Notas iniciais
Miky: Oláa 'o'

Aqui está o capítulo desta semana, esperamos ansiosas de que gostem do nosso trabalho, meio tenso kkkk mas ainda sim, fizemos com amor *u*
Para quem não conseguir ver o desenho de Ryo e Seiji, aqui está o link:
http://miky-san.blogspot.com.br/2013/08/ryo-e-seiji-akai-ito-personagem.html

Boa leitura!!

Capítulo 8 — A Fuga de Sayuri


Nanami perdeu a noção de quanto tempo permaneceu olhando para o espelho. O pequeno sino preso a sua orelha de neko era tão bonito. Nanami sabia que era uma coisa de gato, e muitos gostavam de usar sinos como este em seus pescoços, além de usar como enfeites em suas casas. Ele já havia visto muito, mas nunca tivera chance de ter um assim.


Kensuke havia sido muito gentil de procurar por este presente tão longe.


Nanami tivera as suas bochechas coradas com um sentimento acalentador dentro dele. Ele não sabia ao certo o que era, mas esse pequeno presente o conquistou. Ele não queria ter que guardar suas orelhas agora, ele queria mostrar para todos como estava bonito.


Nanami miou quando foi pego de surpresa por uma batida em sua porta. Ele olhou de volta para o espelho e então para sua calda. Ele não queria esconder, mas ele sentia-se envergonhado quando abriu a porta e encontrou Chizuru com uma expressão de raiva.


O mesmo adentrou o quarto sem pedir permissão e colocou as mãos na cintura. No momento em que ele voltou a olhar para Nanami, sua expressão mudou completamente para alguém muito, muito surpreendido.


— Você... Suas orelhas? — Chizuru parecia perdido, como algo que ele nunca tinha visto antes. — Essa é sua meia forma? — Notou o brinco em forma de sino, tinindo quando Nanami se movia.


— Ahn... Sim. G-Gostou? — Nanami teve seu rosto ruborizado e ele tentou esconder suas mãos atrás das costas, olhando para seus pés. Ele não costumava tomar sua meia forma na frente de ninguém. Apenas Sayuri havia lhe visto assim algumas poucas vezes, mas para evitar ser sufocado pelos abraços fortes do príncipe, ele evitava se transformar perto dele.


Chizuru não iria admitir que ele tinha gostado. Qual era o objetivo principal de vir aqui mesmo? Ah, brigar com Nanami.


— Você... Seu... Seu... — Chizuru voltou a ficar vermelho de raiva. — Kensuke foi brigar comigo pela noite mal sucedida que teve com você. Por que não simplesmente fez amor com ele? Não deve ser tão difícil se as pessoas fazem isso todos os dias. — Chizuru era irmão do Alfa, ele ainda não tinha acasalado, e como lei e honra para um Ninshin como ele, precisava casar virgem para ser tomado por seu marido e estar com ele por toda sua vida. As coisas eram assim naquela Aldeia, era tradição também.


Nanami ficou olhando por ele por alguns segundos e então desviou o olhar. — Ele não... Ele não me quis. — Sendo como um pequeno gato abandonado. Nanami voltou para o futon, lembrando-se do olhar incrédulo no rosto do Alfa, assim que o mesmo tinha visto o seu corpo manchado. Era muito mais doloroso agora que Nanami entendia que Kensuke não havia gostado de sua aparência, e muito menos lhe aceitado como esposo. O que aconteceria agora?


— Ele não... Como assim não te quis? — Chizuru engoliu em seco, não acreditando como aquilo era possível. Ele odiava o fato de seu irmão ter se casado com o príncipe de Masao, por um acordo de paz que fora plano de seu pai. Ele amava seu pai, o Ancião Chao, mas isso não significava que ele concordava com tudo o que ele estipulava para a aldeia.


Acreditava que poderia haver outros métodos de um acordo de paz que não colocasse a felicidade de seu irmão mais velho em jogo. Só de pensar em como Kensuke estava sofrendo com isso, faziam seus olhos se encherem de lágrimas. Seu irmão não merecia isso.


