Senti uma toalha húmida e quente na minha testa, assim como as delicadas patas de um animal, passando por cima da minha barriga. Abrindo lentamente os olhos, reparei que esse animal era na verdade um gato, que se instalou em cima de mim. Notei que estava deitada na parte de baixo de um beliche, num quarto que não me era nada familiar. Assim que me dei conta que ainda estava transformada, rapidamente mudei para a minha forma normal. Sentia-me assustada e desconfiada, sem nenhuma recordação do que se havia passado, para eu ter chegado ali. Peguei cuidadosamente no tal gato, que reparei ser fêmea, levando-a comigo pelo pequeno corredor que andei, até chegar a uma cozinha, onde estava presente alguém que espreitava dentro do frigorífico, depois fechando-o.

— Ah, acordaste! Acabei agora mesmo de preparar o pequeno-almoço e ia chamar-te para vires comer. Senta-te!

Confusa, eu pousei a gata no chão, que se dirigiu rapidamente para a sua taça de comida. Sentei-me na cadeira, tal como me tinha pedido o Yusuke, mas continuava sem fazer ideia do porquê de eu estar ali. Ele pousou na mesa um prato com torradas, juntamente com uma caneca de café com leite.

— Yusuke… Como é que vim aqui parar?

— Eu encontrei-te lá fora a desmaiar, no jardim.

— Eu desmaiei? — perguntei retoricamente — Mas eu estava…

— Sim, eu sei.

Sem saber o que dizer, o meu coração começou a bater rapidamente, com o pânico que sentia. Nunca tinha sido descuidada e deixado com que algum humano me descobrisse por acidente. Tentei respirar fundo para me acalmar e pensar racionalmente, sem muito resultado.

— Não contes a ninguém, por favor… — pedi-lhe, ainda nervosa.

— Não te preocupes. — respondeu o Yusuke, aproximando-se — Na verdade, até me sinto feliz por encontrar mais alguém como eu.

Diante de mim, surgiram umas asas negras deslumbrantes, quase angelicais, que se estendiam das suas costas. Ao mesmo tempo, a roupa dele também havia mudado. Para além das suas luvas sem dedo e da sua pulseira de couro castanha, ele vestia um casaco cinzento, aberto e solto, deixando à vista o seu tronco nu. A sua pele clara era subtilmente definida pelos seus músculos discretos, e pelo iniciar da sua linha V. Ele usava umas calças pretas, um pouco justas, adornadas com correntes e uma pequena estrela azul, gravada no botão. O seu colar de fio peto com um cristal azulado, soltava um brilho mágico, quase hipnotizante. Enquanto o observava naquela forma, era como se a sua mera presença exercesse um efeito peculiar sobre mim, que me cortava por vezes o fôlego. Sentia-me incrédula com o facto de ter descoberto mais alguém como eu. Seríamos assim tantos...? Já pareciam demasiadas pessoas para ser algo real, todas elas escondidas mesmo por baixo do meu nariz.

— YUSUKE?! — ouvi alguém gritar, correndo para a cozinha — O que estás a fazer?!

— Honoka! — exclamou ele, destransformando-se — Não te preocupes, ela também é como nós!

— Tu também? — perguntou ela, um pouco amargamente — Já agora, há quanto tempo estás aqui? Não me lembro de te ter visto chegar.

— Ah, eu…

— Fui eu que a encontrei desmaiada ontem à noite, lá fora... — interrompeu o Yusuke — Eu não sabia o que ela estava lá a fazer, mas achei que seria melhor trazê-la para segurança. Tu já estavas a dormir, por isso não te disse nada. Não te queria acordar.

— E... Ela dormiu onde exatamente...?

— Na minha cama, porquê? — a Honoka simplesmente olhara para o Yusuke, tentando com que ele entendesse qual era realmente a sua questão — Ah. Se é isso que estás a querer perguntar, não. Ela dormiu sozinha. Eu não dormi a noite toda.

A Honoka não disse mais nada; apenas abriu a porta do frigorífico e pegou num iogurte de banana, que começou a comer.

— Que espécie és tu, Honoka? — perguntei, curiosa.

— Sou um híbrido de fénix. E tu?

— Ah, também és um híbrido animal, assim como eu! — eu sorri — No meu caso, é um gato. Ser uma fénix parece fantástico! Deves ser muito poderosa… Se calhar até imortal! Consegues controlar o fogo?

— Consigo.

A Honoka foi de volta para o quarto, assim que acabou o seu iogurte. O Yusuke olhou para ela com pena.

— Eu disse algo que a ofendeu? — perguntei — Ela não me parecia muito conversadora… Se calhar, fui chata...

— Não é isso… A verdade é que a Honoka não gosta de falar sobre ser imortal e assim… Talvez possa parecer algo bom à primeira vista, mas se pensares bem, quantos anos é que achas que a Honoka tem na verdade?

