Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
43 Capítulo 43 – Primeiro herdeiro
Notas iniciais
O sol havia se posto no horizonte não fazia muito tempo. E a escuridão estava tomando a floresta que passava a ser iluminada por somente a brilhante luz prateada da lua, além de todo aquele conjunto infinito de estrelas resplandecentes, que serviam de iluminação para aquela montanha.
A Vila Akai estava tranquila, e enquanto era animada de dia, a noite era calma e serena. Havia muitas tochas e lamparinas que serviam para iluminar as ruas e vielas, mantendo o ambiente não sombrio, mas aconchegante e seguro.
Naquela primeira hora da noite, Misaki estava na varanda da casa onde agora estava vivendo — a casa de Nanami e Kensuke. Encontrava-se sentado na escada de madeira, solitário, enquanto assistia o céu estrelado.
Sua mente estava confusa assim como o seu coração. Indagava-se sobre esse carinho tão grande que sentia pelo pequeno Nanami, talvez eles realmente fossem parentes afinal de contas. E ainda invejava Yamato por ter parentesco com o mesmo, embora Misaki não os vissem juntos como uma família deveria fazer.
Aquele homem da floresta… Como era mesmo o seu nome? Não saia de sua mente. Era como se ele ainda estivesse lá na floresta esperando por ele, o que contribuía para que suas mãos coçassem para que fosse atrás do homem.
Misaki olhou para trás vendo as luzes da casa acesas, mas ninguém realmente podia percebê-lo ali. Então ele decidiu correr algum risco e se levantou, infiltrando-se na floresta perto da casa.
Caminhou lentamente entre os arbustos com os seus olhos de gato mapeando a área e os seus ouvidos habilidosos atentos em captar cada pequeno som da floresta.
Misaki caminhou tranquilamente até que chegou a uma parte onde não havia demasiadas árvores.
— Deveria se preocupar mais com sua segurança. — Uma voz altiva falou detrás dele.
Misaki se virou, sabendo exatamente que a voz pertencia ao homem daquela vez, mas não havia sinal dele. — Você está ai? — Indagou olhando ao redor. — Por favor, apareça!
— Não é um horário adequado para um gatinho passear pela floresta. Você sabe… Há perigos por toda parte, e mesmo que se aparenta calmo, alguém pode aparecer de surpresa, como eu faço. — E Naoki de repente estava bem atrás de Misaki, fazendo o loirinho ser assustar e dar um passo em falso para trás, que contribuiu para que ele caísse de bunda no chão. Por sorte que o chão estava afofado com as flores, senão certamente haveria doido.
— Não me assuste. — Misaki choramingou e aceitou a mão que o homem lhe ofereceu, sendo puxado a seus pés, e ao mesmo tempo puxado para o corpo másculo do mesmo, que o abraçou forte e carinhoso, limpando atrás de suas vestes.
— Me desculpe… Estás tão lindo que meu coração parece como se fosse saltar do peito. — Naoki se afastou apenas para que seus rostos estivessem próximos e eles pudessem ver seus olhos. Myra, ou melhor, Misaki, estava tímido e suas bochechas foram tingidas de carmim.
Contudo, ele não desviou o olhar, nem foi contra aquele abraço apertado. O abraço de Naoki era forte, não bruto, mas fez com que seus corpos se moldassem um no outro, desencadeando um desejo secreto que fez Misaki se lembrar daquele período fértil que passou na casa de Shou, vergonhoso e embaraçoso, mas que agora ele não podia evitar.
Misaki sentia o peito de Naoki contra o dele, o coração dele estava tão acelerado e batia tão forte, que já não sabia se era o dele ou se era o seu. Mas estava tão bom, tão emocionante.
— Acha mesmo? — Olhou-o nos olhos, reparando em como Naoki era realmente lindo, até mesmo apenas na iluminação da lua.
— Sim… Não há outro que possa ser melhor do que você para mim… Eu sempre te admirei Misaki… Sempre o amei. — Naoki embalou um lado do rosto de Misaki em uma de suas mãos, enquanto a outra repousava atrás de sua cintura. — Você sempre foi meu…
— Seu…? — Misaki estava emocionado. Aquele homem de alguma maneira mexia muito consigo, e seu mais profundo clamava por ele, por seu toque, por seu carinho… Misaki queria se agarrar a ele e não soltar nunca mais, grudar como uma segunda ele.
