Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
21 Capítulo 21 – O pequeno milagre
Notas iniciais
Rapidamente a notícia de que o Alfa da Matilha de Akai havia sido envenenado foi espalhada por todos os aldeões. Infelizmente os boatos foram ficando sem controle e o que já se pensava era o absurdo de que seria um dos novos integrantes da aldeia, ao realizar tal atrocidade contra o líder do bando.
— O que sugere que seja feito? Não permitirei que sejam castigados, Sayuri-san ou Nanami-sama. — Ryo falou de forma mais educada possível ao que sua posição lhe permitia ao Ancião Chao.
— Concordo com você, meu jovem rapaz. Não creio que isso tenha sido feito pelo príncipe ou por Sayuri que é seu amigo honrado... Mas acredito que a única coisa que pode ser feita no momento, é isolar os dois gatos até encontrarmos uma solução e descobrir quem foi o criminoso. — Disse o Ancião Chao.
Ryo concordou. — Enquanto ao homem que está hospedado na casa de Shou? Ele também é um gato. — Isso era algo que Ryo estava se perguntando, o homem era um total desconhecido.
— Bem, aquele rapaz salvou os filhotes... Todos os veem como um herói por ele ter impedido um ataque às crianças... Deixe-o como está, mas provavelmente o investigaremos mais tarde. — Deu sua resposta e por último, um pequeno sorriso. — Garanta a segurança de meu filho.
Ryo viu nos olhos do Ancião a preocupação imensa por seu filho, mesmo que tentasse mascarar. O Ancião poderia ser forte, mas ainda sim ele era um pai e sentia por seu filho.
— Entendido, farei como pedido senhor. — Ryo fez uma reverência e então saiu em direção à casa do Alfa. No caminho ele cumprimentou alguns aldeões, então ele viu algo que o fez rir internamente. Seiji estava debaixo de uma árvore, provavelmente cortejando o príncipe Chizuru. Foi realmente uma boa notícia além de surpresa para Ryo quando descobriu que esses dois agora eram noivos. Ele meio que sabia dos sentimentos que ambos sentiam um pelo outro, somente por vê-los se olhar todo o tempo, já estava mais que na hora de que iniciassem um namoro.
Ele iria tomar a iniciativa com Sayuri... Mas apenas achava que ainda não fosse o momento certo. Esperaria um pouco mais.
— Seiji! Chizuru-sama. — Chamou-o quando chegou próximo. Seiji olhou para ele com um grande sorriso. Chizuru corou as bochechas e levava um cesto com flores silvestres.
— Oh, Ryo-chan! —Seiji cumprimentou-o com seu jeito alegre de ser. — Precisa de mim?
— O Ancião Chao ordenou que reforcemos a guarda sobre a casa do Alfa Kensuke... — Ryo olhou para o casal e ergueu uma sobrancelha. — Vocês não ficaram sabendo do que houve com Kensuke?
Chizuru estava prestes a ir embora, mas rapidamente trouxe sua atenção para Ryo, assustado.
— O que houve com meu irmão? — Preocupação evidente em seu rosto, assim como a face de Seiji se fechou e ele tornou-se sério como o guerreiro experiente que era.
— A Aldeia toda já está sabendo... Onde diabos vocês estavam? —Ryo colocou as mãos na cintura, esperando por uma resposta, mas somente se conformou com os rostos corados do casal, ambos envergonhados... Provavelmente passaram o dia namorando em algum lugar escondido.
— Isso não importa! Mas diga-nos o que houve com o Alfa? —Seiji tomou a dianteira.
— Tivemos um atentado de assassinato... Nosso Alfa foi envenenado e não temos sequer uma pista de quem tenha sido o criminoso. — As faces de Seiji e Chizuru foram drenadas e ambos ficaram pálidos. — Kensuke não está passando bem, mas Shou está cuidando de conseguir algum antídoto ou remédio que possa fazê-lo ficar melhor.