— Pois... Imagino que ela deve ser velha…

— Na realidade, a Honoka tem mais de cem anos, mesmo que pareça ter apenas vinte.

— Mais de cem anos?! Então isso quer dizer que… Ela esteve presente nas duas guerras mundiais…

— Exato. Não só ela esteve presente, como também se lembra bem de ambas. Não imaginas as vezes que ela deve ter morrido de formas horríveis, só para depois voltar a acordar, como se nada fosse.

— Mas, mesmo até mentalmente, ela não faz a idade que tem...

— Isso é porque a mente dela tem um desenvolvimento diferente do nosso, devido à sua imortalidade. E, por sorte, ela também tem uma mente muito aberta, então adaptou-se rapidamente à evolução e às mudanças da sociedade. Aliás, como ela está sempre rodeada por jovens adultos, por causa do seu aspeto, a sua mentalidade continua sempre um pouco jovem também.

— Compreendo…

Ficamos em silêncio durante algum tempo, deixando a atmosfera um pouco pesada, enquanto tomávamos o pequeno-almoço. Eu estava a pensar nas guerras e em como a vida da Honoka devia ter sido extremamente difícil, talvez até horrível. Não conseguia imaginar o que era ter mais de cem anos e nunca poder ter amigos, por eles morrerem ou por não poderem reparar que ela não envelhecia e descobrir o seu segredo…

— Está bom? — perguntou o Yusuke.

— Huh?

— O pequeno-almoço…

— Ah, sim, está ótimo! Desculpa, estava distraída. Onde está a Ichigo? Ela não morava convosco?

— Ela mora aqui, mas está no trabalho dela. Há algo que te esteja a perturbar para estares assim tão distraída?

— Não particularmente, só estava mesmo a pensar sobre a Honoka…

— Pensei que me ias falar sobre a tua presença lá fora no jardim, a meio da noite. — falou ele, rindo ligeiramente.

— Eu ainda nem sei como é que isso aconteceu…

— Parecia que estavas à procura de algo, se não me engano.

Antes de responder, pensei profundamente sobre tudo o que tinha acontecido no dia anterior para eu chegar até lá. Não demorou muito até eu entender o sucedido.

— Claro! — exclamei — Eu estava à procura de uma cápsula do tempo.

— Uma cápsula do tempo...?

— Sim. Há uns anos atrás, eu fiz uma cápsula do tempo com uma amiga minha. Como ela tem andado triste, eu queria desenterrar a caixa, para lhe fazer uma surpresa e relembrar-lhe o quão importante ela é para mim...

— Mas não achas que deviam fazer isso juntas?

— Oh... pois. Tens razão... Realmente, eu saí com tanta pressa que nem tinha pensado nessa possibilidade, que parvoíce a minha... Talvez ela fique zangada se eu desenterrar a caixa sem ela.

— Porque não pegas em algumas flores lá do jardim e lhe fazes um ramo? Dessa forma, podes mostrar-lhe que vieste cá, que ainda te lembras da tal cápsula do tempo e também é uma forma de a poderes convidar para vir abri-la contigo mais tarde.

— Hm... Realmente, acho que isso pode ser uma excelente ideia, sim. Obrigada!

Após mais algum tempo de conversa, dei-lhe um breve abraço como forma de despedida e agradecimento, não apenas pela ajuda que me prestou durante a noite, mas também pela recente sugestão. Pela sua expressão de surpresa e ligeiramente embaraçada, deduzi que ele não esperava aquele gesto da minha parte, sobretudo porque ainda não era habitual eu agir assim com ele. Contudo, naquela situação, pareceu-me o mais adequado. Segundos depois, reparei que a Honoka nos observava do quarto, enquanto estávamos junto à porta de entrada. Acenei-lhe como despedida e segui caminho, para poder recolher algumas flores antes de regressar a casa.

Assim que cheguei ao meu quarto, passei o resto da tarde a ler atentamente sobre como fazer um ramo, algo que nunca antes tinha experimentado. A internet ajudava bastante... Estava tão envolvida na minha atividade, que me tinha esquecido completamente de almoçar, até que recebi uma chamada do Yusuke.

— Sim?

— Olá, Akaluri! Como está a correr o ramo?

— Está mais ou menos... Na verdade, nunca tentei fazer um ramo antes. Nada que a internet não resolva! Mas porque me estás a ligar?

— Queria falar contigo sobre o ano novo.

— É verdade que nunca mais falámos sobre isso…

— Por isso mesmo! Afinal, o ano novo é já daqui a algumas semanas, então eu queria confirmar se posso reservar aquele sítio...

— A reserva paga-se com antecedência?

