Além Do Bem E Do Mal

18 Capítulo 18 - INTERSECÇÃO


Notas iniciais
Oi Gente!!
Já nem vou me desculpar mais porque simplesmente não sei o que falar. Estou em falta com vcs e me sinto péssima por isso, mas realmente não estou tendo tempo de me dedicar como eu gostaria ao Nyah. Apenas prometo que terminarei a fic, nem que tenha de passar minhas madrugadas escrevendo.
Quanto aos reviews, li todos e amei cada um deles. O último capítulo foi o campeão de comentários e não imaginam como isso me deixou feliz. Obrigada, de coração, pelo carinho de vcs.
Beijão enooooorme!!!!!

CAPÍTULO 18 – INTERSECÇÃO

"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa só. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida, e a prova de que duas almas não se encontram ao acaso."

(Saint-Exupéry)

Bella olhou automaticamente para a barriga em busca de algo incomum que explicasse o que as palavras de Alice significavam.

Parecia tudo normal. Ainda assim ficou agoniada com a simples fantasia psicótica de que um objeto estranho estivesse crescendo dentro de seu corpo.

- Do que você está falando? O que tem dentro de mim? – Bella perguntou apavorada, se imaginando a protagonista de um filme de ficção científica.

- Tem o filho de um vampiro sendo gerado no seu ventre. – Alice respondeu impaciente, como se estranhasse a pergunta desnecessária.

Sem sequer olhar para trás, Bella sentou-se, incapaz de manter-se de pé. Por sorte o sofá a amparou.

- Que vampiro? – Perguntou atordoada, consumida por uma letargia mental que a impedia de concatenar as ideias.

- Com quantos você fez sexo? – Havia certa ironia na indagação.

Só com Edward.”

Claro que era de Edward que ela estava falando, pensou Bella, despercebendo a impaciência da cunhada. Quem mais poderia ser?

Ainda confusa, seus pensamentos começavam aos poucos encontrar coerência.

- Es... Está me dizendo que estou esperando um fi... filho de Edward?

- Eu tive a visão hoje de manhã, mas logo depois tudo ficou turvo. Não consigo mais ver seu futuro, Bella. – Alice falou preocupada.

Bella se levantou exaltada.

- GRÁVIDA? EU ESTOU GRÁVIDA? Isso é um absurdo! Não pode ser! Eu não posso estar grávida, eu menstruei dia... Eu... Eu menstruei dia... Foi dia... – A voz de Bella foi se calando à medida que se conscientizava que estava atrasada há vários dias.

Mergulhada em seu inferno astral dos últimos meses, não tinha se tocado que sua menstruaçãonão tinha descido naquele mês.

De repente os enjoos começaram a fazer sentido. E os seios doloridos... E a fome...

- Meu Deus! – Não tinha como negar que Alice poderia realmente estar certa.

Bella levou as mãos à barrida, aterrorizada e feliz. Aquela confusão de sentimentos era inexplicável. Não sabia se ria ou se chorava; se gargalhava ou gritava.

Sempre alimentara o sonho de ser mãe. Quando era criança passava parte do dia imaginando-se adulta, casada com um homem lindo e carinhoso. Sonhava que teriam dois filhos e morariam numa casa azul de cerquinha branca. Eram aqueles pensamentos que a faziam esquecer a solidão a tristeza de viver em um abrigo.

Agora a realidade se mostrava diferente. Não teria o marido nem a casinha azul... Não seria feliz nem amada... Teria de criar o filho sozinha, pois sua história com Edward já tinha acabado. Tinha sido aniquilada pelas revelações de Rose.

- Mas isso é possível? – Perguntou de repente, se lembrando de Edward ter falado que não podia se reproduzir.

- Achávamos que não, mas estávamos enganados, como pode ver. Existe pouca bibliografia sobre isso, e todas as citações sobre esse assunto estão contaminadas com lendas e exageros. Não sabemos ao certo como essa gestação se desenvolverá. Carlisle quer que você fique em nossa casa. Não poderá procurar outro médico, Bella. Sua gravidez é excepcional e poderá ser de risco. Precisará de cuidados diários.

Dava para notar claramente que Alice parecia realmente preocupada enquanto falava.

- Eu e “ele”corremos risco de morrer? – Bella perguntou assustada, já demonstrando instintivamente uma preocupação maternal.