Kensuke sempre cuidou tão bem de Chizuru, lhe deu carinho, amor de irmão e o aconselhava a todos os momentos. Ele era um símbolo de que as pessoas deveriam seguir, e também o melhor irmão do mundo.


Sabia de que Kensuke não amava Nanami, e assim como ele, não era muito de acordo com esse casamento. Tinha certeza disso. Mas Kensuke se sacrificou, e pelo menos Nanami era bonito, pequeno e não demonstrava um perigo para a Aldeia. Ninguém poderia temer uma criatura pequena como ele.


— Ele viu meu corpo... Ele não gostou de como sou e foi embora. — Nanami segurou com o pouco de coragem que detinha para não chorar perante Chizuru. — Nee Chizu-chan, eu não sou tão ruim assim, sou?


E foi assim que Chizuru foi sentindo a barreira que ele tinha criado entre ele e o gatinho, começar a derreter. Ele se segurou para não correr e abraçar o pequeno fofo que ele adorou, mas rapidamente repôs os tijolos e fortificou a barreira.


— Ele viu as marcas não foi? Eu ainda não entendo. Mas você não deveria nem estar triste com isso, quem esconde as coisas aqui é você. Kensuke foi obrigado a aceitar esse casamento, e obrigado a ficar do seu lado. Deveria dar mais valor nisso, porque você não é grande coisa, para o que conseguiu na nossa aldeia.


Nanami mordeu seus lábios, segurando ao máximo para não deixar o choro passar da garganta. Ele se levantou e se virou de costas para Chizuru.


— O que você veio fazer aqui? Só brigar comigo, seu chato!


Chizuru percebeu a calda de Nanami espichar, além de seus cabelos se arrepiarem. Ele ficou bravo e foi bonitinho.


— Você viu como está tarde? Kensuke me pediu para passar um tempo com você. Então vou te ensinar as tarefas de uma cadela alfa.


— Por que todo mundo me chama assim? É tão feio! Eu sou um gato. — Nanami fez bico para ele.


— Que nojo, está vestindo o mesmo kimono que ontem? — Chizuru fez careta, recebendo um olhar de desprezo do gatinho. Isso o fez rir internamente. — Olhe aqui... — Chizuru abriu uma porta de tela de seu quarto, mostrando a Nanami uma quantidade considerável de kimonos para a semana toda. — Está vendo estes kimonos? Deveria ser mais curioso e procurar, ninguém te deixaria sem roupa para usar no dia seguinte. Vista este aqui. — Entregou para ele um kimono cor-de-rosa salmão. Muito detalhado a fios de ouro, além de pinturas belíssimas de rosas brancas.


— Ual, que bonito. — Nanami passou um certo tempinho admirando a beleza daquelas vestes. — Isto é meu?


— Claro que é! Até parece que daria roupas minhas usadas para você vestir. Agora você já não é mais um convidado em nossa aldeia. É um integrante importante, seu dever é usar as melhores vestes e estar sempre muito bem arrumado. As pessoas querem ver sua beleza. — Chizuru torceu o nariz quando viu Nanami já desnudo e passando a vestir o kimono bonito.


— Não olhe. — Miou para ele.


Chizuru achou o som mais lindo que já ouviu, era ainda mais fofo do que choramingar dos lobos filhotes. Ele se virou e corou suas bochechas franzindo as sobrancelhas.


"Deuses, o que acontece comigo ultimamente? Eu o odeio"


Algo em Nanami o chamava para ser gentil e carinhoso com ele, mas Chizuru tinha um tremendo orgulho e não se deixaria levar por isso tão cedo. Ele odiava gatos, foi essa espécie maldosa que destruiu sua aldeia há dez anos atrás e trouxe tormento para o seu povo. Ele não perdoaria isso nunca.


