Akai

11 Capítulo 10: Akai Usagi


Notas iniciais
- Demorei? IMAGIIIINA ~ T__T malz gente, mas eu preciso estar inspirada para escrever, afinal... MxM é AMOR!
- Título: Me referi aos olhos vermelhos de um coelho, observando o mundo a sua volta - ou seja, L
- Enjoy :3

O loiro encheu a xícara maior com café, jogou cinco ou seis cubos de açúcar sem prestar atenção realmente e misturou vagarosamente com a colherzinha de sobremesa esquecida em cima da pia; precisava ficar acordado para mais uma noite de vigília naquele maldito monitor.

Voltou para seu posto deixando L ir descansar, sem progressos em dois dias, estavam desanimados e logo voltariam ao local para instalarem o resto do equipamento para obter uma visão mais ampla do interior do imóvel. Olhou impaciente pela milésima vez até que de repente, o ruivo apareceu diante os seus olhos.

Depois de quase 52 horas eles finalmente apareceu.

Seus lábios repuxaram para um sorriso, quase inconsciente, ficou observando a cabeleira ruiva passar pra lá e pra cá meio sem rumo, um tanto entediado. Parecia estar bem! Sem machucados e um tanto saudável, então provavelmente ainda estava sendo feito refém por causa do numero de armas de fogo – tudo fazia o maior sentido. Chegou a comemorar batendo sua mão no joelho e exclamando “meu garoto”, se limitou a não tirar os olhos do monitor até que por ventura, Matt saísse de seu campo de visão.

Em seu coração, o aperto da saudade por tantos dias longe um do outro, em seus olhos, as lágrimas de felicidade. Amor.

- Eu sabia, seu imbecil... Matt _segurou com mais força a tela á sua frente, aliviado e já com o nome de L na ponta da língua para chama-lo e contar o ocorrido.

Foi então que Beyond apareceu, segurando um copo nas mãos, e a cena a seguir fez seu mundo parar. Como um filme, assistiu Matt aceitando o copo, bebendo o liquido e então afagando carinhosamente os cabelos do moreno, pode até mesmo visualizar um pequeno sorriso no rosto pálido desse.

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Matt x Beyond – horas atrás.

Depois da euforia entre os meninos, Matt finalmente parou e voltou a cair no chão, ainda zonzo pelos giros. O moreno passou então a fitá-lo, escorado na parede atrás de si, estava vivendo algo que ele denominou como “engraçado”; nunca tinha feito alguém ter uma reação assim.

- Isso! Eu senti o que você sentiu, eu acho... não sei, está tudo confuso, mas com certeza é algo... Matt? _os orbes ficaram arregalados ao vê-lo escondendo o rosto entre as mãos e chorando.

- Me deixe ir embora... Beyond já chega, eu quero ficar ao lado do Mello, por favor!

Foi difícil dizer o que aconteceu, mas seu coração passou de um sentimento para o outro numa velocidade estonteante. Num segundo estava radiante por saber que seu amado estava vivo e no outro, sentiu um aperto terrível e junto a ele, desespero. Quando iria sair daquele lugar escuro? Deixar esse mundo louco e seu dono para trás?

Rendeu-se a um choro desesperado, soluços vieram um atrás do outro assim como a voz tremula pedindo para ser libertado; rezando para o homem a sua frente entender seu apelo. Sem reação, B. chegou perto de si e deu um leve tapinha em suas costas para em seguida sair do quarto, pensativo.

Algumas horas mais tarde, o moreno ouviu um forte estrondo no quarto á frente, assustado, abriu a porta com um chute quebrando o trinco e fazendo a casa toda estremecer.

- Pare com isso Jeevas! _empunhou uma semi automática e atirou contra o primeiro objeto que viu pela frente, errando Matt por alguns centímetros.

- Eu vou sair daqui! _socou mais uma vez as ripas de madeira que fechavam a janela, os nós de seus dedos estavam vertendo sangue, mas isso não o fez parar.

