Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

4 Capítulo 4 - O Vilarejo dos Lobos


Notas iniciais
Hannah Kisa:
Okarie! Como prometido, aqui está mais um capítulo lindo e fofo. Nos esforçamos e colocamos nossos corações nele... Então, esperamos que gostem e não deixem de comentar. Como prometido, Mi-chan fez o lindo desenho de Nanami... Ele não é kawaii? Mas nada de quererem roubá-lo, ele e nosso! Rsrrsr!
Boa leitura

Akai Ito

Capítulo 4 – O Vilarejo dos Lobos


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Seu coração disparou como uma bomba prestes a explodir e sua visão ficou desfocada. Ele encolheu para frente e seus dedos agarraram com mais força o pelo negro.


Ele nunca gostou de altura, e juntando com escuridão e o vento gelado, o terror apenas montava profundamente em si.


— Se acalme gatinho, não vai cair! — A grossa voz ecoou, mas a forma que foi dita, raivosa e fria, apenas serviu para aumentar a sua agonia.


— Fácil para você falar... Já viu a altura? E se cair? Vou morrer na hora! — Ele disse ainda recusando a abrir os olhos. — Por que temos que subir essa montanha? — Indagou aflito. Eles estavam mais de meia hora fazendo aquele caminho pela exuberante montanha, um caminho que parecia não ter fim. Quanto mais subiam, maior era o frio... E o mesmo penetrava sem medo as várias camadas do belo kimono. Pelo visto, aquele tipo de roupa não era indicada para aquele lugar, imagine as suas roupas antigas.


— E o caminho mais rápido para o seu novo lar! — O lobo negro disse.


— Mas como farei para descer? Visitar meu amigo? — Nanami perguntou aflito. Em sua indagação ele cometeu o erro de soltar um pouco e abrir os olhos... Ao olhar para baixo, viu a profundeza da montanha que era tomada pela escuridão, e diante de seu medo, desequilibrou quase caindo.


— Segure firme gato, ou do contrário morrerá! Fique quieto e cale a boca. — O lobo disse sem muita paciência.


Nanami soltou um pequeno grito e agarrou mais a pelagem negra do lobo. Ele fechou os olhos fortemente e buscou controlar a sua respiração, era a melhor maneira, foi ignorando o medo que crescia ferozmente dentro de si.


O que pareceu uma eternidade para ele, levou mais ou menos duas horas, e quando o sol começava a surgir no horizonte, os lobos seguiram um ritmo mais lento. Logo passaram por uma floresta coberta por uma grossa camada de gelo, e quando passaram pela última árvore, parando sobre o que era uma colina, Nanami ousou abrir os olhos e sentar mais cômodo sobre as costas do lobo. Os seus olhos azuis arregalaram em total descrença e surpresa pelo cenário que pintava diante de si.


— É... Aqui é o vilarejo dos Ôkami? — Ele perguntou em um fio de voz. Abaixo da coluna, um vilarejo mediano se erguia. As casas feitas de madeira, mas belamente construídas que aparentavam outro universo. Elas eram simetricamente distribuídas. Havia desde pequenas a maiores, mas o tamanho não tirava a beleza.


Havia mais adiante um lago grande, mas devido ao inverno, se achava congelado. Algumas crianças, adultos e até lobos se arriscavam brincar patinando sobre ele.


No centro do vilarejo havia um pedestal que parecia ser indicado para alguma reunião em participar, mais adiante via-se uma área com algumas armas ajeitadas que era propicia para treinamento de guerreiros.


— Sim! Esse é o Vilarejo Akai! — O lobo disse ríspido.


— É lindo! É aqui que vou morar? Quero dizer... Eu acho... E... — Nanami se enrolou todo. Ele não sabia como levar uma conversa com o Lobo, considerando que ele era frio e grosseiro.


