Aki-chan
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Cap. 1 E então, apaixonado
Na ultima mesa reservada em uma popular boate em NY dois homens
se fitavam á algum tempo um deles era o dono da boate o Sr. Johan cuja a história, ou pelo menos seu resumo, fora narrada no prologo. Trata-se de um jovem de 28 anos moreno de 1,78m de olhos azuis claros e cabelos longos até o pescoço amarrado em um forte rabo de cavalo negro como a noite, apesar de jovem sempre mantinha o semblante serio e era muito prudente e desconfiado, a vida e os negócios o ensinaram bem , á sua frente estava um homem um pouco mais velho por volta dos 30, usava um traje formal e tinha uma postura que a muito não se via por ai, a postura dos homens antigos, verdadeiros cavalheiros ingleses (quando isso era moda é claro), a despeito das roupas e porte parecia ser relativamente novo seus cabelos castanhos e olhos da mesma cor tinham uma aparência viva e sedosa como os de pessoas vaidosas mas ao contrario das mesmas parecia ser um efeito natural deles ele se auto denomina Baltazar no entanto as chances de ser o nome verdadeiro são baixas, a despeito disto ele em uma voz mansa, como a de quem conta uma história para dormir, começou a narrar sua sina:
Como já lhe disse senhor sou gay e descobri isso a poucas horas mas não foi de uma hora para outra que me vi interessado por outro homem.Sou diretor chefe de uma grande empresa(também já disse isso) e sou extremamente ligado ao meu serviço tanto que por vezes não volto para meu lar durante todo um dia indo apenas para um banho por isso Sr. Não sabe a felicidade que senti ao descobrir uma cafeteria que servia café, almoço e jantar logo na frente de minha empresa sei que deve soar estranho uma cafeteria servir esses pratos mas como se tratava de uma mudança recente e abrupta da antiga estrutura (cujos motivos são irrelevantes) e por causa dela a cafeteria estava enfrentando problemas com a infidelidade, se é que podemos falar desse modo, de seus antigos clientes e portanto se viu obrigada a cortar gastos e utilizarse de promoções e outras espécies de atrativos para reestabelecer uma nova clientela, o que não demorou muito, eu fui um deles é claro praticamente todosos dias eu almoçava e jantava naquele lugar sempre que podia levava meus colegas de serviço e então também adiantava meus trabalhos possibilitando, com isso, sair mais cedo da empresa, como os preços eram baixos e o cardápio além de variado era saudável eu parei de fazer compras e de desjejuar pela manhã para só comer na cafeteria isso e poupava tempo e não encarecia quase nada em minha vida e eu estava satisfeito.
Houve um momento, um pequeno período, de silêncio enquanto Baltazar sorvia o liquido espeço que fora servido antes de Johan lhe falar, logo voltou a continuar, os olhos fitavam a mesa com um grande interesse aparente. Ele continuou:
Mas houve um dia que, infelizmente, a cozinheira de lá sofreu um acidente e veio a falecer creio que se narrasse esse acontecimento eu o narraria como fizera Benjamin Button mas eu não narrarei assim, basta saber que ela morreu. A questão é que por dois dias a cafeteria ficou fechada e por dois dias me alimentei apenas de fast food. A cafeteria foi aberta relativamente cedo, claro que a morte da cozinheira não passou despercebida, pelo que soube ela não possuía uma família biológica de forma que os funcionários da cafeteria eram também os membros de sua família e eles pensavam da mesma forma, tanto é que por todo o primeiro mês do óbito eles vestiam trajes negros e serviam como sobremesa gratuita, o doce preferido dela e logo na entrada havia uma grande foto emoldurada da amada cozinheira onde era permitido escrever alguma mensagem para a falecida, mas estes são apenas detalhes desnecessários para a minha história o que de fato importa é o doce gratuito servido como sobremesa a todos os clientes durante aquele mês era um doce japonês muito simples feito por e para pessoas simples que não estão acostumados a grandes luxos, admito que sou um homem muito recoso com relação a mudanças de modo que, ao saber do falecimento da cozinheira tornei-me relutante em ir novamente lá , no entanto meu estomago já se acostumara ao cardápio e não tive outra escolha se não ceder a ele.
