Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

19 Capítulos 19 – Jovens Corações


Notas iniciais
Hannah: Olá guys, Após duas semanas sem capítulo por causa da manutenção de nyah, finalmente estamos de voltar. Esperamos que o cap faça vale a pena a esperar... E de sobra, um desenho lindo do assassino. Como não apaixona por ele?? kkk. Obrigada por lerem e comentarem.

Capítulos 19 – Jovens Corações

Kensuke espreguiçou e abriu os olhos lentamente. Não pode resistir àquela pele linda todo ao seu dispôs, ele esticou cobrindo o pequeno corpo e começou a depositar beijos singelos pelo pescoço e seguiu pela coluna abaixo.

Nanami remexeu, mas ainda permaneceu imerso ao seu sono, contudo como bom gatinho – ronronou – e isso foram suficientes para fazer Kensuke duro novamente.

Ele gemeu e parou os beijos. Ele sentou apoiando parte de seu corpo no braço esticado e apoiado no futon. Os seus olhos habituaram a iluminação do quarto e ergueu a face. Olhou pela janela, dando-se conta que o sol começava a esconder-se no horizonte anunciando a noite.

Sentindo o frio tocar sua pele, olhou para o esposinho. O que viu fez seus olhos arregalarem, e em sequencia, tomado pela curiosidade, os seus dedos ásperos e grossos, tocaram a macia pele traçando aquela surpresa. Não era conhecedor perfeito de gatos, mas não achava que somente por que se acasalou, surgiria uma tatuagem. O fato era que em toda a extensão das costas de Nanami, ainda que levemente, uma tatuagem tribal estava desenhada. Os traços eram leves e claros – mas não existiam antes – as curvas sinuosas formava um desenho tribal tomando dos ombros até a espinha dorsal.

— O que...? — Ele pensou em perguntar ao gatinho, mas esse parecia tão confortável em seu sono, que seria crueldade. Kensuke decidiu indagar depois ou quem sabe perguntar a Sayuri. Talvez o príncipe soubesse melhor. Falando em príncipe, precisava realmente ter uma séria conversa com ele. Não havia discutido seu destino. Se voltaria à vila dos gatos ou ficaria ali. De alguma forma, Kensuke desconfiava que se Sayuri ficasse em Akai, uma guerra poderia iniciar.

— Ken-chan... Frio... — O loirinho resmungou, mas não abriu os olhos.

O choramingo de Nanami, retirou Kensuke de seus pensamentos. Ele decidiu verificar aquela tatuagem depois e colocar seu esposo confortável. Sendo lobo, lidava melhor com o eterno frio, mas não Nanami. Compadecido, ele levantou sem se importar para sua nudez e seguiu até a janela. Ele fechou a mesma e seguiu até o lampião o acendendo, deixando a tênue luz invadir o ambiente.

O Alfa deixou um pequeno sorriso surgir em seus lábios enquanto admirava o gatinho. Ainda não podia acreditar o quão burro foi para não aceitá-lo no início. Nanami era ingênuo, animado e, adorável... Totalmente comestível.

O Lobo moveu até o closet, abriu a porta, e pegou um cobertor grosso e fofo... Rosa... Fora dado de presente por um dos Lobos do Vilarejo, em forma de agradecimento por Nanami sempre cuidar dos filhotes. Kensuke aproximou-se do futon e estendeu o cobertor sobre o gatinho. Ele agachou-se e depositou um beijo nos fios dourados com mexas rosas de Nanami. — Durma mais um pouco, docinho. Vou providenciar uma comida gostosa para nós. — Disse suave.

Ele seguiu para o banheiro que ficava em junção com o quarto e tomou um banho rápido. Ele deixou os cabelos negros e longos soltos, ao que vestiu uma calça feita de pele de urso e uma blusa de seda negra com botões na frente. Com os pés descalços, Kensuke saiu do quarto e seguiu para a cozinha.

Seguiu pelo corredor tranquilamente e murmurando uma canção. Estranhamente sentia-se mais bem-humorado depois que havia se acasalado com Nanami... Era como se o fardo de sua vida tivesse se tornado mais leve. Ele se pegou pensando nisso, mas foi retirado quando o cheiro divino chegou em suas narinas. Intrigado, seguiu o cheiro e acabou na cozinha.

