Akai Tsuki

9 Parece que Não a Conheço Mesmo


Notas iniciais
Hoje é o dia da surpresa! Qual será? Só saberão se lerem...

O garoto nos faz descer e vem todo sorridente até nós.

–Quem é você?! – pergunto meio irritado.

–De nada por salvar vocês dois daquela queda fatal – diz ele.

–Desculpe – sinto-me desconfortável, não estou acostumado a pedir desculpas – Eu sou Kori. Quem é você?

–Riki! O herói super sayajin que lança RADUKEN nos bandidos! É só chamar e você vai ver um fatality! Não, um brutality! – ele faz umas vozes meio esquisitas ao falar.

–Não tenho tempo pra bobagens, Dely está passando mal aqui! – reclamo.

–Ah, eu não cheguei a tempo? Desculpa.

–Não tem nada a ver! Ela já estava assim antes. Poderia me ajudar a levá-la pra algum lugar seguro ou curá-la se é que você pode fazer isso? – tento não ser rude.

–Claro que eu posso curá-la! Sou um herói! – Riki cruza os braços.

–Então anda logo! – me irrito mais.

–Tá, tá bem. Desculpa – ele vai até Dely – Vamos ver como estão meus grandes poderes de cura. Vai ser moleza.

Riki fica com as mãos acima dela e de olhos fechados, numa espécie de meditação. Não sei se é prudente confiar nesse desconhecido, e, além disso, ele é tão infantil... Mas que escolha eu tenho?

Depois de um tempo nada acontece.

–Você não sabe curá-la, né? – deduzo impaciente.

–Sei sim, espera só um pouquinho.

Um minuto se passa e nada.

–Ah, ela vai morrer se você não fizer nada que surta efeito! – me altero.

–Tá faltando alguma coisa... – ele pensa – Beijo de amor verdadeiro!

–Cala a boca! Deixa de ser besta! – o xingo.

–Vai que dá certo? Ou você não a ama de verdade? – indaga Riki.

–Claro que não a amo! – nego.

–Mas você tava agarrado nela...

–Isso não significa nada! – meu rosto esquenta.

–Tá vermelho, hein? – Riki ri.

–Ah, seu crianção...

–Kori! Kori! – grita Dely desfazendo a discussão.

Ela parece estar tendo uma epilepsia, treme enquanto murmura meu nome:

–Kori... Kori socorro...Kori...

–Calma Dely! O que está havendo? – fico confuso, não sei o que fazer.

–Chiyo... Chiyo... – ela começa e se acalmar, a tremedeira passa.

–Ué, o que houve? – questiona Riki – Quem é esse Chiyo? Amante dela? Bah, tá te traindo!

–Cala a boca! – ordeno friamente – Não é hora pra brincar! Agora nós...

–Kori – Dely abre o olho – Kori, Chiyo está por perto. Temos que salvá-lo das garras de minha irmã!

–Mas Dely, você está fraca...

–Ele pode morrer! – ela se levanta rapidamente e me puxa.

Nós corremos apesar de eu relutar um pouco.

–Ei! Pra onde vocês vão? – Riki nos segue.

–Fique aqui! É muito perigoso! –aviso correndo sem parar, tentando manter o ritmo de Dely.

–Ah, mas eu adoro perigo! Vou junto – decide ele – Sou um herói, meu dever é salvar as pessoas, não tenho medo do perigo...

Nós começamos a voar, ele não vê, pois está de olhos fechados. Rio disso, Riki fica falando sozinho até abrir os olhos e perceber que já estamos longe.

–Ah, sério?! Me deixaram no vácuo aqui?! – grita ele frustrado.

Pelo menos ele ficou, aposto que essa batalha com Tsumi deixará mortos. Eu já não me importo de morrer, mas pensar em Dely morta... É estranho, sei que deveria odiá-la por ter me matado, mas ela conseguiu fazer com que eu desse valor a vida. Vi o quão importante Fukawa e pra mim e o quão horrível eu fui todos estes anos. Relembrei meu sonho e minha promessa, pela primeira vez deixei o orgulho pra trás e resolvi mudar. Será difícil, mas quero ser melhor.

–Dely – começo a falar – Não morra, e isso não e um pedido, é uma ordem.

–Você não pode mandar em mim – ela ri.

