Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

55 Capítulo 55 — Chuva de esperança


Notas iniciais
Hannah: Olá minna-san! Hoje o capítulo é grandão, uma homenagem a todos leitores que tem lido com tanto carinho e nos incentivado. Eu sinceramente amei, e espero que curtam igualmente. Boa Leitura!

Capítulo 55 — Chuva de esperança

Nanami colocou-se na pontinha dos pés e olhava curiosamente pela janela. Sentia uma agonia tão grande em seu coração, e algo a mais dentro. Sabia que era a ‘fera’ dentro dele. Um monstro que não entendia e temia.

— O que está fazendo, Nana-chan? — Misaki perguntou curioso. Ele estava vestido com um avental rosa e seus cabelos presos para trás. Até agora esteve ajudando Sayuri na cozinha, mas não resistiu em vir ver o que o enteado aprontava.

Nanami se virou encarando o seu pai. Ele mordeu o lábio inferior entre os dentes, envergonhado. — N-nada.

— Naoki nos disse para não sairmos. Portanto nada de fazer travessuras. — Misaki apontou. Aproximando-se de Nanami, ele olhou pela janela, então olhou de volta para o loirinho mais jovem, não resistindo em acariciar sua bochecha macia.

Nanami suspirou. — Eu sei! Papai Naoki colocou uma proteção ao redor da casa. E Kensuke me fez prometer que não sairia... Para minha própria segurança. — Mas... — Grunhiu, ao que bateu os pezinhos no chão. — Sinto que tudo está desmoronando e preciso fazer algo!

Misaki colocou-se na frente do menino e segurou ambas as suas mãos. — Olhe... Seu marido é um grande líder e forte guerreiro... E seu pai é um mago poderoso. Eles irão resolver qualquer problema. Tem que confiar neles... Porém eles não serão capazes de fazer absolutamente nada, se ficarem preocupados com você. Ainda mais se entiver em perigo. — Misaki disse firme.

— Eu sei... — Nanami fez um bico.

— Misaki-chan! Nana-chan! Venham! — Sayuri gritou. Esse apareceu na porta da sala com uma colher de madeira em mãos e vestido com um avental roxo. Sayuri tinha conseguido arrastar Chizuru do quarto para ajudar a preparar o almoço.

Nanami suspirou. — Vamos. — Disse vencido. Contudo, antes que realmente fosse para a cozinha, Minky entrou na casa chorando e logo atrás veio Yamato com Shou ferido em seus braços.

Os quatro ninshins rapidamente tomaram a sala desesperados.

— O que aconteceu?! — Chizuru perguntou aflito.

— Nana... Meu papai. —Minky disse em prantos, ao que jogou-se nos braços de Nanami, que o acolheu com carinho. Nanami o levantou com cuidado em seu colo , tendo as pernas dele rodeando sua cintura.

— Shii! Está tudo bem. Shou ficará bem, não é verdade tio?! — Nanami perguntou como uma forma de consolar Minky e ele mesmo.

Yamato detinha uma dura expressão, mas seus olhos brilhavam com medo. — Isso mesmo Nanami! Foram apenas cortes leves... O Alfa achou melhor ficarmos aqui. Podem nos indicar algum quarto? Preciso cuidar dos ferimentos de Shou.

Misaki foi o primeiro a se prontificar. — Podem ficar no meu quarto. Venham! Say-chan, você pode trazer a caixinha de primeiros socorros? Chizu... Por favor cuide da comida. Nana... você fica encarregado de acalmar Minky. — Ele deu as ordens e todos assentiram, rapidamente obedecendo. — Por aqui! — Guiou Yamato para o segundo piso da casa.

Shou aninhou-se contra o forte peitoral de Yamato. Seus ferimentos eram leves, porém o emocional estava conturbado. A ideia de que Young tinha voltado e queria roubar seu menino... Fazia sua alma sangrar em desespero.

–oo0oo-

— Ei... Alguém! — Seiji gritou. Mesmo da prisão no subterrâneo, ele podia ouvir os gritos lá fora e ordens sendo dadas, o que isso significava que algo não estava certo. Estava tão preocupado com seu Chizuru. Queria ir socorrê-lo, mas não podia fazer nada. Não com aquelas correntes de prata envoltas em seus pulsos e tornozelos, além de estar naquela prisão altamente protegida.

Seu corpo inteiro latejava de dor – como Were normalmente seu corpo curaria rapidamente – mas devido as correntes, as feridas das chibatadas não iriam curar enquanto não se livrasse delas.

— Ei... Me diga... O que está acontecendo lá fora? — Implorou ao primeiro guarda que apareceu.

O sentinela olhou penalizado para o beta. Ninguém ainda acreditava no que Seiji tinha feito. Mas o Alfa fora firme na ordem de não deixarem, em hipótese alguma, ele sair.

— Me diz... Por favor...

— Eu... Não sei bem. Mas ouvi os executores chamando todos os sentinelas para irem ajudar na Vila. Algo como vários incêndios. — O Sentinela contou em um sussurro cuidadoso. Ele olhava para todos os lados do corredor.

— Por que não vai conferir? Não serei capaz de sair daqui. Deve estar preocupado com sua família. — Seiji falou.

