Além da Morte
8 Capitulo 8
Notas iniciais
POV Bella.
Jake demorou por volta de trinta minutos, ou mais, para chegar. A primeira coisa que ouvimos foi sua moto, o incrível e barulhento barulho que faz mesmo estando a distancias. Ri levemente e logo puxei minha namorada.
– Vamos lá para fora. – Enlaçou minha cintura e saímos de casa.
Olhei para frente e vi-o ali, lindo como sempre. Meu irmão.
– Jake. – sorriu abertamente quando me viu. Subiu as escadas e me abraçou apertado.
– Como senti sua falta, baixinha. – bati em suas costas e ri.
– Digo o mesmo, cachorro. – nos separei e acariciei seu rosto. – Está diferente. – Comentei e ele me olhou sem entender. – Está mais homem, mais forte, mais alto. Você cresceu mais nesses 4 meses? – perguntei e ele riu.
– Se não tivesse sumido não repararia nisso. – beijou minha testa. – Você está bem? Charlie contou para meu pai o que aconteceu, fiquei preocupado. – Olhou de lado e encontrou a minha namorada. – Ah, oi. – Falou sem graça.
– Jacob essa é minha namorada, Alice. Amor, esse é meu melhor amigo, Jacob. – Os apresentei formalmente e logo se cumprimentaram do jeito deles. Um aperto de mão. Nos sentamos na escada e Alice ficou em pé ao meu lado.
– Estou sim, os Cullen estão cuidando bem de mim. – assegurei e ele olhou para Alice.
– Obrigado, Bella é a irmã que nunca pensei que teria, obrigada por cuidar dela. – ela assentiu sorrindo, mas não disse nada.
– Alice, meu amor, pode nos deixar as sós um pouco? – olhei para cima e ela assentiu contragosto. – Juro que não vou demorar. – assentiu e entrou.
– Quer me falar algo? – assenti.
– Na verdade quero que me jure algo. – me olhou atentamente. – Cuide dela por mim. – arregalou os olhos. – Eu sei que não vou ficar muito tempo aqui e quero ter uma garantia que ela esteja segura e a salvo de perigos. – pedi segurando em suas mãos.
– Bella, ela é uma vampira e... – Começou a argumentar.
– E você vai fazer o que estou pedindo. – Falei mandona e ele sorriu derrotado.
– Prometo fazer meu melhor.
– Não, não quero seu melhor, quero O MELHOR. – riu. – Vá com eles, viaje pelo mundo e mate vampiros maus que você ver matando pessoas inocente, mas a proteja de todo o perigo, não quero morrer sabendo que a deixei desprotegida. – pedi novamente.
– Ela é vampira, tem uma família de vampiros, eu não serviria de nada. – justificou.
– Claro que sim, seu cheiro afasta qualquer vampiro que se aproxima, não precisa lutar por ela, só a manter afastada dos perigos. – olhei nos seus olhos e implorei mais uma vez. – Por favor, se não for por ela, coisa que sei que não é, seja por mim, sua melhor amiga. – Riu levemente e assentiu.
– Ok Bella, farei o que me pediu. – o abracei fortemente. – Você acha que não dura muito? – perguntou triste.
– Eu não sei se passo de hoje. – eu sabia que não passaria. Algo me dizia isso.
– Bells... – me olhou chocado.
– Jake... – o imitei e rimos.
– Você é minha irmãzinha, não... Não posso te perder. – Suspirou e me apertou. – Por favor, não...
– Me desculpa. – Pedi já sabendo o que iria falar. – Se pudesse controlar, se tivesse como eu permanecer viva... – Entrelacei nossos dedos e beijei suas mãos. – Você realmente é um irmão, Jacob. Sempre me protegeu e sempre quis meu bem. Me desculpa esconder isso de você por tanto tempo. – Acariciou meu rosto com tanta delicadeza que acabei chorando.
– Os meninos da reserva sabem de tudo. – Assenti. – Eles quiseram vir, mas obriguei a ficarem lá. – O olhei divertida.
– Mandando agora, Jake? – Ficou envergonhado.
– Sam queria ordenar os recém transformados a fazerem rondas a noite. Eram apenas crianças, Bella! – Suspirou e dessa vez eu acariciei seu rosto. – Discutimos e acabei assumindo meu devido lugar. O de Alfa. — Sorri orgulhosa.
– Meu melhor amigo é o chefão dos lobos. Uau. – Rimos. Vi meu amigo relaxar um pouco e isso me alegrou. Mesmo depois de tudo saber que ainda sou capaz de tirar um sorriso dele... Ah, não tem preço. – Jake. – Me olhou ainda com aquele sorriso, lindo e meigo, nos lábios. – Eu te amo muito. – Me olhou sério e foi sua vez de beijar minhas mãos.