O lobo bufou, e ignorando a pergunta de Nanami, ele voltou a andar seguindo para o vilarejo e sendo seguido pelos outros lobos. Ao entrarem no vilarejo, alguns curiosos se aproximaram vendo de longe, e apenas dois chegaram muito perto. Um era um senhor que aparentava uns 60 anos e vestia-se com grossas roupas feitas de pele de animal, apropriadas para o frio da região. Ao seu lado encontrava um jovem que aparentava ter seus 16 anos. Ele detinha os cabelos negros, a pele alva e os lábios rosados. Os seus olhos eram dourados e os cabelos presos em um coque levantado com alguns fios soltos e uma franja de lado.


— É bom tê-lo de volta meu filho! Acredito que este seja o príncipe neko de Masao! — O homem disse firme e com total respeito.


Nanami olhou ao redor com curiosidade e deixou os olhos cair no final sobre o homem. Um medo apossou de si. Será que ele é o Alfa? Ele será o meu marido? O pequeno pegou-se a pensar. Não queria ser preconceituoso, mas não parecia agradável casar-se com um velho.


— Ele é magro e pequeno, Kensuke vai esmagá-lo facilmente. — O jovem ao lado do ancião ditou com desdém.


Nanami estremeceu com as suas palavras, isso não passou despercebido pelo lobo abaixo dele. Com o medo crescendo dentro de si, o gatinho desceu com cuidado do animal e deu dois passos de distância dele.


— Eu... E... Muito prazer em conhecê-lo. Eu sou Nanami! — Ele disse fazendo a devida reverência, à curvar seu corpo para frente.


— Tão brusco! Nada delicado como um príncipe deve ser!


— Chizuru calado! — O velho disse ríspido, fazendo o jovem imediatamente emburrar e virar a face de lado, como se tivesse levado uma bofetada. — Seja bem vindo ao nosso vilarejo Príncipe Neko! Eu me chamo Chao, o ex-lider e atual ancião. Acredito que esteja cansado da viagem, meu filho Chizuru o mostrará a tenda que descansará até o momento do casamento.


Nanami encarou o homem: Se ele não é o Alfa, então quem é? Com quem vou me casar? Com ele? Nanami se perguntava interiormente. Mordendo o lábio inferior ele encarou o jovem ao lado do ancião Chao, ele não parecia um líder.


— Ah sim, claro... — Disse desconcertado quando percebeu que todos olhavam para ele.


— Venha! — Chizuru disse amargo, e sem esperar por Nanami, saiu na frente.


— Eu vou... E... — O gatinho olhou para os demais, e quando os seus olhos caíram sobre as esferas douradas do lobo negro que o tinha levado até o vilarejo, um lampejo de eletricidade percorreu o seu corpo frágil, e ele saiu correndo atrás do outro jovem. — Espere! Ei... — Nanami gritou. Ele deu alguns tropicões até que conseguiu alcançar o jovem.


Chizuru bufou: — E tão desajeitado! Não merece o titulo de cadela Alfa!


— Eu não sou uma cadela. Sou um Neko! Seu grosso. — Nanami grunhiu pronto para partir para a briga com aquele lobo chato.


Chizuru parou fazendo Nanami esbarrar nele e quase cair. O lobo virou-se encarando o loirinho. — E pelo visto não sabe nada sobre as nossas tradições. Como papai pode escolher um gato para casar-se com meu irmão? Ken-chan merecia o melhor!


— Oras, não é como se eu tivesse escolhido me casar com ele. — Nanami grunhiu de raiva. Estava cansado daqueles lobos pulguentos o tratarem com desdém, já não bastavam os gatos de sua cidade.


— Cadela Alfa é o título dado aquele que se torna o companheiro do Alfa da tribo. É o segundo título mais importante da matilha. Deveria ter respeito por ele. — Chizuru disse.


Nanami corou fortemente pela sua gafia, mas quem poderia culpa-lo? Ele nunca tinha ido à escola, e mesmo assim, duvidava que em Masao ensinasse sobre as tradições dos lobos.