Ele suspirou quando Naoki aproximou seu rosto. A respiração dele lhe fazia cócegas, e aquela mão em seu rosto estava acariciando ternamente sua pele. Sentia-se quente e amado. Misaki choramingou pelo contato do homem, ele queria mais dele, precisava tê-lo.
— Shh… Gatinho lindo, eu vou te beijar. — E assim o fez, selando seus lábios nos lábios macios e doces de Misaki, fazendo-o gemer quando o apêndice úmido e quente o invadiu, arrancando-lhe suspiros e o fazendo gemer.
— Você é bom… Te quero… — Misaki pediu completamente envolto aquele clima de romance, nada mais parecia ter sentido, mas então ele se assustou de seu transe, quando ouviu uma voz lhe gritar. Imediatamente, Naoki o beijou duro uma última vez, e então o abandonou, correndo pelo caminho em que veio, desaparecendo nas sombras. — Não vá… — Misaki murmurou para si mesmo, tocando suavemente aonde os lábios deliciosos do homem lhe tocaram. Ele lambeu seus lábios, lembrando-se do gosto daquele beijo, não querendo nunca esquecer.
— Myra-chan! — Nanami estava ofegante com Chizuru em seus calcanhares. — O que faz aqui? É perigoso! — Resmungou para seu “pai”, puxando-o pelo braço emburrado. — O que está acontecendo com você? Anda muito aéreo ultimamente.
— Isso é verdade… — Chizuru concordou com uma careta. — Nanami já se ferrou várias vezes quando entrou sozinho na floresta. Ele aprendeu sua lição.
— Chizu-chan! — Nanami bateu os pés no chão. — Não fique contando essas coisas para ele. — Resmungou.
Misaki riu. As suas bochechas intensamente vermelhas, o que chamaram muito a atenção da dupla.
— Vocês são tão lindos. — Ele sorriu e então agarrou Nanami, enchendo seu rosto com beijinhos doces. — Nana-chan é tão meigo!
Chizuru ficou um pouco atordoado com a cena, não deixou de se sentir maravilhado ao ver Nanami e agora, Misaki, tão juntos. Eles se abraçando parecia tão, tão familiar. Como se eles fossem… Irmãos? Chizuru estava desconfiando que Misaki tivesse um grau de parentesco muito forte com Nanami.
Recentemente, eles haviam descoberto que o nome de Myra, na verdade era Misaki, embora Nanami ainda o chamava pelo apelido. De acordo com ele, o mesmo havia encontrado uma pessoa que o conhecia. Mas isso foi à única coisa que ele soube, embora para Chizuru, ele não tinha certeza se era ou não verdade.
Só restava o tempo fazer a memória de Misaki voltar. Esperava que não demorasse tanto, ele estava um tanto curioso com o novo gato.
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Naoki não sabia porque ainda se escondia.
Bem, por um lado ele estava louco para se juntar a Nanami e Misaki, reunir novamente sua família. Mas por outro, a pura insegurança borbulhava dentro dele.
Nanami poderia não aceitá-lo… Misaki poderia se lembrar das coisas e não querê-lo mais. Oh não, o pensamento de que Nanami não o perdoasse cavava fundo em sua alma com dor e medo.
Não queria perder sua família, cuja mesma ele nunca teve a oportunidade de cuidar. Nanami viveu em Masao, cujo lugar ele teve que manter distante por que correria o risco de ser enforcado em público. Seu filhote cresceu em meio ao sofrimento, mas teve sua vida protegida acima disso, porque Misaki estava preso em um colar. Um colar que agora havia retornado a um corpo e tinha vida. Mas ainda sim, Naoki tinha medo de que o feitiço tivesse sérias sequelas, como a memória de Misaki. Estava rezando para que voltasse o quanto antes.
Naoki caminhou agilmente a espreita se algo o surpreendesse, e foi bem como um sentimento atravessou o seu peito.
Sua intuição.
Algo não ia bem, e ele rapidamente correu para o seu acampamento, pensando que o sentimento provinha de lá. Apenas torcia para que Key pudesse proteger Megume que mal podia se colocar em pé.
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— Ah… — Yoshikazu suspirou quando por fim deu alguma pausa a sua corrida. Ainda não acreditava em todo o caminho que percorreu. O cheiro de Eiji estava muito fraco, se dispersando com a suave brisa. E nesse momento amaldiçoava o vento por o deixá-lo perdido.
