Akai Ito (Fio Vermelho) - Primeira Temporada

1 Capítulo 1 – Sacrifícios por Amor


Notas iniciais
Hannah: Estou muito feliz por ter tido oportunidade de escrever essa estória junto com minha linda Miky-chan! Ela é uma amiga querida e temos muitas coisas em comum! Rsrrs! Estamos trabalhando alguns meses nessa fic e finalmente temos o prazer de postar.
Espero que possar apaixonarem por ela como eu fiz...
Obrigada pelo carinho e não deixem de comentar.
Boa leitura!

Capítulo 1 – Sacrifícios por Amor


O céu rugia toda sua fúria, trovões cortavam a noite e os pingos grossos da chuva batiam contra tudo no caminho. Poderia se dizer que ele chorava diante da crueldade dos seres e por cada gota de sangue derramando. A bela cidade de Masao era palco de um cenário de caos e ódio, onde duas raças que em tempos primórdios eram rivais.



Mesmo em um mundo distante, onde a magia tomava forma e coisas imaginárias eram palpáveis... Onde nada era como parecia, e a mente não poderia formar... Era onde aquela sanguinária guerra sucedia.



A convivência daqueles dois povos sempre andou sobre a bainha de uma espada, e precisou de tão pouco para que o mar de raiva, ódio e sangue rojassem.



Ambas as Cidades, povos e clã vinham da mesma precedência, eram Weres, ou mais conhecidos como metamofos. Seres que poderia tomar tanto forma humana como a de animal. Mas era nessa divisão que vinha a diferença entre eles.



O rugido de um descomunal Oni foi ouvido, uma besta sagrada e poderosa, de poderes abismais, mas que poucos poderiam dominar. Os Weres residentes da Cidade de Masao usaram seus sacerdotes para invocarem a besta e ajudarem na batalha.



Os guerreiros que invadiam a cidade não deixaram se abalar diante da fera, afinal, eram de longe guerreiros fortes e destemidos.



Perdas eram existentes em ambos os exércitos, casas e prédios destruídos e o cansaço era ignorado. Pois o ódio que nutriam tornava-se maior.



Em meio a tal cenário caótico, uma bela e calorosa casa escondia algo de olhos alheios. Em suas paredes ricamente decoradas, dois amantes tomavam a decisão mais difícil da vida deles.



— Nao-chan... Eu... Não posso! Não quero fazer isso! — O menor dos dois choramingou. As lágrimas debulhavam de seus olhos de um azul encantado. Suas feições eram delicadas e seu corpo pequeno, mas o que chamava atenção para ele, era a forma que segurava um pequeno menino.



Esse não devia ter mais que 3 anos, e de alguma forma perante aquele caos dormia profundamente. Os fios loiros tão claros, que se confundia com branco de neve dos picos altos das montanhas, mas peculiarmente sutis mexas rosas desbravavam entre o branco.



— Eu sei querido, mas é preciso. Ser desejamos um futuro melhor para ele... Salva ambos os povos. Precisamos fazer isso. Confie em mim, Misaki! — O homem maior replicou. Esse trajava suas vestes de bravo guerreiro, como dos contos de samurais, porém nesse momento trava uma diferente guerra.



O mais velho entre eles, cujo nome era Naoki, retirou de sua bolsa o mais rápido que poderia um pequeno pergaminho antigo. O papel estava amarelado, tal qual se dava ao fato de ser de décadas, quem sabe séculos atrás. Mesmo que estivesse um pouco apagado, ele pode compreender a escrita, os símbolos mais antigos da magia proibida.



Misaki, aquele que carregava a pequena criança em seus braços, olhou-o temeroso. O medo lhe corroendo as entranhas. Ele e Naoki se olharam por um tempo e então assentiram. Mesmo que fosse muito arriscado, eles eram os únicos que poderiam salvar seu povo, livrá-los de um erro maldito que não deveriam ter cometido.



— Você tem certeza que dará mesmo certo? — Misaki segurou, ele estava mordendo seus próprios lábios. Era muito forte a ânsia do choro preso em sua garganta. Ele não queria que as coisas chegassem a esse ponto, ele nunca desejou isso. Mas então ele sabia que era preciso, que era o único meio.



— Sim. Pode ser realmente muito antigo, mas se tivermos fé, ele irá funcionar! — Naoki disse determinado. Ele voltou-se para Misaki, suas mãos tremendo enquanto segurava o pergaminho, ele beijou os lábios de seu amado. O último beijo entre eles. As lágrimas de Misaki então rolaram, sem freio, ele soluçou, mas sorriu para aquele que amava.



