Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
11 Capítulo 11 – Laços de Sangue
Notas iniciais
Boa noite pessoal! Segue mais um capítulo de Akai, esperamos que curtam muito... Principalmente a pequena travessura no final... Que faremos esperarem até semana que vem para o resto.
Agradeço a todos pelos comentários... e felizes que estejam curtindo.
Boa leitura!
Capítulo 11 – Laços de Sangue
Shou estava quieto o suficientemente para que o silêncio reinasse por sua casa. O consultório, que apenas era um cômodo, no qual usava somente para cuidar dos pacientes de todos os dias.
Ele era um bom curandeiro, sempre ajudando o próximo e fazendo exames de rotina. Por isso para uma população não tão imensa como a quantidade de lobos na tribo e contando que eles tinham uma saúde de ferro. O trabalho girava sempre em torno de crianças e idosos que eram mais propensos a adoecerem.
Era noite, mas o sono não veio, e aquela provavelmente seria mais uma noite de insônia. Com a xícara de café em suas mãos, já era a terceira que estava tomando com o líquido amargo e doce ao mesmo tempo, como se este fosse capaz de ajudar a amenizar sua dor. Sabia que estava ficando pior a cada dia... Ele não sabia como alguém poderia sofrer tanto quanto ele... Mas ainda assim, não poderia desistir de si mesmo, pois ele tinha um filho para cuidar, criar com todo o amor e carinho que lhe restavam.
Depois de ter sido um jovem tão alegre, de ter tido um amor tão grande por um dos guerreiros de sua aldeia... Quando pensou que finalmente se casaria e seria feliz com aquele que amava... Veio o pior castigo, o abandono, e isso adoeceu seu coração, por mais que ele desse o seu máximo para mascarar isso.
Minky estava dormindo em seu quarto, em um sono inocente e pesado, enquanto seu pai estava ali, mais uma vez imerso em dores, em tristeza e depressão.
Foi quando uma suave batida em sua porta, tirou Shou de seus pensamentos. O mesmo tentou limpar suas lágrimas, mas sabia que sua cara estava horrível praticamente.
Deixou o café na mesa e correu para abrir a porta.
— Quem? — Abriu minimamente a porta e espiou, vendo a figura de Ryo parado a frente aguardando ansiosamente. — Oh, Ryo, é você! O que te trás aqui a esta hora da noite? — Indagou coçando seus olhos e tentando não olhar fixamente para o outro.
Ryo estava desesperado, mas quando lembrou-se de que havia criança naquela casa, ele não fez tanto barulho. Percebeu de imediato a situação de Shou, ainda com lágrimas nos olhos, seu semblante triste mostrava a ele, que Shou não estava tão bem quanto aparentava. Mas ele tentou não tocar neste assunto agora, ele precisa do curandeiro e amigo para cuidar do jovem gatinho que encontrara na floresta.
— Nas buscas que tivemos esta tarde, encontramos um jovem gato, conhecido de Nanami-sama. Ele estava preste a ser estuprado... Está inconsciente e ferido. Poderia cuidar dele, por favor?
Shou jurava que nunca tinha visto Ryo tão desesperado como ele pareceu agora. O que poderia ter mudado ele tão de repente?
— Claro! Irei pegar meu casaco e minha maleta. Espere aqui. — Shou correu para dentro, sem fazer qualquer ruído para não acordar seu filhote. Ele pegou o que precisava colocando na maleta, e vestiu uma grossa camada sobre seu kimono, feita com peles de animais. Fechou a casa, deixando seu filho dormindo e seguiu com Ryo em direção a casa do Alfa.
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Nanami estava segurando tão fortemente suas lágrimas. Ele queria chorar ainda mais do que quando sua avozinha faleceu. Sayuri era tão importante para ele, muito precioso e valioso em sua vida. Não queria by InstantSavings\">perder o único que sempre esteve ao seu lado e foi bondoso e generoso com ele. Sayuri cuidou dele como um irmão mais velho, lhe dando tanto quanto podia.