Elevando seu nariz para o ar, ele tentou captar algum aroma que não fosse de folhas e umidade. Alguns animais pequenos nas árvores. O cheiro de Eiji desapareceu, mas então ele ouviu latidos ao longe, o que o fez imaginar que provavelmente estivesse próximo a uma alcateia de lobos.
Bem, para sua sorte ele estava muito próximo a Vila Akai. Parecia muita coincidência.
Ele se levantou, puxando sua bolsa para seus ombros novamente e colocando sua espada no lugar. Não vestia roupas que fossem da realeza, estava com trajes de samurai, carregando armas e objetos para sua sobrevivência.
Tal qual foi a sua surpresa quando cheiros de suor e um clima de maldade instalaram a sua volta. E lá estava um conjunto de homens, que mais pareciam guerreiros que mal saíram da batalha.
Eles eram sujos e nojentos, mas haviam apenas sorrisos em seus rosto, sorrisos de escárnio e interesse.
— Olha só o que temos aqui… Eu acho que conheço este homem. — Um deles falou com sua voz rouca, cuspindo no chão, aos pés de Yoshikazu. O mesmo notou as orelhas de gato sobre a cabeça do cara e uma longa cauda envolvida em faixas ensanguentadas.
— O que o Imperador dos gatos faz em um lugar como esse? — Outro homem perguntou, com a aparência mais horrenda do que o anterior. — Ainda mais sozinho.
Yoshikazu estreitou os olhos, não gostando nada daquilo. Ele sabia que aqueles homens foram expulsos de seu reino há um tempo já, e os mesmos, desonestos que causaram muitos problemas ao seu povo, provavelmente queriam uma vingança agora.
Ótimos oportunistas! Era a chance ideal para que se vingassem de Yoshikazu, mas é claro que ele não deixaria isso acontecer tão fácil.
Embora fossem dez homens contra apenas um.
Yoshikazu não perdeu tempo, pois sabia que aquela conversa não ia a lugar nenhum. Ele deixou suas coisas caírem aos seus pés, e se jogou em uma luta frenética, onde ele estava ganhando desde o inicio.
Para ser um Imperador era preciso também ser um guerreiro, e isso ele havia feito desde criança. Aprendendo artes marciais e a lutar com espadas. Ele sabia até mesmo manejar armas de fogo. Afinal, um Imperador precisava sempre estar pronto para lutar pelo seu povo, pelo seu território.
Embora agora ele estivesse lutando para se manter vivo.
Ele derrubou o primeiro, segundo e depois o terceiro, mais alguns golpes e mais dois se juntaram aos outros ao chão. Mas então, o imperador levou uma rasteira e acabou caindo no chão. Mãos assassinas o pegaram em seu pescoço em um aperto de morte. Yoshi caiu ao chão, batendo a testa em uma pedra. Uh, muito doloroso!
Os homens forçaram para segurá-lo e em seguida, Yoshi sentiu que já não estava tão forte como costumava ser quando jovem. Um chute em seu peito, o fez cuspir sangue e ter certeza de que quebrou alguma costela.
— Ah malditos! — Ele gritou em agonia e em seguida somente levou pontapés e chutes que doeram pior do que ter sua cabeça batida.
Nesse momento ele estava com tanta dor que achou que poderia morrer, porém ele precisava se manter vivo. Havia sido derrubado tão fácil, eles o imobilizaram tão malditamente bem, que ele não conseguia mover um músculo.
E ele precisava tão urgente encontrar Eiji! E olha o que acontece!
A única coisa que Yoshi pode ver antes que sua visão se tornasse um completo borrão, foi à imagem de um homem derrubando todos os outros em poucos segundos, seu flash foi poderoso, como se ele usasse magia para lutar. Era quem ele estava pensando que era? Não, isso era impossível.
Mas logo veio a inconsciência, e não mais ele foi capaz de pensar.
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— O que é isso? — Shuichi perguntou curioso quando Yunsuke entrou em seu quarto com uma cesta muita pesada.
— Como você tem se comportado muito bem e feito tudo o que o doutor recomendou… — Mesmo reclamando a cada hora do dia. — Eu preparei uma cesta inteira para fazermos um piquenique noturno! O que acha? — Yunsuke falou muito animado. Ele assistiu com admiração quando a expressão entediada de Shuichi se transformou em um sorriso amplo, e seus olhos brilharam mil estrelinhas.