Naoki sentiu seu coração doer tão imensamente. A dor excruciante atravessando todo o seu peito, era como se fosse à morte para ele. E praticamente era.



Afastando-se apenas um pouco, ele leu tremulamente o primeiro parágrafo do pergaminho. As letras se ascenderam como Neon, rapidamente o céu foi se escurecendo, surgindo nuvens negras e formando um redemoinho.



Cada palavra que saiu de seus lábios fora como uma flecha maldita sendo encravada em seu peito. E foi diversas vezes até que ele sentiu como se todo o seu sangue estivesse sendo jorrado para fora de seu corpo.



Misaki brilhou ao redor do bebê, então entregou a criança nos braços de Naoki e beijou-lhe a testa.



— Eu irei protegê-lo... Mas por favor, prometa-me que um dia nós iremos nos reencontrar. — Misaki estava chorando. Nada se comparava a dor de uma separação, ainda mais quando o amor era tão grande. — Um dia quero nossa família unida novamente, então, por favor, faça tudo o que puder por nosso bebê, Nao-chan. Mesmo que para isso tenhamos que enfrentar todo um exército.



Naoki olhou-o com os olhos mergulhados em lágrimas. Ele assentiu e lhe respondeu com um último beijo. Misaki sorriu para ele e então, sem antes deixar de acariciar os cabelos loiros de seu filho, ele reluziu e antes o que era um doce homem, agora jazia apenas uma pedra, um quartzo azul pendurado a uma corrente de ouro.



Foi o adeus que ele nunca desejou dar, mas ele sabia que faria todo o impossível para que um dia eles pudessem se reencontrar novamente e unir-se como a família que eles foram.



Quando as frases que ele tinha lido reluziram mais brilhantes, o céu tornou-se um mar de trevas sem fim, olhando diretamente de onde estava a onde era o campo de batalhas, uma força subliminar tremeu todo o chão baixo os seus pés.



Aquele Oni em sua forma gigantesca de um tigre branco de olhos vermelhos brilhou e então deu um rugido estrondeante. Ele rugiu e rugiu ainda mais alto, até que seu corpo se tornasse uma chama que correu justamente ao sentido de Naoki e queimou diretamente em seu filho. Mas a chama não o feriu e sim penetrou no corpo da criança.



Naoki segurou suas lágrimas. Ele ajeitou a delicada criança sobre o futon e tomou o colar. Com cuidado, colocou ao redor o pescoço dele, e fechou o feixe, rogando um encanto para que não permitisse que o colar jamais fosse retirado da criança e que o mesmo sempre a protegesse.



— Eu te amo meu filho! A você e seu papai Mi-chan! Espero que um dia entenda tudo que fizemos, que foi unicamente para protegê-lo.



A tempestade aumentou, como se o céu noturno chorasse pela perda e dor daquela família... Que havia sido praticamente dizimada para um bem maior.



–*-*-



Dez anos depois.



— Com licença! Estou passando... — Um ser de pele tão alva como neve, feições sutis e delicadas, corria em desespero. Em sua pressa, esbarrava em algumas pessoas pelo caminho ou até mesmo nas barracas ou vigas das lojas. Dava para se perceber de longe que ele não detinha nenhuma coordenação motora, e na sua pressa apenas piorava.



— Preste atenção seu filho do mal! — Alguém gritou em meio à multidão, mas o pequeno apenas ignorou.



Aquela era uma rua movimentada, pois era justamente o centro comercial da Cidade de Masao. Lojas, barracas e pessoas ocupavam cada centímetro do local. A cidade que no passado havia sido destruída pela Guerra, agora se regia em beleza e glória.



Mas nem de perto era uma cidade normal. A mesma era o domínio dos Were Neko, ou precisamente os Were Gatos. Toda sua população tinha a peculiar habilidade de assumir três formas. A primeira de humanos íntegros, a meia-lua, precisamente entre metade humano e outra animal, ou totalmente animal.



Normalmente eles ficavam na forma meia-lua, ou seja. Seus corpos humanos, mas as cabeças decoradas com orelhas, e uma calda longa enfeitando logo no final da coluna.



E aquele menino que corria desesperado era um pouco diferente, vestia sua forma de humano íntegro. Decorando em seus cabelos loiros – quase brancos – as belas mexas rosas clarinhas somente.