— Não, eles apenas querem uma caução para a reserva, mas eu trato de pagar isso. Só quando chegarmos lá é que pagamos realmente. Eu preferia ter falado sobre isto contigo pessoalmente, mas passou-me ao lado…

— Não faz mal se te esqueceste de falar sobre isso, eu estava com aquela história toda da minha amiga, então acabei por te distrair. Quem gostavas que fosse ao ano novo?

— Não sei… Da minha parte apenas sou eu e a Honoka, visto que a Ichigo quer ir visitar a mãe dela. Contigo somos três, por enquanto... mas o ideal era seis, para que seja mais o barato possível.

— Estás a dizer-me para eu convidar três pessoas?

— Sim. Convida amigos teus, como o Ryuu, por exemplo! Ele pareceu-me engraçado.

— Está bem, eu trato disso! Depois digo-te alguma coisa.

— Ok, ficarei à espera.

Após desligar a chamada, enviei mensagens para quem achei mais adequado convidar para o ano novo. No final do dia, resumiu-se a três respostas afirmativas, de presença confirmada: o Ryuu, a Manaka e o Ichiro. Na verdade, pensar no ano novo era uma das poucas coisas que me estava a conseguir alegrar naquele momento, sobretudo passado com pessoas que me compreendiam tão bem... Todas elas pessoas com as quais eu não precisava de mentir ou de me esconder. Entretanto, o Ryuu acabou por me ligar, após confirmar a sua presença:

— Hey there!

— Olá, Ryuu.

— Então, que voz é essa? Passa-se algo? Pareces estranha.

— Estou um pouco abalada. Aconteceram tantas coisas apenas numa questão de poucos dias…

— Desembucha. Eu não quero que estejas assim! Lembra-te que é importante falar, senão afogas-te na tua própria mente… e nada melhor do que um tubarão para te poder salvar desse mar de preocupações!

Eu ri um pouco com a piada seca do Ryuu. Eram das minhas favoritas, justamente por não terem piada alguma. Vi que ele estava a tentar animar-me da melhor forma que podia, então aquilo acabou por resultar relativamente rápido.

— És sempre o mesmo! — respondi, rindo.

— Mas estás a rir-te, então já não tens motivo de queixa! Olha, se não queres falar sobre o que se passa, eu respeito.

— Obrigada… Na verdade eu só estava com vontade de me distrair um pouco, então falar sobre as coisas não seria o melhor para mim agora.

— Tens algum assunto em mente?

— Hmm... Gostaria que me contasses mais sobre ti.

— O típico assunto para quando não sabes o que dizer, é fazeres os outros falar! Vejo bem a tática... — respondeu o Ryuu, rindo — Mas claro, podes perguntar-me tudo o que quiseres.

Eu pensei durante alguns segundos em algumas perguntas para lhe fazer, até que finalmente tive uma ideia.

— Como era a tua vida na capital? Tinhas amigos na escola?

— Good question. A minha vida lá era um pouco descarrilada, na verdade!

— Como assim descarrilada?

— Nada estava a correr bem para mim. Eu apenas tinha um único amigo na escola, que tinha vários problemas difíceis em casa. Era um caso tão grave que ele tinha que tomar medicação pela sua saúde mental... Mesmo comigo, ele sentia-se sempre sozinho, triste e vazio... Eu esforçava-me sempre todos os dias para o fazer esquecer, nem que fosse só um pouco, dos seus problemas em casa e divertir-se comigo, mas chegava o final do dia e ele voltava sempre a fazer, dizer e pensar coisas que não devia.

— Eu não estava à espera de ouvir algo assim…

— Não te preocupes, já se passaram mais de três anos desde que… — ele respirou fundo — Desde que ele cometeu suicídio.

Ficou um pesado silêncio de vários segundos durante a chamada, que pareciam estar a durar uma eternidade. Sentia o meu coração pesado ao ouvir aquelas palavras vindas do Ryuu. Era difícil para mim compreender como é que ele tinha mantido a sua sanidade depois de tudo o que ele tinha passado: a morte do seu melhor amigo seguida pela morte dos seus avós não muito depois, pessoas que ele considerava serem seus pais.

— Ryuu… Como é que tu conseguiste aguentar com tudo o que te aconteceu?

— Por mais que me tenha doído, a vida continua. Eu fiz coisas muito parvas depois da morte do meu melhor amigo… Comecei a cortar-me e a deixar de comer e então emagreci de forma bué drástica e nada saudável. No entanto, tudo isso acabou por me ensinar uma lição. É difícil dizer isto, mas eu sei que não vale a pena estar constantemente a pensar demasiado no passado, porque isso nunca irá trazer nada nem ninguém de volta. Quando penso neles, eu esforço-me para me lembrar dos momentos alegres e de tudo aquilo que fez o seu tempo de vida valer a pena, não a tristeza que a sua morte me causou. É importante seguir em frente, sempre.

