Akaluri - Parte 1
11 Momentos de conversa
Estava a voltar para casa depois do trabalho. Já era tarde, mas como sempre estava a fazer o meu caminho sozinha até casa, perdida em pensamentos. Na altura, apenas me passavam duas pessoas pela cabeça: a Hyuna e o Hikari. Perguntava-me se a minha relação ia mudar com a Ichigo, por ela me ter revelado ser a Hyuna; e perguntava-me se o Hikari se ia mesmo embora novamente, depois de todos os anos que havia passado a sentir a sua falta… Desde o dia do parque de diversões, não tínhamos falado muito mais, nem por mensagem. As nossas conversas eram apenas o habitual de quaisquer outros colegas de trabalho e de escola. Sentia que a minha forte conexão com ele se estava novamente a quebrar e eu não queria que isso se repetisse.
- Não devias andar sozinha à noite. — ouvi alguém atrás de mim.
- Hikari?! — perguntei, virando-me para trás. — Ah… Ryuu.
- Que facada. — ele colocou a mão na zona esquerda do seu peito com uma expressão exagerada de dor, como se tivesse sido esfaqueado no coração — Essa doeu.
- Hm? — Questionei, confusa.
- TU PERGUNTAS "Hikari?!" E DEPOIS VIRAS-TE PARA TRÁS E COM CARA DE DESILUDIDA DIZES "Ah… Ryuu." O QUE QUERES QUE EU SINTA? — exclamou ele, rindo bastante.
- Desculpa. — sorri ligeiramente — Estás a passear o teu cão?
- Ora, mas claro! E tu?
- Estou a ir para casa, a voltar do centro comercial.
- Oh! Interessante. O que foste lá fazer?
- Estive com o Yusuke, a Honoka e a Ichigo... depois acabei por encontrar o Ichiro também.
- Ahm... — a sua face ficou com uma expressão bizarra — Eu conheço o Ichiro e esse Yusuke, mas as outras duas…
- Ah, esqueci-me que não as conheces… Desculpa.
- Tens que andar mais vezes comigo, Akaluri. Eu quase nunca costumo ter companhia... Quer dizer, na verdade, não me importo assim muito com isso, só gostava de passar mais tempo contigo.
- Queres acompanhar-me até casa então? — eu sorri.
- Claro. — ele aproximou ligeiramente o seu braço dobrado para mim, onde eu coloquei a mão — Vamos.
Começamos a andar em direção a minha casa, onde um silêncio se manteve durante uns poucos minutos. Apenas se ouviam os nossos passos e a respiração do Wolfo.
- Akaluri, já te quero perguntar isto há algum tempo, mas… Qual é a tua relação com o Hikari?
- Eu e o Hikari? Bem… Nós já nos conhecemos há mais de dez anos. Somos amigos de infância.
- Só isso? Às vezes não é o que me parece ser… Da maneira que vos vejo a abraçarem-se ou a darem a mão, são quase indistinguíveis de um casal, digo eu. Não é muito habitual ver isso entre amigos.
- Já nos viste a fazer isso? Não me lembro de o fazer contigo por perto...
- Fazes isso mais vezes do que pensas. — ele riu.
- Talvez seja sem eu me dar conta, já estou um pouco habituada… A dar a mão, nem por isso, mas a abraçá-lo, acho que sim. No entanto, se pensas que gostamos um do outro eu respondo-te que não, com certeza absoluta. Não importa o quanto eu seja próxima do Hikari, eu acho que nunca me ia conseguir apaixonar por ele, muito menos ele por mim. Mesmo que eu o adore imenso, ele mantém sempre uma certa distância das pessoas e não é alguém que eu veja estar na minha vida para sempre. Eu sinto que a nossa amizade não vai durar muito mais, por mais próximos que sejamos. O Hikari não é do género de manter sempre muito contacto, a não ser que esteja completamente apaixonado pela pessoa, o que seria impossível acontecer comigo.
- Acho que já percebi, mas porque achas isso impossível?
- Ele apenas se apaixonou uma única vez na vida por uma rapariga. E essa mesma rapariga, era alguém confiante, bonita, doce, responsável, madura, generosa e também uma boa aluna. Tudo nela brilhava como um raio de sol. Acho que isso é quase o contrário de mim...
- Primeiro, acabaste de te descrever a ti própria, por isso não entendo como digas que essa rapariga é o contrário de ti. E, segundo, porque é que foi só ela a única rapariga que ele alguma vez gostou?
- Porque o Hikari é homossexual. Gostar de uma rapariga aconteceu apenas uma vez na sua vida e foi algo fora do comum. Por isso, eu duvido muito que se vá repetir algum dia, obviamente.
- ELE É GAY?!
- Sim, não sabias?
- Não sabia mesmo. — ele riu — Então eu estava com dúvidas sobre gostarem um do outro para nada!
