Akai

4 Capítulo 3: Beyond Eyes



– Nós ainda morávamos no Wammy, Matt, acho que não tínhamos mais do que 10 anos quando esse tal de Beyond apareceu _tentava explicar ao mesmo tempo em que lia os relatórios mandados por Light _ele matou muitas pessoas inocentes sem deixar qualquer pista, as mortes foram todas macabras e chocaram o mundo _fez uma pausa e deixou as folhas de lado ao mesmo tempo em que tirava os óculos de leitura para descansar os olhos _L deixou uma tal de Naomi Misora para pegar o culpado e quando tudo foi concluído descobriram que na verdade o assassino era o irmão mais velho desaparecido dele... com certeza foi um choque _completou.

– ...eu não... sei muito bem o que dizer _o ruivo deixou o conforto da cama e caminhou até a janela, fitou o céu pensativo _ não me lembro disso.

– Bom... eu era mais ligado ao L, ficava o tempo todo atrás das coisas que ele fazia _ficou um pouco sem graça_ queria supera-lo, ser o melhor mesmo com a diferença de idades.

– Até hoje ainda é assim _riu _mas eis que chegou o Near um belo dia para deixar tudo ainda mais acirrado.

– Sem esses detalhes albinos, ok _se irritou _só sei que esse B é problema, espero que fique quieto.


Matt pode ver o outro tremer de raiva, mas resolveu não dizer nada. O clima pesado que se fez de manhã continuou durante todo o dia, Mello perdeu mais algumas horas em cima de pesquisas e contatos com alguns policiais e depois do almoço saiu para trabalhar – tinha um novo negócio com armas para a máfia Italiana, mas nem mesmo aquilo pareceu vir de bom grado agora.

Sozinho em casa e sem animo, o ruivo afagava os pelos macios e dourados de seu cachorro – um grande Golden Retriever – ambos deitados no tapete da sala.


– Mello fica louco quando enche o tapete da sala de pelos... _disse despreocupado, mais tarde passaria o aspirador _mas tenho certeza que ele te ama muito Sr Pulgas.


O animal bufou como se entendesse as palavras do dono e fechou os olhos, um tanto sonolento pela caricia do mesmo, o vento forte anunciando uma grande tempestade fez as janelas da sala tremerem com violência. Com a temperatura caindo consideravelmente, Matt pegou um cobertor mais grosso no quarto e voltou para o sofá, queria comer algo enquanto via o filme – o famoso “Exorcista” – mas a força do seu pensamento não fora forte o bastante para que a pipoca se estourasse sozinha.

Longe dali, Mello usava de todo seu vocabulário chulo para consigo mesmo por não ter pegado uma blusa, o tempo virou de repente agora além da demora do seu cliente, ainda tinha que passar frio. Tinha finalmente conseguido entrar no meio da máfia Italiana pela confiança de seu chefe, sentia que a hora de tomar o controle da situação estava mais próxima do que o esperado; essa notícia tinha feito o loiro se esquecer um pouco sobre Beyond e abriu um sorriso largo ao se imaginar no ápice de seus sonhos.

Não mais do que 15 minutos depois de todo seu devaneio, um homem gordo e alto apareceu no final da rua, tinha os ombros caídos, um andar lento e manco pendendo para o lado esquerdo.


– Boa noite _disse num sotaque estranho fazendo Mello franzir o cenho _eu vim a mando de Giovanni.

– Tudo bem, me siga.


O loiro andou mais um quarteirão e entrou numa casa de esquina, um ponto montado estrategicamente para aquele tipo de trabalho – caso acontecesse algo fora do previsto, ele teria a disposição armas, câmeras e outros membros da facção prontos para agir.


– O contrato será firmado diretamente com Jôjo, mas por enquanto você terá que tratar dos detalhes comigo, se tudo for como o planejado então encontrará com ele _explicou calmamente enquanto comia com vontade uma grande barra de chocolate meio amargo.

