Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada
20 Capítulo 20 - Difíceis decisões
Notas iniciais
Capítulo 20 — Difíceis decisões

Os finos raios solares cortaram a densa nuvem – era quase um milagre – visto que era sempre o frio ou nublado. A população dos lobos saiu de casa para admirarem aquele feito e aproveitarem o clima. Não diria que estava com céu aberto ou ensolarado, ainda fazia frio, porem a neve havia cessado e menor que fosse o raio solar, era bem vindo.
Como normalmente Shou acordou cedo, foi preparar o café da manhã para seu filhote, mas quando entrou na sala da sua casa acabou dando um gritinho de susto.
O gato grande e negro deitado em seu sofá despertara e dera um pulo gracioso. A fera arreganhou os dentes e clicou as garras, mas quando os olhos âmbar pegaram a visão do lobinho curandeiro e seu cheiro divino, a pantera negra deu espaço para um homem nu.
— Me assustou doutor! Tudo bem? — Yamato indagou casualmente sem importar com o fato que encontrava inteiramente nu. Suas cicatrizes ficaram amostrar em seu corpo esculpido e musculoso. Não diria que eram muitas, mas ser via as pequenas linhas brancas, símbolo de seu trabalho como assassino.
Shou desceu o olhar por todo aquele corpo e segurou a respiração. Logo, suas bochechas ficaram quentes e ele virou de costas. — Seu... Eu me esqueci de você... Como normalmente somente é eu e meu filho... E... Mi-chan logo acordará, vista algo. — Shou disse desenfreado. Antes que o outro respondesse, saiu em sentido a cozinha. Precisava jogar uma água gelada no rosto.
Já Yamato ficou olhando para o caminho que o curandeiro seguiu e não pode impedir que um sorriso malicioso surgisse. Ele certamente iria aproveitar a sua estadia naquele vilarejo. Não tinha a menor pressa de ‘matar’ o principezinho... Poderia fazer depois, antes queria saborear aquele lindo lobo.
Ele foi retirado de seus pensamentos quando um Minky ainda sonolento e esfregando os olhos apareceu. Mais que depressa, Yamato puxou o cobertor para esconder sua nudez e colocou um sorriso caloroso. — Bom dia Mi-chan.
O pequenino olhou para o homem por um tempinho até que indagou: — Quem é você?
— Eu sou seu novo papai. — Yamato disse divertido vendo a surpresa nos olhos da criança, mas Shou apareceu para acabar com a festa.
— Não minta para meu filho. — Disse feroz, e depois suavizou a expressão ao olhar para o filho. — Ele é a pantera que lhe salvou, meu amor.
— Ah... — Minky ficou olhando curioso para Yamato até que deu os ombros. — Gostei da ideia de ser meu papai...
Shou corou e Yamato deu uma risada divertida. De imediato havia gostando do pequeno. — Quem sabe poderá me ajudar a convencer seu pai disso.
— Pare já com isso! — Shou grunhiu. — Mi-chan vá ser arrumar, o café estará pronto em breve. — Disse com amor em sua voz, e depois virou para o forasteiro. — E você... Vá colocar uma roupa descente. — Disse áspero ao que voltou para a cozinha.
— Acho que você irritou-o. Não o conquistará assim. Papa é difícil. — Minky disse com sua sabedoria de uma criança de cinco anos e saiu de volta ao quarto para seu arrumar.
— Literalmente divertido. — Yamato disse para ninguém especial e foi fazer o que Shou pediu, se vestir.
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Nanami ronronou ao que esticou o seu corpo espreguiçando. Não pode impedir de que um pequeno sorriso surgisse quando recordou da noite que tivera... Se bem começou à tarde. Depois do ataque do Lince, Kensuke o levou para casa e o amou... Depois dormiu boas horas e acordou para compartilhar de uma deliciosa refeição com o marido... Ronronou novamente ao lembrar-se do banho gostoso e a forma que o Alfa o amou novamente.
Ele estava tão feliz como nunca antes. Finalmente tinha alguém que o amava, e de quebra detinha seu melhor amigo perto de si... Nanami sentia como se nada pudesse atrapalhar tanta felicidade.
O loirinho moveu-se no futon de forma que se encolheu contra o maior. Ele esfregou o rosto contra o braço de Kensuke, mas somente então percebeu que algo não estava bem.
