Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
26 Capítulo 26 – Planos Maléficos
Notas iniciais
Capítulo 26 – Planos Maléficos
— Whoah! — Yunsuke exclamou quando olhou para as montanhas de gelo ao longe. Era uma paisagem realmente linda. A Aldeia de Akai era situada ao alto de uma das montanhas do norte, mas ela parecia uma das menores em altitude comparada com as montanhas ao redor.
Era uma imensidão de branco, mas o que ele estava estranhando ver, principalmente o vilarejo de Akai tendo seu gelo derretendo aos poucos. Que ele ouviu do Alfa, nunca que acontecia de derreter o gelo daquele lugar, e quanto pensavam que o frio iria amenizar, ele parecia piorar para congelar os ossos.
Yunsuke jurava que tinha visto uma flor atrás de um arbusto, mas o general o puxou quando o beta Seiji chegou para escoltá-los pelo vilarejo.
— O que acharam da paisagem? Grandiosa não é mesmo? —Seiji detinha um sorriso amável em seu rosto, ele parecia de muito bom humor hoje.
— Oh sim, o lugar é maravilhoso, apesar de frio. Mas imaginei que fosse mais... — Yunsuke comentou, em seu andar digno de um imperador, assim como a postura do general ao seu lado. Já Seiji parecia mais descontraído, como se não estivesse falando com quem era o herdeiro de Masao e seu ‘inimigo natural’.
— Aqui é a nossa feira, como hoje é sexta, a feira fica maior e todos vendem para que no fim de semana possam descansar. Afinal o trabalho da semana é bem cansativo e chega à noite e estamos mortos... — Seiji comentou, enquanto cumprimentava um e outro e todos pareciam alegres na aldeia.
Yunsuke percebeu que os lobos olhavam para ele e Eiji, mas não com um olhar ameaçador para comprar uma briga. Eles pareciam mais curiosos.
— Tio, você é um gato! — Uma criancinha de uma aparência de no máximo uns cinco anos, falou surpreso ao ver Yunsuke. Bem, ele não pode ignorar a adorável criança, mesmo que ela fosse um lindo filhote de lobo.
— Oh, sou sim, não gosta de gatos? — Indagou com um sorriso se abaixando na altura do pequeno ser.
O menininho corou as bochechas e sorriu tímido. — Eu amo gatos... Temos um professor que é um gato!
— Minky! — Shou apareceu afobado atrás de Minky. Yamato estava em seus calcanhares e arregalou os olhos quando viram as duas autoridades felinas com Minky. Ele fez uma reverência em comprimento.
Yunsuke sorriu ao que pegou Minky em seu colo, e o garotinho ficou a brincar com suas orelhas de neko.
— Este é seu filho? Ele se parece muito com você. — Yunsuke sorriu amavelmente para Shou que retribuiu o sorriso e fez uma reverência educada.
— Obrigado vossa Alteza. Minky é meu filhinho, desculpe ele se colocar em seu caminho, mas é que ele é muito curioso com visitantes. Por favor, seja bem-vindo em nossa aldeia. — Shou foi respeitoso para com os visitantes. Afinal, Yunsuke era a esperança de que a aliança entre os dois povos fosse mais forte e que não houvesse riscos de guerras no futuro, além de que uma amizade entre os dois clãs seria muito especial.
Esperava que Kensuke os tratasse muitos bem.
— Oh claro! Estou adorando este lugar. Em breve também serei pai, então estou me apaixonando por crianças. — Yunsuke riu ao que beijou a bochecha de um Minky que sorriu instantaneamente. Ele entregou o garotinho a Shou e então se virou para Yamato que estava com um olhar firme sobre ele.
Yunsuke pegou uma fisgada de ciúmes nos olhos da pantera, mas que ele soube mascarar muito bem. Isso o fez rir quando sua caminhada continuou.
Yamato devia estar se relacionando com aquele lobo e criança. Isso não o fez sentir asco como de início sentiu. Não pareceu errado de certa maneira.
Yunsuke, assim como o general Eiji estavam satisfeitos quando Seiji os encaminhou para dentro da casa do Ancião. Os dois gatos ficariam hospedados na casa do ex-líder dos Lobos e mais tarde teriam reunião com o Alfa e os conselheiros para decidirem o destino e laços de paz, dessa vez, verdadeiros.