— Isso... Como alguém pode... Pode ter feito isso contra meu irmão? — Os olhos de Chizuru se encheram de lágrimas. Ele foi o primeiro a sair correndo em direção a casa do Alfa. Seiji estava mais uma vez sério, e muito desconfortável com a notícia.
— Irei reforçar a segurança não apenas na casa do Alfa, mas em toda a Aldeia. Estarei lá assim que possível, cuide de Kensuke. — Seiji falou e saiu a passos duros em direção aos outros soldados do Vilarejo. Ryo suspirou, tentando desesperamente pensar em alguma solução para ajudar na situação, mas nada parecia viável.
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— É o que estou dizendo... Vocês terão que ficar nessa casa até segunda ordem. Espero que me entendam. — Ryo ditou, vendo Sayuri parecer muito ofendido.
— Como podem desconfiar de alguém como eu? Jamais faria algo assim! — Sayuri cruzou os braços sobre o peito. — Podem até desconfiar de mim, mas não entendo como podem pensar que Nanami faria uma coisa dessas...
— Também não entendo... Mas sabe como são os boatos... Eu sinto muito, apenas vamos esperar até o Ancião descobrir o que fazer. — Ryo pediu.
Sayuri assentiu e olhou para dentro do quarto. Nanami estava segurando a mão de Kensuke e parecia tão abatido quanto qualquer um... Ele nem mesmo havia se importado com a ordem de ser mantido na casa como suspeito de algo que ele jamais faria.
— Queria pegar esse verme criminoso e rasgá-lo até acabar as minhas unhas! — Sayuri mostrou suas finas garras para Ryo, o que o assustou, mas logo ele voltou a estar sério. — Esse... Esse... Não perdoarei! Seja quem for...
— Eu entendo como se sente Sayuri-san... Nós descobriremos. Mais cedo ou mais tarde o criminoso irá aparecer novamente. Só espero que Kensuke fique bem...
— Eu também. — Sayuri se aproximou de Ryo e tocou em suas mãos, tocando-as com ternura e levando uma a seu rosto. Ryo corou sutilmente as bochechas e iniciou uma carícia suave sobre a pele da face bonita de seu gatinho.
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Nanami viu a porta se fechar. O dia se passou lentamente e angustiante. Seu pobre coração estava ferido e cheio de tristeza. Ver seu marido daquela forma estava acabando com ele por dentro.
Não importa o que Shou tivesse feito, a febre terrível de Kensuke não passava. E ele parecia com dor, visto que sua expressão outrora serena demonstrava como ele não estava bem.
Cada vez mais Kensuke estava tomando uma cor de pálido ao arroxeado, e mesmo que ele tivesse tossido uns pares de vezes, ele não havia acordado momento algum. Nanami tentou por chamar seu nome, assim como os outros tentaram sacudir ele para fazê-lo acordar... Mas nada funcionou. Kensuke somente parecia estar se encaminhando para a...
— Não! Isso não! — Nanami sacudiu sua cabeça, e novamente as lágrimas voltaram a cair. — Ken-chan... Por favor... Volte para mim... — Ele chorou deitando sua cabeça sobre o peito de Kensuke. De repente ele percebeu algo e levantou-se rapidamente em total desespero.
Seu coração estava lento... Quase parando. E a pele de Kensuke que estava quente até a pouco... Agora estava ficando gélida. Apesar da febre ter passado, Kensuke parecia que estava... Morrendo.
— Kensuke! Volte pra mim, Kensuke! — Nanami gritou e começou a dar pequenos socos no peito másculo do Alfa. Apesar de que agia com força para fazê-lo acordar, seus punhos eram demasiados pequenos, e jamais que um soco como o de Nanami viria a ferir alguém. Ele não tinha força para isso.
Sayuri, Ryo, assim como Seiji e Chizuru vieram correndo e entraram no quarto sem pedir permissão. Todos assustados, e claro, esperando o pior.
Nanami olhou para eles com olhos enormes, lágrimas derramando em sua face, assim como ele parecia desesperado.