Por que ele havia feito isso? Por que teve que vir até aqui? Era tão perigoso, ainda mais para um príncipe, e Nanami sabia que ele era frágil e delicado, que sofreria caso o fizesse. E aqui estava ele, por Nanami... Ainda não podia acreditar no que estava vendo.
Pensava que não o veria nunca mais... Por um lado seu coração estava feliz de ter alguém que confiava aqui ao seu lado, mas ao mesmo tempo doía vê-lo naquele estado.
Ryo chegou com Shou ao seu enlaço.
— Oh céus, um gatinho. — Shou sentou-se sobre as pernas e abriu sua maleta enquanto estava ao lado de Sayuri.
Nanami ficou observando a alguns metros dele. Ele viu Kensuke com uma carranca, ele parecia chateado consigo, por isso evitou seu olhar. Mas na verdade era Nanami quem estava chateado.
Ele virou sobre seus pés e saiu do recinto antes que alguém o chamasse e dissesse algo. Nanami não soube ao certo o que sentiu, mas não era bom, seu coraçãozinho estava confuso. Ao mesmo tempo em que ansiava estar perto do grande lobo alfa, agora estava chateado e queria distância.
Mas isso não era o que precisava pensar agora, ele tinha algo mais importante e urgente. Precisava saber urgente do estado de Sayuri.
Viu como Shou foi dedicado em cuidar dele, vestiu um conjunto de kimono novo, que inclusive era de Nanami. Teve as suas feridas bem cuidadas pelas mãos do curandeiro e alguns pequenos cortes suturados. Sayuri parecia melhor agora.
— E então? — Nanami veio até Shou timidamente.
— Ele está bem, não sofreu nada preocupante. Havia alguns pequenos cortes que ele deve ter sofrido em meio à floresta, e algumas marcas que provavelmente fora porque o acorrentaram. — Em seguida, o curandeiro engoliu em seco. — O que foi mais preocupante, foi porque há algumas feridas em suas costas e pernas que demonstram açoitamento... Por isso, ele precisará de cuidado por alguns dias.
Nanami fez a maior cara de horror que poderia fazer. Oh não... Sayuri apanhou... Ele era um príncipe. Nanami apanhava muito, quase todos os dias, mas Sayuri não podia... Isso trouxe lágrimas aos seus olhos, e logo estava Nanami soluçando ao lado de Shou.
— Oh príncipe... Não chore. — O curandeiro o abraçou carinhosamente. — Ele é um amigo seu?
— Sim... Meu melhor amigo. — Nanami chorou mais, fungou e soluçou por um tempo indeterminado. Ryo veio para perto deles, comovido com a situação, mas ele preferiu ficar em silêncio.
— Ele ficará bem, pequeno. — Shou afastou-se um pouco e acariciou sua bochecha molhada de lágrimas. — Olhe só, estarei deixando um remédio para dores musculares e uma pomada para passar nas feridas dele. Cuide bem dele ok?
Nanami assentiu e enxugou seus olhos com um beicinho. — Ok...
— Ryo, eu irei falar com Kensuke a respeito dele. — Apontou para o gatinho inconsciente. — Então será melhor que fique por aqui vigiando o quarto. — Saiu em seguida, fechando a porta.
Ryo olhou para Nanami uma última vez e moveu-se para se sentar um pouco mais longe. Uma forma de dar privacidade a Nanami, nem que fosse um pouquinho.
— Sayuri-chan... Me desculpe. — Nanami deitou sua cabeça contra o peito do menor, vendo seu rosto enquanto dormia. — Eu cuidarei de você, então ficará tudo bem, eu prometo. — Ele chorou novamente.
Ryo estava de coração partido, mesmo que não aparentasse tanto. Mas ele ficou em seu cantinho, vendo como Nanami parecia gostar do pequeno neko que encontrou.
Nunca pensou que diria isso, mas ele estava começando a achar que estava gostando de gatos... Ele nunca pensou em coisas fofas até ver Nanami, e seu coração se encheu de um carinho delicioso quando viu aquele que abalou seu coração. Sayuri...? Que nome lindo.
