Além da Eternidade - 1° temporada
13 Me custa aceitar
Algumas horas depois acordei com o barulho de um carro de som que passava lá na rua, fui abrindo os olhos aos poucos e lembrei imediatamente da noite passada, virei para o outro lado da cama, mas o lugar de Thay estava vazio. Sem demora, levantei e fui até o banheiro para ver se a encontrava lá, mas ela não estava. – A cozinha! – Andei até a cozinha e nada dela, provavelmente ela já teria ido embora. Voltei para o meu quarto e me joguei na cama, fiquei por minutos olhando para o teto e lembrando da noite passada, da nossa noite. O perfume de Thay ainda estava pelo quarto, o cheiro do seu shampoo estava impregnado em meu travesseiro, parecia que Thay ainda estava ali comigo. Sorri sozinha ao ver a cama toda bagunçada, bem do jeito que ela havia deixado. Eu ainda estava com sono, mas não conseguia parar de lembrar o que havia acontecido horas antes e isso me roubava o sono.
Resolvi tomar um banho. Fui até o banheiro, tirei minha roupa e entrei debaixo do chuveiro. A água caía pelo meu corpo me fazendo lembrar as mãos de Thay me acariciando e só isso bastou pra me excitar. – Preciso te ver de novo. – Sem perceber eu já estava me tocando e me dando prazer. Logo saí do banho e resolvi ir ver Thay. Coloquei um short e uma blusinha de ombro caído, passei uma leve maquiagem e fui contando os minutos até chegar ao apartamento dela. Pela primeira vez subi as escadas sem reclamar.
Parei em frente a sua porta e fiquei a encarando. Por mais vontade que eu tivesse de ver ela, eu tinha medo de como seria a reação dela, se ela me trataria bem ou como se nada tivesse acontecido. – Mas que porra, por que esse frio em minha barriga? E esse nervosismo bobo pra que? Ta e daí que ela pode me tratar como se nada tivesse acontecido? Eu queria levar ela pra cama e consegui oras. Resmunguei sozinha. – Por mais que eu tentasse me enganar, eu sabia que aquela não tinha sido só mais uma noite apenas.
Fiquei muito nervosa, então resolvi ir falar com Chris antes, andei até sua porta e toquei a campainha, mas ninguém me atendeu, provavelmente ele estaria no apê da Angel. Respirei fundo e fui até o apartamento das meninas, querendo ou não eu ia ter que encontrar Thay em algum momento, então resolvi fazer isso logo de uma vez. Respirei fundo mais uma vez e toquei a campainha, meu coração parecia que ia sair pela boca. Em questão de segundos a porta se abre e me deparo com a Thay. Ela estava linda como sempre, e trazia em seus lábios um sorriso encantador, aquele meu sorriso favorito.
Thayane: Boa tarde, Beta. – Sorriu um pouco sem jeito.
Roberta: Boa tarde, Thay. – Devolvi o sorriso da mesma forma, mas cuidando pra não babar nela.
Thayane: Que surpresa te ver por aqui! – Ela fechou um pouco a porta como se quisesse evitar que eu enxergasse algo dentro do apartamento.
Roberta: Pois é, eu...- Fui interrompida.
Paula: Amor, vem comer o doce logo ou...- Ela me viu parada na porta – Olá Roberta!. – Sorriu pra mim enquanto Thay estava com uma expressão nervosa em seu rosto.
Roberta: Oi. – Eu imaginei mil formas que Thay poderia me tratar menos que eu iria me deparar com Paula em seu apartamento.
Paula: Quer entrar? Vem provar o doce que eu fiz pra mim princesa. – Sorriu acariciando a bochecha de Thay. Minha vontade era de pular no pescoço de Paula e no de Thay também.
Roberta: Não, obrigada. – Com muita raiva no olhar olhei Thay. – O Chris ta por aqui?
Thayane: Está sim, entra. – Ela evitava me olhar nos olhos.
Roberta: Não não, só avisa ele que eu to precisando falar com ele e to aqui fora, por favor.
Thayane: Só um momento. – Rapidamente ela saiu levando Paula junto. Meus olhos encheram de lágrimas ao ver as duas de mãos dadas, mas era a raiva que tomava conta de mim. Como fui idiota! Não demorou muito e Thay voltou, agora sozinha. – Ele já vem.
Roberta: Obrigada. – Cometi um erro ao olhar dentro dos olhos dela.
Thayane: Beta, sobre ontem a noite...- Ela foi interrompida.