— É-É o Ken... E-Ele... — A voz de Nanami foi desaparecendo e ele levou as mãos aos lábios olhando assustado para Kensuke.
Seiji correu para sacudir Kensuke. — Ele está gelado... A pulsação está fraca. Onde está Shou?! — Gritou.
— E-Eu vou chamá-lo! — Chizuru em prantos, correu para encontrar o curandeiro da Aldeia.
Nanami estava tremendo da cabeça aos pés, seus ouvidos pareciam não captar qualquer som... Assim como sua vista apenas focava-se em seu marido.
Fazia tão pouco tempo que estavam juntos desde o casamento, mas parecia que havia sido bastante tempo. Nanami aprendeu tanta coisa com Kensuke... Eles brigaram muito, discutiam tanto, mas no final das contas, se acertaram no momento em que Nanami jogou toda a verdade para fora, assim como ouviu como Kensuke se sentia de verdade.
Justo agora quando eles estavam indo tão bem junto... Quando Nanami estava descobrindo um sentimento tão quente e gostoso em seu peito, assim como aprendendo novas coisas a cada dia com Kensuke.
Não queria perdê-lo! Não queria que Kensuke morresse. Queria estar com ele pra sempre... Sempre...
"Se você o quer... Por que não me chama?"
As costas de Nanami se arrepiaram quando aquela voz se fez presente novamente. Nanami havia escutando-a desde aquele dia em que fugiu... "C-Como posso te chamar...?" Pensou Nanami, tentando um primeiro contato, mesmo que estivesse morrendo de medo. "Quero que Kensuke viva... O que farei...?" Indagou esperando por uma resposta, a mesma demorou a vir.
"Apenas me ordene e eu farei... Não se preocupe por mais nada."
Nanami arregalou seus olhos azuis celeste. Ele olhou para Kensuke e fez um biquinho.
—Q-Quero que Ken-chan... Que ele viva... Que ele fique bem... Por favor... — Nanami fez seu pedido em voz baixa e colocou toda a sua fé no pedido, como se estivesse pedindo a algum poder divino, seja lá o que fosse de verdade não importava, somente queria que Kensuke voltasse a ficar bem.
"Seu desejo é uma ordem... Fez uma boa escolha, filhote."
Em seguida Nanami ficou esperando para que algo acontecesse, ele olhou para seus amigos e notou o olhar de horror e curiosidade deles sobre si. Perguntou-se por que estavam lhe olhando desse jeito... Até que abaixou seus olhos para suas mãos, vendo que sua pele estava brilhando. E brilhava cada vez mais...
Nanami foi ficando sonolento... Sua visão foi se perdendo em Kensuke, até que tudo virou escuridão e ele desmaiou sobre o corpo do Alfa.
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Shuichi remexeu na cama deitando de lado. Suas pálpebras pesadas tremularam, forçando a abrirem. Levou mais tempo previsto, mas quando finalmente conseguiu despertar completamente, olhou a figura sentada na cama ao seu lado e deu um pequeno sorriso.
— Oi! — Murmurou. Sua mente ainda estava turva e seu coração pulsava fortemente. — O que...? — Ele corou quando seu irmão inclinou sobre si. Sutilmente, Yunsuke o fez deitar de costas para a cama e pairou sobre si. A grande e calejada mão tocou gentilmente sua bochecha rubra e o polegar traçou seus lábios.
— Tudo bem?
Shuichi acenou com a cabeça. — O que faz aqui? Esta a muito tempo?
— O suficiente para vê-lo murmurar dormindo. — Yunsuke disse com um sorriso.
— Não vale! — Shuichi disse sem jeito. Ele sentiu seu corpo reagir diante do peso do corpo de seu irmão. Havia algumas camadas de roupas, mas isso não o impediu sentir o calor. — Você... Falou... Com nosso pai?
Yunsuke ficou um pouco sério, mas logo sua expressão suavizou. Ele se moveu a fim de alojar-se entre as pernas abertas do outro, fazendo as mesmas rodear seus quadris. Uma das mãos deslizou por debaixo do kimono de algodão do tornozelo até as coxas roliças. — Falei!