–Nunca pensei que fosse dizer isso, mas obrigado por ter me matado – agradeço.

–Você é estranho! – comenta – Não se preocupe, se eu morrer estaremos juntos.

Ela aperta minha mão mais forte.

Meu coração volta àquele torpor, não entendo porquê ela consegue me deixar assim. Começo a ter dúvida quanto a ela gostar de mim, a forma como ela disse aquilo, não foi naquele tom insano de sempre. Será mesmo que uma louca como Dely se apaixonou por mim? Mesmo com sua loucura, ela é legal. Bem, não a conheço direito. Sei que passou por coisas muito ruins e precisa de ajuda. No entanto, ela precisa de mim?

–Eu vou nos teleportar – resolve Dely.

–Tudo bem.

As coisas giram repentinamente, meu corpo todo parece se deslocar bruscamente e meu cérebro demora um pouco pra assimilar que não estou mais voando nos céus. Me encontro em uma escada num tipo de fortaleza, como aqueles castelos de filmes de terror. As paredes de tijolos escuros dão um ar ainda mais sombrio para o lugar, aqui tem muitas teias de aranha e pelo barulho também tem ratos. Ouço uma lamento ao longe, dentro de uma gaiola gigante há alguém. Não consigo vê-lo direito na escuridão, mas escuto com atenção suas palavras melancólicas.

–Anjos desceram apenas para apontarem e rirem deste demônio. Utopia é uma teoria do nada, derretendo até o momento que o sol se levanta. Eu deveria desejar algo, mas não tenho interesse em descrever minha própria felicidade. Um medo sem fim não está longe daquilo que estou indo...

Cadê a Dely? Ela deveria estar aqui!

–Até mesmo um método de recuperação muda para uma faca – continua ele – Porém não posso alcançar nem mesmo a morte. Tenho a sensação de já ter ouvido isso. Você aí poderia me ajudar?

Paraliso. Ele está falando comigo? Não há mais ninguém aqui, mas ele poderia estar alucinando.

–Por favor, mate-me – suplica ele – Tire-me desta vida miserável que estou vivendo desde que ela desapareceu...

Chiyo chora, acho que está falando de Dely. Onde ela se meteu?

Ouço um som de violino ecoando, uma melodia triste, mas bonita. Quem está tocando?

–Isso. Que a morte se aproxime – Chiyo solta gargalhadas abafadas – Envolva-me com sua luz negra.

O som do violino se torna um ruído incômodo que faz os ouvidos doerem. Chiyo geme apesar de continuar tentando rir. Consigo ver um brilho diferente e escuto o som da lâmina torturando-o.

Começo a correr para salvá-lo, subo as escadas. Mas como é que eu alcançarei a gaiola pendurada no alto? Não há nenhuma escada!

Quando algo chuta meu rosto e bato com a cabeça na parede.

Alguém me puxa e me atira longe. Vôo tão rápido que escuto um chiado em meus ouvidos, colido fortemente com a parede. Me contorço no chão com a dor horrível em minhas costas e minha cabeça explodindo. Cuspo sangue e rosno para parecer forte. A dor é com certeza pior do que quando eu estava morto, mas devo aguentar.

Uma lâmina meio curva é jogada em minha direção, provavelmente para me ferir. Mas desvio com um pouco de esforço. Percebo que estou tremendo e ordeno a mim mesmo: Seja forte, seu covarde!

Pego a lâmina e provoco quem atirou:

–Obrigado.

Me impulsiono decidido a ferir essa pessoa com a lâmina.

Acerto outra lâmina brilhante e pela luz consigo identificar quem é. Não posso acreditar na figura sorridente em minha frente. O olhar insano é o mesmo, começo a pensar que talvez Kiri-kiri estivesse certo. Ela estava armando uma armadilha pra mim, só queria minha alma e talvez tenha sido mesmo ela quem prendeu Chiyo.

–Por que Dely?

–Quem é Dely? – pergunta ela – Eu sou Nozomi, Hiiro Nozomi. Qual é o seu desejo Kori?

Notas finais
Como assim? Dely? O que será que aconteceu com ela? hehehe Só quarta-feira pra saberem meus queridos. E aliás, Nozomi significa desejo. Agora tudo vai ficar feio para o Kori. Ele conseguiria lutar contra ela?