— Seu chato! — Nanami murmurou baixinho, garantindo que o outro não ouvisse. Seguiu Chizuru por algumas ruas do vilarejo, e não pode deixar de notar alguns virando a cara em desdém para si, ou outros olhando com admiração. — Aqui não é muito grande! A população dos lobos é pequena! — Comentou.


— E acha que é graças a quem? — O moreno disse raivoso. — Com a Guerra perdemos muitos guerreiros e familiares, e outros com medo mudaram para outras matilhas. Atualmente até crescemos mais forte.


— Oh! — Nanami ficou desconcertado. A Grande Guerra sempre era muito difícil para todos, pois deixou muitas marcas e perdas, incluísse para ele que perdeu os dois pais. Eles não proferiram mais nada. Seguiram mais alguns passos e logo chegaram diante do que parecia uma tenda feita de pele de animal. — O que?


— A cerimônia de acasalamento se dará ao anoitecer de amanhã, até lá, ficará aqui. Deve descansar! Mais tarde virão alguns lobos acasalados da matilha para prepararem-no. Não saia daí! — Chizuru disse firme. Sem esperar pela resposta de Nanami, ele virou-se sobre os pés e saiu do local.


— Todo mundo aqui é mal-humorado! Credo! Povo azedo. — Ele murmurou para ninguém em especial. De repente o cansaço montou todo em si, e as dores de seu corpo aumentaram.


Sem muita escapatória, o loirinho entrou na tenda e suspirou ao ver a cama de peles, ela parecia tão quentinha e confortável. Sem ligar para mais nada, Nanami tirou as sandálias de madeira e jogou-se sobre o leito. — Uhh! Poderia viver bem com essa cama! — Ele disse abraçando o que deveria ser o travesseiro, e deixou-se ser levado para as terras dos sonhos. Ao menos naquele momento, não queria se preocupar com mais nada.



–oo0oo-



Sayuri deitou em sua cama com as sobrancelhas enrugadas de preocupação e visíveis sombras debaixo de seus olhos. Oras, mas onde Nanami tinha se metido? Seu adorável Nanami era um garoto pontual, que mantinha uma rotina, por mais que nada animadora, ou digamos que uma rotina infeliz, mas ainda assim, ele buscava fazer tudo em completa ordem, tentando manter-se pontual e organizado.


Sayuri tinha ficado até altas horas na casa dele esperando por algum sinal de vida de seu amigo. Alimentou e cuidou dos gatinhos, lhes dando banhos e carinho, mas não era o suficiente se o dono não estava por perto... Esperaria até amanhã, talvez Nanami enrolou-se com alguma coisa ou raios! Ele tinha que voltar ou Sayuri iria enlouquecer.


Depois de várias horas sem dormir em pura preocupação, finalmente o sono o levou para longe. Em seu sonho Nanami estava usando um belo kimono, assim como os kimonos que tinha em seu guarda-roupa, mas este da cor rosa, já que era a cor que mais adorava.


Em seus cabelos haviam pequenos enfeites de ouro e pequenas flores adornando um lado de sua orelha de neko, sem falar de algo especial que Sayuri identificou prontamente. Havia um brinco em forma de sino dependurado em uma de suas orelhas.


Ele estava tímido, parecia um pouco assustado. Suas bochechas estavam ruborizadas em um rosa bonito que Sayuri adorava. Ele não entendeu o que houve, mas logo Nanami estava completamente nu, tentando esconder suas partes íntimas.


Havia uma voz grave falando com ele enquanto o mesmo encontrava-se envergonhado, logo mais Sayuri ouviu gemidos, os mais doces que ele nunca antes tinha ouvido. Nanami era bom com gemidos.


