Além da Morte
24 Capitulo 8
Notas iniciais
POV. Bella.
Depois de todo o desespero do nascimento e transformação de meus filhos e esposa, tudo voltou “ao normal”. Minha família estava lá, reunida e perfeita. Tendo implicâncias como qualquer outra e a cumplicidade jamais vista. Alice, depois que se transformou, teve seus poderes ampliados. Conseguia enxergar através dos lobos e híbridos. Conseguia a sentia mais poderosa, o que me dava mais orgulho. Treinava seus poderes para ampliá-los, queria ver se enxergava o passado, o que seria uma evolução tremenda. Mas eu sabia que tantos esforços, tanto dos poderes como nas lutas, não era somente por si, mas para nossa família. Ela temia pela profecia.
– Você acha que Bonnie disse é verdade? – Alice questionou deitada em meu peito.
– Sobre a profecia? – Assentiu. – Não sei. – Lamentei. – Mas não deixarei que nada magoe minha esposa. – Riu levemente. – e nem machucar nossos filhos. – Suspiramos.
– Temo pela vida de nossa família. Não quero ter um confronto com os Volturi, não agora quando tudo está se ajeitando. Nossa família reunida novamente, nossos filhos crescendo e tudo se normalizando. – Fechou os olhos com força, queria chorar.
– Nada de ruim vai acontecer, por favor, acalme-se. – Pedi. – Ficamos tantos anos sem eles nos perturbando, fique calma.
– Eu já te perdi por 50 anos, não consigo parar de pensar na possibilidade de perder nossos filhos, você ou Nessie para sempre. – Me abraçou forte e começou a chorar. Fiquei sem reação, não sabia o que falar. Apenas a abracei forte e tentei acalma-la com carinhos em sua cabeça.
Havia se passado 15 anos desde o nascimento dos meninos. E nesse meio tempo a personalidade de cada um dos meninos e Nessie foram se formando, aperfeiçoando ou até mesmo modificando. Por exemplo:
Dean se tornou um homem lindo, com seus olhos verdes e cabelo castanho, pele clara e corpo avantajado, conquistava qualquer uma. Era atirado, sem papas na língua e defendia nossa família a qualquer custo. Era o do meio, mas se sentia responsável pela irmã e sempre a protegeu como um verdadeiro irmão mais velho, era quase um pai. Ciúmes exagerados fazia Jacob ter problemas com minha filha, achava até engraçado as implicâncias. Dean era do tipo que adorava se arrumar e sair a noite, tomava Whisky como se fosse água e não sentia o efeito, gostava do sabor, era o que dizia. Dava-se bem com todos, era imperativo e comunicativo. Apegado ao meu pai Damon, claro, era uma cópia dele. Mas entre eu e Alice... Não tinha como competir, Alice sempre teve sua atenção, sempre teve seu amor incondicional e ninguém poderia falar mal da mesma. Eu sentia que não tinha muita moral com o mesmo, ele deve sua vida a Alice, eu sei, mas... Doía ver que não sentia o mesmo carinho por mim.
Já Nathan... Ele era uma cópia de Alice, mas eu era a sua predileta, sempre apegado e me obedecia em tudo, igual à Alice, mas eu o tinha com mais facilidade do que a própria. Era um homem charmoso, olhos azuis e cabelo negro, tinha um sorriso angelical, ao contrario do irmão que era malicioso. Nathan se reservava ainda virgem, se guardava para o momento certo, igual sua mãe fez comigo. Não gostava de beber, mas entre a família dava uma brecha e se enturmava. Amava todos, e tinha uma admiração muito grande pela irmã. Aprovava a relação dela com Jacob, dizia ser um bom homem, mas tinha seus ciúmes e limitava algumas coisas. Era atencioso e sempre prestativo a ajudar quem quisesse. Meu filho não era de ter muitos amigos. Namoradas? Nenhuma foi apresentada, mas eu sabia que nutria uma paixãozinha por Jullia, uma garota da escola. Se Damon tinha Dean, Stefan tinha Nathan para suas conversas diárias e expor com orgulho. Alice o amava assim como seu irmão, mas dessa vez era ela que notava a minha ligação com nosso filho.
