Akira-chan
1 Oneshot
Notas iniciais
AKIRA-CHAN
- Maji?
Akira inclinou-se na direção do loirinho à sua frente, os cabelos espetados com gel nao se movendo um centímetro. O menor trazia um caderno nos braços agora desnudos devido às mangas dobradas da camiseta. Takanori esperava uma resposta do mais velho, os olhinhos escuros singelos e o semblante compenetrado, denunciando que ele levava muito à sério o que fazia.
- Você ouviu, Aki, eu não tenho o tempo todo – o menor revirou os olhos, parecendo irritar-se – O que você quer na sua festa surpresa?
Akira entortou a boca num meio sorriso debochado.
- Percebeu o que está dizendo, Taka?
- O quê?
- Vocês querem preparar uma festa surpresa para mim e estão me contando?!
- Hai, e se você continuar enrolando para falar o que quer não vai dar tempo de fazer nada!
- Porque é hoje – Akira manteve o soriso incrédulo.
- Exatamente! – Takanori bateu o pé – Fala logo, po!
Akira deu um peteleco na testa do baixinho, desequilibrando brevemente Takanori, que se enfureceu de vez.
- Vá se catar, Suzuki! Eu to querendo ajudar e ganho um tapa na cara? Não falo mais com você também, seu... sua... calopsita ambulante!
O mais velho riu com vontade, observando o menino de oito anos lhe dar as costas e se distanciar com passadas largas.
- Taka, você é muito criança mesmo! – Akira disse em meio às risadas, ignorando que estava completando apenas oito anos de idade – Garanto que nem sabe o que é uma calopsita! Deixe de ser baka, Tananico... Taka? – o loiro gargalhou com a arrogância do outro – Takanori, volte aqui!
O loirinho não lhe deu ouvidos e sumiu na primeira esquina, a camiseta laranja e as calças verde-escuras se mesclando às cores dos jardins floridos. Ele parecia bastante ofendido.
Era uma figurinha engraçada, aquele Takanori.
- Maji? – repetiu Akira para si mesmo. Ele não entendera bulhufas da ideia de Takanori, que chegara do nada após a escola lhe falando sobre festa de aniversário surpresa. Taka falara algo sobre ele e os outros garotos estarem com dificuldades em organizar uma festa para alguém tão sem sal como ele. Sem sal! Ele não tinha sido chamado de calopsita a poucos instantes? Uma calopsita certamente não era algo comum ou sem sal!
Mas Akira não se importava realmente com aquele tipo de implicância. Ele apenas ria e devolvia as brincadeiras, como sempre – e, tratando-se de Takanori, respondia também com um peteleco na cabeça do menor. Qual era o objetivo do nanico em estragar todo o trabalho que os outros deveriam estar passando? Akira conseguia visualizar a cara de Yutaka com perfeição ao saber da revelação antecipada: ele primeiro ficaria surpreso, depois assustado, em seguida furioso e finalmente frustrado e triste. Seria engraçado poder ver as reações de Yuu e Kouyou, provavelmente opostas – o mais velho furioso, e o mais alto divertindo-se da situação embaraçosa.
- Tadaima! – Akira saudou assim que passou pela porta da frente de sua casa, mas não recebeu nenhum cumprimento de volta. Aquilo era estranho... Sua mãe não estava? Teria ela ido buscar sua irmã na escola? Não era algo que costumava acontecer...
Akira deu de ombros e largou a mochila em cima de uma cadeira na cozinha. Ele subiu as escadas até o segundo andar da casa, procurando por alguém, mas encontrou todos os cômodos vazios e silenciosos. Silenciosos demais... Será que...?
- Ele tá...
- OME- AI, que droga!
- Cala a boca, infeliz!
- Mas doeu!
- Só porque você é um nanico mimado, mesmo...!
- Parem que ele vai...
Akira se dirigiu até o lugar de onde vinham os sussurros: a porta fechada do seu quarto. O menino escancarou a porta em um único movimento, mas não avistou ninguém. Os sussurros imediatamente cessaram, mas Akira ainda podia ouvir uma certa movimentação dentro do seu guarda-roupas espaçoso. Ele esperou dois segundos e abriu a porta do roupeiro com rapidez, fazendo Takanori, Yuu, Yutaka e Kouyou caírem em cascata aos seus pés. O aniversariante riu de canto.
- O que é isso?
- Hum, er... omedetou? – Takanori deu um sorriso amarelo e recebeu um cutucão no braço de Yuu, que estava emburrado – Po, para com isso, Shiroyama! Qual é a tua?
- Você estragou tudo, caramba! – respondeu o moreno.
- Mas vocês disseram “agora”!
- Vocês disseram “agora”? – perguntou Kouyou, parecendo surpreso.
- Ninguém disse “agora” – explicou Yutaka, respirando forte – Eu disse “olha”, porque ele estava perto do quarto!
- Mas eu entendi “agora”, com todas as letras!
- Tá, já entendemos isso! – Yuu virou os olhos escuros para o outro lado, parecendo bravo.
- Vai querer brigar, Shiroyama? – Takanori prontamente ergueu as mãos e fechou-as em punhos, desequilibrando-se e caindo por cima de Kouyou outra vez. Ninguém tinha atinado a se levantar ainda.
