Akuma No Mai

12 At Eternity: Esse mordomo, Em frente


Notas iniciais
Bem, este é o último capítulo de Akuma no Mais, boa leitura!

Após o ocorrido na igreja, o barão Gray foi devidamente linchado por todos os pais de família presentes na festa, que acabaram presos por agressão mas logo foram soltos, ao contrário do barão, que foi carregado para o interior do lar da Rainha e de lá sabe-se Deus o que acontecera a ele.

Ciel retorna com Letícia nos braços para a mansão e a leva até o próprio quarto, onde a deita delicadamente na cama. O moreno cuida pessoalmente de todos os machucados da menor, que não se importa muito com pudores a esta altura, pois quer apenas parar de sentir dor. Com uma pequena toalha úmida, ele massageia os hematomas presentes na pele da menina, que geme de dor e por vezes range os dentes. Ao fim, Ciel deixa Letícia descansando e sai do quarto, descendo as escadarias que há pouco atacara com finas porcelanas e observando a chegada do par de demônios à casa.

- Onde ela está? – Louise pergunta, parecendo até bem preocupada.

- Descansando no meu quarto. Não a importune – ele diz.

- Fez um ótimo trabalho My Lorde – Sebastian ressalta.

- Eu sei. Odeio ter que fazer isso, mas... Muito obrigado, Louise. Suas habilidades são excepcionais – o garoto beija a mão esquerda da akuma.

- Ora, não é assim que um conde como o senhor se porta – Louise retira a mão rapidamente – Onde foi parar o Phantomhive que eu conheci?

- Tanto faz. Talvez este aqui presente seja melhor que o que você conheceu – ele sorri.

Mais tarde, ao servir o chá, Sebastian finalmente decide contar a Ciel o que ocorrera na noite da festa entre si e Louise.

- E então, o que queria tanto falar comigo? – o garoto beberica seu chá.

- A história toda é muito longa e embaraçosa. Devo apenas informar-lhe que... – o moreno quase engasga com a própria saliva – Q-que eu e a senhorita Louise unimo-nos na noite do baile – pela primeira vez, o mordomo fica vermelho de vergonha perante seu amo.

- Só isso...? – o garoto parece convencido – Eu já desconfiava. Você passou o mês inteiro sumindo de dentro da mansão. Só podia estar com ela. E como eu te disse algum tempo atrás... Você está apaixonado por ela – ele ri.

- P-pode se dizer que é isso. Mas como eu lhe disse após aquilo, também a temo – o moreno segue corado.

- Não fizeram mais nada depois daquela noite? – Ciel indaga curioso.

- S-senhor! Poupe-me a vergonha, por favor! Tal coisa não é de vosso interesse.

Depois de um silêncio esquisito, ouvem-se alguns barulhos no segundo andar da mansão, e passados poucos minutos, Letícia desce as escadas lentamente, toda de preto como de costume. Ciel a fita maravilhado, mas logo recobra sua face séria de sempre. Ao chegar à mesa, a menina senta e pergunta ao maior:

- O que você fez?

- Hã? – o conde se apavora por dentro.

- O que você fez, pra que todos aqueles machucados desaparecessem? Não sinto nenhuma dor. Estou plenamente recuperada! – ela exclama, mostrando o braço esquerdo ao garoto – Viu? Nenhum roxo.

- Isso se deve ao poder de akuma que ele tomara de mim para lhe salvar – Louise explica – Esse pirralho conseguiu passar para a senhorita o poder de regeneração somente com o tratamento dos ferimentos.

- Com que direito me chama de pirralho? – Ciel levanta da mesa.

- Perdão senhor. Ainda estou um pouco abalada por causa da situação – a loura se abaixa.

Em outra mansão, uma menina de cabelos louros e cacheados recebe as correspondências da família apenas por passatempo. Elizabeth fita carta por carta, até encontrar o envelope destinado a si própria. Junto da janela, vendo o entardecer avermelhado, ela lê a carta de Ciel demoradamente, palavra por palavra. Ao fim, a menina olha co ternura para as letras tremidas, dá um beijo no papel azulado e sorri, deixando algumas lágrimas rolarem de seus límpidos olhos. “Não se preocupe comigo, eu vou ficar bem, tá...?” Ela pensa consigo mesma.

Mais alguns dias se passam depois do ocorrido. Ciel e Letícia hora se comportam como crianças normais, hora se comportam como um adulto casal comprometido.

Por falar na condessa Brook, ela e seu mordomo alugaram a mansão da família para alguns estrangeiros, e agora moram na casa Phantomhive. Numa bela manhã de chuva, Ciel aparece na sala de estar com uma caixinha preta nas mãos. Ele vai até a condessa, que estava observando a chuva cair desordenadamente pelo jardim, se ajoelha desajeitado à frente da menina e anuncia:

- Condessa de Brook, a senhorita dar-me-ia a honra de se unir a mim em uma só família? – ele abre a caixinha, e lá está seu anel de família.

Letícia fita o maior surpresa, se joelha até ele e responde:

- Conde Phantomhive, o senhor dar-me-ia a honra de se unir a mim da mesma forma com que me pediste? – ela tira o anel do próprio dedo, puxa a mão de Ciel e sorri.

- Sim – ele sorri também, recebendo no dedo anelar a jóia da família Brook, e retribuindo o gesto com seu anel, colocando-o no dedo da menor.