— O que achou da Aldeia, Yunsuke? — Eiji perguntou antes que eles entrassem na varanda da casa do Ancião.
— Olha... Não era como eu pensava, sim? Mostrou-se muito diferente das histórias que escuto sobre os lobos desde criança. Você conhecia esse lado terno e amável deles Eiji?
O general ponderou sobre isso e coçou o queixo. Ele se voltou para Yunsuke e sorriu.
— Eu não imaginava que eles fossem tal qual nós somos. Eles foram muito receptivos... Mesmo que os líderes fossem muito hospitaleiros conosco, não imaginei que o povo fosse ter um olhar bom sobre nós. Sabe que eles poderiam tentar te matar por saber que você é o herdeiro, não é?
Yunsuke assentiu. Então ele pensou que fosse por causa de Sayuri... Mas ele ia tirar suas dúvidas em breve.
— Eu acho que ódio antigo cegou todos nós... Os nossos ancestrais tiveram problemas com os deles... Apenas seguimos o ódio, sendo que nem lembramos o motivo. — Eiji disse sabiamente. Essa realmente era a verdade, ninguém sabia o real motivo do por que essa guerra começou, apenas seguiram com aquela rixa entre eles. Talvez fosse o momento certo para dar um basta nela.
— Por aqui, o Ancião vai atendê-los. — Seiji disse indicando-os para seguirem até a sala de estar da casa.
— Boa noite Príncipe herdeiro de Masao e General. Sejam bem-vindos à Vila de Akai e meu lar.
Yunsuke curvou-se respeitosamente, afinal, aquele era o antigo líder da vila e um homem idoso, devia educação a ele. — Muito obrigado pela hospitalidade!
— Não seja por isso! Acredito que estejam cansados da viagem. Já ordenei que preparassem quartos para vocês e um bom banho. O jovem... — O Ancião apontou para um jovem gatinho que tinha bochechas coradas. — Vai guiá-los aos mesmos. Normalmente seria meu filho mais novo, mas ele saiu para levar alguns kimonos novos ao Cadela Alfa.
— Você diz o esposo do Alfa? Na-Nanami-san? — Yunsuke perguntou curioso. Ele sinceramente não podia acreditar que seu pai fez aquela loucura. Casamento por conveniência nunca deu certo... E ele jamais deixaria Sayuri casar com o lobo para forjar paz... Mas igualmente não achava certo enganar os Lobos ou usar outro cidadão. Os Weres gatos tiveram sorte que o Alfa Lobo caiu de amores por aquele menino tão rejeitado em Masao.
— Sim! Nanami é querido e amado por toda Vila. Meu filho, Kensuke é capaz de tudo por ele... Incluindo destruir uma Vila inteira. — O Senhor Lobo disse sério, e obviamente teve o efeito que esperava, colocar medo nos gatos, deixando claro que eram fortes e corajosos para lutar pelos seus.
— Oh Sim! Fico feliz que no final toda confusão deu certo... —Yunsuke disse sem jeito.
— Por aqui! — O jovem loiro disse.
— Obrigado pela hospitalidade e por nos guiar. — Eiji agradeceu a Seiji, e então ele e Yunsuke seguiram o criado.
Seiji ficou na sala até os gatos sumirem do campo de visão, e então se virou para o Ancião. — Não acho correto deixá-los aqui... E se eles se encantarem com Chizuru? — Havia um tom de insegurança e ciúmes na voz do Beta.
O Ancião deu uma boa risada e deu lhe um tapa no forte braço de Seiji. — Não ser preocupe jovem... Meu filho tem olhos somente para você. E vigiarei de perto. — Disse tentando tranquilizar Seiji. — Por que não vai buscá-lo na casa de Ken-chan? Tem um tempinho que foi!
O rosto de Seiji iluminou. — Ah... Sim! Irei. Até logo ancião. — Disse fazendo reverência e então saiu apressado para encontrar com seu amado.
–oo0oo-
Shuichi ficou olhando para o teto de seu quarto enquanto mordia seu lábio inferior. O nervosismo apossava totalmente de si.
