Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

30 Capítulo 30 – Tudo pronto para a viagem


Notas iniciais
Miky-san: Oláa queridos *-* Espero que gostem do capítulo! Eu confesso que adorei escrevê-lo e Hannah também! Boa leitura!!

Nanami desceu o lance de escadas saltitante. Havia acabado de tomar um banho demorado com Kensuke – e obviamente recebeu muito carinho. Agora, seu marido havia saído para tratar algo com os visitantes de Masao... E ele iria comer. Sim! Seu estômago roncava de fome.

— Bom Dia! — Nanami disse com um largo sorriso. Ele viu o olhar preocupado na face de Sayuri e Chizuru, e temeu que algo tivesse acontecido. — O que foi?

— Nana-chan! — Sayuri gritou e saiu correndo para abraçar o amigo. Ele tomou o loirinho entre seus braços e deixou as lágrimas virem. — Me perdoe... É tudo culpa minha... Snif...

Nanami retribuiu o abraço ao amigo e acariciou seus fios ruivos. — Tudo bem Say-chan... Não foi sua culpa. Eu não devia ter saído dos limites da aldeia... Mas estava com tanta raiva de Ken-chan que esqueci. — Disse afastando do amigo somente para acariciar sua face e recolher suas lágrimas.

— Vê se aprende e não foge mais. — Chizuru disse feroz, mas logo juntou-se a Sayuri e ficou abraçando Nanami. Os dois encheram o loirinho de beijos e apertos, e no final, os três estavam rindo muito.

Eles ficaram abraçadinhos até que um barulho de ronco veio aos seus ouvidos e todos arregalaram os olhos. As bochechas de Nanami tornaram-se rubras e ele abaixou o olhar. — Desculpa! Acho que estou com fome...

Sayuri e Chizuru riram, não de zombaria, mas porque Nanami realmente era adorável. — Tudo bem... Preparei o café da manhã. Vamos comer! — Sayuri disse indo ajeitar a mesa.

— Ah... O novo residente já comeu? — Nanami perguntou.

— Quem? — Chizuru indagou sem entender.

Nanami olhou para a escada que levava ao segundo piso da casa. — Ah... É o gato que eu e Ken achamos ontem. Eu vou buscá-lo para comer conosco... Já volto! — Nanami falou saltitante. Ele deixou a cozinha e correu para o segundo piso. Sem bater na porta, ele a abriu e encontrou o loiro na cama olhando para o céu que era deslumbrado pela janela. — Ah, desculpa entrar assim... Está com fome?

O loiro virou-se para encarar Nanami. Ele ficou olhando hipnotizado, mas quando percebeu o que fazia, abaixou a face e corou. — É... S-sim... Mas não quero atrapalhar. Foram muito gentis em me trazer... E dar uma cama quentinha.

— Não seja bobo! Vamos! Say-chan cozinhou, e ele faz coisas muito gostosas. Bem, Chizu-chan também faz... Apenas eu que não sei. Sabe, não sou bom cozinheiro. — Nanami divagou. Ele correu até a cama e puxou o outro gato pela mão, e sem dar espaço para ele protestar, o puxou para fora do quarto. Logo os dois chegaram à cozinha e Nanami colocou-se ao lado do forasteiro. — Gente... Esse é... Uh, como vou chamá-lo? — Indagou ao loiro que era um pouco mais alto que ele.

O desconhecido parecia desconcertado. — Eu não sei... Não lembro meu nome. — Seus olhos brilharam em tristeza.

— Já sei... Myra-chan... Foi ele que Ken-chan e eu achamos perdido na floresta. Ele não lembra quem é, mas nem por isso será menosprezado. Ficará morando conosco até que se lembre. — Nanami explicou.

O gatinho loiro – agora nomeado de Myra – olhou para Nanami com os olhos arregalados. Ele não sabia explicar, mas seu coração aqueceu pelo cuidado que aquele menino cedia a ele.

— Você... — Sayuri disse aproximando-se. Ele tocou no cabelo de “Myra”... — Parece muito com Nanami... Se não soubesse que Nana-chan não tem irmão, diria que são parentes. — Sayuri admirou. Ele não poderia negar que seus dedos coçavam para apertar e apalpar o forasteiro. Ele era muito fofo.

— Neh, Ken-chan falou a mesma coisa! — Nanami disse sorrindo. — Ah... Este é Sayuri. Meu melhor amigo e príncipe de Masao! E este é Chizuru, meu cunhado e príncipe de Akai. — Nanami apresentou o ruivo e moreno.