Olhou para o jovem gatinho de cabelos lisos e vermelhos. Esse achava-se vestido um kimono de algodão cru e na cor verde claro. Os cabelos presos em um rabo alto à franja presa de lado por uma pregadeira, a fim de não deixar cair na comida. Sayuri mexia alguma coisa dentro da panela no fogo e sorria.

— Pri... Sayuri-san? O que estar fazendo? — Perguntou. Ainda tinha ciúmes desse príncipe, mas tentava tratá-lo com mais amabilidade, mesmo que fosse difícil... Mas sabia que sendo amigo importante para Nanami, precisava tratá-lo bem para agradar ao seu gatinho.

O ruivinho virou com a espátula em mãos e um sorriso. — Boa noite. Nanami esta bem?

— Sim! Ainda dormindo. Preparando jantar? — Kensuke se aprofundou a cozinha, mas manteve a devida distancia do príncipe.

— Sim! É sopa de cogumelos, pão caseiro e temos geleia de pêssegos. Nana-chan gostará. Estar praticamente pronto, por que não coloca para vocês? — Disse dando um largo sorriso. Ele desligou o fogo e seguiu ao armário a fim pegar os pratos, talhares e copos.

— O farei, ele acordará com fome. Você o conhece bem. — Havia uma nota de ciúmes na voz do Alfa. Não podia evitar.

Sayuri olhou curioso com os pratos fundos em mãos. — É... Um pouco. Conheço Nanami tem uns 6 anos... Eu tinha 8 anos e ele 7... Mas sempre tivemos que esconder a nossa amizade, por causa... — Disse triste. Nunca gostou de esconder Nanami como se ele fosse um segredo sujo, mas seu pai e o reino nunca aceitariam a amizade deles.

Todavia o príncipe não pode prosseguir falando, pois uma terceira voz os interrompeu. — O-Olá... Boa noite...

Kensuke olhou duramente para o amigo. — Acaso não tem mais casa?

Ryo deu de ombros e se aproximou de Sayuri. — Sempre vim aqui, e isso nunca o incomodou... Agora tenho motivos mais fortes para vir. — Disse sem nunca retirar os olhos do ruivinho. — Olá... Esta lindo.

Sayuri corou belamente e olhou para os pés. Ele sempre sentia o coração bater mais forte quando estava perto daquele lobo. Ele mesmo não compreendia bem... Até desconfiava, mas sabia que era errado. Sentia-se mal por não ter contado para Ryo ainda quem realmente era, mas temia expor mais Nanami se contasse que era o verdadeiro príncipe.

— Por favor, os dois... Ryo seu imprestável, por que não o convida para um passeio ou beija logo!? — Kensuke disse revirando os olhos.

Sayuri corou ainda mais forte e Ryo estava pronto para resmungar, quando uma quarta pessoa ser anunciou.

— Bo-boa noite! — A voz de Chizuru se fez presente. O príncipe dos lobos estava lindo em seu kimono azul celeste com uma faixa branca e decorada com flores. Ele tinha os cabelos presos no alto da cabeça e um fio de ouro trançado junto a uma mexa de cabelo. — Cadê Nanami?

Kensuke revirou os olhos. — Acaso pai saiu para comer com seus amigos e você ficou com preguiça de cozinhar?

Chizuru fez um bico. — Grosso! Eu vim apenas ver como Nanami esta!

— Nunca interessou por ele antes, apenas o maltratou.

Sayuri deu uma risadinha fofa. Kensuke realmente era hilário.

Ryo olhou para o ruivinho e sentiu vontade de comê-lo ali mesmo. Sayuri era uma delicia e fofo, mas se conteve.

— Ora... Você brigou comigo por não tratá-lo bem... Mesmo que você fazia pior... E agora que quero ser até amigo dele, reclama! — Chizuru disse com um bico. — Você é idiota.

Kensuke deu passo irado para o irmão. — Eu sou seu Alfa... E...

— Olá! Chizu-chan, que bom vê-lo. — Seiji disse entrando na cozinha e colocando-se ao lado do príncipe lobo.

Kensuke revirou os olhos e desistiu. Sua casa estava praticamente virando uma pensão. Ele moveu-se pelo local e pegou uma bandeja de madeira, duas tigelas, colheres e copos. Encheu as tigelas com a sopa, pegou dois pedaços grandes de pães e geléia. — Façam o que quiserem, vou alimentar meu companheiro. — Disse entre os dentes e saiu do local.