— Está falando sério Yun-chan? Eu poderei sair?! — Ele perguntou de volta muito empolgado, na verdade quase pulando na cama.
— Sim. Falei com Amano, ele te liberou para um piquenique no quintal. Mas tem de andar devagar e evitar qualquer movimento brusco. — Explicou ao que ajudou Shuichi a se levantar, o mesmo estava agora com uma barriga muito maior. Parecia que havia crescido mais de um dia para o outro. Shuichi suspirou sentindo câimbras de um lado.
Ele inspirou e suspirou, até que passou.
— Tudo bem?
— Uh, sim. Estou ótimo! E morto de fome! — Ele havia comido há somente uma hora e seu estômago já estava rosnando.
— Amano e Roan virão conosco. Amano disse que irá trazer a toalha e algumas almofadas para você. — Yunsuke auxiliou Shuichi a retirar suas roupas de cama, aproveitando de sua nudez para tocá-lo um pouco. Mas sem ir mais longe, Shuichi o ajudou a vestir algo limpo e bem apresentável. Conforto o suficiente para quem estava prestes a ganhar um filhote.
— Às vezes parece que eu sinto nosso bebê choramingar. — Shuichi contou com alegria. —Aposto que será muito parecido com você.
— Ah… Shu-chan, isso não é justo! Sabe que somos gêmeos! — Yunsuke fez um bico, e Shuichi o seguiu com outro.
— Mas não somos iguais. Somente parecidos. — Tentou justificar.
Eles deixaram o quarto e seguiram conversando pelo corredor, com Yunsuke levando a cesta e ajudando a Shuichi. Não demorou e logo eles se encontraram no jardim dos fundos do castelo. Estava tranquilo, sem empregados à vista. Não demoraram em que Roan e Amano aparecessem de mãos dadas, ambos pareciam incrivelmente envergonhados.
A noite estava linda. Perfeita para um piquenique ao luar. Eles montaram um belo banquete sobre a toalha quadriculada. Shuichi estava muito bem acomodado em almofadas e degustava de tudo o que colocava os olhos, ele comia até exageradamente e levava alguns beliscões de Yunsuke.
— Maneire ou irá passar mal. — O repreendeu suavemente.
— Mas está tão gostoso. — Shuichi repuxou as palavras empanturrando bolinho após bolinho em sua boca.
Amano era tímido, mas estava até se soltando bem com eles, falando sobre algumas crianças que ele atendeu. Sobre o fato de nunca ter feito um parto realmente, mas de que estava se preparando para quando Shuichi desse a luz.
Roan estava contando sobre como o trabalho de seu pai não era fácil, porém ele estava determinado a aprender todos os detalhes e ajudar o máximo que pudesse.
Shuichi estendeu a mão para pegar outro bolinho recheado, quando uma pontada forte contra suas costelas o fez gemer. Ele fechou os olhos com força e colocou a mão ao seu lado.
— Shu-chan? — Yunsuke chamou preocupado.
Shuichi levantou a mão pedindo um momento, e puxou golfada de ar. — Er... Ele anda chutando muito e tem mania de acertar as minhas costelas.
— Tudo bem? Não quer ir descansar? — O seu amado sugeriu.
Shuichi negou com a cabeça. Estava tão divertido o piquenique, não queria acabar com ele agora. — Estou bem...
Amano olhou preocupado e avaliativo. Ele tinha grande responsabilidade em mão, como médico e como médico particular do príncipe.
Shuichi respirou fundo e pegou finalmente o bolinho. — Estou bem gente... Continuem comendo. Temos comida para um batalhão. — Shuichi brincou sorridente.
Todos voltaram a conversar e comer, mas de repente Shuichi não sentia o mesmo apetite e um mal-estar instalou em si. Demorou mais para comer aquele bolinho, e no final, ainda deixou um pedaço. Encheu um copo com água e o bebeu lentamente.
— Uhh! — Resmungou quando outra pontada veio, e dessa fez mais firme, contudo não demostrou muito. A verdade era que desde a tarde vinha sentido esses desconfortos, mas não queria falar para Yunsuke, pois o mesmo não o deixaria nem levantar da cama.
