Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

40 Capítulo 40 - Memórias Perdidas


Notas iniciais
Hannah Kisa; Olá gatinhas e gatinhos. Rrsrs! Poxa, final de semana passou tão rápido para mim, mas o que alegra que trabalho até quinta. kkkkk... Enfim, vamos ao que interessa... Segue mais um capítulo e cheio de novidades.... Estou na torcida que curtam muito e cometem o que acharam. Imenso beijo e até o próximo!

Capítulo 40 — Memórias Perdidas

Nanami acordou com uma enorme sensação de alívio, que não havia sentido há um bom tempo. Isso porque agora ele estava em seu verdadeiro lar, em sua casa, dormindo em sua grande cama fofa com um grande Alfa forte que o esquentava.

Seus olhos brilharam abertos, e ele piscou de emoção ao ver como pesado Kensuke dormia. Ele ressonava tranquilo, não chegava a roncar, mas vez ou outra suas orelhas se moviam.

Nanami se sentou no futon e olhou a cauda de Kensuke pousada sobre a cama. A enorme cauda negra. Ele a viu se mover para cá e para lá, mas não ousou tocá-la, embora ele quisesse abraçar e apertar a parte felpuda.

Sem querer atrapalhar Kensuke em seu sono supremo, Nanami se levantou e se vestiu evitando qualquer barulho. De fininho ele saiu do quarto e correu pelo corredor até a escada, descendo a mesma e indo até a cozinha.

Como ele esperava, Chizuru estava lá e pareceu iluminado quando o viu.

— Oh Nanami, você já levantou. — Ele murmurou um pouco surpreso ao vê-lo.

— Oi Chizu-chan, o que está fazendo? — Notou a diversidade de comida que estava sendo preparada. Chizuru estava sozinho, até que Shou entrou com Minky e mais uma cesta com pêssegos.

— Bem, eu queria que fosse uma surpresa, mas já que está aqui… Estávamos preparando parte do banquete para as boas vindas à você e Kensuke. — Chizu sorriu e mostrou alguns pratos tão enfeitados e apetitosos. — A maioria é à base de frutas, mas também teremos carnes que caçamos esta manhã e várias massas.

Isso fez o estômago de Nanami roncar. — Eu quero muito… Yummm… — Nanami tomou uma fatia de pêssego que Shou entregou bem em sua boca. Ele mastigou com gosto e brilhou ao sabor doce da fruta. — Ótimo! Vou comer tanto…

— Coma o quanto quiser, mas primeiro, poderia me fazer um favor? — Shou pediu enquanto entregava a grande cesta para Minky e o mesmo tombava para um lado.

— Claro, o que é Shou-chan? — Nanami tomou mais uma pequena fatia que Chizuru lhe dera dessa vez.

— Poderia verificar Myra para mim? — Eu o deixei dormindo em casa depois que o mediquei. Até quando saí ele estava bem, mas fico um pouco preocupado.

Nanami olhou para Shou com os olhos arregalados e grande preocupação. — O que ele tem? Porque teve que medicá-lo?

Shou olhou de forma estranha para Nanami, até que seus olhos se arregalaram como ele se lembrasse de algo fantasmagórico. Ele ficou pálido.

— Uh bem, ele entrou naquele período dos gatos, se lembra? Então dei o medicamento que nós lobos ninshins usamos, ai ele dormiu. — Shou falou com cautela, vendo como Nanami pareceu surpreso e aliviado logo em seguida.

— Oh… Que bom que não é nada sério. — Ele engoliu, quase como se escondesse algo.

E Shou estava se perguntando se era o mesmo que pensava.

Nanami despediu-se deles e zarpou para fora da cozinha pela saída dos fundos, até chegar a residência de Shou. Ele parou bem de frente a porta dos fundos da casa pequena bem arrumada, mas parecia não ter coragem para entrar. Ele avistou um novo pequeno jardim que Shou havia criado a pouco tempo com Minky desde que a neve se derreteu quase por completo.

Eu deveria…? Mas ele não se lembra de mim… Nanami divagou em seus pensamentos, olhando para a casinha e então para si mesmo. Enfim ele apertou as mãos em punhos e tomou coragem para fazê-lo.