Sayuri deu uma risadinha e negou com a cabeça. Ele sentia saudade dos irmãos e pai, mas viver com os Lobos realmente era divertido. Em seu reino, as pessoas o tratavam com ‘deus’ ou alguém sagrado. Não eram seus amigos, apenas o venerava, e isso sempre o fez se sentir solitário.

— Vão querer jantar? Preparei bastante. — Disse com sorriso. No castelo jamais permitiriam que ele cozinhasse, fazia às vezes escondido algo para Nanami, mas ele realmente gostava. A ideia de cuidar e agradar as pessoas que lhe eram importantes, era maravilho para si.

— Sim! O cheiro esta ótimo. — Chizuru disse. Ele olhava disfarçadamente para Seiji, porém quando esse retribuía, ele desviava.

Sayuri os achou um casal lindo... Ele olhou para Ryo e sorriu. — Vamos comer?

— Sim! — Ryo disse ao que ajeitou uma mecha vermelha que caiu na face do gatinho, colocando-a atrás da orelha. — Você... Quer... Sabe... Passear comigo depois? — Ryo disse sem jeito. Para um grande lobo e beta, ele era muito inseguro.

— S-Sim! Eu vou adorar. — Sayuri disse dando pulinhos.

Chizuru revirou os olhos. — Por favor... — Disse ranzinza, mas por dentro morria de vontade que Seiji o convidasse também. Antes ainda conseguia falar com ele, mas agora que eram oficialmente noivos, sentia-se mais tímido e sem jeito... Contudo, mal podia esperar para se casarem.

— Vamos comer, antes que Kensuke venha nos expulsar. — Seiji disse. — Ele fica dando canseira em Nana-chan. — Disse com sorrisinho malicioso.

Sayuri e Chiruzu coraram e foram colocar a sopa nas tigelas, a fim de disfarçarem. Ryo revirou os olhos para o amigo, e negou com a cabeça.

–oo0oo-

Os olhos de Maiko estavam fixos em uma bola mediana. Era como cristal, porém negra e do tamanho que cabia perfeitamente em sua palma da mão fechada. Os olhos verdes olhavam para a esfera com certo medo e receio. A negra esfera achava pousada em uma caixa de madeira sobre a cômoda de seu quarto.

Ele suspirou e fechou a tampa. Odiava aquela joia, mas simplesmente não poderia se livrar dela.

Sua concentração foi retirada por batidas na porta de seu quarto. — Sim?

— Querido? É Asami. — Seu pai ditou. Seus pais eram homens corretos e gentis. Maiko era ciente que ficaram tristes por ele não ter acasalado com o Alfa, mas igualmente não o forçaria ou atormentariam com isso.

— Estou indo! — Disse. Ele seguiu até a cama pegando o cachecol branco e enrolou em seu pescoço e ombro. A noite estaria fria, mas nem por isso poderia atrasar o que tinha a fazer. Era ciente das consequências se fizesse.

Ele saiu do quarto indo à sala. Encontraram seus dois pais sentados no sofá lado-a-lado. — Esta tarde e frio. Não saia. — O seu pai, a quem o gerou, ditou preocupado.

Maiko muniu de soberba e ditou: — Esse frio é eterno, não vou perder a vida por causa dele. Não vou demorar. — Disse acenando com a mão e saindo. Ele fungou quando olhou para Isamu.

— Demorou! Temos de ser rápidos. — Disse Isamu.

— Você quis dizer eu tenho que ser. — Maiko disse irado. Não esperou por resposta. Ele tomou o pequeno frasco da mão de Isamu e saiu andando duramente.

Eles seguiram pelas ruas casualmente cumprimentando os outros Lobos. Ao chegarem a uma esquina, entraram no beco e usaram um caminho alternativo até o alvo. Ao chegarem diante da bela casa, Maiko acenou dizendo para Isamu esperá-lo ali, ao que usou suas habilidades de Lobo e pulou habilmente até a varanda do segundo andar da casa. Seguindo o cheiro, lentamente seguiu e entrou pela porta da varanda e pelo corredor.