Normalmente quando acordava Kensuke já tinha ido trabalhar e o outro fato era que o lobo parecia mais quente que o comum... Como se estivesse com... Febre.
As pálpebras se abriram revelando as íris azuis e a preocupação. Nanami sentou na cama e olhou fixamente para o marido. Kensuke detinha os olhos fechados firmes, como se estivesse dormindo profundamente, mas sua pele era coberta por suor, sua pele quente, e tremia...
Nanami levou a mão pequena à testa do Lobo e a outra na sua. Poderia não saber muito bem como isso funciona, mas em sua arrogância, sentia que a temperatura do marido não estava normal. Se recordava, Chizuru disse que dificilmente um Lobo ficava doente.
Nanami sentou sobre as pernas e levou as duas mãos aos ombros de Kensuke, e em desespero passou a chama-lo.
— Ken-chan... Acorde... — Pediu choroso. A preocupação cresceu dentro de si. Por que tudo na sua vida, quando começava a ficar bem, vinha com algo para estragar. — Ken-chan... Kensuke... Acorde! — Gritou no final, mas o moreno nem sequer se moveu.
Nanami levantou em agonia e sem importar em esconder sua nudez foi até a porta do quarto, abrindo e gritando: — Sayuri! Sayuri!
Esperançoso que o amigo tinha ouvido, retornou para o lado do marido. Ele puxou o cobertor, vendo que todo o corpo de Kensuke se encontrava suado e ele tremia de frio. Nanami tomou um kimono de algodão branco e o vestiu arrumando de qualquer jeito, e seguiu até o armário em busca de um novo cobertor.
— O que foi Nana-chan? Estava em um soninho tão gostoso. — Sayuri disse esfregando os olhos e ainda vestido sua roupa de dormir.
Nanami virou para o amigo com lágrimas nos olhos e segurando o cobertor contra o corpo. — É Ken-chan... Ele não acorda... E acho que esta com febre... O que ele tem? Por que ficou doente? É por que sou amaldiçoado? — Dava pena de ver seu estado.
Sayuri olhou para o Alfa vendo o estado do mesmo. Esse parecia estar tendo delírios de febre, pois começou a murmurar algo incoerente. O príncipe foi até o moreno e se abaixou, tocando sua testa. Seus olhos se arregalaram. — Ele está ardendo em febre! É perigoso... — Mas se arrependeu do que disse quando Nanami gritou.
— Eu vou perdê-lo?! Logo agora que sou feliz? Não... — Nanami disse em desespero. As lágrimas desceram em abundância pela face contorcida em medo e dor.
— Calma... Deve ser nada demais... Aqui... O cubra com o coberto e pegue um paninho úmido e coloque em sua testa... E... Trate de vestir algo nele... Vou chamar Shou. — Sayuri disse corado, pois somente agora reparou que o Alfa se achava nu. Ele saiu pela porta do quarto em pressa.
Nanami segurou as lágrimas limpando a face grosseiramente. Ele voltou para perto da cama, colocou o cobertor nele e correu ao banheiro. Não demorou em voltar com o pano úmido e se ajoelhou ao lado do marido. Limpou o suor de seu rosto e colocou o paninho na testa dele. Depois pegou uma calça de pijama no closet, vestindo no moreno, mesmo com dificuldade e terminou, cobrindo-o.
Aflito, segurou a mão de Kensuke. — Ken-chan... Melhore... Não me deixe... Eu preciso... Eu... — As palavras saíram entrecortadas. Rezou para que Sayuri fosse rápido e Shou curasse seu marido.
“Ordene-me...” Uma voz grossa ditou.
Nanami olhou ao redor, mas não encontrou ninguém. Não era a primeira vez que isso acontecia. Quando teve de enfrentar o Wendigo, a mesma voz falou com ele.
“Invoque-me filhote, que o curarei” Novamente a voz veio, mas antes que Nanami indagasse, os murmúrios de Kensuke ficaram mais altos, denunciando seu delírio crescente.
Nanami já não sabia mais o que fazer... A situação de Kensuke parecia piorar a cada minuto, e a ajuda estava demorando a chegar. Aquela voz estava cada vez mais presente em sua mente, o que causou profundos calafrios em Nanami. Sentiu sua cauda espichar quando novamente escutou aquela grossa voz.