Fazia cinco dias que Yunsuke tinha ido naquela missão com o General Eiji e até agora não havia tido nenhuma notícia deles. Havia insistindo a seu pai para enviar uma tropa atrás deles, mas o imperador disse que não havia necessidade de desespero e que estava em tempo ainda. Que logo receberiam notícias deles.
Mas isso não serviu para acalmar Shuichi, não quando seus dois irmãos se achavam ausentes. Ele temia pelo que poderia ter acontecido com Sayuri... Sozinho com os Lobos. Eles poderiam tê-lo torturado... Ferido e quem sabe até abusado dele. Ou pior, matado.
Shuichi moveu a cabeça em negação. Seu pai tinha razão. Devia pensar positivo... E rezar para que tudo ocorresse bem.
Então lembrou-se de Yunsuke... Seu irmão e amante. Ele temeu em dobro. Primeiro porque estava morrendo de saudade de Yunsuke, e segundo, preocupado... Afinal, Gatos e Lobos eram rivais... E se os Lobos tivessem ferido Sayuri? E se nunca deixasse Yunsuke retornar? As mais escabrosas ideias passavam por sua mente.
— Pare Shuichi! — Gritou em frustração consigo mesmo. Não devia pensar em coisas negativas. Ele acabou se jogando na cama. — Isso... Vou dar um passeio... Ao invés de ficar aqui pensando besteira! — Disse para si mesmo. Ele levantou da cama e foi até seu closet. Escolheu um kimono de algodão na cor azul claro e outro branco. Vestiu-se com cuidado, e no processo não pode impedir de acariciar seu ventre. Ainda não tinha volume visível, mas podia sentir que aos poucos seu filho crescia dentro de si, e isso o contagiava com imensa alegria.
Satisfeito com sua arrumação, Shuichi calçou os sapatos e saiu do quarto. Ele saiu pelo corredor do castelo tranquilamente, tentando pensar em várias coisas que assim pudesse distrair sua mente. Acabou seguindo para o dojo, quem sabe conversar com Roan o ajudaria a se distrair... Mas quando chegou ao mesmo, não havia ninguém por lá.
— Acho que o treino terminou! — Disse contorcendo a boca em um bico. Chateado, decidiu ir passear na Vila. Quem sabe encontraria algumas coisas legais no mercadinho... Algo fofo para seu filho.
Shuichi girou sobre os pés e seguiu para fora do Dojo, especialmente para sair do castelo. Sem Yunsuke ou Sayuri, aquele lugar estava ficando entediante.
Ele seguiu pelo corredor cumprimentando alguns empregados, acenando para alguns guerreiros, Shuichi saiu pelo portão principal do castelo. O Sol estava brilhante e as nuvens fofinhas enfeitavam o céu, e isso realmente o deixou de bom humor.
Sentindo-se mais leve, ele seguiu pela Vila rumo a rua principal comercial de Masao. Não resistindo, ele correu para a loja de doces quando a avistou. Fazia tanto tempo que não comia aquelas guloseimas deliciosas.
— Bom dia Príncipe Shuichi! — O dono falou respeitavelmente.
— Oh olá... Eu gostaria de... Doce de abóbora... Palito de erva de gato... E Jujuba colorida... Ah, tem aquela torta de chocolate? — Ele perguntou eufórico. Mal podia esperar para experimentar todas aquelas delícias.
O dono do estabelecimento sorriu calorosamente. Todos na Vila amavam muito os príncipes e faziam de tudo por eles. — Tenho sim, vou pegar agora mesmo.
Shuichi ficou olhando pelo local, maravilhando-se com todos aqueles doces, enquanto o atendente separava seu pedido, e foi bem rápido.
— Aqui Alteza! É por conta da casa.
— Não... Eu vou pagar. — Shuichi pegou sua bolsinha e retirou algumas moedas, mais além do que aqueles doces custavam. Ele entregou ao dono. — Fique com o troco!
— Mas príncipe...
— Nada de mais... Eu devo pagar como todos... Ainda mais estes doces deliciosos. Obrigado por separar os melhores para mim, e tenha bom dia. — Disse sorridente e então deixou a lojinha. Shuichi seguiu pela rua olhando para todas as barraquinhas e lojas em busca de algo que o agradasse enquanto se deliciava com os doces.