Agora parecia realmente especial. Porque mesmo que Myra não se lembrasse de nada, Nanami sabia da verdade, ele sabia que ele era o seu “pai”.

O quão especial parecia? Nanami encheu seu peito, sentindo o carinho e a saudade que há tanto tempo guardou fundo em seu coração. Sentimentos que ele nutria por uma imagem na foto, e agora finalmente ele pode encontrar as verdadeiras figuras.

Myra apareceu na janela, seus olhos cresceram ao perceber Nanami ali. O mesmo se contorceu um pouco sem jeito e com um sorrisinho sem graça. Totalmente envergonhado.

— Nana-chan! — Myra gritou animado e abriu a porta, descendo rapidamente os degraus com seus saltos de madeira, e tomando Nanami em seus braços em um abraço de urso. — Finalmente você voltou, meu pequeno! Estou tão feliz em te ver! — Era notável a sua alegria.

Nanami corou profundamente as bochechas e permitiu-se sorrir, emocionado com a forma como Myra o via com carinho.

— Eu também! — Myra o acompanhou para dentro da casa e fechou a porta. — Você está melhor? Shou me disse que… Uh, você tomou uns remédios… E… É.

Myra olhou nos olhos azuis céu de Nanami e sorriu um pouco sem jeito. — Sim, estou bem melhor. O remédio foi de bom efeito. — Então ele preferiu mudar de assunto, aquilo o deixava envergonhado. — Quer um chá? Ou talvez algum suco?

Nanami acenou a sua frente. — Não, obrigado. Comi pêssego antes de vir. Shou me pediu para verificá-lo, ele estava preocupado com você. — Eu também estava.

Myra deu uma risadinha. E Nanami sabia que iria demorar em conseguir pensar nele como “Misaki”. Ele já estava acostumado a chamá-lo pelo apelido, já que antes ninguém fazia ideia de quem ele era.

— Uh, Myra-chan… Você não se lembra de nada mesmo? Nem uma lembrança sequer? — Nanami perguntou vendo o mesmo engolir um pouco de água. Ele se aproximou e sentou-se ao seu lado no sofá.

— Tenho algumas imagens confusas, mas que não consigo identificar. Sabe… Às vezes parece que há algo como uma capa tampando toda minha memória, mas não consigo retirá-la ou atravessá-la. — Falou sincero, tomando uma respiração profunda. — Tenho medo de não lembrar mais de quem eu era… Parece como se eu tivesse estado congelado por décadas.

Talvez ele realmente esteve congelado por mais de dez anos.

Nanami abriu a boca, prestes a dizer algo, mas desistiu. Apertando uma mão em seu peito quando uma dor afligiu seu coração.

Ele queria mesmo dizer a este homem que ele era seu pai. Seu pai progenitor.

Queria tanto poder abraçá-lo, beijá-lo, contar sobre todas as coisas em que passou sem a presença dele, e fazer momentos novos e especiais junto dele. Mas Nanami sabia lá no fundo que não era assim que deveria ser. Se Misaki ou Myra estava sem completa memória de seu passado, não poderia simplesmente forçá-lo a se lembrar de algo como um filho, isso era triste e ao mesmo tempo um assunto muito delicado.

Nanami se perguntou qual seria a reação de seu pai ao saber sobre ele, sobre sua própria vida sem ter as lembranças em mente.

De repente Nanami se colocou em seu lugar, e mais ainda seu coração doeu em imaginar como Myra estava se sentindo. Vazio, sem lembranças, triste por não saber ao menos o seu nome. E isso explicava seu olhar perdido.

— Você se sente triste? — Nanami perguntou balançando os pés no ar.

Myra olhou-o e sorriu fracamente. — Um pouco. Eu queria ao menos poder saber quem eu sou. Mas sabe, tenho um pouco de medo, de nunca lembrar… Ou de lembrar e saber que eu não era o que pensava… Uma decepção.

— Não, você não é uma decepção! — Nanami se levantou e levantou também seu tom de voz, desculpando-se em seguida. — Perdão, não queria gritar.

— Você acha que eu fui um homem bom? — Ele perguntou um pouco surpreso pela explosão de Nanami.

