Além da Morte
25 Capitulo 9
Notas iniciais
POV. Bella.
Respirava com dificuldade, não conseguia sequer começar uma história a qual nem eu a conhecia direito. Meus filhos me encaravam de forma intensa, aguardando uma resposta concreta depois de 15 anos escondendo.
– Respira, amor. – Alice pediu calmamente. Apertou minha mão de leve e assenti. Ergui-me não aguentando ficar sentada. Fiquei andando em círculos por um breve período de tempo e comecei a falar.
– Quando Bonnie propôs uma gravidez a Alice, eu rejeitei de imediato. – Meu coração deu um pequeno aperto ao lembrar aqueles dias horríveis. – As consequências eram maiores do que as vantagens. Eu estava completa com minha filha. Nessie era um presente maravilho e Alice estava bem. Arriscar a vida da mulher que amava estava fora de questão.
– Eu tenho algumas lembranças desses dias. – Nessie me olhou com pena.
– Você nos rejeita tanto assim? – Dean questionou sádico.
– Deixe-a terminar. – Nathan me defendeu. Fiquei sem graça, mas continuei.
– Alguns dias depois deu negar, tive uma discussão com Bonnie. Vi minha melhor amiga, madrinha e irmã sumir de minha vida e eu não correr atrás. Queria que nunca mais voltasse, que fosse viver sua vida e me deixasse em paz. Mas ela deixou algo. – Olhei para Alice, que sorriu de leve acariciando a barriga lisa, recordando daqueles dias.
– Bonnie lançou o feitiço em mim, ninguém desconfiava disso até Bella contar sobre tudo. Eu fiquei eufórica, estava me explodindo de felicidade. Um milagre! Sim, eu considerava aquele bebê em meu ventre um milagre! – Sorriu para os meninos.
– Mas eu não concordei. – Dean conseguia me odiar ainda mais. – Eu descobri os riscos, eu sabia que perderia a mulher que amava. Quando desmaiou e acordou como humana... Foi à gota d’água! Eu precisava tirar quilo de dentro dela.
– Coisa. – Alice riu. – Era assim que Bella se referia a vocês, que na época era apenas um. – Ainda se emocionava ao lembrar. – Ficamos brigadas por muito tempo. Não admitia que chamasse meu pequeno milagre de coisa ou que ousasse a retirá-lo de mim. – Recordou-se daqueles momentos.
– E você a defende com unhas e dentes. – Dean ironizou para o irmão. – A mulher que fez de tudo para que fosse morto! – Me controlei.
– Vocês não se adaptavam ao corpo de sua mãe, se remexiam inquietos e fraturavam suas costelas. Eu os odiei sim, com todas as minhas forças. A mulher que eu amava estava quase morta em cima de uma cama, sedada e roxa! – Joguei em sua cara. Dean ficou quieto e encarou a mãe com culpa. – Mas durante uma briga... – Sorri de leve.
– Bella ouviu uma voz diferente, pensou ser algum de nós, mas na verdade era você, Nathan. – Acariciou a mão do nosso caçula. – Foi você que a fez mudar de ideia e, pela primeira vez, ajoelhar em minha frente para beijar meu ventre. – Se emocionou. Vi Dean fechar ainda mais a cara.
– Por isso essa ligação que temos é tão forte. – Me olhou sorrindo. Assenti.
– Mas infelizmente minha esposa tinha apetite sexual, mas quando grávida ganhou ainda mais. – Nessie e Nathan riram. – Transamos uma vez. Foi intenso e maravilhoso, como a primeira vez, mas eu quase a matei! – Fechei meus olhos. – Eu nunca mais a toquei depois daquele dia.
– Foi a pior coisa que me aconteceu. – Alice fez cara de decepção e os meninos riram. – Bella temeu que algo me matasse, ou melhor, que ela o fizesse.
– Quando Alice ainda estava internada eu recebi uma “revelação”. Bonnie me levou ao mundo paralelo e me deu o recado. – Trinquei os dentes.
– Que recado? – Dean quis saber.
– Meus filhos faziam parte de um plano. – Fechei os olhos ao relembrar aquilo. – Um dos gêmeos o poder é psíquico, já ou outro possui o físico. Ambos fazem parte da missão. Uma profecia: “Dos dois, apenas um governará. Por milênios esse líder foi esperado, ele deverá pertencer aos três mundos para dominá-los com maestria.”.
– Só isso? – Nessie quis saber.
– A outra morrerá. – Minha garganta fechou ao pronunciar isso.
– Então é isso? – Dean se ergueu e fechou os punhos com força. – Por causa daqueles idiotas dos Volturi vou perder minha família? – Estava estressado.
– Precisamos pensar em alguma coisa, um plano! Não posso perder vocês. – Alice estava desorientada.
– E você? – Ele me encarou.
– Eu não sei o que fazer, mas prometi a minha esposa que não deixaria nada de ruim acontecer.
– Ao seu filho? – Indagou.
– Sim, porém o certo seria AOS meus filhos. – Andei em sua direção sem entender. – Então é isso? – Indaguei.
– Isso o que? – Perguntou confuso.