O guarda olhou para ele esperançoso, mas voltou a abanar a cabeça. — Não posso! Tenho que ficar aqui. Sei que o Alfa e beta protegerão a todos. Confio neles. — O sentinela disse por vencido.

— Merda! A Vila está em caos e eu aqui… Sem poder fazer nada! — Seiji grunhiu frustrado. Seu coração apertava, na menor ideia de que Chizuru poderia estar em perigo. Tinha que rezar para que a situação fosse contornada.

–oo0oo-

A correria era total em Akai. Ryo juntamente com alguns sentinelas, tratavam de guiar os cidadãos para a tenda do conselho ou para a praça cental, onde ficariam fora do alcance do fogo e dos destroços. Precisava colocar todos em segurança, e então lidariam com o inferno quente.

Alguns varões estavam feridos, pois na hora em que o fogo se alastrou, se arriscaram para salvar os idosos, as crianças e os ninshis. Outros varões ajudavam a salvar aqueles que ainda estavam perdidos no fogo.

Os demais sentinelas, seguindo a liderança de Kensuke, esforçavam para pegarem água do poço e tentar controlar o fogo. Não sabiam ao certo como começou, mas tudo indicava que fora em uma das lojas, e como mágica, foi se espalhando por várias casas.

Infelizmente, Shou era o único curandeiro da Vila, e com ele ferido, Naoki estava ajudando arduamente, com tudo o que sabia e seus poderes. Agilizando o processo de cura em ferimentos mais graves ou tentando localizar ainda se havia pessoas em perigo.

Gritos, choro e medo tomavam conta de todos.

As casas e lojas do sul de Akai foram consumidas pelas chamas ferozes e indomáveis.

Kensuke tremia de raiva, mas continha seu lobo com todo o esforço possível. Não podia acreditar que as coisas saíram inteiramente de seu controle. Algum mal pairava sobre Akai e fazia suas maldades, mas não conseguia colocar um dedo sobre quem poderia estar fazendo isso. Pelo rápido relatório de Yamato, o mesmo tinha dito que Young ameaçou Shou. Mas esse havia sido banido da vila há cinco anos, e não achava que seria louco de retornar para ser morto.

— Alfa! Alfa! — Um sentinela veio correndo em sua direção.

— O que foi? — Kensuke indagou, após jogar um balde d’água no verejão. Totalmente arruinado.

— Alguns guardas me disseram que avistaram ogros ao leste. Em uma hora chegarão a vila! — O jovem lhe contou ofegante.

Os olhos de Kensuke arregalaram. Oh maravilha, era tudo que precisava. Um ataque de monstros nojentos. — Tem certeza disso?

O sentinela assentiu.

— Porcaria! Apaguem isso. — Gritou para alguns dos soldados, então saiu em busca de Naoki, achando-o terminando de curar um idoso. — Temos problemas!

— Jura? Nem percebi. — Naoki respondeu com seu humor-negro. Ele se levantou e encarou o genro.

Kensuke grunhiu. — Fui informado de uma possível ameaça de... Ogros. Acha que você e Key conseguem colocar alguma barreira ao redor de Akai? — Pediu desesperado. Incêndios, feridos e agora ogros. Desse jeito Akai não veria o próximo dia.

Naoki coçou a nuca, em dúvida. Olhou ao redor procurando por seu aprendiz, o encontrando ajudando algumas crianças ao lado de Megume, enquanto Maiko colocava mais uma criança no chão, após ser regatada com sua família da casa em chamas.

— Barreira... Não creio que dê certo! É uma magia complicada, e pela força dos ogros... Não duraria por muito tempo. O que posso fazer é teletransportar as crianças, ninshis e idosos para Masao ou algum lugar seguro. — Sugeriu.

Kensuke sentiu tudo fugindo mais ainda de seu controle. — A caverna. Na floresta existe uma grande caverna sagrada. Lá maldade não pode penetrar. Talvez devessem mandar os mais fracos para lá.

Naoki afirmou com a cabeça e foi à procura de Key.

Enquanto deixava seu sogro garantir a segurança das crianças, idosos e ninshins, Kensuke foi atrás de Ryo, o informando da situação. A ordem era resgatar a todos e leva-los até a praça central, esquecer das casas e lojas, e se concentrarem em salvar a todos.

Rapidamente organizaram uma barricada ao leste para retardar os ogros, enquanto levavam todos à praça. Naoki e Key os levavam em teletransporte para o norte de Akai. Kensuke pensou em seu amado, mas sabia que a barreira ao redor da casa aguentaria um pouco mais.

Ordenou a três sentinelas para separarem comida, água e cobertores, para que depois que todos fossem levados em segurança até a caverna, Naoki pudesse enviar os suprimentos para eles se estabelecerem.

–oo0oo-

Após cuidarem dos ferimentos de Shou, acalmar Minky e terminarem o almoço, todos se reuniram na cozinha para comer, mas antes que começassem, a voz de Kensuke fez presente.

— Nanami! Gatinho, venha aqui.

O loirinho largou os hashis na mesa e se levantou abruptamente. Arqueando uma sobrancelha. — Eu vou ver o que Ken-chan quer... Já volto. — Disse, ao que saiu rapidamente da cozinha e seguiu para a sala de estar. Não sabia explicar o porquê, mas sentia certo medo fazer parte dele naquele momento. Algo não parecia certo.Nanami abriu a porta da entrada, ao que uma voz interior gritou‘não!’ e o fez parar... Permanecendo próxima a proteção da barreira que regia ao redor da casa, inclinou a cabeça para o lado e encarou seu marido. — Ken-chan? O que foi? Acabou?