Contudo, quando ele sentiu algo molhado escorrer entre suas pernas e uma dor forte cortá-lo, acabou gritando. — Yun-chan!!
— O que foi Shuichi?! O que está sentindo? — Yunsuke perguntou desesperado. Ele colocou-se ajoelhado ao lado do esposo e tocou sua face. Agoniado em ver o outro sentido dor e não saber o que fazer.
— Eu acho que...
— O que? Quer água? Chá? Bebê chutando? Talvez outra almofada... — Yunsuke começou a perguntar desesperado e olhando para os lados.
Shuichi olhou para seu médico e suspirou fundo. — Acho que está na hora!
Amano arregalou os olhos e levantou. Roan olhou sem entender, e Yunsuke realmente procurava outra almofada para o amado.
— YUNSUKE! — Shuichi gritou, finalmente ganhando atenção do irmão e marido. — Não preciso de uma merda de almofada... Apenas que me leve ao quarto. Está na hora. Nosso bebê vai nascer!
Yunsuke e Roan levantaram e pareciam totalmente tontos. O imperador honorável encarou o general. — Vai nascer? Vai nascer... Chamem o médico!
Shuichi grunhiu e se levantou sozinho, tendo apoio de Amano no final. Ele bateu na cabeça de Yunsuke. — Seu idiota. Amano está aqui... Agora me ajude a ir para o quarto!
Yunsuke acabou diante da firmeza do amado. — Desculpa! — Falou envergonhado por seu desespero. Sem esforço, ele tomou Shuichi em seus braços e carregou com cuidado e rapidamente sua carga preciosa em sentido ao quarto dele.
Amano e Roan seguiram atrás dos mesmos. O médico encontrou uma empregada no caminho e ordenou que trocasse os lençóis da cama, providenciasse água quente, toalhas e a manta do bebê. Claro, que rapidamente a notícia espalhou-se pelo castelo, que o primeiro herdeiro estava prestes a nascer.
Shuichi esfregou a face banhada em lágrimas contra peito do marido. A dor começava a aumentar, uma agonia grande, muito grande. Ao mesmo tempo em que seu corpo queria expelir seu filho, ele desejava mantê-lo mais um pouco dentro de si. Protegido do mundo.
Ao chegarem no quarto, o príncipe grávido fora colocado na cama, enquanto choramingava de dor. A empregada rápidamente, havia ajeitado a cama e providenciado tudo que Amano pediu.
O médico gato, retirou qualquer apetrecho, joias ou tecidos desnecessários de seu corpo, ficando somente com a calça e blusa simples. Ele abriu sua maleta colocando o material esterilizado sobre uma toalha. Desde que estava perto de Shuichi dar a luz, sempre andava precavido.
— O que faço? — Yunsuke perguntou tocando a face suada de Shuichi.
— Precisa sair e me deixar trabalhar. — Amano disse sério.
— Não! Vou ficar aqui. — Yunsuke respondeu firme.
Shuichi gritou de dor. — Maldito... Yunsuke saia daqui! Não o quero aqui... Por que do contrário... Pretendo matá-lo! — Shuichi gritou, soltando um longo gemido no final.
Os olhos de Yunsuke se arregalaram e ele ficou paralisado. Roan aproximou-se dele e tocou em seus ombros. — Vamos esperar lá fora. — Roan disse levando o príncipe herdeiro para fora do quarto, deixando somente Amano, a empregada e Shuichi.
Apesar de não querer sair, Yunsuke achou melhor cooperar, ao sair do quarto, chegando à porta e ficando do lado de fora. O príncipe finalmente deixou as lágrimas caírem. O medo e ansiedade o consumiam. Sabia que aquele momento chegaria e que Amano era qualificado, mas o medo sempre fora presente.
— Eles ficarão bem, Yunsuke... Amano irá cuidar disso. — Roan o confortou. — Amano estava preparado.
Yunsuke queria seu pai e Sayuri ali, mas nenhum dos dois estavam perto anquele momento.
— Se algo acontecer a Shuichi, não poderei mais viver sem ele... — Yunsuke murmurou incerto.
Já no quarto, Amano juntamente com a empregada preparavam o que seria preciso para fazer um parto de emergência, para garantir a segurança de ambos. Pai e filho.
— Dói... Ahhnn... Yunsuke... — Shuichi gritou. Em sua mente Yunsuke estava indo se contentar somente com um filho, pois não pretendia passar por isso novamente.
