Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
27 Capítulo 27 – Contrito de casal
Notas iniciais
Havia passado do horário de almoço quando Kensuke terminou a reunião. A conversa com o príncipe e general gato havia sido longa, mas muito proveitosa. O Rei ou Alfa Lobo poderia dizer que agora realmente tinham tudo para uma paz mais estável.
Yunsuke mostrou estar maravilhado com a organização e estilo de vida dos lobos, e igualmente a hospitalidade. Deixou claro que não via sentido nessa guerra boba entre eles, e pediu desculpas pela trapaça que seu pai fez ao mandar Nanami como se fosse o príncipe de Masao.
A única parte tensa na conversa foi o fato que Kensuke exigiu cumprimento do acordo inicial, onde o príncipe mais novo dos gatos deveria se casar com um Were lobo, mas como Kensuke se achava casado com Nanami e não pretendia se divorciar, Sayuri casaria-se com o segundo no comando, no caso. Ryo.
Yunsuke não queria usar seu irmãozinho como contrato de paz, mas após ouvir Ryo... E ver que o Lobo queria se casar com Sayuri por que o amava e o sentimento era retribuído, ele foi mais compreensivo, porém deixou claro que antes era necessário conversar com o Imperador e que provavelmente este exigiria que seguissem a tradição dos were Neko.
Kensuke ficou de avaliar a situação e dar uma resposta depois. Deixou os gatos para almoçarem com seu pai e saiu para ir a sua casa. Havia prometido a Nanami que compartilharia a refeição com ele e depois os dois iriam dar uma volta na floresta e quem sabe patinar no gelo se isso ainda fosse possível.
O moreno olhou ao redor e sorriu sutilmente ao ver a felicidade no rosto de seu povo. Era possível ver o milagre acontecendo, que era justo a grossa camada de gelo derretendo. Kensuke nunca tinha visto as terras dos lobos sem o infinito branco ou o frio cortante, mas nas últimas semanas isso estava se tornando mais e mais visível. Ninguém tinha uma explicação para isso... Contudo não iam reclamar da bondade dos deuses Lobos.
Ele apressou os passos a fim de chegar logo a sua casa, mas quando faltavam poucos metros, uma voz interrompeu seu caminho.
— Kensuke! Quero dizer, Alfa! — Maiko o chamou, fazendo virar-se sobre os pés e encarar o lobo moreno. Kensuke não podia negar que ele era lindo e gracioso, que qualquer um se sentiria orgulhoso de tê-lo como esposo, porém agora podia perceber que seu Nanami era mais belo, gracioso e fofo, e era grato ao destino que o deu para si.
— Boa tarde Maiko! Como estão as coisas? Tem um tempinho que não o vejo! — Kensuke disse com suave sorriso. Ele reparou no outro, não sabia dizer, mas tinha uma aura pesada, algo que estranhou.
— Estou mais ou menos... — Maiko disse aproximando-se do Alfa. Ele levou a mão ao peitoral de Kensuke e alisou o mesmo. — Eu sinto tanta sua falta... De nós dois juntos! — Disse em baixa voz e arrastada, o que soou extremamente sensual.
Kensuke se arrepiou e deu um passo para trás. Como homem, óbvio que sentia o efeito da sedução, mas como marido e amante, ele respeitava Nanami e não queria outro além dele.
— Ainda somos amigos, no que precisar estou aqui! — Kensuke disse. — Agora tenho que ir... Até... — Rapidamente afastou-se do lobo menor e apressadamente seguiu para casa.
Devido a estar de costas e a sua pressa, não foi capaz de ver a expressão obscura de Maiko ou seus murmúrios. — Desgraçado... Vai sofrer amargamente... Assim como eu sofro! — Disse firme. Ele manteve olhando pelo caminho que o Alfa seguiu até que ele sumiu.
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Nanami olhou pela segunda vez para a panela do guisado de carne, para ter certeza que estava bonito, bem cozido e cheiroso. Ele não queria dar dores de estômago em seu marido. O loirinho mal podia acreditar, mas para quem não sabia cozinhar, limpar, escrever ou arrumar nada, até que ele estava melhorando.
Chizuru e Sayuri estavam ajudando-o a apreender as coisas, e realmente era divertido apreender com os dois tudo. Agora que o aceitava melhor, Chizuru era até legal e paciente... e com Sayuri, tudo era diversão.