— Claro! Aposto que foi o melhor… O mais bonzinho, o mais gentil… — Nanami sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, mas ele segurou o choro bem na garganta. — Aposto que todos amavam muito você…

Myra, percebendo que Nanami estava prestes a chorar, deixou sua xicara com água de lado e se levantou, envolvendo seus braços ao redor do garoto menor e mais sensível.

— Você está me abraçando. — Nanami parecia surpreso por isso e confuso. Ele não pensou duas vezes em abraçá-lo de volta. Mesmo que não contasse a verdade, ele poderia usufruir Myra e ajudá-lo com sua memória. Além de preencher seu coração que estava vazio pela solidão.

Seu pai precisava dele mais do que nunca. Nanami não forçaria suas memórias, isso seria ainda mais sofredor para ele. No tanto que passou todos estes anos sem a presença de seus pais, agora Nanami poderia conhecê-los mais primariamente, e fazer momentos únicos juntos.

Ele iria manter Myra aos seus cuidados e fazer com que recuperasse sua memória. Também o amaria mais que tudo neste mundo e nunca o deixaria ir.

Era uma emoção tão grande em seu peito. Esse abraço significava algo como o mundo inteiro para ele, Nanami queria explodir de emoção.

— Não chore bebê… Estou aqui contigo e não o deixarei ir… — Myra alisou as costas de Nanami e então tocou seus cabelos em um abraço apertado e gostoso.

— Hum… Senti sua falta Myra-chan… — Nanami murmurou em meio às lágrimas. Como sua língua coçava para chamá-lo de “pai”. Pelo menos podia curtir seu carinho, seus braços calorosos. Nanami nunca tinha sentido isso antes, era diferente… Que seu pai o abraçasse, era diferente do que abraçar a Kensuke ou Sayuri, era uma emoção distinta e especial, acima de todas no mundo.

— Aliviou… — Myra soltou uma pequena risada quando se afastaram um pouco do abraço. — A dor que sentia em meu peito, aliviou.

Nanami sorriu sentindo-se mais leve e mais feliz, ele tinha muito trabalho a fazer por seu pai, mas levasse o tempo que fosse, aproveitaria cada segundo ao lado dele.

Ele sempre desejou o amor de seus pais, a presença deles por perto, ou ao menos um vislumbre de suas aparências que não fosse em fotos.

Alguns minutos mais tarde, Myra havia vestido um kimono mais bonito, não grande coisa para uma festa, só que menos simples do que as yukatas velhas que Shou lhe dera. Nanami fez uma nota mental de comprar várias peças de roupas para seu pai. Montar um quarto somente para ele na casa e enfeitá-lo muito bonito.

Tinha muitos planos para “sua familia”. Deu uma risadinha só de pensar nisso.

— Shou estava muito animado com a festa. Ele me contou que faz algum tempo desde a última comemoração. — Myra passou a contar. Fisgando a total atenção de Nanami, que não deixava de reparar em como bonito seu pai era, em seus traços tão idênticos aos seus, mas em uma versão mais adulta.

Myra tinha olhos azuis celestes e brilhantes, sua pele era leitosa e de aparência tão macia. Seus lábios carnudos e vermelhos, além de ter bochechas rosadas e longos cabelos loiros claros como seus próprios, só que maiores.

Eles caminharam juntos pela trilha que levava até a casa do Alfa. Myra foi recepcionado por Shou que passou a fazer perguntas sobre a sua saúde, mas ele estava ótimo e todo sorridente.

Nanami deixou-o com pesar, mas precisava falar com Kensuke sobre isso, ver o que seu marido achava sobre ele não ter revelado a identidade de seu próprio pai. Talvez seus pensamentos não fossem tão corretos como parecia. Mas Nanami não queria arriscar por medo das coisas darem errado.

As lembranças de seu pai Naoki apareceram. Foi tão curto de tempo, que mal podia se lembrar das feições dele. Mas mesmo assim, Nanami guardava essa pequena lembrança com carinho. Era como se algo lhe dissesse que em breve o veria, que em breve teria sua família unida. E isso lhe dava até desespero, porque ele queria tão mal, queria logo, muito em breve, se possível agora!

— Nanami? — Kensuke o chamou de seu escritório. Nanami parou em seus pés e correu para dentro do local se jogando nos braços de Kensuke e enterrando seu rosto em seu peito.