Beyond então disparou até que o ruivo escorregasse até o chão, talvez por medo, talvez pelo barulho ensurdecedor dos tiros, mas assim que tudo voltou a ficar em silencio ambos se encararam.

- Fique... quieto _disse ofegante _eu não... suporto barulho, Jeevas.

- ... _mordeu os lábios se levantando minimamente sua postura, pode ver pequenos raios de sol invadirem o quarto através dos buracos feitos pelas balas.

- Não posso te soltar por dois motivos: me pegariam assim que você saísse por aquela porta, nossos amigos estão perto.

- Você...!

- Eu sei, L já está no caso _abriu um sorriso vitorioso _segundo, quero saber por que eles não invadiram a casa ainda. Me diga, Mail, por que Mihael ainda não te soltou?

- ...eles... eles não sabem onde estamos _respondeu um pouco atrapalhado.

- Mentira, seus lábios e seus olhos mentiram _coçou a cabeça com o cano da arma _hum, então as câmeras devem estar grampeadas. Oh... jogo de interesse _concluiu rindo pelo nariz.

- Como assim?

- Simples!

O moreno sentou no chão e desancou a arma em seu colo, soltou um pequeno suspiro de ansiedade.

- O cabeça é o L, sempre. Se você ainda está aqui é por uma única razão, ele quer saber o motivo de eu ter te raptado e... eu não vou te soltar até saber o motivo do Mello ter aceito isso, ele sabe que eu posso te matar a qualquer momento. Isso é um fato, Jeevas, não atirei na sua cabeça por... algum motivo que eu mesmo estou tentando entender.

- ...cala boca! Isso não é motivo, Mello não está aqui por que... por que ele não está _abaixou a cabeça trincando os dentes, espera, que diabos estava acontecendo?

- Isso é amor? Achei que sua vida era mais importante do que as ideias insanas de Lawliet... olha só, quem diria que o meu irmãozinho fosse tão parecido assim comigo.

Beyond riu e voltou a empunhar sua arma usando Matt como alvo, chegou a levar o dedo no gatilho, mas se conteve.

- Agora... por que eu não consigo atirar em você? _estalou a língua, impaciente.

- Ele sabe que você não consegue me matar _disse entre dentes, inseguro.

- Não, ele não sabe.

- Como pode ter certeza!?

- Porque isso é novidade até mesmo para mim _abriu um sorriso sínico _eu não tenho vontade de ver você morto, ainda que seja á dois dias atrás apenas.

- ...o Mello...

- Mail, me ajude a entender essas coisas confusas... por favor _como um gato, chegou perto do ruivo e tomou sua mão para si, a apertando contra o peito _só me ajude e eu posso te soltar, não vou me importar em voltar a viver sozinho depois disso. Pelo menos meu martírio ira desaparecer.

Confusão, ódio, tristeza, amor... amor? Pena, sim, pena. Confusão.

Angustiado, Matt voltou a tomar Beyond em seus braços e lhe deu um abraço apertado. Ele não queria pensar em nada, precisava sair daquele lugar o quanto antes para não enlouquecer e se isso dependia de ensinar ao moreno o que era aquelas porras daqueles sentimentos, então iria fazê-lo.

- B, poderia me trazer um copo d’água?

- ... _olhou sem entender.

- Por favor?

B. saiu sem perguntar, Matt rumou para sala – e agora, o que faria?

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Caso Beyond B.

O que eu sou? Por que estou vivo?... o que é esse mundo? Agora mesmo estou flutuando no nada, o que é isso?

Liberdade.

Liberdade? O vazio é a verdadeira liberdade, liberdade é algo que buscamos a nossa vida toda... mas... por que eu não me sinto bem nesse mundo vazio?

Só se pode ser livre, se não existir ninguém, nem nada, nem nenhum pensamento.

Antes eu gostava disso, sabe, de ser livre... mas agora, depois que eu descobri que também posso sorrir, que também posso chorar, que também posso gritar, não quero mais ficar sozinho. Quero afastar a escuridão, quero enxergar mais coisas além da minha própria existência. Por que?