Um doce sorriso adornou seus lábios quando recordou de algumas coisas boas que viveram ali. Saltitante, Nanami segurou seu inseparável pingente de formato de coração. Sua vida nunca fora fácil, mas desde que chegou em Akai, mesmo com algumas coisas ruins, outras boas, sempre superava. Pela primeira vez em sua vida, era amado, querido e cuidado. Tinha amigos e um amor... Não precisa de mais anda. Bem! Até tinha, o seu maior sonho que era ter seus pais, mas isso possivelmente jamais se realizaria.
Acordando para realidade, ele apagou o fogo do fogão rústico, e depois seguiu para arrumar a mesa. Aquele dia seria somente ele e Kensuke, já que Sayuri tinha ido almoçar com o irmão, Seiji e Ryo tinham saído para fazer patrulhas nas terras da matilha, e Chizuru... Bem, esse andava meio sumido.
Ansioso para ter seu ‘momento’ romântico com seu marido, Nanami arrumou impecavelmente a mesa, colocou os pratos e a comida no centro da mesma, e então saiu correndo para ir ser arrumar. Queria ficar lindo para o marido.
Quando chegou ao hall de entrada para subir a escadaria, quase tropeçou quando os dois gatinhos se embrenharam em suas pernas. Preciosa e Lobo ficavam esfregando em suas pernas, carentes de carinho.
Nanami sentia-se mal por eles, não estava dando atenção suficiente. O loirinho acabou se agachando, e tomou os dois em seu colo. — Neh... Não fiquem chateados com mami... Andar acontecendo tantas coisas que acabei me distraindo. Prometo brincar com vocês mais tarde! — Disse carinhosamente com os dois gatinhos, recebendo miados em resposta.
— Nana-chan! Nana-chan! — Sayuri entrou na casa gritando em plenos pulmões. Com os cabelos desarrumados e a face corada denunciando que tinha corrido, ele ficou na porta arfando e olhando malicioso para Nanami.
Nanami levantou e olhou sem entender o amigo. — Say... — De repente temeu que algo grave tivesse acontecido. — O que aconteceu? Não vai me dizer que seu irmão e o general declararam guerra? Ou que vai embora? Ou Ken-chan se feriu?! — O gatinho pensou em diversas possibilidades. Ele correu até o amigo e segurou as duas mãos dele, sendo que estava pronto para chorar.
Sayuri respirou fundo, tentando se acalmar. Sentiu-se meio culpado por preocupar Nanami. Ele levou a mão ao rosto do amigo e o acariciou, sentindo a maciês... Mas o que começou algo sutil se transformou em mais, logo Sayuri abraçou Nanami, ficou apertando-o em seus braços e uma das mãos inocentes nas suas costas foi descendo e se encheu com um dos glóbulos redondos.
— Neh... Pare Say-chan! — Nanami gritou e empurrou o amigo. — Você sempre faz isso! — Disse corado no que puxava a manga de seu lindo kimono que Chizuru havia comprado para ele. Era rosa claro com estampa de flores em fios pratas.
Sayuri sorriu e fez cara de perseguidor seguindo lentamente para o amigo. — Mas... Nana-chan é tão lindo, fofo e gostosinho... Como resistir?
Nanami corou mais ainda. — Pare! Sou casado e você também se casará. Tem de parar com isso!
— Mas... Mesmo que eu ame Ryo... E ele será meu marido, Nanami sempre será meu amor maior... — Sayuri disse sério.
Nanami ficou sem jeito com a declaração. Sabia no fundo de seu coração que a declaração do amigo não era em sentido de amor entre um casal, que ele o amava como irmão... Claro, não negava que Sayuri queria bem buliná-lo... Mas depois de tanto tempo, acostumou, porém não deixava de corar.
— Achei que ia almoçar com seu irmão! — Nanami disse tentando desviar o assunto.
— Ah... — Sayuri coçou a nuca. Ele realmente foi a casa do ancião para isso, mas depois de sua conversa com Chizuru, esqueceu-se totalmente desse detalhe. — Ah... Esqueci, mas depois volto lá para comer ou como aqui mesmo! O que queria mesmo era confirmar algo contigo. — Disse com os olhos brilhando.
Nanami o olhou sem entender bem. Acabou formando um bico. Ele olhou ao redor e viu que seus gatinhos haviam sumido, possivelmente foram tomar sol no telhado, que apesar de pouco, ainda havia. O loirinho sentiu-se inquieto. Ele sabia que quando Sayuri vinha com esse brilho no olhar, algo viria. — O quê?
