Além da Coragem - Livro 3
8 Capítulo 8
Notas iniciais
As Borboletas do Submundo:
Mu está diante da casa de Câncer, quando sente o desaparecimento dos cosmos de seu mestre e de Dohko. O rastro de destruição deixado pelo \"Tesouro do Céu\" era imenso, mas não havia sinal de Saga, Shura e Camus, que deveriam estar mortos. Um par de olhos vermelhos é avistado nas sombras pelo Cavaleiro e, num brilho, uma força invisível o ergue do chão e o prende contra o pilar.
- Aaagh...! É telecinese. Quem teria poder o bastante pra usar isso?
Outros inúmeros olhos vermelhos se manifestam nas sombras.
- São os seres que seguiam Saga e os outros, e que como fantasmas se escondiam nas sombras. Finalmente resolveram se mostrar?
Podia ver cerca de vinte deles, os verdadeiros espectros de Hades. Um deles , Giganto de Ciclope, enorme como seu nome, se adianta.
- Onde estão Saga e os outros? Há pouco um imenso cosmo partiu da casa de Virgem até a de Câncer, fazendo os cosmos de Saga e dos outros desaparecerem. Agora também Shion, na casa de Áries. Onde eles foram parar?
- Hum... Com tantos de vocês os seguindo de perto, e ainda conseguiram perdê-los de vista? Que vergonha.
Mu tinha agora um sorriso irônico e os olhos estreitos, como se tirasse sarro dos que ali estavam, algo que não parecia comum no Cavaleiro de Áries, e que deixou os espectros bastante descontentes. Giganto avança contra Mu.
Feixes azuis cortam o ar, o mesmo cosmo que já intervira uma vez na luta do Cavaleiro, Seiya chegara rapidamente à quarta casa, depois de se separar de Shiryu. Mas seu meteoro é facilmente defendido pelo gigante.
- Seiya... O que está fazendo aqui?
- Não sou só eu, Shiryu também. Mu, não tente me teleportar de novo... Eu voltaria quantas vezes fosse. Nos deixe lutar, essa luta também é nossa. Deixe eles comigo, eu derrotarei todos os espectros.
- O que vocês tanto falam aí? – diz Giganto atacando.
Seiya lança novamente seus meteoros numa velocidade maior que a do som, mas o espectro se desvia de cada um deles, e o atinge em cheio. Inúmeros golpes recebe no estômago, ainda elevado no ar pela força daquele homem, antes de cair. O espectro se volta orgulhoso para o Cavaleiro de ouro.
- Destruir a todos nós, ha. Somos os espectros fiéis a Lorde Hades, os mais poderosos de seus guerreiros, vocês jamais conseguiriam nos vencer.
O garoto se levanta com dificuldade, se preparando para voltar a luta.
- Não me faça rir. Como podem se dizer os mais poderosos, se vocês se escondem nas sombras, e nos atacam pelas costas?
Pronto para atacar novamente, o espectro chega a avançar alguns passos, mas é detido por uma voz de comando.
- Espere...
Entrada das Doze Casas:
Estávamos chegando à casa de Áries, restos de cosmos vagavam por todo o local, deixados pelas técnicas supremas ali utilizadas. Uma enorme cratera se abria onde antes se encontrava um pátio, devia ter uns dez metros até o fundo e uns quarenta de um lado a outro.
- O que é isso? – diz Hyoga à beira da cratera.
- É enorme! Que diabos aconteceu aqui?
- Estes restos de cosmos vagam por todo o lugar. – repara Shun.
- Poderosos cosmo se chocaram por aqui...
- Não entendo... O que está acontecendo? O que está prestes a começar?
- Milo...
- O que disse?
- Nada... Só to preocupada, não se preocupe também, Hyoga.
Ele abaixa os olhos, parecia um tanto contrariado, vira as costas e continua o caminho, dando a volta no buraco. Nós o seguimos, só tínhamos certeza de que Atena estava em perigo e algo muito ruim estava acontecendo.
Casa de Câncer:
Alguém está no comando daqueles espectros, porém é algo que, nem de perto, se assemelharia a algo vivo. Mais como uma montanha pastosa e amorfa, aquilo emanava um cosmo maligno bem mais poderoso que dos outros que estavam com ele. Atendia pelo nome de Papillón, e Mu podia sentir que era ele quem usava a telecinese que o prendia.