— Vai se ferrar! — Ele gritou para quem quer que fosse que o xingou. Ele necessariamente não engolia desaforo. Poderia se pequeno, mas tinha uma língua afiada.



Quando olhou para frente, viu uma carroça de jarros na frente, e não teria como parar a sua velocidade. O pequeno gatinho impulsionou os pés e chutou a parede alavancada com um pulo e agilidade, e como hábil gato, pulou a carroça e parou do outro lado. Mas desequilibrou e por pouco o pacote em suas mãos caiu. Ele moveu tentando segurar, e quando fez, suspirou aliviado.



— Preste atenção! Vou fazê-lo pagar se quebrar algo! — O dono da carroça gritou, mas o pequeno ignorou.



— Foi por pouco! — Disse baixinho. De todas as pessoas que passava ali, ele poderia se considerado o com roupas mais sujas, velhas e decadentes, mas era o que tinha e cuidava bem delas. — Oh céus! A entrega. — Gritou consigo mesmo e voltou a correr. Ele cortou por um atalho, um beco... E correu com toda sua força. Quando finalmente chegou a frente a residência, ele arfava profundamente. Seus pulmões queimavam e as bochechas encontravam bem coradas.



O portão da casa foi aberto, a mesma em estilo medieval, e uma senhora gordinha com avental em frente ao quimono simples resmungou: — Está atrasado idiota!



— Não tenho culpa se as pessoas não sabem andar na rua. Tente cortar uma multidão mal-educada. — O gatinho resmungou.



— O que disse? — A mulher gritou.



— N-nada! Aqui está sua encomenda! Lamento a demora. — O menino disse inclinando o corpo para frente e estendendo o embrulho. Geralmente aquelas entregas não lhe rendiam muito, mas era algum trocado que ajudaria. Como sempre dizia, de grão em grão, se enche o saco.



Depois do término de sua ultima entrega, Nanami finalmente respirou aliviado. Mesmo com o olhar de todas aquelas pessoas que o odiava, ele estava ignorando-as todo o tempo, por isso já se dizia acostumado.



Caminhando mais tranquilamente, apenas desviando ou sendo desviado das pessoas que não queriam ter nenhum tipo de contato com ele, voltou para casa. A mesma ficava em um bairro um pouco mais afastado do centro de Masao. Nanami morou naquela velha casa com sua avó desde que se lembrava.



Era doloroso continuar ali depois que sua avó havia partido desse mundo. Ele sentia-se tão sozinho e carente... Ele ainda tinha sorte que mesmo se ninguém gostasse dele – praticamente odiá-lo – ainda assim, havia um único ser que se preocupava. Seu melhor amigo Sayuri.



Era uma relação difícil, eles mal se viam, praticamente algumas noites durante a semana, quando de alguma forma arranjavam um jeito de se encontrar. Sayuri desde sempre fora muito gentil e amável com ele, lhe dando presentes e cuidando dele quando possível.



Nanami não sabia o que seria de sua vida sem o seu melhor amigo. Ele estava sofrendo a perda de sua avó, e mesmo que todos lhe dissessem que ele nunca iria encontrar alguém para amar e que seria um solitário por toda a vida, Nanami tinha fé de que um dia teria sua companheira de coração. Que ele encontraria a felicidade com essa pessoa.



Ainda sim, mesmo que agora Nanami estivesse em seu quarto, apenas iluminado por um par de velas, deixou as lágrimas de amargura e tristeza lavarem seu rosto. Ele as enxugou com um lencinho especial, um lenço que era da sua falecida avó.



A foto dela estava em um quadro sobre a cama e Nanami olhava diretamente para ele, assim como para o retrato de seus pais. O que no caso, seu pai progenitor estava ainda sustentando uma barriguinha que era Nanami antes de nascer. Eles eram lindos, e Nanami os amava, acima de tudo e de qualquer história de que seu pai era um traidor e covarde que havia fugido e largado seu filho com a sogra.



Nanami nunca acreditou no que os outros lhe diziam, seu maior sonho era reencontrar o seu pai, já que o que lhe deu a luz estava morto. Nanami tinha fé. Ele enxugou suas lágrimas mais uma vez, e fez sua pose de determinação.



— Vocês verão... Papais e Vovó, vocês sabem que eu não sou um fraco. Eu sei que conseguirei, só peço a vocês que me guiem e que me deem forças para seguir cada passo. — Pois eles eram realmente a única força da vida de Nanami.



