Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

51 Capítulo 51 – Pequenas surpresas


Notas iniciais
Hannah Kisa: Obrigada a todos que tem lido e comentado... Nos incetiva a cada dia mais escrever. Esperamos que goste do capítulo e das novidades que estão por vim. Boa leitura!

Se passaram dois dias desde a Lua de Sangue. Todos voltaram aos seus afazeres e a rotina diária. Na maioria, satisfeitos, e alguns nem tanto. Porém, mesmo assim, se encontravam afoitos porque em breve haveria uma festa surpresa, que era altamente secreta, por ser a festa de aniversário do Cadela Alfa. Simplificando, Nanami iria fazer quatorze anos.

O pequeno gatinho branco não poderia saber de nada, muito menos desconfiar, esta era a ordem que Kensuke, e era lei.

Chizuru estava no meio da comoção, organizando todos os preparativos para daqui dois dias, exatamente em um sábado, que seria a data em que Nanami ia festejar por mais um ano de vida.

Ainda sim tinha que sorrir com a lembrança de Kensuke lhe pedindo o favor, de espalhar para todos discretamente sobre a festa que ele planejava fazer. Os olhos de Kensuke sempre brilhavam amorosos quando ele falava de Nanami.

Mas bem, quem poderia não amar aquele gato? Chizuru sempre odiou os gatos, mas seu conceito mudou completamente ao conhecer o doce Nanami. Ele o fez ver as espécies diferentes com um novo olhar.

Chizuru estava feliz com a paz que reinava ultimamente, tudo parecia ir tão bem, tão tranquilo. Por onde andava ele apenas ouvia risos no vilarejo, frequentes sorrisos em cada um, e o conforto de poder fazer passeios a qualquer hora, porque já não fazia frio como antes. A neve havia derretido completamente e Akai estava cercada por árvores floridas, jardins bonitos e nas proximidades haviam campos.

O trabalho tinha se tornado mais fácil, as pessoas mais felizes e bem humoradas. As festas estavam mais frequentes e Akai prosperava e enricava com o comércio e o bem estar de todos juntos e unidos.

— É tão bom… — Chizuru murmurou ao sentir a brisa fresca acariciar seus cabelos conforme ele caminhada em direção a entrada da Vila. Ele estava ao lado de Nanami, que parecia inquieto e um pouco estranho naquela manhã. — O que foi Nanami?

— Uh? — O gatinho olhou para ele estreitando os olhos de forma esquisita. — Sinto algo dentro de mim… Como um mal pressentimento. — A careta que Nanami fez para ele deu calafrios em Chizuru. Porque ele sabia exatamente que isso significava alguma coisa. Ter Nanami com pressentimentos, quase sempre queria dizer que ele estava certo, e algo estava para acontecer.

— Você tem certeza disso? — Perguntou Chizuru um pouco receoso.

— Não sei… — Nanami olhou para o longe. — Eu não sei o que é… Mas alguma coisa está errada, Chizu-chan.

Os pressentimentos de Nanami nunca poderiam ser ignorados, e isso era algo que Chizuru havia aprendido desde cedo. Nunca duvidar do gatinho branco.

A dupla chegou à entrada da Vila. Naoki estava usando um tipo de capa que deixou seu filho curioso à respeito.

— Porque está usando isso?

— É um objeto mágico. Me ajuda a teletransportar. É o que farei com Eiji e Yoshikazu. — Naoki respondeu com um belo sorriso para o filho.

Kensuke já estava com eles, além de Sayuri em prantos, Ryo e o casal que iria voltar para Masao.

— Tem certeza que não quer voltar para casa, Sayuri? — Yoshi perguntou ao seu filho caçula que soluçou sem poder responder de imediato.

— O-Obrigado pai… Mas minha casa agora é aqui… Em Akai. — Sayuri segurou nas mãos de seu pai, tentando deter as lágrimas, mas era tão difícil.

— Não chore, menino bobo. Você virá muito mais vezes me visitar, aproveite a ajuda de Naoki.