Ouviu as vozes vindas do primeiro piso, mas as ignorou e seguiu para o quarto. Abriu a porta de correr sem fazer barulho algum e entrou no quarto com muita facilidade. Encontrou o seu alvo deitado no futon com um cobertor rosa. Aparentemente o gatinho dormia.

Ele olhou para a bandeja perto da cama e depois para o banheiro de onde vinha um certo barulho de água. Sua sorte era que usava uma erva que escondia o seu cheiro, do contrário, Kensuke teria sentido sua presença.

Não querendo ser descoberto, ele aproximou-se da badeja e retirou o frasco da faixa de sua roupa. Abriu e despejou o líquido transparente em uma das sopas. Mexeu pouco a tigela para misturar e a colocou novamente no lugar.

Maiko se assustou quando Nanami remexeu-se, mas para sua sorte o gatinho não acordou. Então, levantou rápidamente e saiu do quarto sem fazer qualquer barulho. Seguiu pelo corredor e novamente pulou da varanda aterrissando no chão com leveza.

— Conseguiu? — Isamu perguntou.

— Aqui! Esta feito... — Maiko disse entregando o frasco para ele. — Agora é torcer para que quem tomar morra... De preferência Nanami. — Disse frio e sem emoção. Ele começou a caminhar deixando o outro para trás.

— Aonde vai? Que tal nós...

— Vou para casa, estou cansado. — Maiko disse sem dar brechas. Ele não estava com humor para nada.

–oo0oo-

As espadas se chocavam bruscamente, o som delas somente era cortado pelas palavras de ataque e defesa que aqueles dois espadachins gritavam um para o outro dentro do treinamento.

Shuichi era perfeito no que fazia, ele normalmente tomava quase todas as tardes a treinar com seu melhor amigo Roan. O guerreiro era maior do que si, mais forte e muito habilidoso, um adversário ideal para seus treinamentos.

— Está um pouco lento Shu-chan... Está tudo bem? — Roan perguntou parecendo preocupado. Shuichi apenas retirou sua máscara e sorriu para ele.

— Claro... Talvez eu esteja somente um pouco estressado, mas lutar me ajuda a extravasar! — Shuichi falou respirando fundo já que estava ofegante e suado. — Vamos para a quarta rodada, darei mais de mim!

— Tem certeza? — Roan fez uma ultima pergunta, Shuichi apenas revirou os olhos assentindo. — Então vamos lá!

A batalha continuou e suas espadas aflitas, violentamente encontrando-se uma com a outra formando faíscas. Roan tentou um golpe para baixo de Shuichi, mas o mesmo foi rápido o suficiente para se defender e revidar... Bem, ele ao menos tentou revidar. De repente Shuichi cambaleou para um lado, tentou se manter firme, mas suas vistas embaçaram, além de tudo ao seu redor girar e então somente ver a escuridão quando encontrou o chão. Seu corpo caiu inerte, Roan jogou sua espada longe e sua mascara, correndo para socorrer o príncipe.

—Shu-chan! Shuichi-sama! — Ele gritou pelo amigo e seu superior, ele nem ao menos havia encostado a Shuichi... Droga! Pensariam que seria sua culpa. Só que mais importante do que isso era saber o que diabos seu amigo tinha! Roan não se perdoaria se algo acontecesse com Shuichi.

Ele gritou por socorro e não demorou que guardas invadissem o recinto da sala de treinamento com suas espadas preparadas caso fosse uma invasão, mas logo as guardaram quando viram Shuichi caído.

Não demorou em que o Imperador fosse avisado, assim como o conselheiro Hachiro e o gêmeo de Shuichi, Yunsuke, o herdeiro do trono. Shuichi já havia sido carregado até seu quarto completamente inconsciente, Roan era um poço de preocupação, mas não se comparava a família do príncipe.

— O que houve com ele? Simplesmente desmaiou? Deve haver uma razão! Ele não está ferido em algum lugar? — O Imperador perguntou aflito, em seu rosto era muito visível tamanha preocupação, já estava com um de seus bebês perdido e desaparecido, agora acontecia uma coisa dessas com seu segundo menor.