Logo na primeira porção ingerida vi a contratante diferença entre a antiga e a nova cozinheira mas, diferente do que eu esperava, a diferença era positiva, a atual cozinheira, com seus pratos simples e caseiros, me fez sentir o que a muito não sentia : acolhido, foi como voltar para o passado para minha infância, os tempos antes da tsunami que destruiu meu antigo ( e ultimo )lar e me obrigou a morar nos orfanatos, quando não nas ruas. Na minha adolescência Sr. eu era tratado como
órfão problema incapaz de ficar em uma mesma família mais que o tempo de adaptação quando era rejeitado de novo e de novo sem nunca ser capaz de abandonar o passado, minha família e amigos mortos.... como causa principal disso tornei-me um adulto cruel com meus subordinados, extremamente rígido e exigente era intransigente também, mas ao saborear o prato daquela cozinheira foi como se voltasse no tempo, fui tomado por uma nostalgia tão intensa que pôs lágrimas em meus olhos eu estava em paz depois de muito tempo e todos do meu departamento notaram: eu estava calmo, não gritava com mais ninguém, passei a ter sempre uma palavra de conforto para os que precisavam, tornei-me menos exigente, truculento e rígido. Foi como se todos aqueles anos nas ruas, todos aqueles abandonos e todos aqueles olhares de decepção que os funcionários do orfanato sempre me davam... Tudo simplesmente desaparecesse e eu voltasse a minha antiga personalidade, ingênua, sensível e amável que tinha quando criança... A despeito de meu antigo eu que dizia que se dizia feliz coma vida antes dessa cozinheira, minha musa como a chamarei daqui para frente, meu novo eu gritava a plenos pulmões Antes tudo era ilusão agora e apenas agora EU SOU FELIZ! era isso que ele gritava de forma tão exultante, minha razão foi incapaz de confronta-lo devido a sua força.
Pode-se dizer, Sr. Johan, que me apaixonei pela comida antes de amar a dama que a cozinhava, o curioso é que eu nunca apoiei aqueles ditados que dizem coisas como se quer agarrar um homem faça-o pelo estomago pois sempre acreditei que ele queria dizer que a mulher só era boa se cozinhasse bem ou que a única coisa útil que uma mulher era capaz de fazer bem seria cozinhar no entanto agora percebo que o homem é incapaz de controlar o próprio estomago e por isso é controlado por ele, sendo assim se uma mulher é capaz de controlar o estomago de seu amor... Bem isso não vêm ao caso a questão é que quase contra a vontade passei a fantasiar sobre a aparência de minha musa, por ser boa em fazer comida japonesa pensei-a como uma jovem de 20 e poucos anos nascida no Japão com as características do pais claro os cabelos e olhos negros o busto pouco avantajado mas formoso lábios pequenos, estatura baixa... Sua personalidade para mim era de uma pessoa calma, que não gosta de conflitos e ama a paz, engraçada, criativa, amável, doce... e assim por diante, uma verdadeira musa! A musa de meus sonhos e que agora milagrosamente se tornara realidade.