-oo0oo-


Yunsuke poderia ser um jovem de 19 anos, mas sentia como se fosse um Were em torno de um século. O peso que carregava em seus ombros era grande. Ele cresceu sabendo que teria uma responsabilidade em sua vida, desde jovem foi treinado para isso, mas isso não o impedia de desejar ter nascido apenas um plebeu. Sempre tinha que tomar cuidado com suas atitudes, pois sempre tinha alguém olhando para ele... As pessoas sempre esperavam mais dele. Mas de tudo que era oferecido em sua vida, apenas um queria mais que tudo, mas ele estava totalmente fora de seu alcance.


Ele seguia pelo corredor em passos firme. Trajava um kimono masculino na cor azul-escuro. Os cabelos negros se achavam rigidamente arrumados e duas espadas enfeitavam a sua cintura.


O príncipe tinha a prioridade aqueles dia, e a primeira certamente era dar a notícia a Sayuri. Realmente queria ajudar ao irmão, mas suas notícias não eram boas.


Quando chegou a frente da porta do quarto de Sayuri, antes de erguer o punho e bater pedindo permissão, a voz de seu outro irmão interrompeu.


— Conseguiu o paradeiro do amaldiçoado? — Shuichi perguntou arrogante.


Yunsuke estreitou os olhos e suspirou fundo. Ele odiava quando Shuichi era dessa forma, como se fosse um menino mimado e achava-se melhor que os outros. Ele virou-se sobre os pés e encarou seu gêmeo. — Não o chame assim! Não é culpado pelo erro de seus pais!


Shuichi firmou um beicinho em seus lábios. — Não seja chato Yu-chan, estava apenas brincando. É um costume, é como todos se referem a ele. — Disse em sua defesa.


— É mesquinho e cruel! Ele é uma criança mais nova que nosso irmão e teve que crescer praticamente sozinho! — Yunsuke disse não aceitando as desculpas de seu irmão.


Shuichi fechou os punhos. Realmente não tinha falado por mal. Odiava como as coisas aconteciam atualmente entre ele e seu gêmeo. Tudo para Yunsuke era desculpa para corrigi-lo ou ficar com raiva. Até parece que seu irmão o odiava.


— Só sabe me criticar. Foi apenas uma brincadeira. — Disse chateado. — O que descobriu? — Perguntou mudando o assunto, sinceramente não queria briga com o seu irmão.


Yunsuke respirou fundo. Ultimamente ele vinha precisando de muito controle. — Ia falar justo com Sayuri sobre isso!


— E...?


— Não há registro sobre prisão do amigo dele ou encontra-se em cárcere. Ele nunca foi preso. — Yunsuke falou seriamente.


— Mas... Sayuri nunca mentiria! — Shuichi disse abismado.


— Por isso! Acho que existe mais do que sabemos. — Yunsuke disse batendo na porta do quarto do irmão menor. — Me deixa falar. Você pode acabar o deixando aflito. — Resmungou.


— Você anda muito chato Yunsuke. Sabe de tudo e briga comigo. — O gêmeo mais novo disse. Poderia aparentar um menino mimado, mas o fato era que a forma seca e fria que seu irmão o tratava, machucava muito. Amava Yunsuke, mesmo que perante aos olhos alheios isso fosse uma abominação...


— Pare de besteira! — Yunsuke disse ríspido. Ele virou as costas para o irmão, recusando a ver os olhos cheios de dor. Ele abriu a porta e entrou, mas quando ganhou caminho e procurou em todos os cantos, não havia nem sinal do irmão menor. O príncipe herdeiro aprofundou no quarto e passou a olhar no banheiro e closet.


— Ele deve ter ido tomar café. Já é 10hs. — Shuichi disse tranquilo.


— Não! A cama está desfeita e o closet aberto com tudo desarrumado. Sayuri é organizado e faz sua própria cama. — Yunsuke disse em um tom preocupado. Os três poderiam ser príncipes, mas o pai deles os ensinou a serem cuidadosos e assíduos, que não era por que tinha criados que deveria se preguiçosos.


— Verdade! Vou procura-lo ele no jardim. — Shuichi ditou. Sem esperar pela resposta de seu irmão, saiu correndo. Na verdade, ele tinha aproveitado essa oportunidade para colocar distância entre ele e Yunsuke. Não queria ficar perto do irmão e ser criticado novamente, aparentemente Yunsuke apenas sabia fazer isso nos últimos dias.