Você tem medo. Medo da sua própria “mãe”.

Medo da escuridão, medo do lugar onde eu nasci... medo de ser Beyond Birthday. Se eu tenho medo de mim mesmo então o que eu me torno? O que eu sou? Por que estou vivo?

Ninguém se importa com Beyond Birthday, se você fechar os olhos, ninguém ira se importar.

Se eu não quero mais ser o B. então o que eu me torno?

...

Quem é Beyond Birthday?

Escuridão.

Não quero mais ficar sozinho, não quero voltar a ser B.B, me odeiem, me amem... eu estou aqui! Não me ignorem, eu não sou uma existência vazia... Matt, Matt... Matt... o que é amor? Não... me diga, o que sou eu? Matt... L! Eu estou aqui, aqui...

...

...

Beyond abriu os olhos lentamente, como se estivesse saindo de um transe; em seus olhos densas lágrimas, suas mãos fechadas sobre o lençol fino.

- ...quem é B? Quem eu sou agora?...

Quem causou tudo isso?

O moreno se levantou ainda atônico, rumou para cozinha e alcançou a faca sobre a pia de mármore.

Quem me fez... humano?

Caminhou com passos largos até o quarto mais a frente, Matt estava deitado novamente de costas para a porta, adormecido. Confuso, B. levantou a faca o mais alto que pode e chegou perto de sua vitima.

Ele podia ouvir a respiração leve do ruivo, podia ouvir até mesmo as batidas ritmadas de seu coração, seu sangue fervia e sua mão começou a formigar para descer com tudo e perfurar a carne macia.

Mas B. perdeu a capacidade de matar.

- Acorde.

Com o sono leve, Matt abriu os olhos assustado pela voz rouca de Beyond.

- ...precisa de alguma coisa? _respondeu receoso ao chamado se afastando consideravelmente do homem.

- Quero ver o meu irmão.

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- Eu não sei te dizer o que aconteceu, Mello _L respondeu impaciente diante o homem histérico a sua frente _Beyond nunca demonstrou afeto com ninguém, ele é um psicopata insano.

- Quer dizer o que? Que o Matt ainda não fugiu porque não quis?! Agora de repente esse seu irmão ficou amiguinho dele?!!

- Cara... cale a boca!! _Light gritou com o loiro _ele não é o seu marido? De um voto de confiança, isso pode ser uma estratégia.

O já estressado Mello se virou com tudo contra Light e desferiu um soco na altura de seu ombro, como resposta recebeu um empurrão e isso foi o estopim para uma briga física sem hora para terminar. Ficaram numa luta sem pudor, esbarrando em tudo que havia ao redor e quebrando algumas coisas no trajeto, L por sua vez, apenas suspirou e voltou sua atenção para o monitor tentando entender a cena que se repetia das gravações.

Beyond se deixando ser tocado, a expressão leve em seu rosto. O que tinha mudado nesses anos todos que o moreno tivera em cárcere? Ou talvez, o que Matt tinha conseguido mudar naquela figura totalmente travada e presa em um mundo só dele? Eram muitas questões sem resposta e de repente L já não tinha tanta certeza se ele era o alvo ou ainda, se B merecia mesmo o título de vilão.

O moreno roeu impaciente a unha do dedo anelar, ignorando o gritos vindo do cômodo vizinho devido a luta dos dois outros homens, pensou numa estratégia melhor para vigiar Beyond. Se o capturassem não tirariam dele informação alguma, mas talvez Matt agora consiga dados importantes, bastava entrar em contato com ele através de um novo dispositivo e...

A linha de pensamentos de L fora interrompida ao ouvir um bater de portas, Mello saíra furioso com sua magnun na mão e Light tentou alcança-lo, mas isso resultou num tiro. Felizmente o loiro errara – mesmo que por centímetros – a cabeça do outro, bufando, continuou a ir em direção ás escadas de emergência do prédio.