Sayuri assustou-se mentalmente pelo tipo de sonho que estava tendo, assim como todos tinham mudança de ambiente, de cenário, de pessoas, logo mais já estava vendo um lago grande e congelado. Deveria ser um lugar muito frio do topo das montanhas do norte. Sayuri amava a neve, mas algo mais lhe chamou a atenção.


Havia um homem de pé olhando para o lago congelado. Não teve tempo o suficiente para ver os detalhes de seu rosto ou reparar no que vestia, mas pelo seu olhar perdido, ele parecia carente e solitário.


Sayuri sentiu de pronto que precisava alcançá-lo, que precisava conhecê-lo, mas o canto dos pássaros o trouxera a realidade e logo ele estava sentado em sua cama e esfregando seus olhos cansados. Ainda era cedo, afinal os primeiros raios solares surgiam do horizonte, mas Sayuri não podia ficar dormindo quando o dever lhe chamava! Ele precisava se empenhar em encontrar seu melhor amigo a qualquer custo.



–oo0oo-



Nanami acordou com tamanha claridade, seus olhos tremularam para se abrirem e logo ele estava fazendo careta pela irritação em seus orbes. Depois de se sentar bocejando, ele percebeu que não fora um sonho, e sim que as coisas tinham mesmo acontecido e ele estava naquela pequena tenda, esperando o momento em que seria o seu casamento.


Deuses! Era muito estranha toda essa situação. Nanami estava tão perdido como em um labirinto. Ele não tinha muitas opções válidas, ou ele se casava e vivia uma vida infeliz, sofrendo nas mãos do lobo, ou fugiria e arriscaria a vida de Sayuri e o risco de uma nova guerra entre os dois povos.


Cães nunca foram amigos dos gatos e nunca seriam, muito menos lobos. Eles ainda eram criaturas muito piores do que os cães, afinal eles eram mais selvagens, muito maiores pelo que tinha visto à noite e muito mais ágeis no confronto.


O belo gatinho se levantou da cama felpuda e fofa, olhando ao seu redor com curiosidade. Mesmo que seu coração ainda estivesse repleto de medo por estar em um lugar completamente desconhecido e com pessoas desconhecidas e provavelmente suas inimigas.


Dirigiu-se até o grande espelho detalhado que havia dependurado em uma das paredes. Mesmo tão antigo, o objeto era magnífico e Nanami não resistiu em tocar nos detalhes bem talhados e enferrujados. Esse povo parecia muito conservador, não havia as coisas mais modernas que Nanami conhecia, eles pareciam tal qual como uma tribo ao invés de uma cidade como era Masao.


Tocou o vidro sobre sua imagem, aquela que ele adorava por ter pequenos traços que o fazia se lembrar da foto de seus pais. Mesmo que muitos o humilhassem ou fizessem caso de si zombando de era um gato de pouca beleza.


Pela primeira vez realmente havia se sentiu bonito. Nanami ainda usava o kimono que havia posto ontem à noite... Não queria tirá-lo de seu corpo, não só por não ter nenhuma roupa, mas as cores, os desenhos bordados a fio de outro e prata, eram tão lindos que o fazia se sentir como uma luz.


Nanami se apegava fácil às coisas bonitas e confortáveis. Ele era um gato afinal de contas!


O som dos sinos dependurados na porta soou, Chizuru entrou com uma bolsa em suas mãos.


— Eu trouxe um kimono para usar esta manhã e um par de botas. — Disse ríspido como se obrigado ao que estava fazendo. Seu olhar denunciava ódio por Nanami e isto incomodou o gatinho.


— E-Eu não preciso. Estou bem assim, obrigado. — Nanami não quis ser bruto, mas foi instantâneo erguer um pouco mais de sua voz para o lobo chato.


— O que? Está recusando os presentes do Alfa? — Colocou-os sobre o felpudo manto e jogou as mãos para o ar. — Você é um príncipe, deveria ser acostumado a receber presentes, ainda mais do meu irmão. E não pode ficar vestido com a mesma roupa desde ontem, é nojento, vá se banhar e vista este kimono!