Sayuri sorriu. Antes a viagem seria bem longa, durando alguns dias entre uma cidade e o Vilarejo. Mas Sayuri agora tinha uma opção mil vezes mais rápida e prática. Realmente não tinha para que chorar.

— Eu posso levá-los, quando quiser para Masao. — Naoki se ofereceu. — Só basta um pouco de prática para não ficar enjoado durante a viagem. — Ele riu de canto.

Eiji estava com uma aparência muito melhor do que quando chegou à Vila há algum tempo. Ele havia emagrecido bem para quem detinha uma estatura maior, parecendo bem diferente do que costumava ser, porém sua beleza não tinha diminuído. Ao contrário, ele parecia de certo, um ninshin de verdade agora.

Eles se despediram com sorrisos em seus rostos e abraços bastante apertados. Sayuri foi o único que chorou, certamente por frescura, porque eles tinham meios muitos mais fáceis agora dependendo de Naoki.

Chizuru, que estava apenas observando o grupo, arregalou os olhos e seu queixo caiu em surpresa quando Naoki agarrou a mão de Yoshikazu de um lado, e do outro de Eiji e eles evaporaram como fumaça.

Kensuke vaiou, rindo da expressão no rosto de Nanami. Ele parecia mega surpreendido com olhos esbugalhados. Na verdade todos ali estavam muito curiosos com a magia de Naoki.

— Este homem é incrível! — Misaki comentou aparecendo misteriosamente por trás de Kensuke e Nanami que soltou um gritinho pelo susto. — Como ele fez isso?

— Você sabe… Naoki é um bruxo. Há tantas coisas que ele pode fazer, que mal podemos imaginar. — Kensuke respondeu amistoso.

Misaki sorriu de forma impressionada.

— Isso é tão legal, neh? — Tomou as mãos de Nanami nas suas, ambos sorridentes um para o outro. — Me casei com um mágico!

Chizuru cuspiu uma risada, tendo os olhares de todos nele. Rapidamente ele se recompôs.

Depois daquela rápida despedida, Chizuru acabou ficando sozinho. Sayuri saiu ao encontro de Ryo, Kensuke levou Nanami para casa, Misaki correu atrás deles. E Chizuru… Ele resolveu ver Seiji. Uma visita, talvez apenas vê-lo de longe poderia resolver aquele vazio que sentiu em seu coração de repente.

Seiji estava trabalhando, como sentinela naquela dia. Passaria horas e horas vagando ao redor da vila no trabalho de proteção e conferindo se tudo estava certo. Ele era um grande homem. Um guerreiro nato que sempre protegeu todos. Chizuru se orgulhava de ser seu noivo.

Estava próximo a hora do almoço, portanto em meio ao caminho, Chizuru decidiu optar por levar o almoço a Seiji, já que provavelmente ele não teria algo quente e gostoso para desfrutar no descanso.

Chizuru se deu o trabalho de parar em casa e preparar o almoço. Era um guisado de carne com batatas e cenouras. E cheirava tão bem que ele mesmo teve que comer um prato da receita.

— Pai! A comida está pronta! —- Gritou e ouviu um murmúrio, algo como “estou indo” de seu velho pai.

Deixando pronta a marmita de tamanho médio, mas bem repleta. Chizuru ainda encheu uma garrafa com uma limonada fresca, empacotando tudo em uma sacola de pano e levando consigo junto com um sorriso.

Não demorou em que chegasse a uma das extremidades da Vila, encontrando Seiji cortando lenha. Seu peito estava desprovido de qualquer tecido, seu kimono caindo pela cintura e suor escorrendo por sua pele bronzeada. Seiji estava segurando um machado no alto até jogá-lo com força na madeira grossa a sua frente, partindo-a ao meio.

Ele esfregou a testa com o braço, ofegante. Quando viu Chizuru sua expressão iluminou, seus olhos brilharam e um belo sorriso tomou seus lábios.

— Você veio Chizu-chan! — Ele prontamente deixou seu machado sobre a madeira, tomando uma toalha que estava um pouco mais longe em sua mochila.

— Pensei que fosse seu dia de ser sentinela. Porque está cortando lenha?