Myra corou sem jeito e acenou com a mão. — Prazer em conhecê-los! — Ele podia não lembrar quem era ou nada de sua vida, mas sabia que lobos e gatos sempre foram inimigos. Era estranho saber que aquele loirinho lindo era casado com um lobo, e que havia outros Were Gatos em uma Vila de Lobos.

Os quatro se sentaram ao redor da mesa e começaram a se servirem da deliciosa refeição. Sayuri falava bastante, Chizuru era mais reservado e Nanami sempre ria ou fazia comentários malucos. Myra sentiu-se acolhido e bem-vindo.

Eles estavam tão entretidos na conversa que não repararam quando alguém entrou, somente perceberam quando algo caiu ao chão e o ruído soou pelo local.

Todos levantaram assustados, mas Nanami foi o primeiro a se pronunciar. — Yamato... — Ele falou se referindo ao felino grande, vestido com roupas de couro e um olhar penetrante. Esse pareceu acordar de seu topor e olhou para a Cadela Alfa.

— Ah... Nanami-sama... Eu vim ver como estava e falar com o Alfa! — Disse visivelmente nervoso.

— Poxa, Ken-chan saiu! Pelo visto se desencontraram. Acho que ele foi falar com Príncipe Yunsuke e o General, mas logo volta. — Nanami respondeu. Ele aproximou-se do assassino com sorriso tímido. — Eu... Queria agradecer. Ken-chan me contou que foi você que me salvou. Muito obrigado! — Nanami timidamente abraçou a grande pantera. Ele sentiu-se bem perto do mesmo, protegido... De maneira que não soube explicar.

Yamato ficou rígido no começo, mas aos poucos ele sentiu o calor apossar de seu corpo. Incapaz de se conter, ele retribuiu o abraço. Ainda não podia acreditar. Aquele gatinho loiro, desajeitado e tão amável era seu sobrinho. Ele não sabia ainda o motivo de ter esquecido fatos tão importantes de sua vida... Mas certamente descobriria. Contudo, agora tinha mais um quesito a descobrir... E era justamente aquele loiro que o olhava descontraído. Não era estúpido, sabia quem ele era... Ou devia ser... Apenas não entendia sua presença.

— E quem é esse? Nunca o vi! — Yamato perguntou casualmente.

Nanami afastou do abraço e virou-se para Myra. — Este é Myra... Quero dizer, não é seu nome verdadeiro... Mas o apelidei! Bem, ele gostou. — Disse dando os ombros. — Ontem saí para procurar por meu colar... Que é muito importante para mim... E Kensuke acabou encontrando Myra na floresta nu e desacordado. Ele não se lembra quem é. — Essa parte Nanami sussurrou somente para Yamato, claro, os outros como Weres escutaram, porém ficaram em silêncio.

— Oh! — Yamato exclamou surpreso. — Espero que se recupere logo! Aposto que tem uma família preocupada contigo. — Falou encarando aquele ser. Isso não parecia certo. Havia algo mais ali, e certamente iria descobrir.

— Obrigado! — Myra respondeu desconcertado. Não sabia porque, mas o olhar penetrante daquele homem o incomodava.

— Neh, vamos terminar de comer. Junte-se a nós Yama-chan? — Nanami pediu. Para quem cresceu acostumado somente a ele e sua avó, e depois que a mesma faleceu, ficando sozinho... Agora ele adorava quando tinha muita gente na casa dele e de Kensuke.

— Não posso demorar muito, fiquei de brincar com Mi-chan! — Yamato falou, porém não resistiu quando o loirinho o puxou para sentar-se ao redor da mesa com eles.

Nanami remexeu-se na cadeira. — E como Mi-chan está...? Ele está bem? É tudo minha culpa...

— Não diga isso! A culpa é daqueles homens maus, e não sua. Minky está bem... E ele foi bem valente. Graças a ele ter fugido que fomos capazes de achá-lo.

Nanami afirmou com a cabeça. — Sim! Vou vê-lo depois. Quero brincar muito com ele.

— É seu filho? — Myra perguntou de repente. — Fala dele com tanto amor!

Yamato ficou sem jeito, mas sentiu seu coração inchar. Ele realmente amava muito Minky e o tinha como filho. O pequeno até mesmo já o havia chamado de pai.

— É meu enteado... Mas o considero meu filho! Logo me casarei com o pai dele.

Nanami sorriu. — Verdade? Ohhh... Teremos três casamentos! Say e Ryo... Chizu e Seiji, e agora o seu com Shou. Temos de fazer uma grande festa! — Nanami já estava dando pulinhos.