– Entendido, essa encomenda é especial então espero que tenha tudo o que queremos.

– Com certeza nós temos.


A negociação demorou mais do que o esperado, eles exigiram além das tradicionais pistolas semi-automáticas, alguns rifles e uma metralhadora personalizada.

O loiro saiu ainda acelerado das negociações, tinha feito um bom trabalho, um passo a mais para chegar onde queria. Subiu na moto rapidamente para não chamar atenção – infelizmente ainda estava sem blusa e agora chovendo muito – acelerou atravessando a rua rapidamente enquanto tentava se lembrar de onde estavam os radares que Matt tinha o alertado mais cedo.

Ensopado e quase tendo uma hipotermia, ficou desesperado para terminar de passar o cadeado na moto e subir para o apartamento, o estacionamento escuro estava dificultando as coisas.


– Vida de merda!! _levou o dedo á boca quando sentiu que tinha cortado na lateral da lamina de aço da moto _porra! Mas por que...


Não completou a frase, a luz fraca do lugar se apagou deixando tudo na completa escuridão. Não era bem medo do escuro, até porque deixara de ser criança a muito tempo, mas ainda sim ficar sem muita noção de onde estavam as coisas e quem poderia de repente aparecer o fez sentir calafrios.


– Tem alguém ai? _arriscou, queria uma lanterna para terminar de prender o cadeado.


Como não houve resposta, deixou de lado a tarefa e seguiu tateando as paredes para tentar chegar até a escada, só não entendia por que diabos a luz de emergência não tinha acendido ainda. Quando finalmente chegou ao pé da escadaria – depois de bater sua canela em vários lugares, diga-se de passagem – começou a subir os degraus lentamente. Uma coisa o incomodava constantemente desde a perda da energia, o único barulho que ouvia era o da chuva do lado de fora, além de não ter encontrado ninguém, para um apartamento com 12 andares aquilo era realmente estranho.

O loiro sentiu outro calafrio e continuou a subir, seus olhos ainda não tinham se acostumado com a escuridão e o frio estava o fazendo tremer. De repente sentiu um vento gelado mexer seus cabelos minimamente, se virou assustado para trás, mas nada viu.


– Realmente a nossa mente nos prega peças _disse para si mesmo e abriu um sorriso nervoso.


Ultrapassou o primeiro andar, o longo corredor vazio não era nada convidativo, então tornou a rumar para o segundo lance de escadas o mais rápido possível. Agora quase correndo, tudo o que queria era chegar logo e conseguir um pouco de luz, assim que virou para alcançar o terceiro lance de escadas deu de cara com um par de olhos vermelhos no topo da mesma, como se estivesse o esperando. Ofegante pelo esforço físico, Mello piscou varias vezes sem conseguir dizer uma só palavra, queria saber quem era ou o que era aquilo, sua mente, porém estava tomada por um medo absurdo. Assim como apareceu, os pontos vermelhos de repente desapareceram, ainda segurando firme no corrimão não sabia se corria em direção ao final da escada podendo assim entrar em casa ou se voltava e chamava por algum vizinho.


– Matt... _murmurou.


Quando se lembrou do ruivo tudo ficou muito claro na sua mente, aqueles olhos só podiam pertencer a uma pessoa, Beyond. Desesperado pela segurança de seu amado, sentiu o coração falhar uma batida e disparou em direção ao apartamento.


– Matt?! MATT!! _gritou ainda a alguns metros da porta, forçou o trinco e para seu completo pavor a porta estava destrancada.


No escuro, acabou por tropeçar em algum dos móveis, indo direto de encontro com o chão, massageou com força sua coxa ficando momentaneamente sem ar para chamar pelo outro novamente. Já desesperado, tentou se levantar e assim que encontrou algo para se apoiar, as luzes voltaram a acender.

