Além da Eternidade - 1° temporada
5 O começo da eternidade
Nós fomos conversando sobre tudo um pouco, a hora foi passando e o assunto acabando. Ficamos nos olhando em silêncio até que ela quebrou o mesmo.
Thayane: Você e a menina do churrasco namoram? – Fiquei surpresa com a pergunta dela.
Roberta: Não. – Ela apenas levantou suas sobrancelhas e balançou a cabeça em forma positiva dando um sorriso um tanto falso. – Por quê?
Thayane: Por nada, você tinha me dito que estava sozinha daí vi você com ela. – Sorriu sem jeito.
Roberta: Conheci ela naquele churrasco.
Thayane: Então você é o tipo que fica com meninas sem mesmo conhecê-las?
Roberta: Fico. Não é nada sério, apenas um ficar.
Thayane: Bacana. – E o silêncio invadiu o quarto novamente até que dessa vez eu o quebrei.
Roberta: E o teu noivo? Não o vi ainda.
Thayane: Meu noivo não mora aqui, mora em outra cidade.
Roberta: E como vocês ‘namoram’? – Ela sorriu.
Thayane: Quase não nos vemos. Ele trabalha na Bahia e eu aqui em São Paulo. Quando nos casarmos, daqui um bom tempo ainda, ficaremos juntos então.
Roberta: E você é fiel a ele?
Thayane: Sou.
Roberta: E ele é fiel a você?
Thayane: Isso eu já não sei. – Ela sorriu – Mas acredito que sim, ele é aquele tipo de cara que só trabalha e estuda, sabe? É de ‘família’ também, quer casar e ser de uma apenas, dar a ela tudo do bom e do melhor, por isso trabalha tanto, embora não precise.
Roberta: Sei, mas homem é tudo igual. Não podem ver um rabo de saia que o amor que eles sentem fica de lado. – Fiz cara de nojo. Ela sorriu.
Thayane: Prefiro não ficar pensando nisso.
Roberta: É, tem gente que não se importa em ser corna. – Ela falou em tom mais alto.
Thayane: O que? – Gargalhei.
Roberta: To brincando, guria! – Ela sorriu junto.
Thayane: Ah bom. Deve ser bom ser solteira, ficar com quantas garotas quiser, cada dia ficar com uma sem se importar com nada. – Percebi que ela destacou apenas o gênero feminino.
Roberta: Você não sente falta de carinho, beijo, sexo?
Thayane: Às vezes.
Roberta: E como faz pra passar a vontade dessas coisas?
Thayane: Não faço nada, apenas aguento. – Ela sorriu.
Roberta: Por que você não faz isso com uma guria? – de preferência comigo!
Thayane: Não gosto de traição, Beta.
Roberta: Traição seria se fosse com um homem, com guria é mais, como posso dizer? – Pensei um pouco – uma troca entre amigas! – Não acredito que falei isso. Ela riu.
Thayane: Então com homens não posso ficar, mas com meninas posso ficar com quantas quiser que não é traição?
Roberta: Claro. – Ela continuava rindo.
Thayane: Talvez. Mas eu nem sei se gosto de ficar com meninas, nunca fiquei.
Roberta: É simples ué, é só ficar com uma.
Thayane: Ah, muito simples né dona Beta?
Roberta: Eu não sei, mas eu sinto que você tem curiosidade de saber como é ficar com uma guria.
Thayane: Por que acha isso? – Ela desfez o sorriso.
Roberta: Não sei, talvez o meu gayzometro detectou isso. – Sorri e ela sorriu junto.
Thayane: Seu o que?
Roberta: É aquilo que detecta alguém do mesmo time que eu. – Ela caiu na gargalhada.
Thayane: E ele apitou quando me viu?
Roberta: Quase fiquei surda.
