Além De Um Sonho.
20 Capítulo 20 – Apenas um domingo "qualquer"
Entregamos nossos ingressos à moça do cinema, e fomos em busca da sala 10, que estaria no final do corredor. A sala do filme já estava escura, com os trailers passando. Subimos as escadas com dificuldade até encontrarmos os nossos assentos. Não havia muitas pessoas naquela sessão.
Peguei meu celular para colocá-lo no silencioso, então resolvi entrar no twitter e postei:
“Já na sala do cinema, aguardando o filme começar. Muita pressão hoje, hãm @Miss_Horan? O que foi tudo isso?! SOS, que bom que despistamo-los!”
Quando olhei para o lado, Mel estava me fitando. Parecia um Dementador sugando a minha alma.
– Que isso minha filha? O Helloween ainda não chegou não. Hahahaha – Deboxei.
– Helloween? Você me fez passar o maior papelão. O que há com você? Sempre falando que gostaria de encontrar gatinhos por aí, e quando encontramos você os despacha assim? – Ela me pressionava, exigente.
– Não há nada comigo, menina! Apenas não os conhecemos! São dois garotos (lindos), estranhos e pervertidos nos perseguindo. Isso é... Assustador! – Explicava.
– Não os conhecemos? Como se você ligasse para isso né?! Logo você, que fica delirando falando que conheceu o Zayn através de um son... – Assim que ela disse aquilo, olhei para baixo. Realmente, me magoou. Desde o sonho com o Zayn, eu venho tentando me distrair. Mas admito que seria estranho estar com outro garoto depois... Depois daquele sonho. – Er... Rose... Desculpe-me. Eu não queria te magoar é que eu to na seca, aliás, nós duas estamos na seca faz muito tempo e então apareceu uma oportunidade e você perdeu. Eu fiquei irrita, desculpe-me. De verdade.
– Não Mel. Tudo bem. Eu sou uma boba e só me iludo mesmo. – Não esperava aquilo da minha melhor amiga. – Mas também não precisava jogar na minha cara né?
– Não joguei na sua cara, eu apenas falei... – Ela tentava se explicar, mas só piorava a situação.
– TUDO BEM, Mel. O filme já vai começar. – Me irritei com ela, não queria mais papo também.
– Está bem... Mas então... Promete para mim que vamos dar uma chance para o Victor e para o Rafael? – E ela insistia.
– Para o Victor e para o Ra... O QUE? Melanie, se Deus quiser eles já estão bem longe daqui! – Estava torcendo por isso.
– Nossa Rose... – Foi apenas o que ela disse.
Não falamos nada durante o filme todo. O filme foi emocionante. Realmente eu gostei. Filmes de romances me deixavam completamente nas nuvens. Iludida. Mais ainda. Ainda estava no ultimo minuto do filme. Mas já sabíamos que iria terminar. Gosto de sair antes dos outros, para não criar muvuca. Apesar de que não tinham muitas pessoas. Fui à frente com dificuldade, pois as luzinhas nos degraus não eram muito nítidas. Mel vinha logo atrás de mim. Ela vinha sem prestar atenção no caminho, pois continuava a assistir ao filme enquanto descia. E eu estava indo devagar, pois tinham duas pessoas em nossa frente. De repente então, Mel pisa no meu pé e eu tropeço. Caio em cima das duas pessoas que estavam à minha frente. Rolando escada a baixo. Assim que pousamos, as luzes do cinema se acenderam e foi então que eu me dei conta.
– Ra-Ra-Rafael?!?!?! – Fui cair logo em cima dele! Que ironia do destino. Nossos rostos estavam próximos, quase demos nosso segundo quase selinho.
– Olha só! Para quem me queria distante, você está bem próxima agora! E ah... Você não é nada leve viu? – Zombou-me ele.
– Ah seu idiota! Como se eu quisesse estar no meio dessa situação ridícula. – Rolei para o lado, me colocando de pé. – É tudo culpa da Melanie. Vem cá! Você está armando para mim sua louca? – Como não pensei nisso antes?!
– Ahhh... Melanie! Este é seu nome? – Perguntou Victor maravilhado, com Mel debruço em cima dele. Quase se beijando também.
Rafael estava se colocando de pé ao meu lado. E eu estava calçando o meu tênis que Mel, “acidentalmente” arrancou do meu pé. Quando fui pegar impulso para me levantar, não agüentei. Meu pé direito doía muito. E cai novamente puxando a blusa de Rafael na esperança de me equilibrar. No mesmo instante, Rafael me puxou pelo braço, me ajudando a levantar.
– Opa! Ta tudo bem com você? – Ele se mostrou realmente preocupado.
– Acho que não. Torci meu pé nessa queda. – Estava doendo muito, e lágrimas escorreram de meus olhos.