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A raiva fulminava em seu coração. Ele sabia que era errado sentir-se assim, mas não tinha como controlar. Sua vida andava em um turbilhão ultimamente, tudo estava dando errado... Primeiro se ve obrigado a casar-se com o príncipe do maior inimigo de seu povo, depois se depara com um gatinho desastrado... Mas é surpreendido pela forma que seu coração aqueceu por ele... E quando finalmente parecia que realmente iriam iniciar a vida de casados... Vem mais uma coisa para atrapalhar. No fundo, mesmo que não admitisse, estava com ciúme.
Kensuke sabia que precisava se acalmar, por isso saiu de sua casa deixando que Ryo lidasse com os problemas, e seguiu em passos firmes pelas ruas do vilarejo. Contando o frio e que era já um horário avançado da noite, todos os habitantes achavam-se recolhidos em suas casas, assim não teria que topar com ninguém.
O gélido frio feria sua pele, mas o grande alfa não se importou, apenas seguiu a passos firmes para nenhum lugar certo, somente queria um momento de paz.
Contudo, tal intento estava longe de acontecer, antes que pudesse sair das margens do vilarejo e aprofundar na floresta, uma melodiosa voz o chamou, fazendo arrepios percorrerem o seu corpo.
— Kensuke-sama? Tudo bem?
O moreno apertou as mãos em punhos fechados e puxou o ar aos seus pulmões. Tentando colocar uma expressão neutra em seu rosto, virou sobre os pés. Quando seus olhos caíram sobre o jovem lobo, sua expressão suavizou.
— Olá Maiko! Como está? — Kensuke ditou. Seus olhos percorreram o menor, sem poder impedir que o avaliasse. Maiko sempre fora um dos lobos mais lindos da sua matilha.
Ele tinha longas madeixas negras contornando a bela face, olhos expressivos, além de uma feição bela e delicada. Ele era magro, esquio, ainda parecia muito sensual de onde o via.
— Bem... Na medida do possível. Mas o que importa é você, parece com raiva? Magoado, diria. — O mesmo disse se aproximando do grande alfa. Suas delicadas mãos tocaram uma das de Kensuke e a apertou demostrando que estava ali com ele.
— Me conhece tão bem, como ninguém. — Kensuke disse com pequeno sorriso. Sua expressão outrora dura suavizou. — Ficarei bem! Não devia estar andando a noite, está frio!
— Estou acostumado. Vivemos no eterno gelo. — Maiko disse. — Sinto sua falta... — Disse com uma expressão triste. Ele quebrou a distancia entre si e Kensuke e ficou na ponta dos pés como se fosse beijá-lo, mas Kensuke se afastou.
— Não podemos! — Kensuke disse buscando ser forte.
Os olhos de Maiko lacrimejaram, mas se recusou a deixar as lágrimas cairem. — Eu... Ainda não posso aceitar que o perdi... Sei que se casou com ele por nosso povo, para termos paz e sem mortes, mas é tão injusto. — Disse com a voz embargada.
Partiu o coração de Kensuke ver o outro nesse estado. Gentilmente tocou a face do lobo menor e recolheu as pequenas gotículas de lágrimas. — Lamento! Sempre sonhei com o dia em que casaríamos, mas os deuses não desejaram assim. Deve seguir sua vida em frente... Encontrar alguém que o ame como mereça. — Disse com a voz triste. O fato era que desde jovem ele nutriu sentimentos por Maiko, e era correspondido. Quando ambos fizeram 17 anos, entraram em um compromisso... E na lua dos 21 anos se casariam, mas alguns meses antes que esse momento chegasse, Kensuke teve que sacrificar por seu povo, casando-se com Were Neko.
— Nunca vou amar alguém como o amo! — Maiko disse. Ele limpou as lágrimas com o punho de seu lindo Kimono. — Mas tudo bem, desejo que seja feliz. Esforce para amar seu esposo. — Disse forçando sorriso. — Bem, eu vou dormir. — Disse dando as costas para Kensuke e indo para sua casa.