De uma hora para outra sua vida estava tomando um rumo tão inesperado que estava difícil entender a real dimensão dos acontecimentos.

- Não posso te responder essa pergunta, Bella, mas posso te garantir que faremos o possível e o impossível para que fique bem e tenha esse filho.

- E Edward, por que não foi ele que veio me dar essa notícia? O que ele está achando disso tudo?

Não tinha como excluí-lo daquele problema. Se fosse por sua vontade, Bella nem citaria seu nome, afinal ainda doía muito o rompimento deles. Na verdade a dor lhe dilacerava o coração, mas se ela seria mãe de uma criança, não havia como negar que ele era o pai. Sua ausência naquele momento parecia, no mínimo, estranha.

- Ele está fora do país, mas Carlisle já o avisou. Ele ficou doido, Bella. Está preocupadíssimo com você e sentindo-se culpado por tê-la colocado em risco. Foi ele que implorou para que eu viesse aqui te buscar o mais rápido possível. Ele deve chegar essa noite em Forks.

- Ele está feliz?

- Feliz, Bella? Como ele pode estar alegre sabendo que te colocou em risco? Edward está arrasado.

- É claro que está... – Bella tentou não demonstrar a dor que sentiu em saber que Edward não ligava a mínima para o filho.

- Tem de voltar comigo, Bella.

Voltar para Forks era tudo o que Bella temia. Esquecer aquele amor longe de Edward já se mostrara impossível. Perto, então...

- Alice, eu não sei o que fazer... Eu... Eu não posso deixar tudo para trás novamente. Viver na mesma casa com vocês, principalmente com Edward, é uma loucura. Nossas vidas nunca deviam ter se cruzado e isso ficou bem claro.

- Bella, agora é um pouco tarde para pensarmos racionalmente. Independente da nossa vontade, estamos mais unidos do que nunca. O amor de Edward por você, e acredito que o seu por ele, resultou em um filho, e esse laço é inquebrável. Nossa vontade já não importa mais, agora temos de pensar na sua vida e na desse bebê.

Bella levou a mão à barriga mais uma vez quando ouviu a palavra “bebê”. Seu coração se acelerou quando se atentou para o fato de que uma criança estava se desenvolvendo em seu ventre. Um filho! Um filho seu e de Edward.

Lágrimas começaram a correr por sua face. Sem saber como explicar, já amava aquele bebê de uma forma incondicional. Saber que ele corria risco a apavorava. Mesmo que tudo o que vivera com Edward tivesse sido um grande erro, aquela criança era a coisa mais certa e abençoada que já tinha lhe acontecido e ia lutar por ela nem que tivesse de dar a própria vida para salvá-la. Não tinha a menor dúvida quanto a isso.

- Vou arrumar minhas coisas. – Falou decidida.

- Bella, não precisa levar nada. Eu providenciarei tudo o que for precisar, mas vamos logo. Nosso avião está nos esperando para voltarmos. Carlisle quer te ver o mais rápido possível.

- Mas eu preciso falar com Will. Não posso simplesmente ir embora e deixá-lo sem notícias.

- Ligue para ele no caminho para o aeroporto.

Bella olhou em volta e não acreditou que mais uma vez estava deixando sua vida para trás. Estava abandonando seu apartamento, seu amigo, seu emprego.

- Tudo bem, então vamos.

- Não se preocupe, Bella, mandaremos um de nossos funcionários aqui para limpar, embalar os móveis e deixar tudo arrumado.

Bella entrou no carro atordoada. Nada parecia real. Estava no meio de uma tormenta emocional. De todo o absurdo daquela situação, a única coisa que tinha certeza era que faria o que fosse preciso para salvar seu filho.

No segundo toque Will atendeu.

- Oi, Bella!

- Will, estou voltando para Forks nesse exato momento. Sei que vai parecer irresponsabilidade, mas é a coisa certa a fazer. Tenho de resolver umas coisas com Edward e tem de ser agora.

O silêncio do outro lado preocupou Bella.

- Will?

- Eu não vou falar mais nada. Se quer jogar tudo pro alto mais uma vez para ir atrás desse moleque, o problema é seu. A única coisa que posso dizer é que estarei aqui quando precisar, você sabe disso.

- Eu seu, meu amigo. Mandarei notícias. Te amo.