- Exatamente! — eu ri, brincando com ele — Na verdade, eu só espero que ele encontre um rapaz com o qual seja feliz.
- Eu também espero que encontres alguém que te faça feliz, Akaluri. — respondeu o Ryuu, parando em frente a porta de minha casa — Tu mereces.
- Obrigada. Digo o mesmo para ti também, Ryuu.
Com os nossos cabelos ao vento, ficamos apenas a olhar um para o outro durante alguns segundos por baixo da luz da lua e das primeiras estrelas que iam aparecendo ao anoitecer. Os olhos do Ryuu brilhavam, enquanto ele se despedia de mim. Depois, deu-me um forte abraço, desejando-me boa noite. Assim que ele foi embora, entrei em casa e fui para o meu quarto. A seguir deitei-me na cama e decidi ligar ao Hikari, visto que o Ryuu me havia feito relembrar do facto dele ter que voltar a capital. Ele atendeu, depois da minha segunda tentativa de chamada.
- Hikari? Estás bem?
- Estou e tu?
- Também… Olha… eu queria saber sobre a tua ida para a capital…
- Ah, isso… — ele suspirou — Na verdade, eu acho que arranjei uma forma de ficar aqui, apenas me esqueci de te dizer.
- Como assim esqueceste-te de me dizer? — eu ri forçadamente — Acho que eu era a pessoa mais preocupada sobre o assunto.
- Acontece… Mas agora vou passar a viver com o Ren.
- Estás a falar do Ren que trabalha lá no café connosco?
- Sim.
- Ah, ainda bem que arranjaste um sítio... mas porquê o Ren?
- Digamos que ele teve uns problemas com a namorada e eles acabaram, então ela mudou de apartamento, deixando-o sozinho. Mesmo matando-se a trabalhar, quase não lhe sobra dinheiro para pagar a renda. Então eu vou poder ajudar nisso e também dar-lhe companhia.
- Hmmm… Ou seja, resumindo, tu gostas dele e aproveitaste-te da sua situação da sua separação com a namorada para o ajudares ao máximo e veres se tens alguma chance, certo?
Eu e o Hikari rimos ambos bastante depois da minha dedução. Com isso, descobri que, de facto, estava certa.
- Ups, parece que me apanhaste. — ele disse entre o seu riso alegre — Descobriste o meu plano.
- Boa sorte, Hikari. Espero que ele corresponda os teus sentimentos e que sejam felizes.
- Ele nunca namorou com um rapaz… — disse o Hikari, um pouco inseguro — …então eu não sei se ele se podia sentir atraído por mim algum dia, mas tentar não custa, eu acho… visto que eu também já me apaixonei uma vez por uma rapariga.
- Exatamente, desde que não o obrigues a nada, tenta a tua chance!
- Mas bem, daqui a pouco ele vai sair do banho então é melhor eu desligar senão ele ainda me ouve falar e descobre já tudo!
- Tens razão. Boa noite!
- Boa noite, linda! — despediu-se ele, rindo.
O Hikari desligou, deixando-me bastante contente com o que havia contado durante a chamada. Saber que o Hikari estava feliz e não ia para longe novamente foi algo que me fez sentir melhor e dormir mais descansada naquela noite.
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Acordei repentinamente com o intercomunicador da campainha a tocar incessantemente. Assim que olhei para as horas, notei que era já o final da manhã. Rapidamente, arranjei minimamente o meu cabelo com os dedos e desci as escadas num ápice, para saber quem tocava à porta.
- Sim? — perguntei lá para fora, através do telefone.
- Sou eu, a Naomi.
Tinha-me esquecido completamente que a tinha convidado a ela, à Sara e à Manaka para virem a minha casa almoçar e passar a tarde, visto que os meus pais iam estar a trabalhar todo o dia, como sempre.
- Ah, sim. Vou abrir a porta então.
Pousei o telefone do intercomunicador no seu sítio e abri a porta de entrada da casa, para a Naomi.
- Bom dia, Akaluri, eu trouxe hambúrgueres e batatas fritas para almoçarmos! Oh, estás com o cabelo todo despenteado!
- Bom dia. — sorri forçadamente — Acabei de acordar e ainda não penteei o cabelo… Mas, está tudo bem?
- Comigo sim, mas tu não me pareces lá muito bem…
- Huh? Porque pensas isso?
- Não sei, nunca temos andado juntas estes tempos… Andas sempre com os teus novos amigos e esqueces-te de mim. Quase achei um milagre me teres convidado para vir almoçar aqui. Eu fiz-te alguma coisa para te afastares de mim assim?
- Claro que não, Naomi…
- Então porque é que tu…
A campainha voltou a tocar, interrompendo o que a Naomi estava a dizer. Desta vez era a Sara, que entrou assim que lhe abri a porta.