O Alfa ficou acompanhando o outro com o olhar até que sumiu de seu campo de visão. Ver Maiko triste, apenas serviu para aumentar sua amargura. Por culpa dos gatos... Condenou a si e quem sempre amou... Se não fosse pelo ódio e a guerra que os gatos sempre insistiam em fazer. Isso o fez retribuir sua raiva ao esposo, e para evitar que o ferisse, resolveu ir correr em sua forma de lobo.
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Ele sentia todo seu corpo reclamar de dor, como se tivesse caminhado horas ou sido espancado. Tais suposições abriram brechas em sua mente para que os acontecimentos dos dois últimos dias viessem à tona. Sua procura pelo melhor amigo, a descoberta do que o seu pai fez, a fuga e por fim, capturado por bandidos. O medo em ser vendido e ainda quando estava perto de se estuprado... Foi quando a imagem do lobo veio em sua mente, e isso forçou-o a sair de seu desespero e abrir os olhos.
Seus olhos entraram lentamente em foco, ganhando noção de onde estava. Viu o teto de madeira, e ao girar a cabeça reparou que era um quarto grande, com poucos móveis, mas os que tinham eram feitos manualmente, mas muito belos. Foi quando um peso sobre si chamou atenção e juntando ao doce perfume, fez seu coração pulsar.
Com certo receio moveu a cabeça para pousar os olhos sobre a cabeleira loira, um loiro tão claro que quase parecia branco. Quando reparou nas orelhas e o lindo sininho em uma delas, seu coração bateu ainda mais loucamente e estava pronto para ter uma hemorragia nasal. Não resistiu, e apertou seus braços ao redor do pequeno corpo. A felicidade brotou de maneira única em seu coração, fazendo apagar toda a dor que tinha passado para chegar ali, para ter seu precioso Nanami em seus braços.
— Neh... Não posso respirar... — Nanami resmungou enquanto era apertando. — Sayu-chan..
— Neh! Meu Nana-chan... Meu lindo gatinho... Eu te encontrei... — Sayuri disse. Não resistiu e moveu-se na cama. Ele colocou o amigo deitando de costas contra o futon e cobriu o corpo dele com o seu.
— Sayuri... — Nanami corou fortemente. Tinha esquecido como seu amigo era. Como Sayuri amava apertar, beijar e mimá-lo ao máximo. Não que reclamasse, tirando sua avó, Sayuri era o único que atribuiu carinho a ele em toda sua vida, e o amava profundamente.
— Eu perdi você... Eu o procurei, mas não achava... E quando descobri o que fizeram contigo... Tiver que vim buscá-lo... Mas sou fraco... — Sayuri disse com a voz trêmula pela emoção e as lágrimas nos olhos.
— Não chore! Odeio vê-lo chorar. — Nanami disse. Ele tocou a face do amigo e recolheu as lágrimas. — Não devia ter vindo! Era para estar em Masao seguro!
— Como poderia viver sabendo que nunca mais o veria? Onde estava? É precioso para mim, não entende isso? — Sayuri disse firme. — Temos que sair daqui! Voltar para Masao...
Nanami sentiu uma pontada em seu coração com a possibilidade de ir embora. Mesmo que estivesse ali a tão pouco tempo, e que alguns o viam como intruso ou destratado, ainda sentia mais em casa do que nunca esteve em Masao.
— N-não... Se for embora haverá guerra... E não tenho lugar em Masao... O imperador me matará por traição. Devo ficar aqui, você tem que ir embora... — Nanami disse assustado.
Sayuri se afastou sentando-se sobre as pernas e apertando as mãos em punhos. Ele recusava aceitar que Nanami fosse o sacrifício. — Mas... Não é o verdadeiro príncipe, e se eles descobrirem? Será pior...
Nanami sentiu os olhos arderem. Ele levantou sentando-se e abaixando o olhar. — Sei que não sou o príncipe... Não tenho educação, não sei ler ou agir... Mas... Sou casado...
— Você gosta dele? — Sayuri perguntou ferido.
Nanami arregalou os olhos: — Não... Sim... Quero dizer... Ken-chan é duro e sério, mas ele me tratou com respeito... Fez até um jantar gostoso...
