Akairo hoshi

1 Capítulo 1



Akairo hoshi*

O sol se punha mais uma vez e, por uma noite – como ela fazia todos os anos –, a garota se sentava e observava o céu escurecer e as estrelas surgirem lentamente.

Brilhando como sempre, um pouco abaixo, no lado esquerdo da lua, sua estrela brilhava com força, atraindo a atenção da jovem maga ali sentada.

Sob o luar, com uma toalha cobrindo o chão abaixo de si, a colina que tinha o ângulo de inclinação perfeito, assim como o aroma – que exalava o cheiro doce de damas-da-noite se abrindo para enfeitar aquela noite – e a noite em que novas estrelas brilhavam no céu.

Nos últimos sete anos, ela estivera ali, chorando nas noites de sete de julho, sozinha, pela perda da mãe. Hoje ela chorava pela perda da mãe, do pai, dos companheiros que morreram tentando salvá-la – quando eram eles quem precisavam ser salvos – e pelo tigre que se fora.

O único tigre em todo o covil, que mostrou que seu coração podia ser salvo... Que mostrou que, por ela, não deixaria que seu coração continuasse envolto nas sombras do qual ele viera.

Aquelas sombras eram o seu veneno e sua morte fora a punição para com a garota por ser boba suficiente para amar alguém... E assim ela perdera mais um que amou. O que mais poderia acontecer? O que mais Deus poderia lhe tirar, quando não se tinha mais nada? Quando não se podia amar? O que mais ela podia perder, quando tudo o que lhe foi dado, lhe foi tirado com a mesma facilidade e o triplo da dor?

Lucy encarou o céu, enrolando-se no manto que trouxera consigo e sentindo as lágrimas encherem seus olhos e escorrerem, aquecendo seu rosto, quando o calor de seu amado não podia mais.

Era isso... Lucy Heartphilia havia amado um tigre – mesmo que por míseros meses – e agora havia perdido-o. Assim como perdera Natsu, Gajeel, Wendy – até mesmo a pequena Wendy – e grande parte dos companheiros... Mais de metade da guilda agora habitava aquele céu... Milhares de novas estrelas brilhavam naquela noite, mas ela centrou sua atenção em uma.

Ela não era branca como a luz das outras. Era grande e vermelha. Assim como os olhos de seu amado.

Abraçou a si mesma, como ele fizera nas noites em que acamparam, escondidos dos dragões que rodeavam o mundo a fora.

Então chorou. Chorou por tudo o que não pode chorar nos anos em que se passaram desde que ele se fora. Mesmo sabendo que não lhe aliviaria, ela gritou com todas as forças enquanto a dor lhe tomava mais o peito e lhe fazia uma cicatriz incurável.

Não era físico, mas ela podia sentir as mãos invisíveis agarrando seu coração e o esmagando como se não fosse nada.

Naquele momento, com toda a dor, não sentiu, mas ele estava ali com ela. Estava aparando-a enquanto a mesma chorava. Enquanto Lucy chorava, o espírito de Rogue a acompanhava, tocando-lhe o ombro e dizendo que tudo ficaria bem como lhe dissera todas as noites.

Mesmo sabendo que sua pequena não podia lhe ouvir, ele continuava confortando-a com palavras inúteis e inaudíveis.

Não só ele, mas todos os que morreram naquela terrível guerra. Companheiros que se arriscaram para salvá-la e homens e mulheres que tentaram ajudar...

Os olhos de Rogue, vermelhos como o sangue que corria nas veias da garota, haviam se fechado para nunca mais abrir. Ela estava sozinha – ou era o que pensava, porque um ano atrás, antes de morrer, ele lhe prometera que não a deixaria. Depois de morrer, Rogue prometeu que não o faria enquanto não estivesse bem. Por isso continuava ali, como uma alma penada vagando pela Terra.

– Eu estou bem, Lucy... Não dói... Eu vou ficar bem... Só quero que fique também... Por favor. – sussurrou-o, vendo o desespero dela e se sentindo um lixo por não fazer nada.

– Eu sinto tanto a sua falta... Tanto! – gritou-a.

E ele se sentiu pior ainda, porque sabia que ela falava com ele.

Finalmente, as lágrimas pareceram se esgotar e ela as secou, enquanto novas – mesmo pequenas – vinham.

– Tudo bem... Eu prometi... – ela começou a soluçar. – E-eu... Eu prometo que vou ficar bem... Por você... Por todos vocês... – sussurrou. – Eu prometo que viverei o que não viveram... Viverei por vocês, porque vocês morreram por mim!

O choque se fez presente na face de Rogue. Ela era forte... Tão forte que a admirava. Talvez a admirasse mais do que amasse, mas de uma coisa ele tinha certeza: ele a amava; ela o amava; a morte não os separaria.

Notas finais
*Akairo hoshi = Estrela Vermelha em Japonês Espero que tenham gostado... Mais uma velha
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!