Ele andou se distraindo e sorridente. Parecia uma criança se esbaldando em doces. Ele não se atentou ao perigo que o cercava. Ele parou justo em frente a uma barraca que vendia véus de seda e cetim.
— Bom dia Alteza! Que tal este véu feito de renda e cetim na cor verde? Combina muito com sua pele. — O vendedor disse confiante.
Shuichi tomou o tecido em mãos e pôde sentir o quanto era macio e gostoso de tocar. O barulho de cascos ao longe pôde ser ouvido. Os aldeões saíram do caminho com medo do animal descontrolado. Mas Shuichi não se atentou.
O vendedor afastou-se com olhos arregalados e gritou desesperado. — Príncipe! Cuidado!
Shuchi virou para ver o motivo do alvoroço, mas quando viu o perigo em sua direção, fora tarde demais. Ele se virou de costas para proteger seu ventre, no que o cavalo descontrolado chocou-se com força contra suas costas o jogando longe.
Ele caiu sobre uma das barracas e seus olhos se fecharam. Um filete de sangue jorrou sutilmente do canto de sua boca e a cor fugiu de sua face.
Todos ficaram desesperados. Não era segredo o quanto a população de Masao amava os príncipes, e ver aquela cena realmente foi desesperadora.
— Alguém... Ajude! Chame o médico! — Alguém gritou. Rapidamente um cidadão saiu correndo em sentido ao castelo para avisar ao Imperador, e outro atrás de um médico.
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Hachiro se achava no seu escritório analisando alguns documentos, mas levantou a cabeça quando sentiu uma presença. Ele olhou para o canto escuro de seu escritório e analisou a figura escondida nas sombras. Não dava para ver o rosto ou as feições da pessoa, mas ele sabia bem de quem se tratava.
— Diga-me! — Falou firme.
O ser ajoelhou-se em reverência. — Está feito conforme solicitou! Foi feito como um incidente qualquer...
Um sorriso surgiu na face do velho conselheiro, ao que seu corpo inclinou para trás apoiando no encosto da poltrona. — Perfeito! Não vou deixar que esse bastardo e príncipe atrapalhe meus planos. Com ele e seu filho fora de meu caminho, consolarei o desolado Rei e convencerei a voltar para o plano inicial... Que o herdeiro se case com minha filha.
— Sim, meu senhor! — O desconhecido disse.
— Por garantia, fique por perto... Qualquer coisa solicitarei sua ajuda. — Hachiro disse.
— Aquele maldito assassino... Qual é a dificuldade de matar aquele príncipe? — Indagou. Havia mais de um mês que havia enviado Yamato para matar o príncipe Sayuri, mas até agora não havia tido retorno da missão. — Vá até a Vila dos madiltos Lobos! Descubra o que está acontecendo. Se o imbecil do Yamato não cumpriu sua missão... Mate-o! E igualmente o príncipe Sayuri!
O desconhecido levantou, acenou, e como um passe de mágica ele desapareceu, deixando Hachiro sozinho na sala. O sorriso no rosto do conselheiro sumiu e ele ficou olhando para um ponto qualquer pensativo.
Ele precisava controlar as coisas, do contrário, seus desejos jamais se realizariam. Ele precisava com urgência resolver isso.
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Yoshikazu correu pelo corredor e parou diante da porta do quarto do filho. Seu coração pulsava como louco e a dor em sua alma estava perto em despedaçá-lo.
— O que aconteceu? Como isso foi acontecer?! — Ele gritou para os guardas que se achavam no local, e para Roan – o melhor amigo de seu filho.
— Senhor... Pelo o que os aldeões falaram... Ele estava andando tranquilamente no mercado... E um cavalo veio descontrolado... — Roan disse o que sabia. Suas feições denunciavam igualmente sua preocupação.
— E um cavalo aparece do nada? Com tantas pessoas, ele ataca justamente meu filho? — Yoshikazu se recusava a aceitar isso. Ele já estava sem Sayuri e Yunsuke... Ou os conselhos e apoio de Eiji. Sentia-se perdido e sem rumo agora.
Roan abaixou o olhar. — Lamento...
Yoshikazu sabia que não era culpa do filho de seu General. Era sua responsabilidade. Devia ter ordenado escolta para Shuichi, que o acompanhassem onde quer que fosse, mas não fez...
— O médico...