Devagar, os dois se aproximam, sentem a respiração um do outro e tocam os lábios. O moreno se levanta primeiro e estende a mão para ajudar a agora noiva, depois grita:

- Sebastian, tudo pronto?

Sim, My Lorde, o senhor e a condessa já podem adentrar a carruagem, finalmente deixaremos este centro. – o mordomo sorri, e então todos deixam a casa, entrando na carruagem se seguindo viagem.

Ao chegarem à propriedade de Ciel, Sebastian desce primeiro, quase às pressas, e puxa Louise para que fale com ela sem que as crianças ouçam.

- Ele fez o pedido a ela hoje pela manhã – ele sussurra.

- Ótimo. Então eu vou na frente e arrumo tudo. Enrole os dois por uns cinco minutos – ela manda.

- Gyaa! Senhor Sebastian! Conde! Até que enfim voltaram! – May Rin grita da altura da escadaria lateral, alarmando Finny que cuidava do jardim tão distraído que sequer notou os passos dos cavalos.

- Senhor Ciel! Que bom!

- Bem, não será necessário que eu os enrole, esses aí já são o suficiente – o mordomo ri, pegando as malas dos patrões.

Louise então corre para o interior da mansão, reconhece todo o território e faz algo lá dentro.

Após quase meia hora de explicações e boas-vindas, Ciel e Letícia finalmente se livram de Finny e seguem para dentro de casa.

Ao passar pela porta da frente, os dois se surpreendem com a sala de estar completamente decorada com rosas vermelhas e muitos outros enfeites. Numa bancada, um tecido cinza-escuro dá suporte ao livro de Edgar Allan Poe,aberto no poema “O Corvo” e a dois castiçais com velas acesas. A mesa da sala de jantar está toda posta como se para uma festa, com um peru enorme ao centro e demais comidas que cheiram muito bem. No instante em que o garoto abre a boca para perguntar o que é aquilo tudo, Sebastian aparece atrás da bancada trajando seu melhor fraque, e diz:

- Que se inicie a união entre o Conde Phantomhive e a Condessa de Brook – o mordomo sorri.

- Mas o quê... – o garoto começa, sendo imediatamente respondido por Louise, que aparece ao seu lado.

- Preparamos o “casamento” de vocês. Eu levo a noiva – a loura toma o lugar de Ciel ao lado de Letícia. O menino corre até a bancada e olha ansiosamente enquanto a menina é trazida pela sua mordomo. Ao fim do trajeto, a mulher entrega sua ama ao noivo e fica ao lado de Sebastian, que começa a cerimônia:

- Hoje, temos aqui duas almas comprometidas consigo mesmas, que pertencem ao submundo. Almas estas que se uniram à força por um único objetivo, e que se encontraram em meio ao caos. Almas que se repeliam ao máximo, devido ao escárnio e à ironia, e que se identificaram pelo mesmo medo e dor. Sendo assim, nós, demônios sem espírito, concedemos a estas duas almas a união eterna, que ultrapassará até mesmo o dia em que suas almas nos pertencerão. Assim declaro.

Desse modo, Ciel se vira para Letícia, e eles selam mais uma vez os lábios um do outro.

A comemoração segue noite a dentro, e já a altas horas da madrugada, os recém-casados decidem finalmente irem dormir. A menina vai se dirigindo a um quarto de hóspedes, mas o maior a detém, lhe segurando pelo braço.

- Não precisa ir. Agora que nos unimos, pode dormir em minha cama, comigo – ele a olha com ternura, e ela aceita. Eles entram no quarto e a menor senta devagar no colchão fofo. Ciel senta ao lado dela e se ajeita na cama, puxando Leticia para que deite em seu peito e lhe acariciando os cabelos escuros.

- M-mas... E quanto a... – ela gagueja, corada.

- Não se preocupe com tais formalidades, vamos esperar mais algum tempo, atue nossos corpos estejam preparados para algo assim – ele diz, de olhos fechados.

- Então, faremos isso quando completarmos dois anos juntos, tá...? – ela se aconchega sobre o corpo aquecido do rapaz.

- Sim... – ele responde.

Quase dois anos se passam desde o casamento de Ciel e Leticia. Os contratos seguem firmes e fortes, e os trabalhos para a rainha também. O quarteto serve à Ela com muito mais eficiência do que quando eram apenas duplas.

Na noite em que completam dois anos de união, os dois jovens estão sozinhos em casa. A garota lê um livro qualquer na cama, quando percebe o maior se aproximando lentamente.

- Estamos sozinhos aqui, sabia...? – o moreno fala – E... Hoje completamos exatos dois anos de união... Lembra...? – ele sobe devagar na cama, ficando sobre Leticia, que sente um calafrio.

- É... É hoje...? – ela larga o livro no chão e fita Ciel.

- Sim... Hoje foi o dia que combinamos dois anos atrás...

Sem mais palavras, o moreno beija a menor sob si calorosamente. Pela primeira vez eles sentem mais que os lábios um do outro. O maior abre os botões da blusa da menina, e ela puxa a camisa dele.

Finalmente, Ciel e Leticia pertencem um ao outro.

Finalmente, eles se permitem abris os corações e mostrar os próprios corpos.

Finalmente, eles se entendem.

Notas finais
Então é isso... Muito obrigada pra que leu a fic e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!