— Sim, meu anjo! Uma festa bem grande. — Kensuke disse quando entrou na cozinha. Ele foi até seu esposinho e o abraço por trás de maneira meiga. Quem o visse, não acreditaria que o grande Alfa podia ser tão gentil.

— Alfa! — Yamato o comprimentou com devido respeito.

— Bom dia a todos. Yamato, bom vê-lo! — Kensuke disse. Ele sentou-se ao lado de Nanami e logo o puxou para seu colo. — Queria lhe perdir um favor.

— Claro, se puder ajudar.

— Daqui a dois dias irei a uma viagem pequena com o príncipe e general de Masao. Iremos à Vila dos gatos para selar um acordo de paz... E para que Ryo peça ao Imperador a mão de Sayuri em casamento.

— Eu vou para Masao? Mas não quero deixar de viver aqui. — Sayuri resmungou. Claro que queria ver seu pai e irmão Shuichi, mas realmente amava viver em Akai.

— Tudo dando certo, se casará com Ryo e viverá aqui conosco. Apenas que seu irmão acha correto ir falar diretamente com o Imperador... A fim de evitar um conflito. — Kensuke explicou. — O caso é... Deixarei Seiji responsável pela Vila na minha ausência, mas ele precisará de toda a ajuda, por isso gostaria pedir que ajudasse no que for preciso e que o abrigasse enquanto eu estiver fora. — Falou indicando Myra. — Falarei com Shou... A casa é dele, mas acredito que não terá problema.

— Não quero ser um estorvo. — Myra choramingou.

— Não será problema algum. Se Shou aceitar, não vejo dificuldade. E pode contar comigo Alfa, ajudarei com prazer. — Yamato ofereceu polidamente.

Nanami pegou a face do marido com as duas mãos e o forçou a encará-lo. — Vou ficar sem você? Por quê? — Nanami negou com a cabeça. — Não! Não quero ficar sem Ken-chan!

O Alfa dos Lobos riu. — Não ficará sem mim, por que irá junto!

— Tonto! — Chizuru zombou rindo enquanto passava geléia na torrada. — Até parece que meu irmão o deixaria para trás. Esse não vive sem você.

Nanami corou e remexeu no colo de Kensuke, fazendo os demais rirem. O restante da conversa foi tranquila e regada de risadas. Quando o horário era avançado, Yamato despediu-se.

— Venha Myra.. Eu e Chizu-chan iremos arrumar kimonos lindos para você... E acessórios fofos. Ficará muito lindo. — Sayuri falou sorridente. Ele puxou o loiro pela mão enquanto Chizuru levantou para segui-los. Este olhou ao redor decidindo se iria ou ficaria para arrumar as coisas.

— Pode ir, eu e Nanami arrumaremos. — Kensuke ditou apertando o esposo nos braços e dando-lhe beijos em seus ombros.

— Sim! — Chizuru saiu mais aliviado.

Quando todos deixaram a cozinha, Nanami relaxou contra o corpo do marido. — Uhh! Vai mesmo me ajudar a arrumar?

— Claro, gatinho! Vamos ajeitar rapidinho para possamos ir ao quarto. — Kensuke falou ajudando Nanami levantar e seguiu em seguida.

Nanami o olhou sem entender. — Quarto? Para o quê?

Kensuke deu uma risadinha maliciosa. Seu esposo era tão ingênuo que dava vontade de mordê-lo. — Logo descobrirá!

Ainda sem entender, Nanami deu os ombros. Ele começou a retirar os copos, pratos e talheres da mesa para levar à cozinha, enquanto o Alfa guardou os alimentos que sobraram.

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— Pare... — A voz delicada gritou em agonia. A pele pálida de suas costas se encontrava enfeitada por vergões e o sangue vermelho. A dor rasgava seu corpo, mas a dor maior era em sua alma. Em saber que era obrigado a fazer coisas que não queria... Que se não fizesse, quem amava pagaria com a vida...

— É inteiramente sua culpa! O mestre jamais mandaria lhe machucar se tivesse feito o que ele ele pediu. — O ser coberto por manto negro ditou. A voz era carregada de diversão, denunciando o quanto gostava da tortura que fazia.

Maiko mordeu os lábios tentando segurar o grito de dor. Seus braços se achavam suspensos no ar, com os pulsos presos por grilhões de ferro que eram suspensos por correntes no teto. Sua cabeça estava inclinada para frente e os fios negros e longos se achavam úmidos pelo suor que escondia sua face.

Seu kimono estava rasgado, principalmente nas costas aonde mais estava ferido. Suas pernas tremiam desejando alívio, mas este não havia para ele.

Ele tinha falhado. Mais uma vez!