Nanami ouviu muito bem Chizuru, ele não precisava gritar para que escutasse. — Eu não sou surdo... — Resmungou baixinho. — Você pode se virar, por favor?


Chizuru olhou bem para ele e riu em deboche.


— Eu não vou me virar. Eu estou aqui para verificá-lo. Não que eu me importe com você... — Cruzou os braços sobre o peito e fez uma expressão de completo nojo. — Mas de acordo com meu pai, como você é de um povo completamente diferente do nosso, tenho o dever de verificar também se realmente é um príncipe casto e que se guardou para o meu irmão.


— O que? — Oh céus, isso não poderia ficar pior. — Eu não vou ficar nu na sua frente.


— Ah você vai! Me entenda, não quero ver você nu, nunca quis, mas são ordens do meu pai. E melhor do que ele vir verificar você pessoalmente, prefiro que seja eu mesmo. Ele não vai querer ver o corpo daquele que irá se casar com o Alfa da matilha. — Isso era desrespeitoso, ainda mais para um ancião. Chizuru não teve escolha, ele era aquele de confiança de seu irmão para concluir tal ordem. — Vamos logo, tire tudo!


— Merda... — Nanami xingou baixinho. Ele esteve vermelho como um pimentão o tempo inteiro em que retirava peça por peça de suas roupas. Ainda que desajeitadamente.


Nanami não se lembrava de ter ficado nu à frente de alguém antes. Ah sim, somente Sayuri conhecia o seu corpo, ele inclusive o havia ajudado a banhar-se algumas vezes em que por causa das feridas até mesmo um banho era complicado. Sayuri tinha feito tanto por si, esperava um dia poder retribuir tudo o que fizera em sua vida, talvez já estivesse começando desde agora.


Quando cada peça de roupa caiu ao chão, foi instintivo que suas orelhas e cauda aparecessem. Não porque Nanami quisesse mostrar suas características, mas aos olhos de outro, elas apareceram como se de alguma forma pudesse esconder o seu corpo ou protegê-lo.


Chizuru teve o queixo caído e olhos arregalados. — O-O que fizeram com você? — Ele murmurou. — Por que um príncipe está tão marcado e ferido?


— E-Eu... — Nanami precisava de uma desculpa, uma desculpa já! Neste momento... Mas o que diria? — Foi um acidente que tive na semana passada! Eu estava andando muito rápido pelo castelo, é uma mania que eu tenho, gosto de andar rápido, às vezes correr. Eu usava uma sandália de salto muito alto, mas eu tenho esse defeito de um pouco de falta de equilíbrio. Haviam pratos nas minhas mãos, pratos com pedaços de tortas para os meus irmãos. Eu cozinhei as tortas. Mas fui descer as escadas com os pratos de vidro vazios depois da reunião e desequilibrei de meu salto. Eu cai, me ralei e me feri. — Agora é torcer para que o outro acreditasse.


Chizuru piscou, ainda de queixo aberto. Ele se recompôs, certamente analisando com os olhos, o pequeno corpo envergonhado de seu futuro cunhado. Nanami cobria sua intimidade com ambas as mãos e tremia levemente pelo frio de inverno. Ele iria congelar! Então Chizuru decidiu ir mais rápido com sua inspeção.


— Vire de costas. — Tentou não reparar no corpo trêmulo, mas ele se sentiu atraído, porque no fundo admitia que Nanami fosse realmente muito lindo. Mas ele não tinha interesse em garotos menores do que ele, só que precisava fazer o seu trabalho. — Quero que se incline e abra suas nádegas.


— O que? Nã-Não! Eu não vou fazer isso, você já está vendo bastante, eu quero me vestir. — Exclamou em desespero, mas Chizuro foi mais rápido e empurrou as costas de Nanami fazendo o seu rosto tocar a parede fria, enquanto ele mesmo cutucou a entrada do menor. Ele estremeceu com seu toque.