- Olá! Uff, ainda bem que não fui a última a chegar. Estava ocupada a acabar de fazer a minha mousse de framboesa, para a poder trazer!
- Wow, nunca provei isso! — comentou a Naomi, entusiasmada.
- Akaluri, posso pô-la no teu frigorífico, rápido?
- Sim, claro.
A Sara foi para a cozinha meter lá a taça de mousse, voltando logo a seguir.
- Akaluri, a Manaka vai demorar muito? É que os hambúrgueres vão ficar frios daqui a nada...
- Não sei… Vou ligar-lhe.
Peguei no meu telemóvel e liguei para a Manaka, que atendeu logo a seguir.
- Desculpa, Akaluri, hoje não posso ir e esqueci-me de te avisar...
- Ah, está bem… Mas passa-se algo?
- Não, não! Mas vocês não dependem de mim! Comam à vontade e divirtam-se juntas. Eu vou estar contigo outro dia, para compensar… Fiquem bem! Adeus.
- Tu também, adeus. — desliguei. — Olhem, a Manaka não vem.
- Como assim ela não vem?! — perguntou a Sara.
- Ainda por cima só avisa em cima da hora e temos de ser nós a ligar-lhe!
- É... Ela é muito cabeça no ar, já devias saber, Naomi.
- Não importa, mais fica! – exclamou a Sara — Vamos lá comer então, para não perdermos mais tempo.
- Não vais querer pentear o cabelo antes, Akaluri?
- Ah, sim… — respondi à Naomi, passando os dedos pelo meu cabelo — Com tudo isto, eu esqueci que ainda estava assim…
- Eu posso penteá-lo por ti.
- Oh, não é preciso, Sara.
- Olhem meninas, se vocês não se decidirem a comida fica fria e eu juro-vos que não me importo nada de a comer sozinha, se for preciso!
A Sara riu-se com o que dissera a Naomi, eu apenas fiquei inexpressiva. Houve um silêncio por uns momentos.
- Eu ato o meu cabelo e depois penteio... — respondi — Vamos comer.
A Naomi retirou, do saco de papel, as caixas com os hambúrgueres, assim como pequenos pacotes de batatas fritas, que juntamos todas numa grande taça. Eu e a Sara começamos a comer vagarosamente e reparamos que a Naomi, em vez de fazer o mesmo, estava apenas a posicionar a comida de uma forma específica em cima da mesa.
- O que estás a fazer? — perguntou a Sara, confusa.
- Estou a ver como pôr a comida de forma que fique bem encaixada numa foto, para postar nas histórias.
- Não sei porque postas isso, só perdes tempo que podias estar a usar para comer!
- Quem perde o tempo sou eu, não tu! — retorquiu a Naomi, brincando — E tu estás agora a gastá-lo a falar comigo, por isso cala-te e come!
- Ok, ok.
- Akaluri? — chamou a Naomi — Não queres ver qualquer coisa, tipo um filme?
- Ah, sim, pode ser.
Peguei no comando que estava ao meu lado e liguei a televisão. Mudei então para outro canal, onde estava a dar o seu anime preferido.
- Wow! — exclamou ela com entusiasmo — Não acredito que isto está a dar aqui!
- É um canal de anime… — disse — É normal.
- Pois, mas… este anime até é bem recente. Achas que o vão dobrar um dia?
- Espero que não.
- Eu espero que sim!
Continuamos as três a comer enquanto víamos anime. Mais tarde, a Sara foi para a cozinha pegar na mousse e dividi-la em 3 taças para a sobremesa. Enquanto isso, estávamos só eu e a Naomi na sala.
- Já me podes dizer o que é que se passa? — perguntou ela — Estás super estranha!
- Estou? Não tinha reparado. Estou a pensar em muitas coisas apenas.
- Hm… Que coisas?
- Não importa... — eu suspirei, encostando as costas no sofá — É difícil explicar.
- Antes contavas-me tudo…
- Nunca te contei tudo.
- Wow… Essa doeu...
- Desculpa, não era minha intenção... mas há coisas que eu não te posso mesmo contar.
- Ao dizer isso pareces uma agente secreta ou uma espia, que exagero.
A Sara chegou com as taças de mousse de framboesa, que pousou na pequena mesa, juntamente com colheres.
- Tanta mousse! — comentei — As taças estão mesmo cheias.
- É normal… — a Sara riu — Eu fiz isto para quatro pessoas.
- E não conseguiste prever que a Manaka não ia chegar? — perguntei, rindo.
- Claro que não! Como é que ia fazer isso?
- Com a tua bola de cristal.
- Que piada, Akaluri. — respondeu a Sara, ironicamente.
A Naomi apenas estava a olhar para nós, tanto perplexa quanto confusa.