— Eu fiz o que pediu... Não tenho culpa se o acharam... — Maiko resmungou. Ele apenas queria que isso acabasse logo.

O ser obscuro rodeou o corpo do lobinho, correndo seu dedo indicador pelas costas feridas, e dava para ver sua satisfação nisso. Ele se inclinou ao ponto que sua boca ficasse rente ao ouvido dele. — É simples... Cumpra sua obrigação... Ou logo começara recebê-lo em partes na sua casa.

Maiko se agitou assustado. — Não... — Ele tentou soltar suas mãos e avançar sobre seu carrasco. — Eu estou fazendo tudo que querem... Não toquem nele...

— Então traga o gato para o mestre! — Disse feroz.

— Eu irei... Eu juro... — Maiko disse sem forças. Ele não queria fazer aquilo, porém não havia mais como fugir... Teria que sequestrar Nanami por contar própria e levá-lo ao seu mestre.

— É bom que faça, pois mais uma falha sua, você e seu amado morrerão. — O lacaio falou grosseiramente. De repente, as correntes que o prendiam desaparecem e ao invés daquela sala fria e sombria, ele viu-se deitado sobre o campo de flores que ficava na floresta que ladeava a Vila de Akai. Maiko escondeu os olhos com os braços e chorou baixinho, rezando para que algo mudasse aquela situação.

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Chizuru estava segurando muito bem até agora. Ele não era nenhum bebê chorão ou sentimental para demonstrar seus sentimentos tão abertamente para seus amigos. Mas assim que ele viu Nanami e Sayuri saírem com as malas, os seus olhos inundaram em lágrimas, que borbulharam e deslizaram por seu belo rosto.

Nanami correu para ele quando o viu chorar, assim como Sayuri que o imitou igualmente em rios de lágrimas.

— Eu queria muito assistir ao seu casamento Sayuri-chan... Mas não posso ir e deixar Seiji sozinho. — Chizuru se desculpou e fez uma reverência exagerada para tal objetivo. Sayuri por sua vez sorriu para ele, enquanto enxugava suas lágrimas e voltou a dar-lhe um abraço forte.

— Não se preocupe, embora fosse perfeito com a presença de vocês lá. Mas Kensuke conversou conosco e prometeu fazer uma comemoração quando voltarmos.

— Isso é ótimo! — Chizuru sorriu. Então ele olhou para Nanami e corou um pouco mais as bochechas. — E Nana-chan... Eu queria te dizer algo...

Nanami perdeu o sorriso para um ar curioso em seu rosto. Ele fitou atentamente a expressão envergonhada de Chizu, ele mal estava a olhar em seus olhos, apenas corando... E corando... Até que ele criou coragem e disse.

— Eu não tive muita oportunidade de dizer... Mas... Eu queria me desculpar com você... — Chizuru queria se enterrar. Estava tão difícil realmente dizer aquilo, mas como homem, ele tinha que se desculpar formalmente. Ele se endireitou e fez uma grande reverência. — Queria me desculpar por não ter sido bom para você quando chegou neste povoado... Mas hoje eu o considero um grande amigo Nana-chan. Por favor, volte para nós.

Nanami estava com os olhos brilhantes arregalados para a declaração de Chizuru. Ele sorriu belamente e abraçou seu amigo. A diferença de tamanho de ambos ainda era notável, Nanami parecia um garotinho que nunca ia crescer, e Chizuru era o mais alto do trio.

— Não se desculpe... Eu sempre gostei de você Chizu-chan... Você sempre foi um bom amigo pra mim... Mesmo que não gostasse de mim no começo, eu sentia em meu coração que você era bom, e que poderia gostar de mim. Fico feliz que aconteceu.

Chizuru fez um beicinho para não se derramar em choro. Sayuri estava com os olhos arregalados e seu rosto vermelho. Como ele poderia se emocionar tanto sem explodir? Oh bem, ele não podia, então ele teve um ataque de fofuras e pulou sobre Chizuru e Nanami, abraçando-os e enchendo-os com beijinhos. Eles eram seus melhores amigos.

Nanami e Sayuri já estavam para ir, quando Chizuru lhes chamou a atenção para um último detalhe.

— Antes que vão... Eu quero lhes dizer que... Seja lá o que aconteça... Por favor, voltem para Akai, eu morreria de saudades sem vocês. — Opa, Chizuru soluçou. Ele não ia chorar agora, agora não.

— Eu voltarei Chizu-chan... — Nanami falou entre risinhos que mais pareciam miados. — Até porque Akai é o meu lar, Masao é apenas um local para uma visita.

— Isso mesmo! Todos nós voltaremos, pode esperar Chizu-chan! Prometemos mandar notícias quando chegarmos lá!