Paula: Amor, vamos continuar namorando, vem. – Tentava puxar Thay pela mão.
Roberta: Esquece! Diz pro Chris que outra hora eu falo com ele, preciso ir. – Forcei o sorriso mais falso que havia. Ela concordou e se deixou ser puxada por Paula.
Dei as costas e fui descendo as escadas, tudo estava tão confuso dentro de mim e pela primeira vez não queria que aquelas escadas acabassem. Fui pro meu apartamento andando, nem percebi o quanto era longe ir caminhando. Subi alguns degraus do meu prédio e me sentei nas escadas. Ver Thay com Paula foi ruim, muito ruim. Maldita hora que fui me envolver com você! Havia uma mistura de sentimentos dentro de mim; uma hora eu queria roubar Thay pra mim e só pra mim, outra hora eu queria mandar ela pra puta que pariu junto com a Paula.
Entrei em meu apartamento, liguei o som e me joguei no sofá. Meu telefone tocava insistentemente, mas eu não estava a fim de falar com ninguém. Thay não saía do meu pensamento nem por um segundo, aquilo já estava virando uma tortura. Estupidez minha ficar pensando nela, com certeza ela deve ta de namorinho com a outra lá. Sorri da minha própria burrice. Eu precisava me distrair, tomei um banho e decidi ir pra boate, beber, dançar e quem sabe até me perder em outra pessoa por uma noite. Venci a preguiça e fui tomar um banho. Coloquei um short jeans, uma blusa tomara-que-caia, caprichei na maquiagem e no perfume e fui pra boate.
A casa estava lotada, cheia de mulher bonita, onde algumas já haviam me notado. Perfeito! Essa seria a minha noite. Pedi um drink, logo avistei Chris, então andei até ele.
Roberta: E aí seu safado!
Christian: Quem é viva sempre aparece. Sumiu o dia todo, te liguei feito um louco, qual foi?
Roberta: Não sei onde meti meu celular. – Sorri, com certeza ele sabia que isso era mentira.
Christian: To ligado, mas e aí, ta sozinha? – Sorriu safado.
Roberta: Claro, hoje eu pego várias, mas no fim da noite saio acompanhada de uma.
Christian: O louco! E quem é ela?
Roberta: Oxi, ainda não sei.
Christian: Pegou quantas já?
Roberta: Por enquanto nada. – Chris gargalhou. – Ah pára de rir, acabei de chegar! – Dei um tapa em seu braço.
Christian: E a Thay?
Roberta: O que tem ela? – Ele tinha que tocar nesse assunto.
Christian: Como estão as coisas com ela?
Roberta: Estão como sempre, ela lá com a Paula e eu aqui com geral. – Forcei um sorriso.
Christian: Beta, te liga que a Thay...- O interrompi.
Roberta: Ah não Chris, por favor, não to com a mínima vontade de falar nela ok? – Ele ficou quieto por um momento.
Christian: Como quiser.
Ele mal terminou de falar quando ouvi uma voz atrás de mim.
xXx: Oi.
Imediatamente fechei os olhos. Essa voz, esse cheiro. Não é possível! Aos poucos fui me virando, era ela, a pessoa que eu menos queria ver essa noite.
Roberta: Oi Thay. – Fuzilei Chris com os olhos.
Christian: Eu tentei avisar. – Sussurrou.
Thayane: Tudo bem?
Roberta: Uhum. – Eu não estava com a mínima vontade de falar com ela mesmo.
Angel: Oi Beta. – Deu um selinho em minha bochecha.
Roberta: E aí Angel. – Sorri.
Angel: Senta aqui com a gente.
Roberta: Ah não, valeu, vou me perder por aí.
Angel: Ai, larga de ser boba! – Ela me puxou pela mão e me fez sentar em uma das cadeiras, justo a que estava ao lado de Thay.
Roberta: Ok, valeu.
Chris e Angel pareciam uns papagaios conversando, às vezes eu e Thay falávamos algo, mas dava pra ver que havia um clima chato entre nós. Eu precisava dar jeito de sair dali antes que Paula chegasse, só não sabia como. Cada vez que o assunto diminuía eu bebia mais, só pra não ter que falar com Thay, mas eu já estava exagerando e o pessoal da mesa também.
Thayane: Por que você esta assim comigo?
Roberta: Assim como?
Thayane: Mal fala comigo, mal me olha.
Roberta: To de boa. – Sorri como se não entendesse do que ela estava falando.
Thayane: Não, não ta. O que foi? – Chris e Angel apenas se olhavam.
Roberta: Já disse que to de boa.