— E o que ele disse? — Shuichi indagou. Ele contorceu diante dos toques de seu amado. Tremeu ao receber os beijos úmidos em seu pescoço e ombro.
— Ele não ficou muito feliz... — Yunsuke disse encarando os olhos de seu irmão e amante. — Mas não importa! Não vou deixar que outro o tivesse ou que crie meu filho. Se for preciso, fugiremos... Mas ficaremos juntos. — O gêmeo mais velho ditou firme. Ele desceu sobre o corpo do amante, distribuindo beijos do pescoço em diante à medida que retirava o tecido do caminho.
Rindo, Yunsuke se inclinou para trás, tratando de retirar as roupas de ambos. Momentos depois ficaram nus, com suas ereções vazando e lutando uma contra a outra. Eles ficaram, o que pareceu um eternidade, trocando beijos, eufóricos beijos. Shuichi prendeu a respiração e Yunsuke inclinou-se e pegou o óleo da gaveta.
— Tudo bem? Posso ter amar? — Perguntou cauteloso, jamais faria algo para machucar seu irmão.
Não esperando a pergunta, levou um minuto para as palavras se registrarem e para Shuichi responder. — Eh... S-sim, eu quero.
— Você confia em mim? — Havia a pressão em sua voz ou no seu rosto e Shuichi sabia que se ele disse que não, Yunsuke não ficaria chateado.
A ideia de Yunsuke dentro dele quase teve Shuichi a gozar. — Sim. Nada entre nós, por favor.
Yunsuke levou seu tempo fazendo o seu caminho para baixo do corpo de Shuichi, mordiscando e provocando. Shuichi respirou quando sentiu o hálito quente escovar contra seu pênis. Ele tinha medo que iria explodir ao primeiro toque.
O profundo gemido doloroso foi arrancado de sua garganta quando a deliciosa visão dos lábios do outro homem em torno de seu pênis estava amplificando-o mais e mais. Um dedo bateu contra sua entrada, fazendo com que Shuichi choramingasse e abrisse as pernas mais afastadas em aprovação silenciosa.
Yunsuke violou o seu casulo, ao que Shuichi não conseguia parar de empurrar para baixo para o dedo antes de empurrar de volta para Yunsuke, para a boca talentosa. Essas duas sensações fizeram Shuichi arquear as costas, tentando empurrar o dedo mais longe. Outro foi adicionado, tesourando dentro dele a medida que o estirava para Yunsuke.
O Were gato mais velho por questão de segundos, não era pequeno, olhando para o que parecia ser pelo menos 22 cm. Shuichi gritou antes de bater de volta nos dígitos preparando-o, Yunsuke entortou os dedos para escovar sobre sua próstata. Ele não ia durar, ele apenas sabia disso.
Quando Shuichi sentiu o terceiro dedo sendo inserido, ele tinha certeza que ele ia explodir. Pouco antes de seu orgasmo, Yunsuke passou os dedos em torno da base do pênis de Shuichi. Tirando seu comprimento com um pop audível, Yunsuke olhou para cima.
— Uh- uh, não até que eu esteja dentro de você, querido.
— Então, apresse-se e fique dentro de mim, você homem mau! — Shuichi implorou.
— Alegremente.
Inclinando-se sobre ele e alisando o seu eixo, Yunsuke posicionou-se na entrada de Shuichi. Ele empurrou para frente, trabalhando o seu caminho lentamente. A queimadura foi uma sensação doce entre o prazer e dor.
— Mova-se, por favor, — Suplicou.
Yunsuke começou a empurrar para ele. Estocando profundamente. Encarando-se, Yunsuke baixou a cabeça, passando a língua no lábio inferior de Shuichi.
Shuichi abriu e a língua Yunsuke varreu-o, enredando com a dele. Deus, como eu quero esse homem. Sempre. Ele queria, precisava dele. Sempre precisou. Empurrando a sensação perturbadora de lado, ele se concentrou no aqui e agora, implorando por algo para que ele soubesse que isso era real.