Shuichi correu tão rápido o quanto seu corpo permitia, e logo alcançou o jardim. Ele fechou os seus olhos, e deixou-se sentir a brisa fresca acariciando sua pele o bagunçando os seus cabelos. Um aperto apunhalou o seu coração e tudo que desejava era desaparecer.


— Tudo bem príncipe Shuichi? — Uma rouca voz se fez presente, retirando Shuichi de seus pensamentos. Ele virou-se para encarar o seu amigo.


— Ah, olá Roan! Está tudo bem... Já disse para me chamar de Shuichi ou Shu-chan, é mais fofo — Falou com um sorriso nos lábios, mas esse não era realmente verdadeiro. Uma coisa que odiava era as pessoas se preocuparem consigo.


— Não está bem, então não minta. Foi seu irmão novamente? O príncipe Yunsuke? — Roan indagou. Ele aproximou-se de Shuichi e tocou gentilmente sua face. Os dois eram amigos desde crianças, praticamente companheiros de bagunça. Yunsuke sempre foi certinho e estudioso, recusava-se a brincar as travessuras do gêmeo, e Sayuri era muito novo, então Shuichi sempre passou tempo com o amigo.


— Nada demais, o de sempre... Tudo que faço para ele é errado ou infantil! — Confessou suspirando. — Mas isso não importa. Tenho que procura meu precioso irmãozinho, Say-chan não está no quarto e temos algo importante para lhe falar. — Shuichi disse empurrada a dor para o fundo de seu coração, como sempre fazia.


— Posso ajudar! Acabei meu treino de hoje! — Roan disse com um sorriso. Ele tinha mesma idade de Shuichi, porém pelo menos 20 centímetros mais alto, corpo robusto e os cabelos curtos. O gato não tinha vindo da nobreza, mas conquistou o respeito por sua espada. Era um guerreiro determinado e valente.


— Ah sim! Será maravilhoso, é chato fazer as coisas sozinho. — Shuichi disse com sorriso sincero dessa vez.


— Claro! Então pode me contar o que o idiota de seu irmão fez dessa vez! — Roan disse colocando-se a andar ao lado do segundo príncipe.


— Você saber que Yunsuke é o herdeiro do trono, não devia falar dele assim. Não quero que tenha problemas. — Shuichi disse sério. Não ligava que Roan fosse sincero consigo, ou que chamasse seu irmão assim quando queria anima-lo dizendo que não fez nada de errado, mas se alguém escutasse, seu amigo teria problemas.


— Sei! — Roan disse fazendo careta, e garantiu que ambos caíssem na gargalhada, mas o que não perceberam era que alguém ao longe acompanhava pelo olhar os dois juntos, e grunhiu de raiva.


-oo0oo-


Seus pulmões queimavam e sua busca por ar não era o suficiente para abastecê-lo, mas isso não o fez parar. Fazia pelo menos quatros horas que havia fugido, mas sabia que pelo seu ritmo natural, não poderia parar. Os guerreiros gatos eram bem treinados e rápidos, e assim que descobrissem sua fuga, seu pai mandaria os melhores atrás dele. Precisava colocar distância.


Cerca de um quilômetro dos portões, que saiu da estrada e em direção à floresta. Passou por algumas árvores esparsas, então ele atravessou uma clareira, antes de se chegar à floresta principal. Sabia que nem ao menos havia saído do território dos Gatos, e queria fazer isso antes do sol chegar ao alto esplendor, que seria em torno de meio-dia.


Arfando profundamente, Sayuri parou por um momento. Ele tomou a bolsa de couro e tomou goladas de água. Percebeu que seu líquido preciso começava a se esgotar. Talvez fosse mais rápido na forma de gato! Ele havia estudado os mapas uma vez, e sabia um pouco sobre o caminho que seguia para o vilarejo dos lobos. Mas não tinha noção real da distância.


Ele ajoelhou-se no chão tentando recuperar o fôlego, e olhou para os gatinhos em sua bolsa. Derramou um pouco de água em sua mão e levou a boquinha deles, sentindo cócegas enquanto lambiam.