Thayane: Por acaso sua peguete vai aparecer e por isso você me trata assim?
Roberta: Do que você ta falando? Não viaja.
Thayane: Você ta fria comigo e eu não te fiz nada. – Sorri ironicamente.
Roberta: É, você não fez nada mesmo.
Thayane: Então da pra parar de criancice e me tratar normal? – Ela conseguiu me irritar!
Roberta: Eu parar de criancice? Por acaso tua namoradinha sabe que você passou a noite comigo? — Ok, acho que exagerei. Chris e Angel arregalaram os olhos.
Thayane: Ta vendo, se você não fosse tão criança não iria falar sobre isso em uma mesa de boate.
Roberta: To mentindo?
Thayane: Com licença! – Ela pegou seu copo e saiu da mesa, segundos depois ela havia sumido entre o pessoal que estava dançando na pista. O silêncio tomou conta da mesa onde estávamos, até que Chris o quebrou.
Christian: Eu não quero falar nada, mas acho que você exagerou. – O olhei nos olhos, realmente acho que falei mais do que devia.
Angel: Não é porque ela é minha amiga, mas eu concordo com o Chris.
Roberta: Eu tava quieta na minha.
Christian: Deixa de ser cabeça dura e assume que você errou.
Angel: Com licença, eu vou atrás da Thay. – Antes que ela levantasse a segurei pelo braço.
Roberta: Espera Angel. – Olhei rapidamente para o Chris – Eu vou atrás dela. – Bebi um último gole do meu drink e saí a procura dela.
Caminhei por toda boate e não a encontrava em lugar algum, parece que ela tinha tomado chá de sumiço! Já estava bem tarde, voltei pra junto do Chris e da Angel e os dois estavam em um beija beija que só faltava sem comerem ali mesmo.
Roberta: Ei vocês dois, dá um tempo aí! – Eles pararam e me olharam.
Angel: Encontrou ela?
Roberta: Não, andei a boate toda e não a vi. Ela não voltou pra mesa em algum momento?
Christian: Não. – Bebeu um gole da sua bebida enquanto recuperava o fôlego.
Roberta: Eu preciso ir embora, ta tarde e amanhã eu acordo cedo. – Olhei pra Angel – Prometo que assim que der eu vou no apê de vocês falar com ela ok?
Angel: Por favor, faça isso.
Roberta: Pode deixar. Boa noite pra vocês.
Angel: Boa noite.
Christian: Direto pra casa! – Dei as costas, mas antes virei rapidamente pra eles.
Roberta: Ae, tem um motel aqui perto, viu? Menos vocês dois! – Sorri.
Christian: Vai dormir!
Assim, saí da boate e fui para o meu apartamento, acabei ficando preocupada com a Thay, realmente exagerei no que falei. Cheguei em casa, tomei um banho e caí na cama.
Enquanto isso na boate:
Christian: Eu não sei qual das duas é mais cabeça dura.
Angel: O que?
Christian: A Beta e a Thay, ambas tão se curtindo e ficam nessa de fugir uma da outra, cara. Qual é a da Thay com aquela menina?
Angel: Sei lá, acho que ela só ta com a Paula por não saber como terminar uma coisa que nem começou.
Christian: Ta afim de aprontar uma comigo?
Angel: Não vem me colocar em bolo, Christian!
Christian: Relaxa, é pro bem da sua amiga. – Sorriu.
Angel: O que você ta aprontando?
Christian: Se uma vive fugindo da outra, quem sabe se a gente fizer as duas ficarem sem saída?
Angel: Traduz que eu to loira hoje!
Christian: Esse feriado prolongado que vai ter, eu to afim de viajar. Tava pensando em chamar a Beta pra ir comigo, daí...- Ela o interrompeu.
Angel: Ah claro, e eu fico sozinha aqui?
Christian: Não! Me escuta antes!
Angel: Ta bom, ta bom, bico fechado!
Christian: Então, eu chamo a Beta, você chama a Thay e a gente acaba se encontrando no mesmo lugar. Eras ou não eras?
Angel: Elas vão se ligar que isso é armação.
Christian: Que se foda, cara. A gente tem que fazer elas se encontrarem, depois se elas se ligarem já era, mas elas tem que serem ‘obrigadas’ a ficarem juntas, se aguentando.
Angel: E aí, elas vão ter que se acertar.
Christian: Isso aí. E a gente curte o feriado juntos.
Angel: To com você então.
Christian: Beleza! Eu te levo pra casa e no caminho a gente combina tudo.
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