— Pronto, verifiquei. Você realmente é virgem, está bom? Não ia enfiar nada lá, não precisava se preocupar. — Chizuru se afastou e olhou por cima do ombro observando o loirinho assustado em um canto. — Certifique-se de se vestir direitinho. Os Betas estarão chegando há alguns minutos para levá-lo a um passeio ao redor do clã. Eles estão encarregados a te mostrar pouco a pouco sobre nossa cultura e apresentá-lo a algumas pessoas importantes. Não se esqueça que a cerimônia será ao anoitecer. — E saiu.


Nanami estava tão assustado como nunca esteve antes. Deuses, porque Chizuru teve que lhe tocar justo naquele lugar? O que quer dizer que ele era virgem? Não entendeu bolhufas de nada, mas algo estava lhe dando medo. Nanami sabia que ninguém deveria ficar olhando para as partes íntimas dos outros, isso era muito embaraçoso e parecia tão errado.


Na certa, Nanami não sabia absolutamente nada sobre como faziam os bebês. Não era para menos, já que ninguém o havia instruído ou lhe dito algo sobre isso. Somente se lembrava de uma vez que sua avó comentou de que eram necessário um homem e uma mulher para que surgissem os bebês.


Não sabia se acreditava na história que sua avó lhe contava de que um casal precisava agendar uma entrega dos bebês através do Conselho das cegonhas. Era uma história muito curiosa e Nanami se mordia de vergonha para perguntar a alguém onde ficava esse Conselho das cegonhas, seria legal ter bebês para cuidar. Gatinhos pequenos e fofos para apertar e dar beijinhos.


Ah é mesmo, nunca teria esta oportunidade já que estava indo se casar com um lobo Alfa, e o que mais lhe doía, que provavelmente o teria que traí-lo com uma mulher para ter herdeiros. Mesmo que Nanami não o amasse, ele iria se sentir muito mal...


Mas espere ai! Se sentir mal por algo assim? Nanami estava indo se casar com o Senhor Lobo mau e provavelmente apanharia como um servo todos os dias e trabalharia como um escravo para ele. Sem dizer que seria compartilhado com os outros lobos da matilha como os kagemas haviam comentado.


Nanami se banhou rapidamente coma água do balde em um banheirinho improvisado naquele pequeno cômodo. Ele quase congelou, porque a água estava trincando enquanto a neve caia lá fora. O frio daquele lugar o fazia arrepiar e querer se transformar em um pequeno gatinho e se esconder debaixo dos cobertores.


Mas ele não fez isso, ele apenas vestiu seu kimono e se ajeitou para aparentar um príncipe. Era um lindo kimono que chegava até o chão. Muito maior do que seu corpo pequeno, mas que com um pequeno improviso de Nanami, ficou certo no lugar.


Penteou seus cabelos e colocou os enfeites bonitos, apesar de que um pouco fora de ângulo, mas ficou bonito. Antes mesmo de terminar com todos os detalhes, logo que suas orelhas e cauda desapareceram por sua magia, os betas o chamaram cautelosamente de frente para o cômodo.


Nanami se apressou e se sentiu nervoso por ter que conhecer outros lobos diferentes do que Chizuru ou o Ancião. Ele saiu do recinto tentando não transparecer o seu medo.


— Bom dia Oji-sama! Eu sou Seiji, o segundo no comando, e esse é Ryo, o terceiro no comando. Somos os betas e melhores amigos de Kensuke, seu futuro esposo! — O belo jovem disse. O mesmo devia ter pelo menos 1, 86 de altura e pesava mais de noventa quilos. A sua pele era sutilmente morena, mas não de bronzeado e sim natural. Os seus cabelos eram prateados, e fazia uma combinação exótica com os seus olhos dourados.


