Notas iniciais
Bom, trago agora o verdadeiro inicio da história e a introdução do nosso protagonista. Boa leitura!

Orfanato Sol Nascente — Nagoya

– Ahhhhh! – Gritava o garoto, sentando-se rapidamente na cama. — Esse sonho novamente... Pareceu tão real desta vez... – Dizia, sem ao menos conseguir respirar direito. Após tomar fôlego e coragem, o garoto finalmente se levantava, deixando a cama e seguindo em direção ao banheiro, na esperança de que um longo banho quente removesse as lembranças desse pesadelo de sua cabeça.

Os dias eram sempre cinzas e iguais, tudo parecia estar em um loop eterno, onde não havia saída. A rotina era sempre a mesma de sempre, acordar no mesmo horário, banho, café da manhã, escola e em seguida o serviço, nas últimas semanas, parecia que nem mesmo seus sonhos mudavam. A única coisa, ou melhor, a única pessoa que conseguia quebrar esse loop era a sua sempre tão alegre irmã gêmea, Karin, que foi levada para o orfanato, por sorte, junto com seu irmão há cerca de 12 anos atrás, após a repentina morte dos seus pais.

Em algum lugar no interior de Kitanagoya

– Não estou duvidando da decisão dos senhores líderes, afinal, eu não tenho esse direito, mas, isso pode ser perigoso, correr atrás de algo que por decisão foi escolhido ser deixado de lado e agora após 12 anos correr atrás do legado que foi deixado para trás, eu não acho que isso seja uma boa ideia, até porque isso agora pode levantar suspeitas e... – Falava com um tom de indignação a garota que mantinha seu rosto submerso nas sombras da sala, até que subitamente era interrompida por uma voz calma e suave.

– Lizzie, não vamos reclamar, além do mais se essa opção foi tomada pelos três líderes com resultado unânime é porque com certeza eles já têm as respostas formuladas caso algo de errado aconteça.

– Eu não falei com você, Akinori! – Retrucava a moça que agora olhava firmemente contra o homem encostado na porta.

– Apenas mantenha a calma, Lizzie. Líderes, como vocês sabem, o comandante da equipe está fora ainda em uma missão especial, sendo assim, eu ficarei responsável por buscar o garoto, está tudo bem assim?

– Eu odeio o jeito que você puxa o nosso saco, Akinori. Vá logo junto com a Lizzie e traga esse garoto para nós a qualquer custo. – Dizia um senhor de aparência velha e rabugenta.

– Hahaha, o senhor não muda, de qualquer forma, montaremos um plano para se infiltrar no ambiente do garoto e trazê-lo.

– Muito bem, avisem quando chegar ao local, irei para a minha sala, se precisarem de algo, sabem onde me encontrar. – Dizia o rabugento senhor de idade que trajava um sobretudo negro com um grande símbolo talhado em suas costas, empurrando Akinori da porta, abrindo-a e saindo, fechando a porta com bastante força.

– Também irei para minha. – Dizia o jovem líder da ordem.

– Mas senhor...

– Lizzie, você sabe que eu adoraria lhe ajudar, porém, essa decisão é muito maior do que nós, e também, segundo os anciãos, ela é por um bem maior, poderia cumprir ela, por favor? – Dizia o homem enquanto segurava o delicado queixo da moça enquanto olhava diretamente para os olhos da mesma.

– S-sim, senhor... – Dizia olhando para baixo.

– Obrigado. – Dizia com um grande sorriso, até se virar e deixar a sala.

– Lizzie, melhor irmos agora, não queremos nos atrasar.

– Tudo bem. – Falava com dificuldade, já que rangia os dentes de raiva por não suportar a ideia de estar tendo que seguir ordens de Akinori.

Orfanato Sol Nascente – Nagoya

– Yu Yu, melhor sairmos agora, caso contrário chegaremos atrasados na escola. – Dizia a linda jovem com um longo sorriso e um cabelo longo e negro como a noite.

– Karin, já pedi para não me chamar por esse nome... Você sabe que eu odeio isso. – Dizia o garoto trajando um uniforme preto de colegial típico. — Tudo bem, vamos, afinal, isso é parte da minha rotina. – Falava jogando sua maleta por cima dos seus ombros.

A ida para a escola talvez fosse o único momento tranqüilo da manhã de Yuzo, pois finalmente podia ficar a só com seus pensamentos e refletir sobre seu passado, presente ou futuro, porém, era na escola onde todo o drama começava. Uma escola pública do Japão, com uma taxa não muito elevada de estudantes com médias altas, uma escola que poderia ser dita como uma verdadeira hierarquia, separada por diferentes grupos, clubes ou pessoas, mesmo com uma variação razoavelmente “grande” de turmas, o garoto ainda sim, não sentia que fazia parte de nenhum daqueles grupos.

Porém, algo não parecia normal para o Yuzo, algo ainda o incomodava, talvez a palavra não seja “incomodava” e sim “intrigava”, o que intrigava Yuzo era o fato do garoto parecer estar sendo observado por alguém e embora olhasse para todos os lados ele não conseguia ver de onde vinha o olhar.

Koritsu Gakko Nagoya – Nagoya

A primeira hora da tortura diária de Yuzo havia começado, nada de muito surpreendente no atual momento, mesmas conversas de sempre entre a turma, a rotina de sempre, algo que já havia sido um costume para o garoto, porém, de repente, a rotina foi quebrada, graças a uma sensação que ele sentiu momentos atrás, a sensação de ser observado e ao olhar rapidamente para as janelas que davam para o corredor da escola o mesmo via uma garota que junto com a diretora observava a sala por dentro, a garota vestia o uniforme típico feminino da escola, porém, o que chamava a atenção era seu lindo cabelo loiro e seus olhos azuis, que combinavam perfeitamente com o formato de seu rosto, será que esse era o motivo da intriga e da sensação de ser observado que ele sentia?! Uma garota nova na classe?! Cada palavra que surgia solta pela cabeça de Yuzo era praticamente um passo da garota se aproximando da porta, até adentrar a sala por final.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Peço por favor que postem seus comentários, dicas, sugestões ou elogios, isso realmente ajuda muito o leitor. Até o próximo.