— Eu queria... Perguntar algo... Bem... — Sayuri disse sem jeito, tentando achar as palavras certas para dizer sem deixar Nanami sem jeito ou chateado com ele. Aproximou-se devagarzinho e puxou o amigo pela cintura. Ele manteve os dois corpos juntinhos e o olhar ansioso.
— Perguntar o que? — Nanami indagou inclinando a cabeça para o lado e com um olhar curioso.
Sayuri deu uma risadinha. — Que... Quem sabe... Da próxima vez que for fazer coisinhas com o seu marido, me deixe ver? — Sayuri perguntou ansioso.
Nanami ficou alguns segundos olhando para o amigo sem entender, mas quando a ficha caiu, ele corou fortemente e tentou empurrar Sayuri. — NÃO! O que faço com Ken-chan e somente nosso.
— Mas Nana-chan! Eu juro que fico quietinho... Quero apenas ver. — Sayuri lutou para manter o agarre no amigo, mas a pequena lutinha deles, acabou fazendo-os perder o equilibrou então ambos acabaram caindo no chão. Claro, com o loirinho deitado no chão e as pernas flexionadas, e Sayuri sobre seu corpo e entre suas pernas. As suas faces ser encontrou e seus olhos se encararam. Ambos ficaram com as faces ruborizadas e incapazes de dizer qualquer coisa.
Porém o destino parecia disposto a brincar com eles, pois naquele momento uma figura masculina com aura viril e forte, surgiu na porta. — O que é isso?! — A voz de Kensuke foi estrondosa e claramente mostrava seu total desgosto.
Sayuri ficou sem jeito, não por que se arrependeu do que fez, mas ele sabia o quanto o alfa sentia ciúmes de si. Ele saiu de cima do amigo e estendeu a mão para Nanami levantar, mas não dignou a falar nada.
Nanami ainda corado olhou sem entender o tom do marido. O pequeno às vezes demorava a entender as coisas. — Ken-chan... Você voltou! O almoço está pronto!
Kensuke entrou mais no hall da casa e cruzou os braços em frente ao corpo. — Eu fiz uma pergunta! — Ele parecia indignado.
Sayuri adiantou um passo e tentou consertar a situação. — Nos perdemos o equilíbrio e caímos.
— Não perguntei a você! Por que não vai se pendurar no pescoço de Ryo, sendo que é o melhor que faz. — Ele foi duro e cruel com o ruivinho, mas naquele momento seu ciúme o cegava.
Nanami se irritou com aquilo. Sayuri era seu amigo especial e bondoso, aquele que iluminou muitos de seus tristes dias, e não iria deixar seu marido ser ignorante com o mesmo. — Kensuke! — Gritou. — Não fale assim com Say-chan! Ele disse a verdade, tropeçamos e caímos. Ele não fica pendurado no pescoço de Ryo, eles são noivos.
Os olhos do lobo se estreitaram mais ainda. Podia se ver o animal dentro de si rugir e desejar sair e rasgar algo.
— Eu vou... Vou tomar um banho! — Sayuri disse ao que subiu as escadas correndo. Ele sabia que se ficasse ali somente iria piorar as coisas, preferia deixar que Nanami com seu jeitinho doce ajeitasse tudo, mas daquela vez Nanami não queria ser doce.
— Seu grosso! Magoou Say-chan!
— Devia ser comportar, isso sim! É um gato casado e deveria agir como tal. Pare de ficar se agarrando com esse gato, do contrário, serei obrigado mandá-lo embora. — Kensuke disse.
Nanami pisou com um dos pés duro no chão e fechou as mãos em punhos. — Se mandá-lo embora irei junto! Sayuri é minha família... Onde for, irei!
— Acaso é seu amante? Sim, por que essa agarração vinda de você é muito suspeita. É isso Nanami? Não sou suficiente para você e precisa de outro?
As palavras do Alfa foram como agulhas fincadas no coração do gatinho. Nanami nunca teve olhos para ninguém... O seu coração batia forte somente por Kensuke, a menção de desconfiar que tivesse um caso com Sayuri ou qualquer um, o feria profundamente.