— Sim alteza! O médico está cuidando dele. Vamos torcer para que tudo fique bem. — Roan disse temeroso.
O som de passos ecoou pelo corredor quando o conselheiro se aproximou. Sua face vestia aura de preocupação. Ele foi até o Imperador e fez uma suave reverência. — Meu Rei! Fiquei sabendo do ocorrido. Por favor, seja forte.
— Como é possível Hachiro, que tudo em minha volta esteja desmoronando!?
— Eu lamento sua perda Alteza. — Ele disse como se soubesse que Shuichi tinha falecido.
O Imperador o encarou abismado. Ele estava pronto para indagar pelo estado de seu filho quando a porta do quarto se abriu e Amano surgiu. Este olhou para Roan e corou um pouco, mas logo vestiu sua expressão de profissional e foi até o imperador.
— Majestade! — Ele disse em reverência.
— É verdade? — O Rei indagou com medo. Temia perguntar pela ‘possível’ morte de seu filho.
— O quê? — Amano perguntou meio em entender, mas quando a clareza veio à sua mente, seus olhos se arregalaram. — Se acalme meu senhor, seu filho está vivo. O impacto foi forte... Ele acabou quebrando três costelas e teve um pouco de hemorragia interna, mas consegui parar o sangramento e saturar suas feridas. Por sorte, sendo Were... Recuperará rápido... Contudo É necessário total repouso.
O Imperador e Roan respiraram aliviados, mas Hachiro grunhiu de raiva, ainda que bem disfarçado.
— Oh céus... Obrigado doutor! — O Imperador disse segurando às mãos do belo médico. — E o meu neto?
— Foi por pouco! A sorte foi que o príncipe ficou de costas e isso impediu que o choque viesse contra o feto. A criança está bem... Mas ainda assim, todos os cuidados, ambos ficarão bem.
— Muito obrigado por sua ajuda! Será que posso vê-lo?
— Claro! — Amano disse dando um passo para o lado e permitindo que o Imperador entrasse no quarto.
Dois guardas colocaram-se em posição de vigília ao lado das portas e certamente não permitiram que ninguém interferisse.
— Eu vou acompanhá-lo... — Roan disse sem jeito e indicou o caminho para Amano. Ele não podia impedir em sentir-se encantado por aquele lindo doutor. Seu coração realmente batia forte em relação ao lindo gatinho.
O médico corou fortemente e desviou a face. — Cl-claro... Obrigado. — Ele deixou ser guiado por Roan pelo corredor em sentido ao pátio do castelo.
Deixado sozinho, Hachiro rosnou e virou sobre os pés em sentido ao seu escritório. “Incompetente... Como pode ter feito serviço de merda! Pelo visto terei de cuidar desse príncipe e bastardo com minhas próprias mãos”, Ele murmurou em pensamento. Seus passos eram firmes e raivosamente se afastou. Coitado daquele que surgisse em seu caminho, pois sofreria a consequências de sua raiva.
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Chizuru pegou uma pá nos fundos de sua casa e foi para frente como todos os dias ele costumava fazer, cavar a neve que ficava ao redor de sua casa e de seu pequenino jardim coberto.
Mas assim quando abriu a porta, ficou surpreendido, afinal a neve estava tão escassa que ele mal estava acreditando. Então não era coisa sua não sentir tanto frio como nos outros dias. A temperatura estava aumentando aos poucos, o que era realmente muito estranho. Akai era uma cidade congelada, como diabos ele poderia estar sentindo menos frio e não ver nevar mais?
Esquecendo sua surpresa, ele deixou a pá encostada na varanda da casa, e saiu ao redor da casa até seu minúsculo jardim. Era um pequeno quadrado de terra que Kensuke havia cavado para ele, e coberto por uma tela para evitar que quilos de neve caíssem sobre as plantinhas. Mas mesmo assim Chizuru sempre ia até lá todos os dias e tinha seu dever de limpar a neve, verificar a umidade da terra e manter o adubo. Elas não eram plantas bonitas, normalmente meio murchas por causa do frio, mas Chizuru as amava.
E novamente ele se sentiu completamente surpreso. Suas florzinha estavam parecendo mais vivas hoje. Não havia neve entalada acima das telas, sinal de que a noite não nevou.
