Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

44 Capítulo 44 – O plano de Nanami


Notas iniciais
Hannah Kisa Oh! Aqui está tão frio... Tremendo... Vou mandar o frio para vocês. Confesso, sem inspiração para falar... Então vamos direito ao ponto. Mais um cap quentinho e cheio de cenas tensas, quentes e fofas. Espero que curtam cada uma delas e não deixem de comentar. Domingo que vem teremos mais. E, cap especial a todas as mamães... Boa leitura!

Capítulo 44 – O plano de Nanami

Os pequenos pontos estrelares iluminavam a noite que se apossava de cada canto do reino, enquanto todos estavam recolhidos as suas casas e dormiam profundamente. Apenas poucos sentinelas faziam a segurança da Vila.

Mas algo peculiar acontecia na casa do Alfa, principalmente no quarto principal. No imenso futon, dois corpos estavam protegidos do frio pelo grosso cobertor. O homem de cabelos negros e músculos bem formados dormia diante do cansaço, mas murmurava rosnados e o nome de seu esposo em meio ao sono, porém o pequeno corpo se achava todo encolhido.

As pálpebras se moveram revelando as íris azuil claro e denunciando que seu dono não dormira, apenas fingia. Nanami empurrou o cobertor lentamente e sentou-se na cama. Espiou o marido, para confirma que Kensuke dormia profundamente.

Dando o melhor de si para não fazer qualquer barulho, o loiro saiu do futon e ficou de pé em meio ao quarto. Ele havia justo dormido com o pijama que era uma blusa de flanela e uma calça folgada, para que pudesse escapa. Ele tomou o roupão do pijama na com rosa escuro, que constatava com o rosa claro de seu pijaminha, e na ponta dos pés saiu do quarto.

Não chegou a fechar a porta, porque temia fazer ruído, então a deixou entreaberta. Lentamente seguiu pelo corredor. Se tivesse tomado à forma felina, seria mais rápido, mas Nanami não confiava plenamente em sua outra forma, poderia se distrair facilmente.

A bela casa estava mergulhada no silêncio.

Deixando Kensuke e Misaki dormindo, Nanami chegou com cautela na porta da casa. Ele abriu lentamente e saiu. Olhou ao redor, a Vila estava banhada pela obscura noite e isso fez o gatinho estremecer. Nanami odiava escuro, mas agora não era momento de ser medroso... Ele precisava fazer isso.

O loirinho olhou ao redor conferindo que não havia ninguém e então deixou a varanda da bela casa seguindo pelas ruas de Akai. Os braços finos rodearam seu corpo, buscando aquecer-se do frio noturno. Apesar de não nevar mais em Akai ou ter o branco cobrindo tudo, as noites ainda poderiam ser frias.

O rabo de Nanami espichou quando sentiu passos logo atrás de si. Ele virou pronto para encarar o ‘perigo’, contudo respirou aliviado ao deparar-se com seu tio.

— Achei que iríamos nos encontrar na prisão. — Nanami murmurou.

Yamato estava vestido com suas roupas de couro negras – como assassino treinado que era – tudo para passar despercebido. Bem, não adiantava muito vestir-se camuflado sendo que o sobrinho se achava todo rosa chamativo. Yamato arqueou uma das sobrancelhas ao analisar Nanami... Para outros poderia parecer que rosa era estranho e brega, mas a cor realmente ficava bem em Nanami... O deixava ainda mais adorável.

— Achei melhor acompanha-lo até lá. Por segurança. — Yamato disse. — Estamos mesmo fazendo isso?

Nanami afirmou com um aceno. — Vamos rápido! Tenho que voltar antes que Ken-chan perceba minha ausência. Ele tem mania de dormir abraçado em mim... Como se eu fosse uma espécie de ursinho de pelúcia. — Nanami comentou com as bochechas coradas.

Yamato sentiu os dedos formigarem para apertar o sobrinho. — Vamos! Eu ainda acho que isso tudo é uma loucura!

— Sim! — Nanami murmurou. Nada o faria mudar de ideia agora.