Chizuru sorriu e acenou para eles enquanto os viam se preparar. Um conjunto de lobos se formou para despedida, havia também uma carruagem ligada a alguns grandes cavalos bonitos. O povo de Akai poderia ser todo formado por Lobos — e agora Gatos — mas também possuíam animais domésticos e animais de pastagem.

Nanami iria à carruagem com Kensuke e todas as malas. Enquanto Eiji e Yunsuke iriam comandar a viagem acima da carruagem. Ryo iria levar Sayuri em suas costas.

Apesar de ser apenas eles, Kensuke tinha um bom pressentimento sobre Eiji e Yunsuke, e seu coração lhe dizia que eles eram sinceros com ele. Isso o fez não ter reforço algum para a viagem. Afinal sua Aldeia era muito importante para ser mantida em segurança máxima enquanto ele não estivesse presente.

Seus guardas e sentinelas estavam todos avisados e treinados para manter a aldeia pelos poucos dias em que estariam fora.

Seiji estaria comandando seu povo e em total liderança. Ele era seu segundo em comando como Ryo, e Kensuke nunca pensaria duas vezes em dar tal responsabilidade a eles. Nunca lhe desapontaram e detinha sua total confiança. Muita sorte, nem todos os Alfas das matilhas detinham pessoas confiáveis como Kensuke arranjou.

Isso era porque eles não tinham apenas uma relação de trabalho. Acima e fora de ser Alfa e Beta, eles eram melhores amigos. Cresceram juntos como irmãos. Seus sentimentos uns pelos outros iam além da seguranç.

— Lembre-se de mandar os meus comprimentos ao Imperador, filho. — O Ancião Chao tomou Kensuke de canto para despedir-lhe. — E, por favor, cuide-se... E de Nanami também. Ele é precioso, não só como pessoa... Mas tem algo mais importante para se preocupar. Acho que percebeu isso, não é?

Kensuke olhou para seu pai por um breve momento, até coçar o seu queixo.

— Se está me dizendo isso por causa daquela tatuagem que surgiu tão de repente. Sim, é realmente estranho. — Ele olhou diretamente para seu pai. — Perguntei mil vezes a ele o porquê daquilo, mas ele parece não saber de nada.

— E ele não sabe querido. Nanami é o tipo de pessoa que não sabe mentir, e quando o faz, todos percebem. — O Ancião sorriu. Havia sido mesmo a melhor escolha a que ele fez por seu filho, mas não havia sido algo que ele criou como um planejamento inteiramente seu. Era mais como uma "profecia", os espíritos lhe apoiaram e lhe enviaram às melhores decisões.

— Tens razão, pai. Eu cuidarei dele com minha vida, ele é muito precioso para mim. Talvez nesta viagem eu possa descobrir algo mais que possa me ajudar a entender o porquê daquela imagem em suas costas. Nanami é um gato e não um Tigre.

Kensuke apenas não quis comentar a seu pai sobre o que Nanami contou depois que se recuperou dos danos que recebeu do sequestro há dias atrás. Ele contou à Kensuke sobre o fato dos bandidos indagarem entre si a possibilidade de Nanami ser uma besta, e isso indicava em suas costas, naquela enorme tribal em forma de tigre.

— Agora devo-me ir, cuide-se pai. Ajude Seiji, por favor.

— Vá tranquilo, filho. Cuide de seus companheiros, tenha boa viagem! — O Ancião acenou para eles quando a carruagem partiu estrada a fora. Ele continuou olhando o veículo, até que ele desapareceu pela montanha. Seus olhos estavam fixos, mas refletiam outra coisa em seus pensamentos. Ele estava preocupado com outra coisa. Ele sentiu que seu filho lhe ocultava algo, a questão seria que ele já sabia do que se tratava. — Queridos espíritos... Terei que ter uma longa conversa com vocês. — Murmurou em silêncio, caminhando de volta lentamente para sua casa.

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Nanami estava tão empolgado. A viagem estava sendo tão diferente do que ele conhecia sobre viagens. A única que ele havia feito até hoje fora aquela até o Vilarejo Akai, que não fora nada interessante, desde que ele foi para lá tremendo o corpo inteiro de medo.

Agora era diferente. Mesmo que ele estivesse meio apreensivo de estar voltando para sua cidade natal, onde tanto foi maltratado e tanto sofreu, ele não estava sozinho. E contava plenamente que Kensuke o guardasse debaixo de seu kimono, pois ele não queria ter que olhar para a cara daquelas pessoas malvadas que o odiavam.