Sem percebe, os dedos finos de Nanami passaram a brinca com o colar que adornava em volta de seu pescoço. Aquele era seu único bem precioso, tudo que tinha de seus pais, retirando aquela foto.



Sua avó lhe disse que devia cuidar muito bem dele e jamais retirar, pois enquanto sustenta-se àquele precioso colar, seus pais estariam bem pertinho dele. O mesmo era uma corrente fina e delicada de fio de ouro branco que sustentava um pingente azul, em forma de coração.



O pequeno gatinho continuou a caricia a pedra coração e sentiu a calma vir a sua alma, as suas lágrimas se secaram e sua respiração acalmou. Não demorou em que o gracioso rabo branco passasse a serpentear pelo ar e sobre o topo da cabeleira loira platinada surgissem as duas orelhas brancas e fofinhas.



Normalmente quando estava fora de sua casa, Nanami as mantinham escondidas. Estranho pensar, pois os cidadãos de Masao sustentavam com orgulhos os sinais de quem eram, mas para Nanami era sinal de mais tormentos.



Diferente de outras crianças, ele demorou a se desenvolver... O normal era que uma criança surgiria suas orelhas e rabos aos cinco anos, mas para Nanami somente foi surgir com seus onze anos... E isso sempre foi sinal para ser mais humilhado pelos outros.



Sua avó sempre dizia para nunca se expor ou chamar atenção, que se ele fosse o mais possível invisível, as pessoas o perturbariam menos, e com isso, Nanami sempre escondeu as suas orelhinhas fofas e a longa calda... Pois ser um Were Neko branco era raro, e se os outros soubessem que ele era dessa linhagem ou poderia vendê-lo ou até mesmo machucá-lo... Por que o filho de um traidor era algo raro.



De repente o silêncio foi quebrado, por uma melodiosa, a mais bela e suave voz. As palavras tão simples formavam em um ritmo e sintonia perfeita, maior do que qualquer cantor que estudou a vida inteira. Mas tal bela voz, nunca foi ouvida além daquele que o criou com esforço.



– Nerunenaum, Miauuu... MiauuuauuuKuiiu... — Baixinho Nanami começou a cantar uma das cantigas tradicionais do povo WereNeko. A mesma tinha sido ensinada por sua avó. — Se você deseja meu grande amor... Querer me encontrar... Pegue o meu coração... — Os olhos azuis nublaram novamente pela solidão, mas o cansaço tornou-se maior. — Oh meu gatinho... Quero matar a minha sede e abraçar teu corpo... — Aos poucos as pálpebras de Nanami foram fechando, como ser a sua própria voz servisse para niná-lo e embalar para uma terra feliz... A terra dos sonhos onde poderia ser feliz e amado. — Quero beijar tua boca, morder tua língua, alisar o teu rosto...



Logo a canção foi paralisada, e o pequeno gatinho adormeceu. Inconsciente, ele ronronou em seu sono... O pequeno ronco era sinal do seu cansaço, de quem acordava tão certo para trabalhar e chegava a casa extremamente cansado.



–oo0oo-



O silêncio pendurava sobre o ambiente, e pequenas ocasiões eram quebradas pelo comentário ou ordem pela maior autoridade na cidade de Masao. O seu imperador Yoshikazu. O mesmo trajava um belo quimono, feito dos tecidos mais macios e de belas estampas. Suas expressões eram severas, marcando toda sua experiência e sabedoria, mas mesmo um homem tão sério, ele zelava e cuidava de seu povo.



Hoje era um homem totalmente diferente de onze anos atrás, o jovem sonhador deu lugar a um homem severo, rígido e exigente... O que mostrava que a grande guerra deixou marcada em muitos. Yoshikazu tinha lutado bravamente como guerreiro para proteger seu povo na grande guerra, e nela, perdeu além de sua esposa o seu melhor amigo... Aquele que se tornou o maior traidor de seu povo.



Ele deixou seu lado sonhador ou pacifista, para tornar aquele que protegeria seu povo e família para todos. Ele conduzia seus três filhos com mãos de ferro, e garantia que eles respeitassem suas regras.



Assim, era comum ver as refeições em conjunto e naquele silêncio mórbido.



— Papa, será que eu...



— Sayu-chan calado! — Um jovem disse duramente.