Seiji enxugou sua testa com a toalha e o resto de seu suor no corpo, ajeitando seu kimono de volta para cima.

— Kensuke me pediu para ser o lenhador hoje. Pode fazer calor de dia, mas a noite ainda esfria. Temos que manter a Vila sempre preparada… Já que não sabemos como são estações por aqui ainda. Há mais de dez anos sempre vivemos em um inverno constante, veremos agora quando será o próximo inverno anual.

Chizuru assentiu vendo Seiji se aproximar todo sorridente.

Mas estava tão vidrado naquele corpo, naquele cheiro, em como Seiji estava belo… Que Chizuru nem mesmo havia prestado atenção às palavras de seu noivo.

Seu corpo reagiu duro e esquentou, tendo uma sensação muito pior do que Chizuru costumava sentir. Ele estava desejando tanto Seiji com cada respiração, com todo o seu ser. Mas não podia… Não antes do casamento!

Ele precisava dar um jeito nesses sentimentos promiscuos. Chizuru se sentia como naquele dia em que esteve preso no guarda roupa de Kensuke e assistiu toda a aquela cena. Isso não era certo agora!

— Tro-Trouxe seu almoço, Seiji-chan! — Ele entregou a marmita para Seiji rapidamente, estremecendo quando sentiu suas mãos serem tocadas pelas do mais velho. — Te-Tem a limonada também… — Entregou a sacola, tendo sua mão tocada novamente. — Eu vou me indo! — Gritou.

— Hei… Obrigado Chizu, mas… — Seiji insistiu, mas Chizuru foi mais rapido, correndo para longe. — Queria que me fizesse companhia…

Seiji sorriu de canto, tomando com carinho o almoço que seu noivo querido havia lhe dado e se sentou em um tronco caído. Ele não era bobo. Seu lobo sentiu o cheiro de excitação vindo do companheiro, mas tinha que ser forte e suportar a extrema vontade de correr atrás dele e reinvindicá-lo.

Ainda não era hora para isso. Seiji prometeu ao Ancião Chao e a Kensuke, que honraria Chizuru até o casamento, sendo firme e fiel.

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Chizuru só parou quando chegou à casa de Shou. O curandeiro poderia lhe ajudar pelo menos por um alívio, esperava.

Respirando fundo, Chizuru bateu a porta da casa de Shou, mas ninguém lhe atendeu. Ele insistiu mais algumas vezes, mas nada de resposta.

— Talvez se eu entrar no consultório… — Chizuru murmurou.

Shou provavelmente devia estar atendendo algum paciente, por isso não ouviu Chizu bater a porta da casa.

A porta do consultório estava aberta, mas o curandeiro também não estava. Chizuru percebeu que não fazia muito tempo desde que Shou devia ter saído. Estava um pouco bagunçado, demonstrando que o curandeiro tinha usado o consultório muito recentemente e saído para algo um pouco urgente talvez.

Chizuru decidiu olhar pelo que tinha sobre a estante e no balcão. Havia uma porção de poções, os remédios caseiros que Shou criava para todos os tipos de problemas de saúde. Apesar de os lobos raramente adoecerem, ainda sim eles corriam riscos e precisavam de cuidado. As crianças e os idosos principalmente.

Olhando para todos os frascos de vidro, Chizu procurou qualquer coisa que pudesse inibir o que sentia. Talvez algum calmante… Sedativo era demais, Chizu não queria dormir a tarde toda e passar a noite em claro. Ele pesquisou, até que sobre a bancada ele viu um conjunto de frascos, e um deles estava escrito em uma etiqueta bonita, claramente “Poção especial para acasalamento.”

— Deve ser o remédio que tomamos no período da Lua de Sangue. — Concluiu. Pensando bem, talvez se ele tomasse o remedio novamente, poderia acalmar sua libido que estava terrível e atacada. Ele poderia inibir o que sentia tão gravemente por Seiji. — Só um gole não me fará mal…

Chizuru fez como dito e tomou um gole da poção. Tinha um gosto bom, saboroso e refrescante como cereja e hortelã misturadas.