— Mais, por favor. Rápido, mais rápido. Faça-me sentir seu pau na minha bunda por uma semana.
Tomando as palavras dele, Yunsuke puxou para fora, apenas para bater de volta com força. Gemendo e choramingando, Shuichi bateu de volta e Yunsuke continuou a bater o pau em sua bunda.
— É isso que você quer? — Yunsuke disse ofegante. — Sinta-o. Sinta-me. Tão profundo em você, bebê. Tão profundo que vou atirar minha semente na sua apertada bundinha. Marcá-lo. Alegando-o meu.
As palavras de Yunsuke só iam fazer Shuichi gozar. Ele nunca teria imaginado que Yunsuke tinha uma coisa para falar sujo.
Shuichi gemeu quando Yunsuke estendeu a mão para baixo, envolvendo seus longos dedos firmemente em torno do eixo de Shuichi, bombeando-o furiosamente.
— Você gosta disso? Você quer sentir o meu sêmen dentro de você? Goza para mim, bebê. Goza em toda a minha mão.
Incapaz de segurar por mais tempo, Shuichi jogou a cabeça para trás, gritando o nome de Yunsuke quando o seu orgasmo bateu em seu sistema.
Agarrando os ombros do homem, suas unhas escavadas na pele de Yunsuke, ele o segurou. Onda após onda de prazer percorreu seu corpo. Ao longe, ele ouviu Yunsuke chegar ao seu clímax e sentiu os respingos de sêmen dentro dele, enchendo-o como ele tinha acabado de prometer.
Os dois respiravam ofegantes. As bocas se encontraram mais uma vez, compartilhando um beijo lento e carinhoso. As mãos se uniram e os dedos entrelaçaram.
Os dois ficaram perdidos em trocar carícias pós-orgastica e não atentaram que alguém se aproximava. Quando a porta for abrerta, Yunsuke saiu de cima de Shuichi e puxou o cobertor para proteger a nudez do irmão. Os dois olharam com olhos arregalados para a figura na porta que não parecia nem pouco feliz.
— Vejo que esta bem Shuichi! — O imperador ditou mostrando seu semblante sombrio. Ele fechou a porta atrás de si e aprofundou no quarto.
Shuichi corou e puxou o cobertor até o queixo, ao que Yunsuke não ligou para a própria nudez. — Deveria bater na porta, meu rei! — Disse firme.
— Acaso preciso de sua autorização para ver meu filho? — Ele disse firme. Suspirando, sentou em uma poltrona no quarto e olhou firme para os jovens. — Pois bem, se meteram nessa confusão e encararão as consequencias.
— Eu disse que... — Yunsuke começou contestar.
— Calado! — O Rei ordenou. — Não terei um filho pai solteiro e muito menos infeliz. Após avaliar as leis, verifiquei que existe uma possibilidade... No caso do governante ter gêmeos... A fim que impeça que o reino seja dividido, ambos se casarão. Assim, em cima dessa lei, estou anunciando que casarão o mais rápido possível. Acredito que em cinco dias. — Falou sem mostrar emoção.
Shuichi sentiu o espanto apossar de seu corpo e então um sorriso surgir. Ele sentou na cama. — Pai... Obrigado!
— Tem mais! Até o casamento não irão fazer nada... Estou claro? De preferência não irão se ver. Garantirei que a guarda mantenha Shuichi no quarto em pleno repouso... E você Yunsuke, irá com Eiji atrás de algumas pistas do paradeiro de Sayuri! Não serei desobedecido.
Shuichi o olhou choroso.
— Tudo bem! — Yunsuke respondeu. Ele apertou a mão de Shuichi, dando lhe forças e mostrando a ele que era bom obedecer. Seria algum dia, pois logo estariam casados.
— Bem! — O rei levantou. — Já solicitei que o médico venha vê-lo novamente, assim, trate de tomar um banho e se arrumar. — Falou ao que moveu para a porta dando as costas aos filhos.