— Mas eu... — O caçula da família ditou formando um bico em seus lábios. Sayuri era o terceiro príncipe e o mais jovem. Ele era pequeno e gracioso, e considerado por muitos o neko mais belo do reino. Os seus fios vermelhos como sangue eram lisos, de aparência sedosa e achavam sempre bem penteados. O que denunciava o quanto ele preocupava com sua aparência, mas pelo fato que era vaidoso, não o tornava mimado como muitos outros filhos de nobres.



O pequeno de olhos mel, pele pálida e lábios rosados e bem desenhados, carregava uma personalidade tímida e não gostava das pessoas o paparicando ou mimando. Ele achava que as pessoas não eram verdadeiras com ele. As únicas pessoas que requeriam sua verdadeira atenção eram seus dois irmãos, pai, sua babá e seu melhor amigo.



— Eu não estou com muito apetite, comi um pouquinho apenas. Acho melhor eu ir ao meu quarto descansar um pouco. Tenham uma boa noite! — Então Sayuri levantou-se de sua cadeira e fez uma suave reverência ao seu pai e irmãos mais velhos.



— Espere, Sayuri! — Mesmo com o chamado de seu pai, Sayuri fingiu não escutar e saiu da enorme e exagerada sala de jantar, correndo em direção às escadas. Aproveitando que não haviam empregados por ali e pela cozinha por que provavelmente estavam ocupados em servir o Imperador, Sayuri entrou no recinto.



Então ele trabalhou rapidamente, olhando sempre ao redor para ver se ninguém lhe descobria. Ele abriu uma gaveta e pegou uma sacola reutilizável, então abriu os armários e procurou por mantimentos, entre biscoitos, peixe em conserva, verduras e legumes fresquinhos, além de guloseimas que sabia que agradariam muito seu melhor amigo.



Sayuri ainda tentou empurrar uma lata de leite em pó e achocolatado no meio de todas as coisas.



Logo ele subiu para o seu quarto e trancou a porta, encheu uma mochila com roupas, as que sabia que seriam perfeitas para seu amigo. Sayuri ainda colocou produtos de higiene pessoal e um rolo de barbante cor de rosa que ele tinha comprado a alguns dias.



Logo que ele terminou e colocou suas coisas em um canto. Sayuri se distraiu para o tempo passar e vir à tarde da noite em que todos dormiam. Ele se preparou para escapar, pegou tudo o que tinha separado e saiu de sua casa, ou digamos que castelo imperial.



Aproveitando a escuridão, ele colocou um capuz sobre a cabeça, escondendo-se completamente em meio aos cantos e correndo para o lado mais pobre da cidade.



Depois de uma boa caminhada, mas que ele sabia que valia muito a pena. Sayuri chegou ao local destinado. A casa de seu melhor amigo, Nanami.



Entrando sorrateiramente pela janela, ele jogou as coisas para dentro, antes de infiltrar na casa, encontrando seu amigo dormindo em sua meia forma na caminha desgastada. O colchão estava horrível e precisava urgentemente ser trocado.



— Nana-chan... Nanami-chan? — O ruivinho sacudiu-o meio indelicado, mas foi o que fez Nanami acordar.



— Hnnn? — Murmurou esfregando os olhos. — Sayuri-chaaaaan! — Nanami gritou ao momento em que seus olhos identificaram seu melhor amigo. Nanami pulou e abraçou-o, apertou-o e beijou todo o seu rosto em alegria. — Ah que bom que você veio! Eu estive te esperando a semana inteira sabia? Fiquei tão preocupado!



— Me desculpe, eu não pude vir antes, só hoje que encontrei uma brechinha e consegui escapar. É bem complicado sair daquela casa sem ninguém te ver. — Sayuri e Nanami esfregaram seus narizes juntos. — Eu senti tanta saudade, saudades do meu neko-chan fofo! — Só para então Sayuri apertá-lo como se fosse um bichinho de pelúcia em seus braços. — Você é muuuuito, muito fofo!



— Nhaa, não diga isso, me deixa todo envergonhado! — Nanami se aninhou mais ao abraço com Sayuri. Suas orelhas mexeram e sua cauda balançou de um lado para o outro.



— Eu trouxe algumas coisas para você Nana-chan, inclusive aquele rolo de barbante cor de rosa que prometi que lhe daria de presente, lembra? — Nanami brilhou. O ruivinho então passou a retirar as coisas de dentro das sacolas e mochila. — Eu vou te preparar uma sopa quentinha, por isso, vá banhar-se.