"Invoque-me e eu irei salvá-lo... Aquele que tanto amas... Você pode fazê-lo..."
Não sabia de onde estava vindo tal voz, mas como ele... Como ele salvaria Kensuke? Um fracote como ele, um simples gato pequeno que não dava conta de cuidar nem de si mesmo... Talvez ele não fosse mesmo capaz de nada, nada para ajudar seu marido, seu Alfa.
— Nanami? Trouxe Shou! — Sayuri abriu a porta ofegante, rapidamente entrando e dando caminho para Shou entrar com sua maleta. O curandeiro da Aldeia rapidamente começou a verificar os sinais vitais de Kensuke, ele olhou para a bandeja que estava ao lado do futon do casal, e reparou que havia cumbucas vazias.
— Nanami, você comeu o que estava naquela bandeja? — Shou indagou um pouco mais tarde depois de ter verificado Kensuke. O gatinho olhou para a bandeja e então de volta para o curandeiro.
— Não comi, acho que era o jantar que Sayuri fez para Kensuke na noite passada... — Nanami olhou bem para Shou, o mesmo coçou o queixo e olhou para o Alfa desconfiado.
— Kensuke foi envenenado... — Shou soltou a bomba. Sayuri teve uma surpresa repentina e empurrou o curandeiro com as costas para o chão, prendendo suas mãos firmemente, enquanto rosnava em seu rosto.
— Eu nunca envenenaria o Alfa, eu sou um homem honrado, nunca e jamais faria algo assim! Ainda mais sabendo que Kensuke é o marido de Nanami, meu melhor amigo no mundo inteiro! — Vociferou. Shou estava com os olhos arregalados e visivelmente pálido. Ele era um lobo, normalmente não se deixaria intimidar por um gato, mas ainda sim ele não era de lutas ou de brigas, nem mesmo se lembrava de sua última discussão.
— Sa-Sayuri-chan! Deixe o Shou em paz! Eu tenho certeza que ele não quis dizer que foi você... Não é Shou-chan? — Nanami perguntou com a voz embargada, novamente as lágrimas encheram seus belos olhos e passaram a escorrer por seu rosto. — Quem fez isso com meu Ken-chan? Por quê? Ken-chan é tão bonzinho...
Sayuri desistiu de sua posição e sentou-se envergonhado olhando para o chão. Shou se ajeitou quando se sentou e colocou uma mão sobre o ombro de Sayuri como pedido de desculpas.
— Eu sinto muito Sayuri... Sei que você não faria nada como isso... Mas quando os outros da aldeia souberem que seu alfa fora envenenado... Temo o que possam pensar, irão desconfiar principalmente dos gatos, de você e de Nanami também.
— De mim? Mas Kensuke é meu marido!! — Nanami acabou por falar alto demais e então ele voltou a sentir calafrios com a voz sussurrando no fundo de sua mente.
"Ele não irá viver por muito tempo... Chame-me e irei curá-lo..."
— Uh, uh... Essas vozes... — Nanami segurou seus cabelos, voltando a chorar com dor. Ele não sabia o que fazer... Estava com medo dessa voz, de quem quer que esteja lhe assombrando. — Kensuke... Por favor, volte pra mim...
–oo0oo-
Yunsuke estava assombrado. Ele havia visto seu pai, o Imperador, sair da sala com Hachiro aos seus pés de volta para o escritório. Ele assistiu como seu pai estava furioso, prestes a matar quem fosse o maldito que havia se aproveitado de Shuichi.
A questão era que esse "maldito aproveitador" fora o próprio herdeiro, ele mesmo, Yunsuke quem cometeu.
Ainda não se lembrava de nada, não sabia se havia sido Shuichi a lhe convidar para cama aproveitando de sua bebedeira, ou se ele mesmo havia cometido tal atrocidade. Bem, ao menos ele queria ter o gostinho de se lembrar da transa que teve com a pessoa com quem ele sempre fantasiou desde a puberdade. Ele queria poder se lembrar das imagens ou ao menos da sensação.
Ele não era nenhum santo para não saber como se sentia, mas com Shuichi era diferente. Ele o amava, detinha sentimentos proibidos por aquele que detinha seu próprio sangue e um laço mais forte do que qualquer um da família ou fora dela. Ele era seu gêmeo, mas também sua outra metade.