Sem conseguir abrir os olhos de imediato devido aos seus olhos claros, Mello chamou por Matt novamente e para seu alivio, ouviu o mesmo responder da cozinha.


– Mels? Desculpas, eu não consegui sair rápido o suficiente de onde eu estava para te ajudar _estendeu a mão e o ajudou a levantar _você está bem?

– ...sim _segurou com força a mão quente do ruivo e tentou estabilizar sua respiração.

– Caraca! Está congelando Mels!! Vamos tomar um banho _puxou o outro para o banheiro com pressa _acabou a luz de repente, levei um susto.

– Eu vi... ele estava... o Beyond _tentou explicar o que acontecia enquanto lutava contra o frio e a confusão do que vira.

– Do que está falando?

– ELE ESTAVA AQUI! _gritou desesperado, sua voz ecoou pela sala assustando o ruivo.


Mello parou por um segundo, o que estava fazendo? Era impossível Beyond estar na escadaria do seu prédio! Procurou os olhos do amado num pedido mudo de desculpas, mas foi surpreendido por um abraço apertado, preocupado.


– Está tudo bem... eu estou aqui, eu estou aqui... _tentou acalma-lo repetindo a frase ao pé do ouvido, o abraçou com todas as suas forças transmitindo assim segurança.


Aos poucos a respiração ofegante foi normalizando, as pupilas dilatadas voltaram ao normal e o abraço se afrouxou minimamente. Eles permaneceram em silencio por mais alguns minutos, Mello nunca tinha se sentido tão protegido e confortável, aquela sensação de calmaria só Matt podia fazê-lo sentir, era como estar no céu, no paraíso.


– Está mais calmo amor? _tirou a franja que atrapalhava os olhos azuis que tanto amava e a colocou atrás da orelha.

– ... _fez um aceno positivo com a cabeça, ainda com a garganta seca para falar qualquer coisa.

– Então vamos tomar um banho e relaxar _agarrou sua cintura agora tentando fazer o outro rir.

– Pare com isso! _bateu nas mãos travessas e tirou o colete molhado _vamos, eu estou congelando.

– Huuum, vou te esquentar rapidinho _ergueu uma das sobrancelhas e sorriu com malicia.

– Sexo na banheira _anunciou agora tirando o cinto e já com a outra mão no botão do jeans.


O ruivo fez um gesto obseno e começou a se despir também, alcançou os lábios vermelhos que tanto amava com vontade, entrelaçou os dedos nos cabelos claros e encaixou sua perna na virilha desse arrancando um gemido baixo.


– Mello, eu não sei o que te assustou, mas estarei aqui para te proteger sempre e sempre _sussurrou agora brincando com a sanidade do loiro, ao mesmo tempo em que falava coisas tão cheias de significado, alcançava a ereção do mesmo fazendo sua mente divagar no prazer _meus olhos estarão o tempo todo seguindo seus movimentos, meu coração fará seu sorriso tornar-se eterno... _se ajoelhou a frente de Mello erguendo seus olhos para gravar na memória mais e mais seu rosto que expressava tantos sentimentos de uma só vez _sabe por que? _abriu um singelo sorriso ao ver o outro negar com um aceno de cabeça _porque eu te amo, Mihael.


Beijou sua mão direita como um digno cavalheiro, em seguida entrelaçou seus dedos para ocupar seus lábios com pequenos beijos ao longo do baixo ventre ganhando assim gemidos cada vez mais desesperados.

A figura macabra de Beyond que ocupara sua mente a minutos atrás agora era apenas um mero grão de areia no deserto diante tudo o que Matt o fazia sentir, amando a maneira deles, se confortavam nas horas mais criticas da vida e para isso um amor descontrolado, verdadeiro, desesperado.


Notas finais
É... a partir daqui tudo sairá do controle .-. uahahauhuhau. Pq claro que eles têm vida própria -nn (pelo menos é essa a impressão que eu tenho).