- Eu também te amo, sua desmiolada. Faça o que seu coração está mandando.

- Estou fazendo...

Bella desligou o telefone e limpou as lágrimas. Sabia que suas atitudes magoavam Will, e isso a machucava também.

A viagem parecia interminável. Apesar do conforto e da opulência do jato particular dos Cullen, Bella não conseguiu relaxar. Sua cabeça doía insuportavelmente. Tinha a impressão que a qualquer momento seu cérebro ia entrar em colapso de tanto pensar.

Alice e Jasper, que para seu espanto era quem pilotava a aeronave, não falaram mais nada, deixando-a remoer seus conflitos na mais completa solidão.

Tentava visualizar o futuro, encontrar uma saída para a confusão que se desenhava à sua frente, mas tudo o que enxergava era um grande buraco negro. Senti-a sozinha e perdida.

Esforçava-se para incluir Edward no script, encaixá-lo na posição de pai e marido afetuoso, buscando naquela fantasia de “família feliz” um alento momentâneo para seu desespero. Um alento que logo se desfazia quando Bella se lembrava de tudo o que havia acontecido na vida dos dois. Era triste constatar que nunca seriam uma família, pois o passado tinha se encarregado de decretar que no futuro o amor deles não passaria de uma ilusão, de um erro.

Já estava perto de amanhecer quando pousaram no aeroporto de Forks.

Assim que Bella viu o Volvo prata de Edward estacionado, seu coração pulou no peito. Uma mistura de ansiedade e medo fez seu estômago se contorcer, levando-a a se curvar por causa da dor e do incômodo do enjoo.

Precedendo o vento gelado que moveu seus cabelos, as mãos frias e acolhedoras de Edward a ampararam, num gesto protecionista que lhe era peculiar.

- Bella, você está bem? Está sentindo alguma coisa? – Ele perguntou aflito.

O perfume que exalava de sua pele e a som perfeito de sua voz fez Bella recordar em segundos a intensidade do amor que sentia por aquele vampiro. Todo o esforço que tinha feito para sublimar aquela paixão avassaladora tinha se dizimado num simples toque.

Bella se atirou em seus braços e começou a chorar convulsivamente. Quanto mais ele a abraçava, mais se desesperava. Naquele momento tudo o que queria era estar no conforto e segurança daquele corpo que a envolvia. Precisava ouvir que não estava sozinha naquela tempestade que assolava sua vida. Pela primeira vez, desde que Alice tinha aparecido em sua sala, sentiu-se protegida.

- Calma, meu amor, vamos cuidar de você. Vai dar tudo certo. Desculpe-me fazê-la passar por tudo isso, mas eu realmente não sabia que poderia engravidá-la. Desculpe-me de verdade.

Edward sussurrava carinhosamente aquelas palavras enquanto seus braços fortes envolvia o corpo frágil e trêmulo de Bella.

- Vamos para casa, você precisa descansar. – Ele disse, beijando seus cabelos.

Foi então que Bella percebeu que tinha aberto totalmente sua guarda, se deixando levar pela fraqueza que a presença de Edward lhe causava. Teria de aprender a disfarçar suas emoções.

Desvencilhou-se de seu abraço e se recompôs o mais rápido que pode, usando toda a força que tinha, física e emocional.

- Perdão pelo meu descontrole, não sei o que deu em mim, mas prometo que isso não vai acontecer de novo. E quero deixar bem claro que estou aqui por causa do meu filho, apenas por isso.

E olhando bem no fundo dos olhos dourados do homem que amava perdidamente, completou:

- Edward, eu não sou seu amor. Não me chame mais assim!

Com o coração sangrando, Bella fez o que julgou certo: mentiu!

Esperaria apenas seu filho nascer, se é que sobreviveria àquela gestação, e iria embora mais uma vez da vida de Edward. Sim, era isso que faria. Criaria seu filho sozinha, longe das garras ferinas do destino que uniu os Cullen e os Swan, condenando aquela criança a ser herdeira de uma história triste e amaldiçoada.

- Quisera eu que palavras definissem o que eu sinto por você. – Edward murmurou, afastando-se cabisbaixo.

- Você é meu amor sim, quer queira, quer não...

Mesmo de longe, Bella ainda ouviu o que ele disse.

Seu coração se acelerou. Sabia que seria difícil, mas não pensou que seria tanto!