Pena que não era certo... Provavelmente se seu pai soubesse da forma como ele amava o próprio irmão... Tinha medo de que sua cabeça voasse da guilhotina.
Mas depois de tanto pensar, ainda sim seu mundo parecia que iria desabar.
Com cuidado, depois de se certificar que o médico havia ido embora e os guardas estavam fora do quarto. Yunsuke se levantou da poltrona e foi até a porta do quarto de seu irmão. Ele deu uma suave batidinha, ouviu um resmungo, mas mesmo assim entrou sorrateiramente.
Depois que fechou a porta, se aproximou de onde estava Shuichi. O mesmo havia se coberto com o edredom até a cabeça, apenas um punhado dos cabelos escuros e lisos muito longos sobre os travesseiros.
Foi então que algo lá no profundo interior de Yunsuke queimou de culpa. Um suspiro deixou seus lábios e ele se sentou à beira da cama e ousou acariciar os longos fios do cabelo de Shuichi.
— Yu...Yunsuke? — A voz de Shuichi veio embargada. Provavelmente ele havia chorado muito desde que soube da notícia. — O que eu faço...? O que eu faço Yu-chan? — Mesmo ainda com o rosto escondido, Shuichi parecia ter se esquecido da briga entre eles, e sua voz embargada lembrava ao herdeiro de quem estava desesperadamente pedindo por socorro. — O que vai acontecer comigo, Yu-chan...?
Yunsuke engoliu em seco, dor e desespero fizeram parte dele quando ele se tocou que suas próprias lágrimas estavam escapando e molhando o seu rosto.
— Shu-chan... — Sussurrou carinhosamente, enxugando grosseiramente suas lágrimas, então suavemente ele abaixou o edredom que cobria a face de seu amado, olhando para os olhos cheios de lágrimas de Shuichi. — Não chore... Eu...
— Tudo bem Yunsuke. Eu vou dar um jeito... Mesmo que eu não saiba o que fazer agora... Eu tenho certeza que pensarei em um jeito. Acho que papai irá me arranjar alguém para me casar antes mesmo que esse bebê comece a crescer em meu ventre... Assim não irá ter rumores que sou um grávido solteiro...
Ser um grávido solteiro era uma vergonha para a sociedade. Shuichi poderia perder o posto de príncipe e quem sabe ser expulso do castelo, se seu pai mandasse. Yunsuke sabia que isso não aconteceria apesar do medo de Shuichi, seu pai poderia ser um Imperador autoritário, mas ele amava seus filhos...
— Nem pense em fazer uma coisa dessas. Eu irei me responsabilizar, afinal esta criança também é minha. — Yunsuke falou colocando todos os seus medos para longe e enfim vestindo sua coragem, que era o que ele iria precisar agora.
— O que está dizendo? — Shuichi se arrastou até se sentar e olhou completamente perplexo para o irmão. — Você não pode fazer isso! Está noivo, se lembra? Irá se casar com a filha de Hachiro, papai está contando com isso... Ele estava organizando tudo... Até a festa de casamento... O que ele irá dizer quando souber que você...
— Não me importo! Muito menos se sou o herdeiro ou se meu pai é o Imperador. Acontece que eu sou um homem e não fugirei de minhas responsabilidades... Eu sinto muito pela briga que tivemos... Eu juro que não me lembro das coisas... Mas de verdade irei tomar a responsabilidade por meus atos. Então decidiremos o que será de nossas vidas. Mas papai irá saber o que houve. —Yunsuke falou por fim e se inclinou para Shuichi olhando em seus olhos. — Confie em mim, não importa o que aconteça comigo, mas você ficará bem, ok?
Shuichi estava de olhos arregalados e suas bochechas queimaram. Normalmente Yunsuke sabia ser bem idiota, mas mostrou um lado a ele agora de que não se lembrava de conhecer.
— Te-Tem certeza? — Novamente seus olhos brilharam com lágrimas não derramadas. Aquele Shuichi forte que Yunsuke conhecia sempre com uma expressão de confiança e forte que podia manejar espadas... Este parecia haver sumido, somente via agora nos olhos de seu irmão, medo, incerteza, dor e tristeza... Ele parecia a ponto de sucumbir sem saber o que fazer com sua vida e com aquele bebê que carregava.