— Ele tocou no meu puro Nana-chan! Tomou sua virgindade. — Sayuri disse fazendo bico.
— Virge... O que?
Sayuri olhou abismado. Começando a desconfiar que o lobo Alfa não havia tocado intimamente seu amigo. Sabia que Nanami não tinha feito. Não havia estudado ou tido alguém para instruí-lo.
— Tudo bem! Então decidimos. Se meu Nana-chan ficará, eu também... Farei esse lugar nosso novo lar. — Disse firme.
— Não... Haverá guerras se ficar... — Nanami disse assustado.
— Claro que não! Eles não sabem para onde fui e se não contarmos a ninguém, eles nunca saberão. Você continuará sendo o príncipe e eu seu amigo. — Sayuri disse convicto.
Nanami ficou pensando na possibilidade, mas parou por que sua cabeça começou a doer. Ia confiar em Sayuri. Ele jamais faria algo para colocá-los em perigo.
— Tudo bem... Mas agora volte para cama. Precisa descansar! Vou arrumar algo para comermos. Aqui tem coisas gostosas. — Disse dando uma risadinha.
Entretidos conversando, os dois graciosos gatinhos não perceberam que havia uma terceira pessoa. Alguém estava do lado de fora do quarto, encostado na parede e que acompanhou toda a conversa... Tomando ciência do segredo deles.
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Lentamente fez seu caminho até a janela, olhando para fora e para a cidade que ele cuidava desde muito tempo. O Imperador Yoshikazu, sentia um aperto no peito, uma espécie de dor que estava lhe impondo medo. Ele não sabia do que se tratava, mas certamente não era algo bom, e sim muito desconfortável.
— Não entendo... — Ele não compreendia aquela dor, mas queria desesperadamente curá-la. Olhar para fora e para a cidade lhe fez sentir-se mais solitário do que costumava ser. Ele tinha seus filhos maravilhosos, mas ainda sim, seu coração ansiava por algo... Estava vazio, dolorido.
— O que o senhor não entende? — Hachiro perguntou de sua mesa.
— Não é nada. Somente estou um pouco nervoso sem razão. — Ele virou-se para ver Hachiro comportadamente em frente a sua mesa.
— Eu gostaria de conversar com o senhor referente ao casamento do herdeiro e minha neta.
— Sim? Oh, é mesmo. — Ele parecia tão perdido, nem mesmo tinha pensado sobre isso nos últimos dias. — Temos que marcar para o quanto antes. Dessa vez, Yunsuke não pode esperar mais, então quero que marque os detalhes da cerimônia para mim.
— Claro Imperador, eu farei neste exato momento. Tenho certeza de que não irá se arrepender, minha neta será a esposa ideal para o seu herdeiro. — Dito isso, ele despediu-se e saiu do escritório nem nenhum ruído.
Yoshikazu não estava muito certo do que pensar a respeito disso, ele não achava ao todo certo que seu filho se casasse com uma jovem que nem mesmo conhecia, mas ele era o herdeiro e este era o destino mais provável para ele. Sem falar que ele confiava em seu conselheiro, e se ele lhe dizia que seria uma boa esposa para Yunsuke, então era verdade.
Uma batida à porta e então duas, o acordou de seus devaneios. O General do batalhão de guerreiros, um de seus fiéis amigos, adentrou no escritório, com uma expressão nada bem-humorada, diferente do que costumava ser.
— Meu senhor. — Ele ajoelhou-se à frente de Yoshikazu respeitosamente. — Tenho más notícias!
O Imperador voltou para sua mesa. — Levante-se e me diga do que se trata, Eiji. — Foi como se toda a adrenalina explodisse naquele momento, ele sabia que não vinham coisas boas por isso, por isso aquela angústia.
— O príncipe herdeiro e seu gêmeo me alertaram de que o príncipe Sayuri desapareceu do castelo. — Eiji, o general, engoliu em seco, ele mesmo assustado com o que possivelmente teria acontecido com o príncipe caçula. Seu Imperador ficou furioso.