— Seu idiota! Eu sou um esposo fiel... Olho somente para você e jamais pensei em traí-lo... Mas pelo visto, não devo esperar o mesmo de ti. Eu te odeio Ken-chan! — Gritou furioso.
Como o marido estava em frente à porta da sala, Nanami correu para a cozinha e saiu da casa pela porta dos fundos. Aquele momento não queria ver ou ouvir a voz de Kensuke. As palavras de seu marido sempre o magoavam... Odiava lidar com o lobo furioso ou ciumento. Mesmo que se sentisse amado agora, Nanami ainda era inseguro, e vivia com o medo que a qualquer momento iria acordar e descobrir que ninguém gostava dele... E as palavras de Kensuke fazia tal temor crescer.
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Nanami correu até estar ofegante e cansado. Quando voltou a si, ele já estava dentro da Vila, próximo ao comércio.
— Bom dia Nanami-sama! — Alguns aldeões lobos o cumprimentaram.
Nanami acenou de volta e passou a caminhar muito chateado. Fazendo beicinho, ele encontrou Minky brincando com mais alguns lobinhos filhotes. Ele estava em sua forma animal, e era ainda mais fofo do que em seu modo meia-lua.
Minky havia conquistado o coração de Nanami, e jurava que não somente o dele, o pequenino era um doce e conquistava a todos. Nanami apenas acenou para eles e continuou sua caminhada. Minky deixou seus companheiros lobos e correu para os pés de Nanami, rolando e então tentando morder seu kimono que descia até os tornozelos.
— Hei Minky, pare... — Nanami riu em como o filhote estava brincalhão. Ele se abaixou e acariciou as orelhas do mesmo, recebendo uma lambida em seu rosto de aprovação. — Você é um menino doce... Vá brincar com seus amiguinhos, eu vou dar um passeio para esfriar essa minha cabeça dura. — O gato fez uma careta, mas Minky balançou o focinho e se embrenhou no kimono de Nanami fechando os olhos. — Quer vir comigo? Tudo bem, mas não garanto que estou com ânimo para brincar. — De novo ele fez beicinho.
Nanami saiu de onde estava e continuou sua caminhada, com Minky correndo para todos os lados, ora parando para cheirar algo interessante, ora em modo de atenção por ouvir barulhos curiosos.
Na mente de Nanami havia tantos pensamentos, mas nenhum deles era bom. Depois das palavras de Kensuke, Nanami estava sentindo seu coração pesar. Ele até ponderou se tinha feito mesmo algo errado, mas sabia, não era culpa sua. Nem mesmo era culpa de Sayuri... Seu amigo era inocente, somente tinha algumas brincadeiras demasiada estranhas, mas ainda sim, Nanami sabia que Sayuri nunca iria querer prejudicá-lo.
O gatinho branco enfim chegou ao campo gelado, uma extensão de mata coberta por gelo, mas que agora estava incrivelmente mais aparentando o verde bonito, do que o branco embaçador. Todos estavam se perguntando o que estava acontecendo com aquele lugar. Aonde era pura neve por mais de dez anos, agora parecia que em breve eles teriam um dia ensolarado.
— Opa! — Minky mordeu seu dedo maior do pé coberto pela meia branca. Nanami olhou para ele interrogativo, mas Minky soltou um choramingar. Nanami compreendeu que algo estava errado, então percebeu que Minky queria levá-lo para algum lugar, visto que passou a puxar seu kimono com os dentes. — Espere, o que está fazendo?
Antes que Minky pudesse dar alguma resposta e Nanami fazer algo a respeito, os arbustos de mexeram e eles ouviram risos. Nanami olhou em volta procurando por ajuda, algum lobo, mas eles estavam muito longes da aldeia. Nanami e essa mania de ir para longe, mas eram culpa de seus pensamentos, ele acabava por andar sem rumo.
Homens muito grandes saíram por entre as árvores, suas roupas denunciavam que eram guerreiros, mas seus rostos mostravam que não vieram em bondade, havia malícia e ódio em suas feições. Isso assustou Nanami e fez Minky choramingar com suas orelhas baixas e rabinho entre as pernas.
— Ora! Ora, o que temos aqui... Se não é um gato em uma tribo de lobos. — Um deles falou, ele estava ao lado de outro que só poderia ser seu gêmeo.
