Akai Ito
1 One-shot
Notas iniciais
Sayuri entrou em sua casa, vindo da escola, alegremente, sem perceber a presença de um rapaz moreno, um ano mais velho do que ela, sentado no sofá da sala, em silêncio, folheando uma revista.
— Okaa-sama! – a garota chamou com sua vozinha meiga e cantada, rodopiando até o escritório de sua mãe, mas o encontrou vazio.
— A tia Carol acabou de sair com Isshi-chan, Sayu... – Shin se pronunciou, calmamente, fazendo a garota saltar de susto.
— Shin-chan! Você me assustou! Não devia ficar aí feito uma assombração! – ela disse, revirando os olhos.
— Gomen... Não quis assustá-la! – o garoto abriu seu lindo sorriso de covinhas, herança de seu pai, e fez a garota corar levemente. – Você parecia mais feliz do que nossos pais em dia de Gran Finale! Achei que não devia despertá-la desse encantamento...
— O que está fazendo aqui sozinho? – a garota se sentou no sofá ao lado dele, timidamente, o rosto rosado como as mechas de seu cabelo descolorido. Lembrava muito Takanori quando deixava o cabelo naquela tonalidade.
— Meu pai pediu pra buscar o rascunho das goods do the GazettE que o tio Taka estava elaborando, mas a tia Carol disse que ele tinha levado pra gravadora... Como o otou-san hoje não vai pra lá, sua mãe disse que não tinha problema esperá-lo aqui... Só que ela teve de sair com Isshi e eu fiquei aqui... – o moreno explicou tranquilamente, lembrando muito o jeito paciente de Yutaka de relatar alguma coisa.
— Que horror! Essa família não tem jeito mesmo, Shin-chan! – Sayuri deu risada. – Você quer alguma coisa? Um lanche? Refrigerante?
— Não precisa se incomodar comigo, Sayuri-chan!
— Não vai ser incômodo nenhum, Shin-chan! Venha – ela o puxou pela mão e o guiou pra cozinha – eu vou fazer alguma coisa pra nós dois, está bem?
— Tudo bem! Se for pra nós dois, tudo bem! – o garoto disse, sem jeito. – Posso ajudá-la?
— É claro que não! Além de visita, você já foi abandonado sozinho pelos donos da casa! Pode se sentar!
Ele deu risada, mas obedeceu.
— Falando desse jeito, parece até o tio Taka...
— É? Tia Ny diz que puxei a okaa nesse aspecto... – a garota começou a preparar tudo o que precisava para fazer os lanches.
— É engraçado como seus pais se parecem... Às vezes, são como uma pessoa só...
— Olhando pra todos eles é assim, né? Acho que isso é o que significa “akai Ito”, não é verdade?
— Por mais estranho que possa parecer, é verdade...
— Estranho? Por que é estranho, Shin? Não acredita que exista “akai Ito”? – ela se virou, um pouco desesperada e entristecida para encará-lo.
— Não é isso... Acho que seria errado da minha parte não acreditar... Afinal... Nós fomos criados sob esses “conceitos”, né? Melhor seria dizer que fomos gerados nesses conceitos...
— Mas...? – Sayuri instigou-o e o garoto se surpreendeu de ela saber que tinha um “mas” em sua frase.
— Mas... Assusta um pouco ter o destino amarrado ao de outra pessoa, não assusta?
Ela parou tudo o que fazia e refletiu sobre o que ele dissera. Seus grandes olhos castanhos, como os da mãe, que estavam sem as lentes de contato azuis que usava para se parecer ainda mais com o pai quando ele se transformava no vocalista do the GazettE, se fixaram em Shin com mais intensidade do que já tinham feito antes... Como se quisesse puxá-lo...
— Não acho que me assuste... Porquê... Quando você ama alguém... E também é amado por essa pessoa... – sua voz se tornou entristecida. – Você deseja ficar pra sempre com ela... É isso que eu entendo por estar ligado a alguém...
— Também acho que, quando você ama, você quer ficar com essa pessoa... Mas com a akai Ito, soa como se não tivéssemos escolha...
— Mas o amor não é assim racional, Shin!
— É por isso que ele me assusta!
Sayuri terminou de preparar os lanches dos dois e sentou-se diante do moreno na bancada para comer, em completo silêncio.
— Eu estava vendo as fotos que você fez com Yuuri naquela revista... – ele comentou, mas, por algum motivo que a garota não soube identificar, sua voz não soou como de costume. Parecia afetado por um sentimento amargo mal disfarçado. – Muito bonitas...
— Arigato... – ela disse, tentando entender o que se passava com ele. – Temos de fazer uma sessão juntos, não é, Shin-chan? Eu adoraria trabalhar com você!
— Claro... – ele pareceu surpreso e satisfeito. De repente, seu rosto ganhou uma tonalidade avermelhada e ele desviou seus olhos dos dela. – Você estava muito linda, Sayuri...
— Arigato – foi a vez dela de corar.
— Claro que você é sempre linda, né? – ele falou, constrangido, ainda sem olhá-la.
— Você me acha linda?
— Todo mundo te acha linda, né? – ele deu de ombros, desmerecendo a própria opinião.
— A opinião de Shin-chan vale mais pra mim! – ela confessou com meiguice e os olhos dele se arregalaram.
— Por quê? – ele soltou, sem perceber, ainda espantado.
— Porque você é o único que não parece se importar com isso... É o único que não diz... Essa foi a primeira vez... – ela terminou com a voz muito baixinha.
— Gomen... Nós brincamos que Yune é desligado, mas eu não sou muito melhor... Você é muito bonita, Sayu! A garota mais bonita que eu conheço! A garota mais bonita... Do mundo!
— Arigato... – ela abaixou o rosto rosado.
O filho do baterista do the GazettE inspirou profundamente, se levantou e foi até ela, surpreendendo-a. Afagou-lhe a face e, hesitante, uniu os lábios aos dela. Ela se surpreendeu, mas não demorou muito pra que puxasse o garoto mais de encontro a si. Os dois sorriram entre o beijo que se aprofundava.
Shin desceu sua mão para a cintura dela e prensou-a entre ele e a bancada, recebendo um gemido ronronado e uma mordiscada no lábio inferior de resposta.
— Gomen... – ele riu baixinho, deslizando seus lábios pela face dela até o pescoço, beijando-lhe a pele.
— Nani? – ela riu, abraçando-o forte.
O moreno segurou novamente o rosto dela entre suas mãos e trouxe-lhe para um novo beijo, ainda mais sério e carinhoso que o primeiro.
— Acho que não dá pra desamarrar sua akai Ito...
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