Eles seguiram lado a lado até a entrada da prisão. Não havia guarda aparente, pois Yamato havia cuidado do mesmo antes de ir encontrar-se com Nanami, colocando o sentinela da prisão para dormir.

Yamato deixou as garras de sua mão direita crescerem e abriu a porta da prisão. Ele olhou para dentro e entrou, permitindo que Nanami seguisse atrás dele. Ele jamais permitiria que seu sobrinho enfrentasse perigo. Yamato estava ali para que Nanami ficasse seguro.

Eles desceram o lance de escadaria improvisada, e logo chegaram a uma conexão confusa de corredores úmidos e estreitos. Yamato seguiu cauteloso e sendo guiado por seu olfato. Não demorou em que chegasse ao local que ficava as cinco celas, onde somente uma era ocupada.

— Seja rápido! — Yamato disse a Nanami. Ele ficou perto da porta, mas de forma que poderia avaliar quem aparecesse e igualmente ficar de olho em Nanami.

O loirinho aproximou cauteloso da cela onde Maiko parecia dormir. Ele seguiu as barras de aço e encarou para a figura do moreninho. As roupas e a pele alva se achavam suja de barro e fumagem. Outro ponto que Nanami percebeu fora o semblante triste de Maiko, mesmo no sono.

— Ei! Mai-chan... — Nanami chamou cauteloso. Ele viu quando o prisioneiro remexeu e seus olhos se abriram. Inicialmente Maiko olhou atordoado, mas logo ele sentou. Ao deparar-se com Nanami em frente à sua cela, seus olhos arregalaram, mas logo seu semblante foi tomado por raiva.

— O que faz aqui? Veio me dizer o quanto me odeia, veio jogar em minha cara que sou um traidor e não valho nada? Seu marido já fez, pode ir guardando seu discurso para si mesmo. — Maiko disse altivo, mas a verdade era que ver Nanami apenas aumentava seu martírio. O fazia lembrar o quanto mal fez àquele menino inocente e quanto esse o lembra de seu amado Megume.

Nanami olhou triste. Ele podia ver a dor dentro de Maiko, o quanto esse se achava despedaçado e procurava em sua condenação uma libertação desse sofrimento.

— Por que fez isso? Acaso a pessoa má o chantageou? — Nanami perguntou.

A respiração de Maiko falhou. Ele esperava xingamentos ou a raiva de Nanami e não essa pergunta.

— Ninguém me obrigou! O que queria? Você roubou meu noivo. — Maiko disse.

Nanami bateu o pé no chão e gritou. — Não minta para mim! — Os olhos de Maiko se arregalaram, mas não foi capaz de dizer nada. — Eu sei que isso é mentira... Está dizendo isso porque quer realmente morrer... Mas vai dizer a verdade! Agora!

Os olhos de Maiko umedeceram e não demorou em que as lágrimas debulhassem e traçassem caminhos pelo seu rosto sujo. Ele chorou como uma criança que tinha caído — deixando toda dor jorrar de seu peito.

Nanami não disse nada, apenas permitiu que Maiko derramasse toda sua dor e somente quando este pareceu mais calmo, e as lágrimas diminuíram, Nanami disse: — Fale!

Maiko se sentou com as pernas flexionadas e as abraçou contra o peito. — Eu... Há um ano atrás... Eu resolvi dar uma volta na floresta... Porque estava com raiva de meus pais em ficar querendo me casar com o filho do alfa... Era frustrante isso, mas foi então que ouvi um choro... E acabei procurando de onde vinha até que encontrei uma pequena raposa de pelos tão brancos como a neve... Ela estava ferida e isso apertou meu coração. Acabei a levando para uma cabana abandonada na floresta e cuidei dela por dias... Até que certo dia quando fui vê-la novamente... Descobri que a raposa tinha se transformado... E era o menino mais lindo e fofo que tinha visto...

Nanami escutava atentamente a historia de Maiko, mas por dentro perguntava-se o que isso tinha a ver com tudo que ele fez.