— Bem, essa é a oportunidade perfeita não é irmão? — O outro gêmeo falou estalando os dedos das mãos e se aproximando. Enquanto os gêmeos vinham se aproximando pela frente, Nanami olhou para trás e havia mais quatro homens com os mesmos sorrisos ameaçadores nos lábios.
— O-O que vocês querem...? — Nanami gaguejou se auto abraçando. Um calafrio passou por sua espinha pelos alhares que estava recebendo. Ele podia sentir o fedor dos homens, e de suas almas repletas de ambição e malícia.
— Nós vamos levá-lo para nosso chefe. Quem sabe ele divida um pouco disso conosco. — Um deles falou ao que agarrou Nanami por trás, que imediatamente se debateu. — Whoah!
Nanami escapou, mas fora pego por um dos gêmeos, que tão fortes como eram, nem mesmo tiveram dificuldade em mobilizar Nanami e o levou como um saco de batatas no ombro.
— E o que fazemos com o filhote? — Um deles falou cercando Minky, que nem ousara se transformar em humano.
— Leve-o também! O líder vai saber o que fazer com ele. — Um dos homens falou.
Minky choramingou e arrulhou para trás. O homem pulou para pegá-lo, mas ágil e rápido como era um lobo, ele se esquivou das mãos do humano, pulou sobre outro que agachou para pegá-lo e correu, até que um chute certeiro o fez cair imóvel no chão.
— Minky!! — Nanami gritou em desespero por verem os homens baterem em uma criança. Ele rosnou, mordeu e arranhou o humano que o carregava, mas em compensação, levou um golpe nas costas e então Nanami abrandou choramingando pela dor.
Quando Nanami acordou — sendo que nem mesmo se viu desmaiar — ele estava dentro de uma gaiola, como um animal selvagem enjaulado. Mas ele estava mais para um animal doméstico, era o que ele era. Ele olhou para seu lado e Minky estava amarrado em uma coleira, ainda inconsciente e uma corda o prendia a uma árvore.
— Minky... — Nanami orou pelo amigo, ele não permitiria que fizessem mal a ele. Mas também, o que ele poderia fazer? Olhou para o cadeado que o prendia, analisou e nem mesmo suas garras puderam abri-lo.
Ele não teve muito tempo para procurar por um meio de fuga, quando um homem grande entrou na tenda, reconhecendo como um dos gêmeos. Nanami imediatamente se encolheu, tremendo como uma vara ao vento.
— Está com medo gatinho? — Ele soltou uma gargalhada.
Minky ergueu uma orelha, mas nem moveu seu corpo. Foi então que Nanami percebeu que ele estava acordado, mas se fingindo de morto.
— Traga ele logo aqui! — Ouviram um grito de fora. O homem xingou, ele cheirava a humano, mas um dos piores. Talvez fosse um caçador, era bem provável. O cadeado fora aberto, Nanami se encolheu na jaula, mas o homem fez questão de segurar em seus cabelos e então Nanami não teve escolha a não ser ir com ele.
— Me larga! Me solta seu maldito! — Nanami gritou quando seus cabelos foram puxados ainda mais brutalmente fazendo alguns fios se quebrarem. Ele estava apenas se divertindo com a dor do gatinho.
— Traga logo o maldito gato, o chefe está esperando! — Um homem gordinho bracejou fora da tenda.
— Estou indo, Baleia. — Gritou o homem carregando Nanami novamente como um saco de batatas. Nanami teria rido do apelido do gordinho senão estivesse quase se mijando de medo.
Eles o levaram para uma tenda diferente, toda enfeitada, e quando entraram haviam armamentos presos no alto, como facões, lanças, arco e flechas, além de uma variedade de espadas.
Mais a frente Nanami viu um homem sentado sobre uma porção de travesseiros bonitos. Ele era ainda maior do que aqueles que o raptaram, e não havia muita diferença, o mesmo olhar malicioso e repleto de ódio.
— Deixe-o aos meus pés. — Ele falou como uma ordem. Nanami foi jogado aos pés do homem em um baque duro.
O gatinho somente pode choramingar, ele queria se transformar em seu animal, mas seria morto no mesmo instante, já que ele nem teve tempo de aprender a saltar ou se virar sozinho. Ele mal podia ficar em quatro patas.
O homem levantou-se e rodeou Nanami, olhando-o com uma cobiça sem igual. Nanami sentiu seu corpo além da tremedeira, ele já estava batendo os dentes. Ele sentiu o homem se abaixar atrás dele e a respiração quente dele vir em seu pescoço. Segurou em seu kimono quando pânico se fez em suas entranhas. Kensuke... Ele clamou por socorro.