Yoshikazu caiu em sua cadeira com uma mão apertando fortemente o peito. — Isso não pode ser... Onde ele está? Vocês procuraram por todo o castelo? Será que ele não saiu para a cidade?
Eiji engoliu novamente, olhando para o Imperador agora, medo e preocupação corria por ambos.
— Eu sinto muito Senhor, eu praticamente enviei toda a tropa em busca do príncipe antes de poder dar-lhe a certeza que ele havia desaparecido. Infelizmente nenhum de nos o encontrou em qualquer lado no castelo e os lugares que ele costumava frequentar na cidade.
O Imperador rugiu e seu punho bateu tão forte a mesa de carvalho, como para rachá-la ao meio. Ele poderia ser um gato, uma espécie considerada até doméstica, mas ele era um Imperador forte, muito maior do que qualquer um que conhecia. Seus guerreiros eram assim também, eles eram a principal razão de tamanha proteção à sua cidade.
– Vasculhem novamente. Todos os lugares! Encontrem-no! — Ele latiu sua ordem. Eiji assentiu e em seguida — sem antes fazer uma reverência — saiu do escritório correndo pelos corredores. O Imperador estava bufando de raiva, ódio, preocupação, dor e culpa.
O que poderia ter acontecido com seu pequeno gatinho, seu filhote precioso estava perdido pelo mundo. Não se sabia ao certo o que poderia ter acontecido, talvez houvesse sido sequestrado por algum traidor. Ou pego por caçadores... Oh céus, e se haviam caçadores infiltrados entre os cidadãos de sua cidade?
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— Meu pequeno Sayuri... — Shuichi estava embrulhado em sua cama, em meio à noite. Ele não conseguia pegar no sono, não com toda a preocupação que ele sentia. Primeiro e mais importante, Sayuri estava longe e ele não sabia o que estava acontecendo, se estava bem, se algo havia acontecido... Se por acaso ele tinha encontrado Nanami... Mas a saudade já pregava tão forte em seu peito como uma estaca.
E agora, já não bastava mesmo, tinha descoberto essa tarde que seu irmão gêmeo mais velho iria se casar. Bem, ele sempre soube que Yunsuke iria se casar, mais cedo ou mais tarde, com uma fêmea e se tornar como Rei e Rainha.
Isso o quebrava por dentro e o fazia tremer só de pensar. Seus sentimentos o traíam, ele não deveria sentir o que sentia, mas seu coração era louco e estava completamente cheio de um amor incondicional por seu irmão mais velho.
Sabia que não era certo, tinha bons motivos para pensar assim. Eles eram irmãos, eram amigos — mesmo que brigassem tanto — além de que seu irmão era também o herdeiro que em breve assumiria o lugar de seu pai.
Shuichi enxugou seus olhos com os lencinhos e soou o nariz, jogando o papel no chão para no dia seguinte descarta-los. Ele precisava dormir. Amanhã ele bolaria um jeito de saber notícias a respeito de Sayuri pelo menos.
Embalando-se no cobertor em seu futon, Shuichi procurou desesperadamente dormir, e quando sentiu que estava entrando no sonho, sua porta deslizou aberta e um feixe de luz veio direto para seu rosto, o acordando.
— Yun... Suke? — Shuichi perguntou pelo irmão, reconhecendo sua figura agora trancando a porta. — Yunsuke? — Sentou-se na cama reparando que o mesmo não lhe respondeu. Eles não estavam se falando muito também. — Você bebeu?
— Shu... Chan. — Ele foi até o futon e caiu sobre o mais novo em um baque duro.
— Hei! Saia de cima! Sai! — Shuichi tentou se libertar, em vão, porque seu irmão parecia incrivelmente mais pesado e... Duro! — Ah!
— Shu-chan... Eu não quero me casar... — Yunsuke abraçou seu irmão tão apertado como para sufocá-lo. Shuichi não teve escolha, já que seu irmão sempre ganhava, ele o abraçou de volta.