Nessie... Ela continuou do jeito que sempre foi. Educada, linda, gentil, uma verdadeira mulher. Descobriu tudo sobre os Lobos e o que Jacob sentia por ela. Ficou assustada, mas aceitou isso. Sei que no inicio foi difícil, mas Jacob soube ser paciente e cuidadoso. O mesmo a deu opções, a deixou ser feliz e conhecer o mundo antes, mas ele foi e sempre será o primeiro amor, eu sempre soube disso, guardava esses segredos a mim. Nessie sonhava em ser transformada aos 18 anos, queria ficar para sempre ao lado de Jacob e ao nosso. O mesmo ficou receoso, eu ainda mais. Mas Alice achou a ideia maravilhosa, sempre temeu o dia em que nossa filha envelhecesse e acabasse morrendo. E assim foi feito.
Aos 18 anos minha filha sofreu a dor da transformação. Escolheu ser como eu, ainda queria comer comida humana e ter a possibilidade de filhos. Ficar ao seu lado durante esses dias foi doloroso, Alice não aguentou e Jacob tentou, mas acabou correndo para mata. Dean e Nathan foram fortes, mas eu fui a única a ficar até que seus olhos se abrissem. Nessie acordou assustada, estava sem fôlego, mas me abraçou fortemente antes de tudo. “Você foi a primeira Salvatore que vi quando pequena, e está sendo novamente a mesma que vejo em minha nova vida”. Isso só fez nosso laço aumentar. Então não preciso dizer que ninguém falava mal de mim ao seu lado, certo? Nessie era do tipo que adorava uma balada com Dean, mas trocava a noite por uma manhã calma e com filmes, jogos ou treinos com Nathan, porém abria mão para ter uma tarde com seu amado. Eu sabia que esse trio de rapazes disputava a sua atenção, a deixando louca, por isso, algumas vezes, eu e Alice a salvávamos dessa disputa tendo um dia de garotas.
– Mãe? – Dean entrou em nosso quarto, sem bater, e viu a mãe naquele estado. Apesar de 15 anos, meus filhos aparentavam 18 facilmente. Seu olhar em mim foi intenso, mas o segurei firme e não me abalei com aquilo. – O que aconteceu? – Quis saber se aproximando. Alice tentou se recompor e logo se ergueu. Foi ao seu encontro e o abraçou forte. – Mãe? – Ficou sem entender.
– Eu só quero te sentir, por favor, não fale nada. – Pediu soluçando.
– O que você fez? – Perguntou-me furioso.
– Sua mãe anda preocupada, apenas isso. – Suspirei pesadamente. – Vou estar lá em baixo, qualquer coisa sabe onde me encontrar, amor.- Acariciei suas costas com cuidado. Recebi mais umas vez o olhar intenso de Dean, mas ignorei aquilo e desci as escadas. Encontrei minha menina encostada no peito do amado e Nathan conversando com o casal.
– Oi mãe. – Falou a me ver. Sorri triste, mas disfarcei rapidamente, porém Nessie e Nathan notaram.
– O que aconteceu? – Ela quis saber ao se soltar de Jacob, que me fitou sem entender.
– Nada. – Vi Bonnie entrando e parou bruscamente em minha frente. – O que foi? – Questionei sem entender nada. Edward correu para sala e logo toda a família se reunia ali. Vi minha esposa sendo amparada por Dean, mas seus olhos estavam presos a mim. – O que aconteceu? – Fiquei preocupada. – O que vocês viram? – Entendi o olhar perdido de minha esposa.
– Os Volturi. – Os três falaram em coro.
– E o que...? – Não terminei minha pergunta, tudo começou a se formar em minha mente. – Bonnie, o que você fez? – Rosnei raivosa.
– Nada, mas eles sabem sobre os meninos, Aro descobriu sobre a profecia. – Minha coluna gelou. – Existe uma vidente ao seu lado, está como prisioneira. – Lamentou.