O Alfa estava com as vestes rasgadas e os cabelos soltos, suado pela árdua batalha. — Venha aqui! — Pediu estendendo a mão para que esta fosse aceita por Nanami.

O gatinho sentiu um certo estremecer percorrer seu interior. Olhando, parecia totalmente seu amado, mas algo lhe dizia para não confiar nele. — Mas... Você me disse... Para não sair em hipótese alguma.

Kensuke grunhiu nervoso. — Eu disse realmente, mas estou mudando as coisas agora. Estamos sendo atacados, então... Tenho que te levar para longe daqui. Venha logo! — Disse autoritário.

Os olhos de Nanami se arregalaram em surpresa pelo tom de voz do Alfa. — Vou chamar os outros! — Falou se virando, mas um baque o fez gritar. Ao se virar de volta, Kensuke estava com a mão aberta e uma fumaça negra escoando dela. — O-O que... Vo-você não é meu marido. Mesmo quando faço travessuras, Kensuke... Jamais faria algo assim! — Sem contar que Kensuke não costumava usar magia. Talvez ele nem soubesse como usá-la.

O falso Alfa grunhiu de raiva e uma esfera negra surgiu novamente ao centro de sua mão, crescendo em grandes proporções. — Venha aqui agora sua puta! — Gritou ele, ao que lançou a bola de energia negra em direção ao casarão, mas a mesma se chocou contra a barreira e desfez.

Não demorou em que os demais aparecessem na porta. Todos desesperados e assustados com o barulho. Saindo para a varanda, Yamato tomou a frente, enquanto Shou abraçou seu filho protetoramente. Chizuru e Sayuri ficaram pertinhos um do outro, medrosos. Ao que Misaki segurou firmemente a mão de Nanami.

— Você não é Kensuke! Vá embora. — Nanami gritou.

O farsante gargalhou. Sua forma então mudou, ao que seus cabelos encurtaram, os olhos mudaram de cor e sua estatura diminuiu... Não demorou em que a pessoa de Isamu surgisse.

— Não creio que o maldito mago bonzinho colocou uma barreira de proteção! — Isamu lamentou entre os dentes, mas em seguida sorriu com um jogo em mente. — Por que será que quando me disfarcei de beta, vocês imbecis acreditaram? Ah! Tenho que concordar de que o gatinho safado é mesmo especial. Espero que se não morrer na hora de extrair o Oni, a bruxa o dê para mim. Vou adorar comer sua linda bundinha branca. Será que geme manhoso?

Nanami fechou as mãos em punhos ao ouvir as palavras daquela boca imunda. Sabia! Tinha de ser aquele idiota, para ser culpado por toda aquela confusão na vila. Ele olhou para Chizuru, que estava de olhos arregalados, mal acreditando o que ouviu. — Seu monstro! Vá embora ou acabarei contigo! — Ameaçou o gatinho, tendo seu rabo espichando.

Yamato segurou Nanami, que na sua raiva, quase caiu fora da proteção. Sabia que era essa a intenção de Isamu, retirar Nanami da barreira e para então raptá-lo.

— Não ouse falar assim de Nanami! — Misaki gritou. Ninguém falaria mal do gatinho. Nanami tinha a aura mais linda que conhecia, e ninguém a mancharia, nem mesmo com palavras.

Mas o sorriso não deixou a face de Isamu. — Uau! Que papai mais bravinho. Decidi, vou querer o pai e o filho. Será uma combinação deliciosa. — Disse lambendo os lábios.

— Ele... Não era... — Chizuru ainda gaguejava em murmúrios, se recuperando do choque. Ele apertou a mão de Sayuri, e este acenou com a cabeça, afirmando que havia entendido o mesmo.

Um estrondo pôde ser ouvido ao longe e todos ficaram curiosos para ver do que se tratava, mas a parede de fumaça negra que subia ao céu impedia. O sorriso de Isamu aumentou. — Acho que meu presente chegou. Um exército de apenas ogros, cinquenta deles. Será que os lobos darão conta de todos eles?

Os olhos de Nanami se arregalaram. — Kensuke... — Murmurou o nome daquele que amava. Queria ir ao encontro dele, protegê-lo... Porém era esse o desejo de Isamu naquele momento, uma oportunidade perfeita, e não podia arriscar.

— Meu Kensuke é forte! Em dois tempos acabará com esses ogros nojentos e virá chutar sua bunda gorda.

Isamu gritou de frustração. Novamente voltou a reunir energia negra na palma de sua mão, e em várias sequências, atacou por toda a barreira. Os residentes dentro proteção mágica, segurando onde podiam, enquanto a casa tremia toda diante do ataque.

Yamato sacou sua espada. — Nanami, leve todos para dentro. — Ordenou. Precisava rezar para que Naoki aparecesse e levasse todos com sua magia dali. Seu irmão devia estar interligado à barreira.

— Mas tio...

— Agora! — Yamato disse firme.

Nanami não queria fazer isso, porque em seu coração sentia que dentro de casa era ainda mais perigoso.