— Não pude fazê-lo… Não pude contar a ele Ken-chan! — Ele choramingou e miou.

Kensuke o abraçou ternamente e beijou o topo de sua cabeça.

— Porque querido? Teve medo? — Indagou calmamente e tomou Nanami em seu colo enquanto se recostava na poltrona.

— Sim… — Fez um biquinho e se afastou para olhar em seus olhos. — Tive medo de ser rejeitado… Ou de ele não me querer porque não se lembra… Talvez seja melhor deixá-lo lembrar das coisas primeiro.

— Não acho que ele te rejeitaria… — Kensuke limpou uma lágrima de Nanami com o polegar e tomou o seu rostinho em suas grandes mãos. — És tão adorável, tão lindo… Como ele poderia não te querer? Ele seria muito bobo se o fizesse. — Kensuke explicou calmamente e acariciou Nanami, provocando pequenos murmúrios que se transformaram em um baixo ronronar.

— Sério?

— Sim, é muito sério. — Sorriu para o pequeno e novamente o abraçou. — Mas você está certo quanto a deixá-lo se lembrar das coisas por conta própria. Talvez você possa dar um empurrãozinho, mas não pode forçar sua mente a voltar, isso poderia não dar certo.

— Humm… Ele pode morar aqui néh Kensuke? — Nanami perguntou incorporado seu jeitinho meigo, um jeito que Kensuke não conseguia contrariar.

— Uh… Bem… — Kensuke ainda pensou, mas era claro que ele aceitaria. A família de Nanami, também era sua família. — Claro que pode. Tenho certeza de que sua companhia o fará muito melhor, e ele provavelmente logo voltará a se lembrar das coisas. — Kensuke beijou o rosto de Nanami. — Agora temos uma pequena festa para ir, aposto que está com fome? — E no mesmo momento o estômago de Nanami rosnou denunciando sua fome. Eles riram juntos e se abraçam novamente, até que a festa os esperava.


–oo0oo-

Myra estava pensando muito sobre aquela tarde. Ele teve alguns desentendimentos com Shou, mas logo eles voltaram a se amar de novo quando Shou cuidou dele com carinho e deu-lhe remédios para ajudá-lo com seus problemas tão íntimos.

Mas isso não fez tanta importância como seu encontro com o pequeno Nanami. Sua mente estava cheia com o gatinho, ainda se perguntando como Nanami poderia ser uma cópia exata dele, só que mais infantil.

O garoto era tão fofo e meigo, às vezes sentia como se quisesse tê-lo só para ele e apertá-lo forte e nunca mais deixá-lo ir. Myra se indagava desses seus sentimentos estranhos. Estar perto de Nanami era como se uma força magnética o puxasse diretamente para abraçá-lo forte.

E Nanami tinha um cheiro incrivelmente doce que podia ser comparado ao seu próprio.

Mas dessa vez, nesse último encontro, pareceu como se o gatinho o conhecesse. Como se ele soubesse de algo que não queria contar.

Myra roubou alguns pães de mel da grande mesa posta no quintal dos fundos da casa do Alfa, enquanto a festinha de boas vindas acontecia. A Vila inteira estava presente, e a música controlada por batuques e sons de corda rolava no ar lavando grande maioria a uma dança frenética.

Com as bochechas cheias de pão doce, e as mãos ocupadas com mais alguns, Myra se aventurou a ir um pouco mais longe da música. A floresta ao redor da Vila devia ser segura, que perigo poderia haver?

Ele se sentou à beira do tronco de uma árvore, devorando os pãezinhos e saboreando, viajando em seus pensamentos a procura de algo que pudesse fazê-lo lembrar do passado. Mas era tudo um borrão.

— Talvez eu não devesse lembrar. — Ele lambeu os dedos envoltos com açúcar. Foi quando um aroma bateu em suas narinas e foi como se labaredas de fogo penetrassem o seu peito e enchessem o seu coração. Ele olhou para frente, e seus olhos brilharam e enlanguesceram ao ver uns homens parados ali, somente para um deles olhá-lo diretamente com um sorriso cálido, quente, que parecia hipnotizá-lo.