— Deve ficar me perguntando o que isso tem a ver... — Maiko disse. — O fato é... Os dias se passaram... E eu acabei me apaixonado por ele. Megume, era seu nome. Ele havia sido expulso de sua matilha por seus pais e o alfa, por acharem ele fraco! Porque seu povo achava que quem era fraco traria má sorte. Megume era fofo, gentil e alegre... E não pude evitar me apaixonar...

— Ele parece ser lindo! O que aconteceu com ele? — Nanami perguntou curioso. Ele acabou se ajoelhando em frente à cela, para ficar na mesmo altura de Maiko e ouvir mais atentamente.

— Depois de dois meses... Eu me declarei para Megume... E nós... Bem... Acasalamos... Foi tão perfeito. Eu então... O deixei dormindo na cabana após nos unirmos e fui contar aos meus pais que tinha encontrado o amor da minha vida... Mas... Meus pais tinham oficializado meu noivado com o Alfa... Eu fiquei com tanta raiva... Disse que não me casaria com Kensuke... E então fugi. Decidi que iria para longe com Megume! Seriamos felizes em outro lugar... Mas... — A voz de Maiko falhou. — Quando voltei à cabana... Megume tinha sumido... E tinha somente... Isamu!

— Isamu? Aquele que era seu amigo? — Nanami ficou confuso.

— Sim! Ele dizia ser servo de uma bruxa poderosa, e que ela havia levado Megume... Que... Se não fizesse tudo que ela queria... Mataria Megume. Eu disse que não acreditava... Mas ele mostrou uma mecha do cabelo de Megume... Como prova... — Maiko disse. Seu coração doía ao lembrar-se de sua raposinha... Seu amado que estava morto.

— Oh não... Esse Isamu é um vilão? Ele sabe onde esta Megume-chan? — Nanami perguntou.

A compreensão de Nanami fez o coração de Maiko apertar, e a culpa de ter tentado ferir aquele menino somente aumentou. — Sim! Mas não me diriam... Assim, voltei à Vila... Aceitei o noivado com Kensuke. Um tempinho depois você apareceu... Kensuke acabou noivando com você... Mas a bruxa disse que fazia parte do plano. Então, ela me mandou fazer tudo o que fiz... Não sei porquê, mas lhe quer muito Nanami...

Nanami o olhou confuso. — Eu não entendo... Não sou ninguém especial... Por que a mim? Será por que meu papai é um bruxo?

Maiko olhou pensativo. — Não sei! Ela nunca disse... Na verdade, a via poucas vezes... Na maioria, meu contato era Isamu! Mas então... Isamu me denunciou a Kensuke. Eu acho que é porque não sou mais útil para bruxa... Ou seja, meu Megume... — Maiko soluçou. — Meu Megume morreu...

Nanami sentiu seu coração apertar. Era tão triste aquilo. Maiko e Megume se amavam, mereciam ficar juntos. — Ou ele fugiu! De repente ele fugiu! Não pode perder as esperanças!

Maiko olhou para Nanami e sorriu. — Não!

— Não vou deixá-lo desistir. Vou ajudá-lo! Precisa contar à Ken-chan isso! — Nanami se levantou.

— Não! Mesmo que conte, ainda serei condenado... Porque mesmo obrigado, eu fiz mal a você... É a lei da matilha. — Maiko disse firme.

— Uma lei estúpida! Não se preocupe. Vou tirar você daqui e encontraremos Megume! Ele deve estar vivo. — Nanami respondeu firme.

— Nanami, não pode prometer as coisas assim! — Quem disse fora Yamato, que ouvira toda a historia. — Mesmo que o Alfa faça tudo por ti, duvido que isso ele cederá.

— Apenas temos que provar para Ken-chan! Não preocupe. Say-chan chegará amanhã e irá nos ajudar. Posso pedir ajuda de meu pai Naoki! Ele é um bruxo forte e certamente ajudará. — Nanami falou empolgado. — Seja forte! Irá sair daqui em breve.

— Vamos logo, antes que o alfa descobra sua fuga. — Yamato pediu preocupado.