— Sinto muito, pai. — Shuichi disse. Ele podia sentir o quanto o seu pai estava em uma tristeza grande. Para o Imperador as coisas desabavam ao seu redor.
— Apenas descanse! — Disse sem olhar para os filhos e deixou o quarto.
Yunsuke voltou atenção ao amado e tocou gentilmente seus cabelos. — Quer ajuda para tomar banho? — Sua voz era rouca e cheia de desejo.
— Ele ficará bem? Digo, nosso pai? — Shuichi indagou ainda preocupado com seu pai.
— Ele superara! Agora vamos ao banho. — Ele levantou da cama e tomou Shuichi em seus braços. Seguiu para o banheiro que ficava em junção ao quarto, ansioso para limpar cada pedacinho do corpo do irmão. Ou melhor, noivo.
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Yamato abriu a porta da cabana e entrou, vendo esta vazia. Provavelmente Shou estava no consultório em seu trabalho como curandeiro, ajudando alguém da tribo. Achava interessante o trabalho que o anfitrião daquela casa fazia. Lobos não adoeciam muito facilmente, para dizer a verdade era quase raro. Mas ainda sim surgiam alguns probleminhas com idosos e crianças, por isso Shou estava lá, para estes probleminhas.
Fechou a porta e então se estirou no sofá fofo da sala de Shou. Ah, ele precisava de algum conforto. Foram horas perambulando pelo vilarejo e a cada cinco minutos ele foi interrompido por um grupo de cidadãos os cumprimentando como se ele fosse uma espécie de herói pelo acontecido alguns dias atrás.
Não era bem assim, ele somente foi lá e fez. Não ia assistir uma criança morrer. Não mesmo.
Então ele ouviu um barulho mais atrás da casa e então alguém xingou. Yamato se preocupou — ele não devia fazer — então ele foi em direção ao barulho e pegou Shou sentado sobre uma poça de chá.
— O que diabos aconteceu aqui?
— Hyaaa! — Shou se assustou quando ouviu a voz grave do gato. — Me assustou! Tem que parar com isso sabia?
— Hum. — Revirou os olhos e então cruzou seus braços, vendo Shou se levantar lentamente. Ele parecia ter batido as costas, vendo que ficava massageando atrás delas.
— Acabei derramando o chá e caí quando fui limpar, satisfeito? Agora pode ir embora. — Respondeu com um bico e novamente foi molhar algum pano na pia a fim de limpar o líquido claro esparramado pelo chão.
— Deixe-me ajudá-lo um pouco. Dê-me isso. — Yamato pegou o pano molhado das mãos de Shou e se agachou limpando perfeitamente a superfície da cozinha. — É assim que se faz, não tem segredo. E também não tinha porque cair. — O lobo corou profundamente as bochechas, envergonhado por ter sido repreendido pelo outro.
— Eu sei muito bem como cuidar de minha casa, não importa como. — Resmungou.
— Talvez você precise de alguém mais por aqui. Imagine ter alguma ajuda. — Yamato viu quando Shou se virou envergonhado para a pia e tremulamente passou a fingir lavar algo.
— Não preciso! Tenho Minky, quando ele crescer me ajudará! — Ditou firme, apesar de que ele parecia um pouco nervoso.
Yamato sorriu.
Ele se aproximou lentamente e felinamente como o gato que ele era, e envolveu Shou em seus braços. O mesmo pulou e soltou um gritinho de surpresa.
— Solte-me! O que acha que está fazendo? Seu... — Se debateu.
— Para um lobo, você é bem esquentadinho. Sabia que isso não combina com sua aparência? — Falou rente a orelha peluda de Shou. — Você é magro, pequeno e delicado. Me dá vontade de cuidar sabia? — Sua grande língua áspera saiu, contornando a orelha pontuda do lobo. — Poderia lambê-lo dos pés a cabeça, você tem um cheiro sublime.
Por incrível que pareça, Shou ficou sem reação. Ele abriu a boca para proferir algo, mas nada saiu, a não ser um gemer de cachorrinho.