— Você deve lembrar… — O homem murmurou com sua voz linda e rouca. Ele abriu os braços o esperando. E Myra, mesmo sem entender quem ele era ou porque estava aqui por ele, correu e se jogou em seus braços, enterrando seu rosto em seu peito. Ele fechou os olhos e deixou-se perder no calor daquele corpo e o aroma exalado. Sentiu-se tão seguro em meio aqueles braços. — Shii! Tudo bem, bebê...

Myra ficou um tempinho perdido naqueles braços calorosos até que se afastou apenas o suficiente para que pudesse encarar o rosto daquele homem. Myra estendeu uma das mãos e tocou com as pontas dos dedos os traços do rosto forte e belo... Depois as orelhas felpudas e por fim os ombros fortes. — Quem é... Por que acho que o conheço? Que é alguém importante para mim? É a mesma sensação que sinto perto de Yaya-chan e Nanami... Apenas um pouco diferente.

O homem sorriu. — É por que fazemos parte de sua vida.

— Você sabe quem eu sou? Acaso sou irmão ou tio de Nanami? Por isso somos parecidos? Por que se for, ficarei tão feliz. Gosto muito dele. — Myra disse saltitante.

— Não tio ou irmão... É algo mais especial do que isso, mas precisa lembrar-se por si mesmo. — O homem disse.

— E quem é você? — Myra indagou inclinando a cabeça para o lado pensativo.

— Me chamo Naoki! — O feiticeiro disse. Ele ergueu a mão e acariciou a face do loirinho enquanto seu outro braço mantinha-se circulando a cintura de Myra.

Myra ou Misaki fez um bico com os lábios pensativo. — É um nome bonito... Acho que já sonhei chamando por ele... Mas não havia um rosto. — Falou amuado. Ele realmente queria lembrar-se das coisas. Por que achava que havia coisas importantes a serem lembradas. — Não pode me dizer quem sou? — perguntou com seus olhos grandes e cheios de esperança.

— Não! Tem que lembrar por conta própria, mas posso dizer que ficou muito tempo preso por magia dentro de um colar... O mesmo colar que protegia Nanami e por isso não se lembra de nada. É efeito colateral da magia. — Naoki explicou calmamente.

— É por isso que acho que estou ligado a Nana-chan? — Misaki perguntou para ninguém em particular, era mais indagação para si mesmo.

— Sim! E tem mais... O seu nome é Mi-sa-ki... — Naoki disse o nome lentamente e rente a orelha do loirinho, de forma que contribuiu para que o corpo de Misaki se arrepiasse todo.

Mas então um som de galho quebrando se fez presente, e quando Misaki olhou para os lados para ver quem era, Naoki sumiu como um passe de mágica. Misaki sentiu uma pontada de dor em seu peito, pela perda do outro, e queria que aquele gato lindo voltasse. Ficar longe dele parecia doer.

— Myra? O que faz aqui sozinho? — Yamato perguntou aparecendo na clareira. O ex-assassino tinha semblante sério. Ele realmente havia ido procurar o cunhado com medo dele se afastar e alguém cruel o sequestrar, como acontecera com Nanami algumas vezes, mas então sentiu o perfume de seu irmão.

— Ah... Yaya-chan... Eu vim aqui comer pãozinho e me afastar pouco das pessoas. Muita gente me deixa tonto. — Misaki disse virando-se totalmente para Yamato, mas com um semblante triste.

— Não se afaste assim, pode ser perigoso. Acaso estava com alguém? — Perguntou com jeitinho.

Misaki olhou para o lugar que Naoki estava antes. — Eu... Estava meio falando sozinho e ele apareceu... Disse que devia me lembrar de quem era... E minha falta de memória era por que estava preso no colar de Nanami.

Yamato arregalou os olhos por alguns instantes. Ele realmente tinha essa suspeita que o cunhado estava preso no colar por magia de seu irmão, mas agora detinha confirmação. — E quem era ‘ele’?

— Ele disse que seu nome é Naoki! Er... — Misaki corou. — Ele era tão lindo... E meu coração bateu bem forte quando me abraçou. Ah, ele disse que meu nome é Misaki! Será que é verdade?

Yamato sorriu. De alguma forma se tornou consciente que seu irmão sempre estava protegendo Misaki, Nanami e ele. Seu irmão jamais seria um traidor. — Sim, é o seu nome.