Chizuru fez o que costumava fazer e deu um pulo quando uma mão pousou em seu ombro. Ele se virou pensando que fosse Seiji, mas encontrou Sayuri com um enorme sorriso para ele.
— Oi Chizu-chan! — Sayuri estava com um tipo de sorriso como se soubesse de algo que Chizuru não sabia. Isso o fez engolir em seco.
— O-Oi Sayuri-chan. — Ele respondeu nervosamente. — O que faz aqui? Preciso de algo?
— Oh não! — Sayuri respondeu acenando em sua frente. — Não necessito de nada, somente estava dando um passeio e resolvi vir ver o que estava fazendo. Ah... E ver meu irmão! Ele está hospedado aqui!? Neh.
— Ah, hum. — Chizuru respondeu com um sorrisinho. Ele estava ficando paranoico, jurava que o sorriso de Sayuri lhe dizia claramente "Você é um suspeito". Chizuru tinha que manter bem guardado esse segredo... O que ele viu... O que ele fez... Aquilo era um pecado que nem mesmo o Santo Seiji deveria saber algum dia.
— Oh... — Sayuri colocou as mãos nas costas e olhou bem para Chizuru que fingiu continuar verificando as plantas. Ele falhou, porque suas mãos estavam tremendo. — Você está escondendo algo!
— Não estou! — Chizu respondeu no mesmo momento quando se levantou. Ele levou as mãos a tapar a boca. Droga, ele se entregou! — Ju-Juro que não estou!
— Você acha que sou bobo? —Sayuri colocou as mãos na cintura. — Graças ao meu dom de verificar os sentidos das pessoas... — Ele tinha acabado de inventar isso. — Eu sei que está me escondendo algo... Algo muito importante!
Chizuru colocou as mãos na cabeça, completamente perdido. Ele se ajoelhou e puxou seus cabelos.
— Aaah Sayuri-chan! Por favor, não diga a ninguém! A ninguém que escondo algo... É-É embaraçoso!
Sayuri teve que sorrir, mas mascarou em um rosto preocupado. Curiosidade o levou além, e minutos depois Chizuru tinha arrastado Sayuri até seu quarto e trancado bem a porta. Ele também correu e fechou a janela.
— É tão secreto assim para precisar fechar a janela? — Sayuri perguntou ainda mais excitado.
Chizuru olhou para ele com as sobrancelhas enrugadas. Ele estava visivelmente perturbado agora, isso preocupou Sayuri. Chizuru sentou-se no futon comportadamente, e Sayuri à sua frente com suas mãos segurando gentilmente as dele.
Sayuri não tinha sido muito amigo de Chizuru no início... Mas Chizuru tinha mostrado seu verdadeiro ser depois que pareceu aceitar o relacionamento de Nanami com seu irmão. Como se seu comportamento rude houvesse mudado de uma hora para outra. Talvez aquele comportamento fosse apenas uma fachada para querer espantá-los.
— Então, o que foi que aconteceu?
Chizuru abaixou os olhos, seu rosto começou a queimar e ele ficou incrivelmente corado. — Eu pequei... Fiz algo imperdoável!
Sayuri arregalou os olhos. Ele teve os piores pensamentos naquela hora, mas apartou todos. — Imperdoável? Conte-me. Seja o que for, estarei do seu lado. — Ele falou firmemente e determinado, mas seu olho direito começou a ter um tic. — Você não matou alguém não é? Porque se for, nem me conte que eu não quero tornar-me cumplice!
— Não, jamais! Sabe que sou bondoso, jamais tiraria a vida de um ser. — Chizuru franziu a testa se sentindo ofendido.
— Oh desculpe, eu já suspeitava que não fosse isso. — Sayuri deu um sorrisinho sem graça. Ele se bateu mentalmente, suspeitar de Chizuru, como pode?
— Eu... Eu vi algo que não deveria... Mas não foi culpa minha. — Chizuru soltou um som como um choramingar.
Sayuri ficou apaixonado, seus olhos quase saltaram. Ele se prendeu firmemente no lugar para não abraçar Chizuru com todas as suas forças. Oh, ele era um fofo também! Nunca imaginou que os lobos também fossem fofos!
— Mas se não foi culpa sua... Porque está tão... — Sayuri começou.
