Além
1 Capítulo 1 - Dupla Iniciação
Notas iniciais
Leonardo era um garoto perspicaz, tinha 1,72 de altura, olhos azuis, tinha 16 anos, sua massa corporal era de 65 Quilogramas, seus cabelos eram castanhos e ele gostava muito de fugir dos padrões normais da sociedade. Não gostava de usar as mesmas roupas dos outros meninos da sua idade. Ele não possuía nenhum amigo devido a seus costumes estranhos e talvez um ou outro falasse com ele, mas como uma espécie de obrigação, trabalhos escolares ou coisas do tipo. E por esse motivo ele era conhecido como o estranho de sua cidade, que se encontrava no interior e era minúscula em comparação as grandes metrópoles.
Como se não bastasse todos esses desaforos diariamente, ele ainda tinha problemas em casa, onde morava com o pai e sua madrasta, que não era a mais agradável das pessoas. Em sua sala de aula, cursava o 2º ano do ensino médio, havia 34 pessoas com 34 personalidades diferentes, todas muito difíceis de entender na opinião dele. Ninguém em sua sala falava com ele, talvez por medo, para evitar confusão depois, ou simplesmente não queriam despencar sua popularidade. Ele sentava na ultima cadeira da primeira fila, em relação ao lado contrário da saída da sala.
Suas notas na escola eram sempre as máximas, digamos que ele lia tudo que estava em suas mãos, gostava muito de ler. Ele ouvia constantemente, adultos falando quanto mais as pessoas lerem, mais inteligentes seriam, e assim ele achava que ia conseguir algum amigo.
Em sua cidade estavam com alguns problemas em relação a os recursos sanitários, e com isso as doenças causadas pelo mal tratamento da agua lotavam os hospitais diariamente. Era uma coisa meio que esperada, as pessoas denominavam aquele conjunto de sintomas (Geralmente febre, Dores de Cabeça, Diarréia e Náuseas) como Virose sem origem determinada.
Na manhã de 2º de Agosto Leonardo acordou com dores de cabeça que chegavam a parecer que seu crânio estivera se partindo no meio, quando se levantou da cama deu-lhe uma tontura que o fez cair no chão, com uma sensação de náuseas. Ele sabia que aquilo era o que mais lotava o hospital, só que em um grau diferente. Logo ele gritou chamando seu pai, para socorrer ele e foi ouviu os pasos lentos se aproximando da porta, quando ele com muito esforço olhou para a porta, lá estava a sua madrasta com uma expressão de Desleixada, e perguntou:
– O que você está sentindo filho?
Ele odiava o jeito que ela chamava ele porque cada dia mais ela estava querendo tomar o lugar da sua falecida mãe. Mas, como não tinha como recorrer a outro método ele disse meio sem jeito, falou chorando:
– Minha cabeça... é a minha cabeça que está doendo como se eu estivesse no leito de mil agulhas.
Para ela, não havia diferença o que o menino estava sentindo, ela não dava a mínima para ele, tudo que ela queria era que ele voltasse a ficar quieto, para que ela pudesse assistir o seu programa de culinária sem ninguém incomodando, com naturalidade e pressa para voltar para as suas atividades, ela fala desleixada:
– Ah menino, é a virose, vou fazer um chá para passar logo todos esses seus sintomas.
Leonardo calado sabendo que o máximo que conseguiria daquela mulher seria um chá que poderia até estar envenenado, foi se levantando e sem nem conseguir ver as teclas do seu celular apenas apertou o botão de chamada duas vezes, isso no aparelho de celular dele fazia com que o aparelho ligasse para a ultima pessoa que ele ligou.
O celular deu dois Bipes e seu pai atendeu ao telefone perguntando o que tinha acontecido de tão importante para ter de atrapalhar no trabalho dele, que era um pedreiro humilde. Leonardo explicou a situação toda e pediu para que o pai fosse a casa para que o levasse no hospital.
O pai não enrolou, e em alguns minutos já estava em casa, preparando o filho para levar no hospital, só tinha um na cidade. Com os documentos em mão os dois saem na moto do pai do Leonardo em direção ao hospital. O hospital era conhecido como a única coisa que atraia pessoas naquela cidade, Pois era grande e tinha 4 andares. Subterrâneo, térreo, primeiro e segundo andar.
Muitas pessoas estavam naquele hospital com os mesmos sintomas do Leonardo, e isso fazia com que o trabalho dos médicos fossem previsíveis. Ao chegar na sala da médica, que o nome era Vivian e era muito querida, o Pai de leonardo que acompanhou ele começou logo a falar os sintomas que o filho estava sentindo e ela acenando a cabeça em forma de sim, ia anotando tudo em uma ficha médica. Após algumas anotações ela olha para o menino, e disse:
– Garoto, você está com o mesmo que outras 27 pessoas desse hospital estão, eu sei que é complicado, mas é um processo em que o vírus está alojado, e você terá de tomar alguns remédios e muito, mas muito soro para que você não desidrate, eu sei que você já apresentou febre alta, e cada vez mais está piorando.
Logo ao sair da sala do médico foi encaminhado a um dos quartos do hospital onde não havia ninguém, todos os outros estavam lotados, e ninguém ainda tinha chegado para completar esse. E mais uma vez, o destino teria traído o Leonardo, fazendo com que ele fizesse sempre tudo sem amigos. A enfermeira pediu para que ele deitasse na cama para aplicar-lhes o soro com a medicação, ele se deitou e logo sentiu aquela dor fina e que te deixa sem reações entrar em seu braço.