— Não fique assim... Não há uma escapatória... Você deve aceitar. — Apesar de que o conselho estava fazendo sua garganta arder para chorar. Ele não queria chorar na frente de seu irmão, isso seria humilhante...
— Não... Eu não quero... Eu quero ficar com você, Shu-chan. — Afastou-se do abraço e então seus olhos brilharam para o gemeo, que completamente surpreso o encarou.
— Por que está... Me olhando assim? — Perguntou entrecortado. A sua garganta falhando, e logo seus olhos se encheram de lágrimas.
— Su-chan... Eu te amo... Eu quero é estar com você. E não me casar com alguém que nem mesmo conheço.
Apesar de Yunsuke estar falando aquelas coisas, e de Shuichi por um momento ter acreditado, ele lembrou-se de que seu irmão estava bêbado e principalmente, que ele devia estar confundido os sentimentos de amor fraternal entre irmãos... Ele não queria deixar esta vida que eles tinham para se tornar um adulto casado e com filhos.
— Yun... Yunsuke, deixe-me! Saia. — Tentou empurrá-lo para longe de seu corpo, mas foi em vão. Yunsuke teve um brilho em seus olhos que disse diferente a Shuichi sobre seus sentimentos, fazendo o acreditar por um momento.
Seu corpo foi imprensado contra o futon, um beijo forte e profundo o pegou de supressa e sua boca foi violada. Shuichi não acreditou, ele tentou a todo custo sair daquela antes que fosse tarde mais. Mas seu irmão não estava dando razão a ele, estava agindo por instinto, talvez pela força das emoções em um momento tão crítico.
Entendia que ele estava nervoso por ter sua vida decidida sem o seu consentimento, sem opção de escolha. Quando se viu, suas roupas já estavam rasgadas, provavelmente por Yunsuke ter ascendido suas garras a fim de removê-las de seu corpo.
O beijo ficou mais urgente, como se a vida deles dependesse disso. Shuichi estava nervoso, mas de repente não mais. Ele estava gostando... Oh droga! Ele não estava conseguindo resistir ao desejo reprimido por tanto tempo que nem mesmo podia contar.
Quando seus pulmões gritaram por oxigênio que Yunsuke se afastou, ambos respirando pesadamente e cheios de desejo.
— Yun... Yunsuke... Por favor, não faça isso comigo. — Shuichi implorou, mas era tão vergonhoso, estar assim, completamente nu em frente aos olhos do mais velho, apesar de eles serem tão parecidos, por algum motivo detinha diferenças visíveis em seu corpo. Shuichi era um pouco menor, sem músculos visíveis como os de seu irmão, mais magro e mais delicado.
Um ataque foi iniciado em seu pescoço o deixando ainda mais ofegante e mal sua voz saía. Shuichi tentou gritar, mas sua voz não lhe obedeceu e ao invés disso veio um longo gemido. Ele não resistiu quando as mãos grandes passearam por seu corpo, deixando o rastro quente por onde passavam, Shuichi inconscientemente arqueando contra o corpo do mais velho, ter ambos os corpos se esfregando um contra o outro.
Podia sentir como seu irmão estava tão cheio de desejo e louco por ele, beijando por toda parte e tocando cada polegada. Ouvia-o ofegar enquanto ele próprio soltava ruídos incompreensíveis.
— Eu sempre quis... Sempre o desejei... Shu-chan, eu sempre desejei beijá-lo. — Ele o fez, um beijo quente e profundo, arrancando-lhe um gemido em sua garganta. — Sempre desejei tocá-lo e amá-lo, somente eu... — Suas mãos percorreram suas coxas e o interior delas, passeando até que chegasse à parte mais íntima. — Por isso eu não quero... Não quero ficar sem você.
Antes que controlasse, Shuichi estava chorando emocionado, ele sempre quis ouvir isso, mas ele sabia que não era algo que Yunsuke realmente desejava dizê-lo... Ele não estava sóbrio para lhe confessar algo tão importante seriamente.
Mesmo que seu coração quisesse acreditar, sua mente negava.
Continua...
Notas finais
Semana que vem tem mais ! Até a próxima!
Beijinhos
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