— Eu vi algo que não deveria ver... — Chizuru achou melhor esconder a parte de que ele se tocou... Sayuri não precisava saber desse detalhe intimo. — Mais cedo fui à casa de meu irmão... Pensei que não havia ninguém e fui guardar os kimonos de Nanami... Mas só então percebi que eles estavam no banheiro.
Sayuri arregalou os olhos no limite. Sua boca formou um "oh". — Oh, sério? Você diz... Nanami e... Kensuke? Quero dizer, o Alfa? — Não estava acreditando. Maldita sorte!
— Hum sim. Eles estavam fazendo sons estranhos... Nanami parecia feliz, ele soltava alguns miadinhos. — O que era uma gracinha em sua opinião. — Então...
— Então... — Sayuri estava com suas próprias bochechas rubras e seu corpo estava reagindo. Isso que era um assunto interessante!
— Então eles saíram do banheiro... E eu estava ali...
— O que você fez? — Sayuri começou a pular no lugar. — Conta! Conta!
— Calma... Eu entrei no closet, e me tranquei lá. Afinal, meu irmão saiu do banheiro com Nanami, completamente nus... E eu... Eu vi Say-chan... Eu vi tudo... — Chizuru cobriu os olhos, seu corpo inteiro ficou vermelho. — Eu pequei... Vi eles fazendo... Aquelas coisas que casais fazem!
— Oh... Oh minha nossa... — Sayuri colocou as mãos na boca e caiu contra o futon. Seu corpo reagiu somente de pensar em estar no lugar de Chizuru. — E você... Como Nanami estava? Como ele é quando está gemendo? Oh, ops... — Sayuri bateu em sua boca. Já derramando suas fantasias proibidas.
Chizuru olhou-o surpreso. — Oh bem... Ele é como parece ser... Fofo... E os gemidos dele eram... Não sei como descrever, mas era ainda mais fofo... Como miados!
Sayuri sorriu com todos os dentes e não resistiu ao seu impulso de agarrar Chizuru. Ele o abraçou e seu nariz ficou rente ao dele.
— E... E você? O que sentiu? Você teve uma reação, não foi?
Chizuru corou ainda mais do que o possível e empurrou Sayuri para sair do abraço.
— I-Isso é pessoal. — Mordeu seus lábios. — É um pecado... Sou puro...
— Claro que é puro! Pecado seria se fizesse com alguém que não ama... Ou fora de seu casamento. — Sayuri comentou com plena certeza. — Mas tocar a si mesmo é somente uma experiência... Meu irmão Shuichi me pegou um dia... Hum, eu-eu estava brincando comigo. Foi tão embaraçoso! — Foi a vez de Sayuri morder os lábios.
Chizuru pareceu mais aliviado.
— Jura? Oh Deus dos lobos! Obrigado Sayuri... Estava perdendo minha mente por achar que havia perdido minha pureza... — Chizuru teve seus olhos brilhando. Se ele perdesse sua pureza... Ele tinha medo que perderia Seiji. Quem ele mais amava no mundo todo.
Sayuri teve outro impulso, e dessa vez ele tomou o rosto de Chizu e lhe deu um beijo molhado em sua bochecha corada.
— Não se preocupe. Você pode me contar o que quiser, quando quiser! — Sayuri mostrou seu mindinho e Chizuru enroscou o seu próprio para selarem uma amizade. — Você teve sorte... Quem sabe na próxima sou eu! Vou me esconder no closet! Hahaha! — Dito isso, eles ainda conversaram mais um pouco sobre algumas dúvidas que Chizuru tinha pelo que viu, e Sayuri respondeu o que sabia.
Ele não tinha experiência, não era permitido ter até que se casasse com a pessoa amada. Assim eram os Ninshins, eles eram especiais, normalmente mais raros entre os gatos. Mas Sayuri havia lido muitos livros e isso o fez ter noção de como eram as coisas, o que o fez não tão inocente quanto parecia.
Quando saiu da casa de Chizuru, sentiu-se determinado. Ele tinha que encontrar Nanami e tirar uma lasquinha.
— Nanami que me espere... — Sayuri deu um sorriso malicioso e brincou com os broches de seu obi. Não era justo, somente Chizuru teve essa oportunidade, ele queria ter também!
Continua...
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