Os soros passavam-se interminavelmente, e o pai do menino falou que ia ter que sair por volta das 22h00min, porque abandonou tudo nesse dia e teria que organizar as coisas de casa. Depois de 20 minutos que o pai havia saido chega a madrasta de Leonardo, com uma cara de enfurecida porque estava sendo muito incomodada pela doença do menino.
As 22h47min a madrasta do menino havia dormido, e ele estava no completo tédio, pensativo, um pouco triste com tudo que estava acontecendo com ele, decepcionado porque com ele tudo havia de ser mais complicado, era como se tivesse nascido para sofrer.
Ele então pensou em dar uma volta no hospital para pensar em outro lugar, não aguentava mais aquela sala, com aqueles ventiladores girando sempre na mesma ordem, aquele silêncio desprezível, e ninguém mais chegava a seu quarto. Então ele se levantou da cama silenciosamente enquanto a madrasta estava dormindo na cadeira, e de pés descalços mesmo ele foi para o elevador.
Ele estava no Segundo andar, e queria descer, sair daquele quarto que não aguentara mais ficar. foi em direção ao elevador, com passos lentos para não ser descoberto, sua respiração estava quase parada, e seus sintomas da virose estavam desaparecendo graças aos efeitos dos remédios.
Ele se depara com o elevador e aperta o botão para que o elevador abra e ele possa ir para o subsolo ou ir para um lugar em que a madrasta não o descubra.
Quando a porta do elevador abre lá está uma menina com o rosto pálido, como se estivesse chorando há dias, seus cabelos eram loiros acima de sua cintura e ela usava uma pulseira preta com uma linguagem estranha. Os olhos verdes da menina a faziam parecer uma boneca de filme que todas as meninas a invejavam. O silêncio dominava o local, nenhum dos dois falava e ele não sabia para qual andar iria, para tentar quebrar o silêncio e acompanhar a menina seja lá para onde ela esteja indo. Ele fala com um pouco com um tom de insegurança:
– O-oi, para onde você está indo?
Ela fica surpresa por ele ter falado com ela, nunca tinha visto esse menino, era como ele, calada, isso o fez chamar a atenção dele, tanto que normalmente as pessoas já o conheciam e nem gostavam de estar perto dele. Ela quebrando a expressão de palidez, forçou o sorriso e falou:
– Eu estou indo para o subsolo.
Ele surpreso com o primeiro diálogo que ele sabia que era verdadeiro e que muito interessado na primeira chance de ter uma amiga. Ele fala tentando ser amigável:
– Ah, legal, e o que tem lá no subsolo?
A expressão angelical da garota foi quebrada, e ele mudou de expressão meio que sem jeito, porque ele sabia que era culpa dele que ela tinha ficado daquela forma. Depois de alguns segundos, pálida e de cabeça baixa, Leonardo já ia pedir desculpas quando ela olhou para ele com um tom mais sério e disse:
– Estou voltando para onde não deveria ter saído por muito tempo.
Antes que ele pudesse falar alguma coisa, ele sente que o elevador parou, e a porta começou a se abrir, a menina com passos lentos e quase como um robô foi andando em direção a porta. Tudo estava muito escuro, só dava para ver um longo corredor com as luzes desligadas, a menina vai em direção a esse corredor, e pouco antes de sumir no escuro, Leonardo pergunta quase que gritando, já apressando o passo para acompanhar sua quase nova amiga, ele não consegue imaginar alguém indo entregar uma alguma coisa num lugar daquele:
– Ei! Como é o seu nome?
Ela olha para trás com a mesma expressão pálida, como se quisesse gritar, estivesse com medo, e olhando já distante do menino ela fala um pouco baixo:
– Lúcia... eu me chamo Lúcia.
Seguido dessas palavras ela some em meio a o grande escuro.
Como era de se esperar, Leonardo corre em direção de Lúcia, mas não consegue ver nada no meio a grande escuridão, mas encontra um receptor que ele aperta na esperança que sejam as luzes, ele pressiona o receptor, e as luzes fluorescentes vão acendendo em efeito dominó no subsolo, não tinha ninguém lá, o que era estranho, as coisas estavam um pouco empoeiradas. Sua visão ia buscando algo para se fazer, sua mente estava preocupada, até ele se avistar com um objeto de vidro na parede como se fosse uma espécie de placa vermelha com o nome: “ARÉA XY-A”.
Um barulho absurdo penetra na cabeça dele, sem ter sentido, apenas um zumbido perturbante que fazia o coração bater mais rápido, ocasionando o nervosismo e desespero imediato.
Leonardo entra em pânico, sua boca faz um “O” e ele não sabe o que fazer e começa a correr aterrorizado para o elevador, chega lá e aperta os botões para voltar ao andar que estava internado, chorando e escutando o barulho do elevador, fica esperando quase com a cara encostada na porta, apressado para voltar para chamar alguma espécie de ajuda.
Quando o elevador abre e ele sai correndo quando vai chegando perto do quarto dele, lá está sua madrasta na porta do quarto com uma cara de fúria gritando com ele, ele grita com ela de forma que ela se surpreende, já que o menino não olha nem nos olhos dela.
– Ela está lá em baixo! Temos que chamar a ajuda! A Lúcia... Ela...!
A madrasta fica assustada e ele começa a dar reclamações com uma voz tênue... Ela insistiu por falar que não tem ninguém lá em baixo, que ninguém nem está indo lá em baixo, porque está em manutenção, e é uma área proibida para “visitantes”.
Em meio as reclamações, Leonardo escuta a voz da madrasta decrescendo, sua visão embaraçando, se sente quente, incomodado. Lá estava ele, desmaiando com plenos 42 graus de febre, quase que... Além.
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