- Giganto, me deixe cuidar desses dois. E vocês todos sigam em frente.
- Mas, Papillón... – retruca Giganto – Esse cara era meu adversário.
- Não me entendeu, Giganto?
- Está bem... – responde com certo receio – mas pobres desses moleques, não terão nem chance contra você.
Os espectros seguem para a casa seguinte, e Mu é libertado do poder de telecinese a que estava preso.
Escadarias:
Shiryu corre de volta para a casa de Áries, preocupado com seu mestre, quando sente a presença de mais alguém no local, e ataca imediatamente. Os agredidos têm de desviar, parando no topo de pilares nas laterais da trilha.
- Quem é?
- Calma, Shiryu!
- Shun, Hyoga.
- E eu também...
- Nala... Vocês vieram da casa de Áries?
- O que você tem, Shiryu? – pergunta Hyoga, estranhando o amigo tão perturbado, o que não era nada comum.
- O que aconteceu lá? O Mestre Ancião...
- Não tinha ninguém lá... – diz Shun – a casa está em ruínas...
- Mestre...
- Você também sentiu, Shiryu?
Sua voz tremia, ele atravessa nossa frente, indo para a primeira casa. Shun tenta ir atrás dele, mas é impedido por Hyoga, ele sabia como nosso amigo devia se sentir naquele momento. Mas se lembrando dos ensinamentos do mestre, ele pára no caminho, respira fundo, e se recompõe. Volta a subir as escadas, passando novamente por nós, e seguindo o caminho até Atena. Ele se recorda de como Dohko falava de seu amigo, do quanto dizia ser um homem nobre, olha para os céus pensativo. \"Mestre, esteja a salvo\".
Casa de Câncer:
- Eca... O que é essa coisa monstruosa? – diz Seiya enojado.
- Huhuhu... Eu sou Myu de Borboleta, da estrela terrestre das Fadas.
- Que? Essa coisa é um espectro – torna Seiya, enquanto Mu observa.
- Então este é o famoso Mu... Ouvi falar de você, e vim aqui especialmente para te enfrentar, por isso te libertei de minha telecinese.
- O que está falando? Eu serei seu adversário!
- Seiya, afaste-se. Eu vou enfrentar essa coisa.
Mu toma posição de combate, mas Seiya não parece disposto a arredar o pé. O primeiro ataque do inimigo é a \"Erupção Horrenda\", algo gosmento e verde que atira contra os dois. Trabalho em dobro para Mu, primeiro o de jogar Seiya para fora da área de alcance, depois para criar a \"Parede de Cristal\", e ainda assim consegue evitar qualquer aproximação daquela estranha técnica.
O contra ataque da \"Extinção Estelar\", porém, não causa dano algum no inimigo, e aquela estranha montanha disforme se parte. De dentro surge algo ainda mais assustador, parecia uma lagarta gigante. Antes que possam pensar em que tipo de espectro é aquele Papillón, uma teia é lançada contra os dois, e eles são envolvidos e aprisionados numa imensa bola de seda.
A chama de Câncer já se extinguira, e nós ainda subíamos rumo à casa deste signo. Sentíamos os cosmos de Seiya, Mu e dos espectros quando...
- Que aconteceu? – disse espantada.
- Os cosmos de Seiya e Mu, que estavam em combate...
- Desapareceram! – Shun conclui, ainda mais apreensivo, a afirmação.
Um brilho dourado e o casulo se rompe. Mu está ofegante, tamanha era a falta de ar. Myu parece ser mesmo um adversário poderoso, mas seu cosmo desaparecera por completo, era impossível perceber sua presença. Mas é no alto dos pilares que Mu tem aquela visão mais do que estranha: um casulo, como aquele que o prendia, suspenso por fortes fios de seda, de uma coluna a outra.
- Então você conseguiu sair, Mu...
- Essa voz... Myu?
- Eu realmente não esperava que aquele casulo o prendesse por muito tempo, mas com isso ganhei tempo para alcançar o último estágio de minha mutação. Você é mais forte ainda do que dizem, então, para enfrentá-lo, tenho que assumir minha forma mais poderosa.
- Mutação... Forma mais poderosa? Então você... realmente faz jus ao nome de Borboleta!