— Eu percebi que ele não estava muito disposto, mas ele quis continuar o treino além de seus limites... Eu não entendo normalmente Shuichi é muito forte e nunca teve um desmaio. — Roan comentou sua versão para o Rei. O mesmo olhou para ele e assentiu, ele não duvidava de Roan, era o melhor amigo de seu filho e Shuichi sempre se gabou para ele de como seu melhor amigo era confiável e um ótimo guerreiro.

Yunsuke estava a apenas um metro da cama, observando Shuichi. Seu irmão estava pálido e contorcia sua expressão vez ou outra. Ele com certeza não estava passando bem... Isso preocupou tanto do herdeiro que foi como se seu coração estivesse sendo apedrejado, só que as pedras não caíam e sim permaneciam pesando seu coração cada vez mais, deixando-o muito apreensivo. Seja o que fosse, Shuichi teria o melhor tratamento... Não se perdoaria se algo acontecesse com aquele que detinha seu coração.

Mesmo que estivesse tão confuso pelo último acontecimento entre eles, e não estivessem se falando e ignorando um ao outro, Yunsuke admitia a si próprio que queria muito voltar a falar com seu irmão, estar com ele e passar muitos momentos ao seu lado... Não queria que as coisas terminassem daquele jeito... Ele gostaria muito de se lembrar daquela noite.

— O doutor está aqui. — Hachiro falou quando cedeu espaço para um doutor neko entrar, o mesmo era baixinho demais comparado a todos naquela sala, cabelos negros encaracolados até abaixo dos ombros, despontados e com uma vasta franja que cobria parcialmente seus olhos e rosto, como uma sombra. O mesmo entrou acanhado e falou mecanicamente.

— Bom dia vossa alteza... Gostaria de vossa permissão para examinar Shuichi-oji-sama, poderiam deixar-me a encargo dos exames, mas necessito de privacidade. — Dito isso, o Imperador começou a enxotar todos para fora.

— Vamos, deixem o doutor examinar Shuichi! — O Imperador chegou para o doutor, o mesmo curvou-se perante a realeza. — Deixo em suas mãos doutor Amano, estarei esperando na sala depois daquela porta. — Ele quis dizer a sala antes do quarto de Shuichi, que era como uma conjunção ao quarto dele, já que eles viviam em um imenso castelo.

— Conte comigo vossa alteza. — O doutorzinho falou. Esperando o Imperador sair e fechar a porta, para então suspirar e espreguiçar. — Deuses... Tão difícil... Difícil... — Murmurou consigo mesmo. Falar com as pessoas era tão difícil. Normalmente ele não sabia o que dizer, por isso ele agia mecanicamente, meio no automático. Amano era assim, mas agora era hora de mostrar suas habilidades como um bom médico.

Yunsuke estava a esperar do lado de fora do quarto de seu irmão, muito impaciente, já havia se passado mais de meia hora que o pequeno doutor havia se trancado com seu irmão lá dentro.

— Eu não vejo o porquê de tamanha demora! — Ele resmungou alto o suficiente para que pudesse escutar além da sala de estar.

— Tenha paciência... Deve ser algo grave. — O Imperador, sentado em sua poltrona, já estava perdendo as unhas. Além de estar ansiosa por uma resposta, a preocupação estava lhe matando.

— Estará tudo bem Senhor... Vamos somente pedir aos deuses sua proteção e que seja o que for, nos faça fortes. — Roan confortou o Imperador com as palavras que encontrou no momento. Ele mesmo precisava de algum consolo.

A porta foi destrancada e então cerrada aberta. O pequeno doutor fez sua aparição, e ninguém sabia se ele estava ponderando sobre dar a má notícia, ou se estava tudo bem, ele não demonstrava muito.

— Shuichi-oji-sama está bem, já está acordado e respondendo, mas encontra-se um pouco chocado, por isso espero que possam deixá-lo a sós por algum tempo. Ele pediu tempo para pensar. — O doutor voltou a pensar no que ia falar.

— Desembucha! O que raios Shuichi tem?! — Yunsuke agarrou os ombros do doutor o sacudindo.

O mesmo corou profundamente suas bochechas, sua franja escorrendo para fora de seus olhos no momento em que ele ergueu a cabeça surpreso por estar sendo tocado. Yunsuke engoliu em seco e soltou o doutor. O mesmo encolheu seus ombros parecendo ferido em como foi tocado, ele começou a tremer enquanto falava, sua voz saiu embargada como se ele quisesse chorar. — De-Desculpe...