Satisfeito e esperando que lhe fizesse um efeito bom, Chizuru deixou a poção aonde estava e saiu do consultório em direção a sua casa. Iria tirar uma pequena soneca, deveria ajudá-lo.

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Shou entrou em seu consultório cinco minutos depois. Ele sentiu um cheiro diferente de algum ninshin que não era ele. Mas logo descartou qualquer pensamento porque ele tinha atendido alguns mais cedo por estarem possivelmente grávidos.

Akai em breve estaria infestada por crianças. Só de imaginar como seria fazia Shou sorrir abertamente.

— Hã? O que temos aqui… — Shou viu sua Poção de Acasalamento fora do lugar e arregalou os olhos. Alguém tomou um gole dela, o frasco não estava bem fechado. — Bem, seja lá quem for, vai ter uma surpresa mais tarde.

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Eiji segurou firme no braço de Yoshikazu quando finalmente surgiram em Masao. Tudo ao seu redor parecia girar – incluindo seu estômago.

— Eiji? — Yoshi perguntou, mas o ex-general foi incapaz de responder, tudo que pode fazer foi inclinar seu corpo para frente e jogar todo o seu café da manhã para fora.

— Oh! Acho que teletransportar por magia não fez bem a ele. — Naoki disse divertido.

Yoshi apoiou a mão nas costas do amado, dando apoio. Ajudou Eiji a erguer o corpo e deu a ele um lenço para limpar a boca.

— Está tudo bem? Quer ir ao médico? — Perguntou preocupado. Eiji parecia mais pálido que o normal.

Eiji negou com a cabeça. — Estou bem... Apenas... Fiquei enjoado com essa coisa de magia. Mas enfim... — Suspirou. — Obrigado pela ajuda Naoki! Quer tomar um chá? Ou algo do tipo?

O feiticeiro negou com a cabeça. — Não... Quero voltar logo para meu Misaki e Nanami! Se precisarem de mim, basta usar o pingente que dei a Yoshi! — Falou para o ex-imperador. Os dois se encararam, e finalmente Yoshi ergueu a mão, que foi prontamente aceitar por Naoki.

Eles compartilharam um aperto de mão forte. — Com toda certeza. Venha nos visitar. Temos um tempo perdido para recuperarmos. — Yoshikazu falou. Se arrependia por tudo que fez e o ódio que cultivou por tantos anos. Por ele, queria Naoki e Misaki de volta a Masao, mas sabia que ambos optariam por ficar perto do filho.

— Claro, virei mesmo. Fui! — Naoki disse com um sorriso, e em um passe de mágica, desapareceu novamente.

Eiji ainda sentia-se meio tonto, mas nada realmente grande. Puxou o ar para seus pulmões, e então olhou ao redor, se dando conta que Naoki os tinha deitado no jardim de inverno do castelo. Sorriu doce. Amava aquele jardim.

— Enfim em casa! — Yoshi disse. — Preparando para encarar os nossos filhos? — Perguntou.

Eiji sorriu perante o olhar de carinho de Yoshikazu. — Somente espero que eles fiquem felizes por nós, por que não quero mais abrir mão da minha felicidade... E ela é você. — Suas palavras eram carregadas de sentimentos.

Yoshi acariciou a bochecha de Eiji. — Sim, amor... Nada vai nos separar, nunca mais. — Inclinou para frente e cedeu um doce beijo nos lábios de Eiji – algo que não passou de um roçar de lábios.

Os dois deram as mãos e seguiram tranquilamente em sentido ao castelo, e claro, assim que chegaram ao salão principal, foram recepcionados por Yunsuke, Roan e Shuichi. Que haviam sidos avisados pelos guardas que o imperador e general retornaram.

— Papai! — Roan foi o primeiro a pronunciar. Ele correu até seu pai e o abraçou com força. — Estava tão preocupado! Eis um louco. Nunca mais desapareça assim. — Roan pediu com lágrimas nos olhos. — Parece pálido, e mais magro! Onde esteve? Foi ferido? Vou chamar Amano!