— Tenha fé em mim, fui treinado para ser um futuro rei, sei o que estou fazendo. E cuidarei de ti... — Yunsuke não quis se atrever muito, mas vendo aquele lado de seu amado, não resistiu e dar a ele um pequeno beijo em seu rosto. A face de Shuichi queimou ainda mais em vergonha, mas sabia que ele havia adorado o gesto de carinho.
Teria que tentar isso mais vezes, mas somente quando Shuichi não fosse ranzinza e se esquivasse dele.
— Irei falar com papai, mais tarde virei aqui. Então faça como o médico recomendou, aproveite para dormir bastante e descansar. Caso precise, pedirei a um guarda para ficar à porta, somente grite ele, ok? — Shuichi assentiu um pouco aéreo. Yunsuke se moveu para a porta, mas não deixou de dar uma ultima olhada em seu irmão. Seu coração se apertou, ele ainda detinha um pouco de medo de falar com seu velho... Esperava saber qual seria a reação dele, mas se encheu de coragem.
Em breve ele teria um filho, isso era motivo o suficiente para que dessa vez ele tomasse uma atitude.
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— Nas montanhas tem uma pequena cabana... Feita de carvalho... E nela vivia o meu amor... — Os lábios bem desenhados do príncipe dos lobos moviam graciosamente à medida que entoava a canção.
Mesmo naquele frio, Chizuru trabalhava arduamente. Mesmo que fosse um príncipe, na vila dos Lobos, não tinha mordomia ou empregados, era ele responsável pelo cuidado, manutenção e serviços na casa de seu pai. Ele limpava, cozinhava e lavava, mas nunca reclamou disso... Fazia com prazer.
Seu dia começava cedo, primeiro preparou um café da manhã reforçado, arrumou a casa e agora terminava de estender os lençóis que havia lavado. Enquanto cantava baixinho, estendia o último. Mesmo sua pequena estatura, não o atrapalhava estender o grande lençol.
As mangas de seu kimono azul claro se achavam dobradas e os seus negros cabelos presos em um rabo alto.
Chizuru estava ansioso para terminar o trabalho e ir à casa do irmão. De alguma forma, sentia-se bem naquela casa... Claro, sempre fora lá antes, mas normalmente para ajudar seu irmão na limpeza, mas agora queria ir para ver... Os dois gatos.
A vida realmente poderia dar voltas. Até alguns dias atrás, Chizuru tinha como missão testar Nanami... Não considerava aquele neko digno de seu irmão e para isso sempre testava o calor dele. Ainda não podia acreditar que um príncipe gato não apreendia nada. Certamente, vivia na mordomia e com empregados... Porém o mais abismal era que nem cozinhar ou educação refinada Nanami sabia...
Contudo, depois de tudo que fez e como agiu, Chizuru aprendeu que o valor daquele gatinho estava acima de seus dotes e habilidades, estava em seu coração bondoso, sua inocência e determinação.
Chizuru sentia-se culpado por ter dado momentos tão difíceis para Nanami... E talvez por isso andasse tímido e confuso. Queria se aproximar do cunhado... Quem sabe tornar-se amigo dele e daquele gato ruivo. Seria divertido.
Chizuru deixou um pequeno sorriso tomar seus lábios. Estava pensando em convidá-los para ir patinar no lago com ele. Certamente seria divertido. Nas montanhas de inverno sem fim não tinha muita coisa para fazer, mas certamente brincar no gelo era divertido.
Perdido em seus pensamentos, o lobinho não percebeu quando alguém ser aproximou. Chizuru ficou na ponta dos pés para esticar o lençol no varal, mas desequilibrou e a queda fora certeira... Mas antes que caísse contra o chão, fortes braços envolveram sua cintura e costas.
Os seus olhos se arregalaram de surpresa e suas bochechas coraram fortemente quando percebeu quem era seu salvador. Era justo o lobo que sempre amou em segredo e agora seu noivo. ‘Noivo’... Tal pequena palavra fez seu corpo estremecer e sua face ficar ainda mais quente.
— Se-Seiji-san? — Chizuru disse entrecortado. — O-o que faz aqui?