Me use... Posso eliminar esse asno. Uma voz interior o assustou. Nanami sabia que se tratava do Oni. Não sabia se era capaz de controlá-lo. Da última vez que o usou, quando salvou Kensuke, perdera a consciência, e agora não era momento.

Nanami levou a mão a altura de seu coração quando um aperto forte o pegou, sentindo suas costas arderem, como se pegassem fogo. Sabia que provinha da grande tatuagem de tigre que tomava as suas costas por inteiro.

Seguindo seus extintos no automático, largou a mão de seu pai e passou por seu tio. Yamato tentou impedí-lo, mas quando tocou em Nanami, rapidamente retirou sua mão, pois a pele do garoto parecia queimar.

O gatinho atravessou a proteção e aproximou-se de Isamu, ficando a pouco menos de três metros de distância.

— Oras, se o gatinho tem coragem... Seja um bom bichano e venha comigo. — Isamu ordenou se vangloriando.

— Nanami, não! — Misaki gritou, sendo segurado por Yamato. O loiro mais velho sentiu extrema dor em seu coração, como se ele fosse explodir. Era seu dever proteger Nanami... Tentou o seu máximo para ir atrás do pequeno, mas Yamato não deixou. — Não! Me solte... Tenho que...

Nanami estreitou os olhos em Isamu. — Seu... Vai pagar por ferir minha família... Atacar minha vila.

Isamu soltou uma sonora gargalhada. — Seu amaldiçoado. Aqui não é e nunca foi sua vila. Ninguém nunca o quis de verdade. Foi rejeitado por seus próprios pais. Um feiticeiro e outro desmemoriado. — Apontou para Misaki, e instantâneamente o loiro sentiu uma imensa dor de cabeça, que o fez gritar.

Nanami escutou com terror o grito de seu pai, mas não ousou a desviar os olhos de Isamu. Deixe-me acabar com ele, pequeno. O Oni tigre falou em sua mente.

O gatinho sentiu certa magia rodeá-lo. Seus caninos apontaram – maiores e mais afiadas do que um gatinho pequeno – suas garras mortais cresceram... As íris de seus olhos se tornaram verticais e tatuagens tribais surgiram em seus braços, pescoço e pernas.

— Nunca... Nunca mais vai machucar as pessoas que são importantes para mim. Não vou deixar que nos manche com seu ódio e maldade. — Nanami ditou entre os dentes. Sua voz saiu surreal, era como duas pessoas falando ao mesmo tempo. A suave de Nanami e a rouca do Oni.

Isamu arregalou os olhos. Um sorriso adornou seus lábios. — Uau, então é esse o poder que a velha tanto quer!? — Ele ergueu a mão e deixou a energia negra formar outra esfera. — Vamos brincar gatinho.

Ele atirou a esfera contra Nanami, mas o loirinho apenas ergueu a mão e a energia negra se dissipou.

Isamu acabou caindo de bunda para trás. Se sentiu ser esmagado pelo poder que parecia crescer cada vez mais ao redor de Nanami.

O gatinho aproximou-se lentamente do lobo asno, apontando o dedo para ele. Sua expressão era medonha. — Que seus poderes o suguem... Que seus sentidos desapareçam... E que seu lobo o abandone. — Ditou, e então uma luz rosa deixou seus dedos – e como bala de fogo – acertou a testa de Isamu.

O lobo ficou paralisado, incapaz de se mover.

Outro grande estrondo ecoou por toda a floresta, chamando a atenção de Nanami. Este olhou convicto para onde ocorria a briga dos lobos e ogros, já que enxergava melhor do ponto em que estava, então apontou com a palma da mão. — Voltem a onde pertencem! — Murmurou, ao que depois retornou sua atenção a densa fumaça. — Que a natureza cuide de ti!

De repente começou a chover.

A pequena plateia na varanda da casa assistiram tudo abismados, ao que Misaki havia perdido a consciência e era segurado pelos braços de Yamato.

Nanami retornou sua atenção a Isamu, ao que ergueu a mão novamente, fazendo o lobo se desesperar.

— Não! Eu... Não…! — Gritou medroso. Foi quando ele fechou fortemente os olhos, que uma nevoa negra tomou, fazendo-o desaparecer diante dos olhos de todos os outros.

Aos poucos a aura rosada, as tatuagens negras, as garras e os caninos de Nanami normalizaram, deixando o loirinho um pouco zonzo. Suas pernas fraquejaram, e antes que caísse ao chão, braços fortes rodearam seu corpo e sustentaram seu corpo. Ele olhou para cima e sorriu docemente. — Ken-chan, por que demorou tanto?

–oo0oo-

Em meio à floresta densa, em uma parte específica, aonde luz nunca atingia, e a escuridão tomava forma, era onde a feiticeira Korina fazia seu esconderijo. Assim como uma bruxa, ela se deixava ser bem escondida com uma barreira que cercava seu pequeno acampamento sombrio, e o protegia de cheiros e olhares.

Ninguém nunca os escontrou ali. Nem depois de tanto tempo.

Suas barracas eram velhas, mas serviam bem. A fogueira se apagou quando a chuva iniciou. Por sorte, ela vestia um manto, que a protegeu parcialmente da água.

Quando suas garras nojentas se abaixaram, a nevoa negra se dissipou, surgindo Isamu, assustado e perdido.