Roan já ia saindo para chamar o noivo e médico, mas Eiji segurou-o. — Calma Roan... Eu estou bem, apenas um pouco tonto...

Roan olhou atentamente para seu pai e depois para o Imperador Yoshi. — Obrigado por achar meu pai majestade.

— Ele é o amor da minha vida, moveria céus e terras para achá-lo. — Disse Yoshi, mas não pode prosseguir suas falas, por que Shuichi pulou sobre ele dando lhe um abraço apertado.

— Pai! Que bom que voltou! Senti tanto a sua falta! — Shuichi gritou emocionado.

Yoshikazu se assustou. — Shu-chan, precisa tomar cuidad... Está... Grá... Mas cadê sua...?

Shuichi sorriu faceiro. Ele alisou sua barriga agora sem volume e depois virou para Yunsuke, que carregava um pequeno embrulho nos braços. — Seu primeiro neto, pai... Nasceu tem duas semanas. — Shuichi falou colocando-se ao lado de Yunsuke e acariciou a face de seu filho. — Conheça Yuuri!

Yoshi sentiu seu coração trovejar. Não podia acreditar. Sabia quando saiu em busca de Eiji – que seu neto estava perto de nascer – mas no real a ideia era totalmente diferente.

— Quer pegá-lo? — Yunsuke ofereceu. Com cuidado, entregou seu filho aos seus braços de pai, para então abraçar Shuichi.

Yoshi olhou para seu pequeno neto. Os cabelos ruivinhos e a face angelical. Ainda tão pequeno e tão lindo. Acariciou a face terna, as orelhas felpudas. — E tão lindo... Precioso... — Murmurou com os olhos se enchendo de lágrimas.

Eiji se juntou a ele, ficando ao seu lado e encarando o pequeno. — Yuuri? — Perguntou querendo confirmar o nome. — É perfeito...

— Sim! Totalmente. — Yoshi respondeu. — Acho que temos de avisar Sayuri. Ficaré tão feliz. — Comentou.

— Oh se vai... — Eiji disse.

— O viu? Quero dizer, Sayuri? — Shuichi perguntou curioso.

— Ah... Encontrei Eiji na Vila de Akai... E deparei-me com Naoki também. — Contou o Imperador sem nunca retirar os olhos do embrulho em seus braços.

Yunsuke e Shuichi se encararam. — Naoki? O feiticeiro e traidor? Pai de Nanami? — Yunsuke perguntou.

— Sim! É uma longa história.

— Então vamos tomar um chá e nos contará tudo. Já pedi para prepararem a sala para nós. — Disse Shuichi.

Os cinco seguiram para a sala ao que Shuichi pediu a uma das novas empregadas para trazer o chá, biscoitos e bolos que tinha pedido para preparar. Enquanto esperavam, Eiji e Yoshi contaram tudo o que haviam vivenciado naqueles dias, desde que os lobos resgataram Eiji, o encontro e a conversa de Yoshi com Naoki, até mesmo sobre a Lua de Sangue dos lobos.

— Uau! Viveram uma verdadeira aventura. — Shuichi disse abismado.

Yoshi sorriu e depois tomou um gole do chá.

O pequeno Yuuri se encontrava agora nos braços de Eiji, que o ninava calmamente.

Roan olhou para seu pai e depois para o Imperador. Não precisava ser adivinho para perceber a aura ao redor dois. — Então... Vão ou não contar sobre os dois? — Roan perguntou curioso.

Eiji corou e abaixou o olhar, admirando Yuuri.

Shuichi sorriu e Yunsuke analisou seu pai.

— Bem... Acredito que os tres já sabem, mas quero tonar isso oficial. Eu sempre amei Eiji... Mas meus pais, o reino e tudo mais, impediu que ficássemos juntos... Contudo... No período do cio dos gatos...

— Ficamos juntos. — Eiji completou. — E por isso fugi. Sei que fui estúpido, mas realmente não soube como agir... Mas agora...

— Conversamos... E queremos ficar juntos. Quero dar valor à segunda chance que a vida nós deu. Então... Iremos fazer a coroação oficinal de Yunsuke e Shuichi como novos governantes de Masao... E Roan como general...