Nanami despediu-se de Maiko prometendo que o ajudaria de todo jeito possível, então saiu da prisão acompanhado de Yamato. Os dois seguiram em silêncio pelas ruas de Akai.

— Obrigado pela ajuda, tio! — Nanami agradeceu ao seu tio quando chegaram próximo a sua casa. — E, por favor, não conte a ninguém!

— Apenas não contarei desde que não faça nenhuma loucura. Apenas conte para Kensuke e o deixe decidir. — Yamato ditou.

— Ok! — Nanami aceitou, mas cruzou os dedos atrás das costas. Obviamente não ficaria de braços cruzados. De forma alguma.

Depois de despedir-se de seu tio, Nanami colocou as mãos para trás e caminhou em direção ao seu lar.

Nada melhor do que tomar um bom copo de leite quente e ir direto para cama. Não saberia como reagir com Kensuke, visto que ainda se encontrava chateado com ele. Mas não mais poderia se manter assim para sempre.

Kensuke era seu companheiro de alma e o amor de sua vida. Como rejeitá-lo? Nanami havia feito isso antes do mesmo ir dormir, e certamente foi como se uma estaca perfurasse o seu coração.

Mas Nanami precisava convencê-lo, arranjar um meio ou método que fizesse Kensuke acreditar na inocência de Maiko e cancelar o enforcamento.

Nunca perdoaria se deixasse isso acontecer. Sentia uma dor profunda na alma ao saber que alguém que foi vítima de tudo, iria morrer em breve.

Nanami apenas não esperava que seu plano e fonte de esperança fosse tudo por água abaixo quando ele chegou à frente de casa, e lá estava Kensuke em sua varanda, sentado em um degrau da escadaria. Ele se levantou e o seu semblante não parecia nada feliz em vê-lo.

— Uh… Ken-chan?! — Nanami praticamente estremeceu em surpresa ao ver seu amado com os braços cruzados sobre o peito musculoso e uma expressão demoníaca.

— Vamos para dentro. A noite está fria. — Kensuke falou sem emoção alguma em sua voz. Ele se virou e entrou na casa, tendo Nanami em seus calcanhares. O loirinho ficou apreensivo, e verdadeiramente com medo. Medo de ter estragado tudo. Seus planos para ajudar Maiko, além de perder a pessoa mais preciosa para ele.

— Eu posso explicar Ken-chan… Não é assim como está pensando! —Nanami começou.

Contudo, quando estava em direção as escadas para o segundo andar, Nanami puxou por Kensuke pelo braço.

— Explicar? O que você pode explicar? — Kensuke deu um meio sorriso, cínico e atormentado. Era óbvio que ele estava prestes a explodir em raiva, mas parecia manter a paciência com Nanami. — Olhe Nanami, eu vou dormir ok? Só estava esperando você chegar. Boa noite. — E tentou se soltar do aperto, porém Nanami não deixou, ele puxou ainda mais Kensuke e o forçou para a sala de estar.

A lareira estava acesa, o que fez Nanami perceber que Kensuke estava na sala antes de sair para fora.

— Espere! O que está pensando Ken-chan? Fale comigo!

— Eu estava preocupado! — Kensuke respondeu muito irritado, ele havia mostrado os caninos para Nanami, certamente chateado. — Você simplesmente sai em meio à noite sem dizer a ninguém e se encontra com Yamato? O que pensa que está fazendo? Não acha que ficaria chateado se soubesse? Não tem porque me esconder as coisas. — Kensuke se sentou em uma poltrona grande e confortável de cor vermelho vinho em frente à lareira ascendida e um tapete felpudo.

— Oh Ken-chan… — Então quer dizer que seu marido não sabia que ele havia saído com Yamato para ver Maiko. — E-Eu… — Ainda não havia contado a Kensuke que havia conversado com Yamato e que ambos se reconheciam como família agora. — Eu precisava falar com Yamato… Ele esteve ocupado demais estes dias… Então aproveitei que hoje ele estaria como sentinela vigiando, e pedi para falar com ele.