— Você cheira incrivelmente bem. Nenhum dos gatos que capturei era assim. — Ele comentou em um gesto interessado. — Vamos ver se você vale a pena... — Nanami não entendeu o que ele quis dizer, para então sentir as mãos grandes em suas vestes. Foi ai que ele explodiu, debateu-se, gritou e fez de tudo para se libertar. O homem xingou ao tentar imobilizar Nanami, até que o derrubou de costas no chão e deu-lhe um belo soco em seu rosto. Imediatamente Nanami parou, soltando um alto gemido com a dor cortante em seu rosto. Ele nunca sentiu nada igual, e parece que por ser em sua face, doeu mais do que em qualquer outro lugar. Seu olho esquerdo se fechou, e ficou incrivelmente dolorido, devia haver sangue por tanta dor que o gatinho sentiu.
— Eu falei para ficar quieto, seu verme imundo! — O homem gritou ao que segurou nos cabelos de Nanami e puxou-o para trás. Ele o moveu, o colocando de barriga para o chão e deslizou o laço do obi fora, para então puxar o kimono para baixo em seu corpo.
Nanami chorou como nunca antes. Ele sentiu que inundaria o tapete com suas lágrimas, nunca em sua vida ele imaginou que seu fim seria daquela forma. No máximo ele pensou que morreria com os lobos, mas não nas mãos de humanos caçadores.
— Oh deuses! — O líder gritou, ao que chamou a atenção dos outros homens na tenda e alguns que estavam fora. — Sabe o que isso significa? — Ele apontou para as costas nuas de Nanami, sua marca visível para os olhos arregalados de todos.
— Não pode ser! — Baleia parecia eufórica. — Ele tem a marca de uma besta! Isso poderia nos render milhões!
— Exatamente. — O líder sorriu malignamente. -— Aquele lobo! Realmente devemos a ele. Ele tinha razão que esse gato era valioso.
— O que faremos com ele, Senhor? — Um dos gêmeos perguntou. O líder pareceu pensativo. — Se o entregarmos àquele lobo que nos contratou, receberíamos uma quantia. Mas se fizermos a venda por nós mesmo, poderemos receber milhões de diferenças e ficaríamos todos ricos.
— Claro que não o entregarei aquele lobo idiota. — O líder rugiu. — Vamos mantê-lo preso e domesticá-lo. Talvez pudessem usá-lo a nosso benefício ao invés de vendê-lo.
— Ótima ideia! — Baleia falou e os outros homens na tenda concordaram.
Nanami se perguntou do que eles estavam falando. Como assim "ele tinha a besta", Nanami estava ciente de que havia uma marca estranha em suas costas, mas ele não sabia do que se tratava. Talvez ele fosse problemático e não sabia.
— Eu devo prová-lo... Talvez eu possa ter o seu poder em mim. — O líder voltou ao seu tom malicioso.
Nanami estremeceu quando seu corpo ficou completamente nu aos olhos de todos e seu traseiro para cima, e as mãos asquerosas tomaram suas nádegas perfeitamente, deslizando por entre suas coxas.
— Não! Me solta! Deixe-me ir! — Nanami voltou a gritar. Ele não podia permitir que aquilo acontecesse. Ele pertencia somente a Kensuke, ninguém mais poderia tocá-lo. Mas Ken... Ken não estava aqui para socorrê-lo. O que ele faria?
— Fique quieto, gato estúpido! — O líder gritou, Nanami soltou um grunhido mostrando suas presas quando sentiu o homem apertar o seu rabo e puxá-lo para cima. — O que vai fazer, vai me morder? — Ele debochou.
Nanami continuou a se debater ao ter as mãos do homem em seu corpo, mas ele recebeu algo que não esperava. O líder tinha um chicote, e seu primeiro golpe, arrancou sangue de Nanami e o fez gritar.
— Não, não! Pare por favor! — Nanami implorou, tentando se mover para longe, mas outra chicotada veio e cortou suas costas em mais filetes de sangue. Nanami sentia arder, uma dor tremenda em suas costas. E não parou mesmo que ele gritasse e implorasse para ser libertado. As chicotadas pairavam em suas costas, então em seus braços e em suas coxas. O homem não teve piedade, mas ele riu, assim como os outros, se divertindo com o sofrimento do gatinho.