— Tem certeza disso pai? Pode continuar a ser Imperador e ficar com Eiji. Ninguém será contra. — Disse Yunsuke.

— Eu tenho! Respeitei sua mãe, mas nunca a amei. Por muito tempo me doei inteiramente ao reino, mas agora... Quero aproveitar meus filhos, neto e Eiji... Quero me casar com Eiji... — Falou essa parte encarando Eiji e sorrindo. — E cuidar muito bem dele até o nascimento de nosso filho.

— Oh!. Espera... Disse filho?! Eu vou ter... — Roan gaguejou.

Eiji escondeu o medo de seu filho Roan o rejeitar por isso. — Sim! Eu sei que é estranho na minha idade, mas estou grávido... Eu e Yoshi teremos um filho.

— Ohhh! Teremos mais um irmãozinho. — Shuichi gritou completamente feliz.

Yunsuke sorriu. — Parabéns pai e Eiji! Isso é uma notícia maravilhosa!

Roan ficou olhando abestado.

— Roan...?

O atual general virou-se para Yoshikazu, e apontou. — É bom que cuide muito bem de meu pai e irmãozinho, ou acabarei contigo, sendo Imperador ou não. — Roan ameaçou grunhindo.

Eiji arregalou os olhos. — Roan!

— Tudo bem amor. — Yoshi tranquilizou o amado. — Eu juro Roan... Amo seu pai, e cuidarei por todos os dias da minha vida dele e nosso filho. Nós tornaremos uma grande família. — Declarou.

Roan sorriu satisfeito. — É bom mesmo... Nem creio. Terei um irmão... Bem, mais quatro e ainda tio. — Falou, incluindo os gêmeos, Sayuri e Yuuri na equação.

Todos riram abertamente.

Eiji entregou Yuuri ao papai, a fim que pudesse alimentá-lo, e os demais continuaram na conversa e nos planos que seguiriam agora. Havia muito a fazer para a coroação oficial e o casamento de Eiji e Yoshi. Oh sim, era tempo de mudanças em todo canto... E todos buscavam suas felicidades.

–oo0oo-

— Neh, Ryo... O que foi? Por que esse mistério todo? — Sayuri pediu. Após a despedida de seu pai e padrasto, Ryo o levou dizendo que precisava mostrar algo importante. Sayuri se viu sendo arrastado pela Vila.

— Logo saberá, ruivinho. — O beta respondeu. Ele segurava firme a mão de Sayuri, enquanto o guiava pelo caminho. Na verdade estava bem nervoso, pois tinha receio de Sayuri não gostar da surpresa.

— Ryo... Não gosto de surpresa, bem, menos quando eu tramo... — Sayuri comentou. Ele sorriu para alguns aldeões que passavam por eles.

Quando passaram de frente a casa do Alfa, Sayuri achou que entrariam, mas Ryo o levou mais adiante, em frente a outra casa. Ela ficava alguns metros da casa do alfa e era igualmente linda. Não sabia quem era o dono dela, apenas que estava em construção nos últimos meses e tinha sido finalizada alguns dias.

— Vamos visitar alguém? — Sayuri perguntou. Colocou-se ao lado de Ryo admirando a casa. Era de mesma altura e estrutura que a casa de Kensuke e Nanami, porém de cor e pequenos detalhes diferentes.

— Então... Eu queria lhe dar um presente... — Ryo disse.

— Presente? Adoro presente! Então vamos para casa e poderá me dar? — Sayuri disse saltitante.

Ryo negou com a cabeça. — Eu... Eu te amo muito e quero dar tudo que merece. Jurei que o faria feliz e que supriria todas as suas necessidades.

Sayuri ficou sério. — Ryo... Eu também te amo, mas está me assustando.

Ryo enfiou a mão dentro de sua yukata pegando algo e estendeu a mão aberta para Sayuri.

O gatinho olhou sem entender. Ele pegou a chave da mão de Ryo e olhou confuso. — Para que... Essa...

