Além Da Escuridão
2 Capítulo 1 - Positividade.
19 agosto 2019
Abri meus olhos, mas ainda não via perfeitamente,um raio de sol estava bem na minha direção e eu me esforçava pra enxergar.O barulho de uma cortina se fechando me despertou mais e me ajudou a ver,assim que meus olhos se adaptaram a primeira coisa que vi a minha frente era uma pessoa.Pessoa.
Levantei depressa e coloquei meus braços protetoramente na frente do rosto,ouvir a voz de um homem,o que me relaxou.Voz.Quanto tempo não escutava uma.A última foi a do meu pai a seis semanas atrás.
-Calma ruivinha. Eu não vou te machucar. – Ele levantou os braços no ar em sinal de rendição. Eu continuei olhando em direção a ele com um olhar assustado suponho, porque ele me olhava com pena,como se eu fosse uma criancinha perdida.De fato era assim que me sentia.
-Você está sentindo dor?Não mexa muito o braço,ele está quebrado.-Ele disse cuidadosamente e me lançou um olhar que por algum motivo me acalmou.Eu queria perguntar quem ele era.Onde eu estava e o que diabos eu estava fazendo aqui,mas eu não conseguia achar minha voz.Assim como não ouvia a muito tempo,não falava a muito tempo,era somente eu e meus pensamentos.Ele pareceu notar que eu estava com dificuldades de comunicação.
-Não precisa ter medo.A gente está seguro aqui. – Ele forçou um leve sorriso.- Qual é o seu nome?
-Amy — Eu sussurrei surpresa pela voz ter saído.
-Ah então a ruivinha fala.
-Onde eu estou e quem é você? –Eu ignorei o fato de que ele estava me chamando de ruivinha.
-Meu nome é Ben,fui eu quem te atropelei no outro dia.Eu sinto muito.Você estava desacordada e eu não podia te deixar lá.Como você se sente?
-Bem.Eu acho.Bem melhor do que se ainda estivesse naquele lugar.
-Acho melhor você descansar um pouco.Quando se sentir melhor pode descer.-Ele saiu me deixando sozinha em um pequeno quarto.Me levantei da cama com um pouco de dor no braço.Eu quebrei ele me disse, fui até a janela,espiando pela cortina a rua parecia calma,mas a destruição ainda assolava essas terras.Me movimentei devagar até o andar de baixo,meu corpo todo doía,nada com que eu já não estivesse acostumada.
-Também reparei que você estava tento problemas com zumbis. – Ele disse quando entrei na cozinha.Zumbis.Nunca usei essa palavra pra me referir a eles,sempre os chamei de “coisa” mas essa parecia a palavra perfeita.
- Eu estava perdida.Não sou daqui.Eu e meu pai viemos em busca do acampamento de desabrigados,mas não tinha ninguém.-Eu respondi olhando nos olhos dele.Eram azuis,bem azuis.
-Você deve estar com fome,eu tomei a liberdade de abrir sua mochila e...não tinha muita coisa.Aqui. – Ele disse me estendendo uma bandeja com uma fatia de pão,um copo com leite e uma banana quase podre.
-Pão?Leite?Onde conseguiu isso?-Perguntei,mas já estava comendo,realmente estava com muita fome.
-Fico aqui porque é afastado da cidade e tem um lojinha bem aqui na frente,sempre que preciso de algo eu pego lá,de qualquer jeito a fonte secou.Eu estava mudando de cidade quando te atropelei.
-Sinto muito que fiquei no seu caminho. Literalmente.
-Foi culpa minha, mas você podia aprender a olhar por onde anda só por precaução.
-Não vejo pessoas a meses.Não achei que fosse te encontrar.
-E o seu pai,você disse que veio com ele.
-Nós fomos atacados. No acampamento de desabrigados daqui. Ele me disse pra correr e eu obedeci. Pena que não da pra correr da realidade. -Uma lágrima escorreu meus olhos, mas eu limpei antes que ele notasse.
-Sinto muito. -Ele abaixou a cabeça.
-Você vive sozinho?
-Sobrevivo sozinho. -Ele corrigiu. -É, na verdade não faz muita diferença, era fácil viver sozinho antes, agora eu tenho companhia. -Ele disse se referindo aos zumbis.
Um silêncio desconfortante se instalou e eu me toquei que ele talvez esperasse que eu fosse embora. Mas eu não queria ir embora,o lado de fora me assustava demais e eu não me importava que eu não o conhecia e que ele podia ser um maluco com más intenções,eu só não queria ter que voltar pra aquele inferno outra vez.E convenhamos que ele não parece nem um pouco maluco,na verdade ele é realmente bonito e havia algo nele que me passava confiança,mesmo ele tendo cara de que já foi preso pelo menos uma vez.
-Você não precisa ir se é o que está pensando.-Ele me pegou de surpresa e eu não sabia o que responder,comecei a gaguejar a procura de uma resposta.Ele sorriu diante da minha estupidez.-Se você quiser posso te levar até o Colorado,é pra lá que eu vou.Quem sabe os desabrigados sobreviveram lá?Você não pode ficar aqui.Não dá mais.-Ele disse o final da sentença com voz forte e séria.Eu apenas assenti.A esperança começava a crescer de novo dentro de mim.
-Você realmente acha que eles podem ter sobrevivido?-Eu perguntei.
-Esse novo mundo tem que ser construído com positividade moça.-Ele respondeu com um sorriso.Eu sorri de volta.Séria tolo pensar que as coisas pudessem melhorar?
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