– Eu vou cuidar bem dela. Eu prometo. – Sorri agradecida. – Eu te amo! – Nos levantamos e ficamos um bom tempo abraçados. – Você vai fazer muita falta. Muita. – Chorou em meu ombro e tentei consola-lo, mas quem sempre consolou quem foi ele. Ele é meu porto seguro. – Mas tente voltar para nós, ok? – brincou e eu ri.
– Não prometo nada. – Me deu um beijo na testa e olhou em meus olhos.– Eu te amo, Jake. Muito – sussurrei em seu ouvido.
– Eu te amo, Iza. – Bati nele que logo riu. Soltou-me e foi para sua moto e saiu sem olhar para trás.
– Pronto. – falei ao entrar na sala. – doeu? – perguntei a ela.
– Idiota. – Andou até onde eu estava e me deu um leve beijo. – O que tanto conversou com ele? Falava tão baixo que... – se calou.
– Ouvindo minha conversa dona Alice? – riu sem graça. – isso foi muito feio heim. – todos ali riram.
– Okay, desculpa. – Pediu sem graça. – Mas, pelo amor de Deus, vá tomar um banho! – Torceu o nariz e Rose concordou. Revirei os olhos e logo obedeci minha amada namorada.
[...]
O dia passou tranquilamente, mas aquela dor em meu peito sempre voltava e sumia rapidamente. E meu pressentimento estava cada vez mais certo...
– Meu amor. – Alice me chamou.
– Sim. – sorri para ela e enlacei sua cintura. – Fale minha razão de viver. – beijei sua testa.
– Está com fome? – perguntou rindo. – Você é uma idiota, sabia? – me bateu.
– O que foi que eu fiz? – Perguntei sem entender.
– O que é isso? – apontou para o meu braço, na verdade era na parte inferior dele, um pouco escondido. Tinha uma letra tatuada ali, uma letra de uma palavra que eu havia feito há quase quatro meses.
Eu havia feito uma tatuagem para homenagear e eternizar a mulher que amo em meu corpo. Queria ter ela para sempre em mim, tanto em memorias como em imagens visíveis aos olhos de todos.
– Você é sem graça. – fechei a cara e me sentei no sofá, perto de todos da família Cullen.
– Me responda. – sentou em meu colo. Suspirei derrotada e levantei a manga da minha blusa, Alice arfou ao vê-la. Era uma pequena imagem de seu rosto e com seu nome escrito embaixo. – Bells. – sorriu. – Isso é lindo...
– Fiz há alguns meses. Não sei como você não reparou enquanto eu dormia– dei de ombro. – Queria lhe mostrar no natal, mas como dezembro está um pouco longe... – rimos e me beijou.
– Eu te amo. – colocou sua cabeça na curva do meu pescoço.
– Não mais que eu. – beijei seu ombro.
– Venha comer Bells. – Esme me chamou carinhosamente. Levantei do sofá com Alice em meu colo.
– Pode me colocar no chão? – pediu entre risos.
– Claro. – beijei sua testa e a coloquei no chão.
POV Alice.
Eu realmente fiquei impressionada com aquela tatuagem que Bella fez, era perfeita!
– Alice, eu preciso te falar uma coisa. – Bella chamou minha atenção logo após terminar seu jantar e voltarmos para sala.
– E o que seria? – perguntei curiosa.
– Há alguns meses você me pediu uma coisa e eu a neguei. Achei que seria errado e muito egoísmo de minha parte, mas hoje vejo que é o correto e certo, pois eu não tenho certeza maior do que essa. – eu realmente não estava entendendo nada, mas fiquei petrificada ao vê-la tirar uma caixinha do bolso e se ajoelhar em minha frente.
– Bells... – me calei diante seu olhar.
– Eu não sou a pessoa mais rica do mundo, não sou a pessoa mais inteligente e muito menos a que tem a maior saúde. – ironizou. – Mas pode ter certeza, sou a pessoa que mais lhe ama nesse universo. Meu maior sonho não seria casar e ter filhos, mas sim poder passar mais um dia com você sem me preocupar com nada, mas já que não posso controlar isso eu me contento e ficaria imensamente feliz em saber se você aceitaria ser minha, somente minha. – abriu a caixinha e mostrou um lindo anel com uma linda pedra de diamante. – Sim, pode não parecer, mas é verdadeira. – todos nós rimos. – Para você isso pode até apenas uma joiazinha, mas em seu dedo significará muito mais do que isso para mim. Alice, minha joia rara, aceita essa humilde humana, doente e sem onde cair morta, como sua esposa? Como sua mulher para o resto da vida? – perguntou. Eu ainda estava em choque, minha mão estava em minha boca de tamanha surpresa. – Sei que posso não passar de hoje, mas ao menos me de uma resposta. – implorou.
Assenti positivamente com a cabeça.