Mas foi quando um barulho chamou sua atenção. Assustado, Sayuri levantou e olhou ao redor. De repente teve noção que encontrava sozinho na floresta, cercado de animais selvagens e possíveis criminosos. Para quem jamais saiu dos muros da cidade e nem sabia lutar, era uma morte certa.


— Meow... — Os gatinhos miaram como se previam o perigo.


— Calma! Ficaremos bem! — Murmurou, sem saber se era para si ou para os gatinhos de Nanami.


Quando o barulho veio novamente, ele moveu para correr, mas ao dar um passo se viu cercado. Eles estavam em cima dele em alguns momentos, em silêncio. Muitos deles.


Sayuri encolheu... Ele tinha que fugir. O medo apregoou em seu coração... Mas lembrou-se de por que fugira de casa, e munindo-se de coragem, moveu correndo para uma brecha na formação dos criminosos.


Contudo, ele não chegou a dar muitos passos, pois viu uma figura, um arco, à sua esquerda.


Ele teve apenas um momento de reconhecimento horrorizado, então a flecha em sua direção. Ele moveu rápido para desviar, mas não pode prever o ataque seguinte.


Ele lutou como louco, querendo escapar das mãos sobre si, mas Sayuri era ciente que jamais teria chance. Então, algo bateu na parte de trás da sua cabeça, e tudo tornou-se abraçado pela escuridão.


-oo0oo-


Sayuri acordou lentamente, a sua cabeça latejou em uma dor feroz. O pequeno príncipe gemeu. Ele queria afundar-se novamente na escuridão abençoada, mas algo na ponta dos seus pensamentos gritou para si. Havia alguma coisa...


Ele se lembrou de sua descoberta, que seu pai havia sacrificado seu amado amigo... Depois da sua fuga e quanto estava com medo naquela floresta... O barulho... Então...


Não!


A sua respiração falhou. Ele não podia ter sido capturado. Quando fodida podia se sua sorte? Ele devia está indo salvar seu precioso amigo e não se meter em problemas.


Seus pensamentos satirizaram longe da realidade, e Sayuri olhou ao seu redor, tentando negar a verdade.


Ele estava sobre uma cama, sujo e amassado, em uma pequena sala. Era simplesmente decorado e, obviamente, masculino: armas e apetrechos de batalha abarrotando cada superfície.


“Onde estou??”


Outras sensações começaram a filtrar na sua mente. Ele estava com seu lindo kimono rasgado e parte de seu corpo à mostra... Tinha alguns ferimentos nos pés, arranhões nas pernas e braços. As suas mãos e pés estavam amarrados com correntes, e quando tentou se curvar, percebeu, para o seu horror, que tinha um colar em sua garganta ligado a uma cadeia principal de anéis no chão.


— Mas que...?


A porta se abriu enquanto Sayuri ainda tentava entender a realidade.


Um homem veio através carregando uma bandeja, o príncipe congelou no horror.


Um grito de raiva arrancou de sua garganta, ele se debateu contra as correntes, sufocando-se, fazendo o corte de aço em sua carne. Mas não se importava com a dor, apenas queria fugir dali... A menor menção que poderia perder sua pureza, aquela que guardou tão bem para quando se cassasse, o assustou... Ou pior, e fosse morto?


O sujeito colocou a bandeja para baixo e se virou para Sayuri, o seu olho frio enquanto assistiam a luta frenética e inútil do príncipe em seu libertar.


— Me solte... Eu quero sair... Vai se arrepender... — Sayuri gritou, mas o homem não pareceu se afetar por sua histeria.


Sayuri gritou, implorou e pediu, até que entrou em colapso com a exaustão, as lágrimas fluindo como rios pelo seu rosto, ódio ardente dos seus olhos.


— Quem diria que encontraria algo tão valioso na floresta e sem proteção. Pensei que seu povo cuidava melhor do príncipe. — O homem disse inclinando a cabeça ligeiramente, zombaria brilhando em seus olhos.