Costumava ser assim, apesar de não ser todos os dias. Sayuri era o único que amava e se preocupava com Nanami naquele mundo cruel em que todos o odiavam. Nanami ainda se via com muita sorte por ter ao menos um barraco para morar, um emprego para conseguir uns trocados, e o amor e cuidado de Sayuri para com ele algumas vezes na semana.



Ele sabia que era arriscado para o pequeno príncipe se encontrar com ele quase sempre. Sayuri dizia não se importar, pois o amava como melhor amigo e sempre dava um jeito de aparecer por lá escondido.



— Hei Sayuri-chan... — Chamou-o antes que este se movesse para o outro cômodo da casa a fim de preparar um ensopado. — Você... Não ter vergonha de mim? Digo... Vergonha de ficar perto de mim, ou talvez... Você tenha nojo de encostar-se a mim... Afinal eu sou um neko amaldiçoado e as pessoas sentem nojo de mim o tempo todo.



Sayuri olhou bem para ele e franziu as suas sobrancelhas, voltando a se aproximar. — Eu não tenho vergonha de você. Muito menos nojo! Nanami, você faz ideia do que eu sinto por você? Você meu amigo, meu melhor amigo... Talvez até seja o único que eu considero de verdade. Você nunca olhou para o meu status na sociedade, o que vale em poder ter um laço de “amizade” comigo. Você somente gosta de mim como o Sayuri e nada mais. Por isso eu te amo... E também por que você é a criatura mais fofa que existe! — Sayuri teve mais um ataque de fofuras, abraçando e apertando Nanami em seus braços. Apesar de que eles tinham pouca diferença de altura, Nanami ainda era menor e parecia uma criancinha.



— Eu amo você, Sayuri-chan... De verdade! Você é o melhor amigo do mundo! — O menor deles chorou.



— Você sabe que eu também amo muito você, agora pare de chorar senão eu vou me desmanchar também. — E Sayuri era tão sentimental que já estava com lágrimas nos olhos.



Doía muito em seu coração toda a situação de Nanami, a dor que ele tinha que enfrentar todos os dias, tudo o que ele passava e as condições em que ele vivia. Claro que ele fazia o que podia para ajudá-lo, mas nunca seria o suficiente... Se Sayuri pudesse um dia se tornar o rei... Ou quem sabe quando crescesse e tivesse um cargo importante no reino, ele pudesse dar tudo o que Nanami mais desejou ao menos uma casa bonita, roupas novas e comidas para todos os dias.



Essa era a esperança de Sayuri, às vezes até mesmo esquecendo-se de seus próprios sonhos para ajudar o seu melhor amigo, aquele que mais amava. Um dia Sayuri poderia fazer algo importante por ele, sim ele poderia.



— Eu vou esquentar um pouco de água para você se banhar, e aproveitar para preparar a sopa. As roupas que te trouxe estão ali, pode escolher qualquer delas e veja o seu barbante rosa! — Sayuri saiu dando risada. Nanami adorava cor-de-rosa.



Nanami foi até as sacolas que o amigo havia trago, e acima de ver qualquer coisa, ele pegou o barbante rosa. Ele levou a face e ficou acariciando e sentindo a sua textura, e logo enrolou um pedacinho em seu pulso. Ficou olhando encantado. Para ele aquela era a melhor cor.



Não querendo chatear o amigo, ele correu para o banho. A água quentinha era um privilegio que nem sempre tinha. Mesmo que teve que tomar banho de balde e no minúsculo banheiro. Nanami garantiu que todo o seu corpo ficasse bem limpinho. Infelizmente a pele alva tinha diversos machucados e arranhões, efeitos de seus trabalhos, sua falta de coordenação motora e crueldade dos outros aldeões. Mas nada era o suficiente para fazer o pequeno perde sua força, determinação e sorriso. Ele poderia chorar quando estava sozinho, mas perante todos mostrava sua força, não ia deixar aquele que o abominava ver sua dor e solidão.



Continua!



Notas finais
Miky-chan
Uiiia *---* Aqui óh:
Espero que tenha gostado do capítulo *-* Escrevemos ele com muito carinho, e devo dizer, que é um prazer para mim escrever com Hannah-chan, minha diva
Nossa primeira fic juntas, que espero ainda escrever muitas outras com ela.
Obrigada por ler, até a próxima!