– Você consegue andar? – Ele me olhou bem nos olhos e perguntou.
– Na verdade não. – Admiti.
– Tudo bem. Eu vou te ajudar, ok? – Então ele colocou meu braço ao redor de seu pescoço, erguendo-me. – Vamos até o banheiro. Você pode pular com o pé esquerdo?
– Acho que... Posso sim. – Apesar da dor, estava me sentindo bem com aquela situação. Fazia muito tempo que alguém não cuidava de mim desta maneira. Mel permanecia intacta. Não se machucou e nem teve nenhum arranhão. Ela e Victor perguntaram-me como eu estava, mas eles só tinham olhos para si mesmos.
Estava me sentindo ridícula por sair saltando pelos corredores do shopping até o banheiro. Mas pelo contrário, sozinha nunca teria conseguido nem ao menos sair do lugar. Chegamos no corredor dos banheiros masculino e feminino. Não sabia em qual Rafael iria entrar. Ele foi em direção ao feminino.
– Você vai mesmo entrar ai? – Tentei rir, mas minhas costelas doíam.
– Vou. Quem mais poderia te ajudar?
– A Mel... – Quando olhei para trás, a onde está ela?! Nada de Mel. Acho que ela estava fazendo de propósito.
– É. A sua amiga Mel, não está muito preocupada pelo visto. – Ele colocou-me em um banco que havia dentro do banheiro. Neste momento o celular dele tocou, ele tirou do bolso, verificou e disse:
– É do Victor. Ele disse que estão tomando sorvete. – Ele fez uma expressão como se dissesse “Você vai matar a Mel”. Se for o que ele pensou, estava certo. Como ela faz uma coisa dessas comigo? – Vou falar para ele pedir um pouco de gelo em algum fast food para colocarmos no seu pé. – Sorri.
– Me ajude a levantar? Preciso jogar um pouco de água no rosto. – Ele me carregou novamente até a pia. Só depois que me refresquei que me dei conta que borrei minha maquiagem. “Putz!”. Olhei para o espelho com vergonha por Rafael estar me observando logo atrás.
– Por favor, não olhe para mim eu estou horrível. – Estava realmente me sentindo um lixo. Ignorada pela minha própria amiga.
– Para com isso, vai... – Ele puxou um lenço de papel e me entregou para secar o rosto.
Suspirei fundo e olhei bem no fundo de seus olhos. – Porque você está fazendo isso? Porque está me ajudando depois de tudo que lhe fiz? – Francamente, estava confusa. Ele estava me tratando com tanto cavalheirismo.
– Porque você merece. – Ele olhou para baixo e continuou. – Eu conheço tipos como você. Tudo isso é uma mascara, uma defesa para esconder o que você realmente é. O que você realmente sente. – Ele acertou em cheio! Puxa... O clima estava esquentando, quando percebi que estava com a boca entreaberta. De repente Mel entrou com tudo no banheiro, empolgadíssima me tirando do transe, entregando-nos um copo de plástico com o símbolo do Mc e cubinhos de gelo dentro dele.
– Aqui está o Gelo! – Sua expressão mudou de feliz para impressionada. – Nossa Rose, você está horrível! – Quanta delicadeza...
– Olha, valeu Mel. Estou me sentindo muito melhor agora! – Fiz um positivo com a mão.
– Bom... Estamos esperando vocês aqui do lado de fora. – Disse ela por fim, e saiu. Estava exausta! Fechei os olhos e suspirei, relaxando todos os músculos de meu corpo.
– Uhum! – Rafael fingiu uma pigarreio para chamar minha atenção. – Eu posso?... – Ele apontava para o meu pé, pedindo permissão para tirar minha bota. Fiz que sim com a cabeça.
Ele passava o gelo com as mãos em meu tornozelo. E aquilo doía demais. Parecia que tinha levado uma pancada.
– Ai! Está doendo muito Rafa... Será que eu quebrei? – Perguntei com dificuldade. Assim que pronunciei “Rafa” ele me fitou. Fiquei constrangida, mas tentei fingir muito bem.
– É... Quebrar? Não. Acho que não. – Ele dizia confuso. – Você me chamou de Rafa? – Perguntou-me ele, curioso.
– Chamei... Você disse que eu poderia chamar-lo assim. Algum problema?
– Não... É claro. Claro. – Ele fazia sim com a cabeça, mas acho que dentro dela só ouvia-se “Não... Não”.
Quebrando o silêncio, meu celular começou a tocar com “More Than This”. Era minha mãe. Já era de se imaginar... Já eram quase 22h.
– Alô? Mãe? – iniciei com dificuldade, por conta da dor.
– Rose? Tudo bem? Já posso te buscar?
– Tudo... – suspirei. – Pode vir sim.