— Quem é você? Eu não... — Sayuri tentou negar, mas percebeu em vão. Aquele bandido sabia quem era. Certamente o usaria como moeda de troca, para arrancar dinheiro de seu pai ou o venderia como escravo a algum lunático.


Sayuri fechou os olhos quando compreendeu. Ele simplesmente estava ferrado. Tal vil era o destino que esperava por ele?


Ele ergueu o olhar e encarou o homem, desafiando em silêncio, raiva e ódio fervilhando em sua alma. Ele poderia está seguindo para sua morte, ser torturado ou estuprado, mas manteria sua postura e orgulho de príncipe...


-oo0oo-


Chizuru estava sendo um tremendo malvado, mas Nanami estava gostando de aprender as coisas novas que ele estava lhe ensinando. Pelo jeito, seu novo amigo não tinha nenhum pingo de paciência. Pois bem, Nanami não se importava, ele já estava acostumado com todos lhe tratarem daquela maneira.


— Você é mesmo um inútil. Não sabe nem ao menos cozinhar uma sopa tão simples? — Chizuru estava brigando com ele, seu rosto vermelho de raiva enquanto bufava em desaprovação. — Na nossa aldeia, somos ensinados desde pequenos a cozinhar pequenos pratos. E quando crescemos, aprendemos a fazer pratos mais complexos, banquetes para ser mais preciso. Você precisa aprender muita coisa para agradar ao seu companheiro depois do casamento.


Nanami não queria saber se agradar ao seu companheiro chato que não tinha dado as caras até o momento. Mas ele também não podia reclamar, visto que Kensuke queria um companheiro que fosse um verdadeiro "príncipe", que poderia lhe agradar de todas as formas, mas este não era Nanami. Ele mesmo sabia como era inútil e podia admitir que estava difícil para tentar mudar algo em si.


— Ande logo, tente cortar estes rabanetes! — Chizuru colocou três rabanetes na tábua de madeira e entregou a faca para Nanami. O mesmo a pegou tremulamente e então fez o primeiro corte. — Muito grosso, tem que cortar mais fino!


— Ahnn. — Nanami colocou a língua para fora, tentando se esforçar para fazer um bom trabalho. Ele cortou uma, duas fatias grossas, até que se atrapalhou com a faca e cortou sua mão. — Ittai!


— Oh meu Kami! — Chizuru gritou quando viu o sangue escorrer da mão de Nanami e rapidamente retirou-lhe a faca, procurando um pano para tampar o sangramento. — Você não serve para pegar em facas, venha aqui! — Chizuru parecia realmente chateado e Nanami não entendeu porque. Todo o caminho de volta para o quarto, ou enquanto ele estava enfaixando sua mão com o corte não tão profundo, mas que doía realmente, ele não disse muito, além de algumas patadas.


Nanami ficou triste, ele não queria chateia-lo, mesmo que ele fosse um chato de galochas.


— Ne, Chizu-chan... Não fique bravo comigo. Eu não sou bom para nada. Devia desistir de mim. — Falou com um semblante triste. Chizuru olhou bem em seus olhos e suspirou.


— Tem mais coisas que você pode aprender que não seja necessária uma faca. — Disse enquanto se levantava e puxava Nanami com ele. — Você terá que aprender. Não que você irá se tornar uma empregada ou algo assim, mas poderá ter o conhecimento que uma cadela alfa necessita ter. Kensuke pode precisar do seu conhecimento um dia. Ele já faz demais por ser um guerreiro e proteger a todos nós. Ele também te protegerá, estará caçando o seu almoço, ajudando o seu povo e te dando atenção à noite.


Nanami teve seu coração brando por um momento, mas quando ouviu que teria atenção à noite, ele imaginou o que houve na noite passada. Oh céus, aquilo realmente lhe assustou.


Chizuru o levou para tentar novas tarefas uteis. Nanami teve seu ensinamento de como limpar o chão. Era simples, muito simples, porém, Nanami tropeçou tantas vezes quanto andou. Derramou toda a água do balde no assoalho de madeira. Quebrou uma tábua quando pisou em falso. Ele gastou mais sabão do que deveria, teve muito trabalho pra Chizuru terminar de limpar em seu lugar.