— V-Você me salvou! — Ele parecia aliviado, ao mesmo tempo em que assustado com o fato que fora morto pela besta. Mas talvez ele estivesse diante de uma pior agora.

Korina não era uma doce mulher. Ela era uma bruxa velha, toda sua pele, dos pés a cabeça estava enrugada aparentando acima dos cem anos. Haviam verrugas por toda parte e seus cabelos eram falhos, grisalhos e embaraçados. As joias que usava, lembravam mais ao vudu. Suas costas eram encurvadas e seu kimono se encontrava velho e gasto. De cor roxa, como o esmalte manchado de suas garras sujas.

— Você sabe bem o que fez… Em parte me foi útil, mas ainda sim fracassou. Seu pedaço de merda. — Ela grunhiu, virando as costas e entrando em sua barraca.

A imagem do interior do barracão era a verdadeira imagem de uma bruxa maldita. Calderões tomavam o centro do local, alguns maiores, outros menores, todos fervendo líquidos de cores distintas. O fogo abaixo deles era negro, como sua própria magia.

Haviam cabeças de animais dependuradas enquanto abaixo delas, jarros de barro colhendo o sangue dos mesmos. Uma série de estantes improvisadas, feitas de bamboo estava carregada com poções, algumas borbulhavam dentro dos vidros, outras detinham uma série de esquisitices misturadas.

Cortinas rasgadas separavam uma área do barracão reservado para os escravos. Aqueles seres que Korina mantinha enjaulados. Todos os enfeites eram do pior gosto, e excepcionalmente assustadores.

Isamu engoliu em seco quando entrou. Ele estava cansado depois de ter utilizado tanta magia. Afinal, ele não era um mago, mas ele podia disfrutar do poderzinho quando lhe era oferecido.

— Eu fiz a bagunça. A vila está em chamas… — Bem, não agora que começou a chover tão de repente. — O que mais você queria?! — Reclamou Isamu.

Korina virou seus olhos violeta para ele, carregados de maldade e tanta frieza que o fez tremer.

— Eu quero o garoto, já lhe disse. — Respondeu a bruxa com sua voz enferrujada. — Passei tantos anos sofrendo com essa maldita aparência que não me pertence… Tentei tantas poções, feitiços, magia para voltar a ser como era. Mas a única maldita coisa que me resta, é o poder daquele Oni. — A bruxa voltou ao seu caldeirão, remexendo um líquido espesso e arroxeado.

Isamu mordeu seus lábios. Aquela maldita bruxa só sabia lhe usar. Pelo menos ele sorriu com o que havia feito. Por um lado estava satisfeito… Akai estava em ruínas. Tinha certeza que muitos morreram naquele incêndio e ainda mais com o exército de Ogros que ele negociou para a destruição, contudo ainda faltava uma coisa.

Seu pagamento.

— Ei Korina… — Isamu começou, chacoalhando seus cabelos encharcados. — Você queria que Akai fosse destruída. Eu fiz, agora eu quero que me pague. — Disse convicto. Esperava que ela o libertasse.

— Te pagar? — Ela se virou para ele, olhando-o desafiador. — Você não cumpriu minha meta, que era ter o maldito garoto. Primeiro Maiko… Agora você! Seu inútil, desprezível! — Em um manear dos dedos da bruxa, fitas de couro surgiram de alguma parte, se enrolando nos tornozelos e pulsos de Isamu.

— Mas o que é isso?! — Isamu gritou, tentando inutilmente se soltar das amarras. Estava tão apertado que prendia o seu sangue.

Korina caminhou até ele, suas roupas molhadas se arrastando no chão de terra.

— Você já me serviu… Como havia dito, pelo menos Akai foi para baixo. — Uma fina risada retumbou em sua garganta. — Mas você teve sua chance… Chance de me conseguir Nanami, porém falhou… Sua maldade não me é suficiente… Um lobo inútil com sede de vingança por seu próprio povo não pode me servir por mais tempo. — Sua voz falhada estava fazendo Isamu ter arrepios e tremer naquele olhar gélido em cima dele. Ainda mais quando a língua daquela mulher, comprida e separada em suas pontas saiu para fora como a língua de uma cobra, quase tocando seu rosto.

Isamu havia sido rancoroso desde que se lembrava por gente. Seu coração nasceu assim… Mas ele não era um simples servo, embora cresceu dessa forma. Sua verdadeira origem estava ali em sua frente. Aquele monstro enrugado que era quem o colocou no mundo. Nunca conseguiu acreditar realmente que aquela velha bruxa fosse sua mãe.

Claro que a verdadeira aparência dela não era aquela, contudo a sua maldade e sua magia a condenou a ser. Os motivos daquela maldição, Isamu nunca soube. Ela nunca quis lhe dizer.

Cresceu sendo negado, em parte por seu pai, o antigo Alfa de Akai, que nunca admitiu que realmente fosse o seu filho. A amargura no coração de Isamu, de ser mais velho do que Kensuke, e de nunca ter sido reconhecido por seu sangue Alfa. O Ancião Chao, sempre o olhou com frieza, e nem mesmo quis por vezes, lhe dirigir a palavra.