Porém neste momento ele queria apenas aproveitar a paisagem. As montanhas ao longe eram tão bonitas, além de serem gigantestas, possuíam um branco lindo de neve. A floresta não estava mais em nevasca, e sim, verdinha e úmida. Ele riu em como parecia magia. Quando chegou aqui era tão frio como para congelar os ossos, contudo agora, mesmo que fizesse pouco frio, era apenas aconchegante.

Nanami se embolou nas peles macias ao redor dele e olhou pela janela. Ele sentiu algo quente dentro dele e só podia ser uma coisa. Kensuke estava olhando diretamente para ele com grande interesse. Seus olhos dourados estavam carregados de amor por Nanami.

E isso fez o pequeno gatinho mais uma vez se derreter de amor por aquele grande Alfa.

— O que foi Ken-chan? — Ele soltou um risinho feliz.

— Você parece muito confortável aí onde está. — Kensuke disse em um resmungo. Ele fez um bico que não combinava com ele, porém fez com que Nanami risse. — Que tal um pouco mais de conforto aconchegante no seu grande lobo?

O gatinho teve que rir. Ele deixou as peles de lado e pulou no colo de Kensuke. A carruagem não era nada grande, tanto que os únicos dentro dela eram o casal. Isso porque Kensuke era enorme e tomava metade dela.

Agora havia ficado bem apertado esse lado de Kensuke, Nanami se esgarranchou no colo de Kensuke, sentado de frente para ele. Seus braços finos envolveram os ombros do alfa e Nanami começou sua sessão de beijinhos carinhosos.

Ele é um verdadeiro doce, pensava Kensuke, apenas aproveitando do carinho que só Nanami podia dar a ele. Beijinhos choviam por seu queixo e mandíbula forte, em seus lábios carnudos e até sobre seu nariz reto. Nanami ousou beijar até sobre seus olhos e sobrancelhas.

Kensuke teve de rir disso. Ele retribuiu com cócegas nas costelas de Nanami, que imediatamente caiu em uma gargalhada que parecia nunca ter fim, ele ficou vermelho e arfante. Kensuke riu mais de como ele se parecia quando entrava em pânico, e quando parou, percebeu de que Nanami iria resmungar sobre as cócegas, ele tomou sua boca em um beijo suave, saboreando o doce gosto de Nanami. Fez-lhe tão duro quanto já estava.

— Uh Ken-chan... — Nanami choramingou quando se afastou do beijo. — Você está... Está...

— Sim, eu estou. — Kensuke assentiu, adorando a forma que Nanami era inocente até em momentos como esse. Ele se aproximou da orelha direita de Nanami em que estava o sininho e falou. — Você me deixou tão duro como rocha... Agora o que vai fazer quanto a isso? — O sino tiniu ecoando por toda carruagem. Nanami estava em um rubor por todo o rosto, e seus olhos enormes. Ele engoliu em seco.

— M-Mas aqui Kensuke? Esse lugar... — Ele olhou em volta. O herdeiro e o General estavam comandando a carruagem, seria fácil ouvir. Sayuri e Ryo estavam perto também. — Os outros vão escutar.

— Eu não me importo, afinal eu sou o Alfa e você meu esposo. Não há nada de errado em curtir meu esposinho. Ninguém está vendo, isso eu não permitiria. —Kensuke falou, porém Nanami continuava tão envergonhado. — Vai depender se você fizer barulho... Terá que ser o mais silencioso possível, será que pode fazer?

Nanami balançou a cabeça. — Como? Não tem como ficar quieto quando... Nnn! — Ele nem pode dar fim ao que dizia, pois a boca de Kensuke caiu diretamente em seu pescoço e começou a mordiscá-lo e chupar sua pele. Nanami se rendeu no mesmo momento, apenas um toque e ele não podia mais ir contra. Kensuke tinha todo o poder sobre ele.

E o Alfa adorava seu esposinho tão submisso.

Kensuke passou os próximos minutos apenas saboreando o pescoço de Nanami e ombros. O gatinho já estava cheio de marcas de chupões e seu rosto completamente corado em um rosa bonito.

Ainda não satisfeito, Kensuke queria mais, até a última gota. — Uh... Esse obi é tão bonito. Não quero desmanchá-lo... Terei que dar um jeito. Quero fazer amor com você aqui Nanami. — Kensuke abraçou Nanami ao que ergueu as abas do kimono bonito e cor de rosa, ele apenas não quis desmanchar o obi, ele faria amor com Nanami de um jeito um pouco desajeitado, mas ele gostou.

Era uma fantasia sua sendo realizada.