- Pare de ser um retardado! Não vai conseguir nada entrando lá sozinho, vai por todos nós em risco!!

- Quer saber, foda-se! Voltem para o Japão e me deixem e paz!! _gritou ainda mais alto chamando a atenção de alguns vizinhos mais curiosos.

L espiou para fora do apartamento com seus olhos de panda, viu a arma mais uma vez apontada para Light e uma pessoa extremamente nervosa com o dedo no gatilho, deu um passo á frente e deixou ser visto por ambos.

- Se entrar lá, Beyond poderá matar Matt _disse simples, tentando amenizar o clima _nós vimos aquela cena, mas isso não quer dizer que ele se tornou um alguém sociável. Poderá se sentir ameaçado.

- ...e o que espera que eu faça, fique olhando? _disse entre dentes, ainda sem abaixar a arma.

- Vamos, aqui não é lugar para isso _voltou a entrar puxando Light pelo braço.

Mais calmos e cada um num canto do cômodo, L começou a dar as devidas explicações.

- Não sei como pode se descontrolar assim diante uma situação que está praticamente ganha agora.

- ... _levantou os olhos, raivoso.

- Se Matt está conseguindo manter um contato com B, então ele poderá nos dizer tudo a respeito. Estamos mais pertos da solução desse caso do que imagina.

- Eu não confio naquele Beyond! Quero tirá-lo de lá o mais rápido possível!

- Só mais um contato e então vamos decifrar isso tudo, o próprio Matt poderá nos dizer se corre riscos ou não _exclamou Light, agora tentando defender o marido.

- Aquele monstro pode estar simplesmente o enganando, ou pior... enganando a todos nós. Vou entrar lá ainda hoje!

L entendia a preocupação de Mello, sua atitude era tão aceitável quanto.

Porém...

Sua insistência em saber tudo sobre os planos de B. ia além da curiosidade ou coleta de dados para a policia; algo em seu coração se fazia mais forte. Ele queria entender aquela pessoa tão lúdica, entrar em contato com a sua única ligação de sangue e talvez até descobrir mais sobre si mesmo.

O sequestro de Matt não fora o estopim para tal, há muito tempo vinha tentando, pressionando, estudando B., porém nunca obteve sucesso. Não conseguiu arrancar do irmão nem mesmo um suspiro. Quando viu no sequestro uma chance, agarrou-se á ela de todas as formas para vê-lo em ação de perto.

Mas engana-se se acha que esse é um pensamento egoísta, ao ver o aluno tão precioso correndo risco de vida, seus sentidos quase o cegaram de ódio, preocupação e culpa.

Culpa por tão ter matado aquela criatura quando tivera chance...

Confiante e depois de passado o susto, voltou a sua antiga ambição, mas Mello ainda estava em seu caminho. Foi preciso paciência e também teve que usar de muitas artimanhas para convencer o loiro, quando finalmente conseguiu faltava apenas agora observar. Poderia levar anos, sim é verdade, mas não importa! Matt e Mello iriam o perdoar, Lawliet também era humano, tão humano quanto qualquer um deles e tinha dúvidas, ansiava por saciar sua sede e descansar em paz.

- Mello... por favor me perdoe e mais uma vez peço que confie em mim _disse monótono num discurso já decorado.

Os orbes pousaram sobre a tela escura do notebook, Mello imitou-o pondo-se a olhar também, ambos sem prestar atenção no objeto realmente.

Silêncio

Os homens evitaram a troca de olhares desviando para as imagens no monitor, Light chegou sorrateiro envolvendo a cintura magra do moreno e com isso, diminuindo a tensão. Rendidos, ambos relaxaram os ombros e antes que o loiro pudesse respirar fundo e voltar ao seu quarto, o silêncio foi cortado por um ruído alto e característico de explosão.

Uma forte e intensa explosão seguida por chuviscos na tela, provocado pelo corte dos fios do sistema de imagem e juntamente á isso, três homens sem reação.

Notas finais
- Obrigada!