Misaki olhou para Yamato pensativo, até suspirou. — Acaso sabe quem sou?

Yamato corou sem jeito. Se Naoki não contara, possivelmente era porque seria melhor Misaki se lembrar por conta própria. Poderia causar algum dano se o forçasse. — Eu... Sim, sei... Mas concordo com Naoki! Deve-se lembrar dele por conta própria. Mas posso dizer algo...

— O que? — Misaki indagou ansioso.

— Naoki é o pai de Nanami! — Yamato disse firme, vendo os olhos de Misaki arregalarem. Imaginou quão difícil era para Misaki não lembrar, e poderia finalizar com sua agonia se contasse, mas pelo bem do loirinho, tinha que se lembrar naturalmente. — E meu irmão.

— Então... É tio de Nanami? — Misaki perguntou com uma pontada de ciúme. — Eu queria ser algo especial para Nanami... Gosto muito dele... Não... Eu o amo...

— Eu aposto que é... — Yamato disse. — Agora vamos voltar para festa. Não quer que Nanami fique preocupado contigo... E ele me disse que tem algo importante para lhe contar. — Yamato falou. Ele aproximou-se do loirinho e colocou uma mão nas costas dele, guiando de volta a festa. Yamato olhou para trás. Ainda podia sentir a presença de seu irmão e queria muito conversar com ele, mas no futuro não faltaria oportunidade.

–oo0oo-

Os raios solares penetraram através das frestas da cortina, e tocaram a face do supremo governante de Masao, o forçando a sair da terra dos sonhos. O imperador remexeu no leito, deitando-se se bruços. Ainda com os olhos fechados, sua mão deslizou pelo futon em busca de algo ou alguém que sua própria mente não registrou... Quando não encontrou nada... Seus olhos se abriram. Yoshikazu sentou com tudo na cama e olhou em volta do quarto até que seus olhos pousaram no espaço ao seu lado da cama. Por alguns segundos ficou paralisado, ate que sua mente começou a registrar os acontecimentos da noite anterior.

Reparou que se encontrava nu, que havia um pouco de sangue no lençol assim como umidade – denunciando sêmen seco. Os gemidos... Múrmuros e apelos voltaram a sua mente...

Yoshikazu esfregou a mão na testa e fechou os olhos com força. Ele sentia vontade de se esfolar assim mesmo até a morte. Como simplesmente pode fazer aquilo? Perder o controle tão fácil? Anos segurando... Disfarçando o que sentia, para que em meros segundos perdesse o total controle. Ok! O cheiro de Eiji era irresistível... Como todo Ninshin no cio... Bem, provavelmente melhor visto que era do homem que amava. Mas justo por ser quem tanto amava, deveria ter se segurado mais.

Mas agora estava feito e não poderia simplesmente voltar atrás, contudo, igualmente não poderia agir como se nada tivesse acontecido...

Amava Eiji! Sempre o amou...

Essa não era a forma que imaginou que se declararia ou ficaria junto ao seu amor, mas era como o destino tramou. Não queria mais fingir ou agir como se não sentisse nada. Estava cansado de esconder. O seu pai não estava mais aqui para forçá-lo a casar com quem quisesse ou dizer que era realmente errado se relacionar com alguém não fosse da família real... O velho conselheiro Hachiro era um traidor e não iria influenciar mais em suas decisões. As únicas opiniões que importavam eram as de seus filhos, e tinha certeza que eles o apoiariam.

Ciente disso e tomando sua decisão, Yoshikazu se levantou da cama. Olhou ao redor e não achou sinal algum de Eiji, o que significava que o general acordou cedo e envergonhado saiu do quarto. Porem, não permitiria que Eiji agisse como se nada tivesse acontecido. Não mesmo! Ele era seu amor e o tomaria como tal.

Yoshikazu seguiu para o banheiro em junção ao seu quarto e ocupou-se em tomar um banho quente e relaxante. Lavou com perfeição, afinal, queria ficar irresistível quando fosse conversar com Eiji. Ao terminar, enxugou e escolheu suas melhores vestes, mas igualmente, que não fossem chamativas.

Ao terminar de se aprontar, Yoshikazu, deu uma última olhada no espelho. Sentia-se tão nervoso. Até parecia que era seu casamento. Mas rezava que logo ocorresse. Sua mente já imaginava uma cerimônia íntima somente para familiares e amigos mais próximos... Uma festa linda e lua de mel ainda mais perfeita.