— Calma majestade, infelizmente seu estado é delicado depois daquele acidente... Mas tudo dará certo. — Amano transpareceu calma para ajudar Shuichi.
Shuichi achava com intensas dores em seu ventre e costas, juntamento ao medo de perder o bebê, isso fazia suas dores aumentarem mesmo tentando contê-las, ao agarrar fortemente o lençol da cama.
— Eu... — Shuichi começou a dizer algo, mas sua mente ficou em uma neblina quando Amano injetou algo em seu braço, justo a uma anestesia para aplacar a dor e permitir que ele fizesse o trabalho de trazer o bebê ao mundo.
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Fora do quarto uma pequena multidão se formou. Os empregados mais próximos do castelo, alguns conselheiros e até soldados, todos ansiosos pelo nascimento do herdeiro e a certeza que ambos estavam bem.
Todos estavam nervosos, mas não mais que Yunsuke. Esse estava sentado em uma poltrona, bebendo um pouco água com açúcar por insistência de Roan, a fim de se acalmar.
Os minutos se passaram e pareceram transformar-se em horas, o que apenas servia para aumentar a agonia dos que esperavam.
Até que por fim a porta fora aberta e de lá saiu Amano, com o semblante cansado.
— Amano-san... E... ? — Yunsuke indagou, depois de se levantar apressado e aproximar-se do médico.
Os demais estavam calados por informações.
— Er... Foi um parto difícil... Devido as sequelas do acidente...
— Como está Shuichi e o bebê... Diga Amano...? — O príncipe indagou altivo.
— O bebê está bem... É pequeno, mas forte... E está sendo limpado no momento. — Amano disse. — E devo dizer Yunsuke, que tem a mais incrível semelhança com você... Mas os cabelos são de Sayuri. — Sorriu suavemente.
— E Shuichi? — Indagou Yunsuke ainda preocupado.
— O príncipe Shuichi...
— Fale Amano! — Yunsuke praticamente gritou.
Roan colocou-se do lado do noivo. Mesmo entendendo a aflição de Yunsuke, não deixaria esse ferir seu amado.
— Ele está bem! Está dormindo devido à anestesia e o cansaço. Precisará ficar de repouso, mas está bem... — Amano informou.
— Oh céus... Que bom... — Yunsuke sorriu aliviado. Parecia que um peso havia sido retirado de seus ombros.
— Quer vê-los? — Amano perguntou, recebendo um aceno positivo de Yunsuke. Ele, Roan e Yunsuke foram os únicos a entrarem no quarto.
Ao entrar viu que Dallas – a empregada — terminava de ajeitá-lo na cama, cobrindo com um lençol, já limpo. E mais adiante uma enfermeira arrumava o bebê, depois do banho, o vestindo em sua primeira roupinha. Que Yunsuke se perguntava de onde ela surgiu.
Olhou para seu esposo, o vendo dormindo calmamente, com a face suavizada. Para então caminhar até a mulher que detinha seu filho nos braços, ao olhar pela primeira vez o seu coração parecia que ia explodir ao ver aquele ser tão pequeno e frágil.
— É... Um menino excelência — Disse a mulher.
— Eu posso...? — Yunsuke perguntou suavemente, como se falar algo, machucaria seu filho.
— Claro! — Disse a enfermeira que ajudou o príncipe a segurar o filho nos braços.
— Ele é tão pequeno... E lindo... — Yunsuke teve um sorriso genuíno ao ter em seus braços algo que para si simbolizava sua união com seu irmão e esposo. Seu filho tinha a pele clarinha e macia, os tufos de cabelos ruivos, e era tão pequeno.
— Yunsuke... — Amano chamou o Yunsuke.
Este se aproximou da cama e se sentou ao lado de Shuichi – que dormia. Queria seu esposo acordado para ver o lindo bebê... O bebê que era fruto do amor deles. Mas teria que ser em um momento depois.
Eles não haviam ainda decidido o nome. Optaram por escolher quando o filho nascesse e vissem seu rostinho, assim veriam quando o nome combinaria. Bem, teria de esperar para Shuichi acordar.
— Ei... Sou eu... Seu papai Yun e esse é papai Shu. Te amamos muito pequeno. — Yunsuke sussurrou amorosamente.