Kensuke virou rapidamente seu rosto para Nanami, seus olhos arregalados, mas então se tornaram fendas enquanto o analisava.

— E ele? Como ele reagiu? — Perguntou o Alfa apreensivo.

Nanami se encheu de esperança, sabendo que Kensuke acreditou em sua história.

Apesar de que logo em seguida ele se encheu de culpa e remorso por ter mentido para Kensuke, mesmo que em parte fosse verdade, porém era pelo bem de Kensuke também, seu marido não iria nunca permitir que Nanami falasse com Maiko. Mesmo que esperneasse e gritasse aos quatro ventos.

— Oh sim… Yamato me disse que já sabia sobre nosso parentesco. Mas ele teve medo que eu não o aceitasse… Afinal ele não era muito bom antes de vir para cá.

Kensuke sorriu e ele segurou uma das mãos pequenas de Nanami nas suas.

— Fico feliz que tenham conversado, embora ainda me sinto um pouco chateado por não ter me dito antes.

— Desculpe Ken-chan… — Nanami abaixou os olhos, ele queria chorar, mas não podia.

— E porque estava chateado comigo à noite antes de irmos dormir? Eu fiz algo que te aborrecesse, pequeno? — O tom de Kensuke era gentil, no que a sua outra mão embalou o rosto de Nanami.

O gatinho derreteu-se no carinho, caiu para o colo de Kensuke e se colocou confortável em seus braços.

— Era bobagem… — Nanami bocejou e se recostou melhor contra o grande Alfa.

Kensuke o embalou em seus braços e inspirou seu doce aroma florido.

— Agora você pode me dizer por que está mentindo? — Perguntou calmamente.

Os olhos de Nanami arregalaram.

— Você é muito ruim em mentir Nanami. Posso ver tudo através de você. — Kensuke não soltou Nanami, nem mesmo quando ele tentou se afastar.

— Está bravo Ken-chan? — Nanami sentiu as lágrimas virem e pressionarem a cair, mas ele foi forte e as forçou mais a fundo. — E-Eu tive que fazer… Você nunca iria deixar! — Ele se atropelou com as palavras.

E então Kensuke o libertou, e Nanami se levantou com as mãos em punhos, olhando para o chão. Sem chance que iria olhar nos olhos de Kensuke.

— Você foi ao calabouço, não foi? — Kensuke cruzou os braços, mas não se levantou. — Depois de ter me evitado ontem, fiquei pensando no que eu fiz para ter te deixado daquela forma. Eu não os segui, pois confio em Yamato para protegê-lo.

Nanami fungou e então uma cachoeira de lágrimas atravessava suas bochechas rosadas.

— E-Eu… Uh… — Choramingou, esfregando seus olhos grosseiramente. — Você é mau… Não pode matá-lo… Não faz isso Ken-chan…

Kensuke, incapaz de ignorar ver seu gatinho chorar como fazia tão sensível, se levantou e o abraçou contra seu peito. Envolvendo-o protetoramente enquanto ele chorava.

— Vamos ter que conversar sobre isso. Mas faremos amanhã, bebê. Você tem que dormir e eu também.

Kensuke lamentava que Maiko tivesse que morrer, mas Nanami tinha que entender as regras em Akai. Não era algo que acontecia sempre, mas em casos de crimes graves como tentar matar a cadela Alfa, mereciam tem um fim, que seria a morte.

–oo0oo-

Yoshikazu não sabia o que pensar. O que dizer a respeito do que lhe aconteceu e do porque que ele estava aqui, tudo que poderia dizer era que o cheiro era tremendamente agradável.

— Tem um guisado quentinho te esperando. Vai continuar dormindo? — Key sorriu quando viu os olhos do garanhão se abrirem.

— Onde diabos estou? — Yoshi perguntou ao estranho. Notou que o mesmo parecia não mais que alguns anos mais novo do que ele. Talvez.

— Este é o meu esconderijo. — A voz que Yoshi mais temia a ouvir, proferiu. — Eu não esperava te ver Yoshi… Muito mais por essas bandas. Por acaso veio atrás de seu filho?