Suas grandes mãos tocaram a pele macia das coxas de Nanami, alisando até chegar às nádegas redondas e fofinhas. Apalpou-as e apertou em seus dedos sentindo Nanami estremecer rente ao seu corpo e um choramingo deixar seus lábios avermelhados.

Kensuke tomou-o em um beijo lento e preguiçoso, enquanto ele tomou seu tempo em acariciar o bumbum macio e as pernas de Nanami. Suas mãos subiram e ele abaixou o kimono na altura dos cotovelos, revelando metade do peito de Nanami e seus mamilos já durinhos e inchados de prazer. Ele largou do beijo e desceu em uma trilha arrastando por sua pele até chegar ao primeiro mamilo, degustando dele e chupando-o entre os dentes. Nanami gemeu e se contorceu entre os toques deliciosos que recebia.

Com seu lábio inferior entre os dentes, ele tentou segurar os gemidos que deixavam sua garganta, mas estava sendo tão difícil como respirar. Kensuke deixou o mamilo bem acariciado e correu sua língua grande e cumprida pelo outro, mordiscando-o um pouco mais forte, provocando um uivo em Nanami que ele não pode evitar. Kensuke riu e Nanami deu-lhe uns tapinhas, mas logo parou quando Kensuke voltou sua atenção a chupar e lamber aquele broto durinho.

— Uh... Está tão bom Ken-chan...

— Mesmo? — Kensuke sorriu e voltou a distribuir beijos ao longo do peito e ombros de Nanami.

— Sim... Você sempre me deixa tão...

— Tão? — Kensuke ficou curioso, ele pensou que Nanami diria que ele lhe dá muito tesão.

— Tão... Apaixonado. — Nanami se inclinou e tentou fazer o mesmo que Kensuke em beijar seu pescoço. Apesar de ele ser um pouco desajeitado, ele fez isso de uma forma que Kensuke adorou.

Seu lobo estava emocionado. Apaixonado. Kensuke abraçou Nanami forte contra seu corpo.

Ele sentiu por um momento, sem pressa, mesmo que ele estivesse louco de prazer debaixo daquele corpo pequeno e delicioso de seu amado.

Nanami continuou beijando o pescoço de Kensuke e beliscando-o com seus caninos afiados. Kensuke adorou, ainda mais quando as mãos pequenas e trêmulas lutaram para abrir o kimono dele. O Alfa ajudou, deixando seu peito à mostra. Ele não tirou o laço que envolvia sua cintura, porém deixou seu pênis e coxas para fora, o kimono caindo para os lados e Nanami voltou a se sentar, sentindo um choque percorrer seu íntimo quando pele com pele se tocou.

— Você é quente... Hum... — Nanami choramingou, e sem perceber seu ato, estava esfregando seu pênis contra o de Kensuke, pré-sêmen escorrendo da ponta de ambos e envolvendo ambos em uma bagunça pegajosa. Kensuke suspirou, ele amava isso. Nanami desejava-o tanto, ele podia sentir isso, e ele o desejava ainda mais.

Queria fodê-lo tão duro para marcá-lo como seu, porém ele jamais seria duro com Nanami. Seu pequeno era tão delicado como cristal... E Kensuke iria lento e doce com ele, mesmo que levasse toda a sanidade do homem.

Kensuke retirou de uma das malas, um pequeno tubo, que Nanami imediatamente se tocou sobre o que era. Era aquele óleo cheiroso que Kensuke usava toda vez que fazia amor com ele.

O Alfa umedeceu os seus dedos com o óleo e sentiu-o queimar em sua pele. Essa sensação era ainda melhor em seu pênis e sabia que também era no interior de Nanami.

Jogou o tubo em qualquer lugar e se concentrou em esticar Nanami.

— Não tomarei muito tempo querido... Fizemos de manhã, ainda deve estar esticadinho para mim. — Kensuke riu quando Nanami escondeu seu rosto em seu ombro, em vários tons de vermelho. Com a mão limpa ele ergueu o kimono de Nanami e deixou suas nádegas de fora. Ele adorou o contraste da pele branquíssima do gatinho com o rosa das meias que usava.

Ele esfregou seus dedos ao redor do casulo apertado, e ao senti-lo relaxar, penetrou dois dedos de uma única vez. Ele sentiu Nanami gemer profundamente em seu peito e o mesmo contorcer-se. Ele tinha razão, Nanami ainda estava esticado desde a última vez de manhã. Então ele juntou mais um dedo e acariciou todo o interior, saindo e entrando. Deliciando-se com os gemidinhos deliciosos que seu gatinho dava.