— Seja mais controlado rapaz! De tempo ao doutor! — O Imperador repreendeu seu filho. Yunsuke cruzou os braços e bufou.

Roan estava olhando desde uma distância suficientemente visível para que ele tivesse pego o flash do rosto do pequeno doutor. Foi completamente estranho o que sentiu e a imagem não saiu de sua mente. Seu rostinho era como de um anjo... Seus olhos eram profundamente lilases, tão distintos.

Seu coração trovejou. Ah maldições, não podia ser o que ele achava que era!

— Aparentemente Shuichi-sama está grávido... O que foi uma surpresa até para mim. Ele está de algumas semanas, ainda não é possível saber exatamente quanto tempo, mas queria dar os meus parabéns ao pai. — Tentou disfarçar e limpou a garganta. — Vou entregar-lhes uma carta de recomendações... Coisas que ele pode ou não comer, exercícios que ele não pode praticar, e não, nada de espadas até que o bebê nasça.

Yoshikazu, o Imperador da ilustre cidade de Masao, aonde os gatos de todas as raças viviam em paz e plenitude, estava prestes a ter um infarto. Ele caiu para trás em sua poltrona segurando seu peito e arfando.

— Não... Não pode ser... Meu filho... Um pai solteiro?! — Ele rosnou, seus olhos como bolas de gude. Rapidamente Hachiro foi prestar sua ajuda ao rei. — Como isso é possível Hachiro?! Me diga! Como Shuichi foi engravidar? Maldições, de quem??

Yunsuke, o ilustre príncipe, herdeiro do trono e gêmeo mais velho de Shuichi, caiu contra o tapete em um baque duro, desmaiado. Tinha sido forte demais para ele, ainda mais forte do que qualquer outra coisa em sua vida.

Roan por sua vez estava ainda a ponderar sobre as palavras do médico, quando percebeu os olhares sobre ele, principalmente do Imperador.

—Es-Esperem... Eu não fiz nada! Juro que eu e ele éramos somente amigos! — Defendeu-se, o que infelizmente era a verdade, Shuichi nunca sequer deu uma chance de ser tocado, Roan somente pode pegar alguns flashes do corpo nu de Shuichi quando se banhavam no vestiário de preparação antes dos treinos, nada além disso.

Hachiro por sua vez sorriu internamente, um sorriso não, mas uma gargalhada. Esta havia sido a melhor notícia para ele... Agora com Sayuri fora do caminho, e Shuichi se tornando um pai solteiro, somente faria com que o Imperador adiantasse de antemão o casamento entre o herdeiro e sua filha. Antes mesmo que eles esperassem, Hachiro seria dono de tudo isso... Ninguém iria impedir seus planos... Parecia que todas as bandeiras estavam sendo erguidas para ele, o destino e os deuses estavam ao seu favor, Hachiro usaria casa pequena boa sorte que surgisse, ele teria seu maior desejo realizado.

–oo0oo-

— Deixe que Chizuru-sama arrume, venha. — Ryo disse puxando o ruivo pela mão. Desde que chegara estava ansioso e nervoso para convidar Sayuri para dar uma volta, mas mesmo sendo um beta e um dos lobos mais fortes do vilarejo, tinha medo de rejeição.

— Ei, não me explore. — Chizuru disse com a voz alterada.

— Não seja exagerado. Ele fez a jantar e agora nos dois arrumaremos. Veja, eu irei ajudá-lo. — Seiji disse levantando e passando a recolher as tigelas, talheres e copos para levar a pia. O príncipe lobo fez beicinho, mas levantou.

Sayuri deu uma risadinha. Ele retirou o avental branco em frente ao corpo e ajeitou seu kimono. — Será que esta muito frio?

— Um pouco, pegue seu casaco. — Ryo disse com doce sorriso. Ele não podia impedir que seu coração pulsasse sempre forte por aquele gatinho. Ele era tão lindo e fofo. Sentia-se uma poça de gosma perto dele.

Sayuri correu até a sala pegando o casado pesado de pele e vestiu sobre seu kimono verde claro. Ele voltou a cozinha, acenou um ‘tchauzinho’ para os outros dois e saiu com Ryo. Ele sentia seu coração bater forte. Ele sabia que deveria retornar ao vilarejo dos gatos. Seu pai e irmãos deviam estar preocupados, mas não queria afastar-se de Nanami, e agora do lobo que caminhava ao seu lado. Era tudo culpa por aquela estúpida guerra.