Confiante, o imperador deixou o seu quarto e seguiu pelos corredores do castelo. Por sorte, a residência de Eiji ficava dentro dos domínios do palácio, e assim, não teria que lidar com o grande publico o vendo ir encontrar-se com seu general. Não que importasse mais com o que os outros achavam.

Levou cerca de dez minutos para chegar em frente a porta da humilde casa de seu general. Iria começando mudando isso. Eiji iria morar com ele. Ainda não no mesmo quarto até o casamento, mas no castelo.

Yoshi ergueu a mão e bateu contra a madeira. Esperou alguns segundos e nada, então bateu novamente. Quando bateu pela quinta vez e não teve retorno, começou a preocupar que Eiji não estava ou talvez passava mal. Usando sua posição de Imperador para justificar, ele abriu a porta e entrou na casa. Reparou nos móveis simples, mas tudo bem arrumado.

— Eiji? — Chamou por seu amado, ansiando tê-lo em seus braços. Mas não ouvia-se nenhum barulho pela casa. Como deu por si, Yoshi havia procurando em cada canto da residência pelo general, mas não havia nenhum sinal dele. O local detinha em cada pedacinho o cheiro do gato menor, porém nada que denunciasse a presença desse. Acabou no quarto e reparou na cama arrumada e a porta do guarda-roupa aberta, e que metade das roupas não se encontrava ali. Ou Eiji tinha poucas roupas ou havia saído realmente.

Regido por um misto de medo e raiva, Yoshikazu saiu apressado da residência e foi à procura de Roan. O jovem deveria estar treinando agora e saberia onde estaria o pai.

Sem se importar com anunciar-se ou que interromperia o treino, o imperador invadiu o dojo. Seu olhar era fulminante, que fez todos se afastarem. — Roan, cadê o seu pai? Cadê o meu general? — Indagou autoritário, e sem importar com os demais.

Roan olhou meio assustado, mas depois tomou expressão seria. Ele aproximou-se do imperador e curvou-se. — Poderiamos conversar lá fora meu senhor? — Pediu, e então saiu na frente, sem olhar para ver se o Imperador o seguia. Assim que estavam no jardim que enfeitava a frente do Dojo, Roan virou-se e encarou seu rei.

— Então, cadê ele? — Yoshikazu indagou sem paciência.

— Eu achei que ele havia lhe comunicado! — Roan falou com cuidado.

— Comunicado o que? Ele não me disse nada.

Roan suspirou. Odiava ficar no meio daquilo. Há anos havia percebido que seu pai amava o imperador, e pela reação do governante, esse parecia sentir o mesmo. No final, ambos eram cabeças duras.

— Ele foi ao conselho supremo é entregou seu cargo... Deixando de ser general e pediu licença para viajar. Meu pai saiu hoje bem cedo em uma viagem sozinho. Me ofereci para ir com ele, mas se recusou... Disse que precisava ir sozinho. — Roan explicou com pesar.

As palavras do jovem guerreiro tomou o imperador em total surpresa. Seu coração falhou e o ar não parecia chegar rápido suficiente em seus pulmões. Eiji havia fugido dele... O abandonado sem antes permitir que conversassem. — Para onde? Onde ele foi?

— Não sei! Eu perguntei, mas alegou que se me contasse, certamente acabaria contando ao senhor ou outras pessoas. — Roan respondeu. — Eu sei que ele é forte e habilidoso, mas ainda é nishin e me preocupo com ele.

Yoshikazu rugiu de raiva. Iria procurar em cada pedacinho de terra, reino, floresta ou vila, mas encontraria Eiji. E se esse ousasse entrar em perigo, iria surrar sua bunda. Ele era dele e não iria fugir.

Continua...

Notas finais
Miky-san: Olá *--* Espero que tenham gostado do capítulo, um final um tanto intrigante não? heheh Finalmente tivemos um pouco mais de Myra ou Misaki, ele está descobrindo pouco a pouco, vamos na paciência. Próximo capítulo cheio de surpresinhas como sempre *-* Obrigada por ler Akai, até a próxima! Beijinhos