Além da psicologia
3 Reviravolta
Notas iniciais
Desculpem a demora, mas é que eu tô meio sem tempo já que escrevo outras histórias; e fui pega por um bloqueio malígno um dia desses.
Quando abri os olhos, vi minha psicóloga ao meu lado perto da cama. Meu braço estava enfaixado, mas já não sentia dores. O que eu fiz? Por que fiz isso? Uma confusão mental começou em meu cérebro, novamente estava vendo imagens rápidas e atordoantes e a maioria delas era meu pai. Mas ele estava bêbado e batendo em todo mundo que via pela frente. Fechei os olhos e comecei a gritar.
– Acalme-se, Karine — Liliani pediu baixinho. — Sua mãe ainda está chateada.– O quê? O que meu pai fez? Onde ele tá?– Bem... Seu pai foi embora. Simplesmente ela disse isso.– Como assim, embora?– Depois do incidente na rua, a polícia chegou. Viu você no chão e sua mãe em choque e seu pai gritando... Mais as testemunhas na rua.– Ele disse alguma coisa sobre mim ou minha mãe? Ela balançou a cabeça.– Você deve ficar calma.– Mas eu estou calma! — Grito.– Suas mãos e pés estão tremendo. Olho para meus pés e começo a chorar.– Karine, por que fez isso? Liliane parecia preocupada.– Isso o quê?– Se cortou.– Eu não queria me matar, se é o que você pensou.– Sei que você é esperta o suficiente para permanecer viva. Consegui sorri.– Eu queria sumir da rua, mas eu não podia. Então me apaguei por conta própria.– E se você tivesse acertado com um corte mais profundo na sua veia do coração?– E daí? — Minha voz saiu embargada.– Você...– Eu morreria. Minha mãe ia chorar. Eu sou uma péssima filha só de pensar nisso.Comecei a chorar novamente.– Ei, sem ideias depressivas!– Você mesma que disse que eu tenho TDAH e TAS, não é? Então, sou uma garota problemática. Depressão seria apenas um problema a mais.– Mas você sabe que pode reverter esse quadro.– Não. Eu serei assim até o fim da vida. Ela fez silêncio.– É apenas um momento ruim. Você não comeu nada em dois dias. Quer que eu faça algo?– Você está aqui desde ontem? Ela assentiu.– Por quê? — perguntei.– Lhe considero como amiga. Fiquei tão emocionada que lhe dei um abraço apertado. Ela ficou surpresa, mas não recusou.– Vou lhe fazer uma sopa. Você pode ir no quarto de sua mãe a ver. Fiz isso. Quando me levantei fiquei tonta, mas logo me recompus. – Mãe? — Chamei devagar ao entrar. Ela apenas olhou para mim. Um olhar vazio.– Você está bem? — perguntei.– Você não morreu. — Sua voz era um sussurro.– Não.– Eu estou bem, não se preocupe comigo.– Tem certeza que está bem?– Sim. Conversei com sua psicóloga. Você pode começar um tratamento semana que vem. Não gosto do jeito que você fica com essas limitações.– Mãe, não há necessidade disso.– Prometa pra mim, Karine. Prometa que você vai toda a semana pro consultório.– Mas, mãe...– Prometa.– Tudo bem, E foi assim que eu comecei uma das jornadas mais importantes da minha vida. Eu mal podia imaginar o que estaria prestes a acontecer na semana seguinte, mas eu podia imaginar uma coisa: não encararia um ônibus lotado de gente me olhando.
Notas finais
Ficou pequeno, mas já estou sem tempo.
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