Os dois seguiram da bela casa, lado-a-lado e seguiram pelas ruas tranquilas e meio desertas. Haviam algumas pessoas transitando, mas poucas. O frio gelava as peles, mas os lobos eram acostumados aquele frio sem fim, menos Sayuri.

O gatinho se encolheu mesmo protegido pelo casaco, mas em sequencia se assustou com o abraço. Olhou para cima e encontrou os olhos do lobo. Havia ternura e expectativa neles.

— Obrigado! É bem frio aqui. — Disse com biquinho. — O inverno dura muito tempo? — Sayuri indagou curioso.

— Inverno? O frio é eterno. — Disse dando os ombros.

— Como assim? — Sayuri não entendeu.

Ryo sorriu sensual. — Nas montanhas dos Ôkami, o frio é eterno. Não existe verão ou primavera, sempre é frio e neva. Sempre o branco. — Ryo disse como se fosse algo normal.

Sayuri mordeu o lábio inferior pensativo. — Mas como? Não é ruim? Não seria melhor mudarem para outro lugar?

Ryo suspirou: — Quando a grande guerra aconteceu, nosso vilarejo era nas proximidades de Masao... Esse era um dos motivos da guerra, por território... Como a grande besta surgiu, muitos morreram e os dois vilarejos foram destruídos. Os dois reis, decidiram uma trégua pelas vidas ceifadas, mas não poderia dar certo vivendo tão perto... Por aguentarmos o frio, os lobos decidiram viver nas montanhas.

Sayuri sentiu uma pontada de dor no coração. Sua mãe havia morrido naquela guerra, assim como o pai de Nanami e o outro se tornou um traidor. Era triste, pois muitos ainda sofriam as consequências daquele acontecimento.

— Isso é triste. — Sayuri disse com os olhos carregados de dor.

Ryo ficou de frente para ele e tocou seu rosto gentilmente. Recolheu as lágrimas que ameaçaram cair. — Não chore... Fica mais lindo sorrindo. — Disse. Seu polegar acariciou a pele macia até chegar aos lábios bem desenhados. — A vida continuou, os que sobreviveram deram seu jeito.

— Sim, mas muitos tiveram que conviver com as consequências...

— Quero você feliz. Seu sorriso é o sol na minha vida no meio dessa neve toda. — Ryo disse. Ele inclinou para baixo e deixou que seus lábios tocassem os de Sayuri. O beijo que começou lento, não mais que um roçar, foi ganhando presença. O lobo gemeu diante do sabor divino que provinha do ruivo. Seus braços fortes rodearam o corpo pequeno o trazendo para mais perto dele.

Sayuri derreteu-se contra Ryo. Não era seu primeiro beijo, apesar de que um tocar de lábios com Nanami não contava... Mas sentia-se tão vivo como nunca. Deixou-se levado pelos sentimentos que dançaram dentro dele.

O beijo foi breve, mas deixou ambos desconcertados. Sayuri olhou para Ryo, com as bochechas coradas e as borboletas dançando em seu estômago. — Eu... Eu gosto de você...

— Eu também... Digo, eu gosto de você... Muito. — Ryo disse com radiante sorriso. — Vamos voltar? Esta ficando ainda mais frio e não o quero doente.

— Eu gostei do passeio... Podemos fazer amanhã cedo novamente? — Pediu esperançoso.

— Claro, é meu prazer. — Ryo afastou-se de Sayuri, mas tomou a pequena mão na sua, e sorrindo, ambos giraram para fazer o caminho de volta para a casa do Alfa.

Continua...

Notas finais
Miky san: Obrigada por ler *-* Espero que tenha gostado do capítulo! Temos mais emoções vindo por ai... Não exatamente boas, mas também teremos que torcer mais pelos personagens... Enquanto ao Imperador de Masao, realmente ficou chocado pela surpresinha que Shuichi lhe deu... Yunsuke precisa fazer algo... Aqui está o link do desenho de Yamato: http://miky-san.blogspot.com.br/2013/11/akai-ito-yamato-personagem.html Próximo domingo tem mais! beijinhos