— Heh... — Yamato soltou um risinho e então deixou o outro que se alto abraçou. Ele poderia não vê-lo, por ele estar de costas, mas sabia que o mesmo devia estar profundamente vermelho. Que fofo... — Venho brincar com você mais tarde, agora, onde está Minky? — Yamato se foi.
Shou — definitidamente — estava como Yamato pensou, em todos os tons possíveis de vermelho. — Maldição... — Resmungou. A sua expressão com certeza não poderia ser vista por ninguém... Ele estava...
— Não posso acreditar... Porque isso... — Ele mesmo não conseguia explicar. Seu coração estava latejando tão fortemente no peito que era capaz de ele não se aguentar de pé.
Shou respirou profundamente e colocou a mão no peito, a outra se apoiando na bancada. Inspirou e então seus olhos se abriram cheios de dor. — Isso não pode estar acontecendo de novo...
Enquanto isso, Yamato já estava fora da casa, ele andou pela rua e novamente foi interrompido por alguns aldeões. Ele se dirigiu em direção a um pequeno rio que abastecia o vilarejo. Ali poderia ser um local aonde o inverno tocava sempre, mas aquele era um dos únicos rios não congelados, embora sua água fosse muito, mas muito fria. A razão estava no fato do rio sempre estar em movimento, pois ele cortava toda a montanha.
E foi como ele imaginou, Minky estava lá, colhendo o que se pareciam flores dos arbustos ao redor do rio. Yamato pensou que não parecia muito seguro a criança estar ali, ainda mais tão próxima da floresta.
Era o mesmo local em que ele havia sido atacado. Pelo jeito, Minky não ficou com medo de ir ali depois do ocorrido.
— Hei Mi-chan. — Chegou para ele, para então Minky se virar choroso para ele. Seus olhos mergulhados em lágrimas e até seu nariz escorria. — Hei, o que foi? — Agora Yamato correu para ele, agachou ao seu lado e o trouxe para um abraço.
— Hic... —Minky soluçou e se apegou fortemente no abraço.
Oh, Yamato abraçando uma criança? Isso era raro.
— Er... — Limpou a garganta, mas não fez menção em se afastar. — O que foi? Por que está chorando pequeno? — Isso era mais importante do que pensar em sua vida onde nunca antes abraçou uma criança.
— E-Eu... Flores... Papi... Então... Esse lugar... — Minky explicou em meio ao choro. O que começou com suaves soluços se tornou um choro escandaloso. — Buaaaaaaa!
— É... Hei... Vamos, não chore! — Yamato abraçou e nanou Minky em seus braços com carinho, o máximo para que ele parasse de chorar como um bebezão. Mas ele era um bebezão. O bebê de Shou. A coisa mais importante para Shou.
Yamato piscou algumas vezes, depois que o choro diminuiu.
— Você veio até este lugar... Estava com medo, pequeno? — Indagou afastando-se minimamente. Minky assentiu, fungando. — E estava colhendo flores para... Er, seu pai? — Ele assentiu novamente e teve olhos arregalados de surpresa.
— Você é adivinha? — Indagou na inocência.
— Haha... Bem, não exatamente adivinha, mas não chore mais okay? Poderia ter me chamado para vir contigo aqui colher flores para seu pai.
— Essas são as preferidas dele. — Minky mostrou sua pequena cestinha. Em seguida ele olhou para Yamato e sorriu amplamente, como uma estrela radiante.
Ual, que brilhante! Yamato pensou com todo o brilho daquele filhote. Fofo, ele realmente se parecia com Shou!
— Então está combinado? Quando quiser sair, pode me chamar que irei. Protegerei você de qualquer coisa, então não tenha medo! — Yamato falou em seu modo mais legal. Minky pulou ainda sorrindo. Ele entregou a ele a cesta com as flores e pegou em sua mão.
Yamato o escoltou de volta para casa. Ele pensou que realmente não sabia que tinha jeito com crianças, aquilo foi uma surpresa.
Continua
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