Eu não tinha palavras para responder ao Ryuu. Sempre havia odiado o facto de ele estar constantemente a ser julgado pelas minhas amigas, por causa da sua personalidade brincalhona, mas eu sempre soube que havia algo mais, por baixo da sua atitude. O que eu não sabia, era o nível de gravidade da sua situação, que tinha acabado de descobrir. Mais uma vez, ele parecia-me ser alguém com uma mentalidade bastante forte, mas que, ao mesmo tempo, parecia ser o género de pessoa que reprimia os sentimentos por vezes. Talvez devesse ensinar ao Ryuu que, por mais que fosse importante continuar em frente, também era importante ter um tempo para lidar com as próprias emoções, ligar-se a elas, compreendê-las e superá-las... não apenas fugir, cobri-las ou reprimi-las. ______________________________________

A Naomi foi a primeira pessoa que me veio à cabeça assim que abri os olhos pela manhã. Tinha tido um sonho muito estranho, no qual ela estava a fugir de mim. Talvez tivesse sido um sinal para me avisar que eu sentia que ela estava cada vez mais longe, a afastar-se. Era verdade que, naqueles tempos, ela tinha andado chateada comigo, por motivos que eu não conseguia entender por completo, apesar de entender superficialmente. Haviam várias questões que se instalavam na minha mente sobre a Naomi, nenhuma delas com uma resposta clara. Sem me esquecer de levar comigo o ramo de flores, decidi então apressar-me para conseguir apanhar o primeiro autocarro em direção à sua casa, que ficava a poucos quilómetros do centro.

— Akaluri? — perguntou ela, através do intercomunicador.

— Sim, sou eu, Naomi. Desculpa vir sem aviso, mas queria fazer o caminho até a escola contigo hoje.

A Naomi saiu de casa e fechou a porta atrás de si.

— Wow! Que flores são essas?

— São para ti... Fui eu que as colhi e fiz o ramo. Queria pedir-te desculpas e tentar entender melhor o que se passa… Tens andado um pouco diferente e eu sinto-me culpada por isso, depois do que me disseste no outro dia sobre te sentires substituída...

— Ah… — ela fez uma pausa e respirou fundo — Para te dizer a verdade, nem eu sei como me sinto ao certo. Eu não sei se te ia conseguir explicar. Prefiro esperar mais algum tempo, até ter mesmo a certeza de como te dizer isto da forma mais correta.

— Está bem, eu respeito.

A Naomi voltou a entrar em casa para colocar o ramo num vaso com àgua, antes de partirmos juntas para a escola, um pouco mais animadas. Ela era uma amiga importante para mim e eu não a queria perder. Assim que chegamos à sala, reparamos que a Sara não estava presente, sendo ela a que chegava sempre mais cedo do que todos os outros. Achando aquilo bastante estranho, eu fiquei a sentir-me preocupada com ela, o que não parecia ser muito o caso da Naomi.

— Ela deve estar só a querer baldar-se ou algo do género.

— A Sara a baldar-se? — eu ri — Em que planeta vives, Naomi?

— É bem possível! Quem é que gosta genuinamente desta disciplina?

— Por mais que ela talvez possa não gostar, a Sara não é do género de faltar, mesmo que esteja doente! Ela esforça-se demasiado.

— Agora que o dizes…

Com as questões sobre a Naomi mais ou menos resolvidas, a minha mente começou a focar-se no Yusuke durante a aula. Era impressionante ter descoberto que ele era um ser como eu; mal conseguia acreditar... Durante o resto do dia na escola, não conseguia parar de pensar no momento em que ele se transformou diante de mim. Inconscientemente, comecei a esboçar um desenho dele na sua forma mágica, com as suas asas de anjo de cor obsidiana. Ainda me sentia um pouco abalada pela revelação que ele me havia feito, mas, à medida que o choque inicial dispersava, dava lugar a uma espécie de sensação de conforto e alívio. Afinal, eu não estava de todo sozinha, como sempre havia pensado... Além disso, a minha curiosidade sobre a Honoka começava a crescer. Se o Yusuke era capaz de uma transformação tão incrível, como seria a Honoka na sua forma híbrida de fénix? A simples ideia fazia-me imaginá-la rodeada de fogo e luz, toda majestosa e feroz. Algum dia, sabia que iria testemunhar essa metamorfose.

Naqueles últimos meses, pela primeira vez na minha vida, tinha descoberto outras pessoas tal como eu, pessoas que finalmente me conseguia identificar a um nível mais profundo, que entendiam o peso da minha existência; da nossa existência. Estávamos todos ligados por algo único, algo mais profundo, que transcendia a realidade comum. Esse laço fazia com que me sentisse finalmente parte de algo especial, algo maior do que eu mesma, algo realmente especial.

Notas finais
Aqui acaba a primeira parte da minha história! ^^ Estou atualmente a acabar a segunda. Até lá~ ☆
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!