– Por que não foge com os poderes? – Nessie questionou sem entender.
– Não é possível, a prisão é feita para pessoas como eu, poderes místicos. – Suspirou. – Eu a conheço.
– E quem é? – Quis saber.
– Esther. – Suspirou. – Uma das maiores bruxas que já conheci.
– De qual profecia estão falando? – Dean ficou sem entender nada. Amparou a mãe até sentar-se e me encarou sério.
Apesar de nossas implicâncias, Dean sabia que quando o assunto era luta, era a mim que deveria perguntar. Ia responder, mas senti Nathan ficar rígido e se erguer. Olhou-me intensamente e saiu correndo.
– O que foi isso? – Nessie questionou assustada.
– Vou atrás dele. Não conte nada ainda, Bonnie. – Ordenei. Assentiu e corri atrás do meu filho.
Segui seu rastro e o encontrei sentado à beira de um penhasco, olhando para o mar e com os olhos vermelhos. Seu corpo estava ali, ao chão, mas sua mente vagava em algum lugar.
– Quero ficar sozinho. – Falou ao piscar algumas vezes.
– Você deixou o caminho, queria que o encontrasse. – O acusei.
– Só não queria que se preocupasse. – Escondeu o rosto entre as mãos. Andei em sua direção e sentei-me ao seu lado. Fitei o horizonte juntamente a ele. Falei nada, apenas esperei que seu choro silencioso parasse.
– Eu sou um fraco. – Confessou no final. Fiquei sem entender. – Eu sou um fraco. – Voltou a repetir.
– Não, você não é um fraco! – Me virei e ergui sua face para encarar a minha. – Você é exatamente como sua mãe. Lindo, Educado, charmoso e inteligente. E... – Negou.
– Não é disso que me refiro. – Fiquei sem entender.
– Do que...?
– Dean é astuto, sagaz, inteligente em estratégias de luta ou fuga. Ele é malicioso e sabe liderar. – Entendi onde queria chegar. – Eu sei da profecia, eu infelizmente lembro-me de tudo que aconteceu antes e depois do meu nascimento. – Fiquei tensa.
– O que quer dizer? – Perguntei acariciando seus cabelos.
– Que um dos dois governará, enquanto o outro... – Neguei.
– Eu não vou deixar nada acontecer a vocês! Nada! – Riu sem humor.
– Meu destino já foi traçado mãe. O que adianta ser lindo, inteligente, educado ou charmoso sendo que não viverei para aproveitar disso? – Me encarou com lágrimas nos olhos. – Eu sou apaixonado por uma humana que namora outro, sei que não se amam, sei que sente algo além de amizade por mim, mas também sei que não posso me envolver com ela! Sei que posso estragar sua vida, a colocar em perigo ou coisa pior! – Deixou que as lágrimas rolassem. – Dean nunca pensou nas consequências, claro, para ele nunca chega, ele é o escolhido. Mas e para mim? Eu sempre soube que só existo para que ele vença. Nada mais! – Desabafou.
– Não fale isso, por favor. – pedi o abraçando forte. – Você existe para deixar minha vida completa, para fazer me lembrar de como fui idiota por odiar meus filhos um dia. Você existe para ser meu melhor amigo, aquele que confio tanto quanto minha esposa. – Nos separei e olhei em seus olhos. – Comunicar mentalmente não é para qualquer um. – Riu de leve.
– A senhora sabe... Temos quase 15 anos, minha aparência revela 18 e minha maturidade 40. Eu não sou burro, mãe, sei que está próximo. – Suspirou – Os Volturi já estão se preparando. Eu só quero que seja rápido e sem dor. – Neguei.
– Eu não deixarei que nada aconteça!
– Eu te amo, mãe. – Sorri. Secou minha face delicadamente, só ali percebi que chorava. – Mas quero que me prometa algo. – Assenti. – Que se for para escolher...
– Minha vida em troca da de vocês! – Negou.