– Sim, sim, sim... SIM! – Gritei. Ela sorriu e se levantou. Colocou o anel em meu dedo e o beijou. – Eu aceito até mesmo depois da morte. – sorriu lindamente.
– Agora sim, eu posso morrer agora que morreria feliz. – falou antes de me abraçar fortemente. – Eu te amo, Alice Cullen. E esse amor é ALÉM DA MORTE.
– Eu te amo, Isabella Cullen. – riu e voltou a me beijar.
– VIVA AS NOIVAS! – Emm gritou e todos aplaudiram a gente.
Um a um veio nos cumprimentar e nos desejar felicidades. Mas Isabella estava diferente, respirava com dificuldades, isso eu percebi.
– Acho melhor leva-la para cama. – falei preocupada
– Nem casamos e já quer pular para a noite de núpcias? – perguntou maliciosa e Emm explodiu numa gargalhada.
– Engraçadinha. Mas eu vejo que esta cansada, é melhor irmos para cama. – Ela me abraçou e beijou meus lábios.
– Vou aonde você for. – sussurrou em meu ouvido. Sorri para ela e a ajudei a subir as escadas.
Chegando ao nosso quarto a coloquei delicadamente na cama e deitei-me ao seu lado. Bells me puxou para ela e me colocou sobre seu peito. Ali eu pude ouvir seu coração batendo rápido.
– Seu coração... – falei preocupada.
– Sempre se acelera quando estou com você, você que não percebe. – beijou minha cabeça. Pegou minha mão e beijou minha aliança. – Obrigada por tudo.
– Eu que lhe agradeço. Isabella. – falei seu nome lentamente.
Ela levantou meu rosto e se aproximou lentamente de mim, me pegou pela nuca e puxou-me para ela colando nossos lábios. Um beijo calmo e sereno que logo foi se transformando em feroz e vulgar. Ela sempre tentava aprofundar o beijo, só que hoje foi mais ainda. Parecia um beijo de...
– Bells. – nos separei. Meus olhos com certeza estavam negros.
– Me desculpa. – a vi fechar os olhos e se aconchegar ali. Apertou-me bem em seu peito e eu encostei meu ouvido em seu coração. – Não se esqueça de mim, por favor. – implorou enquanto cheirava meu cabelo.
– Você é a minha vida, Bells. Impossível lhe esquecer. – solucei, eu sentia que algo estava errado. Ela me acalmou e antes de cair no mundo dos sonhos sussurrou.
– Eu te amo, como nunca amei ninguém. Espero que nunca se esqueça. – Riu.
– Como esquecer a pessoa que me deu motivação para viver? – Perguntou. — Eu também te amo, meu amor, minha vida. – senti que seu coração se acelerava, eu não consegui controlar meus soluços, eu estava perdendo-a ali e não podia fazer nada. – eu imploro, não se esqueça de mim. – Seu coração diminuiu as batidas até ficar fraco, sua respiração era forte e ofegante. Subi até seus lábios e beijei-os mais uma vez.
Voltei minha cabeça para seu colo bem a tempo de ouvir a sua ultima batida... E foi assim, sem nenhum tipo de dor ou angustia que a vi partir para nunca mais voltar... Seus braços deslizaram por minha cintura até cair moles na cama.
– Eu sempre vou te amar. – não consegui controlar meus soluços, era nessa hora que eu me condenava por ser uma vampira e não poder chorar de verdade, demonstrar verdadeiramente a dor que eu sentia.
Poucos minutos depois minha família subiu as escadas e me viu ali, chorando em cima de seu corpo já sem vida.
– Alice, querida, venha comigo. – Minha mãe pediu. Neguei com a cabeça e me apertei mais a ela. – Ela já se foi, querida, não adianta ficar aqui.
Carlisle se aproximou e verificou que não havia como trazê-la de volta a vida.
– Sinto muito, pequena. – Beijou minha testa e acariciou o cabelo de Bella. – Mas sua mãe está certa, ela...
– Eu quero sentir o máximo dela, deixe-me sentir o que resta de seu calor em seu corpo, por favor. – enterrei minha cabeça em seu pescoço e inspirei o seu aroma. Ele ainda estava lá, meio fraco, mas estava lá. – Eu te amo, Sra. Cullen. – Minha família foi saindo um por um até restar somente Emmett.
Ele se aproximou e fitou o rosto de Bella.
– Ela não sentiu dor. – constatou ao ver que tinha até um pequeno sorriso nos lábios.
– Ela morreu dormindo, Emm. – solucei mais uma vez. Ele me abraçou e retirou-me de cima dela. Seu corpo já estava ficando frio e seu cheiro já não estava ali. – Me deixe... – implorei.
– Não, tenho certeza que não seria isso que ela gostaria. – me abraçou forte. Eu realmente estava precisando disso, um abraço...
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