- És vidente? — perguntou ela.
- Mais ou menos. Os meus pais têm esse negócio em frente a nossa casa e como tenho mais talento que eles a ser vidente, os nossos clientes acabam por preferir quando sou eu a atendê-los.
- E consegues ver o meu futuro se te pedir agora?!
- Claro! Olha para os meus olhos.
A Naomi olhou para os olhos da Sara, que observou profundamente durante uns segundos, até se começar a rir às gargalhadas.
- O que tem tanta piada?!
- Nada… — respondeu a Sara, contendo o riso – Apenas… ver o que vi só confirmou as minhas teorias.
- O que viste?! Conta! Eu tenho o direito de saber.
- Apenas te digo que o futuro reserva surpresas inesperadas, quer elas sejam boas ou más. Não sei se vais ter sorte neste aspeto, mas vai ser algo que te vai marcar profundamente, quer acabe bem ou mal.
- Como assim?! Porque é que não me dizes logo? Isso é tão vago!
- Não posso… Quer seja bom ou mau, se eu te contar pode prejudicar-te. Se fosse algo sem interesse, como uma nota que vais ter num teste que já fizeste ou o que vais jantar amanhã, eu diria… Mas acontecimentos assim não devo.
- Hm... — expressou a Naomi, amuada — Aposto que só estás a gozar comigo!
- Será? — perguntou a Sara ironicamente.
Enquanto revirava a colher pela mousse, eu observava a conversa interminável da Naomi a tentar convencer a Sara a contar-lhe o que viu, que se recusava a revelar. Na verdade, eu não estava a prestar atenção nenhuma ao que elas diziam em concreto, só notei que, no final, a Naomi acabou por desistir e já não queria mais saber da visão, então mudou de assunto.
- E tu, Akaluri?
- Eu? — perguntei, confusa — Eu o quê?
- Não estavas a ouvir?
- Não, desculpa…
- Eu perguntei se vocês gostam de alguém e a Sara disse que não, mas tu não respondeste.
- Ah, hmm... Desculpa, não gosto muito de falar dessas cusquices.
- O que se passa contigo? Não pareces animar-te com nada, estás a ser muito estranha... Eu sempre quis que tivesses mais amigos, mas agora não sei se fico contente com o que está a acontecer. Não gosto de ser substituída assim.
- Substituída? Eu nunca faria isso... É só que… tem acontecido muita coisa que, infelizmente, não te posso mesmo falar sobre... Mas, Naomi, tu sabes que eu gosto de ti e sou tua amiga, não quero que duvides disso.
A Naomi não respondeu. A Sara, sem saber o que dizer, também continuou em silêncio, apesar de eu saber que ela compreendia o meu lado. Sendo assim, apenas nos contentamos a terminar de ver outro episódio daquele anime, até acabarmos a sobremesa. Continuamos o resto do tempo a conversar sobre outros assuntos e a fazer alguns jogos típicos, como jogos sobre encontrar palavras ou adivinhar desenhos. Com isso, a tarde passou num instante e elas já tinham ido as duas embora, então pude ter um tempo só para mim.
- Não sabia que a Naomi se sentia assim… — sussurrei para mim mesma.
Sentia uma profunda tristeza por ver a Naomi naquele estado, mesmo sabendo que não era intencional da minha parte. A culpa pesava sobre mim, e durante horas não consegui fazer mais nada além de pensar na nossa amizade e em como poderia resolver o que parecia ser um abismo a criar-se entre nós. Revirei a caixa de memórias que tínhamos criado juntas no sétimo ano, quando nos tornámos amigas. No fundo, escondido entre recordações de momentos felizes, encontrei um papel com coordenadas. Naquele instante, soube o que precisava de fazer.
Esperei que a noite caísse, certificando-me de que a minha mãe e o meu padrasto já dormiam há algum tempo. Saí de casa em silêncio, como uma sombra, sem que dessem pela minha falta. Já na rua, coloquei as coordenadas no GPS do meu telemóvel e segui caminho, transformando-me. A caminhada fora mais longa do que eu esperava, e, ao chegar finalmente àqueles pequenos prédios antigos onde os meus pais costumavam morar, sentia-me cansada e sem fôlego. Procurei o jardim que tanto conhecia, um lugar florido onde tantas vezes tinha brincado quando era mais nova. No entanto, ao chegar, o meu corpo relembrou-me das noites mal dormidas, e de quase não ter comido nada naquele dia, para além do almoço. Correr até ali, depois de tudo, não tinha sido a melhor ideia. A minha visão começou a ficar turva e esbranquiçada, sentia-me tonta, sem forças, e o calor em ondulações que sentia, era cada vez mais intenso. Antes de perder os sentidos, a última coisa que vi foi uma pena preta, grande e bonita, que caiu lentamente diante dos meus olhos.
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