Além da psicologia

5 Primeiro dia no ensino médio


Notas iniciais
Esse capítulo e talvez mais outro para fechar o dia!

Descobri semana passada que também tenho Síndrome do pânico. Mais um problema para acrescentar na minha lista. Acho que esse é um dos piores, você tem aquelas crises... Mas minha psicóloga disse que pessoas com síndrome do pânico têm apenas 2 ou 3 no máximo, crises durante toda sua vida. Mas crises de verdade, aquelas que duram minutos ou horas; mas aquelas que dá de vez em enquanto, são pequenos ataques. Que eu tenho o tempo todo.
Quando desci do ônibus, vi a movimentação na escola. Primeiro dia de aula. O começo do sofrimento. Eu sempre fui uma ótima aluna, mas lugares cheios de gente não me são agradáveis.
– Ei! — Era meu professor de literatura.
– Oi. Mais um ano, não?
Tentei disfarçar o susto que levei.
– Sim. Animada?
– Sim — Não, na verdade. — Onde está, Ana?
– Ah... — Ele pareceu desapontado. — Ana ganhou uma bolsa de estudos em outra escola. Desculpe.
– Não é culpa sua. Ela merecia, afinal. É uma ótima garota.

Ana é filha do meu professor e era minha melhor amiga.

– Mas não fique triste. Sei que você fará muitos novos amigos.
– É.
Ele seguiu caminho. Claro que não faria novos amigos. Inimigos talves, mas amigos?

Entrei na escola.
Sentia-me uma novata. Todos me olhando... Senti minha cabeça ficar leve. Ia desmaiar; concentrei-me.
– Espero que estejam dispostos esse ano — disse o professor de matemática logo depois de entrarmos na sala.
– Quero férias! — gritou um garoto do fundo.
– Se você passar direto esse semestre, quem sabe...
Dei uma olhada rápida na sala. Tínhamos muitos novatos e todas as pessoas que poderiam ser minha possibilidade de amizade, tinham ido pra outra escola. Tinha três garota novas com cara de metida e aquele olhar superior. Nem chegarei perto. Tinha uns cinco novos bagunceiros de fundão. Tinham dois garotos e uma menina com cara de drogados e um menino de óculos grossos lendo Harry Potter. Esse deveria ser nerdão.
Matemática, biologia, filosofia, química e, por fim, educação física. Era a última aula então a metade da turma resolveu vazar logo. Odeio educação física.
– Vamos lá, meninas! — berrava a professora. -Dois times.
Como sempre, fui a última a ser escolhida. Fiquei no time da garota drogada e umas outras CDFs.
Estávamos já perdendo de 2 sets a zero quando uma das patricinhas chatas me acertou uma bolada. Percebi que não foi sem querer.
– Ops...
Elas começaram a rir. Esqueci de avisar que, por causa do meu TDAH, eu sou impulsiva, nervosa, e... Bem, não mexa comigo.
– Você não me quer como inimiga — disse.
– Como amiga é que não queremos — uma delas deboxou.
Peguei a bola de volei e acertei na cara dela. A peguei tão desprevinida que ela caiu no chão.
– Sua vadia! — uma amiga dela gritou avançando em cima de mim.
Mas não sou como as outras garotas que puxam o cabelo uma das outras e se cortam com as unhas. Quando ela avançou pra cima de mim com aquelas unhas compridas, segurei seu braço e o girei a deixando de frente para mim. Acertei uma joelhada na sua barriga.
– Vadia é sua mãe!! — xinguei.
Olhei ao redor da quadra e vi que tinha uma plateia. Minha professora estava pasma. Ela expulsou os xereteiros e... Bem... Fui para a coordenação.
Não fui suspensa, pois não tinha histórico de má aluna então ligaram pra minha mãe.
– Karine... — Minha mãe chegou minutos depois, mas não parecia zangada, apenas cansada.
– Eu não me arrependo — apressei-me a dizer.
– Você deve se controlar.
– Mas...
– Lembre-se do que Liliane lhe disse.
Uma vez Liliane me disse que eu era uma arma fatal. Qualquer um atingido por mim, não teria chance.
De repente dive a sensação de estar em um sonho. Não sei se você compreende essa sensação. Você sonha, certo? Pode até parecer real, mas quando você acorda, vê que tem muita diferença do sonho para a realidade. Tive aquela sensação de irrealidade. Podia ouvir e ver minha mãe, mas era algo estranho, como se eu não estivesse lá.
Eu sabia o que estava acontecendo. Conversei com minha psicóloga sobre isso e ela me disse que deveria arranjar um jeito de voltar a realidade quando isso acontecece.
– Mãe, me dá um tapa — pedi.
– O quê?
– Eu tô...
Minha mãe começou a me sacudi como se fosse uma boneca e nesse exato momento a coordenadora apareceu.
– Senhora Carla. — Ela nos encarou. — Entre.
– Mãe — a puxei antes de entrar. — por favor, não diga nada sobre meus transtornos.
– Tudo bem.
Esperei 15 minutos antes de minha mãe sair da sala.
– Vamos embora — ela disse.
– O que houve?
– Nada. Apenas vamos.
Pegamos o ônibus e minha mãe continuava sem falar nada. Até finalmente dizer:
– Quando chegarmos em casa, lembre-me de ligar para sua psicóloga.

Notas finais
O que será que vai acontecer no dia seguinte?