— Está pronto bebê? Quer o meu pau em você? — Kensuke perguntou com suas palavras sujas de um modo carinhoso. Ele adorou o sorriso entre gemidos que Nanami lhe deu.

— Uh... Me dê... Ken-chan. — Nanami gemeu e grunhiu quando Kensuke ergueu seus quadris e o deixou sobre a ponta de seu pênis, empalando-o lentamente, até estar totalmente dentro dele.

Nanami gemeu e se contorceu em um arco em seu peito, colocando as mãos sobre a boca para evitar soltar altos miados. Seu rosto estava tão profundamente vermelho. Kensuke mesmo detinha certo rubor, tinha ficado bem calor naquela cabine.

Ele levou cada grama de seu ser para se controlar. Ele sentiu Nanami apertá-lo tão forte que pensou que fosse gozar naquele instante, porém ele segurou tanto além do que podia, até recuperar seu controle. Seus caninos haviam crescido e seu lobo interior estava rosnando para ele reivindicar Nanami mordendo-o e tomando seu doce sangue. Mas Kensuke suspirou e levou lentamente.

Segurando os quadris de Nanami, ele deslizou para dentro e para fora. O próprio gatinho estava forçando contra ele, à expressão em seu rosto era a coisa mais linda. Kensuke queria guardar mais este momento em seu coração. Ver Nanami assim tão entregue a ele, era o melhor tesouro que Kensuke poderia ter.

Ele fez uma nota mental de depois ir até o templo do deus dos gatos e agradecer pelo nascimento de Nanami. Ele era o amor de sua vida.

Kensuke balançou Nanami em seus quadris, beijando seus ombros enquanto metia nele tudo o que podia. Ele sentindo Nanami apertá-lo vez ou outra, era maravilhoso.

— Uh... Ken... Nã-Não posso... — Nanami miou e suas garras afiadas apareceram ao que arranhavam as costas de Kensuke, enquanto o mesmo o penetrava de um modo tão intenso.

— Venha pra mim, meu bebê. — Kensuke continuou a penetrá-lo, cada vez mais forte e mais intenso em suas investidas, e muito mais profundo por ser naquela posição. Nanami suava e seus gemidos eram maravilhosos contra seus ouvidos.

Pareceu que seu último pingo de sanidade fugiu quando ele ouviu Nanami ronronar alto e miar juntamente com um grunhido. Ele não tinha conhecido esse lado primal de Nanami, mais foi à coisa mais excitante que ele já havia escutado.

Kensuke se afundou uma última vez em Nanami e mordeu a curva entre o ombro direito e o pescoço de Nanami, gemendo quando o gosto se fez em sua língua. Doce, delicioso, e Kensuke veio do orgasmo mais gostoso que ele já teve, parecia que duraria para sempre.

Nanami miou tão alto e sem controle quando suas garras afundaram nos ombros de Kensuke e ele enrijeceu completamente, seu pênis explodindo em cordas de creme branco perolado entre eles, sujando seu peito e o de Kensuke.

E quando terminou ainda extasiado, o gatinho caiu contra o peito de Kensuke, ambos tão ofegantes, como se não houvesse ar no mundo.

Nanami ainda soltava um pequeno ronronar, seu gato interior completamente agradado com Kensuke.

— Isso foi... Oh obrigado gatinho. — Kensuke falou sem jeito, colocando seus cabelos para trás, ele estava suado.

— Meu gatinho gostou de você. É a primeira vez que senti-o aprovar... Antes eu não sentia-o da forma que faço agora. — Nanami contou como se fosse a maior novidade de sua vida. — Isso é tão legal! Te amo Ken-chan! — Nanami agarrou Kensuke pelo pescoço e voltou a chover beijinhos molhados por todo o rosto do Alfa.

Uma voz veio de fora e chamou a atenção do casal.

— Alfa, desculpa atrapalhar sua diversão... — Havia certa diversão na voz de Ryo do outro lado da porta. — Mas nós iremos fazer uma parada para tomar um banho e comer. Tome seu tempo.

Kensuke agradeceu, ele abraçou Nanami contra o peito.

— Vamos tomar um banho, acho que precisamos. — Kensuke riu em como melado estava entre eles, e o suor escorrendo pelo rosto de Nanami. — Também te amo, lindo gatinho.

Kensuke estava se surpreendendo cada dia mais. Nanami estava lhe mostrando uma felicidade que parecia nunca ter fim, era maravilhoso.

Continua...

Notas finais
Hannah Kisa: Olá lindos leitores... Obrigada por lerem e acompanharem e história até aqui. Se gostaram, não deixem de comentar... Nos fará feliz. Imenso beijo e até o próximo domingo!