Já sem ânimo, Chizuru levou Nanami para limpar os móveis e retirar toda a poeira do lugar.


— Há empregados que farão o serviço de limpeza algumas vezes por semana. Mas não conte apenas com eles para fazer tudo. O que der para você limpar e deixar organizado seriam ótimo que fizesse. — Falou Chizuru depois que terminou sua parte. Quando ele olhou para trás, levou um susto quando uma estátua caiu de cima de uma cômoda e se espatifou no chão, ao mesmo tempo em que alguns vasos decorativos e enfeites de Kensuke desabaram e viraram mil pedacinhos. Nanami se virou para Chizuru com os olhos imersos em lágrimas.


— Desculpe...


— Oh Kami... — Chizuru levou a mão aos lábios. Não parecia bravo, mas realmente chateado. — Deixe isso ai. Depois limparei. — Agora ele estreitou os olhos com uma carranca. — Vamos tentar outra tarefa. Não é possível que não há nada em que você possa fazer que seja tão desastroso assim.


Nanami apenas o seguiu, chateado como o inferno por ser tão ruim em tudo. Kensuke iria brigar tanto com ele. Por que o fato de ter Kensuke lhe dando broncas, fazia seu coração doer muito pior do que se qualquer outra pessoa brigasse com ele?


Quando saiu para fora da casa, Chizuru se ocupou apenas de ensinar Nanami a varrer. Ah, isso Nanami sabia fazer pelo menos. Era simples, mas ele varria seu antigo barracão.


— Você segura assim, e não assim. — Chizuru mostrou a forma correta e elegante de usar uma vassoura de palha para varrer o corredor de madeira ao redor da casa. — Faz direito Nanami!


— Hm, sim! — Nanami tentou o seu melhor para segurar direitinho e varrer a sujeira para fora. Algumas folhas e terra.


— Olá! — Nanami olhou para trás para ver o beta loiro subindo os degraus para perto deles. — Vejo que está ajudando Nanami-sama, Chizu-chan.


— Estou... E não me chame assim. — Chizuru cruzou os braços e olhou para o lado oposto que Seiji.


— Olá, Seiji-san! — Nanami abriu um enorme sorriso para ele. Seiji era uma das únicas pessoas naquela tribo, que lhe trataram como um príncipe, realmente educado e gentil. Só não entendeu muito porque Chizuru estava tão vermelho.


Mas Nanami tinha um pouco de inteligência, ao menos para compreender isso. Ele soube que Chizuru devia ser apaixonado pelo beta loiro.


— Eu vim buscar Nanami-sama para conhecer os filhotes. Quer ir conosco? — Indagou para Chizuru.


O mesmo olhou-o como se fosse um absurdo, mas então assentiu sem dizer uma palavra. Nanami pensou em como Chizuru parecia alienado, Seiji foi como um ponto fraco e o fez ficar vulnerável com sua presença. Nanami gostou disso, quer dizer que Chizuru não era tão mau quanto parecia, até ele poderia se apaixonar.


Mas e Nanami? Será que ele tinha esse direito? Talvez algum dia eles pudessem conhecer esse sentimento com Kensuke... Já que ele era o seu marido. Pensar em como Kensuke era bonito, fez suas bochechas enrubescerem... Mas tudo foi por água abaixo, quando se lembrou da expressão que Ken fez quando olhou para o seu corpo. De como ele ficou decepcionado e provavelmente deve ter se arrependido de vê-lo. Nanami segurou uma lágrima e seguiu Seiji e Chizuru.



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Continua...


Notas finais
Hannah: As cenas desse capítulo foram difíceis de fazer, afinal... Torturar uke tem graça somente quando seu seme faz e não outro...
Sayuri precisa ser salvo, mas quem o fará?
Viram o desenho que linda Miky-chan fez? Seiji e Ryo ficaram perfeitos... Lindos... Não canso de olhar.
Obrigada por lerem, e não deixem de comentar.
Bjs