– Esta bem então. Vou pega-las no mesmo lugar onde as deixei certo?
– Certo. Tudo bem. Beijos. – Disse por fim, e desliguei.
Levei as mãos até os olhos e esfreguei-os. Suspirei de cansaço.
– Rafa... Eu preciso ir. – Fui levantando-me e então cai novamente. – AI!
– Meu Deus... Porque você não esperou eu te ajudar? Como você vai andar assim?
– Rafa... Não consigo. – Estava quase chorando.
– Vou te carregar. – Ele disse e rapidamente já foi me levantando e me acomodando em seus braços. – Tudo bem? – Ele me olhou com um brilho no olhar. Eu estava nervosa com tudo aquilo. Mas não sei o que seria de mim se não fosse ele.
– Muito obrigada Rafa. Mesmo. Sinto muito por ter te tratado daquela maneira.
– Tudo bem, eu não me importo. Sério. Gosto de garotas difíceis.
No corredor de fora do banheiro, Mel e Victor estavam sentados no chão, rindo e conversando. Victor logo se levantou para falar com Rafael e Mel vinha logo atrás. Virei-me para falar com ela.
– Vocês ficaram? – Sussurrei e sorri esperançosa. Já que ela queria tanto, ficaria feliz por ela. Ela fez que não com a cabeça, olhou para Victor e em seguida para o chão.
– Por quê? – Sussurrei.
– Não sei Rose – Respondeu ela por fim, sussurrando. Como assim não sabe? Pensei. Ela queria tanto e me infernizou para conseguir isso. Acho que ela amarelou. Ou ele.
Durante o percurso até a saída do shopping, só vimos algumas, poucas, pessoas, pois o shopping já estava fechando. Passamos pela porta automática e sentamos nos degraus. Eu ainda permanecia em seu colo. Victor e Mel sentaram-se mais para o outro lado, cabisbaixos. “Hahaha, bobos” pensei.
– Rose... – Falou Rafa, baixinho. – Eu gostei de você... Olha, não podemos perder o contato.
– ... – Olhei para ele. Para seus olhos, seus lábios. Estávamos muito próximos. E realmente Mel estava certa, faz muito tempo que não ficara com alguém.
– Rose? – Chamou-me Rafa, me trazendo de volta para a terra.
– Oi... Sim. Eu vou te passar meu número. Ok? – Sugeri. Ele fez que sim com a cabeça, e entregou-me seu celular para eu digitar. Ele salvou e colocou de volta no bolso. – Realmente Rafa, muito obrigada. Não sei o que seria de mim se não fosse você. Eu estou toda quebrada. Estou exausta. Minha cara está péssima. Tô uma verdadeira bruxa, fala sério?!
– Bruxa? Que isso Rose. Você está linda. – Ele me aconchegava melhor em seu colo.
– Olha Rafa... Fale-me a verdade. Porque você e o Victor estavam nos perseguindo?
– Nós realmente achamos vocês duas bonitas. Ainda mais depois que dançaram daquela maneira... – Ele começou a rir, graciosamente.
– Mano... Que vergonha! – Disse tampando o rosto com as mãos toda envergonhada.
– Vergonha? Magina. O que é bonito é para ser mostrado. – Ele tirou minhas mãos de meu rosto com as suas. E nós nos olhávamos bem fundo. Ele colocou a mão em minha nunca e quando dei por mim, nossos lábios já tinham se selado. Foi um beijo calmo. Diferente do Zayn. Com Zayn era aquela coisa quente, aquela... Paixão. Com o Rafa foi doce, amigável. Foi agradável. Assim que o beijo acabou nos olhamos e sorrimos. Ele abriu aquele sorriso encantador de derreter qualquer uma. Então olhei para Victor e Mel, uma comédia. Rafa fez um sinal com a mão como se dizendo “Vai logo, cara”. E pelo visto, Victor entendeu o recado.
– Venha aqui Mel! – Ele puxou-a todo decidido. Mel olhou para mim assustada, com uma expressão de medo, “socorro”. “Hahahaha, que engraçado” eu pensei. E Victor tascou um beijo nela. Ela levou seus braços até o seu pescoço, envolvendo-o. De repente então, ouvimos uma buzina cortando o momento dos dois. Era minha mãe.
– Oh Meu Deus, Melanie. Vamos embora. AGORA! – Gritei. Dei um selinho no Rafa de despedida. – Não vamos perder o contato ta? Tchau. Obrigada por tudo! – Disse muito rápido, nem deu tempo dele me responder. Olhei para Mel e exigi sua ajuda. – Mel, venha me ajudar AGORA a andar até o carro. – Ela puxou o cabelo do Victor para trás e lhe deu um selinho, também. Ofereceu-me seu braço e eu apoiei-me, e então entramos no carro e fomos embora.
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