– Todo esse ódio, essa repulsa por mim... – Fiquei sem acreditar. – Você sentia ciúmes do seu irmão?
– Não, eu sentia nojo de você! E a história contada de sua boca só piorou a situação. – Rosnou. Ri de leve e andei em sua direção. Tentou se desvencilhar de mim, mas o prendi com as duas mãos.
– Dean...! – Me cortou.
– Eu me lembro de cada palavra dita enquanto estava no ventre de minha mãe! – Fiquei surpresa. – Eu me lembro de cada discussão, de todos os momentos em que tentou convencê-la que deveria nos tirar! – Riu sem humor. – Quantas vezes a fez chorar por conta disso? – Se desvencilhou de mim. – Dizer que se arrepende não vai me convencer!
– Quando era pequeno você me amava. – Disse o óbvio.
– Pensei que poderia esquecer aquilo. Mas os dias iam passando e as lembranças só se intensificando! – Seus olhos ficaram em fúria. – Veja só que irônico você terá que escolher um de seus filhos para morrer, não seria surpresa se Nathan fosse o verdadeiro herói, afinal de contar você o conhece melhor, o ama. – Não estava acreditando em suas palavras.
– Dean...
– Não quero ouvir suas desculpas, Isabella. – Me olhou com nojo. Meu coração apertou. – Você só voltou atrás por ter ouvido o pensamento dele, caso contrário nos odiaria até o nascimento, quem nos garante que depois também? – Indagou algo coerente, que não sabia responder. – Vamos, diga algo! – Exigiu.
– Eu... – Fiquei muda.
– Diz que nos ama, mas é da boca pra fora! – Cuspia tais palavras em minha cara. – E se Alice morresse? Hãm? – Me desafiou no olhar. – Se ao nascermos Nathan, ou até mesmo eu, matássemo-la? Você ainda diria que nos ama ou sumiria com Nessie do país? – Se aproximou e apontou o dedo em minha cara. – Você não merece o amor de Nathan, ele é um idiota que não vê isso, mas eu... Não, você não me engano fácil!
– CHEGA DEAN! – Nessie gritou com o irmão.
– Chega? Claro, você foi à menina de ouro! Nunca trouxe nenhum problema e sempre foi amada, desde o inicio! – Riu sozinho e de forma irônica. – Se aproveitou de ter duas mães vampiras, teve duas mães que salvaram sua vida, não uma que tentasse te matar! – Seu veneno era puro, e estava espalhando para todos os lados.
– Você não sabe o que está falando! – Nathan se ergueu e tentou me defender. – Eu me comunicava com nossa mãe, eu sentia sua dor, seus medos! Pensa que só Alice tinha isso? Cada costela que nossa mãe quebrava o coração de Bella se partia em 3 vezes mais. Cada lágrima de dor derramada era como se sua vida fosse arrancada aos poucos. Bella foi à única que pensou em nosso desenvolvimento normal ao transformar Alice em sua espécie. – Me olhou com ternura. – Tenho certeza que nos amaria apesar de tudo.
– Mesmo tirando a vida da mulher que ama? Da mulher que nem mesmo a morte foi capaz de tirar? – Negou. – Não creio que isso fosse possível.
– Dean, não fale assim. – Alice não sabia o que fazer, queria se aproximar, mas temia a reação do filho. Eu estava parada feita estátua, sem dizer nada, apenas tentando processar cada acusação e defesa.
– Você a honra e idolatra como se fosse uma rainha, mas ela te sentenciou a morte diversas vezes!
– Não... – Ia me defender, mas não permiti.
– Está certo. – Ficou surpreso com tais palavras. – Eu quis que vocês morressem no instante em que soube da gravidade do risco. Se não fosse pelo comunicado mental eu teria arrancado vocês a força de Alice. Eu bolaria um plano qualquer, mas vê-la se matando assim... – Ri sem humor. – Passei 50 anos sozinha. Vivendo apenas com metade da minha vida humana gravada em uma tatuagem em meu corpo. – Alice sorriu de lado, tímida. – Eu não me lembrava de nada, apenas sentia um vazio em meu peito... Depois que a encontrei e pude entender que era ela a razão da minha solidão... – Ri levemente e neguei. – Eu não poderia perdê-la, não de novo! – Olhei no fundo de seus olhos. – Eu não deixaria que nada a tirasse de mim, escutou bem? – Me aproximei lentamente de seu corpo. – Eu não poderia a perder pela segunda vez. E tê-los comigo só pioraria minha situação! – respirei fundo, mas sem tirar meus olhos dele.
– Depois pedem para parar... – Me devolveu o olhar.