Isamu, então cresceu com seu objetivo principal de vida, como ter a vingança por ser esnobado daquela forma. Sua mãe, a bruxa maldita, foi quem lhe permitiu isso, mas ela mesma, também foi um dos motivos por ele ser tão mau e rancoroso. Ela nunca o olhou como uma mãe, apenas como um traste. Ela nunca cuidou dele, apenas o tratou como um escravo. O fez cometer maldades, matar pessoas… Ela era a raiz do mau. Porém Isamu não se importava mais com seu destino ou qualquer coisa que fosse posto em seu caminho.

— O que importa… É que Akai se foi… — Isamu murmurou e então começou a rir, até se tornar um riso histérico e a mão de sua mãe lhe bater o rosto tão forte, para fazer sua boca sangrar.

— Bobagem! Ainda não acabou, não grite vitória antes de me trazer o maldito garoto. — Ela ditou duro e se virou, indo até seu caldeirão. — Você terá o seu castigo, e não quero ouvir choro ou resmungo. — E em um simples mover de mãos, um chicote flutuou e passou a desferir chibatadas nas costas cobertas de Isamu. O mesmo gritou e olhou-a com ódio. — Nós vamos atacar à meia noite, quando eles estiverem mais vulneráveis. Eu já tenho um plano infalível para isso. Desta vez eu terei o meu Oni, minha juventude, e a extinção dos malditos lobos negros.

–oo0oo-

Yunsuke e Yoshikazu caminharam lado a lado para fora do palácio quando a notícia havia chego aos seus ouvidos. Naoki havia aparecido mais cedo, os informando de como os lobos negros haviam sido atacados e a maior parte da cidade havia sido destruída graças a um inferno de incêndio que ninguém soube dizer qual foi a razão. Porém em seguida, com um ataque de ogros pela ala leste, era óbvio que havia sido de propósito.

Yoshikazu não sabia de quem suspeitar. O local onde Akai estava era a uma montanha de distância de Masao. E as demais aldeias de outras espécies, ficavam mais ao norte, porém ainda mais longe.

Quem iria querer iniciar uma guerra para disputar terras? Não havia lógica. Provavelmente alguma vingança que estava tomando Akai a baixo.

Ambos entraram no escritório e Yoshikazu cerrou as portas.

— Teremos de enviar soldados nossos para ajudá-los com a reconstrução da vila. — Yunsuke se sentou em uma poltrona de couro negro. Yoshi o seguiu e se sentou em outra, tomando uma lista de cima da mesa.

— Posso enviar uma quantidade razoável de sentinelas gatos para ajudarem os lobos, mas não o suficiente. Se lembre que como eles estão sendo atacados sem motivos, igualmente podemos ser atacados também. — Yoshikazu verificou a lista que já havia sido feita por Yunsuke com a quantidade de soldados que seriam enviados para Akai Ito.

Yunsuke suspirou e torceu as mãos, estalando os dedos. — Tem razão, pai. Já que me deixou no comando, mesmo sem a coroação que será em breve, ordenarei a Roan que redobre a segurança ao redor da cidade e mantenha as pessoas calmas, porém em alertas sobre qualquer ameaça que ocorrer.

Yoshikazu acenou. Não era exatamente uma questão política, mas certamente eles estavam correndo perigo. O povo, que agora era como irmão deles, estavam sendo atacados por uma força desconhecida.

Se no passado, Akai era um povo inimigo, depois do tratado de paz, agora eles eram como seus irmãos. Lobos e gatos tinham o direito de viver em harmonia.

— Temos uma área isolada em nosso território que pode servir como um ponto para ser feito um acampamento. Temos algumas construções que não foram habitadas ainda, e podem servir para mantê-los até que se estabeleça essa guerra. —Yoshikazu disse a seu filho, mais como um ensinamento.

Yunsuke o olhou com surpresa.

— Eu não sabia de uma area assim aqui. — Admitiu.

Yoshikazu sorriu para ele.

— Não se preocupe. Estaremos juntos e irei ajudá-lo a aprender tudo sobre como governar. Não vou deixá-lo liderar sozinho caso tenha alguma dúvida. Porque somos uma família.

Yunsuke sorriu e seu sorriso ampliou mais ainda quando Shuichi apareceu na porta afoito, com um bebê pequenino em seus braços.

— Yun… Yunsuke! — Shuichi se endireitou e disse firmemente. — Os seus antigos empregados começaram um protesto nas portas do palácio. Eles estão exigindo uma explicação por terem sido demitidos.

Yoshikazu olhou para seu filho maior, percebendo como o mesmo empalideceu.

— Foi uma decisão correta de trocar os funcionários desta casa. Temo que alguns deles inclusive estavam trabalhando para Hachiro.

Embora o velho conselheiro estivesse morto, sabe-se lá o que as pessoas que trabalharam para ele poderiam fazer no futuro, ou por vingança. Mas depois do que ouviu deles, da maneira como trataram Shuichi, mereceram o castigo.

Yunsuke se levantou convicto, já sabendo exatamente como agir. Seu pai não quis interferir, porque tinha confiança plena em seu filho como líder. Ele o criou bem e conhecia seu coração.

A familia real, escoltada por alguns guardas, foram até a sacada, acima dos portões de entrada do palacio. Havia uma quantidade razoável de pessoas, os antigos funcionários do Imperador. Além de outros cidadãos que vieram curiosos, tumultuando ainda mais o protesto.