Thayane: Nossa. – Ela foi desfazendo o sorriso aos poucos – Talvez você tenha razão, desde que eu te conheci eu..- Ela me olhou rapidamente – digo desde que eu vi você ficando com a menina no churrasco..- ela desviou o olhar, estava um pouco confusa com o que falar e me confundia mais ainda – ah sei lá, eu vi você ficando e fiquei imaginando como seria ficar com uma mulher, com você pareceu tão normal, tão natural. – Ela estava nervosa.
Roberta: E não tem mistério mesmo. Acho que você devia experimentar, você não tem nada a perder.
Thayane: Ah, mas eu não conheço meninas lésbicas dispostas a matar a curiosidade de uma hetero.
Roberta: Na boate que eu toco o que mais tem são lésbicas a fim disso. – Merda, não devia ter falado isso! Senti ela um tanto desapontada.
Thayane: Qualquer dia eu dou uma passada lá então.
Roberta: Acho melhor teu primeiro beijo ser com alguém de confiança. — Tentei arrumar a besteira que fiz.
Thayane: Já disse que não conheço meninas lésbicas.
Roberta: Tem eu. – Não acredito que falei isso!
Thayane: Você? – Um pouco surpresa.
Roberta: É. Sei lá, a gente se conhece, eu to sozinha, sei do teu lado da história, já fiquei com meninas ‘heteros’. Se você quiser, claro. – É agora que eu levo um fora?
Thayane: Acho que com você seria perfeito. – Ela desviou o olhar – Como você disse né, a gente se conhece e tal. – Eu sorri.
Thayane: Eu aceito então. – Meu coração disparou ao ouvir ela dizer isso, eu estava nervosa e se bobeasse eu estava mais nervosa que ela, só não entendia o motivo.
Roberta: Agora? – Quase gaguejei.
Thayane: Por mim pode ser. – Agora ta tudo em minhas mãos!
Sentei mais perto dela na cama e ela não tirava seus olhos dos meus.
Roberta: Thay, eu não quero te forçar a nada, se você não.. – Ela me interrompeu.
Thayane: Eu quero! – Dava pra ver que ela realmente queria, mas estava muito nervosa. Levei minha mão até a bochecha dela e a acariciei.
Roberta: Não precisa ficar nervosa, ok? – Ela sorriu pra mim um pouco envergonhada e um pouco nervosa, mas não se moveu.
Aos poucos fui aproximando meu rosto do dela enquanto ela fechava seus olhos, sua respiração estava acelerada, selei meus lábios nos dela dando-lhe um selinho longo, logo entreabri meus lábios e ela fez o mesmo, deixei meu lábio superior entre os dela e o lábio inferior dela entre os meus e iniciei o beijo sem pressa. Lentamente fui adentrando sua boca com minha língua conforme ela me dava passagem, não demorou muito e pude sentir a língua dela encontrando com a minha. Contornei sua língua em forma circular com a minha algumas vezes e logo aumentei a intensidade do beijo. Pra minha surpresa, Thay correspondeu na mesma intensidade. Senti a mão dela acariciando meu braço e aos poucos ela foi se ‘soltando’ também. Deslizei minha mão da sua bochecha até sua nuca e a acariciei com a ponta das minhas unhas, Thay trouxe seu corpo mais para frente pressionando, assim, mais nossos lábios. Levei minha outra mão até a coxa dela e a acariciei, sem malicia – por enquanto – logo a apertei levemente. Nossas línguas estavam em sintonia total até que ela se afastou de mim rapidamente ao ouvir Chris entrando sem bater na porta.
Christian: Beta, eu já to...- Ele percebeu o que estava rolando e o quanto havia estragado tudo que rolaria mais pra frente – ah, desculpa! – totalmente sem jeito – eu só vim te avisar que eu, é..eu..bom – ele conseguiu se enrolar – to indo pro meu apartamento porque já ta tarde. Eu vou deixar minha chave com a Angel, quando você for embora pega com ela. Boa noite Thay. Boa noite Beta e desculpa qualquer coisa. – Ele saiu fechando a porta rapidamente.
