperado dentro de mim, uma sensação de orgulho que parecia vir de um lugar mais profundo do que eu poderia reconhecer. Ainda era Eva, refletida em mim.
— Estou orgulhosa da mulher que você se tornou, Claire — disse, e logo percebi o impacto dessas palavras.
Os olhos de Claire se encheram de emoção, e por um instante, parecia que ela estava segurando as lágrimas.
— Ouvir isso de você, Nessie, é como... como se eu estivesse ouvindo da minha mãe. — Ela sorriu, um sorriso triste, e balançou a cabeça. — É quase como se ela estivesse viva, aqui, diante de mim.
Meu estômago revirou ao perceber o que eu tinha feito, o deslize que havia cometido. Rapidamente, forcei um sorriso e disfarcei.
— Ela deve estar muito orgulhosa de você, Claire. Eu tenho certeza disso.
Claire respirou fundo, como se estivesse processando minhas palavras, e então assentiu lentamente.
— Obrigada. — A voz dela soou suave, quase em um sussurro. — Bem, eu te espero amanhã no haras. Vou mandar a localização por mensagem.
Ela se levantou antes que eu pudesse responder, deixando um vazio na mesa.
— Preciso voltar para um paciente. — E, sem esperar que eu dissesse qualquer coisa, Claire se afastou apressada.
— Claire, espera... — Tentei chamá-la, mas já era tarde. Ela desapareceu entre os corredores do hospital, e eu suspirei, sentindo o peso da situação.
Ir ao haras... significava muito mais do que apenas visitar um local ou considerar uma oferta de emprego. Significava encontrar Jacob Black. E eu não tinha certeza se estava pronta para isso. O simples pensamento me deixava tensa, como se algo estivesse prestes a mudar para sempre.
Eu respirei fundo, tentando acalmar a confusão de sentimentos. Sabia que precisava ir. Precisava de respostas. Mas, ao mesmo tempo, me perguntava até onde eu estava disposta a ir para encontrá-las.
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