Os demais saíram do quarto, deixando a pequena família curtir o momento especial e mágico.
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Já era tarde e Kensuke finalmente conseguiu deixar o escritório. Eram problemas e mais problemas, e ele era apenas uma pessoa para resolvê-los.
Era isso o que um chefe fazia; dava as ordens, porém ter que ser o conselheiro e apaziguar intriguinhas, isso definitivamente o estressava.
Cada um tinha que lidar com seus próprios problemas e não pensar que o Alfa da matilha poderia resolvê-los. Nem tudo era com ele. Porque não procuravam Shou? Shou era muito melhor psicólogo do que ele.
— O que mais, santo Deus dos lobos? — Kensuke indagou com uma carranca e braços cruzados sobre o peito, quando Seiji chegou com alguns papéis em mãos.
— Apenas relatórios do trabalho de hoje. Está previsto para a chegada de Sayuri e Ryo no fim desta madrugada ou amanhecer. — Seiji respondeu educadamente e com a devida paciência, sendo que Kensuke não parecia em seus melhores humores.
Ele nunca foi assim, exceto quando estava prestes a enforcar alguém.
Kensuke deixou Seiji com um “boa noite”, que mais parecia um simples murmúrio irritado, e foi em direção ao seu quarto.
Ah! Nada melhor do que terminar o seu trabalho, ganhar um banho quente, e então fazer amor gostoso com o seu gatinho. Esta noite ele não iria lhe escapar, Kensuke estava se matando por um gosto de Nanami, iria pegá-lo de jeito, e fazê-lo gemer para que todos ouvissem sua reivindicação.
Isso parecia um pouco brutal.
Quando chegou ao seu quarto encontrou as luzes acesas. Provavelmente Nanami estava lhe esperando para dormir. Kensuke o encontrou sentado na cama, de costas para ele. Então, lentamente ele se aproximou por trás do gatinho. Claro que Nanami o percebeu, pois suas orelhas balançaram no ar e fazendo o pequeno guizo soar sua canção.
Kensuke envolveu seus braços ao redor do pequeno e afundou suas narinas no cabelo loiro sedoso, se agraciando com o aroma florido que Nanami tinha. Ele o amava, e nada era mais relaxante do que ter Nanami em seus braços.
— Sentiu minha falta, pequeno? — Beijou uma orelhinha, o que fez Nanami estremecer. Oh que sensação devastadora.
As vezes Kensuke queria bater em Nanami por ser tão fofo.
Isso era tão brutal, grr.
Ele podia experimentar aquele jogo das palmadas, não? Só de imaginar aquela pele branquinha e sedosa do bumbum de Nanami queimando em um tom vermelho brilhante... Kensuke se assustou de o quão duro ele se tornou.
— Não estou a fim, Ken-chan… Deixei seu banho preparado. — Nanami sussurrou tão baixo, que se não fosse pela audição perfeita do Alfa, não teria ouvido.
— Você está bem, pequeno? — Perguntou preocupado.
— Uh, sim. Só cansado. Tive um dia agitado… — Ele se retirou dos braços de Kensuke e se deitou na cama. — Só estava te esperando para dormir.
Kensuke estava com olhos arregalados. Nada do que Nanami disse, foi olhando em seus olhos. O Alfa decidiu respeitar, procurando qual era a razão para seu pequeno neko estar agindo dessa forma. Ele parecia triste, distante. Ele o evitou.
Kensuke foi tomar seu banho, e enquanto se lavava, a sua mente ficou perdida tentando encontrar o significado de Nanami agir assim. Sabia que a vida do pequeno nunca fora fácil, mas Nanami sempre via o lado bom, lutava e sorria.
Seu coração doía. Havia sido um baque, para quem planejou uma noite de carinhos e malícias.
Kensuke foi para cama e Nanami já ressonava tranquilo. Ele tentou não fazer barulho para acordá-lo, e lutou para resistir e não abraçar seu gatinho enquanto dormia. Sentiu-se triste, porém essas coisas eram supostas a acontecer em um relacionamento de vez em quando, não eram?
O que será que ele havia feito para aborrecer seu gatinho?
Então o Alfa se tocou, de que era muito melhor se estressar com o trabalho de multifunções de um Alfa, do que se preocupar com questão ao seu relacionamento. Era mil vezes pior, e o cansou pensar nisso, até que dormiu.
Continua...
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