Nanami não pode evitar que as suas bochechas corassem. Ninguém havia sido tão educado consigo assim antes, claro, tirando Sayuri. “Será que ele se parece com Seiji-kun ou Ryo-kun?” Se perguntou mentalmente. Os dois betas realmente eram homens lindos.


— Ah, prazer em conhecê-lo! — Disse em baixa voz.


— Até que ele é bonitinho para um gato! — Ryo disse em um tom frio. O segundo beta tinha a pele alva e os cabelos loiros. Ele ficava pouca coisa abaixo de Seiji, mas diferente desse tinha um olhar gélido e uma postura firme, alguém que não costumava rir com facilidade.


— Eu... O que tem ser um gato? As pessoas aqui só sabem ofender! — Nanami ronronou no final de suas palavras, mas quando se deu conta da forma que falou, acabou corando e desviando a face. Ele tinha que se controlar, um príncipe não aumentava o tom de voz.


— Irritadinho ele! — Ryo disse analisado o pequeno gatinho.


— Pare com isso Ryo! — Seiji grunhiu com o amigo, e depois virou para Nanami. — Seria bom vestir um dos casacos de pele dentro da tenda, aqui faz frio. — Sugeriu.


Nanami ficou olhando aqueles dois interagirem e achou engraçado. Acabou lembrando-se dele com Sayuri, e seu coração apertou de saudade. Queria tanto ver o amigo pela ultima vez, ao menos despedisse decentemente dele.


— Tudo bem?


Ele se assustou com a pequena pergunta de Seiji. Olhou para ele com os seus olhos azuis grandes, e somente então se deu conta que seus olhos achavam nublado pelas lágrimas que debulhavam. Ele acabou limpando os olhos grosseiramente e respirou fundo. — Ah sim, tudo bem! Acho que entrou um cisco. Sabe, essas coisinhas podem ser perigosas. Ah sim, casaco... Vou pegar, esperem aqui... Não demoro... — Ele divagou rapidamente e sumiu para dentro da tenda.


— Ele é... Estranho para um príncipe. — Seiji disse.


— Como se você conhecesse muitos príncipes. E um gato, eles são estranhos. Sinto pena de Kensuke. — Ryo disse ainda sério.


— Que isso, ele é fofo e lindo... Ken saiu no lucro. — Seiji disse circulando um braço nos ombros de Ryo, mas esse afastou fazendo o beta tropeçar. — Chato!


Antes que Ryo pudesse rebater, Nanami saiu da tenda agora com um casaco grosso e longo, por cima do Kimono. Ele abraçou deslizando os dedos finos pela maciez da pelagem. — Estou pronto!


— Ah sim! Vamos mostrar um pouco do vilarejo. Ele é pequeno, mas todos são bem unidos. — Seiji disse.


Cada beta se colocou de um lado de Nanami e o guiou pelo local. Nanami olhava para tudo com curiosidade. Ali era tão diferente de Masao. As coisas eram todas de madeiras e tamanhos medianos.


— São poucos lobos que vivem aqui? — Perguntou casualmente. Ele percebeu que todos estavam entretidos fazendo algo, mas de alguma forma olhos curiosos sempre olhavam para ele. Nenhum dos aldeões do vilarejo de Akai se aproximou, eles pareciam temê-lo.


— Sim, devemos ter umas 15 famílias e mais alguns solitários, no total cerca de 130 pessoas. Todos contribuem de alguma forma. Os guerreiros são responsáveis por manter a segurança de nossos territórios além de caçar e trazerem comida... Os Ninshin cuidam do alimento, crianças, e os idosos de ensinarem os mais jovens. — Seiji explicou com calma.


Nanami olhou para um grupo de crianças que brincavam. Elas eram pequenas entre idade de 4 a 6 anos e pareciam bem alegres.


— Ninshin? O que é isso? — Nanami perguntou olhando curioso para Seiji, que era o único que falava.