– Eu abandonaria minha família, provavelmente deixaria Nessie aos cuidados de minha mãe e seguiria minha vida sem rumo. Não aguentaria olhar para ela e enxergar minha esposa. – Fitei minha filha, que apesar de ser muito parecida comigo fisicamente, seu corpo e sua mente eram idênticas a de Alice. – Eu me isolaria e ficaria aguardando minha morte. Se não fosse natural, quase impossível, provocaria a fúria de algum vampiro, lobo ou bruxo. Entraria na frente de uma bala ou em uma guerra. – Alice andou até Nessie e a abraçou de lado. – Mas sabe de uma coisa, Dean? – O olhei séria. – O SE sempre foi causador de muitos problemas que nem existem. SE eu não tivesse doente? SE Alice tivesse aparecido antes em Forks, o que aconteceria? SE eu me entregasse sem medo? SE eu não descobrisse sobre os vampiros e lobos? SE eu não morresse? SE eu não fosse uma híbrida? SE eu tivesse sido criado pelos meus pais biológicos? – Ri levemente. – Fui odiada por minha mãe nos últimos meses de gravidez, e SE eu não tivesse a perdoado?
– Por que está falando assim? – Quis saber.
– SE eu não amasse minha esposa ao ponto de fazer suas vontades hoje não estariam aqui. SE seu irmão não tivesse se comunicado comigo, eu me sentiria ainda pior por não curtir o que sobrou da gravidez da minha esposa. – Sorri levemente e toquei a face do meu menino. — Seu irmão é o responsável por todo o sentimento que tenho por vocês dois, mas ele não é o único para me fazer querer morrer no lugar da minha família. –Não deixei que se afastasse. – Você foi o primeiro a nascer, batizado por Alice, mas segurado por mim! Eu o retirei da barriga de Alice, o limpei com cuidado. Você só parou de chorar quando enfim deitou em meu colo. – Fui narrando tudo o que aconteceu. – Você é o mais parecido comigo, é mais Salvatore do que Nathan. Você tem personalidade forte, viril, ativa.
– Traduzindo, você é uma Bella masculina. – Nessie riu sozinha, com lágrimas nos olhos.
– Você... – Não tinha argumentos. Sua pose de durão foi embora, parecia constrangido.
– Você invejava a ligação que Nathan e eu temos... – Estava descrente com tudo aquilo. – E eu não sabia o que fazer para chamar sua atenção, Alice era o seu porto seguro, eu não tinha vez.
– Você sentia ciúmes de mim? – Perguntou inseguro.
– Você é meu filho, Dean. – Uma lágrima rolou por sua face.
– Mas tudo é com Nathan! – Esbravejou. Ri levemente. – Vocês dois... – Alice sorriu de lado e Nessie não sabia se ria ou consolava o irmão.
– Você nunca deu uma chance para nossa mãe, Dean. Apegou-se a Alice por que pensou não ter vez com Bella. A odiava sem motivo! – Nessie segurava o riso. – Para de ser idiota, a abraça e façam as pazes. Temos que concentrar a raiva em um único inimigo. – Foi racional.
– Eu... –Ficou mudo me encarando sem graça. O puxei para um abraço forte e apertado. O senti amolecer em meu colo e beijei seu ombro com carinho.
– Você é meu bem mais precioso. O amo tanto quanto Nathan e Nessie. Perdoe-me se um dia deu a entender o contrario. Por favor. – Pedi com lágrimas nos olhos. Não disse nada, apenas me abraçou forte.
– Me perdoa. – Desde seus 6 anos de idade não escuto isso dele. Sorri de lado e o apertei o máximo que pude. O senti perder a resistência que tinha comigo, mas sabia que ainda tínhamos muito que conversar.
– Fico feliz que finalmente tenham se entendido. Era difícil entender o ódio que você tinha pela Bella. – Bonnie surgiu do nada. Soltei-me assustada e a encarei intensamente. – Sinto em lhe informar, mas o nosso tempo de sossego acabou. Precisamos iniciar o treinamento antes que seja tarde demais. – Suspirei.
– Mas quem será o escolhido? – Nathan perguntou receoso.
– Como já disse, não é algo que se aponte e escolha. Bella é vital nessa decisão, preciso que iniciem o treinamento o mais rápido! – Suspiramos juntas.
– Então vamos? – Alice perguntou abraçando os filhos e recebendo um beijo e Nessie.
– Temos muito o que pesquisar. – Nathan assentiu. Meus filhos viraram as costas e Alice se juntou a mim. Grudou nossos corpos e logo em seguida a boca. Não dissemos nada, apenas nos beijamos ali, curtindo nosso momento e tentando aliviar a tensão que estava pairando em nós agora pouco.
– Pensei que veria minha família dividida. – Neguei.
– Estamos bem agora. – Não queria conversar, apenas beijar seus lábios macios. Sentir sua textura e apreciar seu sabor.
– Precisamos ir. – Indagou sorrindo de lado em meio aos beijos.
– Sério? – Riu.
– Vamos, amor. – Puxou minha mão, mas paramos de repente.
– Será... Será que podemos conversar? – Bonnie questionou com um olhar sofrido. Alice entendeu tudo, deu-me um beijo rapidamente e nos deixou as sós.
– O que quer? – Perguntei sem entender. – Mais alguma praga ou é um feitiço que não quero e você vai jogá-lo mesmo assim? – Vi que ficou ainda mais envergonhada, triste e sem o que falar. Não conseguiu olhar em meus olhos, mas sentou-se a beirada do abismo e fitou o horizonte.
– Sinto falta da minha afilhada, melhor amiga. – Sorriu triste. – Sinto a sua falta. – Olhou em meus olhos.
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