O casulo se quebra, e o brilho do cosmo de Myu revela, gradativamente, a aparência do espectro. As asas que se abrem trazem um brilho belo, ao mesmo tempo que tenebroso, num amarelo que, aos poucos se tornava verde. Sua Surplice, diferente das de outros espectros, trazia no centro do peito, ombreiras, braços e capacete, um laranja vivo, quase como o de minha armadura do Tigre. De cabelos púrpuras e eriçados, o que mais chamava atenção em seu rosto eram os olhos, estranhamente parecidos com os de um inseto, pois eram apenas íris e possuíam um brilho sinistro em sua face sorridente de confiança.
Está certo de sua vitória, mas Mu não parece nem um pouco intimidado perante o adversário, que arrogantemente resolve fazer o que ele chama de teste. Lança contra Mu os pilares desabados do templo, esperando impressioná-lo com sua técnica. Mas as pilastras param sua trajetória diante de Áries.
- Esse é o seu novo nível de poder? Não espere me vencer só com essa psicocinésia. – diz o Cavaleiro, devolvendo-lhe, com maior força, as colunas.
Não fosse tê-los destruído com seu poder mental, Myu seria soterrado. Mas não estava ainda livre da pequena demonstração de poder do calmo ariano, sente seu corpo ser tirado do chão, sem que possa controlá-lo.
- Estou devolvendo a psicocinésia que você usou em mim. Então... O que você prefere? Ser esmagado contra o teto... ou contra o chão?
Dizendo isso, Myu é fortemente arremessado contra a laje e, logo em seguida, contra o piso do templo, percebendo, de cara com o chão, o verdadeiro poder de um Cavaleiro dourado. Ele é novamente suspenso ao ar.
- Diga, Myu: além de Shion, Saga, Shura e Camus, quantos espectros entraram no Santuário?
- Você acha mesmo que eu vou responder a essa pergunta?
- Ah, vai... – respondeu, fazendo-o girar rapidamente – Responda e eu o faço parar, caso contrário, a velocidade só vai aumentar.
- Eu sou um espectro, um guerreiro de sua majestade, Hades. Jamais pedirei que o inimigo me poupe.
- Eu não queria tirar sua vida, mas apesar disso, você é um espectro. – disse, enquanto o fazia girar ainda mais – Você não vai parar enquanto viver.
Mas ao dar as costas, sentiu o cosmo inimigo se elevar. Ele parecia ter se libertado e nem mesmo a \"Revolução Estelar\" surtiu efeito sobre o homem que, até agora, estava sob total domínio. Borboletas surgem por toda parte, imagens feitas pelo cosmo de Myu, que rodeiam o Cavaleiro no \"Encantamento das Fadas\". O espectro as chamava borboletas da morte, e garantia que elas tratariam de guiar Mu para o mundo dos mortos.
Ele desaparece, sem deixar rastro de seu cosmo. Teria mesmo sido guiado para o mundo dos mortos? Ainda tão cedo... Um verdadeiro Cavaleiro de ouro não se renderia tão facilmente. Mais um truque do mestre da psicocinésia, Mu se teletransporta, mas não para muito longe. As fadas, porém, podem encontrá-lo e se reúnem à sua volta. Por mais de uma vez ele usou o mesmo truque, como que para escapar da morte. Mas o que Papillón não podia entender era por que, já que tinha um poder de psicocinésia tão apurado, não o usava para escapar definitivamente, se teleportando para um lugar mais longe dali.
- Myu, você ainda não se deu conta de que aqui será seu túmulo?
Borboleta não consegue entender a verdadeira atitude de seu adversário. Se teleportando de um lado a outro, sem que ele percebesse, selou o destino do espectro. Uma rede construída com o cosmo do guerreiro de Atena o prendia, de um modo que ele não conseguia entender o propósito. Mas a resposta veio quando suas fadas também foram presas. Com a \"Rede de Cristal\" impedindo os movimentos de Myu e suas fadas, e com um último \"Extinção Estelar\", Mu os manda de volta para o mundo dos mortos.
Ainda há um casulo, do qual se aproxima. \"Seiya!\" – chama, e logo o garoto desperta e se livra da prisão, mas acaba caindo desmaiado, sem ar e sem forças. Mu segue para Leão, precisa se unir aos outros Cavaleiros dourados. Mas uma das fadas ainda sobreviveu ao seu ataque e o segue, ainda que o rapaz não a perceba, como uma premonição do destino.
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