O Imperador rosnou entre os dentes e tentou se por de pé, mas de forma alguma conseguiu quando um gemido o cortou. Seu peito parecia ter sido pisoteado por uma manada de búfalos. Estava horrível.

— Eu não devo satisfação a um traidor. — Rosnou.

Naoki suspirou visivelmente chateado pelo que foi chamado.

— Melhor que tenha vindo até aqui. Foi o destino que o trouxe, pois mais cedo ou mais tarde, eu teria que lhe procurar. — E melhor do que ir a Masao e ser enforcado na primeira oportunidade. Esta parecia à chance excepcional! — Precisamos ter uma conversa muito séria, Yoshi.

— Não me venha com essa. Não tenho nada para falar com você! — O Imperador vociferou de volta. — E não me chame por meu apelido, você não é mais meu amigo.

— Eu não sou o que está pensando! Eu não sou um maldito traidor! — Naoki explodiu e se levantou, com suas mãos em punhos de cada lado de seu corpo. — Eu vou provar para você!

Yoshi queria discutir, continuar a briga, mas ele achou melhor fechar a boca. Seu abdômen doía terrivelmente, e ele havia sido cuidado e estava confortável naquela cama improvisada no chão. Voltando a se recostar, ele observou Naoki que parecia muito nervoso.

— Eu vou caçar algo para o jantar. Fique e cuide dos dois. — Naoki pediu a Key que assentiu, e então saiu da caverna com um manto o encobrindo.

Key olhou para Megume dormindo e foi até o lado de Yoshi, se sentando folgadamente.

— Naoki me falou sobre você, Alteza dos gatos. — Comentou. — Ele me contou sobre o tempo em que eram amigos, em como suas famílias se davam bem, antes de acontecer a Grande Guerra.

Yoshizaki fez uma careta, não gostando daquela conversa.

— Eu não queria estar aqui. Agradeço que tenha me ajudado, mas ainda sim não posso perdoar o que ele fez a mim e ao meu povo. Um traidor nunca será bem vindo. — Disse firme. Porém Key sorriu, todavia ainda não se convencendo por suas palavras.

— Eu posso não ter estado lá no momento da coisa, mas de alguma forma, eu acredito plenamente no que Naoki diz. Ele sempre provou confiança para mim, e ele salvou Megume da dor. — Apontou para o corpo de um pequeno garoto dormindo mais ao canto.

— Ele provocou mortes… Quase metade de Akai foi dizimada. Muitos entes queridos se foram… Até mesmo minha Rainha foi morta nesta Guerra. Como ele pode te provar confiança? Ele não passa de um assassino louco por poder.

— Isso não é verdade… — Key disse em sua voz branda, recebendo um olhar irado de Yoshi. — Veja bem… Você e ele nunca tiveram a chance de ter uma conversa desde que a coisa aconteceu. Porque não lhe dá uma chance de explicar as coisas? Eu sei de muito, mas acho que é melhor que Naoki lhe fale e não eu.

Yoshikazu engoliu. Ele era um rei justo, desde onde sabia. Então decidiu que as coisas viriam conforme tivessem que vir. Se o destino o fez chegar até ali, era porque ele deveria ouvir talvez. Embora fosse tão difícil...

–oo0oo-

Era ainda de madrugada – faltavam poucas horas para o sol nascer – quando Kensuke teve que acordar. Ele tinha sorte que quando o dever lhe chamava sua ansiedade não o deixava dormir como pedra, então ele se levantou e foi para suas necessidades básicas, até estar pronto para receber seus amigos.

Ryo e Sayuri estariam chegando a poucas horas e ele deveria estar bem acordado para recebê-los.

Olhou para Nanami o vendo dormir tranquilamente. Sorte, porque no meio da noite ele tinha estado muito agitado e acordou várias vezes a noite, assustado. Kensuke sabia bem que ele estava lutando com seu coração, e provavelmente isso lhe causava muito desconforto.

Kensuke deixou o quarto e encontrou seu irmão correndo para preparar o café da manhã. Seu irmão por pouco não esbarrou nele com uma cesta grande de pães.