O Beta colocou o pequeno sobre os próprios pés e ajeitou uma mecha de seu cabelo. — Seja cuidadoso! — Disse gentil dando um sorriso para o lobinho. — Eu terminei meu trabalho e pensei se queria ir almoçar comigo...
— Oh... — Chizuru abaixou o olhar e encarou os próprios pés. — Eu... Tenho que fazer comida para meu pai... E depois ia... Ia à casa de Ni-chan. — Disse sem jeito, no entanto, criou coragem e levantou o olhar e encarou o noivo. — Mas posso... Quero dizer...
Seiji deu um belo sorriso e coçou a nuca. Os seus cabelos brancos brilharam e seu corpo inflamou de orgulho. — Neh, podemos ir então à casa de Ken-chan... Talvez retribuir o jantar de ontem.
— Sim, eu posso preparar algo especial lá para todos. Neh, eu vou chamar meu pai... Ele pode ir também. — Chizuru disse com um largo sorriso. — Eu tenho apenas de terminar de estender a roupa e me arrumar... Oh, estou todo desembocado. — Disse agitado.
Seiji segurou suas mãos e levou uma até os lábios. — Que isso, está lindo... A mais bela flor. — Disse dando beijo nas palmas das mãos de Chiruzu e depois acariciou seu rosto.
Chizuru corou fortemente, mas deu um pequeno sorriso. Seiji era tão gentil com ele, e isso apenas contribuía para que se apaixonasse por ele cada vez mais. — Neh... Seiji-chan... Bobo! — Disse afastando todo sem jeito e terminando de ajeitar as roupas no varal.
Seiji sorriu e passou a ajudá-lo. Chizuru olhou para ele pronto para brigar, mas Seiji ditou: — Se fizermos juntos, terminaremos mais rápido...
— Sim! — Chizuru murmurou. Seu coração batia tão rápido. Ainda não podia acreditar nisso. Vou me casar com ele. Murmurou em pensamento sentindo-se feliz.
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O imperador de Masao sentia-se cada vez mais perdido e sem rumo. Primeiro seu lindo bebê fugiu e ninguém estava sendo capaz de encontrá-lo... E agora, seu filho Shuichi se encontrava grávido... Solteiro e grávido... Será que a desgraça poderia ser maior em sua vida?
Ele era grato por ter Hachiro como conselheiro, após conversar por horas com o mesmo, chegaram a uma solução... Doeria em seu coração, mas era a única forma de salvar o que restou da honra de sua família.
Yoshikazu despediu-se do conselheiro e afundou em sua poltrona. Perdido em seus pensamentos e corroído pela dor em sua alma, não se atentou quando alguém bateu na porta de seu escritório, apenas se assustou quando seu filho mais velho se achava a sua frente e fez uma reverência. O imperador se acalmou e a expressão de dor voltou.
— Yunsuke... Sente-se, era contigo mesmo que precisava conversar. — Disse cansativo.
— Igualmente vim para lhe contar algo, meu pai. — Yunsuke disse sério e sem coragem de encarar os olhos do pai. Ele se sentou na cadeira na frente da mesa de seu pai, e olhou para suas mãos sobre o colo.
— Sim! Essa situação toda está tornando-se um caos. Primeiro Sayuri e agora Shuichi. Sinto que as coisas estão saindo do controle. — Disse o Imperador. — Conversei seriamente com Hachiro e ele me aconselhou a agir rápido. Para garantir que o boato da gravidez de seu irmão não espalhe, irei casá-lo... Na verdade, marcarei a data para daqui a dois dias, somente esperarei ele recuperar-se.
Yunsuke ergueu os olhos e encarou o pai. Bem que Shuichi tinha razão, seu pai iria casar seu irmão gêmeo rapidamente. Yunsuke não iria deixar. Ninguém colocaria as mãos sujas sobre seu precioso Shuichi. Ele era seu. Seu filho não teria um outro pai.
— Pai... Shu-chan...
Yoshikazu o interrompeu. — Não importa o que Shuichi quer... Não deixarei essa mancha na honrar da nossa família. Se o pai verdadeiro não se pronunciar até hoje, o casarei com o filho de Hachiro.
Yunsuke estreitou os olhos. Conhecia o filho do conselheiro, era um imprestável que somente sabia beber e gastar dinheiro com meretrizes... Não permitiria tal maldição na vida de seu irmão. Certamente aquele homem maltrataria seu precioso irmão e filho.