- Você está sempre querendo apanhar ou é impressão minha, nanico?
- Podemos lembrar o porquê de termos nos amontoado no roupeiro do Aki-chan, por favor? – a voz de Yutaka soou firme, apesar da pouca idade. Todos se calaram e se ergueram, parecendo constrangidos.
- Omedetou, Akira-chan! – eles murmuraram em um uníssono baixo e sem graça.
- Maji? Não ouvi... – Akira brincou, sabendo que aquilo enfureceria o caçula do grupo.
- Ah, vá se catar, Akira! Estamos tentando te dar os parabéns, po!
- Arigatou – o loiro agradeceu com uma pequena reverência, rindo-se – Mas... Vocês já não tinham feito isso de manhã, não?
Os quatro trocaram olhares e sorrisos cúmplices.
- Hai, hai... – começou Kouyou em seu tom vago costumeiro.
- Pois é... – disse Yutaka se balançando nos calcanhares, as mãos nas costas.
- Não é querer ser chato, mas o Taka já me contou sobre a festa surpresa – riu Akira. O semblante de Yutaka se modificou do jeito que Akira prevera, porém de forma exagerada.
- Poxa, Takanori, o que você fez? – o moreninho perguntou quase que pausadamente.
- Eu achei que resolveria os nossos problemas de ideias... – o menor encolheu os ombros, defendendo-se.
- Mas ele não podia saber! – disse Yuu, e dessa vez ele não estava nem um pouco bravo; pelo contrário, mal podia conter um sorriso. Akira franziu o cenho.
- Bem, mas nem deu certo, não é? – emendou Kouyou. Akira percebeu que ele evitava seu olhar – O Akira descobriu a gente aqui também...
- Culpa do Takanori.
- Ninguém te perguntou, Yuu!
- Parem com essa bichice dentro da minha casa, certo? – o aniversariante cortou a nova discussão – Vamos descer e fazer alguma coisa, então...
- NÃO!
Akira encarou os quatro com desconfiança.
- Por que não?
- Porque... – Takanori buscou o olhar de Yutaka instintivamente.
- Porque... – devolveu o mais alto.
- Pra que descer se podemos brincar aqui? – argumentou Yuu, usando seu ar de “mais velho do grupo” – Está meio... frio na rua.
- Não está, não! É primavera, Yuu! – Akira retrucou – Acho que não tem nem nuvem no céu.
- Tá, tá, que seja! Vamos ficar aqui porque sim – disse Yuu irritando-se novamente.
- Vocês estão mais estranhos do que de costume hoje...
Akira se virou e estendeu a mão na direção da porta, e então tudo aconteceu como em um filme em câmera lenta. Os outros meninos correram, voaram, se jogaram na direção do loiro, tentando segurá-lo dentro do quarto. Percebendo o perigo, Akira escapou com um pequeno jogo de corpo e correu escada abaixo. Ele sem dúvidas era o melhor em esportes dentre os cinco. Os outros corriam atrás, os braços estendidos enquanto pediam para o aniversariante voltar para o segundo andar da casa.
Mas foi em vão. Akira continuou com sua mini-maratona pela casa. Ele tinha um meio sorriso divertido no rosto quando chegou na sala, mas então congelou. O sorriso sumiu dos lábios finos e Akira sentiu sua boca abrir-se em espanto.
- Oh! Akira-chan, você já está aqui? Omedetou! – sua mãe caminhou até ele e o abraçou carinhosamente, beijando-lhe as faces.
- Maji? – foi tudo o que o menino conseguiu dizer enquanto sua avó também o cumprimentava com ternura.
Naquele momento, os quatro amigos de Akira o alcançaram na sala, um tanto ofegantes pela corrida inesperada. Takanori tentou estapear a cabeça de Akira, como ele fizera mais cedo, mas só conseguiu atingir o ombro do outro.
- Viu o que você fez? Sua okaa e sua obaa nem conseguiram terminar as coisas direito ainda! – repreendeu o caçula como se fosse o mais velho.
- E nem deu tempo de ninguém chegar ainda! – emendou Yutaka, avistando somente as duas senhoras e a irmã de Akira.
- Maji??? – o loiro se voltou com surpresa, fazendo todos os presentes rirem.
- Você está falando isso demais, Aki-chan, controle-se – riu Takanori, escapando por pouco de um empurrão.
- Oras, Akira... – Kouyou sorriu – Isso tem cara de festa de aniversário para você? Nós falamos com um bocado de pessoas...
- Vocês? Então vocês realmente fizeram...?
- Sua okaa-san pediu nossa ajuda com seus colegas – Yutaka sorriu abertamente, exibindo suas covinhas.
- E também era nosso dever te distrair lá em cima enquanto arrumavam as coisas aqui embaixo, mas você não quis colaborar... – Yuu lançou um olhar significativo ao loiro, que coçou a cabeça desajeitadamente.
- Gomen, eu não sabia...
- É por isso que se chama festa surpresa, Suzuki! – riu-se Takanori e os outros o acompanharam, inclusive o aniversariante.
- Etto... Isso foi... bem legal... – o loiro de cabelos arrepiados permanecia sem saber para onde olhar.
- Tanjoubi omedetou, Akira-chan! – os quatro disseram em uma só voz alta e animada.
Fale com o autor