— Ken-chan, bom dia!

— Bom dia Chizu. — Sorriu amavelmente, sendo retribuído por outro radiante. — Como estão as coisas por ai?

— Uh, não quero acordar Nanami… Então estou sozinho preparando o café da manhã. Quer algo? Tem pão fresco. — Ofereceu.

Kensuke sorriu e acompanhou seu irmão de volta para a cozinha.

— Eu aceito. Certamente Sayuri e Ryo ficarão muito alegres em receberem um belo café da manhã seu Chizuru. — Kensuke se sentou à mesa e coletou um dos pães do cesto, partindo em dois com uma garra.

Chizuru lhe passou a manteiga.

— Estou com saudades de Sayuri, ele é um bom amigo. — Chizuru sussurrou e então voltou aos seus deveres.

Kensuke observou seu irmão. Ele era apenas um pouco maior que Nanami, visto que era cerca de dois anos mais velho. Imaginando como seria o seu casamento com Seiji. Ele esperava muito que Seiji fosse um bom homem para ele. Chizuru era novo, mas com certeza seria um ótimo esposo e ninshin.

Uma hora depois Seiji entrou correndo em sua casa e anunciou a chegada daqueles que estavam aguardando.

Sayuri estava dormido nos braços de Ryo, mas logo que chegou despertou eletricamente, correndo direto para os braços de Chizuru. Kensuke cumprimentou Ryo com um abraço de amigo, assim como cumprimentou Sayuri com um aperto de mão.

— Nanami está dormindo, teve uma noite agitada… — Embora ele não tivesse dito com malícia, foi exatamente como os outros absorveram a informação. — Por isso ainda está dormindo… Mas com certeza ficará muito feliz em saber que já chegaram.

— Trouxemos presentes! — Sayuri disse eletricamente correndo de volta para a carruagem, vendo outros sentinelas retirarem a bagagem da mesma e levar para varanda de casa.

Sayuri rapidamente achou a sacola com as lembranças e encontrou a de Kensuke. — Olha o que comprei para você, Kensuke!

O Alfa o olhou desconfiado, mas aceitou o pequeno embrulho. Rasgando todo o plástico em volta, ele encontrou uma pequena miniatura de gato, de cor branca com um sino em uma das orelhas. Certamente só de bater os olhos na escultura, fez Kensuke se lembrar de seu Nanami.

— Eu comprei um lobo para o Nanami! Parece muito com você! — Sayuri acenou euforicamente e saiu correndo para dentro da casa, arrastando Chizuru com ele. — Fomeee!

— É impressão minha ou ele está mais agitado do que costuma ser? Bem, eu esperava que ele estivesse muito cansado da viagem. — Kensuke falou em ambos os sentidos.

Ryo corou minimamente.

— Bem, ele é um tremendo energético. Ao invés de se cansar, ele parece sempre estar pronto para mais. — Ryo comentou em um sussurro, e para evitar os comentários de seu Alfa e amigo, ele caminhou à frente para a casa do Alfa. — O cheiro está bom, quero um café quente.

Kensuke sorriu, era bom ter Ryo e Sayuri de volta. Ponderou sobre como ele não se dava de maneira nenhuma com o gato ruivo, porém com esse tempo em que o casal esteve longe, Kensuke até sentiu falta. Ele viu seu Nanami um pouco mais triste e até tinha feito besteiras…

Pensando sobre isso, Kensuke estaria tendo uma conversa muito importante esta manhã. As coisas com Nanami não poderiam continuar assim e ele precisava fazê-lo entender.

Continua...



Notas finais
Miky-san: Obrigada queridos por lerem *--* Espero que tenham gostado! Um feliz dia das mães, já no finalzinho... Mas digo que fiz minha mãe muito feliz hoje. Temos que lembrar que o dia das mães não tem que ser uma unica data, mas sim todos os dias. E além disso, ofereci este capítulo para nossa Gabi-bibi, que fará aniversário dia 14! Meus parabéns adiantado! *--* Até a próxima e beijinhoos :3