– Dean! Ele é o líder, ele é o que saberá governar os três mundos!
– Para de pensar nisso, por favor. – pedi, implorei na verdade.
– Sua mãe está certa. – Bonnie apareceu.
Depois que meus filhos nasceram ela resolveu ficar. Com o passar dos anos voltamos a nos falar, mas não como antes, éramos apenas... Conhecidas.
– Bonnie. – Sorriu de leve.
– Você está certo, um só existe para o outro governar, mas sua mãe sempre faz o que promete, se ela falou que nada acontecerá a você, ela cumprirá. – Olhei no fundo dos olhos do meu menino e sorri de leve.
– Mas...
– Mas...? Para que pensar nisso? – Sentou-se do outro lado. – E quem te afirmou que o escolhido é o Dean? – Questionou.
– As evidências. – Riu.
– Isso não comprova nada. Para liderar é preciso força, cabeça, mas, acima de tudo, coração! – O fitou com carinho. – Os dois têm cada item desses, não será uma escolha fácil, por isso há uma prova, por isso existe um teste.
– E que teste seria esse? – Quis saber.
– Isso não sou eu a decidir nem falar. – Suspirou. – Só sei aquilo que contei a vocês. Apenas da profecia. Os Volturi precisam ser derrotados.
– Muitas mortes. – Conclui. Assentiu.
– Você precisa aproveitar sua vida ao máximo, Nathan, se acha que morrerá amanhã, por que se priva tanto da felicidade? – O questionou.
– Não quero ferir ninguém mais, minha família já é muito. –Lamentou.
– Nathan... – Acariciei sua face. – Para de querer ser eu. – Rimos. – Eu me privei tanto de amar sua mãe, perdi tantos dias preciosos ao seu lado quando ainda era humana... – Meus filhos sabiam da nossa história, diziam ser um exemplo do verdadeiro amor. – Não faça o mesmo, não vou permitir que desista sem lutar. – Suspirou.
– Isso então é verdade? – Dean surgiu do nada. Ergui-me e o fitei sem saber o que falar. – Um de nós morrerá? É isso? – Fiquei rígida, não queria que descobrisse assim.
– O que faz aqui? – Nathan tomou a frente.
– Vocês estavam demorando, pensei que precisasse de ajuda ou pedir desculpas, agi mal com você. – Me fitou intensamente, ele nunca se desculpou verbalmente, mas eu o conhecia o suficiente para entender quando estava arrependido de verdade. – Me responda!
– Filho... – Andei em sua direção, mas ergueu a mão e pediu para ficar onde estava.
– Só responda.
– Sim. – Negou. Sua cara ficou sem expressão.
– E quando pretendia nos contar? Ou melhor, me contar? – Respirei fundo.
– Me deixe a sós com os meninos, por favor. – pedi a Bonnie, assentiu e sumiu por entre a floresta.
– Anda! – Estava ansioso.
– Calma Dean. – Nathan intercedeu por mim.
– Calma? Você sabia da nossa sentença de morte desde sempre e nunca me contou! – Gritava furioso.
– Abaixe seu tom de voz. – Alice apareceu atrás de Dean e o mesmo encolheu os ombros. Nessie estava junto, me encarava sem entender nada. – Eu sabia. Nossa família inteira temia por esse momento. Preferi deixar tudo em sigilo para não assustá-los, Bella queria que tudo fosse normal, que tivessem uma vida normal. – Me defendeu e andou em minha direção. Abraçou-me de lado e beijei sua testa.
– Pelo visto teremos nossa primeira DR em família.- Nessie ironizou. Sentou-se onde seu irmão estava e ficou nos fitando. – Oras, se vamos ter uma história, acendam uma fogueira e sentemos em volta dela, fiquei curiosa. – Cruzou as pernas e esperou pacientemente. Ri levemente e apontei para que todos sentassem ao seu lado. Quando todos me fitaram atentos, Alice apertou fortemente minha mão e me abaixou ao seu lado. – Então? – Suspirei e sorri de lado.
– Era uma vez...
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