— Não há necessidade... Eu sei quem é o pai da criança e ele assumira toda responsabilidade. — Yunsuke disse.
O Imperador levantou com tudo e bateu as mãos na mesa. — Você sabe? Sabia o que Shuichi andava fazendo e não impediu? Não me disse nada.
Yunsuke respirou profundamente. Não iria amolecer. — Na verdade... Sou o maior culpado. Nunca quis me casar com a filha de Hachiro... Mas você e ele decidiram sozinhos e fui covarde para não recusar...
— Não agora Yunsuke. Tenho problemas demais com seus dois irmãos... Sabe que é necessário casar até a primavera e a lei...
— Mas a lei não diz que precisa ser alguém nobre ou mulher. O fato é... Eu fiquei confuso e envergonhado comigo mesmo pela fraqueza... Acabei bebendo demais no dia... Nem lembro o que fiz... A única coisa que sei é...
— O que? O que aprontou Yunsuke? — Yoshikazu indagou com medo. Mas um problema e acabaria pirando.
Yunsuke levantou e manteve uma postura firme. Não iria amolecer. Precisava ser homem e assumir seus erros. — O fato é... Influenciado pela minha bebedeira e minha vergonha... Eu invadi o quarto de Shuichi e... O fato é... O filho que Shuichi espera é meu! — Disse firme.
O Imperador ficou olhando atônico para o filho, mas dado momento começou a gargalhar. — Não seja ridículo. Sei que se preocupa com seu irmão, mas não precisa inventar essa mentira absurda...
— Não é mentira! Eu sempre amei Shuichi... Mas por medo de nos condenar a morte ou sermos odiados pelo Senhor e Sayuri, escondi... O fato é que ele sente o mesmo... Eu errei, não devia ter usando a bebida para fugir dos meus problemas e feito o que quis. Abusado dele.
A expressão dolorosa surgiu na face do rei. Realmente, mais problemas poderiam vir na sua vida. As coisas simplesmente estavam desabando. Ele sentou desolado em sua poltrona e fechou os olhos.
— Tem noção do que esta me falando? Está dizendo que estuprou seu irmão... Isso é um crime pago com morte. — O imperador ditou.
— Eu sei... Assumirei a minha culpa... Não quero morrer... Não deixarei Shu-chan e meu filho sozinhos e nem que ele seja criado por outro. Estou dizendo que irei me casar com Shuichi e criar meu filho. Com ou sem sua permissão. — Yunsuke disse confiante.
O imperador grunhiu. — Saia... Fique em seu quarto até que ordene. Irei decidir seu destino... A morte ou... — Não terminou de falar. Sabia que não poderia condenar seu filho à morte, mas tinha que agir com sabedoria para não autodestruir o seu pai.
— Por favor, papai... — Yunsuke pediu.
— Obedeça, Yunsuke. Seja homem!
Yunsuke fez uma reverência e saiu do escritório. Faria como seu pai indicou, mas não em seu quarto... Preferia ficar no mesmo quarto que seu amado e irmão... Cuidando dele. Ser acaso fosse condenado à morte, antes disso fugiria com Shuichi... Encontraria Sayuri e os três viveriam juntos.
Quando viu-se sozinho, o imperador encostou a cabeça contra a mesa e suspirou. — O que faço!
Da escuridão da sala um homem surgiu. Esse era quem o imperador mais confiava... Era alguém especial. — Eu acho que esteja falando a verdade. Ambos sempre sentiram algo um pelo outro. Resta-lhe apenas fazer o que ele disse.
— O que? Casar? São irmãos! — Yoshikazu disse. Ele encarou seu general.
— Eu não confio em Hachiro. Dará muito poder a ele casando seus dois filhos com os dele. Casar Shuichi e Yunsuke... Assim, preservará a linhagem da família real. — Disse Eiji.
— As coisas estão desabando ao meu redor. O que faço Eiji... — Yoshikazu disse suspirando. Estava tão cansado.
— Seja forte... Estou ao seu lado! — Eiji disse. Ele se colocou atrás da poltrona do imperador e massageou os ombros do mesmo. — Tudo ficará bem! Outra coisa queria avisar... Descobriram a localização de Sayuri.
Continua...
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