Thayane: Droga! – Ela foi pra perto da porta – O Chris viu.
Roberta: Calma. – Levantei e fui até ela – O Chris é gente boa, eu falo com ele e ninguém vai saber de nada, ok? – Sorri tentando acalmá-la. Ela me devolveu o sorriso.
Thayane: Tudo bem.
Roberta: Bom, eu também já vou indo então, ta tarde.
Thayane: Ok. – Me aproximei mais dela.
Roberta: Boa noite. – Aproximei novamente meu rosto do dela, mas dei um selinho em sua bochecha. Se fosse outra teria a beijado de novo, mas Thay me deixava insegura.
Thayane: Boa noite, Beta. – Sorriu. Com muito esforço eu sai do quarto dela.
Peguei a chave com a Angel e segui pro apartamento dele. Chegando lá o vi atirado no sofá.
Christian: Pelo jeito não fui só eu que ganhei a noite. – Riu debochado.
Roberta: Obrigada por estragar meus planos, Chris. – Ele ficou sério.
Christian: Oh Beta, foi mal, eu não imaginei que você estaria ficando com a Thay.
Roberta: Tudo bem. – Andei até o sofá e me sentei do lado dele — Foi só um beijo.
Christian: Me conta como você chegou nela.
Roberta: A gente foi conversando, eu fui insistindo e beijei ela. – Sorri.
Christian: Assim, na cara de pau?
Roberta: Claro. – Sorri novamente.
Christian: Mas você só é cara de pau assim quando bebe. Você bebeu?
Roberta: Claro que não, Chris.
Christian: Ta se revelando em Beta. – Gargalhou – Mas e aí, ela curtiu?
Roberta: Não sei. – Desfiz meu sorriso.
Christian: Como não sabe, Beta?
Roberta: Qual é Chris, eu não perguntei pra ela. Imagina que lindo eu vira pra ela ‘e aí, gostou de ficar comigo?’ Por favor, né?
Christian: Tem razão. Mas como você vai saber?
Roberta: Sei lá. – Comecei a rir – Mas e você..- Toquei uma almofada nele — ..pegou a loirinha de jeito? – Sorri maliciosa.
Christian: Oh se peguei! Peguei e pretendo pegar de novo! Pode relaxar que vou sempre te chamar pra fazer companhia pra Thay agora. – Riu debochado.
Roberta: Eu não acharia nada ruim. – Sorri – Mas eu to indo, preciso caçar umas músicas pra sábado que vem.
Christian: Você vai tocar na Mix Sul?
Roberta: Vou. Vai aparecer lá, né?
Christian: Com certeza vou ser o primeiro.
Roberta: O que você não faz pra catar geral né safado? – Sorri – Boa noite Chris.
Christian: Eu te acompanho até a porta. – Ele me deu um beijo e logo abriu a porta – Boa noite e tenha ótimos sonhos – ele sussurrou – com a minha vizinha!
Roberta: Shiu, cala boca guri! – Sorri e logo desfiz o meu sorriso – Oh Chris, me põe no elevador, vai?
Christian: Ué, não vai pelas escadas?
Roberta: Não, ta escuro ali. – Ele riu.
Christian: Vem então. – Chris entrou comigo no elevador e me levo até o térreo. Andei até meu carro e segui para o meu apartamento.
Chegando, tomei um banho bem demorado, peguei meu notebook no quarto e fui até a sala. O larguei no sofá, servi uma Pepsi bem geladinha pra mim e comecei a baixar algumas músicas. Tentei por vezes me concentrar nas músicas e imaginá-las com um efeito de back to back, scratch, speed back...mas não conseguia imaginar nada, apenas lembrar da cena do beijo, de como foi gostosa a sensação de sentir seu corpo sobre mim, da dança com ela, do jeito que ela me olhava, enfim, tudo que envolvia Thay. Desisti de tentar trabalhar e fui dormir.
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