Ryo e Seiji olharam para ele meio abismados. — Ora, como não sabe? Até onde sei existe alguns gatos Ninshin e pelo que foi informado, o príncipe deveria ser um. — O Beta loiro disse desconfiado.


Nanami entrou em desespero. — Eu... E... Claro que sei, apenas não sabia que existia na matilha dos lobos e queria confirmar se era a mesma coisa. — Disse gaguejando. Pelo visto não seria tão fácil enganar os lobos ou fingir que era um príncipe. Ele não tinha culpa que nunca pode estudar na vida.


Ryo continuou olhando desconfiado, mas Seiji deu um sorriso radiante. — Claro! Diferente dos gatos ou outros Weres nós Lobos de Akai somos uma raça com detalhes raros, ou seja, não temos fêmeas e somente machos no bando. — Explicou com calma. — Seguimos a hierarquia de: Alfa, Betas, executores, sentinelas, anciões, e Ninshins.


— Somente homens? Mas de onde vêm os bebês? — Nanami perguntou sem entender. Ele levou o dedo indicador à boca e ficou mordendo a ponta enquanto processava tudo que o Beta falou, mas de alguma forma não entrava em sua mente. — Onde ficar o Conselho Cegonha de vocês?


— Conselho de Cegonha? Príncipe... O que...? — Seiji coçou a nuca sem entende.


Os dois foram cortados por uma gargalhada, e quando buscaram a fonte, encontraram Ryo curvado e se matando de rir. Ele ria tanto que chegou a brotar pequenas gotículas de lágrimas do canto de seus olhos. — Conselho Cegonha. Kensuke está feito, ele literalmente arrumou um noivo extremamente ingênuo!


— Ryo, não desrespeite o príncipe. — Seiji repreendeu c o amigo, mas esse não conseguia parar de rir.


Nanami ficou olhando para os dois pensando no que tinha dito de errado. Sua avó havia dito que os bebês vinham do Conselho Cegonha, e que precisava de um macho e uma fêmea para isso, então se ali tinha somente macho, ele queria perguntar no Conselho como faziam os bebês quando a situação era esta. O que tinha demais nisso?


— Eu... Falei algo errado? — Nanami perguntou em um fio de voz.


— Não falou nada errado jovem príncipe, esses dois que deviam se comportar. — Uma voz fez presente, e quando os três viraram, se deparando com o ancião Chao.


— Mestre Chao, lamentamos! — Seiji disse.


— Não foi nossa intenção desrespeitar o príncipe de Masao. — Ryo disse. Prontamente os dois se ajoelharam no chão em respeito ao ancião.


— Levantem! Os dois vão ajudar o Alfa a se preparar para a cerimônia de casamento! — Chao ordenou.


— Sim senhor! — Ryo e Seiji disseram juntos. Eles levantaram e saíram rapidamente dali, como se temessem ser castigados pelo idoso.


— Não os castiguem, juro que não me ofenderam. Acho que perguntei algo tolo! — Nanami disse com medo que os Betas fossem machucados por sua culpa.


— Não acontecerá nada com eles! — Chao disse analisando o pequeno gatinho seriamente. — Por que não volta para a tenda? Está frio e certamente não é acostumado. Durma um pouco e logo pedirei a Chizuru para enviar seu café da manhã.


— Ah... Eu... Obrigado!


— De nada meu jovem! — Chao disse gentilmente. O velho moveu sobre os pés se afastando.


Nanami ficou olhando para ele até sumir, e quando finalmente deu conta que encontrava no meio do vilarejo e sozinho, e que ninguém prestava atenção em si, viu nisso uma bela oportunidade de fugir. Por que não?


Continua...


Notas finais
Miky-san:
Espero que tenham gostado *---* Semana que vem tem mais!
Aqui está o link do desenho para quem não conseguiu visualizar:
http://miky-san.blogspot.com.br/2013/07/nanami-akai-ito.html

Obrigada por ler ♥