Notas iniciais
feliz aniversário para o baixista mais lindo e perfeito do mundo inteiro espero que gostem e comentem boa leitura Sereny Kyle

Nós cinco tínhamos acabado de sair do palco e eu ainda estava muito elétrico com toda a adrenalina que shows espalhavam por minhas veias... Era uma sensação maravilhosa, poder viver aquele sonho tão mágico de ser músico... Por mais shows que nós fizéssemos, eu não conseguia me preparar psicologicamente antes pro frio na barriga que vinha quando meus pés tocavam o chão do palco ou pra adrenalina que me tirava o sono depois de terminar...

Eu me joguei exausto na cadeira mais próxima da porta quando entrei na pequena sala de backstage que tinha na casa de shows, com a toalha cobrindo meu rosto, tentando respirar normalmente e colocar meus pensamentos em ordem... Tentei pensar em quantas bandas já tinham usado aquele pequeno camarim antes de se apresentarem, quantos deles deviam ser VKs, quantas daquelas coisas espalhadas pela salinha tinham sido deixadas ali na hora da pressa de entrar no palco ou ir comemorar...

— Perdido em pensamentos? – uma voz delicada sussurrou em meu ouvido e senti a dona da voz se sentando sobre meus joelhos, em meu colo e se aninhou em meu peito, deitando a cabeça em meu ombro, me fazendo sorrir instantaneamente, mesmo sem vê-la.

— Estou tentando colocar a cabeça em ordem... – respondi, puxando a toalha de meu rosto para poder olhar para Ana. Ela sorria aquele seu lindo sorriso de quando me via, o sorriso de quando nos conhecemos... Naquela noite, quando falei com Ana pela primeira vez, eu não podia imaginar que me apaixonaria por ela... Que seria capaz de amá-la tanto...

Na noite em que nos conhecemos, ela era apenas uma garota assistindo a uma apresentação pequena, no começo do the GazettE. E eu era apenas um músico que queria aproveitar o sucesso de mais uma noite. Mas ela foi diferente desde o primeiro instante, quando sorriu pra mim, quando eu caminhei na sua direção. Ana tinha um sorriso que eu até hoje não sei explicar... Mas ela era capaz de me desarmar com ele e me fazer entregar o que ela quisesse de mim...

— Gosto de te ver pensativo... – ela tornou a sussurrar e eu senti minha pele se arrepiar. Era um arrepio muito, muito bom...

— São momentos raros mesmo... Você deve aproveitá-los com certeza – eu brinquei, fazendo-a revirar os olhos. Eu simplesmente adorava quando a deixava assim, eram nossos momentos mais adoráveis, na minha opinião, quando eu dizia qualquer brincadeira boba para fazê-la rir e ela revirava os olhos.

Segurei seu rosto com a mão livre, que não segurava a toalha e puxei-o lentamente para o meu, fazendo Ana sorrir antes de fechar os olhos, me permitindo colar nossos lábios num beijo... Todos os beijos tinham o gosto de nosso primeiro beijo, com aquele arrepio delicioso, aquela corrente elétrica que parecia correr dentro de mim... Eu sempre amaldiçoava o momento em que precisava quebrar nosso contato...

Como amaldiçoei no nosso primeiro beijo e ela riu divertida. Ela tinha sido o sentimento mais maravilhoso que eu pudera experimentar, melhor do que estar sobre o palco, tocando baixo, melhor do que o vibrar de todos os instrumentos juntos, melhor do que o vibrar da plateia nos olhando e cantando junto nossas canções...

Mas depois de um show, eu sempre saía sedento por aquela boca tão deliciosa e mantinha-a colada a mim mesmo quando o ar acabava... Eu gostava de vê-la ofegando ainda de olhos fechados, com os lábios avermelhados, separados, puxando ar com dificuldade e suas faces branquinhas coradas como pétalas de rosa na primeira manhã de primavera.

— Aishiteru – sussurrei em seu ouvido e escondi meu rosto na curva de seu pescoço, para beijar-lhe a pele morna e perfumada até que ficasse arrepiada.

— Aishiterumo – ela respondeu baixinho, num suspiro delicado.

— Vão pra um quarto você dois – escutei a voz de Kouyou às nossas costas e eu e Ana nos afastamos minimamente para olhar seu sorriso zombeteiro. – Atrapalho? – ele deu risada, me fazendo fechar a cara.

— Como sempre... – eu olhei-o, mal humorado.

— Você estava ótimo no palco hoje, Kouyou-san! – Ana elogiou-o e eu a encarei, espantado. Ela não ligava que ele tinha nos interrompido?

— Domo arigato, hime-chan – ele pegou-lhe a mão e beijou-a. Eu odiava quando Kouyou chamava minha namorada de “princesa”... Mas ele tinha criado o péssimo hábito de chamá-la assim, principalmente perto de mim, por saber que me irritava...

— Se você não se importa, Kouyou, Ana e eu estávamos muito ocupados... – tirei a mãozinha dela da dele sutilmente, entrelaçando nossos dedos, para que ele não pudesse pegá-la novamente. Eu não era um namorado ciumento e muito menos sentia ciúmes da amizade que minha namorada tinha com meu melhor amigo, por confiar nos dois, mas eu não conseguia controlar quando me interrompiam daquela forma... Eu realmente precisava de Ana só pra mim naquele momento...

— Com aquela pouca vergonha? – ele brincou, fazendo minha garota corar lindamente e me fazendo bufar. – Você não devia corromper desse jeito minha hime!

— Sua hime gosta! – eu protestei.

— Akira! – Ana escondeu o rosto, corada e nós demos risada.

— Ele só está com inveja, koi, que eu vou pra casa com você e ele vai pra dele sozinho, chupar o dedo... – Kouyou fechou a cara.

— Não diga esse tipo de coisa, Akira! – ela me repreendeu.

— Tudo bem, hime... – ele disse com uma careta. – Vou deixar os pombinhos a sós... Acho que vou atrapalhar o Yutaka e a Mariana agora... Ou talvez Takanori e a namorada nova dele deva ser mais engraçado... Sabem se o Yuu também está acompanhado hoje? Sabem o que está rolando entre ele e aquela amiga da Chibi? Eles parecem bem íntimos pra mim...

— Se vai sair, vai logo! – eu briguei e Kouyou desapareceu pela porta, gargalhando alto e me mostrando o dedo do meio. Eu gargalhei antes de voltar minhas atenções novamente para Ana, que me encarava pensativa.

— Não devia falar com ele assim, Akira! Ele deve estar se sentindo sozinho...

— Amanhã eu me desculpo com ele... – segurei seu rosto, trazendo para o meu novamente. – Agora, eu só quero você!

Notas finais
mereço reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!