Mas claro que tudo o que é bom dura pouco e no meu caso o tempo foi pouquíssimo, mal eu havia me acostumado aquela situação e o destino fez questão de muda-la. Em um dia como qualquer outro a mais ou menos
um ano atrás quando fui almoçar na cafeteria senti como se o mundo ruísse sob meus pés, não havia mudança alguma no cardápio, nem na estrutura do café, nem nos funcionários mas eu sentia que algo estava diferente e assim que experimentei meu prato percebi oque era: a comida não era dela, quase imediatamente pedi outro prato, depois outro e mais outro me negando a aceitar que não era mas ela a cozinheira do café mas o sabor dos pratos era extremamente diferente para mim como ultima alternativa, como uma ultima esperança pedi o doce aquele mesmo doce que saboreei nos tempos da morte da primeira cozinheira, tremendo o pus na boca mas o gosto deste também era diferente. Você entende oque eu senti? Entende a dor que passei? O sentimento
de abandono que trespassou pelo meu coração? Se estou sendo exagerado? É provável que eu esteja mesmo no entanto meu exagero vem de algo maior é como se eu fosse um viciado que de repente se viu sem sua pedra de crack sendo forçado a utilizar pedras de sabão para se manter. Nos primeiros momentos fiquei enlouquecido imaginando mil e uma coisas sobre o que teria acontecido com minha musa, talvez ela também tivesse morrido como a outra ou fosse casado com um brutamontes violento ou foi raptada ou se viu obrigada a abandonar o pais por causa das dividas de jogo do pai... nem uma dessas suposições, como pode perceber, são sãs mas atribuo a isso minha mente abalada, de uma forma ou de outra eu estava exteriorizando meus medos o que sem sombra de duvidas gerou receio em grande parte dos outros clientes e isso forçou a dona do estabelecimento, uma jovem senhora baixinha e amável, a vir em meu socorro e
perguntar educadamente se eu estava bem e se precisava de alguma coisa, suponho que eu não estava muito bem e talvez minha face tenha ficado um tanto retorcida e minha aparência semelhante a de um lunático pois a jovem senhora afastou-se em um pulo de perto de mim, percebendo a situação em que me encontrava, com muito esforço pus uma mascara de sanidade com um semblante calmo e um sorriso no rosto perguntei de forma educada sobre a mudança da cozinheira
Então você percebeu!? Nossa seu paladar é bem apurado! Não se preocupe Aki-chan esta e umas férias forçadas, uma parenta sofreu um acidente em tokyo no Japão e Aki-chan foi para lá fazer-lhe uma visita além de reencontrar velhos amigos claro, não se preocupe ela voltara em duas semanas
foram essas palavras que ela me disse( exatamente essas palavras!) e eu fiquei
desconsolado, calmo por não ter sido nada grave mas desconsolado por ela ter me deixado, acabei por falar isso em voz baixa era verdade mas a dona me ouviu e com um sorriso doce no rosto me perguntou suavemente
Como ela poderia saber que estava deixando alguém para traz se você nunca se mostrou para ela?
Logo ela já estava novamente na gerencia e eu me encontrava boquiaberto na mesa mais próxima da saída. É verdade!- comecei a pensar- ela não tem culpa de me abandonar visto que sequer sabe de minha existência! Eu não passo de um cliente frequente para ela aqui, apenas mais um cliente sem importância que pode ser substituído caso pare de frequentar o lugar! Assim ela deve pensar que é o mesmo para mim uma cozinheira substituível! Mas isso não é verdade, seu nome é Aki-chan já sei o nome e ela é mesmo japonesa nossa eu estava certo em algo afinal que bom agora eu sei seu nome...Mas devo faze-la perceber minha existência assim como meus sentimentos mas como posso fazer isso como?
Foi retornando ao lar que vi a solução: próximo de minha casa, um prédio cerca de 20 metros de distancia de meu trabalho, haviam algumas lojas simples em uma delas havia um promoção escrita em um longo pano era algo como o dia dos namorados esta chegando, abandone as flores e os chocolates e compre isso! era algo assim que dizia, quase que imediatamente após ter lido parei bruscamente voltei para a frente do pano e reli, namoro, romance, flores, romance, Aki-chan, romance tudo parecia se encaixar como um quebra cabeças se eu quisesse que Aki-chan soubesse de meus sentimentos eu deveria dar-lhe flores
que era uma forma romântica e educada de apresentar meus sentimentos . Que
flores dar? Bem eu teria duas semanas para descobrir e sentia que a jovem senhora, dona do café não seria contra minha ideia, lembro-me que meus sentimentos regrediram ao tempo de adolescente apaixonado e meu corpo parecia ter se revitalizado.
Eu enfim me dei conta que estava apaixonado
Notas finais
Muito obrigado por lerem e até a proxima.
Ah sim! desculpe se a organização das palavras não ficou boa mas é que eu ainda sou nova com isso...
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