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Minky podia ouvir os gritos de horror de Nanami. Isso o fez tremer até a alma. Corroendo a corda, ele conseguiu se soltar. Ele ainda estava dolorido desde o chute que levou horas antes, mas ele estava tão desesperado por ajudar, então ignorou isso.
O pequeno lobinho rasgou um pedaço da tenda e saiu por trás da mesma procurando o cheiro de sua aldeia, e o vento lhe mostrou mesmo a uma distância tão grande da mesma.
Minky correu o máximo que suas patas poderiam aguentar. Ele caiu, rolou e tropeçou diversas vezes, mas nada o fez parar em seu caminho.
Quando finalmente chegou a Vila, Minky queria chorar, ele precisava de ajuda, precisava de socorro. E a primeira pessoa que veio a mente dele fora Yamato. Seu novo papai era um forte guerreiro, ele poderia salvar seu amigo gatinho.
— Minky! Onde estava?! Estávamos procurando-o como louco! — Yamato gritou quando viu o filhote, mas Minky nem se importou com o tom de ser reprendido. Ele se transformou aos pés de Yamato e segurou em suas vestes. Seus olhos inundados de lágrimas e seus olhos enormes. — O que foi? Está branco! O que aconteceu?
— Yama... Papai, é Nanami! Pegaram Nanami!! — Minky gritou no alto de seus pulmões e o choro veio sem freios. — Os bandidos pegaram Nanami! Estão machucando ele papai!
Yamato não teve tempo nem de pensar sobre ser chamado de papai. Mas seu coração latejou.
— Minky, você está bem? Está ferido filhote? — Yamato se abaixou na altura de Minky e o verificou. Minky estava trêmulo e muito pálido, além de que havia uma mancha avermelhada enorme em seu estômago. Aquilo o fez ter calafrios.
— Estou bem... Eu juro! Mas Nana... Nana-chan está sofrendo... — Ele chorou, rios de lágrimas descendo por suas bochechas fofinhas.
— Eu vou atrás dele! Seguirei a trilha de seu cheiro. Corra até o Alfa e conte tudo para ele entendeu! Vá o mais rápido possível. — Yamato ordenou, mas Minky o olhou temeroso. — Tudo ficara bem, nós vamos resgatar Nanami! — Dito isso, Minky correu, derrapou e voltou a correr em sua forma de lobo em direção a casa do Alfa.
Yamato por sua vez, fez como costumava em seu modo assassino. Guardou suas roupas em sua bolsa de couro, e transformou-se em uma pantera. Correndo o mais rápido que podia para aproveitar a fraca brisa e o cheiro de Minky na trilha que deixou. Ele tinha que salvar Nanami, mesmo que ele não significasse nada para ele, ainda assim, era algo lá em seu interior estava gritando de que ele deveria fazer isso, era seu dever. E jamais perdoaria quem quer que fosse por ferir seu pequeno filhote.
Minky por outro lado, correu até chegar a casa do Alfa. Ele nunca tinha corrido tão rápido em toda a sua vida! Que bom que seu lobo estava forte e cheio de energia naquele dia, aquilo ajudou muito.
Kensuke estava tendo uma conversa logo na varanda com Ryo e Seiji. Grande sorte!
— Minky-chan? — Kensuke olhou curioso para o filhote que caiu aos seus pés quase morrendo de cansaço. Minky desabou no chão arfando pesado. Até que se transformou em seu modo meia-lua.
— Alfa! É Nanami! — Minky estava em completo desespero, chorando como a criancinha que ele era. — Os bandidos... Eles... Pegaram Nana-chan e estão machucando-o!
Kensuke estava com olhos enormes. Ele nem mesmo pode se mover ao receber a notícia. Ryo e Seiji se moveram para arrancar mais informações da criança. — Nos mostre para onde temos que ir! — Seiji falou.
Minky acenou, ele estava tão cansado que não podia se levantar. Ryo envolveu seu kimono superior ao redor da criança nua e a pegou em seu colo. — Mostre-nos o caminho que iremos salvar Nanami.
Kensuke bateu em sua testa. Maldições... Seu mundo estava desabando de novo. Ele não podia permitir que fizessem mal a Nanami. Seja lá quem fosse, iria pagar muito caro por isso. Ele nunca iria perdoá-lo.
Continua...
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