As pessoas gritavam frases de indignação como:

“Por que nos mandaram embora?”

“Qual razão vocês tinham para isso?”

“Somos pessoas honestas, merecemos respeito!”

“Queremos nosso emprego de volta!”, e até frases como “Principe Shuichi é uma desonra!”

“Não queremos Yunsuke como nosso imperador”

“Um ninshin não merece a posição que tem!”.

Yunsuke apertou suas mãos em punhos, olhando para Shuichi que o encarou com olhos lacrimejantes. Yuuri choramingou com a gritaria, porém seu progenitor tentou acalmá-lo com o carinho paterno.

Yoshikazu se colocou a frente e ergueu suas mãos, tendo o respeito de todos para calarem a boca.

— A coroação irá acontecer daqui uma semana. Como todos sabem, Yunsuke é meu herdeiro e possui o sangue real. Foi altamente treinado para se tornar um grande Imperador para a nossa nação que cresce tão bem e pacífica.

Yunsuke se colocou ao lado de seu pai e preparou sua voz altiva.

— Eu posso explicar muito bem o motivo da demissão. — Ele começou e todos que vaiaram para ele, então se calaram com o olhar duro do novo Imperador. — Eu sinto muito que vocês tiveram que sair do meu palácio. Mas não aceitarei que pessoas que não aceitam meu relacionamento com minha alma gêmea, vivam sobre o mesmo teto que nós.

Um murmurar começou, todos cochichando suas indignações, porém Yunsuke continuou. — Masao é uma cidade que cresce a cada dia. Juro por minha vida que darei o meu melhor como líder e irei cuidar do bem estar de todos e ajudar aos que precisam. Meu Reino será justo, portanto aqueles que não aceitarem minha família como é e questionarem minha vida pessoal e a de Shuichi, não merecem o meu respeito.

Com isso o silêncio afundou sobre as pessoas. — Quero somente pessoas de confiança em meu castelo, mas ainda sim não deixarei ninguém ficar desamparado e todos terão seus afazeres na comunidade sem que haja injustiça. Mas volto a repetir, quero que me respeitem como seu líder e respeitem a minha família, assim os respeitarei de volta. O que mantém nossa cidade erguida é o respeito que um tem pelo outro, isso nos faz grandes, por isso sejam conscientes.

Yunsuke não ouviu qualquer murmúrio ou protesto que se seguiu, pois dito o que disse, adentrou de volta para casa com sua família.

Roan os recepcionou já dentro do palácio.

— Roan, preciso de alguns favores. — Yunsuke beijou Shuichi em sua bochecha e beijou a testa de seu filho que voltou a dormir quando tudo se acalmou. — Primeiro de tudo… — Se dirigiu a um dos novos conselheiros, um rapaz jovem, mas muito capaz. — Quero que providencie uma listagem de todas as vagas em aberto para preenchê-las com os antigos funcionários do castelo. — Mesmo que Yunsuke ainda sentisse ódio pelo que eles disseram de Shuichi, eles ainda faziam parte de sua população e não era lógico que os expulsasse da cidade. Masao tinha de crescer uma cidade pacífica e justa, e ele seria o lider ideal para eles.

–oo0oo-

Nanami estava acordado, mas ofegante. Suas costas estavam ardendo, e o seu coração doía no peito como se algo muito pior do que ter sua vila destruída, fosse acontecer.

— K-Ken-chan… — Clamou por seu marido. O mesmo com o olhar preocupado acariciou o seu rosto, enquanto Nanami se contorcia no futon de seu quarto.

Shou entrou no recinto, se sentindo um pouco melhor e mascarando as suas emoções. Ele não era um fraco como provavelmente estava o seu interior, mas tinha de dar o seu máximo para ajudar aqueles que amavam e cuidar de sua familia. Akai precisava dele muito mais agora depois de uma tragédia tão grande.

Era noite e a chuva havia cessado. A bagunça tinha sido feita e lá estavam todos desolados na casa do Alfa, ao menos do circulo interno e familiares, enquanto o restante da Vila estava na caverna onde tinha proteção, pelo menos por algum tempo.

— Tenho que avisar a Naoki que Isamu esteve aqui. — Kensuke comentou com seu beta Ryo que estava sentado sobre os joelhos próximo a eles. — Temos um alvo maior além de Isamu, tenho certeza que ele está trabalhando para alguém que quer nossa destruição. Seja lá quem for, conseguiu, mas pode voltar a atacar, caso seu desejo seja nos exterminar.

Ryo assentiu.

A porta se abriu e Naoki correu todo molhado para dentro e escorregou feio no assoalho de madeira, caindo de bunda ao chão, muito próximo ao futon.

— Ouc! — Gemeu de dor.

Sayuri e Chizuru se assustaram, correndo para socorrê-lo. — Desculpe-me… — Naoki coçou a nuca, sorrindo. Mas não demorou em que ficasse sério novamente, quando encontrou o olhar de Nanami, que tentou sorrir para ele, porém parecia difícil da forma como ele se sentia. — Meu doce gatinho… — Naoki ditou. Misaki estava em um futon ao lado do que estava Nanami. Ainda permanecia desacordado, o que foi uma preocupação para todos eles.