— Eu sei que adora viver pertinho de Nanami... Mas a casa deles está cheia... E acho que todo casal merece seu cantinho. Bem, foi como sempre sonhei. — Ryo falou com o olhar suave, mas escondia sua ansiedade para saber a reação de Sayuri.

O gatinho ficou olhando para a chave enquanto refletia as palavras de seu marido. Casa. A verdade que Sayuri cresceu em um castelo, sempre rodeado de riquezas e empregados, mas sempre sentiu que algo faltava... Um lar de verdade... Uma casa com suas coisas, do seu jeito e que cada canto tivesse muito amor.

Não pode evitar que seus olhos lacrimejassem, e em rompante, jogou-se nos braços de Ryo, rindo abertamente.

— Não creio! É a nossa casa? Jura? — Sayuri perguntou encarando os olhos de Ryo.

Ryo sorriu. Ah! Adorava seu gatinho. — Sim, nosso lar... E de quebra, perto de Nanami, pois sei que não o larga para nada.

Sayuri riu dando pulinhos de alegria. — E que tal me mostrar nossa casa? Principalmente o quarto?! — Falou contorcendo as sobrancelhas brincalhão.

— Ohh! Tenho as mãos cheias com esse gatinho. — Ryo sorriu feliz. Ele tomou Sayuri em seus braços como uma donzela. — Ao quarto!

— Sim! — Sayuri gritou empolgado. Nunca imaginou que um dia poderia ser tão feliz ao lado de alguém, ainda mais um lobo.

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No mais profundo da floresta, onde nenhum fino raio de luz era capaz de chegar, a maldade exalava. Tudo ao redor estava morto. As árvores, arbustos, flores e gramado... Os animais eram espertos suficiente para ficarem longe.

O ser encoberto pelo manto negro, onde somente os cabelos brancos eram vistos, andavam inquieto pelo local... Na gruta profunda em uma montanha. Sua voz enferrujada soou:

— Malditos... Até agora impediram todos os meus avanços.

— E pior... O bruxo está de volta. — Isamu comentou. Ele não vivia mais disfarçado em Akai, não depois que Maiko foi inocentado e contou toda a verdade.

— Aquele feiticeiro nunca sumiu. Ficou anos protegendo sua cria... Tirando os meus olhos dele. Por anos procurei o Oni... E o tempo todo estava naquele filhote de gato.

Isamu andou pelo local e se sentou em uma pedra achatada. — Acho melhor desistir então... Você tem gatos, lobos, panteras e feiticeiros contra você.

— Nunca! — A bruxa gritou. — Não quando achei o Oni... Naquele menino. O quero! — Falou altiva. Ela andou pelo local. — Não dei tudo de mim para desistir... Eu preciso daquele Tigre... Nem que tenha de matar a todos.

Isamu revirou os olhos. — Vai tentar sequestrá-lo de novo? Não fez isso tantas vezes e no final sempre é resgatado? — Ele provocou.

Furiosa, ela de repente surgiu em frente à Isamu, e sua mão enrugada e as unhas em garras imundas, apertou o pescoço do mesmo, o sufocando. — Cale sua boca nojenta... Eu deveria matá-lo por errar tantas vezes... Mas darei mais uma chance...

— Eu... Não consigo... — Isamu tentou dizer.

— Se falhar... O matarei, seu verme.. — Falou jogando Isamu longe. A verdade que seu tempo estava acabando e precisava agir rápido. A solução. Tinha causado um grande tumulto em Akai para que pudesse finalmente colocar as suas mãos em Nanami. Então teria de volta tudo que retiraram dela.

Isamu se levantou com dificuldade, tossindo muito. — Ok... Não vou falhar. O que tenho que fazer? — Perguntou tentando esconder o seu medo.

A bruxa se virou para ele. — Escute-me bem, imbecil...

Continua...

Notas finais
Miky-san: Olá queridos! *-* Espero que tenham gostado do capítulo! Como sempre nos divertimos em escrevê-lo e também demos nosso melhor! Quero agradecer a todos que comentam e também aqueles somente leem nossa história! As dicas estão sendo bem aproveitadas! Até a próxima! Beijinhoos