Naoki fechou os olhos quando tocou em Nanami. Ele sentiu a pele das palmas das mãos queimarem, mas tentou suportar até entender o que estava acontecendo.

— Tiger… Ele quer sair… Ele não é um demônio maligno, apenas um ser mágico… — Embora fosse rotulado como um “Oni”. — Você tem que segurá-lo um pouco mais, Nanami. Precisa controlá-lo. — E Naoki o ajudaria, mas não sabia se teriam tempo suficiente para isso.

— Ele não é um demônio mau? — Kensuke perguntou surpreso ao seu sogro. Mesmo que Naoki aparentasse quase a mesma idade de Kensuke. Era estranho pensar nele e Misaki como sogros. — Mas... Na última guerra, este Oni provocou grande destruição.

— É verdade. — Naoki olhou bem para os olhos de Kensuke. — Mas ele não foi despertado por boas mãos. Isso explica porque este Oni quis tanto destruir tudo o que via pela frente. Gatos e lobos morreram, eu sei, parece brincadeira se eu digo para perdoá-lo, entretanto não foi tudo culpa dele, ele nem mesmo soube porque acordou daquela forma. Eu posso sentir, pois fui eu quem o selei em Nanami.

Os olhos de Kensuke, assim como de todos os outros no quarto se arregalaram.

— O que está dizendo? — Kensuke franziu as sobracelhas, mas levou um cafuné de Naoki que sorriu amplamente. — Ei!

— Pare de se preocupar. Ele não vai machucar Nanami. — Naoki se tornou sério de novo ao olhar para seu filho. — Mas Nanami precisa aprender a controlá-lo. Seu corpo não está se manifestando bem aos novos poderes.

— Poderes? — Sayuri se agachou perto deles, assim como Chizuru, curiosos.

— Sim. — Naoki sorriu para os outros dois ninshins. — Nanami já deve ter demonstrado alguns poucos dons sobrenaturais... Mas ele pode ter muitos mais dons se souber controlar o Oni dentro dele. Ele praticamente se tornou o dono dele e pode usá-lo da forma como preferir. Se eu não tivesse selado Tiger dentro dele, eu seria obrigado a matá-lo por ordem do Imperador. Ou os lobos teriam encontrado um meio de aprisioná-lo ou destruí-lo também.

— Isso é meio confuso, mas acho que entendo o que quer dizer. — Falou Kensuke. Ele tocava Nanami por cima das roupas, já que a pele do mesmo queimava como ácido.

— Então... — Começou Chizuru, sua voz suave e um pouco rouca. Ele não tinha dito quase nada o dia todo— Quer dizer que tudo o que está acontecendo... Os incêndios, os ataques, até mesmo quando Maiko estava sob chantagem e Megume prisioneiro... Era tudo sobre Nanami?

Naoki olhou bem para seu filho, acariciando o rosto dele com carinho, embora suas mãos já estivessem vermelhas. Nanami olhava para ele com dor, mas nada dizia.

— Não sei se tudo é sobre ele... Mas... É capaz que seja. — Concordou.

A porta de correr se abriu novamente, entrando Yamato, todo molhado e aparentando muito cansado. Kensuke se levantou e fez uma devida reverência, assim como o recém chegado.

— Temos sorte, Alfa. Não houve mortes, apenas feridos. Ninguém se feriu gravemente e demos conta de manter todos protegidos do fogo. Mas perdemos praticamente a maior parte da cidade. — Yamato relatou com pesar.

Kensuke sorriu e o puxou para um forte abraço apertado.

— Obrigado! Graças a você e a todos os guerreiros, todos estão bem! Isso é o que mais importa. A vida de todo o meu povo. — Kensuke então caminhou pensativo. — Naoki, você disse em Masao sobre precisarmos de ajuda? — O Alfa não negava que detinha seu orgulho por muitas vezes, mas não iria fazer com que este orgulho manchasse o seu povo que tanto necessitava de cuidados.

— Sim, Alfa. — Naoki se levantou politicamente. — Irei novamente a Masao para mais informações. Volto em quinze minutos. — Falou, ao que elevou a capa sobre ele e evaporou da sala.

— Eu ainda preciso me acostumar com isso... — Kensuke ergueu uma sobrancelha. Ele voltou a se sentar ao lado de seu esposo, zelando com carinho. — E você, trate de ficar bom logo...

— Uh, uh... — Nanami assentiu, mas sua expressão era de dor. Ele fechou os olhos desejando dormir.

— Acho melhor saírem, eu ficarei zelando pelo sono dele. Quero que todos preparem suas coisas, não vamos permanecer nessa área por muito tempo. — Kensuke avisou, e sem questionamento, todos reverenciaram e em seguida saíram do recinto.

Kensuke não se sentia bem pelo que estava acontecendo, certamente. Seu maior medo era que a qualquer momento eles fossem atacados de novo. E com Nanami adoentado e Misaki desacordado, fazia tudo mais difícil. Esperava que com a ajuda de Masao, eles pudessem sair dessa até encontrar um novo lugar seguro.

Um novo lar para Akai Ito.

Continua...

Notas finais
Miky-san: Olá queridos *-* Espero que tenham gostado do capítulo tanto quanto nós nos divertimos escrevendo-o! Obrigada por lerem! Tenham uma ótima semana e até o próximo domingo! Beijinhos